• Sexta-feira, 29 Junho 2012 / 9:08

A reestréia de Tereza Cruvinel

Tereza Cruvinel*

Uma suave emoção guiou minha visita ao Congresso como parte do rito de estreia desta coluna. Algumas cores e rostos eram novos, mas a alma do parlamento, com seus claros e escuros, virtudes e pecados, adensa os espaços em que vi serem escritos capítulos importantes de nossa recente história democrática. No azul do Senado, recordei Tancredo esgueirando-se em articulações sussurrantes. Brossard trovejando na tribuna. No subsolo, o gabinete que foi de Fernando Henrique, parada obrigatória. Além de informação, ali havia a prosa inteligente e a promessa de renovação da elite e dos costumes políticos, se ele chegasse lá. Pouco além, o gabinete em que Ulysses chorou a derrota da emenda das diretas, apesar das massas que ele levantou. No plenário, o borburinho dos constituintes de 1988. Entre eles, um barbudo lacônico encarnava a emergência do povo na política, promessa que também se cumprirá. Na saída, rumo ao STF, altíssimas as palmeiras imperiais, plantadas no início da transição. No Planalto, a bandeira hasteada indica a presença presidencial, mas agora da primeira mulher. Essas lembranças falam de jornalismo e democracia, binômio que pautará este espaço que me concedem o Correio Braziliense e os Diários Associados. Meu olhar será sempre o de uma repórter política buscando compartilhar com os leitores a verdade, o sentido e a relevância dos fatos, dialogando com a pluralidade, revelando os atores mas também os traços de um sistema político que comporta a virtude e o vício. Com trabalho e aplicação é que um jornalista pode contribuir com a cidadania e a democracia. Passemos, pois, ao trabalho sobre dois temas relevantes da conjuntura.

Legal, mas não democrático
Os presidentes do Mercosul aprovarão amanhã em Mendoza, Argentina, a exclusão do Paraguai do bloco até a realização de eleições livres e limpas. O que já se aprovou foi apenas a suspensão da dita reunião. O texto não dirá, mas deixará nas entrelinhas a sugestão de que as eleições de 2013 sejam antecipadas. O ingresso da Venezuela, que só o Paraguai vetava, pode até ser aprovado, embora não seja conveniente agora. A presidente Dilma Rousseff assumirá a presidência semestral do bloco disposta a mediar uma solução que seja exemplar, mas que abra portas para a reconciliação. E, sobretudo, que preserve os interesses do Brasil e do povo paraguaio. Falou-se em golpe, falou-se em ingerência, mas o que se viu de bom até agora foi um saudável consenso, no Mercosul e na Unasul, sobre a intocabilidade da democracia no continente. Chile e Colômbia, que têm governos mais “liberais”, ou não bolivarianos, para usar o bordão corrente, tiveram a mesma posição. E pela primeira vez, os Estados Unidos ficaram fora da questão, ouvindo o Brasil e os vizinhos. Hillary Clinton concordou com o chanceler Antonio Patriota: o ato foi legal, mas não foi democrático.
O impeachment de Collor ensina a diferença. Faltaram, no caso de Lugo, os procedimentos democráticos aqui adotados. O impeachment é cabível no Brasil quando o governante é acusado de crimes de responsabilidade, previstos nos artigos 84 e 85 da Constituição, e é condenado segundo o rito da Lei nº 1079/50. Já o artigo 25 da Constituição paraguaia prevê o equivalente “juízo político” em casos de “mau desempenho de suas funções, cometidas no exercício do cargo”. Não define o delito e convenhamos que é bastante elástico o conceito de “mau desempenho”, deficiência que, na democracia, deve ser corrigida pelos eleitores, nas urnas. A regulamentação do artigo foi votada no próprio dia do julgamento, concedendo a Lugo duas horas para a defesa. Recordemos o caso Collor: a denúncia foi apresentada em setembro à Câmara, onde houve defesa e derrota do presidente. O processo foi para o Senado, que, em outubro, afastou Collor do cargo provisoriamente até o julgamento final, em 29 de dezembro. Ele renunciou minutos antes da sessão começar. Nesses quatro meses, foram várias as chances de defesa na batalha jurídica travada no Senado. O presidente do STF conduziu o processo.
A suspensão está prevista no Protocolo de Ushuaia, ou cláusula de compromisso com a ordem democrática. O que não está claro é se o Paraguai será suspenso apenas dos colegiados ou se perderá também, como admite o artigo quinto, “direitos e obrigações”. Vale dizer, tarifas comuns e outras vantagens. Não é a inclinação de Dilma.

Supremas rugas
Entra em cartaz o tão cobrado julgamento do mensalão. Serão 15 sessões públicas em agosto, mês de desgosto na política brasileira (e de gosto para outros, certamente). É jogo quase jogado: esse processo está para o STF como a cassação de Demóstenes Torres está para o Senado. Terão que condenar, terão que cassar, se não quiserem se imolar, permitindo a desqualificação das duas instituições. No caminho, vão se acumulando os sinais de uma crise na mais alta corte, onde as rusgas entre ministros já dão um livro de crônicas. Agora, o ministro relator declarou-se “estupefato” com as cobranças do presidente para que entregue logo os autos. E os entregou antes do prazo, num claro protesto. Mais parece o parlamento que a Suprema Corte
*Tereza Cruvinel escreve para o ‘Correio Braziliense’.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:15

Os 50 anos de Brasília

Da jornalista Tereza Cruvinel, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), no ‘Correio Braziliense’:
?Abril, o mais cruel dos meses.? Escrevi algumas colunas valendo-me desse verso de T. S. Eliot para comentar crises políticas recorrentes neste quarto mês do ano. Nele acontecia, até há poucos anos, a fixação do novo salário mínimo, hoje antecipada para primeiro de janeiro, e isso produzia grande conturbação no Congresso. Nele, como ocorreu agora, ministros deixam os cargos para disputar cargos eletivos em anos eleitorais, e isso traz fervura política. Nele, os movimentos sociais, hoje mais pacificados, sempre fizeram marchas e agitações diversas. Em abril, Tiradentes foi enforcado e, no mesmo dia, séculos depois, Tancredo Neves morreu e o Brasil chorou. Mas foi também em abril, no mesmo dia 21, que Juscelino Kubitscheck inaugurou Brasília há 50 anos.
O cinquentenário da capital, já escrevi aqui, deve ser festejado por todo o Brasil, pois a obra tida como impossível cumpriu o objetivo de modernizar o país, interiorizar o desenvolvimento e assegurar plenamente a soberania sobre o território nacional, incorporando definitivamente o Centro-Oeste e a Amazônia. Essa obra, pela ousadia, foi comparada ao desatino do faraó Amenófis IV, ou Akhenaton, que, por motivos político-religiosos, transferiu a capital do império egípcio da resplandecente Tebas para a longínqua Akhetaton, que hoje é ruína. Mas, aqui, nem JK negligenciou o reino, como o faraó, nem a cidade fracassou como projeto. Aos 50, é símbolo da capacidade realizadora dos brasileiros, tanto dos geniais, como Lucio Costa e Niemeyer, como dos anônimos candangos que armaram o concreto ou plantaram o verde.
Mas não foi no comício de Jataí, em 1955, quando Juscelino prometeu num lampejo construir a nova capital no Planalto Central, que tudo começou. Os inconfidentes mineiros, sonhando com independência e República, imaginaram uma capital no interior do país. José Bonifácio de Andrada e Silva, patriarca da independência, também incorporou a ideia. Francisco Adolfo de Varnhagen, historiador, diplomata, um dos mais completos intelectuais que o Brasil já teve, trocou os salões europeus por peregrinação ao sertão goiano, chegando a sugerir que a nova capital ficasse entre as três lagoas: a Formosa, a Feia e a Mestre D`Armas.
Brasília acabou ficando próxima, porém mais ao sul. Proclamada a República, a previsão foi inscrita na Primeira Constituição, a de 1891. Para cumpri-la, foi instituída a Missão Cruls, que percorreu novamente o sertão, identificando o quadrilátero ideal. Nada aconteceu na República Velha e no Estado Novo, mas a ideia foi ressuscitada pela Constituinte de 1946, que determinou a demarcação do local. Nova comissão demarcadora foi nomeada em 1953, optando pelo chamado ?sítio castanho?, entre outros quatro aventados. JK e seus pares só puderam construir a cidade no prazo recorde de três anos porque encontraram a previsão inscrita na Constituição e o local já demarcado.
Mas Brasília só foi possível também porque muito antes os bandeirantes cortaram o sertão, plantando vilas e fazendas. Anhanguera já havia passado, fincando bandeiras. Então, aqui havia uma espécie de Idade Média, mas não o vazio absoluto. Todas essas passagens inscrevem Brasília no roteiro da civilização brasileira que estamos construindo. É com essa perspectiva histórica que a TV Brasil homenageia os 50 anos de Brasília, exibindo conteúdos como Os anos JK, de Silvio Tendler, os interprogramas Bem te vi, Brasília, de Tânia Quaresma, A vida é um sopro, confissões de Niemeyer, e a inédita série documental coproduzida com o cineasta Pedro Jorge de Castro, Brasília, um sonho de três séculos. Viva Brasília e o povo brasileiro!” .

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:41

TV Pública terá canal internacional

Do repórter Wilson Tosta, do ?Estadão?:
?A TV Brasil, emissora operada pela estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC), lançará ainda este ano um canal internacional voltado para parte dos cerca de 3 milhões de brasileiros que vivem no exterior. Apelidada de “TV Lula” por oposicionistas, que a acusam de fazer propaganda do governo federal, a estação quer inicialmente atingir brasileiros que vivem em outros países da América Latina, EUA, África e Península Ibérica. A ideia é substituir o Canal Integración ? que será extinto ? por uma programação por assinatura exclusivamente em língua portuguesa, transmitida por cabo.
“O Canal Integración serviu muito à ideia de integração latino-americana, mas já cumpriu o seu papel”, diz a presidente da EBC, Tereza Cruvinel. Segundo ela, há uma “enorme demanda” de emigrantes brasileiros por um canal de TV a preços baixos no exterior. As redes Globo e Record já disputam o público emigrante brasileiro, mas há reclamações na comunidade com relação às tarifas cobradas. “O Brasil virou um país de emigração. Já foram realizadas duas conferências de emigrados. Na última, no Rio, comparecemos, e o assunto canal internacional foi mais palpitante.”
O novo canal está sendo montado por uma equipe chefiada pela jornalista Marilena Chiarelli e usará o New Skies, mesmo satélite atualmente utilizado pelo Integración ? por isso, a empresa avalia que não terá custo adicional nesse item, de pouco menos de R$ 500 mil anuais. A transmissão começará até julho, pela África, onde a EBC está mais perto de fechar acordo para distribuição de programação. A empresa escolhida, a Multi-Choice, atinge 90% do continente e pode colocar a emissora nos Palops (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), como Angola e Moçambique. “A TV a cabo está chegando à África, é uma boa oportunidade”, diz Tereza.
Para os EUA, há negociações para distribuir o novo canal com a empresa Dish Network; para a América Latina, com a DirectTV; e para a Península Ibérica, com o grupo Prisa, que edita o jornal espanhol El País. Todas essas regiões já são cobertas pela órbita seguida pelo New Skies. Outras áreas, como o resto da Europa continental, o Reino Unido e o Oriente, ficarão para depois, devido a questões técnicas e financeiras. No Japão, país com uma grande comunidade brasileira, a primeira negociação empacou no alto preço que o transmissor local queria cobrar pelo serviço de distribuição.
A programação terá de sofrer alterações para ser adaptada aos fusos horários locais e porque há, na grade atual, programas de outras emissoras, licenciados exclusivamente para transmissão no País.
Na semana passada, a EBC foi acusada de gravar depoimentos de ministros em suposto tom eleitoral, para exibição no Blog do Planalto. A empresa respondeu afirmando ter prestado serviço à Secretaria de Comunicação da Presidência da República e dizendo não haver ilegalidade no episódio.
A TV Brasil Internacional é um dos projetos de expansão da EBC para 2010, quando terá um Orçamento de R$ 453 milhões, o maior de sua curta história, iniciada em dezembro de 2007. Proibida de veicular publicidade comercial, a estatal é sustentada por verbas que recebe diretamente da União, por dinheiro de patrocínios culturais (em 2009, chegou a receber dinheiro da Vale do Rio Doce), recursos por prestação de serviços a entidades federais e, este ano, espera receber ainda R$ 116 milhões da Contribuição para a Comunicação Pública, prevista na lei que criou a empresa, mas contestada na Justiça por empresas de telecomunicação.
Outros projetos são previstos para 2010 pela EBC, que aprovou seu Plano de Trabalho em seu Conselho Curador no início do ano. Um é a criação de uma rede de rádios públicas, reunindo as oito emissoras federais e estações dos governos estaduais, com possibilidade de transmitir um jornal radiofônico nacional. Outro é a expansão de atividades da TV Brasil, incluindo a criação de gerências executivas no Nordeste (São Luís), Centro-Oeste (Brasília), Norte (já tem escritório em Manaus) e no Sul (Porto Alegre). A emissora, além de mudar seu correspondente na África de Angola para Moçambique, mandará profissionais permanentes para Washington, nos EUA, e Buenos Aires, na Argentina. Tem ainda a meta de ampliar sua transmissão diária de 20 para 24 horas.
A televisão estatal também quer ampliar suas transmissões na Região Sul, onde enfrenta dificuldades que se refletem em audiência de 6%, abaixo da média nacional de 10% apontada em pesquisa DataFolha no ano passado. A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), veta a participação da TV Educativa gaúcha na rede nacional de TVs públicas, por considerá-la instrumento político do governo federal. Prefere pagar por programação produzida pela TV Cultura, emissora estadual de São Paulo, a receber o material gratuito da TV Brasil.
A EBC, que comprou por R$ 400 mil o prédio onde fica a TV gaúcha, vai instalar lá sua sede no Estado, com repetidoras em Porto Alegre e em outras quatro cidades gaúchas para levar o seu sinal aos gaúchos. A EBC ofereceu ao governo estadual a oportunidade de manter lá a emissora estadual, pelo mesmo aluguel?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:36

25 anos de democracia

De Tereza Cruvinel, presidente da Empresa Brasileira de Notícias, no ‘Correio Braziliense’:
“A passagem do centenário de nascimento de Tancredo Neves, no último dia 4, chamou a uma reflexão sobre os 25 anos contínuos de democracia que estamos vivendo desde que ele foi eleito, em 15 de janeiro de 1985, e que José Sarney tomou posse em seu lugar, em 15 de março, após a espantosa noite em que o presidente eleito acabou sendo operado na véspera da posse, vindo a morrer em 21 de abril. Tinha 75 anos, exercitara a conciliação como saída para as crises e provara sua coragem política nos momentos cruciais. Com Getúlio até o fim, sustentou a posse do vice João Goulart após a renúncia de Jânio, não votou no primeiro general presidente, deu a mão a JK quando a ditadura cassou seus direitos políticos e o empurrou para o exílio.
Na quarta-feira, o Congresso realizou sessão especial em homenagem a Tancredo e na quinta o governador Aécio Neves, seu neto e herdeiro, inaugurou a cidade administrativa que leva seu nome, um novo conjunto arquitetônico de Niemeyer. As duas solenidades, sobretudo a última, reuniram boa parte dos atores ainda vivos daquela memorável passagem: o fim da ditadura, pelo caminho possível, a eleição indireta do primeiro presidente civil, mas com forte e decisiva participação do povo brasileiro. Lá estava Fafá de Belém, remexendo emoções com a interpretação do Hino Nacional que fazia nos palanques. Cristiane Torloni apresentando o evento como nos comícios das diretas e da campanha de Tancredo. Milton Nascimento cantando ?Coração de estudante? , música-tema daqueles atos memoráveis. Pude chorar, como naquele tempo em que jornalistas podiam ter sentimento cívico.
No discurso de Aécio, a lembrança dos timoneiros que já se foram, como Ulysses Guimarães, Franco Montoro, José Richa, Brizola. E também os que, rompendo com o partido oficial e apoiando Tancredo, possibilitaram a vitória. ACM e Aureliano Chaves, entre os que já se foram. Muita gente mais jovem que ali estava, entretanto, não entendeu as simbologias reunidas por Aécio para lembrar não apenas Tancredo, mas a gloriosa travessia que fizemos, após 21 anos de arbítrio, usurpação dos direitos civis, prisões, torturas, desaparecimentos, exílios. Não temos conseguido transmitir às novas gerações o que foi a ditadura, não temos contado como saímos dela e, mais importante, não temos reiterado o quanto tem valido a pena a democracia.
A transição concluiu-se com a Constituinte e dela é o legado que tem permitido os nossos avanços. Exercitamos a cidadania como nunca antes em 500 anos. As políticas sociais que têm afortunadamente reduzido nossa desigualdade têm base na Constituição, que fixou as obrigações do Estado e alargou os direitos sociais. As liberdades foram asseguradas e, apesar de algumas fobias, a liberdade de imprensa e de expressão nunca foi tão plena nestas plagas. Muitas determinações a Constituinte deixou para a regulamentação posterior. O Sistema Público de Comunicação, que inclui a TV Pública, assegurando equilíbrio e complementaridade na exploração do bem coletivo que é espectro eletromagnético, tem previsão no artigo 223, embora alguns tentem caracterizá-lo como arroubo estatista. Na semana que vem teremos o centenário do Dia Internacional da Mulher. Elas foram protagonistas importantes na resistência e na ditadura, mas a democracia é que tem permitido a redução, ainda que incompleta, da histórica desigualdade de gêneros. Dezenas de artigos ainda pedem regulamentação.
Este ano haverá eleições e, apesar das mazelas políticas, muito pior é não poder votar e ser votado. Mais uma vez, votarão também os analfabetos e os jovens com 16 anos completos, num sufrágio admiravelmente amplo. A urna eletrônica nos livrou da fraude na contagem. A identificação digital do eleitor, que o TSE testa este ano em alguns municípios, nos livrará de outro tipo de fraude, o voto com título alheio e até de eleitores mortos. Na política, o que falta é a reforma do sistema, tornando-o mais adequado à disputa democrática e à escolha da representação popular. Mas devemos recordar Tancredo festejando a democracia, seu quarto de século que não há de ser interrompido”.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:46

TV Brasil contrata independentes

Pitching é um instrumento jurídico que permite selecionar conteúdos com a agilidade exigida por uma emissora de televisão.
O primeiro edital de pitching para a TV Brasil será anunciado hoje pela presidente da Empresa Brasil de Comunicação, Tereza Cruvinel.
O tema do primeiro edital será Educação Ambiental e Sustentabilidade, e os programas – inéditos – serão realizados por produção independente.

  • Terça-feira, 25 Maio 2010 / 4:16

TV Brasil na África e a solidariedade

Lula e Tereza Cruvinel

Lula e Tereza Cruvinel

Assim como a BBC, da Inglaterra; a RTVE, da Espanha; a RAI, da Itália; o Canal Cinq, da França, e o NHK, do Japão, a TV Brasil está desde ontem presente em 49 países africanos.
A programação é composta por conteúdos próprios da TV Brasil, e outras TVs públicas como a TV Câmara, TV Senado e TV Justiça, com ênfase em aspectos informativos e culturais sobre o Brasil, ajustados ao fuso horário de Angola, que é de quatro horas a mais que o horário de Brasília.
No lançamento do novo canal, o Presidente Lula disse que ele servirá para mostrar aos céticos que ?nem tudo que é público é ruim e o que é privado é um centro de excelência?. Para ele, é possível construir uma televisão pública sem ser um canal de divulgação das ações do governo.
A presidente da Empresa Brasil de Comunicação, Tereza Cruvinel, disse que a ideia de começar a transmissão do canal internacional pela África, se originou da demanda daquele continente por programação audiovisual e também pela dívida que o Brasil tem com o povo africano.
?Entendemos que, tal qual pensa o presidente Lula, temos uma dívida enorme com a África que não pode se paga com dinheiro, mas com solidariedade?, disse Cruvinel.

  • Sexta-feira, 21 Maio 2010 / 4:12

TV-Brasil tem normas para eleição

Da repórter Catia Seabra, da ‘Folha’:
“A EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) adotará, a partir da semana que vem, um manual para a cobertura das eleições. Além da TV Brasil, a agência Brasil e oito emissoras de rádio serão subordinadas à resolução, que prevê sanção em caso de descumprimento.
Elaborada pelo Conselho Curador da EBC, a resolução não estabelece apenas regras para a cobertura, como a exigência de tratamento isonômico e vedação de reportagens sobre a vida pessoal dos candidatos. Incluirá também normas de conduta, como a proibição de uso de botons ou outras manifestação de preferência eleitoral.
A resolução proíbe a veiculação de reportagens sem identificação da fonte da informação, o “off”, e fixa ainda regras para divulgação de pesquisa, priorizando os maiores institutos. Ontem, a presidente da EBC, Teresa Cruvinel, telefonou para a assessoria do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, para informá-la sobre a resolução e negar a possibilidade de uso político da TV pública. Na véspera, durante entrevista do candidato, um jornalista da EBC atribuiu a fontes a informação de que Serra extinguiria o Bolsa Família.
“Tomei a iniciativa de ligar para tratar do incidente. Informei que, nas próximas horas, será divulgada a resolução do conselho”, disse Teresa, acrescentando que o documento prevê uma conduta apartidária na cobertura da eleição”.

  • Segunda-feira, 10 Maio 2010 / 4:00

Ainda Brasília

Da jornalista Tereza Cruvinel, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), para o ‘Correio Braziliense’:
“Ainda é tempo de falar dos 50 anos de Brasília. Aliás, a celebração do cinquentenário não pode ficar restrita ao 21 de abril que passou. Deve estender-se por todo este resto de ano. Assim faremos na TV Brasil, assim farão outras instituições da cidade. Mas a passagem do 21 de abril evidenciou a grande intolerância com a cidade. Muitos foram os registros corretos, alguns compreensivelmente eufóricos, mas outros foram preconceituosos e desinformados. Escreveu-se muita bobagem repetindo a rasteira confusão entre a cidade ? seus habitantes, sua singularidade urbana, seus vícios e suas virtudes, sua beleza e seu espírito de síntese do Brasil ? com o quadrilátero que abriga o poder federal e o poder local.
É inacreditável que, tantos anos depois, ainda tenham desenterrado avaliações sobre o custo da obra e os recursos nela empregados ? malversados ou não. Inacreditável que ainda não se tenha compreendido que, sem Brasília, este sertão vasto e profundo estaria ainda na Idade Média (e eu vivi nela, como já contei aqui) e talvez nem fosse mais brasileiro. Inacreditável que alguns não tenham se rendido a evidências que iluminaram outros espíritos há três séculos: o espírito rebelde dos inconfidentes, o espírito nacionalista de José Bonifácio, o espírito vanguardista de Hipólito José da Costa, fundador deste Correio Braziliense, bem como o do iluminista Varnhagem ou do desbravador Luis Cruls.
Tudo isso muito antes de JK, que sem dúvida emprestou as esses vislumbres seu espírito realizador. E sem falar, pois disso pouco se falou, da capacidade realizadora de nosso povo. Dos que se mandaram do Nordeste em paus de arara, dos que vieram aqui de Goiás, dos que não hesitaram em deixar o balneário encantado do Rio de Janeiro, mas já inadequado como capital, e da maioria de migrantes que, como eu, veio de Minas, ?atravessando o Rio Paranaíba?, como dizíamos então. Vieram, viemos, acreditando no sonho de uma civilização brasileira, que se entenderia, como se estendeu, sobre todo o território, deixando de ser a civilização litorânea do ?país dos caranguejos?.
Mas de todos os absurdos que li, o mais grave foi a avaliação de um acadêmico, de que a transferência da capital para Brasília propiciou a chegada e a vitória da ditadura. Ela teria vindo de todo modo, por força das injunções políticas criadas. Foi em São Paulo e foi no Rio que se instalaram os mais violentos e bárbaros centros de tortura, de onde desapareceram com tantos brasileiros. Mas nem São Paulo nem o Rio devem ser culpados por isso. Assim como a liberdade, a ditadura não tem pátria nem cidade.
Escreveu-se muita besteira, mas também foram pródigas as recordações. O nosso arquivo público disponibilizou seu rico acervo inconográfico, através do qual pudemos ver a catedral ainda nos ossos, a Esplanada como cerrado, o lago ainda inexistente ou malformado. Pudemos recordar a Vila Amaury, que o lago engoliu, ou ver o Congresso com as lajes ainda expostas. O Núcleo Bandeirante como um grande acampamento e as asas de Brasília ainda como crisálidas.
Falemos de Brasília todo o ano, repudiando a confusão entre a cidade e os escândalos aqui revelados, personificados pelos daqui ou pelos de fora. Eles são também fruto de um sistema político que o Congresso como um todo ? composto por representantes de todos os estados ? resiste em reformar. Os tempos são difíceis para nossa capital. Ainda pode haver uma intervenção, federal, mas decisão do Supremo não se discute nem se advinha, respeita-se. Seja como for, o que não podemos permitir é que a conjuntura política local subtraia, como alguns já defendem, o direito dos brasilienses à representação popular. Lutamos pela representação política da capital ao tempo em que não votávamos. Elegemos maus representantes? Certamente. Mas os outros brasileiros também já votaram a cabresto ou no bico de pena. Eram as circunstâncias. Temos as nossas. Vamos mudá-las, mas sem permitir que nos transformem em cidadãos de segunda. Viva Brasília”.

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