• Sexta-feira, 30 Julho 2010 / 10:00

Preguiçoso tem lapso de memória

     O ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia é, antes de mais nada, um preguiçoso.
Tanto que abandonou o governo Fernando Henrique Cardoso na metade de seu segundo mandato.
O blog que mantém no Globo Online é outra prova de sua preguiça: a última postagem data de 10 de maio. Há 80 dias ele não escreve uma única linha.
Na quarta-feira, Lampréia deu uma declaração curta – de apenas linha – ao repórter Fernando Mello, da Veja. Segundo ele, o professor Marco Aurélio Garcia, atual chefe da Assessoria Especial da Presidencia, o procurou no Itamaraty para atuar como “ponte” entre o governo brasileiro e as Farc. Sobre o episódio, Garcia divulgou a seguinte nota:
 “Em 1999, enquanto atendia a solicitação do Instituto Rio Branco para proferir palestra aos alunos do curso de formação de diplomatas, fui convidado pelo então Ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, para uma reunião privada em seu Gabinete, cujo tema principal era a posição de apoio do Brasil à ditadura Fujimori. Naquela ocasião expressei minha crítica à posição do Governo brasileiro, em especial à postura adotada naqueles dias pelo Itamaraty, em relação às eleições fraudulentas no Peru. O Ministro Lampreia tomou a iniciativa de consultar-me, ainda, sobre outros temas da realidade da América do Sul. Em resposta a meu interlocutor, expressei o ponto de vista de que o Brasil deveria desempenhar um papel mais ativo na região e citei, como exemplo, a atuação do Grupo de Contadora, que fora de grande utilidade para pacificar situações de conflito como as de El Salvador, Nicarágua e Guatemala.
Em nenhum momento ofereci préstimos pessoais ou do Partido dos Trabalhadores para negociações com as FARC, até porque, naquela conjuntura, não existiam, como não existem até hoje, quaisquer relações com aquela organização. O que efetivamente sugeri ao Ministro Lampreia – e ressalto uma vez mais que o fiz a pedido dele – é que o governo brasileiro deixasse de ser omisso e procurasse contribuir para equacionar os conflitos na região.
A conversa que mantive com Lampreia foi extremamente cordial, a despeito de diferenças de apreciação normais que tínhamos sobre a situação no continente. Acredito que o ex-ministro tenha tido um lapso de memória, pois estávamos a sós, sem tomador de notas na sala. A única explicação razoável que tenho para as afirmações do ex-ministro é que tenha tido um lapso de memória”.

  • Segunda-feira, 19 Julho 2010 / 10:27

“O poder para os honestos”

   Monica Weinberg e Ronaldo Soares, da ‘Veja’, entrevistaram o presidente do TRE do Rio, Nametala Machado Jorge, para as páginas amarelas.
- A nova lei eleitoral conseguirá mesmo afastar os maus políticos?
- Não há dúvida de que esses políticos deveriam ser banidos do pleito, e já, em prol da civilidade eleitoral – mas, tratando-se de uma lei nova, é precipitado dizer que todos os juízes agirão com o mesmo rigor. Como ocorre com qualquer legislação recente, não existe ainda algo como uma jurisprudência sobre sua aplicação. Estamos em um estágio em que cada magistrado terá uma interpretação muito própria, havendo aí mais margem para imperfeições. De todo modo, é preciso reconhecer que estamos diante de um avanço notável para a democracia a longo prazo. A nova lei é um marco. Não se espere, no entanto, que ela se encarregue, sozinha, da necessária moralização na política brasileira, meta ainda muito distante. É preciso lembrar que são os próprios partidos políticos os primeiros a legitimar os candidatos com ficha suja.
- Por que os partidos acolhem esses sujeitos?
- Por puro pragmatismo, mesmo que à revelia de qualquer princípio ético. Como muitos acabam alcançando votações expressivas, não raro à base de coerção e medo, eles se tornam peças valiosas para insuflar as legendas. Essa é uma lógica perversa, que trata de manter a política brasileira num patamar muito baixo. A impunidade, infelizmente, ainda não é vista no país com a devida indignação ou mesmo com perplexidade, e isso se reflete também nos partidos políticos. Refiro-me a um problema de escala nacional. No Rio de Janeiro, onde eu atuo, a presença de bicheiros, traficantes e milícias (grupo de policiais e ex-policiais que, à margem da lei, estão hoje no comando de algumas favelas) só torna todo esse cenário ainda mais preocupante.
- O senhor poderia ser mais específico?
- As áreas mais pobres e violentas do Rio estão tomadas de currais eleitorais sob o domínio desses criminosos. Ali, arregimentam-se votos em troca de presentes e favores. É coisa que se vê em outros lugares do Brasil, mas que, no Rio de Janeiro, ganhou contornos próprios à medida que o tráfico foi se alastrando e acumulando poder, sob os olhos complacentes das autoridades. Todo mundo sabe que o crime violento atinge seus mais elevados níveis de brutalidade nas áreas dominadas pelos traficantes. Então, eu me pergunto: quem, em uma favela subjugada por esses bandidos, pode em sã consciência dar seu voto a um candidato que não seja aquele indicado pelos criminosos? Ninguém, claro. Porque, se o escolhido pelos bandidos tiver uma votação insuficiente, a represália se estenderá a todos. O Rio está cheio desses políticos eleitos pelo método da coerção. O mais assustador é que eles chegam ao Congresso Nacional e se colocam na posição de legislar sobre nossos direitos e obrigações. Aproveitam para garantir ainda mais seus privilégios.
- Como inibir a presença desses criminosos nas eleições do Rio de Janeiro?
- Seria ingênuo e leviano de minha parte dizer que os bandidos serão finalmente varridos do processo eleitoral. Por outro lado, a complexidade do problema não pode servir de justificativa para que uma instituição como o TRE ou a própria polícia se exima de suas responsabilidades. Estou certo de que as ações do estado podem representar avanços relevantes.
- Que tipo de iniciativa é mais eficaz no combate à ação de traficantes e milícias numa eleição?
- Do ponto de vista da Justiça Eleitoral, não há outro caminho senão empreender uma fiscalização maciça e implacável durante todo o período que antecede a eleição. O objetivo é que o processo transcorra num ambiente de liberdade, em que os pilares mais elementares da democracia sejam preservados, e não sob a ditadura de um bando de traficantes, como é regra nas favelas em que eles estão no comando. Digo sempre que minha luta é pelo básico do básico: garantir que todo e qualquer candidato suba o morro sem que seja barrado pelo tráfico e impedido de fazer ali sua campanha. Nossos fiscais estão imbuídos justamente da tarefa de flagrar as barbáries eleitorais. Para coibi-las, no entanto, não existe outro jeito senão contar com a ação ostensiva da polícia.
- Nas últimas eleições, até o Exército subiu os morros do Rio, mas não conseguiu evitar a ação dos bandidos, que impediam os candidatos sem o seu aval de fazer livremente sua campanha…
- A ação do Exército não funcionou mesmo. O reforço veio muito tarde, apenas três dias antes das eleições. Para ser efetivo, esse trabalho tem de ser duradouro e contínuo. Se o governo federal quiser dispor de seu efetivo noite e dia nas favelas, a partir de agora, serei o primeiro a aplaudir. Espanta como tanta gente por aí ainda não entendeu que estamos diante de um problema enraizado e de gravidade máxima. Suas origens estão fincadas na complacência das autoridades com o crime na cidade por décadas a fio. O que se vê hoje no Rio de Janeiro nada mais é que a versão moderna do velho coronelismo – só que com contornos mais nefastos. Basta dizer que, em alguns casos, o estado simplesmente não consegue entrar numa favela para fazer valer a Constituição.
- Que tipo de dificuldade a Justiça Eleitoral enfrenta para atuar nesses rincões?
- Os fiscais do TRE não podem subir qualquer morro, sob o risco de não sair de lá com vida. Não é exagero. Chegamos a um ponto tal que não há como fazer cumprir uma ordem judicial numa das violentíssimas favelas do Complexo do Alemão sem uma escolta policial. E a presença de policiais, por si só, já pode provocar uma verdadeira guerra. Estamos falando de lugares em que a lógica é a mesma do faroeste. Recentemente, julguei uma ação de reintegração de posse de um terreno numa dessas favelas e, para minha surpresa, o dono do imóvel preferiu desistir de ir lá reaver aquilo que era seu. Ficou paralisado pelo medo de ser repreendido. Esses absurdos que acontecem no Rio de Janeiro só vêm se somar a outros tantos do sistema eleitoral brasileiro, que afetam as eleições no país como um todo.
- O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou recentemente uma resolução que  acaba com as doações ocultas nas campanhas. Isso é um avanço?
- Sem dúvida que sim, mas sei que os partidos políticos estão fazendo pressão contra. Por quê? Simples.  Eles justamente fogem da transparência no processo, uma vez que é das doações ocultas que decorrem  várias das irregularidades flagradas em período eleitoral. Essa é uma das  raízes do desequilíbrio no jogo político. E de onde, afinal, se alimentam campanhas milionárias irrigadas por dinheiro sujo. Isso é um desvirtuamento da própria natureza da democracia, que não é tão somente o governo da maioria – mas da maioria honesta.
- Além da Ficha Limpa, o senhor citaria outros avanços recentes no cenário eleitoral brasileiro?
- Certamente que um deles se deve à implantação da urna eletrônica, que conferiu, pela  primeira vez, lisura no resultado das eleições. Qualquer um que a conteste – e ainda tem gente por aí fazendo isso – só pode ser saudosista das fraudes que tanto marcaram os pleitos no país durante décadas.  Outro progresso inquestionável foi a aprovação da lei que estabelece que os políticos fiquem sujeitos a perder  seu mandato caso sejam flagrados comprando votos. E uma dessas práticas pedestres ainda muito comuns no Brasil. Reconheço com pesar, porém, que não é fácil dar saltos no aperfeiçoamento do processo eleitoral.  Há resistências de todos os lados.  Tomados de corporativismo e sem considerar os ganhos para o país, muitos políticos tentam, e frequentemente conseguem, impedir  avanços que contrariam seus interesses.
- O senhor pode dar um exemplo?
- Veja  o que aconteceu com o recente artigo  que estipulou pela primeira vez no país que um candidato já eleito pudesse ter o mandato cassado, a  qualquer hora, por irregularidades  flagradas durante a campanha. Apesar  de um avanço jurídico fenomenal, no fim do ano passado os atuais  congressistas deram marcha a ré.  Modificaram o texto de modo a torná-lo mais condescendente. Agora, a denúncia contra o candidato só tem  validade até quinze dias depois de sua diplomação. Passado esse tempo, nada mais pode ser feito contra ele. É um escândalo.
- Os dois últimos presidentes do TRE do Rio foram afastados do cargo e estão sendo investigados pelo Conselho Nacional de Justiça por condutas suspeitas. É difícil reaver a credibilidade do tribunal?
- Dado o cargo que ocupo, prefiro não me posicionar em relação a meus antecessores, mas não há dúvida de que todos os casos que ferem a imagem de uma instituição como a que presido causam um estrago enorme. Os escândalos ajudam, afinal, a  disseminar um descrédito em relação às próprias instituições, o que é péssimo para o país. Como guardião da lisura no processo eleitoral, entendo  que um tribunal como o TRE tem no mínimo o papel institucional de dar o bom exemplo. Um dia, quem sabe, chegaremos ao padrão das nações mais desenvolvidas. Tais países não estão imunes às infrações eleitoral, mas se situam a anos-luz do Brasil nessa escala evolutiva. As eleições,  infelizmente, escancaram alguns dos  aspectos mais incômodos do nosso  próprio subdesenvolvimento.
- E quais seriam esses aspectos?
- Primeiro, eu me refiro ao baixo nível de educação da população brasileira, mal crônico que afeta diretamente o  cenário eleitoral. É preciso lembrar que os países que já contam com representantes políticos de mais alto nível são também aqueles em que os eleitores são mais escolarizados e tomam suas decisões com base num processo mais racional. Mesmo que haja avanços aí, o alto grau de desinformação no Brasil tem ainda redundado em más escolhas nas urnas.  Os sites da Justiça Eleitoral dão a ficha completa dos candidatos, mas falta fazer a consulta.
- O senhor afirma que o cenário eleitoral de hoje ainda guarda muitas semelhanças com o de um século atrás. Como?
- Os grotões brasileiros, outro aspecto de nosso subdesenvolvimento, são áreas férteis para a proliferação do velho assistencialismo e do voto motivado por ele – uma mecânica antiga. Não dá para entender o cenário eleitoral sem também jogar luz sobre o vácuo de poder deixado pelo próprio estado nesses lugares mais pobres. E justamente ali que se abrem brechas para que vicejem práticas ilegais de toda sorte numa eleição.  Veja o caso do Rio de Janeiro. Nas  favelas em que o poder público  não se faz presente, perpetuam-se currais eleitorais dominados por bandidos que nem sequer se preocupam em esconder suas táticas violentas e práticas ilegais. Em lugares assim, não dá para afirmar o mais básico: que as eleições decorrem em liberdade, como deveria ser numa boa democracia”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

Dutra: ‘Imprensa tem má vontade”

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, é o entrevistado da ‘Veja’. Aos repórteres Otávio Cabral e Daniel Pereira, Dutra disse que acha “errado produzir uma Dilma artificial. O problema são as inevitáveis comparações com o Lula”. Mas admite que é difícil encontrar uma marca para Dilma Rousseff. Na entrevista, ele reclama da má vontade da imprensa com relação a candidata do PT.
Eis a entrevista:
“- O ex-governador José Serra propõe fazer mais, acelerar os avanços, e a ex-ministra Dilma Rousseff adota um discurso agressivo. A campanha presidencial não começou com os papéis invertidos?
- Nós, dirigentes do PT, não temos adotado nenhuma postura agressiva em relação ao candidato José Serra. As principais lideranças da oposição é que estão muito agressivas. Vêm tentando desqualificar a Dilma. É só ver as entrevistas do presidente do PSDB. Por outro lado, a oposição descrevia o governo Lula há até pouco tempo como uma tragédia para o Brasil. Como estava trombando com a realidade, seu candidato tenta agora atenuar esse discurso beligerante dizendo que vai continuar o que é bom e corrigir o que está ruim. Se o governo está tão bom, se deve ser tão elogiado, por que mudar, por que eleger alguém da oposição? Vamos eleger alguém do governo que assumidamente é a continuidade desse projeto.
- A campanha tende a ser agressiva e com baixaria?
- Espero que não, mas vamos dançar de acordo com a música. O que me preocupa é a postura das principais lideranças do PSDB, do DEM, do PPS contra a Dilma. É uma postura agressiva, desqualificadora, preconceituosa, atrasada. E isso acaba contaminando a militância. Quando um dirigente partidário chama a Dilma de terrorista, dá margem à militância e ao pessoal de baixo para radicalizar ainda mais. Nosso site já foi invadido. É claro que não foi a mando da direção do PSDB. Mas foi invadido por pessoas no mínimo simpatizantes do partido. Vamos lembrar que, em 2006, na reta final da campanha, uma eleitora do Alckmin arrancou o dedo de uma eleitora do Lula em um bar no Leblon. Preocupa-me as coisas já estarem tão acirradas, porque isso pode levar a um ponto em que você não tem mais controle.
- O PT acredita mesmo em uma conspiração da imprensa contra a ex-ministra Dilma Rousseff a ponto de fazer propaganda subliminar?
- Há uma profunda má vontade de setores da imprensa contra a Dilma. Existem articulistas que transformaram suas colunas em libelos contra a nossa candidatura. Mas há uma coisa da qual a gente não pode fugir: a Globo está fazendo 45 anos, e 45 é o número do PSDB. Quando vi a propaganda, naturalmente me veio uma associação entre a campanha da Globo e a do Serra que a própria Globo acabou admitindo, tanto é que tirou a campanha do ar para evitar maiores polêmicas. Não acho que tenha havido uma associação intencional. Com relação à imprensa, da mesma forma que somos criticados, queremos ter o direito de responder a manifestações que considerarmos preconceituosas, que nos ataquem ou sejam inadmissíveis do ponto de vista de uma relação civilizada. Não vamos fazer nenhuma ação contra a imprensa em geral, mas vamos responder aos ataques que recebermos.
- Políticos têm dito que as novas regras eleitorais, como o fim da doação oculta, tornam o caixa dois quase obrigatório.
- Não acho que as novas regras vão incentivar ou diminuir o caixa dois. Acho, inclusive, que não haverá caixa dois nas eleições presidenciais. As ações do Ministério Público e da Polícia Federal estão inibindo o caixa dois. Então, as empresas e os candidatos vão pensar cinco vezes antes de operar doações por fora. Eu posso garantir que na nossa campanha presidencial receberemos todas as doações absolutamente dentro da lei. A tesouraria do PT estima que a campanha presidencial custará entre 150 milhões e 200 milhões de reais. Ainda não tenho elementos para aferir se é isso mesmo.
- Até o episódio do mensalão, o PT se escorava no discurso da ética e do combate à corrupção. Hoje não se viu ainda a ex-ministra Dilma tocar nesse assunto.
- O mensalão foi uma grife que pegou como toda grife. Mas o mensalão, nos termos em que foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República, não houve. Por que cargas-dágua o ex-deputado Roberto Brant (DEM) recebeu dinheiro lá no Banco Rural se ele nunca votou com o governo? Por que o Professor Luizinho, que era líder do governo, receberia 20 000 para votar? Por que o João Paulo Cunha, que era presidente da Câmara e nunca votava, iria receber dinheiro?
- Por quê?
- Era caixa dois. É público e notório. O que houve foi crime eleitoral. Não estou atenuando, não estou tirando a gravidade de que é crime também. Agora, o mensalão, nos termos em que foi colocado, volto a repetir, não existiu.
- Mas caixa dois do quê, se todos eles já estavam eleitos?
- Não era ano eleitoral parlamentar, mas esse dinheiro foi usado para saldar dívidas das campanhas municipais do ano anterior de candidatos ligados aos deputados.
- Mas o fato é que o discurso sumiu…
- O escândalo serviu para atenuar a postura udenista do PT, de achar que a ética é um objetivo, quando na verdade tem de ser uma obrigação de toda atividade política. Serviu também para mostrar que não somos um conjunto de freiras franciscanas dentro de um bordel. A ética é uma obrigação. Deixa de ser o palanque principal. Ela tem de ser um alicerce da campanha, e não aquilo que está em cima.
- É confortável fazer uma campanha em companhia de José Sarney, Renan Calheiros e Jader Barbalho?
- Já tivemos alianças com essas pessoas em eleições anteriores. É um processo que naturalmente tem de ser levado em consideração num país como o Brasil. E que vale para nós como vale para a oposição. Até porque todos esses personagens estavam no governo do Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Para os críticos, agora, essas pessoas são ruins. Quando elas estavam do lado deles, eram boas. Tudo o que eles, da oposição, gostariam é que nós disséssemos: “Não, nós não queremos o PMDB”. Com certeza, no dia seguinte eles estariam tentando se aliar a ele.
- Ciro Gomes foi alijado da campanha presidencial e saiu atirando no PT e até elogiando José Serra.
- Depois da primeira declaração, ele já se corrigiu dizendo que o Serra seria nefasto para o Brasil. Essas declarações refletem um estado de espírito perfeitamente natural de alguém que acreditava que podia ser presidente e cujo projeto não se consolidou. A culpa não é do PT nem da Dilma. Espero que o Ciro, depois de baixar a poeira, siga as recomendações do partido e se engaje na campanha da Dilma.
- Duda Mendonça, ex-publicitário do PT, considera um erro tentar construir uma imagem diferente para Dilma. O senhor concorda?
- Nós não estamos tentando construir uma imagem diferente. Também acho errado produzir uma Dilma artificial. O problema são as inevitáveis comparações com o Lula. Qualquer que fosse o candidato, quando comparado com o Lula na comunicação e no carisma, estaria em desvantagem. A Dilma tem de ser ela mesma. O eleitor percebe quando o candidato é artificial. Por isso não temos de construir uma nova Dilma. Este período está servindo para ela pegar traquejo de candidata, não para se transformar.
- Como será para o PT disputar a primeira eleição sem o Lula?
- Não vamos disputar eleição sem o Lula. O Lula estará na campanha. Dentro da lei, será nosso principal militante e cabo eleitoral da Dilma. Nos horários de folga, fim de semana, programas de TV, ele estará presente. A partir da propaganda de TV, vamos ampliar o conhecimento da nossa candidata, o conhecimento da população de que a Dilma é a candidata do governo, é a candidata do Lula. E não há dúvida de que hoje nós contamos com o cabo eleitoral mais decisivo na eleição, que é o apoio que o governo e o Lula têm. O Lula vai eleger a Dilma.
- Qual deve ser a marca de Dilma para que ela não fique parecendo apenas um sub-Lula?
- É difícil. A marca da campanha é continuidade com avanço. Mas transformar isso em um tema legível para o eleitor comum é difícil, terá de ser construído pelos profissionais. Temos de ter claro que o eleitor vota no candidato. Mas, ao escolher, também analisa como está a vida dele. Essa é a vantagem da Dilma. Hoje a marca dela é representar o governo do Lula, que ela ajudou a construir. O Lula é o principal cabo eleitoral. Aliás, cabo não. É um general eleitoral. Isso é bom para nós. A oposição adoraria que o Lula estivesse do lado deles. Tanto é que faz um esforço danado para que esqueçam o que eles disseram sobre o Lula desde o início do governo.
- O PT critica a privatização, principalmente de serviços públicos. Existe alguma coisa estatizável no Brasil?
- Não, o estado tem de ficar do tamanho que está. Não é preciso estatizar mais nada, nem privatizar. Nós vamos fortalecer os instrumentos estatais de que dispomos, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica. São instrumentos que se revelaram essenciais na crise e na retomada do crescimento. A oposição, por seu lado, diz que esse programa é chavista e que nem na China o estado é tão grande. Não quero fazer um sofisma, mas quem é contra fortalecer os instrumentos estatais dá margem a dizer que vai enfraquecer. É a oposição que precisa explicar o que quer do estado.
- Os banqueiros já foram tratados pelos petistas como os grandes vilões da sociedade. O que mudou?
- Quando a economia cresce, os bancos também crescem. A diferença é que no governo Lula não foram só os bancos que cresceram. Outras empresas cresceram. Os trabalhadores tiveram aumentos acima da inflação. Não queremos que ninguém perca. Mas também não queremos que só um setor ganhe, como acontecia anteriormente.
- A política do MST de pregar a reforma agrária pela força ainda conta com a simpatia do PT?
- O MST teve o mérito de colocar a luta pela reforma agrária na agenda nacional. Mas o PT sempre foi crítico de ações do movimento, como ocupação de prédios públicos, de terras produtivas, de destruição de patrimônio. É a posição histórica do partido. O MST reclama do governo Lula, dizendo que podia ter avançado mais. Só que metade de tudo o que foi feito em reforma agrária na história ocorreu no governo Lula. Não há do que reclamar.
- O PT ainda se considera um partido de esquerda?
- Atualmente, o que move a esquerda é entender que o mercado não pode ser o regulador das relações entre as pessoas, instituições e países. É entender que o estado não pode ser idolatrado nem demonizado. É lutar contra a injustiça e a desigualdade social. É combater qualquer discriminação de raça, sexo ou cor. É saber que a democracia é um valor estratégico permanente, não só tático ou instrumental. São conceitos universais de posições à esquerda na política. Todos encontram abrigo no PT.
- O governo Lula abrigou todos esses conceitos?
- O governo Lula é de coalizão, de centro-esquerda. Abriga partidos de esquerda, de centro, como o PMDB, e até de centro-direita, caso do PP.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:38

Passe de Duda está valorizado

De Alexandre Oltramari, da ‘Veja’:
“Desde que ajudou a eleger o presidente Lula, em 2002, uma maldição se abateu sobre o publicitário baiano José Eduardo Cavalcanti de Mendonça, o Duda Mendonça. Supersticioso e excêntrico, mas celebrado como um mago das urnas até pelos adversários mais críticos, Duda foi preso dois anos depois da eleição acusado de participar de um campeonato de briga de galos ? hobby ilegal que ele praticava no Rio de Janeiro, mas que era pinto diante do que estava por vir. Em 2005, em depoimento à CPI que investigou o escândalo do mensalão, Duda admitiu a participação em um crime muito mais grave. Ele confessou ter recebido 10,5 milhões de reais do PT em uma conta clandestina nas Bahamas, como parte do pagamento pelo trabalho na campanha do presidente Lula. Supostamente decepcionado com a sujeira na política e réu por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Duda, na época, prometeu abandonar as campanhas eleitorais, mas logo mudou de ideia. Após ensaiar um retorno como consultor em 2006, o marqueteiro elegeu 2010 o ano de sua volta ao mundo das refregas eleitorais. Duda já se insinuou para dois presidenciáveis (Dilma Rousseff e Ciro Gomes), negocia com sete candidatos a governador e já está trabalhando para um deles. Entre os que pagarão pelos seus talentos deve figurar até mesmo o presidente da CPI que o investigou, o senador petista Delcídio Amaral.
O marqueteiro só não voltará na crista da onda porque foi vetado pelo presidente Lula para comandar a campanha de Dilma Rousseff, com quem chegou a se encontrar no fim do ano passado. Sua área de influência, porém, está longe de ser desprezível, e seu passe, apesar de todos os problemas, parece que só se valorizou depois do escândalo. O pacote de campanha estadual está sendo oferecido por 12 milhões de reais ? o dobro do que cobram outras estrelas do ramo e muito mais do que custou oficialmente a campanha presidencial de 2002 (7 milhões de reais). Há duas semanas, Duda esteve no Maranhão gravando os comerciais regionais do PMDB. O trabalho já é parte do pacote negociado com a governadora Roseana Sarney, que disputará a eleição em outubro. Caro? “Não conheço os valores porque a contratação foi negociada pelo partido. O governo não tem nenhuma relação com essa ne-gociação”, garante o secretário de Comunicação de Roseana, Sergio Macedo. Ninguém disse que tinha, mas, numa de suas idas ao Maranhão para acertar detalhes da contratação, Duda foi recebido pelo próprio Sergio no palácio do governo. Explica o secretário, que, por alguns segundos, sofreu de um lapso de memória: “Reunião?… Ah!, É verdade. Mas ele veio aqui por outros motivos. Duda tem amigos no Maranhão, e nos encontramos só para bater papo”.
O processo de fusão entre a política e a polícia tem atrapalhado um pouco o retorno de Duda Medonça ao Olimpo das campanhas eleitorais. Um dos primeiros clientes a fechar com o marqueteiro, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, foi preso em fevereiro passado. Com o mandato cassado, ele não poderá concorrer à reeleição. Outro empecilho é o valor de seus honorários. No Pará, a governadora Ana Júlia Carepa, que disputará a reeleição em outubro, tentou contratar Duda, mas desistiu quando viu a conta salgada. O senador Marconi Perillo, do PSDB, candidato ao governo de Goiás, tomou um susto quando Duda lhe apresentou o custo de seus préstimos. Os dois almoçaram recentemente em Brasília. “Ele tem ideias muito interessantes, mas ainda não há nada definido”, explica o tucano. Duda também está negociando com os candidatos ao governo Zeca do PT, de Mato Grosso do Sul, João Alves, de Sergipe, Gim Argello, do Distrito Federal, Paulo Skaf, de São Paulo, e José Fogaça, do Rio Grande do Sul. Se for bem-sucedido, espera faturar 84 milhões de reais em sete eleições para governador.
A campanha mais curiosa que Duda está prestes a comandar é a do senador Delcídio Amaral, do PT de Mato Grosso do Sul. Em 2005, quando Duda revelou ao país que recebeu dinheiro ilegal do PT, Delcídio Amaral estava sentado ao seu lado. O senador era o presidente da CPI dos Correios, cuja investigação levou ao indiciamento de Duda por sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. “Há uma negociação para o Duda ser o marqueteiro de uma chapa que inclui governador e senador. Como eu sou o candidato ao Senado, ele inevitavelmente seria o marqueteiro da minha campanha também”, explica Delcídio Amaral. Algum constrangimento em razão das proezas de Duda Mendonça reveladas pela CPI, senador? “Absolutamente. Apesar do que aconteceu, Duda é reconhecidamente um publicitário brilhante. Além disso, nas reuniões que já tive com ele, Duda sempre fez questão de deixar claro que as coisas serão feitas com a mais absoluta transparência.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:16

Prefeito procura loura média

Um prefeito do interior de São Paulo separou-se.
Aos 53 anos, ele foi a uma rádio anunciar que buscava uma namorada para ser primeira-dama da cidade de 20 mil habitantes.
Já apareceram mais de 70, de 21 a 60 anos, não só de sua cidade, mas de cidades vizinhas, e mais de Brasília, de Recife e uma da Holanda.
Suas exigencias é que ela não fume, levante cedo, não seja fofoqueira, neurórica ou mentirosa.
Para Claudio Ú Fonseca, prefeito de Buri, a mulher ideal –  segundo ele confessou ao repórter André Eler, da ‘Veja’ -  logicamente “tem de ter boa aparência. Mas não adianta nada escolher uma com cara de artista que depois não levante cedo. E não quero loura burra, mas também não pode ser muito inteligente, senão eu fico para trás”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:16

Aécio: “Dilma é uma incógnita”

o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é entrevistado pelos repórteres Mario Sabino e Fábio Portela, nas páginas amarelas da ‘Veja’:
- A que exatamente a população deu a aprovação de 92%?
- As pessoas sabem o que é bom para elas, sua família, sua cidade, seu estado e seu país. A aprovação vem naturalmente quando elas percebem que a ação do governo está produzindo professores que ensinam, alunos que aprendem, policiais que diminuem o número de crimes e postos de saúde que funcionam. Quando você faz um choque de gestão e entrega bons resultados ano após ano, não há politicagem que atrapalhe a percepção de melhora por parte da população. Quem tem 92% de aprovação está sendo bem avaliado por todo tipo de eleitor, até entre os petistas.
- Os eleitores entendem o conceito de ?choque de gestão??
- Quase todo mundo percebe quando a política está sendo exercida como uma atividade nobre, sem mesquinharias, com transparência e produzindo resultados práticos positivos. A política, em si, é a mais digna das atividades que um cidadão possa exercer. Os gregos diziam que a política é a amizade entre vizinhos. Quando traduzimos para hoje, estamos falando de estados, municípios e da capacidade de construir, a partir de alianças, o bem comum. Vou lutar por reformas que possam tornar a política de novo atraente para as pessoas de bem, que façam dessa atividade, hoje vista com suspeita, um trabalho empenhado na elevação dos padrões materiais, sociais e culturais da maioria. É assim que vamos empurrar os piores para fora do espaço político. Não existe vácuo em política. Se os bons não ocuparem espaço, os ruins o farão.
- A máquina do serviço público é historicamente pouco eficiente. Como o senhor fez para mudar essa realidade?
- Nós estabelecemos metas para todos os servidores, dos professores aos policiais. E 100% deles passaram a receber uma remuneração extra sempre que atingissem as metas acordadas. O governo começou a funcionar como se fosse uma empresa. Os resultados apareceram com uma rapidez impressionante. A mortalidade infantil em Minas caiu mais do que em qualquer outro estado, a desnutrição infantil das regiões mais pobres chegou perto do patamar das regiões mais ricas, todas as cidades do estado agora são ligadas por asfalto, a energia elétrica foi levada a todas as comunidades rurais e mesmo as mais pobres passaram a ter saneamento. Na segurança pública conseguimos avanços notáveis com a efetiva diminuição de todos os tipos de crime.
- O desafio do PT sobre comparação de resultados de governos, então, lhe conviria?
- Gostaria muito de contrapor os resultados obtidos pela implantação da meritocracia com o messianismo daqueles que apenas fazem promessas e propagam a própria bondade. Quando você estabelece instrumentos de controle e consegue medir os resultados das ações de governo, você espanta os pregadores messiânicos. Eles fogem das comparações. Mas para ter resultados é preciso que se viva sob um sistema meritocrático. Isso significa que as pessoas da máquina estatal têm de ser qualificadas, e não simplesmente filiadas ao partido político. O aparelhamento do estado que vemos no governo federal é um mal que precisa ser erradicado.
- Quais são as chances de o senhor ser candidato a vice-presidente da República na chapa de José Serra?
- Serei candidato ao Senado. Eu tenho a convicção de que a melhor forma de ajudar na vitória do candidato do meu partido, o governador José Serra, é fazer nossa campanha em Minas Gerais. Eu respeito, mas divirjo da análise de que a minha presença na chapa garantiria um resultado positivo para o governador Serra. Isso não é verdade. Talvez criasse um fato político efêmero, que duraria alguns dias, mas logo ficaria claro que, no Brasil, não se vota em candidato a vice-presidente.
- Nas últimas eleições, quem venceu em Minas venceu também a eleição presidencial. Acontecerá o mesmo neste ano?
- Espero que sim, e acho que o governador Serra tem todas as condições para vencer em Minas Gerais e no Brasil. Eu vou me esforçar para ajudá-lo, repito, porque tenho um compromisso com o país que está acima de qualquer projeto pessoal. Esse compromisso inclui trabalhar para encerrar o ciclo de governo petista. Lula teve muitas virtudes. A primeira delas, aliás, foi não alterar a política econômica do PSDB. Ele fez bons programas sociais? Claro, é um fato. Mas o desafio agora é fazer o Brasil avançar muito mais, e é isso que nosso presidente fará.
- A ministra Dilma Rousseff, candidata do PT ao Planalto, tem dito que o presidente Lula reinventou o país. Esse é um exemplo de discurso messiânico?
- Sem dúvida. Se um extraterrestre pousasse sua nave no Brasil e ficasse por aqui durante uma semana sem conversar com ninguém, só vendo televisão, ele acharia que o Brasil foi descoberto em 2003 e que tudo o que existe de bom foi feito pelas pessoas que estão no governo atual. Os brasileiros sabem que isso é um discurso vazio. Não teria havido o governo do presidente Lula se não tivesse havido, antes, os governos do presidente Fernando Henrique e do presidente Itamar Franco. Sem o alicerce do Plano Real, nada poderia ter sido construído.
- A ministra Dilma cresceu nas pesquisas e viabilizou-se como candidata competitiva. Isso preocupa o PSDB?
- A ministra Dilma chegou ao piso esperado para um candidato do PT, qualquer que fosse ele. A partir de agora, ela terá de contar com a capacidade do presidente Lula de lhe transferir votos. Mas o confronto olho no olho com o governador Serra vai ser muito difícil para ela.
- Na sua opinião, como será o tom da campanha presidencial?
- Acho que, em primeiro lugar, a candidata Dilma terá de explicar logo como será sua relação com seu próprio partido, o PT, em um eventual governo. O PT tem dificuldades históricas de ter uma posição generosa em favor do Brasil. Quando a prioridade do Brasil era a retomada da democracia, o PT negou-se a estar no Colégio Eleitoral e votar no presidente Tancredo Neves. O PT chegou a expulsar aqueles poucos integrantes que contrariaram o partido. Prevaleceu uma visão política tacanha, e não o objetivo maior que tinha de ser alcançado naquele momento. Se dependesse do partido, talvez Paulo Maluf tivesse sido eleito presidente pelo Colégio Eleitoral. Ao final da Constituinte, o PT recusou-se a assinar a Carta. Quando o presidente Itamar Franco assumiu o governo, em um momento delicado, de instabilidade, e o PT foi convocado a participar do esforço de união nacional, novamente se negou, sob a argumentação de que não faria alianças que não condiziam com a sua história. Se prevalecesse a posição do PT, nós não teríamos a estabilidade econômica, porque o partido votou contra o Plano Real. O presidente Lula, com sua autoridade, impediu que o partido desse outros passos errados quando chegou ao governo. Mas o que esperar de um governo do PT sem o presidente Lula?
- Qual é o seu palpite?
- Eu acho que, pelo fato de a ministra Dilma nunca ter ocupado um cargo eletivo, há uma grande incógnita. Caberá a ela responder, durante a campanha, a essa incógnita. Dar demonstrações de que não haverá retrocessos, de que as conquistas democráticas são definitivas. A ministra precisa dizer de forma muito clara ao Brasil qual será a participação em seu governo desse PT que prega a reestatização, que defende uma política externa meramente ideológica, que faz gestos muitos vigorosos no sentido de coibir a liberdade de expressão. 
- E o PSDB, falará de quê?
- Nosso maior tema será lembrar aos brasileiros que somos a matriz de todos os avanços sociais e econômicos do Brasil contemporâneo. Nós temos legitimidade para dizer que somos parte integrante do que aconteceu de bom no Brasil até agora. Se hoje o país está numa situação melhor, foi porque nós tivemos uma participação decisiva nesse processo. Houve a alternância do poder, que é natural e saudável, mas está na hora de o PSDB voltar ao poder. Está na hora de o país ter um governo capaz de fazer a máquina pública federal funcionar sem aparelhamento. É preciso implantar a meritocracia na administração federal, e o PT simplesmente não quer, não sabe e não pode fazê-lo. Às promessas falsas, ao messianismo, aos insultos pessoais, aos ataques de palanque, vamos contrapor nossos resultados nos estados e a receita de como obtê-los também no nível federal.
- O senhor acha que os brasileiros são ingratos com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?
- Eu acho que hoje não se faz justiça a ele, mas tenho certeza absoluta de que a história reconhecerá seu papel crucial. Como também acho que se fará justiça ao presidente Itamar Franco, que permitiu a Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, fazer e aplicar o Plano Real.
- Se vencer a disputa presidencial, Serra diz que tentará acabar com a reeleição.
- Eu prefiro mandatos de cinco anos, sem reeleição. Defendo isso desde 1989. Mas, hoje, pensar nisso é irreal. A reeleição incrustou-se na realidade política brasileira de maneira muito forte. A prioridade deveria ser uma reforma política que incluísse o voto distrital misto. Isso aproximaria os eleitores dos deputados e ajudaria a depurar o Parlamento.
- O senhor, um político jovem, bem avaliado, duas vezes governador de um grande estado, ainda deve almejar chegar à Presidência, não?
- Eu tenho muita vontade de participar da construção de um projeto novo para o Brasil, em que a nossa referência não seja mais o passado, e sim o futuro. Sem essa dicotomia que coloca em um extremo o PT e no outro o PSDB, e quem ganha é obrigado a fazer todo tipo de aliança para conseguir governar. Assim, paga-se um preço cada vez maior para chegar a sabe-se lá onde. O PT deixou de apresentar um projeto de país e hoje sua agenda se resume apenas a um projeto de poder. Eu gostaria de uma convergência entre os homens de bem, para construir um projeto nacional ousado, que permita queimar etapas e integrar o Brasil em uma velocidade muito maior à comunidade dos países desenvolvidos, de modo que todos os brasileiros se beneficiem desse processo.
- Mas o Brasil já está direcionado nesse rumo, não?
- Está, mas é preciso acelerar a nossa chegada ao nosso destino de grandeza como povo e como nação. Eu fico impaciente com realizações aquém do nosso potencial. O Brasil pode avançar mais rapidamente com um governo que privilegie o mérito, que qualifique a gestão pública, para que ela produza benefícios reais e duradouros para a maioria das pessoas, que valorize o serviço público e cobre dele resultados. Um governo que tenha autoridade e generosidade para fazer acordos. Meu avô Tancredo Neves costumava dizer que há muito mais alegria em chegar a um entendimento do que em derrotar um adversário. Eu vou ser sempre um construtor de pontes. Quanto a chegar à Presidência da República, tenho a convicção de que isso é muito mais destino do que projeto.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:15

‘Globo’ dobra o preço do ‘Dia’

O primeiro blog a noticiar a venda do jornal ‘O Dia’ para um grupo português, foi o jornalista Lauro Jardim, da revista ‘Veja’, responsável pela coluna Radar.
A notícia foi dada às 9h03m, e o preço publicado foi de R$ 75 milhões.
O site do ‘Globo’ postou a notícia às 14h04m e, nessa diferença de cinco horas, o preço da venda de ‘O Dia’ praticamente dobrou. Segundo eles, o jornal foi vendido por US$ 75 milhões.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:27

BB: “Ter lucro não é vergonha”

Por Giuliano Guandalini, da ‘Veja’:
“Os bancos públicos, aqueles controlados pelo governo, ainda têm um papel a cumprir no desenvolvimento do país, mas desde que trabalhem em busca contínua da eficiência e da rentabilidade. É sob essa perspectiva que Aldemir Bendine comanda, há dez meses, a maior instituição financeira do país, o Banco do Brasil. “Não precisamos ter vergonha de obter lucros”, afirma Bendine. “Os lucros demonstram a eficiência na administração dos negócios.”
Nascido em 1963 em Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo, começou a trabalhar no banco como office boy aos 14 anos, quando ser funcionário do BB era sinal de status, principalmente nas cidades pequenas. Em 1982, foi admitido por concurso público. Formado em administração de empresas, casado e pai de duas filhas, Bendine ? ou “Dida”, como os amigos o chamam ? chegou à presidência do banco, o topo da carreira na instituição, em abril do ano passado. Foi indicado pelo ministro da Fazenda, com a responsabilidade de reduzir as taxas de juros. Tal incumbência não impediu o BB de registrar, em 2009, o melhor resultado de sua história: lucro de 10,1 bilhões de reais, de acordo com números divulgados na semana passada. Bendine falou a VEJA.
- O Banco do Brasil alcançou em 2009 o melhor resultado de sua história, com um lucro superior a 10 bilhões de reais e crescimento de 15% em relação a 2008. Como foi possível isso em um ano em que a economia brasileira ficou estagnada?

- No início do ano passado, quando ainda imperava uma crise de confiança, havia um travamento das linhas de crédito no país. Isso aconteceu por causa do receio de que houvesse um contágio mais profundo da turbulência externa, como em outras crises do passado. Nesse ambiente de incertezas, a reação dos bancos foi restringir a concessão de empréstimos e elevar as taxas de juros. Nossa estratégia, ao contrário, foi apostar na recuperação rápida da economia brasileira. Foi uma receita relativamente simples, mas que se revelou acertada e vencedora. Fizemos isso num momento em que o mercado estava bastante conservador. Mas, de acordo com informações de que dispúnhamos, esse conservadorismo era exagerado. A situação da economia real não justificava essa atitude.
- Mas havia uma determinação política do governo de reduzir os juros, motivo inclusive que o levou à presidência do banco. O BB foi até mesmo criticado por cobrar juros, em algumas linhas, maiores que os de bancos privados.
- De fato, o governo julgava que não havia razão para aquela reação exagerada, justificada apenas por uma crise de confiança. Houve, de minha parte e dos diretores que comigo assumiram em abril passado, uma confluência de visão com essa avaliação do governo. Acreditávamos que poderíamos reduzir os juros e tivemos o apoio para fazê-lo. Um dos pontos a ser realçados é que fomos beneficiados pelo fato de, em meio a uma crise, o Banco do Brasil ser visto como um porto seguro para os depósitos. Atraímos assim
clientes de qualidade. Hoje, a taxa de inadimplência de nossos clientes é inferior à média do mercado bancário nacional.
- Observada pelo retrovisor, essa “receita simples”, como o senhor a classifica, comprovou-se eficaz. Mas não houve o risco de comprometer o patrimônio do banco?
- Não foi uma aposta irresponsável, desprovida de fundamentos. Apenas fomos mais corajosos. Tínhamos suporte técnico para tomar aquela decisão. Os juros bancários haviam subido bem acima do razoável, e decidimos reduzi-los antes de nossos concorrentes. Houve um momento em que o mercado como um todo, inclusive o Banco do Brasil, fez uma leitura equivocada do que estava ocorrendo. Nós saímos na frente na correção dos excessos. Na sequência, os demais bancos fizeram o mesmo. Não existiam razões
concretas para aquele travamento nas linhas de crédito. Se essa restrição perdurasse, aí sim haveria um contágio mais profundo da economia brasileira ? algo que felizmente não ocorreu.

- A rentabilidade dos bancos brasileiros não é exagerada, particularmente no caso do BB, um banco público?
- É preciso desmitificar algumas questões. A rentabilidade dos bancos brasileiros, ao contrário do que se diz, não extrapola o que ocorre em outros países. Em segundo lugar, não é verdade que o setor financeiro seja o mais lucrativo do país. Há outras atividades mais rentáveis. O terceiro ponto é que não existem
razões para sentirmos vergonha de ter lucro. Pelo contrário. Os lucros demonstram a eficiência na administração do negócio. Não é preciso ter timidez em evidenciar os resultados positivos dos bancos brasileiros. Trata-se de uma consequência da eficiência alcançada por essas instituições, que estão entre as mais competitivas do mundo.
- Corrigidos os excessos do momento de quebra de confiança, nos meses mais acerbos da crise, os juros bancários recuaram. Ainda assim, as taxas são elevadíssimas, entre as mais altas do mundo. Por quê?
- Na composição das taxas de juros, que nada mais são do que o valor a ser cobrado dos clientes para cada tipo de empréstimo, existem dois fatores que estão sob a influência direta do banco. Em primeiro lugar, a inadimplência, ou, visto de outra maneira, o risco de que haja perda do capital emprestado. O segundo
componente é a própria eficiência operacional do banco. Agora, existem outros elementos que oneram os juros bancários, mas estão fora do controle das instituições financeiras: a elevada carga de tributos que recai sobre os financiamentos e também os depósitos compulsórios recolhidos pelos bancos. Sem mexer nessas duas questões, não haverá como reduzir significativamente os juros bancários neste momento.
- O histórico de má administração e utilização política de bancos públicos já levou o governo a capitalizar essas instituições com dinheiro do Tesouro, bancado pelos contribuintes. Estamos livres desse risco?
- É preciso ficar bem claro que essa nova emissão de ações não tem nada a ver com a situação em que o banco se encontrava em 1995, por exemplo. Naquele momento houve a necessidade de uma aplicação de dinheiro público, inclusive elevando a participação do governo no bloco acionário, por causa de uma eficiência na contabilidade do banco. O que estamos fazendo agora, com essa nova emissão, não é para tapar buracos do passado. Pelo contrário, a intenção é ter capital para investir e crescer. A participação privada, agora, crescerá. Com relação à ingerência política, tenho certeza de que o banco está hoje muito mais protegido contra qualquer interferência maléfica.
- No passado, com a doença da inflação e a instabilidade financeira, não havia crédito suficiente para financiar o consumo e as empresas no país. A presença dos bancos estatais era justificada para suprir essa deficiência. Com a conquista da estabilidade, os bancos privados voltaram a financiar o setor produtivo. Qual a utilidade atual dos bancos públicos?
- Não me agrada uma discussão maniqueísta entre público e privado. O modelo misto pode atender a uma economia muito melhor do que os dois extremos. O BB representa muito bem esse modelo. Não é um banco 100% público. Possui ações negociadas em bolsa. Por isso temos a obrigação de apresentar resultados positivos não somente para o governo, que é nosso acionista majoritário, mas também para os nossos acionistas minoritários. Não tenho dúvida de que esses investidores estão felizes com a atual administração do banco. Mas não podemos nos guiar somente pela lógica de mercado. Se fosse para fazer apenas o que as instituições privadas já fazem, seria melhor privatizar o BB. Penso que ainda temos uma função de indutores do desenvolvimento do país. Executamos determinados papéis que às vezes não são
atrativos para os bancos privados, desde que mantidas as premissas de rentabilidade que guiam a ação do banco. Somos responsáveis por 65% do crédito agrícola, por exemplo, e temos uma rentabilidade fantástica com essa carteira de clientes.
- O crédito tem crescido rapidamente no Brasil, acima de 10% ao ano. O financiamento chegou a pessoas que, até pouco tempo atrás, não dispunham nem mesmo de conta bancária. Podemos sofrer uma crise similar à ocorrida nos Estados Unidos?
- A curto prazo, de maneira nenhuma. Não existe a menor possibilidade de termos uma bolha semelhante à americana. Os brasileiros, em sua maioria, ainda estão comprando o seu primeiro carro, a sua primeira casa. Há muito espaço para que o crédito continue crescendo no país. Ao contrário do que ocorreu no mercado americano, no qual as pessoas estavam comprando a sua terceira casa, o seu quinto automóvel. Além disso, o sistema financeiro do Brasil é bem mais conservador, não se norteia por apostas que não sejam lastreadas na economia real. Temos também uma regulação financeira mais rígida, que se mostrou exemplar e coíbe apostas meramente especulativas.
- Quais deverão ser os campos mais promissores nos próximos anos do ponto de vista da ampliação do crédito no país?
- Podemos esperar duas grandes expansões nos próximos anos. A primeira delas é a de investimentos em infraestrutura. Os financiamentos nessa área deverão avançar rapidamente, estimulados pelas obras necessárias à realização da Copa do Mundo e da Olimpíada do Rio. Haverá também a necessidade de
levantar capital para a exploração do petróleo na camada do pré-sal. O segundo evento extraordinário que presenciaremos ocorrerá no setor imobiliário. Com o amadurecimento da economia, os financiamentos residenciais ganharão força. Além disso, estima-se que o país tenha um déficit de 8 milhões de moradias.
A massa salarial dos trabalhadores vem crescendo, então as pessoas se sentem mais confiantes para financiar a casa própria.
- No capitalismo pós-crise, o sistema financeiro mundial parece caminhar para uma concentração. Como isso afeta o Brasil?
- O sistema bancário passa, de fato, por um processo de concentração. Ao contrário do que se possa pensar, isso é salutar. Como em outras atividades, ter escala é fundamental. Sem isso, não há como reduzir custos, oferecer preços mais atraentes e ser mais eficiente. Essa concentração tem sido observada no Brasil. Existem hoje no país dois grandes bancos públicos (BB e Caixa Econômica Federal), dois grandes privados de capital nacional (Itaú Unibanco e Bradesco) e dois grandes privados de capital estrangeiro (Santander e HSBC). Considero esse um bom modelo, com concorrência bastante acirrada. Nesse cenário, é natural que os bancos brasileiros ampliem sua participação no mercado internacional. No BB, temos uma meta de ampliar expressivamente nossas atividades lá fora. O primeiro passo será atender os milhares de brasileiros que vivem no exterior. Outro ponto importante é a internacionalização das empresas brasileiras. Existem hoje 200 grupos nacionais com presença significativa no comércio externo que necessitam de um
suporte dos bancos brasileiros.
- É possível imaginar a fusão do Banco do Brasil com algum outro banco privado nacional, para assim criar uma potência financeira global?
- Não imagino, ao menos a curto prazo, uma fusão pura e simples.
- Fala-se de uma possível união com o Bradesco…
- Em determinados negócios, por que não? Já somos sócios em alguns empreendimentos. Temos uma cultura de administração muito parecida. Eu, particularmente, guardo uma grande admiração pelo
seu Lázaro Brandão (presidente do conselho do Bradesco). Procuro me espelhar na fórmula de administração dele, baseada na simplicidade, na serenidade, no pragmatismo e em muito trabalho”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:14

Serra quer distância de FHC

José Serra, governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência da República, pelo PSDB, escreveu para ?Veja? um artigo de três laudas e 1.499 palavras.
O artigo começa saudando os 25 anos da Nova República, a serem comemorados no próximo mês, e faz um balanço dos governos desde antes do golpe de 1964.
Ele cita, pela ordem:
1. Tancredo Neves
2. Getulio Vargas
3. João Goulart
4. Juscelino Kubitscheck
5. Marechal Lott
6. Fernando Collor
7. Professor Angus Maddison
8. Ulysses Guimarães
9. Franco Montoro
10. Leonel Brizola
11. Teotônio Vilela
12. José Richa
13. Mário Covas
14. Sobral Pinto
15. Raymundo Faoro
16. Celso Furtado
17. Nelson Mandela
18. Maquiável
Dois trechos do artigo:
?Nenhuma conquista é definitiva, nenhum progresso é garantido e irreversível. Assim como não somos escravos dos erros do passado, tampouco devemos crer que a eventual sabedoria dos acertos de ontem se repetirá invariavelmente hoje e amanhã?. (…)
?Nosso dever é, por conseguinte, o de assumir com humildade e coragem a herança desses 25 anos, não para negar o passado, mas para superá-lo, a fim de fazer mais e melhor?.
José Serra ignora, em seu artigo, três personagens:
1. José Sarney
2. Itamar Franco
3. Fernando Henrique Cardoso
Ou seja:
1. De Sarney, ele prefere distância.
2. Quem pensa que Itamar pode ser o seu vice, tire o cavalinho da chuva.
3. Defesa do governo FHC, ele que o faça se quiser. Serra tá fora.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:14

10 perguntas para Dilma

Da revista ‘Veja’:
“A entrevista que se segue com a ministra Dilma Rousseff foi feita por e-mail e precedida de uma rápida conversa por telefone. Dilma respondeu a todas as perguntas enviadas, mas não aceitou réplicas a suas respostas

- John Maynard Keynes, que a senhora admira, dizia alguma coisa equivalente a “se a realidade muda, eu mudo minhas convicções”. Como sua visão de mundo mudou com o tempo e com a experiência de ajudar a governar um país?
- O Brasil superou uma ditadura militar e está consolidando sua democracia. A realidade mudou, e nós com ela. Contudo, nunca mudei de lado. Sempre estive ao lado da justiça, da democracia e da igualdade social.
- Henry Adams, outro autor que a senhora lê com assiduidade, escreveu que “conhecer a natureza humana é o começo e o fim de toda educação política”. A senhora acredita que conhece o bastante da natureza humana, em especial a dos políticos, mesmo sem ter disputado eleições antes?
- Conheço bem o pensamento de Henry Adams para saber que nessa citação ele se refere à política no seu sentido amplo. Falando no sentido estritamente eleitoral da sua pergunta, acredito que minha experiência de mais de quarenta anos de militância política e gestão pública permite construir um relacionamento equilibrado com as diferentes forças partidárias que participarão desse processo eleitoral.
- Os brasileiros trabalham cinco meses do ano para pagar impostos, cuja carga total beira 40% do PIB. Em uma situação dessas, faz sentido considerar a ampliação do papel do estado na vida das pessoas, como parece ser a sua proposta?
- O que defendemos é a recomposição da capacidade do estado para planejar, gerir e executar políticas e serviços públicos de interesse da população. Os setores produtivos deste país reconhecem a importância da atuação equilibrada e anticíclica do estado brasileiro na indução do desenvolvimento econômico. Sem a participação do estado, em parceria com o setor privado, não seria possível construir 1 milhão de casas no Brasil.
- Não fosse a necessidade de criar slogans e conceitos de rápida assimilação popular nas campanhas, seria o caso de superar esse debate falso e improdutivo sobre “estado mínimo” e “estado máximo”, correto? Afinal, ninguém de carne e osso com cérebro entre as orelhas vive nesses extremos fundamentalistas. Qual o real papel do estado?
- Nos sete anos de nosso governo, ficou demonstrado o papel que vemos para o estado: induzir o desenvolvimento dos setores produtivos, priorizar os investimentos em infraestrutura em parceria com o setor privado, fortalecer e impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento científico-tecnológico, assegurando ganhos de produtividade em todos os setores econômicos. Modernizar os serviços públicos buscando responder de forma eficaz às demandas da população nas áreas da saúde, educação, segurança pública e demais direitos da cidadania. Chamo atenção para a comprovada eficácia dos programas que criamos. O Bolsa Família, o Luz para Todos, o Programa Minha Casa Minha Vida, as obras de sanea-mento e drenagem do PAC, entre outros, produziram forte impacto na melhoria de vida da população e resultaram também no fortalecimento do mercado interno. Finalmente, gostaria de destacar o papel do setor público diante da crise recente, o que permitiu que fôssemos os últimos a entrar e os primeiros a sair dela. Garantimos crédito, desoneração fiscal e liquidez para a economia.
- O presidente Lula soube manter aceso o debate ideológico no PT, mas rejeitou todos os avanços dos radicais sobre o governo. Como a senhora vai controlar o fogo dos bolsões sinceros mas radicais do seu partido – em especial a chama da censura à imprensa e do controle estatal da cultura?
- Censura à imprensa e controle estatal da cultura estão completamente fora das ações do atual governo, como também de nossas propostas para o futuro.
- O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso definiu a senhora como uma lua política sem luz própria girando em torno e dependente do carisma ensolarado do presidente Lula. Como a senhora pretende firmar sua própria identidade?
- Não considero apropriado discutir luminosidade com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
- A oposição certamente vai bater na tecla da personalidade durante a campanha, explorando situações em que sua versão de determinados fatos soaram como mentiras. Como Otto von Bismarck, o chanceler de ferro da Alemanha, a senhora vê lugar para a mentira na prática política?
- Na democracia não vejo nenhum lugar para a mentira. Como já disse em audiência no Congresso Nacional, em situações de arbítrio e regimes de exceção, a omissão da verdade pode ser um recurso de defesa pessoal e de proteção a companheiros.
- Qual o perfil ideal de vice-presidente para compor sua chapa?
- Um nome que expresse a força e a diversidade da nossa aliança.
- O presidenciável Ciro Gomes, aliado do seu governo, afirma que a aliança entre o PT e o PMDB é um “roçado de escândalos semeados”. A senhora não só defende essa aliança como quer o PMDB indicando o vice em sua chapa. Não é um risco político dar tanto espaço a um partido comandado por Renan Calheiros, José Sarney e Jader Barbalho?
- Não se deve governar um país sem alianças e coalizões. Mesmo quando isso é possível, não é desejável. O PMDB é um dos maiores partidos brasileiros, com longa tradição democrática. Queremos o PMDB em nossa aliança.
- O Brasil está cercado de alguns países em franca decomposição institucional, com os quais o presidente Lula manteve boas relações, cuidando, porém, de demarcar as diferenças de estágio civilizatório que os separam do Brasil. Como um eventual governo da senhora vai lidar com governantes como Hugo Chávez ou Evo Morales?
- Lidaremos com responsabilidade e equilíbrio com todos os países, respeitando sua soberania e sem ingerência em seus assuntos internos. É esse, também, o tratamento que exigimos de todos os países, em reciprocidade.

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