• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:24

Os campeões de gastos no Senado

 Cada Senador tem o direito de gastar,  mesalmente, até R$ 15 mil a título de verba indenizatória, aquela que paga aluguéis, refeições, gasolina, viagens e etc, fora de Brasília, bastando para isso apresentar nota fiscal – seja ela verdadeira ou não.
E mais: essas despesas estão livres do Imposto de Renda.
Segundo o site ‘Congresso em Foco’, os campeões de gastos em janeiro, embora o Senado estivesse em recesso, foram Suas Excelencias, os Srs. Senadores:
Demóstenes Torres – R$ 15.000,00
Geovani Borges - R$ 15.000,00
Raimundo Colombo - R$ 15.000,00
Eduardo Azeredo - R$ 14.849,84
João Claudino - R$ 14.801,83
Fernando Collor - R$ 14.383,96
Quem é quem?
1. Demóstenes Torres, de Goiás, é tido com um sujeito sério, e seus colegas do DEM o chamam de ‘Heloísa Helena’ do partido, devido a sua radicalização moral.
2. Geovani Borges, do PMDB do Amapá. Ele é suplente e assumiu o cargo no dia 22 de dezembro de 2009. No mês seguinte pegou R$ 15 mil redondos.
3. Raimundo Colombo é do DEM, de Santa Catarina. Também faturou R$ 15 mil exatos. Curioso é como as notas somam o limite permitido.
4. Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas. O inventor do Mensalão.
5. João Claudino, do PTB do Piauí. Aliás, o Piauí é um caso a parte. A Mesa Diretora do Senado tem como 1º secretário um senador do Piauí; como 2º secretário outro senador do Piauí; e como 3º secretário, mais um senador do Piauí.
Isso é que é equilibrio federativo… O resto é besteira.
6. O 6º campeão de despesas foi o senador Fernando Collor, do PTB de Alagoas, ex-presidente da República que dispensa apresentações.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:15

Gabeira deixa a ‘Folha’

Na última terça-feira, dia 23, a ?Folha? publicou reportagem assinada pelos repórteres Alan Gripp e Ranier Bragon, sobre os deputados que usaram a verba indenizatória da Câmara em campanhas eleitorais. A matéria tratava apenas de seis deputados, entre eles, o carioca Fernando Gabeira, do PV.
Eis o seu trecho:
?Um dos expoentes da Câmara, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) utilizou parte da verba indenizatória na disputa à Prefeitura do Rio em 2008: usou R$ 6.600 para alugar o carro que o transportou durante a campanha. Gabeira disse não considerar incorreta a atitude, porque a Câmara permite o aluguel de carros e porque ele repassou um carro seu (um Gol) para uso do gabinete.
“O meu carro, se me permite a expressão, não há cu de peruano que aguente. Os caras andavam comigo em um Gol, não dava para colocar quatro pessoas”, disse ele -que, após as eleições, não cobrou mais da Câmara gastos com aluguel de carro. Gabeira disse que isso ocorreu porque ele comprou um carro para uso do gabinete?.
Gabeira escreve toda a semana na ?Folha? e hoje não foi diferente.
No artigo, ele anuncia que está de partida para a Europa para um debate norte-sul. E no último parágrafo anuncia: ?Quando voltar da Europa, nova vida. Vou me concentrar no estudo do oceano, embora o verão sempre coloque as enchentes na agenda. E vou deixar de escrever na Folha. Agradeço a todos os que me seguiram até aqui. Prossigo na internet. Adiós?.
Se prosseguirá na internet, é porque continuará com tempo para escrever seus artigos.
Pelo jeito Gabeira cansou-se da ?Folha?. Ou a ?Folha? cansou-se de Gabeira.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:52

Paulo Duque, contas duvidosas

Cada Senador pode gastar, por mês, até R$ 15 mil reais com a chamada verba indenizatória.
Basta reunir as notas fiscais e entregá-las ao Senado.
Sem que haja qualquer auditoria, as notas são reembolsadas.
O senador Paulo Duque, em 2008, raspou o cofre do Senado.
Gastou tudo o que tinha direito.
Quatro meses do ano, curiosamente, suas despesas foram de R$ 15 mil redondos. Uma precisão absoluta.
Entre as despesas reembolsáveis, está o aluguel de um escritório no Rio de Janeiro.
O de Paulo Duque teve, a cada mês, um valor diferente: R$ 7.058,62 em fevereiro; R$ 5.919,23 em março; R$ 3.549,96 em abril; R$ 6.287,34 em maio; R$ 6.129,98 em junho; R$ 6.006,60 em julho; R$ 6.170,89 em agosto; R$ 5.883,08 em setembro; R$ 6.327,32 em outubro; R$ 4.222,77 em novembro; e R$ 5.152, 80 em dezembro.
Em 2009, o escritório ficou mais barato: R$ 2.134,42 em janeiro; R$ 556,90 em fevereiro: R$ 208,82 em março; e R$ 212,28 em abril. Depois ? maio e junho ? essa despesa desapareceu.
O curioso é que ela sumiu justamente quando as notas fiscais passaram a ser publicadas no Portal Transparência do Senado.
O senador Paulo Duque, que gosta de vestir branco, poderia clarear suas contas para o eleitor:
1 ? Em que endereço funcionava o seu escritório político no Rio de Janeiro?
2 ? Como suas notas variam de R$ 208,82 até R$ 7.058,62, quanto era afinal o valor do aluguel?
3 ? Por que o senador fechou o escritório, justamente quando as notas fiscais passaram a ir para a internet? Ou uma coisa não tem qualquer vinculação com a outra?
4 ? Por que seu carro foi abastecido no mesmo posto de gasolina, a 300 metros de seu apartamento, 33 vezes no mês de abril, se abril tem apenas 30 dias?
5 ? Porque os números das notas fiscais desse posto de gasolina, na rua Senador Vergueiro, no Rio, não constam do Portal Transparência?
6 ? Desde que o senador Paulo Duque parou de gastar sua verba com o ?escritório político?, ele passou a ter despesas com a divulgação de sua atividade parlamentar. Ele gasta em média quase R$ 7 mil mensalmente. As empresas que atendem o senador, ao que parece, só trabalham para ele. Ou então, só ele pede nota fiscal a essas empresas. Em abril, a empresa Divulgação e Consultoria de Imprensa Ltda. emitiu a nota fiscal número 155, no valor de R$ 2.060,00. No mês seguinte, ela emitiu a nota 156, no mesmo valor. Já a Editora e Publicação ND Notícia em Destaque Ltda. vem emitindo desde abril notas no valor de R$ 4.800,00. A de abril tinha o numero 367, a de maio foi a 370, e a de junho a 371.
Parece não haver dúvidas que as empresas trabalham com dedicação exclusiva.
Como o Senado está em recesso, só retomando seus trabalhos no dia 3 de agosto, o senador Paulo Duque tem duas semanas para organizar suas notas e preparar uma explicação verossímil.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:26

Verba sem fiscalização

Nenhum senador é obrigado a apresentar as notas da verba indenizatória no dia 1º de cada mês.
Tem senador que ainda não apresentou as notas de maio, por exemplo.
Mas hoje, já tem uns 10, dos 81 senadores, que já fizeram a sua  prestação de contas de junho.
Entre eles, está o senador  Flavio Arns, político sério do PT do Paraná, que começou a sua carreira no PSDB. Ele apresentou notas no valor total de R$ 809,65, embora pudesse cobrar até R$ 15mil.
Mas ele é uma prova de que as notas não são auditadas pelo Senado.
A verba indenizatória é para pagar despesas do parlamentar fora de Brasília, e Arns tem duas notas do Brasília Alvorada Hotel que, como o próprio nome sugere,  deve funcionar no Distrito Federal. As duas  somam apenas R$ 205,55. Mas elas são ilegais.
É o mesmo caso do ministro do Esporte, Orlando Silva, que comeu um acarajé, de menos de R$ 10,00, no Pamonhão Kalú, e pagou com o cartão corporativo.
Se o acarajé tivesse sido consumido na Praia do Forte, em Salvador, não haveria nenhuma problema.
Mas em lanchonete da 105 Norte, de Brasília, nem pensar.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:06

A roubalheira descarada

O Senado decidiu que, com a divulgação das notas fiscais pela internet, a utilização da verba indenizatória estaria resolvido.
Puro engano.
Veja o exemplo do líder do governo no Senado, Romero Jucá.
No mês de abril, ele apresentou uma única nota fiscal, para justificar seu gasto com combustível. Ela é do Auto Posto Rio Branco, CNPJ 05.457.997/0001-27, da cidade de Boa Vista, em Roraima, Estado que o senador representa, e seu valor é R$ 7.591,53.
Em Boa Vista, o litro de gasolina está custando R$ 2,68. Se o carro de Jucá fizer apenas 10 quilômetros com um litro, isso daria para ele rodar, no mês de abril, 28.330 quilômetros.
Para se ter uma idéia do que isso representa, eis alguns exemplos:
1 ? O Estado de Roraima tem 1.992 quilômetros de fronteiras, o que daria para ele percorrer 15 vezes todas as fronteiras em um mês; ou
2 ? Se ele rodar 600 quilômetros por dia, o que em Roraima deve ser uma enormidade devido as condições das estradas, ele gastaria 47 dias, e o mês de abril só tem 30; ou
3 ? Uma volta em torno da terra tem 39.840 quilômetros. Ou seja, no mês de abril, o senador teve combustível o suficiente para cumprir 72% do percurso. Mais 10 dias de combustível em maio, e Jucá completaria  a volta ao mundo; ou
4 ? Caso o senador queira viajar para mais longe, para a Lua por exemplo, Jucá terá de apresentar apenas mais 13 notas fiscais iguais a essa.
Basta que seu carro continue fazendo 10 quilômetros por litro.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:05

Renan, cara de pau meticuloso

O senador Renan Calheiros ainda não apresentou a prestação de contas, de sua verba indenizatória, referente ao mes de maio.
É que Renan é muito cuidadoso e junta tudo que é notinha.
Em abril, por exemplo, ele apresentou uma nota fiscal, do Supermercado Bom Preço, no valor de R$ 5,91.
O gasto deve ser referir a compra de óleo de peroba.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:05

Verba de Garibaldi paga rádios

Garibaldi Alves Filho, que presidiu o Senado, gastou em abril e maio algum dinheirinho da verba indenizatória com a ?divulgação da atividade parlamentar?.
Em sua prestação de contas, consta o pagamento de:
1 ? R$ 1.000,00 ao Correio da Tarde.
2 ? R$ 1.000,00,00 a Radio Comunitária Metamoforse.
3 ? R$ 1.200,00 a Radio Princesa do Vale.
4 ? R$ 1.800,00 a Radio Currais Novos.
Só existem duas opções para o senador explicar o pagamento a esses veículos de comunicação.
Ou foi anúncio, o que é ilegal.
Ou foi pagamento por entrevista, o que seria um escândalo.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:05

A segurança de Fernando Collor

O senador Fernando Collor gastou nos últimos dois meses, só com equipamentos de segurança, R$ 19.467,00 da verba indenizatória.
Como adora sushi e sashimi, no Restaurante Kishimoto ele deixou R$ 4.830,00.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:04

Verba escolar de Cafeteira

O senador Epitácio Cafeteira pagou R$ 7 mil em abril, e mais R$ 7 mil em maio, para a empresa  Bus Transporte Escolar e Turismo.
Como o mais antigo senador da República, ele não tem mais idade de ir a escola.
Como senador, não tem o direito de fazer turismo com a verba indenizatória.
A não que esteja pagando o transporte escolar ou viagem de turismo de outro neto do senador Sarney.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:04

Paulo Duque não para

A verba indenizatória do Senador Paulo Duque, suplente de Sergio Cabral, tem uma curiosidade.
Em abril, ele abasteceu o seu carro 32 vezes no mesmo posto de gasolina.
Como se sabe, a verba indenizatória é para ser utilizada no Estado de origem do parlamentar, nesse caso o Rio de Janeiro.
Se o senador não tivesse ido a Brasília no mês de abril, ele teria levado seu carro, do Rio,  todos os dias ao posto de abastecimento, sendo que em dois dias, ele encheu o tanque duas vezes.
Paulo Duque, um dos mais idosos parlamentares da República, demonstra assim uma enorme vitalidade.
Ele não para.
O tanque de seu automóvel que o diga.

 
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