• Quinta-feira, 01 Março 2012 / 11:49

Editor propõe reedição contra Serra

   De Vera Magalhães, do Painel da ‘Folha’:
   ”O editor Luiz Fernando Emediato propôs ao jornalista Amaury Ribeiro Jr. o relançamento do livro “A Privataria Tucana”, com denúncias contra a filha e amigos de José Serra (PSDB), que acaba de se lançar pré-candidato a prefeito de SP. “Vamos corrigir erros de pequena monta e acrescentar dados que ficaram de fora”, diz ele.
Verônica Serra, filha do candidato, nega as acusações de que tem negócios ilegais no exterior.
E José Serra já classificou o livro como “lixo”.

  • Domingo, 06 Junho 2010 / 4:23

Lanzetta: vade retro, Satanás

 De Fernando Rodrigues, da ‘Folha’:
“O jornalista Luiz Lanzetta, cuja empresa, Lanza, é contratada pelo PT, pediu ontem afastamento da pré-campanha de Dilma Rousseff. Lanzetta é apontado como o cérebro da tentativa de montar um grupo para espionar o adversário José Serra e produzir dossiês contra ele.
A decisão foi tomada na madrugada de ontem e comunicada por carta ao comando da campanha de Dilma, depois da divulgação de entrevista do delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa à “Veja”.
Na entrevista, ele diz que Lanzetta, responsável pela área de imprensa da pré-campanha, pediu-lhe que fizesse investigações “pessoais” sobre Serra. O contrato não chegou a ser fechado. O pedido ocorreu em encontro no restaurante Fritz, de Brasília, em 20 de abril, relatado ontem pela Folha.
Participaram ele, Lanzetta, o jornalista Amaury Ribeiro Júnior e dois membros da “comunidade de informações”. Um deles seria Idalberto Matias de Araújo, ex-agente do Serviço Secreto da Aeronáutica, segundo o jornal “O Estado de S.Paulo”.
“Tudo o que pudesse ser usado contra ele na campanha, principalmente coisas da vida pessoal. [...] O material não era para informação apenas. Era para ser usado na campanha”, disse o delegado à “Veja”.
Onézimo afirmou que a reunião foi marcada em nome de Fernando Pimentel, um dos coordenadores da pré-campanha de Dilma, que não compareceu.
Em nota, Pimentel negou a versão. “Não conheço esse senhor, nunca tive qualquer contato com ele nem com sua empresa. Repilo a insinuação de que eu teria tomado conhecimento de um encontro entre este sr. Onézimo e o jornalista Luiz Lanzetta.” Lanzetta negou o esquema de espionagem e as acusações do delegado.
O jornalista Amaury Ribeiro Júnior também negou ontem à Folha que, no encontro, tenha sido pedido ao delegado que fossem feitas investigações contra Serra. Segundo ele, a intenção de Lanzetta era contratar uma empresa para averiguar a origem de vazamentos de informações da campanha. “[A entrevista] é uma retaliação porque ele não foi contratado. Acho que ele passou para o outro lado”, disse Ribeiro Júnior.
Ainda segundo o jornalista, Onézimo teria dito que havia trabalhado num grupo de inteligência montado pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ). Esse grupo estaria atuando “há mais de dois anos”, teria “300 dossiês contra pessoas do PMDB”. Itagiba não foi localizado”.
A entrevista de Lanzetta
“- Quem estava na reunião de 20 de abril no restaurante Fritz, em Brasília?
- Cinco pessoas. Onézimo, Amaury, o Dadá, o Benedito e eu.
- Quem marcou a reunião e fez os convites?
- Eu não me lembro.
- Por que pessoas como o Benedito e o Amaury estavam nessa reunião?
- O Benedito estava lá até para me servir de testemunha agora. Até porque o Onézimo parece ter sido acometido por uma crise de ética que ficou retida por dois meses. Ele chegou ao encontro dizendo que transportava dinheiro. Os dois, ele e o Dadá, falaram ter conhecimento de que o Marcelo Itagiba estaria montando cem dossiês. Ofereceram-se.
- Como foram os contatos seguintes?
- Nunca mais vi os dois. O fato a ser dito é que não foi feito nenhum contrato.
- Numa entrevista, Onézimo falou ter sido proposto a ele grampear e espionar pessoas. Isso não é fato?
- Ele que ofereceu serviços de espionagem. Eu fui lá ouvir. Levantei e fui embora.
- Mas Onézimo é muito assertivo ao dizer que foi proposto a ele buscar dados da vida pessoal do pré-candidato José Serra.
- Não é verdade. Não se tratou de Serra. Ele montou essa reunião agora para dar essa mídia toda. Não teve isso. Eu fui para uma reunião, ouço um monte de coisa, levanto e vou embora. Não faço contrato. Nunca mais falo com a pessoa. De repente aparece como se fosse uma proposta minha? Eu nunca mais quis encontrar com ele.Ele veio se oferecer para acompanhar o Marcelo Itagiba. Disseram que sabiam que o Marcelo Itagiba estava trabalhando porque já trabalharam na equipe dele e o conheceram.
- Mas Onézimo se ofereceu explicitamente para investigar Marcelo Itagiba?
- Explicitamente.
- Qual serviço exatamente foi oferecido?
- Eles começaram a falar o que eles têm de serviço. Demonstram como seguem, como gravam. Essas coisas todas. Eu comecei nem prestar mais atenção. Eles falaram que o Marcelo Itagiba estava fazendo cem dossiês contra a base aliada. Estaria fazendo isso com uma série de ex-agentes da Polícia Federal e da Abin no gabinete dele. Essa informação era o que eles queriam dar e depois se ofereceram para ir atrás disso. Era uma coisa um pouco pirotécnica. Mas da nossa parte nada prosperou. É impressionante: é uma coisa da qual caímos fora e ficou como se tivéssemos feito.
- Onézimo diz ter sido convidado para a reunião no Fritz pelo Pimentel. Isso ocorreu?
- É delírio. O Pimentel nem sabia disso. Só fui falar depois, quando começou a aparecer essa reunião. Falei para ele como tinha sido e que nada havia sido acertado.
- Há uma informação de que Fernando Pimentel tinha conhecimento sobre a finalização da apuração que Amaury Ribeiro Jr. fazia, sobre privatizações e negócios de Verônica, filha de José Serra. Como se dava essa troca de informações?
- Não tinha. De minha parte, não.
- Mas o Amaury poderia falar diretamente com Pimentel?
- Ah… só se houve algo assim. Porque nunca houve reunião que eu tenha visto dos dois.
- Há também uma informação de que por algum canal, da pré-campanha ou do PT, Amaury Ribeiro teria sido remunerado regularmente para continuar suas apurações. Essa informação é real?
- Não tenho conhecimento. Pelo que eu sei não houve nada. O Amaury tem recursos para tocar a vida dele.
- Quais serão seus próximos passos na pré-campanha?
- Hoje devo soltar uma nota a respeito de tudo. Tudo o que aconteceu diz respeito a mim. A reunião foi um ato feito voluntariamente por mim. Hoje [ontem] eu mandei uma carta para a pré-campanha e me desliguei. E agora ficou claro que não tem central de arapongas e dossiês porque ninguém foi contratado. Então eu posso me desligar e me aliviar e ir embora. Ninguém foi contratado, não existe. Mandei uma carta hoje [ontem] de madrugada. Quando eu vi as entrevistas [de Onézimo e uma reportagem sobre Dadá] eu pensei: ‘Dá para falar’. Fiquei tranquilo porque tudo está no meu âmbito. A carta foi para algumas pessoas, mas basicamente para a Helena Chagas.
- Mas o seu contrato não vai até o final de junho?
- Eu estou saindo pessoalmente. O meu contrato eu estou abrindo mão e com grande alívio.
- Mas se ao seu juízo nada errado foi feito, por que então sair da campanha?
- Por que não tenho como ficar na campanha nessa situação. É melhor para todos a minha saída. Foram 40 dias dizendo que eu fiz uma coisa que eu não fiz. E o principal é que ficou esclarecido que nenhum negócio foi feito como nos acusaram”.

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