• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

Gabeira confirma hoje candidatura

O pré-candidato ao governo do Rio, Fernando Gabeira, do PV, deu ontem, no final da tarde, uma entrevista ao jornalista Ricardo Noblat pelo Twitter. Por limitações da ferramenta utilizada, nenhuma pergunta e nenhuma resposta, tem mais de 140 toques. Veja a entrevista:
“- Boa tarde, deputado Fernando Gabeira. Depois de idas e vindas, o senhor será mesmo candidato ao governo do Rio?
- Boa tarde. Depois de idas e vindas, sou candidato ao governo do Rio.
- O que lhe faz achar que merece ser eleito governador?
- Creio que adquiri experiência política e conhecimento para responder aos desafios do Rio.
- O senhor se acha mais capaz do que Sérgio Cabral e Garotinho, por exemplo?
- Pelo governo que fizeram, creio que tenho condições de realizar muito mais e com outra concepção política.
- Por que o senhor não queria o ex-prefeito Cesar Maia em sua chapa para o Senado e agora quer?
- Fizemos ampla consulta aos apoiadores capital e interior. Preferem união para termos chances de vitoria.
- Mas antes o senhor imaginou que sem união com o DEM de Cesar Maia poderia vencer?
- Antes estava disposto a seguir caminho sem grandes conflitos. Não há resposta científica sobre a fórmula vencedora.
- Que conflitos o senhor pensa que enfrentará por se juntar com o DEM?
- Conflitos na coligação e com parte dos eleitores. Só aceito coligar se todos se sentirem confortáveis. Creio que haverá paz.
- “Só aceito coligar se todos…” Quer dizer que ainda não se bateu o martelo sobre a coligação com o DEM?
- Creio que isso será feito amanhã. O critério para coligar é a aceitação do projeto ficha limpa.
- E quem ainda resiste a aceitar o projeto ficha limpa? O DEM? O PSDB? Quem?
- Todos os partidos da coligação aceitam, com base no projeto original. Vamos oficializar essa decisão amanhã.
- Quem mudou para que se possa imaginar o senhor e Cesar Maia juntos? Mudou o senhor ou Cesar Maia?
- O que muda é a situação do país e do estado. O sistema de dominação do PMDB é profundo e muito forte. Só a união vencerá.
- Quem mudou? Gabeira ou o PT, partido ao qual o senhor já pertenceu?
- Nós todos mudamos no caminho. O PT mudou de uma forma que nos separou. Consegui crescer sozinho, fora de um governo popular.
- O senhor acha possível fazer um governo popular junto com o DEM e o PSDB? Ou esse não é o seu objetivo?
- O objetivo é um governo com a sociedade. O governo popular tem boa políticas econômica e social, mas loteou cargos com partidos.
- O senhor não dará cargos a pessoas indicadas pelos partidos que o apóiam caso se eleja?
- Sim, desde que sejam pessoas honradas e com competência especifica para os cargos.
- Acho que Lula teria respondido da mesma forma antes de lotear cargos com os partidos que o apoiam…
- Isto não é uma pergunta. Quando Lula descumpriu o prometido, sai do PT.
- Para quem o senhor pedirá votos – Marina ou Serra?
- Pedirei votos para Marina, mas tenho admiração pelo Serra. Ambos me apoiam.
- Haverá lugar para Serra no seu programa de propaganda no rádio e na televisão?
- Está combinado que Serra aparece me dando apoio.O vice, do PSDB, vai apoiá-lo.
- Quando Serra for ao Rio fazer comícios o senhor estará ao lado dele?
- De um modo geral não faço mais comícios. Posso encontrá-lo na rua, pois nela encontro até adversários.
- Por que o senhor acha Marina e Serra mais preparados para governar do que Dilma?
- Ambos passaram por crivos eleitorais, Marina venceu a pobreza e eleições, Serra governou São Paulo.
- Em um eventual segundo turno entre Serra e Dilma, o senhor então irá de Serra?
- Sim, num eventual segundo turno apoio Serra.
- Existe alguma chance de composição entre Serra e Marina ainda no primeiro turno?
- Não creio. Marina quer falar de sustentabilidade e acha que seu papel é singular.
- Que lição (ou lições) extraiu de sua derrota para prefeito do Rio?
- Estou nisso desde 82 e cometo erros até hoje. Meu principal erro foi não deter o feriado na Justiça.
(De O Globo: A ausência de 927.250 eleitores cariocas (20,24% do total), em meio ao feriado prolongado decretado pelo governador Sérgio Cabral, pode ter influenciado o resultado da eleição, na opinião de cientistas políticos.
As maiores abstenções registradas foram nas zonas eleitorais do Centro (26,34%), da Zona Sul (26,11%) e da Grande Tijuca (22,14%), três regiões que registraram o melhor desempenho do candidato derrotado , Fernando Gabeira (PV).
Os números são superiores aos registrados no primeiro turno, que teve 17,91% de abstenção, e acima da média nacional, que ficou em 18,09%, bem próximo dos 17,29% registrados no segundo turno de 2004. Na ponta do lápis, isso representou uma perda de mais 107.157 votos em relação ao primeiro turno.
Na Zona Sul faltaram 143.714 eleitores, justamente onde Gabeira teve seu melhor desempenho. O fato reforça a polêmica sobre o feriadão decretado pelo governador Sérgio Cabral, que antecipou de terça-feira para esta segunda o Dia do Servidor Público).

- De 0 a 10, que nota dá à administração do prefeito Eduardo Paes?
- Não dou notas, mas aprecio a decisão de recuperar o porto do Rio, um dos projetos centrais de minha campanha.
- O que o governador Sérgio Cabral está fazendo que o senhor não faria?
- Proponho plano de segurança para todo o estado, saúde não apenas para emergência, e romper com a cumplicidade com empresas transporte.
- Em um eventual segundo turno contra Cabral o senhor pediria o apoio de Garotinho?
- Meu grande esforço é ir para o segundo turno. Quando estiver lá, tomarei as decisões do momento.
- O que acha da política de segurança pública de Cabral? E mais especificamente das UPPs?
- Defendi esta politica em 2008. Sou beneficiado por ela, mas pergunto sempre: e os outros? É preciso pensar Rio como estado.
- Qual será o papel do RJ na discussão da partilha de royalties caso o senhor se eleja?
- O Rio tem de lutar pelos royalties. Veja o desastre agora em Lousiana. São riscos ambientais e encargos sociais com o petróleo.
- Últimas perguntas. Qual é exatamente sua posição sobre o comércio de drogas consideradas ilícitas?
- Minha proposta é reformar a polícia. Sem boa polícia não há politica de repressão ou discriminação. É uma ponte entre extremos.
- O que pensa da concessão do titulo de propriedade definitivo aos atuais moradores de favelas?
- Sou favorável, desde que em áreas seguras. Com o título, as pessoas têm emprestimos, há dinamismo econômico.
- Última pergunta: O que fará para impedir a edificação em áreas de risco? E a ocupação ilegal de terra pública?
- De um modo geral é tarefa de prefeito. Poderei ajudar [fazendo] convênio com Google, monitorando on line”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:53

Transportes não se entendem no Rio

Do repórter Natanael Damasceno, de ‘O Globo’:
“A dificuldade de entendimento entre o governo do estado e a prefeitura do Rio no que diz respeito às soluções para o trânsito da cidade pode prejudicar os projetos apresentados para a área de transportes visando às Olimpíadas de 2016. Quem afirma é o arquiteto Jaime Lerner, que acaba de ser incluído na lista dos 25 pensadores mais influentes do mundo, elaborada pela revista ?Time?, por seus trabalhos como urbanista.
Ontem, em entrevista à Rádio CBN, Lerner ? que assessorou a equipe que elaborou o projeto olímpico ? disse que tenta, sem sucesso, obter uma visão conjunta sobre o problema entre os dois níveis de governo: ? Adoro o Rio, já fiz várias propostas.
A última foi a solução de transporte para as Olimpíadas. O Rio nunca esteve tão próximo de uma grande transformação e nunca esteve tão distante. Tão próximo porque tudo está a favor: governo, prefeitura e iniciativa privada. E nunca esteve tão distante (e eu quero dizer isso ao governador e ao prefeito do Rio) porque eles não se encontram, eles não pensam junto o problema dos transportes. Está aí um recado: tem seis meses que eu estou tentando conseguir com que haja uma visão conjunta do sistema de transportes que nós projetamos para as Olimpíadas, mas até agora nada aconteceu ? afirmou Lerner.
O arquiteto disse ainda que qualquer cidade no mundo pode melhorar sua qualidade de vida em menos de três anos.
Apesar das críticas, nem o prefeito Eduardo Paes, nem o governador Sérgio Cabral quis comentar as declarações do urbanista. Já o secretário estadual de Transportes, Sebastião Rodrigues Pinto Neto, afirmou que a parceria entre o governo e a prefeitura para tratar do tema nunca esteve tão boa.
? Não acredito que ele (Lerner) realmente pense dessa forma. A sintonia entre nós e a prefeitura tem sido muito boa. Inclusive para os projetos que dizem respeito às Olimpíadas.De qualquer forma, estamos à disposição do Jaime Lerner, cujos projetos e ideias têm sido muito importantes para o estado ? disse o secretário.
Já a secretaria municipal de transportes afirmou, através de sua assessoria, que não daria informações sobre outros projetos apresentados por Lerner para a cidade porque estes foram propostos na gestão de Cesar Maia”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:30

Perguntas para os que perguntam

Pedindo, ao final, que “espalhe essa nota”, o deputado Fernando Gabeira postou, há pouco, em seu blog, o seguinte texto:
“É possível romper a dominação política do PMDB e seus aliados sem o concurso dos partidos de oposição para criar uma candidatura competitiva?
É possível melhorar o transporte coletivo no Rio sem romper a cumplicidade política com as empresas de ônibus e os concessionários de trem e metrô?
É possível ter um plano de segurança para todo estado sem nos limitarmos ao sucesso apenas em comunidades da Zona Sul?
É possível melhorar as condições da polícia (salário,equipamento e treinamento) isolando e afastando os setores comprometidos com o crime e a contravenção?
É possível uma política de prevenção de desastres e a criação de uma defesa civil  que responda às mudanças climáticas que já começam a nos afetar?
É possivel defender os royalties do petróleo e ao mesmo tempo a transparência no uso desses recursos?
É possivel canalizar os frutos dessa riqueza que é finita para nos libertamos dessa dependência no futuro, usando a educação, o conhecimento, a ciencia e a tecnologia como instrumentos dessa passagem para o futuro?
É possível um governo que não corrompa os parlamentares e trabalhe construtivamente para atender às aspirações de suas bases eleitorais?
É possível um sistema de saúde que racionalize seus gastos para prestar um melhor serviço, uma liderança que conduza os funcionários do setor a uma política de respeito e compaixão pelos que adoecem e sofrem?
São algumas perguntas que faço e, em contrapartida, só querem saber da candidatura ao Senado, espeficamente a de César Maia.
Espero que os partidos políticos respondam a todas as perguntas e não apenas a preferida dos jornalistas. Gostariamos muito de atender aqueles que pedem uma derrota de cabeça erguida. Lembramos apenas que, nas circunstâncias da degradada política do Rio, esta opção nos leva a dois perigos: passarmos a vida sendo derrotados e, o que é pior, começarmos a gostar da derrota”.
                        * * *
Da parte desse blog está atendido o pedido de Gabeira.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:00

Transportes no Rio é enganação

Do jornalista Elio Gaspari:
O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) está coletando assinaturas para instalar uma CPI destinada a abrir a caixa-preta da Agetransp, a agência reguladora dos serviços do Metrô, dos trens da SuperVia e das barcas do Rio de Janeiro. Grande ideia, mas ficou faltando interesse pela mãe de todas as caixas, a das companhias de ônibus municipais. Em geral, as CPIs dão em nada, quando não resultam em coisa pior, mas nem isso a bancada do governador Sérgio Cabral aceita. Seu anjo de guarda, o deputado Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa, anuncia que vetará a iniciativa.
O Metrô do Rio tem transportecas arrogantes que mexem nos ramais sem se preocupar com o suplício que impõem aos clientes. A SuperVia tem trem que sai por aí sem maquinista e seguranças que chicoteiam os passageiros. As companhias de ônibus têm mais: cultivam um política extorsiva de tarifas e, com a cumplicidade dos prefeitos, bloqueiam a implantação do Bilhete Único, prometido por Cabral em 2007 e pelo seu prefeito, Eduardo Paes, em 2008, quando pedia votos.
Governadores, prefeitos, amigo$ e caixa$ de campanhas colocaram o Rio numa situação socialmente humilhante. Até 2004, quando a prefeita Marta Suplicy instituiu o Bilhete Único em São Paulo, as duas cidades estavam num mesmo patamar de desgraça no transporte público. Hoje, 50% dos paulistanos avaliam que os serviços de ônibus e de trens estão entre bom e ótimo. O Metrô vai a 82%. No Rio, esse índice de satisfação talvez não seja atingido nem entre os diretores das concessionárias.
O vexame não é consequência da herança escravocrata, do patrimonialismo ibérico ou da mudança da capital para Brasília. É obra de governos demófobos. Quem fez a diferença em São Paulo foram administradores petistas e tucanos que decidiram tirar o transporte público da vala.
Basta comparar a situação nas duas cidades.
O paulistano paga R$ 2,70 pelo seu Bilhete Único, tem direito a quatro viagens de ônibus num intervalo de três horas. O novo bilhete intermunicipal do Rio custa R$ 4,40, com direito a duas viagens de ônibus, trem ou metrô, por duas horas.
O Bilhete Único de São Paulo atende a todo o município e é usado em 12 milhões de viagens/dia. No Rio essa tarifa só existe para percursos intermunicipais. Estima-se que venha a atender 1,5 milhão de viagens/dia.
Desde ontem, com a nova tarifa municipal de R$ 2,35, um trabalhador que toma dois ônibus para chegar ao trabalho, mais outros dois na volta para casa (ao longo de 25 dias), gasta R$ 235. O de São Paulo gasta R$ 135. Com a diferença de R$ 100, tem direito a sete refeições de R$ 13,75 no carro-chefe do Mc Donald’s (BigMac, batatas fritas na porção média, e um refrigerante médio). Para ele, almoço grátis existe.
(Na comparação com o bilhete intermunicipal do Rio, a diferença cai para seis refeições.)
O sistema de transportes públicos do Rio fez uma opção preferencial pela tunga dos passageiros dos ônibus. Antes da criação do bilhete intermunicipal de R$ 4,40, o cidadão que fazia duas viagens sobre trilhos pagava, e continuará pagando, R$ 3,80. Noutra modalidade de integração, passageiros de quatro cidades da Baixada Fluminense pagam R$ 4,00 pelo percurso ônibus-metrô. Os dois sistemas, privados e lucrativos, atendem cerca de 20 mil passageiros/dia.
A política de tarifas dos ônibus, do Metrô e dos trens do Rio é paleolítica. Nenhum concessionário dá desconto de fidelidade aos usuários. Em São Paulo a passagem de Metrô custa R$ 2,65. Se o cliente compra 50, fica por R$ 2,33. (Sobram R$ 16 para o McDonald’s.) O Metrô do Rio prometeu esse tipo de desconto e quem acreditou fez papel de paspalho (inclusive o signatário). A Fetranspor carioca, que administra os altos interesses das empresas de ônibus, criou um RioCard, prometeu o programa de descontos e bobo foi quem acreditou (inclusive, de novo, o signatário)”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:54

Comprando gato por lebre

 Elio Gaspari é o melhor e mais bem informado jornalista do país.
Mas mesmo os maiores e os melhores também erram.
Em sua coluna de hoje, na ‘Folha’ e no ‘Globo’, Gaspari cita Sergio Cabral duas vezes e, em ambas, se equivoca.
Diz a primeira nota:
“Fernando Gabeira criou um pesadelo para Sérgio Cabral. O ex-governador Anthony Garotinho conseguiu 20% na última pesquisa do Vox Populi, e Gabeira teve 18%. Somados, encostam em Cabral, com 39%.
Cabral tem força no Grande Rio e Garotinho no interior. Se Gabeira avançar na cidade, Cabral corre o risco de morrer no primeiro turno.
Cabral, contudo, tem uma arma secreta: Lula”.
Nas últimas eleições, Lula teve mais votos que Cabral, no Rio, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
O raciocínio correto então é que, se Lula consegue transferir votos para Dilma, também poderá transferir para Cabral.
Certo?
Não, errado.
Lula, como se sabe, tem votos nas camadas populares. E essa é a que mais vem sofrendo no governo Cabral. Os transportes – metrô, trens e barcas – pioraram. A política de segurança e o enfrentamento de bandidos, matou centenas de inocentes. Teve o episódio dos muros que cercariam as favelas. Na área sindical, médicos, professores, policiais militares e bombeiros fazem passeatas semanais pedindo “Fora Cabral”. E, por culpa única e exclusiva do governador, o fato dele ter dado o equivalente a 30 voltas ao redor do  mundo, nesses tres anos de governo, criou a imagem de um político que não quer nada com o trabalho, e que prefere as delícias de Paris.
A segunda nota:
“A manobra que pode levar Henrique Meirelles à vice-presidência na chapa de Dilma Rousseff é pesada, mas pode prevalecer.
O presidente do Banco Central tem a simpatia de Lula e é defendido pelo ex-ministro Antonio Palocci.
Meirelles serviria de contrapeso às inquietações que Dilma e o comissariado petista disseminaram no empresariado e no andar de cima. Nas últimas semanas o mercado financeiro tomou-se de súbita paixão por José Serra.
Lula, Palocci e Dilma não têm votos na convenção que escolherá a chapa, mas podem recorrer a um poderoso eleitor. Costurando por dentro, o governador Sérgio Cabral viabilizaria Meirelles. Ele tem quatro vezes mais convencionais que a bancada paulista do partido.
Henrique Meirelles não é um quadro do PMDB, característica que o credencia para o exercício do cargo.
Se Cabral emergir como seu grande eleitor, estará habilitado para se tornar uma ponte dourada entre os pleitos do partido e o Planalto num terceiro mandato petista”.
Está certo que a bancada do PMDB do Rio é muito maior que a de São Paulo. Aliás é a maior do país. São 10 deputados fluminenses,  contra três paulistas, sendo que o terceiro de São Paulo é  Michel Temer, eleito com a sobra de votos.
Mas tem um detalhe: Cabral não tem um único voto entre esses 10 deputados. Quem comanda a bancada chama-se Eduardo Cunha, que hoje é unha e carne com Michel Temer.
Cabral, lamentavelmente, não poderá fazer absolutamente nada em favor de Henrique Meirelles.
Até mesmo porque, se tivesse força para tal, faria para si próprio.
O que ocorre é que o partido, a nível nacional, não gosta e, pior, desconfia de Cabral. O episódio de nomeação do ministro Temporão é um bom exemplo. Lula o inventou, e Cabral que não o conhecia nem de nome, assumiu a candidatura.
Quando Michel Temer foi candidato à presidencia do PMDB, um grupo lançou Nelson Jobim.
O único governador do PMDB a aderir a Jobim - candidato que durou menos de 48 horas -  foi Sergio Cabral, que o trouxe ao Rio para destruir Temer. Esse não reclama, mas não esquece.
Cabral fará o que for possível para derrotar Temer.
Até mesmo porque o presidente da Câmara é grato a Garotinho.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:46

Cabral absolve a SuperVia

  O governador Sergio Cabral disse hoje que não irá intervir na SuperVia, pois a melhoria do serviço  ?é um processo permanente. E não há solução mágica para resolver o problema?.
É óbvio que não existe mágica. 
Mágica foi o que a SuperVia fez ontem, lançando um trem com 1.200 passageiros, sem maquinista, com as portas abertas, a 100km por hora.  
E ninguém pede mágica. O usuário da SuperVia pede  trabalho, investimentos, investigação, fiscalização e punição para os responsáveis por mágicas como essa.
Para o governador, segundo informa o Globo Online, ?a área de transporte é uma tentação à demagogia?.
Cabral chama de demagogia, as críticas que recebe.
Se é assim, deve haver, também, tentação a demagogia nas áreas da saúde, de segurança e de educação, para ficar apenas com três exemplos.
Mas tem um detalhe: nesses áreas nada melhorou. Já na de transportes, a piora dos serviços é visível: o metrô é uma vergonha, assim como os trens e as barcas. E  até mesmo o bondinho de Santa Teresa, que outro dia atropelou e matou uma professora.
Diz ainda o Governador:
- Se o Rio tem desordem urbana é por causa da má  qualidade nos transportes. A pessoa prefere morar em local precário para estar perto do trabalho. Tem empresário que pergunta: Onde você mora? Magé? Sinto muito. A média das empresas não contrata.
Como a entrevista foi dada pouco depois das 8 da manhã, é possível que o governador ainda tivesse meio sonâmbulo.  Só isso explica o tamanho da bobagem dita por ele.
A resposta serviria para explicar  a construção de barracos em locais perigosos, perto de encostas, onde existe a possibilidade de deslisamentos. Mas o que isso tem a ver com o assunto em pauta?
É possível que empresários, com escritórios no centro do Rio, não empreguem trabalhadores que morem em Magé,  já que são obrigados a fornecer vale-transporte e eles custam caro.
Mas esse não é o caso de quem embarcou as 6h15m na estação de Ricardo de Albuquerque em direção ao centro da cidade.
O governador garantiu que ?o presidente da Agetransp é um homem sério, honesto, do bem. Ele está investigando.?
Investigar é sua obrigação.
E ser ?sério, honesto e do bem? também deveria ser obrigação de todo homem público.
Pena que nem todos os governadores possuem essas características.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:45

Rio 2010, terra de ninguém

Às vezes você pensa que já chegou ao fundo do poço, e descobre que o poço tem mais fundo.
É o que acontece com os transportes no Rio de Janeiro, a cidade cujas autoridades brigam pela privatização do Galeão, se insinuam para escolher o melhor fornecedor para o trem-bala, e insistem em levar o metrô até a Barra. Mas esquecem-se das péssimas condições dos transportes na cidade, em todas as suas modalidades: metrô, trens, barcas, ônibus e até mesmo o bonde de Santa Teresa.
Hoje, pela manhã, às 6h15m, uma composição de trem, sem maquinista, saiu da estação de Ricardo de Albuquerque e passou por outras três, em alta velocidade, e com as portas abertas.
O trem só parou depois que foi desligada a rede de energia.
Mais de 12 horas após o inacreditável, o secretário de Transportes, Julio Lopes, ainda não fez um único pronunciamento cobrando providências da SuperVia e, no site de sua secretaria, também não existe registro sobre o ocorrido, que provocou a paralisação em todo o sistema por quase uma hora.
Pelo visto, ele não está nem um pouco preocupado com o usuário.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:28

A vaia contra Julio Lopes

 O secretário de Transportes do Rio, Julio Lopes, foi vaiado ontem quando dava uma entrevista em uma estação do metrô. E ainda teve de ouvir um ?Fora Cabral?.
Será que isso aconteceria se ele estivesse dando a entrevista em uma estação de trem da Central do Brasil?
E se a entrevista fosse na Estação das Barcas na Praça XV?
E se por acaso ele visitasse um dos terminais de ônibus da cidade, ou pontos de vans?
Será que Julio Lopes seria vaiado se subisse Santa Tereza de bondinho?

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:43

Infraero reforma o Tom Jobim

O novo presidente da Infraero, Murilo Barboza, em entrevista a repórter Geralda Doca, de ‘O Globo’, disse que o Aeroporto do Galeão ? o Tom Jobim ? vai virar um grande canteiro de obras mas, para isso, depende de definições dos governos estadual e municipal em matéria de transportes e vias de acesso.
Eis um trecho da entrevista:
? – Há alguma ação específica para o Rio, que vai sediar as Olimpíadas?
– Ainda este mês, pretendo criar uma superintendência regional específica para o Rio de Janeiro, por conta da Copa e, depois, das Olimpíadas. Quero ter um núcleo do nível mais elevado trabalhando lá. Hoje a superintendência pega o Rio, Minas e algumas cidades do Centro-Oeste. A nova vai ficar com Santos Dumont, Jacarepaguá, Galeão, Macaé e Campos. Terá uma estrutura de engenharia própria, quase uma outra empresa.
- Os recursos previstos no PAC são suficientes para preparar os aeroportos para os dois eventos?
- Não tenho nenhuma obra, para 2014, para 2016, que precise ser feita e que eu anteveja a falta de verba. Todos os recursos para este ano e até o fim do governo Lula estão muito bem delineados. Alguns já estão no caixa da Infraero me esperando aumentar a velocidade de execução das obras.
- Então porque algumas obras demoram a começar?
- O problema é a acessibilidade ao aeroporto. Ninguém falou ainda qual é o plano viário para a Copa. É VLT (veículo leve sobre trilhos)? É um metrô? Tenho que saber antes de expandir o aeroporto. Eu garanto que o meu investimento vai estar pronto.
- Esse problema acontece no Rio?
- As linhas Amarela e Vermelha estão praticamente congestionadas. Eu tenho uma faixa que vai até a beiramar da Ilha do Governador e, chegando ali,
começa a confusão. A pessoa sai e pega o viaduto da Ilha do Governador e está tudo congestionado, às vezes até a Perimetral. O problema vai muito além da Infraero.
Eu não quero polemizar, mas isso está acontecendo em várias cidades.
- A Infraero está buscando uma reaproximação com o governo do Rio? Foi um pedido do ministro da Defesa, Nelson Jobim?
- O ministro quer. Nós acreditamos que não existe solução só de um lado; a solução sempre é de duas partes. Nunca é só da Infraero, como também nunca é só do governo estadual ou municipal. O que a gente tem que fazer é procurar esse entendimento. Preciso integrar o plano viário das cidades aos meus projetos para os aeroportos. Tenho certa facilidade no Rio porque sou carioca. Trabalhei no governo do estado muitos anos antes de fazer concurso para a área federal. Eu tenho uma relação grande com a cidade.
- O que a Infraero levou ao governador na reunião?
- Uma proposta técnica.Mostrei o que a Infraero está fazendo, quais são os prazos com que eu estou trabalhando e o meu projeto para o Rio até 2025. Pedi a ele para partilhar comigo qual é o projeto viário do Rio para os aeroportos. Eu preciso saber se a solução para o Rio é um metrô ou VLT. Onde vou colocar as estações, pois vou construir um edifício-garagem no Rio e a localização desse edifício não pode atrapalhar as estações do VLT, porque é transporte de massa e será prioritário.
- Cabral não defendeu a privatização?
- Ele até abordou e brincou: ?Você não acha melhor fazer a concessão?? Eu falei: governador, a concessão está sendo estudada, mas eu vim aqui para tratar dos meus projetos de engenharia. Ele foi muito aberto às minhas preocupações.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:43

Rio, a fábrica de fantasias

Do jornalista Élio Gaspari:
“Diante de três dias de protestos, do incêndio de um vagão de trem de subúrbio e da depredação em quatro estações da SuperVia, a palavra vai para o leitor Paulo Saturnino, do Rio de Janeiro: “É lamentável que ocorra um tumulto deste porte para que o lado bem vivido do Rio perceba que a Cidade Maravilhosa precisa de reparos enormes do lado pobre. Enfim, em vez de metrô para a Barra vindo de Ipanema, precisamos criar um sistema de transporte decente para o subúrbio carioca. Moro em Copacabana e vejo a pressão dos moradores da zona sul por metrô para a Barra próxima do imoral”.
Desde 2004, os moradores de São Paulo têm o bilhete único, criado pela prefeita Marta Suplicy para os ônibus. A rede paulista expandiu-se, chegando ao metrô e aos trens e hoje é a segunda maior do mundo, perdendo só para Hong Kong. Todas as outras capitais brasileiras têm essa modalidade de tarifa, menos o Rio.
Em janeiro de 2007, o governador Sérgio Cabral prometeu implantar o bilhete único até o final de 2008. Nada. Quando ia ao subúrbio pedir votos, o prefeito Eduardo Paes defendia essa ideia. Em matéria de transporte, o governo do Rio é uma fábrica de fantasias. Há poucas semanas, no Dia Mundial Sem Carro, Paes pedalou dez quilômetros da Gávea Pequena (285 metros de altitude) a Botafogo (nível do mar). Não há registro de que, na volta para casa, tenha encarado a subida”.

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