• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:41

Governo do Rio é injusto

 Quando o Airbus da Air France, que fazia o vôo Rio-Paris, caiu no mar, em junho do ano passado, o  governo do Estado encomendou uma missa de 7º dia, na Igreja da Candelária, para lembrar os 58 brasileiros que se encontravam a bordo.
Ao chegar à igreja, Sergio Cabral declarou: ?Eu entro nessa missa na condição de governador, mas também com o coração de amigo. Eu conheço muitas dessas pessoas que estavam neste acidente trágico e, com algumas, eu convivia com freqüência?.
Na tragédia de Angra, morreram 52 pessoas e quatro continuam desaparecidas.
Para elas, nenhuma missa foi encomendada pelo governo.
Talvez porque morreram duas pessoas a menos do que na tragédia da AF.
Ou, quem sabe, porque os que morreram não estavam indo para Paris.
Ou, então, porque não existia, entre os mortos, nenhum conhecido das autoridades públicas.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:39

Pezão é o único que funciona

 O ?Estadão? de hoje reconhece o que todos já sabem: Pezão é o único político que funciona no governo Cabral. Em reportagem assinada por Luciana Nunes Leal, fica claro que o incansável vice-governador ?assume cada vez mais atibuições?. Eis o texto:
?Com 1,90m de altura, 130 quilos e sapato número 48, o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando de Souza Pezão, de 54 anos, não passa despercebido. Por causa do tamanho, mas também pelas atribuições que assumiu na gestão do governador Sérgio Cabral (PMDB).
Secretário de Obras e comandante do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) no Estado, Pezão começou o ano cumprindo a missão de visitar as áreas atingidas por enchentes e deslizamentos que mataram 52 pessoas na Ilha Grande e em Angra dos Reis.
A ausência de Cabral no cenário da tragédia provocou uma série de críticas ao governador, que viu os estragos de perto somente no dia seguinte, 2 de janeiro. Amigo para todas as horas, Pezão assume a responsabilidade: “Eu disse para o Cabral não ir, era muito mais importante ele ficar no telefone, tomando providências, falando com o presidente Lula, com os ministros.”
Formado na política do interior, Pezão foi duas vezes prefeito de Piraí, município de 26 mil habitantes, no sul do Estado, onde nasceu. Começou a militância no PMDB, foi do PSDB, do PDT, do PSB e voltou ao primeiro partido. Durante muitos anos, acompanhou o ex-governador Anthony Garotinho, hoje adversário. Foi dirigente da associação de prefeitos do Estado, da Confederação Nacional de Municípios (CNM) e secretário de Governo na gestão de Rosinha, mulher de Garotinho, hoje prefeita de Campos. “O Garotinho diz que eu o traí. Logo que me tornei vice, ele queria que eu rompesse com o Cabral, porque o governador criticava muito a Rosinha. Tenho uma grande gratidão por Garotinho e Rosinha, mas não havia motivo para romper com Cabral”, diz Pezão.
A briga com Garotinho foi feia. “Antes da posse (de Cabral), descobri que estavam aliciando pessoas do governo e prejudicando a Rosinha. Eu disse ao Pezão que a pior espécie de ser humano é o ingrato. Vi que ele não era meu amigo, mas amigo do governador, independentemente de quem fosse. Foi horrível”, conta Garotinho, que disputará o governo do Rio pelo PR. “Não me relaciono mais com Pezão, mas a Rosinha ficou afastada dessa questão, ele fez campanha para Rosinha em Campos.”
Pezão não quer saber de briga com o antigo aliado. Desde a posse, em janeiro de 2007, o vice-governador ganha cada vez mais visibilidade, por causa das várias tarefas que comanda e por substituir Cabral em um grande número de compromissos – inclusive na primeira atenção às vítimas do drama de Angra dos Reis. Também faz a articulação política com prefeitos e deputados. Sem falar nos quase 150 dias que ocupou o cargo de governador, por causa de viagens de Cabral ao exterior. Nas solenidades, o governador invariavelmente gasta boa parte dos discursos com brincadeiras e elogios ao vice.
Graças à lua de mel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Cabral, os investimentos da União no Rio de Janeiro foram retomados e, em 2009, Pezão administrou na Secretaria de Obras uma verba de R$ 5,6 bilhões, somando recursos federais e estaduais, investidos principalmente em projetos do PAC. Aproximou-se a ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência e coordenadora nacional do PAC. E também ganhou a simpatia do presidente. Em todas as viagens ao Rio, Lula faz questão de prestigiar Pezão, conversa com o vice e o cita em seus discursos.
Pezão tem guardados os discursos em que Lula citou o programa de inclusão digital adotado em Piraí, durante sua administração. Foram enviados pela assessoria da Presidência. Em julho de 2009, Lula visitou Piraí, onde participou da entrega de computadores a estudantes. “Eu até me surpreendo, o Lula tem um carinho comigo que me marcou muito. E olha que o PT sempre foi meu adversário na minha cidade, me batia muito. O único calo que eu tinha neste pé grande era o PT”, brinca o vice.
Depois da primeira semana tumultuada de 2010, Pezão planeja se recolher por uns dias. Vai se hospedar num spa em Teresópolis. Conta que está acima do peso, ansioso, dormindo mal. “Senão, eu não aguento a campanha. Meu peso ideal é uns 110 quilos”, diz o vice. Os planos são de ficar pelo menos uma semana afastado do trabalho. Mas não inteiramente. Na quarta-feira, Pezão estará em Brasília, em reuniões com Lula”.

                                          * * * * *  
O ?Estadão? publica ainda uma entrevista com Pezão, onde ele, por lealdade, tentar livrar a responsabilidade de Sergio Cabral no episódio da tragédia em Angra. Mas sem sucesso:
 ?Eu estava na casa do Cabral (em Mangaratiba, a 60 quilômetros de Angra dos Reis), passei o réveillon com ele, ia ficar lá os três dias. De madrugada, por volta de 2h30, o prefeito de Angra estava me ligando, a ligação caía. Conseguimos nos falar às 6h30. Sérgio Côrtes (secretário de Saúde e Defesa Civil) e eu pegamos o helicóptero e fomos para lá. Cabral estava dormindo, deixei avisado para o Cabral. Quando a gente estava chegando na ilha, ele ligou. Ele perguntou: “Você quer que eu vá?” Eu disse “não, vamos aguardar”. A gente não sabia se ia ter telefone na ilha, como iam estar as coisas lá. O Cabral ficou se comunicando com o presidente Lula, com Geddel (Vieira Lima, ministro da Integração Nacional). Sou um pouco culpado disso tudo. O presidente Lula disse que vinha, o Geddel disse que vinha, eu disse que não precisava. O Lula falou comigo, falou com o Cabral.
- A informação é de que o presidente Lula procurou pelo governador e não conseguiu falar com ele.
- Mentira. O Lula falou comigo, eu disse que o Cabral estava lá em Mangaratiba e ele ligou para a casa do Cabral. É que lá tem uma dificuldade de pegar celular. Não pega nas horas que a gente precisa. Achei (as críticas) uma injustiça. O Serra apareceu 48 horas depois (das enchentes em São Paulo), estava na Bahia. Ninguém fala nada?.

                                           * * * * *
Só para lembrar: Cabral divulgou uma nota sobre a tragédia de Angra, 17 horas após o desastre que matou mais de 50 pessoas.
Quando ele apareceu na cidade, disse que não tinha ido antes porque ?as autoridades que trabalham já estavam no local”, como se ele não tivesse o que fazer.
Se Cabral estava dormindo, ele não poderia  ter telefonado para saber se deveria ir ou não até a Ilha Grande,  até mesmo porque o governador disse, no dia seguinte,  que não foi pois ?não sou demagogo e não faria política em cima de uma tragédia?.
Pezão disse que Lula telefonou para Cabral, mas reconheceu que na casa do governador ?tem uma dificuldade de pegar celular. Não pega nas horas que a gente precisa?. O curioso é que o celular de Pezão funcionou.
Quanto a crítica feita a José Serra, de que ele só foi ver as enchentes de São Paulo 48 horas depois, faz parte do jogo, já que Pezão apóia Dilma Rousseff.
A diferença é que Serra estava na Bahia, a quase dois mil quilômetros de distância de São Paulo.
Enquanto isso, Cabral dormia a pouco mais de 60 quilômetros da tragédia de Angra.
Se estivesse ao menos com a televisão ligada,  sua nota oficial sairia, o mais tardar, por volta do meio-dia, e não perto das 6 horas da tarde.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:39

Cabral em visita ao Brasil

Trecho de uma nota de Jorge Bastos Moreno no seu ‘Nhenhenhém’:
“A mídia golpista anda divulgando que o governador do Rio só apareceu em Angra dois dias depois da tragédia porque estava em Paris. Coitado, o cara estava de férias no nosso país. Isso é maneira de tratar um visitante ilustre? Desde quando ele tinha obrigação de saber onde fica Angra? Cabral Filho estava na comitiva dos alunos da Aliança Francesa, chefiada por Jean Sarkosy, e se perdeu do grupo em Mangaratiba”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:37

A favor de Minc e de Marilene

A favor da secretária de Meio Ambiente do Rio, Marilene Ramos – o que explicaria também o silêncio do ministro Carlos Minc sobre a tragédia de Angra.
O decreto assinado, por Sergio Cabral, que abriu as encostas da cidade para a especulação imobiliária, chegou à Secretaria já pronto e acabado.
Ele foi redigido na Casa Civil do Palácio Guanabara.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:37

Bené distribui guarda-chuva

E a pobre da secretária Benedita da Silva apareceu em Angra.
Depois da população já ter doado 33 toneladas de alimentos, kits de higiene, material de limpeza e água mineral, Bené anunciou que conseguiu, na Receita Federal, alguns cobertores (em pleno verão) e guardas-chuvas.
Era só o que faltava.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:36

O governador e o Rio à porter

Depois de dois dias sem fazer absolutamente nada, Sergio Cabral marcou para hoje uma entrevista coletiva, coisa rara em seu governo.
Ele quer falar sobre o ‘Fashion Rio e o Rio-à-Porter’.
Como não é bobo, ele sabe que será bombardeado por perguntas sobre as chuvas no Rio e a sua ausência em Angra.
A essa altura já deve ter uma nova versão.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:35

Só faltava essa: Angra terá muros

Olhem só o que está publicado no Portal do Governo do Rio:
?A Secretaria Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro planeja adotar, em Angra dos Reis, um projeto que causou polêmica na cidade do Rio: construir os chamados ecolimites nos morros da cidade. Segundo a secretária Marilene Ramos, não se sabe como eles serão demarcados, mas existe a possibilidade de se construírem muros para evitar a expansão de construções irregulares nos morros?.
E nisso que dá ter chefe medíocre.
A praga se espalha e acaba atingindo todos os subordinados.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:35

“Cabral ajuda os ricos”

 Do repórter Rafael Gomide, na ‘Folha’, com o título “Decreto de Cabral ajuda ricos, diz Procurador”:
“Para o procurador da República Fernando Amorim, o decreto do governador Sérgio Cabral (PMDB) que facilita ocupação de terrenos em Angra dos Reis e suas ilhas foi “muito infeliz” porque “anistia” empreendimentos irregulares na Área de Proteção Ambiental (APA) Tamoios, além de gerar “sensação de impunidade”.
“O governo foi muito infeliz porque o decreto representa uma espécie de anistia em um lugar com o histórico muito negativo de fiscalização”, diz o procurador. Segundo ele, o decreto já foi usado como argumento de defesa para responsáveis por construções irregulares em áreas de conservação.
Ele afirma ainda que a medida beneficia essencialmente a “classe alta” e empreendimentos turísticos e imobiliários.
Amorim recomendou ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, uma ação de inconstitucionalidade contra a medida. Segundo ele, a Constituição só permite alteração de regras de unidades de conservação por lei, não por decreto -como ocorre nesse caso.
O deputado estadual Alessandro Molon (PT) fez projeto de decreto legislativo na Assembleia do Rio para anular a medida. Os procuradores Amorim e Daniela Masset requisitaram ao Inea (Instituto Estadual do Ambiente) que o órgão informe sobre toda autorização concedida, a fim de mover eventual ação de nulidade.
A medida permite mais construções nas zonas de Conservação da Vida Silvestre da APA e autoriza a ampliação de obras em até 50%, desde que não ultrapasse 20% da área. O decreto também autoriza novas construções em áreas não edificadas, em 10% do terreno, o que não era permitido.
O benefício abrange a faixa litorânea de 33 metros ao longo de 81 km no continente, além das ilhas.
Sérgio Cabral afirmou ter dobrado a área de conservação no início do mandato. Também falou em “radicalizar” nas políticas de ocupação do solo e propôs “revisão” das regras”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:34

Chicote cósmico pega Luiz Sérgio

O chicote cósmico que a taróloga Annie Bravo anunciou, no JB, contra Sergio Cabral, parece estar atingindo  todos os que cercam o governador.
Lindberg já levou sua chicotada.
Hoje é a vez do presidente do PT do Rio, o deputado Luiz Sergio. E quem o chicoteia é o jornalista Ilimar Franco ao fazer o  seguinte registro:
?Quando a Pousada Sankay, construída numa encosta da enseada do Bananal, na Ilha Grande, foi inaugurada, em 1994, o prefeito de Angra dos Reis era o presidente eleito do PT, o deputado Luiz Sérgio?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:34

Cabral, do descaso à empulhação

De Élio Gaspari hoje na ‘Folha’ e em ‘O Globo’, com o título “O choque de ordem de Maria Moita”:
“O Rio de Janeiro precisa de um choque de ordem. Em pouco mais de 24 horas o governador Sérgio Cabral passou do descaso à empulhação e assumiu uma postura de dragão de festa chinesa para rebater as críticas de que sumira diante das tragédias de Angra dos Reis e da Ilha Grande.
Cabral anunciara que passaria a última noite de 2009 em sua casa de Mangaratiba. Dispondo de acesso a uma marina, estava a 40 minutos da praia do Bananal ou da encosta da Carioca. Por terra, são 57 quilômetros, lembrou o repórter Ricardo Noblat, que passou o dia 1º procurando-o.
O tempo consumido por Cabral para chegar a Angra seria justificável se os desmoronamentos tivessem ocorrido em abril passado, quando estava de férias em Paris. Caso tivesse recebido a notícia no hotel (o George 5º, apreciado por Greta Garbo) no início da manhã, teria como pousar no Galeão no meio da madrugada seguinte, debaixo de aplausos.
Sempre que um governante entra atrasado na cronologia de uma catástrofe, procura oferecer uma explicação racional. George Bush está explicando até hoje por que acordou tarde no episódio do furacão Katrina, que devastou Nova Orleans em 2005. Cabral justificou-se com uma aula de ciência política autocongratulatória:
- Tenho discernimento e seriedade. Em uma situação de crise, quem tem que estar no local são as autoridades que de fato podem assumir o comando do problema. Você jamais vai me ver fazendo demagogia. No momento de crise, estavam aqui os dois secretários da pasta. Qualquer exploração política a respeito chega a ser um deboche com a população. Isso é ridículo.
Ridículo é pagar impostos para ouvir coisas desse tipo. Se não havia o que fazer na região do desastre na quarta-feira, por que ele foi lá na quinta? Discernimento? Seriedade? Demagogia? Pode-se dizer o que se queira do marechal-presidente Castello Branco (1964-1967), menos que ele fosse bonito ou demagogo. Pois na enchente de 1966 ele foi à rua de Laranjeiras onde desabara um edifício.
Cabral saiu do ar na quarta-feira, dia 31. Às 15h daquele dia estavam confirmadas as mortes de 19 pessoas na Baixada Fluminense e em Jacarepaguá, com pelo menos 600 desabrigados. (No dia seguinte seriam 4.000.)
Admita-se que as visitas a locais de desastres (todas, inclusive as do papa) são gestos simbólicos, pois o que conta é a qualidade da gestão.
Nesse aspecto, a de Cabral é pré-diluviana. Em 2009 seu Orçamento tinha R$ 152,7 milhões alocados para obras de controle de inundações.
Numa conta, de seus técnicos, gastou 67% desse valor. Noutra conta, gastou nada.
Se não fez o que devia, o que não devia fez. Em junho, o governador afrouxou as normas de proteção ambiental da região do litoral e das ilhas de Angra, beneficiando sobretudo o andar de cima e seu mercado imobiliário. O Ministério Público entrou na briga e o caso está na mesa do procurador-geral Roberto Gurgel.
O choque de ordem de marquetagem que Cabral, seu prefeito e sua polícia aplicam espetaculosamente no Rio de Janeiro vale de cima para baixo. Pega mijões, camelôs e barraqueiros. O alvo é sempre o “outro”.
Um dia, virá o choque de Maria Moita, trazido por Vinicius de Moraes e Carlos Lyra:
“Pôr pra trabalhar Gente que nunca trabalhou”.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.