Aliados querem distância de Serra

    De ‘O Globo’:
“No primeiro dia do horário político gratuito estadual, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi onipresente. Apareceu em programas de candidatos a governador e senador tanto do PT quanto do PMDB – que indicou o vice na chapa presidencial – e de outros partidos aliados. A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, também foi citada. Mas o tucano José Serra quase não foi lembrado.
No Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição, usou Lula como cabo eleitoral. Serra foi ignorado por Fernando Gabeira, candidato do PV (apoiado pelo PSDB no Rio), e Cesar Maia, que pleiteia uma vaga ao Senado pelo DEM, partido que indicou o vice do tucano na chapa presidencial. Em Minas Gerais, houve outra estrela: o ex-governador Aécio Neves, citado em praticamente todos os programas dos candidatos ao governo e ao Senado. Aécio concorre ao Senado e apresentou apenas curtas imagens de Serra em seu programa.
Em São Paulo, à tarde, Serra não apareceu na TV pedindo votos para Geraldo Alckmin, candidato tucano ao governo estadual. Alckmin citou o presidenciável apenas no programa de rádio, prometendo ampliar os Ambulatórios Médicos de Especialidades (Ames), “uma bela iniciativa de Serra”. Na TV, preferiu lembrar
que assumiu no lugar do governador Mário Covas, morto em 2001.
Enquanto isso, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, não se apoiou em Dilma, mas citou os avanços na gestão Lula e teve o presidente pedindo votos:
- Eu gostaria muito que você depositasse no Mercadante a mesma confiança que você depositou em mim.
Lula também foi mencionado por Paulo Skaf, candidato do PSB ao governo paulista.
O ex-ministro Hélio Costa, candidato da coligação PMDB-PT ao governo de Minas, disse que a gestão de Aécio foi boa, mas é preciso melhorar. Lula e Dilma apareceram até por mais tempo que o próprio candidato estadual. Lula pediu votos para Costa e o vice, Patrus Ananias. No programa de TV do candidato do PSDB ao governo mineiro, Antonio Anastasia, Serra teve apenas três aparições relâmpago, em imagens de campanha. Foi Aécio quem apresentou Anastasia.
Serra também ficou fora do programa da candidata à reeleição no Rio Grande do Sul, a tucana Yeda Crusius. Ela não citou Serra, que, em visita a Porto Alegre na segunda-feira, evitou ser enfático no apoio à governadora. Mas houve repetida presença de Lula e Dilma no programa do petista Tarso Genro, que
mostrou trechos de discursos dos dois.
- A visão de busca de consenso sem que se percam raízes e compromissos é o maior legado que o presidente Lula deixou para nós – disse Tarso.
No Ceará, Lula roubou a cena nos programas dos dois principais candidatos e apareceu mais do que Dilma. Pediu votos para o governador Cid Gomes, do PSB, coligado ao PT. E apareceu no programa do ex-governador Lúcio Alcântara (PR), aliado nacional do PT. Serra não apareceu nos programas dos candidatos do PSDB ao governo cearense, Marcos Cals, e ao Senado, Tasso Jereissati.
Ex-ministros de Lula e adversários na corrida pelo governo da Bahia, Jaques Wagner (PT) – que tenta a reeleição – e Geddel Vieira Lima (PMDB) mostraram que não vão largar a companhia do presidente e de Dilma. Usaram na propaganda fotos e vídeos em que aparecem ao lado de Lula e da presidenciável. Paulo
Souto, que concorre ao governo baiano pelo DEM, ignorou Serra, mesmo seu partido tendo indicado o vice na chapa do tucano.
No Maranhão, a candidata à reeleição, Roseana Sarney (PMDB) – que se apresentou apenas com o primeiro nome – mostrou Lula e Dilma em sua propaganda de TV. Foram aparições rápidas, em mensagens gravadas para uma reunião que ela promoveu com prefeitos. Mas Rosena ainda afirmou que ela e Dilma iriam
realizar parcerias. Já o candidato tucano, Jackson Lago (cassado em 2009), não fez menção a Serra.
Candidato ao governo de Alagoas, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) citou Lula e Dilma. Fernando Collor, candidato pelo PTB a governar o estado, não se referiu a Dilma. E Serra foi deixado de lado até pelos tucanos.