• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:54

Tucanos, a USP e a PM

De Élio Gaspari:
“Se o tucanato tiver juízo, mantém a PM longe do campus da USP, cujos funcionários resolveram entrar em greve.
Há dois anos, durante o governo de José Serra, ex-presidente da UNE, a tropa de choque da PM desocupou o diretório da Faculdade de Direito, que havia sido invadido por um condomínio que incluía movimentos estranhos à escola, como o MST. Uma pancadaria semelhante à de junho do ano passado é tudo o que a militância sindical precisa. Na ocasião havia pelo menos um sargento PM armado de metralhadora”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:04

Cabral e Arruda, grandes amigos

 O governador Sergio Cabral ficou sinceramente abalado com a prisão do amigo José Roberto Arruda.
De todos os governadores do país, Arruda sempre foi o mais íntimo de Cabral, depois de Aécio Neves óbviamente.
A amizade surgiu quando os dois ainda eram tucanos. Cabral depois trocou o PSDB pelo PMDB, e Arruda foi para o DEM.
No primeiro ano de governo, Cabral e Arruda fizeram, juntos,  pelo menos duas viagens ao exterior.
A primeira foi para a Colômbia, onde eles foram conhecer o programa do governo que diminuiu os índices de criminalidade, em Bogotá. Nessa viagem, o governador do Rio levou o seu secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Tudo em vão: a criminalidade no Rio só fez aumentar.
No mesmo ano, eles foram a Londres assistir a inauguração do novo estádio de Wembley, onde a Seleção Brasileira enfrentou a da Inglaterra. O jogo não passou de 1 a 1.
A última vez que estiveram juntos, em publico, foi no dia 14 de janeiro, durante a solenidade que Lula promoveu em Brasília, com a presença dos 12 governadores cujos estados servirão de sede para a Copa do Mundo.
Na edição do dia 15, ‘O Globo’ noticiou assim o encontro de Cabral e Arruda:
“Alguns governadores, como o de São Paulo, José Serra (PSDB), e do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que ficaram na mesma fileira que Arruda, passaram perto e não o cumprimentaram.(…) Percebendo que teria que se sentar a duas cadeiras de Arruda, Cabral voltou e o cumprimentou, colocando as mãos sobre o ombro dele, tentando disfarçar o constrangimento”.
Se Arruda não estivesse preso, possívelmente eles se encontrariam de novo na madrugada de domingo para segunda-feira, durante o desfile das Escolas de Samba.
É que o governo do Distrito Federal financiou a Beija-Flor, última escola que desfilará no primeiro dia, com o enredo “Brilhante ao sol do novo mundo, Brasília do sonho à realidade, a capital da esperança”, em comemoração aos 50 anos da Capital, no próximo dia 21 de abril.
Dessa Cabral escapou.
E deve estar dando graças a Deus por livrar-se de mais um constrangimento.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:43

Serra: “Não sou chefe da oposição”

Em entrevista a repórter Christiane Samarco, da sucursal do ‘Estadão’, em Brasília, o governador José Serra, disse que “só oficializará a candidatura presidencial em março, mas já adianta que o foco da campanha do PSDB não será o atual governo. Demonstrando, pela primeira vez, menos preocupação com a condição de candidato natural à sucessão de Lula, ele conversou com o Estado na noite de quarta-feira, depois de participar, no Itamaraty, de evento em que foram anunciados investimentos federais nos Estados que sediarão jogos da Copa de 2014.
“Candidato a presidente não é chefe da oposição”, afirmou, delegando ao PSDB a tarefa de criticar o governo Lula e se guardando para o que considera o confronto real, com a candidata Dilma Rousseff, mais adiante. A síntese é a de que o exercício da oposição é tarefa partidária. A sua é a de governar o Estado.
A mensagem alcança o Planalto porque o governador avalia que o presidente Lula antecipou o calendário eleitoral também para atraí-lo antes do tempo. Se caísse na cilada palaciana, facilitaria a estratégia de Lula de estabelecer uma campanha polarizada entre seu governo e o anterior, do PSDB.
Nesse contexto, sem explicitar, Serra compartilha a tese do governador de Minas, Aécio Neves, que cunhou a expressão “pós-Lula”, como referência tática para a campanha do partido. “Vou apontar as coisas para o futuro”, afirmou.
Lula declarou reiteradas vezes que a campanha de 2010 será uma comparação entre seu governo e o de Fernando Henrique Cardoso. O governador paulista não vai por aí. “Não vou ficar tomando conta do governo Lula”, disse ao Estado.
As bancadas tucanas na Câmara e no Senado terão de se organizar para fazer uma oposição mais articulada e eficaz. Caberá aos deputados e senadores do PSDB, e não ao candidato presidencial do partido, acompanhar com lupa cada ato do governo Lula e liderar a oposição.
Essa mensagem, o próprio Serra já se encarregara de transmitir ao PSDB no início do ano, em tom de cobrança, provocando um debate interno, que envolveu a cúpula da legenda. O efeito foi imediato.
“Precisamos combater esse ufanismo”, apelou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), aos dirigentes tucanos. “Isso não combina com um Brasil que cresceu 0% em 2009 e teve a maior queda da exportação da história”, completou o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA), respondendo de pronto à cobrança do candidato. Serrista de primeira hora, Jutahy lembra que, “em ano eleitoral, é preciso ter uma ação parlamentar sincronizada com o candidato, sobretudo diante da propaganda escandalosa do governo”.
Determinado a não permitir que a guerra antecipada da campanha lhe crie dificuldades na tarefa de governar São Paulo, Serra diz que essa fase de pré-campanha foi ditada pela conveniência de Lula. Que não é a dele, Serra. Para o tucano, o processo tem dinâmica própria e alguns passos políticos não ocorrem fora do tempo, nem por pressão nem por conveniência. “Certas coisas são irremovíveis.”
Por irremovíveis, segundo o raciocínio de Serra, devem ser entendidas a escolha do candidato a vice e as decisões finais sobre as coligações nos Estados. Mas o PSDB também está acelerando a montagem de palanques em Estados-chave como o Rio de Janeiro, e o próprio Serra procurou o ex-prefeito Cesar Maia para tratar desse assunto.
“No Rio, o PSDB reabriu uma perspectiva, mas tem muita água para rolar debaixo da ponte”, avaliou. Serra calcula que o prazo formal de campanha, que vai de abril, quando a Lei Eleitoral obriga os candidatos a deixarem seus cargos, até 3 de outubro, data da eleição, é mais que suficiente para os concorrentes se apresentarem ao eleitor. “A partir de abril teremos seis meses pela frente. Isso é tempo demais, especialmente se a gente considerar que nos primeiros três meses ninguém pode fazer campanha.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:42

Os golpistas do PSDB

De Élio Gaspari, com o título “Perigo à vista: vivandeiras do tucanato”:
“A expressão “vivandeira” veio do marechal Humberto Castello Branco, há 45 anos, no alvorecer da anarquia militar que baixou sobre o Brasil a treva de 21 anos de ditadura. Referindo-se aos políticos civis que iam aos quartéis para buscar conchavos com a oficialidade, ele disse:
“Eu os identifico a todos. São muitos deles os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias ao Poder Militar”.
Desde o início da controvérsia provocada pelo Programa Nacional de Direitos Humanos, sentia-se o perfume da sedução tucana pelo flerte com a figura abstrata dos militares aborrecidos com a ideia de esclarecer a responsabilidade por crimes praticados durante a ditadura. Uma palavrinha aqui, outra ali, coisa cautelosa para uma corrente política que pretende levar à Presidência da República o governador José Serra, que pagou com 15 anos de exílio o crime de ter presidido a UNE. Serra e os grão-tucanos conhecem um documento de 1973, preparado pela meganha enquanto ele estava preso ou asilado no Chile. A peça vale por uma anotação manuscrita: “Esta é a súmula do que existe sobre o fulano. Como vês, trata-se de “boa gente” que bem merece ser “tratado” pelos chilenos”. A rubrica do autor parece ter três letras. (Ao menos cinco brasileiros foram “tratados” pelos chilenos nas semanas seguintes ao golpe do general Pinochet.) Será que Serra não tem curiosidade de saber quem queria “tratá-lo”?
A vivandagem tucana explicitou-se numa entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao repórter Gary Duffy. No seu melhor estilo, disse a coisa e seu contrário. Referindo-se aos itens do programa de direitos humanos que cuidam do estabelecimento de uma comissão da verdade, o ex-presidente afirmou o seguinte:
“Este não é um assunto político no Brasil, mas uma questão de direitos humanos, o que para mim é importante, mas o perigo é transformar isso em um assunto político”.
Assunto político, o desaparecimento de pessoas jamais deixará de ser. Não há como dizer que seja um tema climático. O ex-presidente foi adiante e viu na iniciativa de investigar os crimes do Estado um fator de “intranquilidade entre as Forças Armadas”.
Pode vir a ser um fator de indisciplina. “Intranquilidade entre as Forças Armadas”, só se fosse uma ameaça às fronteiras nacionais ou às reservas de petróleo do mar territorial. Fernando Henrique Cardoso já sentiu o gosto amargo da vivandagem quando ampliou a Lei da Anistia e reconheceu a prática, pelo Estado, dos crimes da ditadura. Nesse sentido, na busca da verdade e da compensação das vítimas (reais) da ditadura, deve-se mais a ele e a tucanos como José Gregori do que a Lula e a organizadores de eventos como Tarso Genro e Paulo Vannuchi.
Não se reconhece em Fernando Henrique Cardoso do ano eleitoral de 2010 o presidente de 1995 a 2002. Muito menos o militante das causas democráticas, visto pela tigrada como um “marxista violentíssimo”. Felizmente, pode-se garantir que FHC não sentou praça na tropa da ditadura. Infelizmente, podendo mostrar pelo exemplo que há uma diferença entre os tucanos e as vivandeiras, escolheu o cálice do oportunismo”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:37

José Serra: presta atenção!!!

Mais uma vez para firmar.
Ou José Serra enquadra os tucanos do Rio de Janeiro e convida Cesar Maia para disputar o governo, ou sua candidatura será um fiasco.
E mais: se ele conquistar também o palanque de Garotinho, ele só tem a ganhar.
Preconceitos não levam a nada.
O bom é voto na urna.
Lula diz que, pra governar, já fez acordo até com Judas.
Imagine pra ganhar a eleição…
Serra não tem o Nordeste, e é obvio que Minas fará corpo mole com sua candidatura.
Se Aécio era contra a hegemonia paulista, porque diabos ele vai atrapalhar a vida da mineira Dilma Rousseff?
Minas não o perdoaria…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:34

José Serra precisa de Cesar

Cesar Maia está precisando ouvir um apelo.
Assim como apelam para que Aécio Neves seja o vice de Serra, é preciso que o governador de São Paulo apele a Cesar Maia para que ele dispute o governo do Rio.
Não tem sentido o PSDB ficar procurando candidatos fracos entre seus filiados, e dispensar a força eleitoral de Cesar Maia.
Serra precisa de um palanque forte no Rio, e não é com Otavio Leite, Andréa Gouvêa Vieira, Zito, ou seja lá quem fôr, que isso será possível.
Serra precisa de Cesar, e a tucanada tem de ser enquadrada.
Sem exceções.

 

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:08

Lula e Teotônio

 Do governador de Alagoas, Teotônio Vilela, do PSDB:
“Os tucanos ficam enciumados quando pego o microfone em Brasília. Mas, presidente Lula, é preciso agradecê-lo e parabenizá-lo.Sua postura é republicana e amiga.”
Do Presidente Lula:
“Duvido que governadores tucanos tenham recebido 50% (na gestão FHC) do que recebem no meu governo. O que estamos fazendo é uma reparação pela irresponsabilidade de quem governou o país antes de nós.”

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 21:49

Tucano cala sobre jabuti

Do jornalista Elio Gaspari hoje na ‘Folha’ e no ‘Globo’:
“É ensurdecedor o silêncio da banda boa do Senado diante da abertura do porão de malfeitorias praticadas na Casa.
Propuseram oito medidas moralizadoras, todas relacionadas com o funcionamento da burocracia. É o triunfo da Doutrina Jabuti. Por mais ágeis e vorazes que eles sejam, jabutis não sobem em árvores. Esqueceram-se de pedir qualquer providência que leve à perda do mandato dos senadores que tenham ofendido as leis”.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:49

Tucanos continuam no muro

Do jornalista Elio Gaspari hoje na ‘Folha’ e no ‘Globo’:

“O tucanato assustou-se diante da conjunção do repique da popularidade de Lula com a redução da distância que separa José Serra de Dilma Rousseff (de 30 pontos para 22). Assombração sabe para quem aparece.
Um partido que tem dois nomes para oferecer, mas o favorito reluta em anunciar sua candidatura, não poderia esperar outra coisa. Faltam 16 meses para a eleição de 2010, e José Serra guarda o imponente silêncio dos santos de andor. É cedo? O companheiro Obama anunciou sua candidatura 21 meses antes da eleição.
Ao seu estilo, o PSDB tem um candidato que não diz que é candidato, quer fazer prévia, mas não quer fazer prévia, quer montar uma chapa puro-sangue, mas não quer montar uma chapa puro-sangue. Em 2006, José Serra saiu da disputa com Geraldo Alckmin sem ter anunciado publicamente que era candidato à Presidência. Nunca se saberá direito até que ponto ele saiu do caminho porque temeu a divisão de sua base ou porque percebeu que marcharia para uma segunda derrota.
Sem candidato (ou sem candidatos disputando prévias, o PSDB acorrentou-se ao projeto-procissão, no qual o santo percorre um trajeto com destino certo, cabendo aos devotos acompanhá-lo com suas preces.
A imobilidade do PSDB é responsável, em parte, pela persistência do fantasma de uma nova candidatura de Nosso Guia. Se Serra ou Aécio botassem a cara na vitrine, desencadeariam um processo que dificultaria uma manobra queremista do comissariado. Jogando na retranca, alimentam-na.
Pode-se dizer que Lula já informou que não pretende buscar o terceiro mandato, mas ele nunca disse isso numa frase que não contivesse uma saída de emergência. Numa de suas últimas versões, repetiu que não pretende entrar na disputa, mas disse que não via nenhum mal no continuísmo chavista.
Se algum dia Lula quiser encerrar essa discussão, pode recorrer a um modelo formulado em 1871 pelo general americano William Sherman (o devastador do Sul dos Estados Unidos durante a Guerra Civil). Ele mandou uma carta a um jornal dizendo o seguinte:
“Nunca fui e nunca serei candidato a presidente. Se algum partido me indicar, não aceitarei a escolha. E se eu for eleito, mesmo que seja por unanimidade, não ocuparei o cargo”.

  • Quarta-feira, 06 Janeiro 2010 / 1:35

“Quero Dilma”

   Silvio Navarro, que hoje assina o Painel da ‘Folha’, diz que “tucanos, aliás, andam irritados com um vídeo que circula na internet intitulado “Quero Dilma”, simulando uma peça de campanha, com trilha sonora e imagens da candidata, além de ataques ao PSDB”.
Na verdade existem tres “Quero Dilma” no YouTube.
O primeiro foi postado por seu autor, o compositor Tião Simpatia, no dia 2 de novembro – dia de Finados, e é muito ruim.
O segundo é de 28 de dezembro, e foi postado pelo BlogdaDilma. Nele aparece três vezes a legenda “Bye, bye Serra 2010″.
O terceiro, do dia 2 de janeiro, também é do BlogdaDilma. Não fala em Serra, mas exibe uma única foto do comando tucano, onde aparece o próprio governador de São Paulo e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Mas o filmete não é contra a tucanada e sim a favor de Dilma.
A audiencia dos três somados, até agora,  é de pouco mais de três mil exibições. Eis o melhorzinho deles:

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.