• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:54

Patrícia vai a forra por Ciro

De Renata Lo Prete, na ‘Folha’:
“No Ceará, uma possível reviravolta: Patrícia Saboya (PDT), que havia desistido de tentar novo mandato no Senado, ensaia uma dobradinha com Tasso Jereissati (PSDB). Ela também avisou que não fará campanha para Dilma Rousseff. É o primeiro movimento no Estado desde que Ciro Gomes (PSB), ex-marido de Patrícia, foi expelido da disputa presidencial”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:39

Ceará: Cid suspende as negociações

De Ilimar Franco, no Panorama Político, de ‘O Globo’:
“Por causa da indefinição do quadro nacional, o governador Cid Gomes (PSB) paralisou todas as negociações para as eleições no Ceará. Ele informou à direção petista que só volta à mesa depois que o irmão, Ciro Gomes, definir se será ou não candidato a presidente da República. Cid parou as conversas tendo fechado que o deputado federal Eunício Oliveira (PMDB) será um de seus candidatos ao Senado. A segunda vaga é pleiteada pelo ex-ministro José Pimentel (PT), mas pode acabar sobrando para o tucano Tasso Jereissati. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, está pedindo calma aos petistas: ?É preciso ter sangue frio?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

Coligação no Rio preocupa Serra

Da repórter Raquel Ulhôa, do ‘Valor Econômico’:
“Com a pré-candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência formalizada no sábado, a coordenação da campanha já recebeu convites para que o ex-governador visite quase todos os Estados. Nas últimas 48 horas, foram mais de 20. É um alívio para o PSDB e seus aliados (DEM e PPS), que, por conta de resistências locais, enfrentaram dificuldades para que o próprio Serra, em 2002, e Geraldo Alckmin, em 2006, fossem recebidos nos Estados.
Desta vez, com Serra liderando as pesquisas de intenção de voto, o problema do tucano é administrar uma agenda que evite constrangimentos entre os aliados locais. Um dos Estados que mais preocupam é o Rio de Janeiro, onde a aliança entre PSDB, DEM, PPS e PV – em torno da candidatura do deputado Fernando Gabeira (PV) para governador – está ameaçada.
Enquanto buscam uma solução para a resistência de setores do PV à participação do ex-prefeito Cesar Maia (DEM) na chapa de Gabeira, como candidato ao Senado, os organizadores da campanha presidencial tucana decidiram adiar por pelo menos 15 dias o anúncio da coligação no Rio. Estava prevista uma grande reunião logo depois do lançamento da pré-candidatura de Serra, para anunciar as candidaturas no Estado.
“Nós adiamos qualquer decisão sobre o assunto para depois que tivermos uma maturidade que se conquista conversando, ouvindo, falando”, disse o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB-RJ). Segundo ele, a coligação (PV, PSDB, DEM e PPS) será mantida e necessita apenas de “ajustes”. Para Fortes, o desafio do grupo que negocia a aliança é conversar muito e convencer o eleitorado a votar em Gabeira para governador e em Maia para senador. Enquanto a pacificação não se der, Serra não deve ir ao Estado.
Além de tentar evitar Estados em que os aliados estejam divididos, a coordenação da campanha pretende que Serra não participe de eventos de caráter político-partidário. “A ideia é interagir com setores da sociedade, andar com a população, com naturalidade, informalidade. Reunir com populares, também. Os eventos não podem ter o carimbo político-eleitoral”, definiu o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), coordenador-geral da campanha. O objetivo é fugir de encontros entre pessoas que já votam em Serra. Seria “contraproducente”, avaliou um aliado.
Ontem à noite, Guerra definiria a agenda inicial de viagens de Serra. Embora o ex-governador Aécio Neves (MG) tenha feito convite para que Serra inicie sua pré-campanha por Minas, em evento na próxima segunda-feira, os tucanos preferem não esperar tanto. Visitas a Goiás ou Paraíba nesta semana estavam sendo cogitadas. A coordenação da campanha também analisava convite para um evento em Santa Catarina, onde a histórica aliança entre PSDB, DEM e PMDB está, por enquanto, dividida em três palanques diferentes.
Restabelecer a coligação entre os três partidos é um dos desafios da coordenação da campanha de Serra. O Estado está sendo governador por Leonel Pavan (PSDB), que assumiu o cargo com a licença de Luiz Henrique (PMDB). Embora enfraquecido por denúncias de irregularidades, Pavan tem mantido disposição de disputar a reeleição. O PMDB realizou prévia e lançou a pré-candidatura de Eduardo Moreira. O DEM também está na disputa, com o senador Raimundo Colombo.
No Estado, ainda concorrem ao governo a senadora Ideli Salvatti (PT) e a ex-prefeita Ângela Amin (PP), por enquanto líder das pesquisas. Analistas políticos acreditam que essas candidaturas serão mantidas por mais dois meses, pelo menos, até que as pesquisas indiquem a posição de Serra e da petista Dilma Rousseff na corrida presidencial. O que estiver na frente poderá atrair tanto o PP quanto o PMDB.
Um Estado em que Serra está sem palanque e no qual o PSDB não quer se envolver em negociações de alianças, por enquanto, é o Distrito Federal. Um escândalo tirou do cargo o ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM) e comprometeu vários políticos locais. O PSDB teme que outros políticos sejam envolvidos e, por isso, prefere esperar que o quadro fique mais claro. O partido de Serra negocia com o PSC participação na aliança nacional, mas evita comprometer-se com a candidatura local do ex-governador Joaquim Roriz (PSC).
A cúpula tucana comemora a formação de palanques para Serra em quase todos os Estados. Deve ter candidato próprio em 15 (Acre, Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, São Paulo e Tocantins), apoiar candidatos do DEM em pelo menos três – Bahia, Rio Grande do Norte e Sergipe, com possibilidade de aliança em Santa Catarina -, do PMDB em Mato Grosso do Sul e Pernambuco, e do PSB em dois (Amazonas e Paraíba). No Ceará, Serra contará com o palanque do senador Tasso Jereissati (PSDB), candidato à reeleição. No Amazonas, onde se negocia aliança com o PSB, o mais importante para os tucanos é encontrar uma forma de neutralizar a imagem de Serra como adversário da Zona Franca de Manaus”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

Tasso intriga Dilma com Ciro

Do repórter Caio Junqueira, do ‘Valor Econômico’:
“A viagem de Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, ao Ceará, iniciada ontem à noite, acabou por indispor ainda mais os petistas com o também pré-candidato à Presidência da República pelo PSB, deputado federal Ciro Gomes. O Estado é o reduto eleitoral de Ciro, que o governou entre 1991 e 1995, e desde 2006 está sob comando de seu irmão, Cid Gomes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT pressionam Ciro para desistir da candidatura a presidente.
Para evitar danos maiores na relação dos petistas com Ciro, a coordenação da campanha chegou a limitar a agenda de Dilma a eventos fechados: uma cerimônia para receber o título de cidadã de Fortaleza ontem à noite e um almoço com empresários cearenses hoje.
Inicialmente, estavam previstas agendas abertas ao público, como a ida a Juazeiro do Norte, terra do padre Cícero, caminhada na praça do Ferreira, marco histórico de Fortaleza, e ao Centro Urbano de Cultura, Ciência, Arte e Esporte (Cuca), projeto vitrine da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT).
No entanto, prevaleceu a avaliação de que esses eventos de rua – que podem trazer problemas com a Justiça Eleitoral – deixariam Ciro ainda mais contrariado com a presença da candidata em seu reduto. Ele tem insistido em se lançar candidato a presidente, em oposição aos interesses do PT, do Palácio do Planalto e até mesmo do seu partido, razão por que a presença de Dilma no Estado gerou desconforto entre seus aliados e serviu de munição para a oposição.
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), declarou, ontem pela manhã, que a visita dela era uma “afronta” a Ciro. O PT tratou de rebater a acusação de Tasso: “Não tem nada de afronta. Ciro é nosso aliado e assim queremos que ele continue”, disse o vice-presidente do PT cearense, deputado federal José Guimarães. A campanha de Dilma fez o mesmo.
Tasso Jereissati é um dos maiores interessados em ver desestabilizada a relação do PSB com o PT regional, pois pretende se candidatar ao Senado com o apoio informal de Cid Gomes.
O PT, porém, trabalha para que o governador apoie o ex-ministro da Previdência José Pimentel. O deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE) já tem garantido o apoio de Cid, decorrente de um acordo feito entre ambos nas eleições de 2006.
Duas foram as justificativas para a viagem ao Ceará: o fato de Fortaleza ser a maior capital administrada pelo PT e a prefeita ser mulher. Dilma enfrenta uma forte resistência do eleitorado feminino e uma das estratégias iniciais da pré-campanha é neutralizar essa rejeição.
Além disso, avalia um dos coordenadores da campanha, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, não se pode estruturar a agenda de campanha a partir das realidades locais e de outros partidos. “As questões regionais e partidárias não podem ser obstáculos à agenda da candidata. Se for assim, ficaremos imobilizados em todo o país.”
As restrições à agenda de Dilma no Ceará estão sendo tratadas, oficialmente, como uma forma de possibilitar que a pré-candidata tenha tempo para comparecer a dois outros eventos de campanha em São Paulo: um jantar na casa da apresentadora Ana Maria Braga e a ida ao “Programa do Ratinho”, no SBT, ambos previsto para amanhã.
Quinta-feira, sexta-feira e sábado, Dilma estará no Rio Grande do Sul, onde acompanhará o primeiro exame pré-natal de sua filha, e cumprirá agenda de pré-candidata: encontro com empresários da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e da Associação Comercial de Caxias do Sul.
O Estado é um nos quais ela deverá ter palanque duplo, com apoio dos candidatos a governador Tarso Genro (PT) e José Fogaça (PMDB), prefeito de Porto Alegre. Além do Rio Grande do Sul, a campanha precisa aparar arestas surgidas com a possibilidade de mais de uma candidatura da base aliada e, portanto, mais de um palanque em outros oito Estados: Amazonas, com Omar Aziz (PMN), Alfredo Nascimento (PR) e Serafim Corrêa (PSB); Bahia, com Jaques Wagner (PT) e Geddel Vieira Lima (PMDB); Maranhão, com Roseana Sarney (PMDB) e Flávio Dino (PCdoB); Minas Gerais, com Hélio Costa (PMDB) e os petistas Fernando Pimentel e Patrus Ananias; Paraíba, com Ricardo Coutinho (PSB) e José Maranhão (PMDB); Piauí, com Wilson Martins (PSB) e João Vicente Claudino (PTB); Rio de Janeiro, com Sérgio Cabral (PMDB) e Anthony Garotinho (PR); Rondônia, com Eduardo Valverde (PT) e Confúcio Moura (PMDB); e São Paulo, com Aloizio Mercadante (PT) e Paulo Skaf (PSB)”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:13

Tasso finge que gosta de Serra

De Renata Lo Prete, do Painel da ‘Folha’:
“Ao iniciar sua fala, Serra fez questão de citar Tasso Jereissati (PSDB-CE), que trabalhava pela candidatura do governador Aécio Neves (MG): “Olha aí, Tasso, como você é popular aqui”. Encerrado o discurso, o senador devolveu: “Vamos posar para uma foto para pararem de dizer que estamos brigados”. Em tempo: eles estão.
Não foi só a ausência de FHC que chamou a atenção na despedida de Serra. Pelo menos uma dezena de senadores, deputados e lideranças nacionais do DEM não apareceu. As exceções mais vistosas foram o presidente da sigla, Rodrigo Maia (RJ), e a senadora Kátia Abreu (TO)”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:48

Ciro: “Aécio salvou Lula”

De Maria Inês Nassif, do ‘Valor Econômico’:
“O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), teve um papel fundamental no desmonte de uma “articulação golpista” em 2005 que, por meio da CPI dos Correios que investigava denúncias do mensalão, pretendia levar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao impeachment. É o que revela, em entrevista ao Valor, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Aécio mandava um avião buscar Ciro, então ministro da Integração Nacional de Lula, e os então deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Eduardo Paes (PSDB-RJ), integrantes da CPI. “Íamos para o hangar lá em Belo Horizonte e brigávamos muito, mas chegávamos a um acordo que era avalizado pelo Aécio. Ele nos ajudou a salvar o mandato de Lula”, garante Ciro.
Candidato a presidente pelo PSB, Ciro não quer abrir mão da candidatura para preservar espaço para críticas ao segundo mandato do presidente petista, quando ocorreu uma erosão “dramática” das contas externas, afirma. “Esse debate foi abolido da cena política por oportunismo político-eleitoral, inclusive do Serra”, acusa.
Com discurso superlativo, aponta o dedo para “figuras tenebrosas” e “almas penadas” da política: são os mesmos a quem se aliou o presidente anterior, Fernando Henrique Cardoso. Cita os deputados do PMDB Eduardo Cunha (RJ), Michel Temer (SP) e Eliseu Padilha (RS), e o deputado Felipe Bornier, do PHS do Rio.
Ao ser perguntado das chances de desistir da candidatura à Presidência para disputar o governo de São Paulo, Ciro primeiro é enfático – é candidato a presidente, para ganhar ou perder – e depois faz a ressalva: só se for em torno de um projeto. O projeto de Brasil e a negociação entre as forças políticas contrárias ao “clientelismo” e ao “patrimonialismo” são a chave para entender as entrelinhas do deputado cearense. A chave auxiliar – uma ironia para alguém que transferiu o seu domicílio eleitoral para São Paulo – é uma severa crítica à política paulista. Abaixo, a entrevista ao Valor:
- O senhor recuou ou continua candidato a presidente?
- Continuo candidato. E, dessa, saio vitorioso ou derrotado: nem desistência, nem recuo são possíveis. Uma motivação da minha candidatura é o imperativo moral do flanco onde eu faço política – e sou eu, pelas circunstâncias, quem tem melhor condição de não permitir que a agenda do país se reduza ao plebiscito despolitizado, com personalismos exacerbados, uma disputa entre a turma do Lula, à qual eu pertenço, contra a do Fernando Henrique Cardoso. O imperativo moral é apresentar o que importa.
- E o que importa?
- Importa, a partir do avanço que o país está experimentando – aliás, extraordinário -, apresentar uma agenda complexa para o país. O Brasil vem melhorando sob todos os ângulos, mas apenas se você olhar pelo retrovisor, porque olhando para o futuro e comparando o país com os estandes internacionais, mesmo em renda similar à brasileira, o Brasil está ainda por fazer.
- O senhor acha que a crise é uma oportunidade?
- Nas grandes questões contemporâneas que se projetam para o próximo meio século, o Brasil pode ser protagonista. Em bioenergia, biocombustíveis especialmente, na questão ambiental, na questão étnico-religiosa, o país tem sementes extraordinárias de um ambiente civilizatório. Mas, mesmo conseguindo sair da estagnação a que fomos condenados pelo mito neoliberal – a crença que nos esmagou a imaginação -, ainda não nos libertamos totalmente dele. O neoliberalismo não foi para a lata do lixo porque poderosos sustentam o defunto e inibem o enterro.
- Essa é uma elaboração que parte da crítica ao governo. É essa a base de sua candidatura?
- Não, eu sou entusiasmado pelo Lula. Eu vi o Brasil decadente e hoje o vejo progredindo. A experiência mais ruinosa, sob o ponto de vista das contas públicas foi patrocinada pelo FHC. Quando eu era ministro da Fazenda [no governo Itamar Franco] e ajudei a fazer o Plano Real, o Brasil tinha uma carga tributária de 27% do PIB. FHC elevou a carga tributária para 35% do PIB; a dívida pública brasileira, que era de 35% do PIB, alcançou 68%; desmobilizamos US$ 100 bilhões de patrimônio; a taxa de investimento foi a menor; perdemos um terço dos mestres e doutores do ensino público superior brasileiro; fez-se os dois maiores acordos com o FMI. O Brasil deu o ouro e a prata nos governos FHC. A taxa de crescimento do país naqueles oito anos foi de 2%, 3%; nas contas externas, produziu-se um buraco de US$ 180 bilhões de dólares em oito anos. Com o Lula, a dívida desceu de 68% para para 40% do PIB; nos primeiros quatro anos de mandato, o Brasil fez US$ 46 bilhões de superávit; saímos da taxa de reserva negativa para reservas líquidas superiores a 100% do passivo externo público e privado; a carga tributária não subiu e quase dobrou a taxa de crescimento.
- Se há entusiasmo tão grande de sua parte, por que disputar contra a candidata de Lula?
- Neste segundo mandato, as contas externas brasileiras estão erodindo de forma dramática. Esse debate foi abolido da cena política por oportunismo político-eleitoreiro, inclusive do [José] Serra [candidato do PSDB à Presidência], principal voz de oposição e que sumiu com essa discussão. Além de desalinhamento de câmbio, a perda de dinamismo das nossas exportações é flagrante. A proporção de manufaturados nas exportações brasileiras está despencando.
- Os problemas se concentram na área econômica?
- Olhando pelo retrovisor, tudo melhorou: a educação, a saúde, a questão da universidade. Mas na saúde pública, por exemplo, não foi feito nada estratégico. A educação pública brasileira está melhorando, mas ainda é uma tragédia. E o imperativo moral é impedir o plebiscito que o PT e o PSDB acertaram para confinar o país nas suas miudices e projetar um futuro. Se melhorou, o passado não deve voltar.
- E qual é o projeto?
- Nós temos que apresentar um projeto nacional de desenvolvimento. É preciso que se garanta minimamente que a eleição seja o debate do futuro do país, e não esse debate despolitizado. Isso tem feito mal demais ao Brasil. A briga vem do provincianismo paulista.
- Como uma situação paulista pode contaminar o país?
- O FHC foi para a Presidência com uma obra extraordinária iniciada, o Plano Real. O PT foi contra o Real; recusou-se a dar apoio ao Itamar Franco no momento delicadíssimo do impeachment do Collor; não assinou a Constituição de 1988. Quando o FHC chegou ao poder, encontrou na intransigência do PT o pretexto para angariar a maioria na escória da política brasileira. Era o exercício do clientelismo e conservadorismo sem qualquer limite ético. Quando andou a roda da história e o PT ganhou a Presidência, contra Lula, o PSDB de São Paulo puxou o PSDB nacional para uma intransigente, mesquinha ruptura com o governo.
- Isso não justifica a aliança do governo com o PMDB?
- No segundo mandato, o PSDB deu ao Lula a crença de que, para governar, é preciso se alinhar – e com quem? O Brasil é tão medíocre nesta questão que são as mesmas pessoas – não são só os mesmo valores – que trabalham ao largo de qualquer moralidade. O Renan Calheiros [PMDB-AL], que foi ministro da Justiça do FHC, é lugar-tenente do Lula no Senado. Eduardo Cunha [PMDB-RJ], que já conhecia como ligado ao esquema do PC Farias, é quem está dando as cartas aqui, com a delegação do Michel Temer [PMDB-SP], também ex-aliado do FHC. Eliseu Padilha, ex-ministro do FHC, é o presidente da Comissão de Justiça da Câmara. O Felipe Bornier [PHS-RJ] é presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle. É a seleção é às avessas: quanto mais decência e qualificação têm as pessoa, mais distante estarão dos cargos importantes no parlamento.
- Se São Paulo é responsável por isso, por que o senhor transferiu seu título para lá?
- Porque o Lula pediu.
- Mas, em São Paulo, estará fortalecendo essa política?
- A política estadual não precisa ser assim. O Aécio não é assim: ele elegeu um companheiro do PSB para a prefeitura de Belo Horizonte. O Aécio estende a mão e vai lá todo mundo. As diferenças não vão sumir, mas a forma de fazer política não é destrutiva. No Ceará, há tempo a gente se entende, daí se diminui a importância relativa dessas figuras tenebrosas, almas penadas não saem nunca do poder. Mas, em São Paulo, é picareta para um lado, picareta para outro.
- O senhor é contra alianças mais amplas?
- Não sou contra, eu vi debilidade do governo Sarney. Eu conheço a tradição federativa, a tradição multipartidária brasileira; eu reconheço que a aliança é necessária. A questão é: para quê? Se a aliança é só para conservar o poder e suas bases são o assalto à máquina pública, não faz sentido.
- Então, quanto mais ampla for uma aliança, mais relativizado é o poder desses setores?
- Mais do que isso, é parte da luta para acabar com a hegemonia moral e intelectual desses setores. Isso será um avanço institucional para o país. Qual é a razão dessas maiorias malucas [no Congresso]? Mera conservação do poder. Estritamente mercado secundário de minuto de televisão, inclusive na base da grana.
- Na política paulista, como quebrar essa hegemonia?
- Eu não estou na política paulista. Esse negócio de domicílio eleitoral é uma invenção da ditadura, não existia isso antes. Sou o deputado federal mais votado no país pela mão do eleitorado cearense. Esse mandato pertence aos cearenses.
- Se fosse para quebrar a hegemonia do PSDB paulista, o senhor seria candidato ao governo?
- Ajudar a construir o design dessa bomba, eu acho uma das mais gratas tarefas. Não precisa ser derrotando ninguém, pode ser articulando entendimento.
- É isso que você e o Aécio tentam fazer, quando conversam?
- Eu, Aécio, Tasso, Geraldo Alckmin.
- Alckmin tem peso no PSDB para fazer entendimento?
- O Alckmin está esperando para ver se o Serra deixa ele ser candidato a governador. Porque as coisas são assim: o Serra acabou de trair o seu próprio partido e elegeu o DEM para a prefeitura de São Paulo, contra o PSDB. E para ele tudo pode. O Nordeste praticamente varreu o ex-PFL e Serra elegeu Kassab em São Paulo. E aí, eu pergunto: quem elegeu o DEM em São Paulo vem me falar em modernidade?
- Com Lula o senhor chegou a vislumbrar a possibilidade de um entendimento para excluir o patrimonialismo das alianças?
- Lula diz que concorda comigo, que o sonho dele, quando deixar a Presidência, é organizar um movimento como o da Frente Ampla do Uruguai; que não compreende como estou num partido e ele em outro. Tudo bem, eu sei que, também eu, se for presidente, terei que tocar a rotina do país, mas é preciso que o povo ajude a diminuir o custo impagável dessa hegemonia frouxa, dessa hegemonia moral, que o conservadorismo do PT com o PMDB impuseram na agenda do país.
- Qual o interesse na formação de maiorias, se não se aprova matérias de interesse do governo?
- Acho que o interesse é só o horário eleitoral. Fora isso, não vejo nenhuma outra razão, porque não tem nenhuma agenda correndo no Congresso. Se tivesse, os parlamentares não seriam tão irresponsáveis. Veja a PEC 300, que institui o piso nacional para policiais. A emenda foi aprovada em primeiro turno, enganando os policiais, porque é impossível aprovar uma coisa dessa no segundo turno. É lambança, é só teatro. Lula mandou para a Câmara R$ 1,7 bilhão para um projeto de construção de um milhão de moradias. Eduardo Cunha apresentou emenda criando um crédito pleno de R$ 86 bilhões. Esculhambação que, sozinha, derruba o Brasil. Aí o Paulo Paim [PT-RS], no Senado, junto com o Renan, Sarney e tal, aprova o fim do fator previdenciário; ato contínuo, define o percentual de reajuste pelo salário mínimo. Quebra a Previdência. Votação unânime. Daí vem para a Câmara. Na hora em que pautar, vota-se a favor. E o Lula tem que vetar. Essa é a coalizão do Lula – e isso é coalizão? É de uma aliança para governabilidade que nós estamos tratando, ou é um mercado secundário de minuto de televisão?
- O Congresso é todo ele irresponsável, então?
- Não. O presidencialismo de impasse faz do Congresso Nacional um apêndice. Você precisa ver a quantidade de gente séria, trabalhadora, decente, que desiste, vai embora. O problema não é do Congresso, é da coalizão hoje dominante. Esse mesmo Congresso cassou Collor e fez a Constituinte.
- O senhor quer dar protagonismo para parlamentares decentes?
- Não é isso. Nossas regras de representação dizem respeito a pessoas que têm o monopólio de alterar essas regras. Por que essa representação vai alterar a institucionalidade que lhe legitima? Isso não acontece em lugar nenhum. É hora do Brasil se livrar de seus temores elitistas e começar a adotar a prática dos países avançados de convocar plebiscitos e referendos para superar determinados impasses.
- Até 2005, o senhor era o candidato de Lula à sua sucessão. O que é que aconteceu para o presidente ter lançado a ministra Dilma?
- Até 2007. Cada vez que Lula dizia isso para mim, eu dizia que o PT teria de ter candidato. O PT não ter candidato é o escorpião sobre o sapo.
- Sem entrelinhas: o senhor pode ser candidato ao governo de São Paulo?
- Quando Lula me fez o convite, deixei a decisão para o meu partido. O Eduardo Campos [presidente do PSB e governador de Pernambuco] me disse: “Se você quer ser candidato a presidente, por que não fica com domicílio em São Paulo e ajuda a gente a arrumar as coisas por lá?” Eu concordei. E fui para o Ceará para me explicar: Lula me pediu, o partido determinou que eu fizesse, se tentasse ser candidato com domicílio lá poderia ser impugnado por causa de meu parentesco com o Cid [Gomes, governador do Estado e irmão de Ciro]. Candidato a deputado não sou e no Ceará sou inelegível para tudo o mais.
- O senhor pode se candidatar ao governo de São Paulo na hipótese de Aécio Neves ser candidato do PSDB a presidente?
- Não. Eu disse ao presidente é que eu faço política por amor. Se, amanhã, alguém me diz: “o projeto está aqui mas nós vamos perder essa eleição porque Serra, em São Paulo, vai levar 6 milhões de votos e isso definirá a sua vitória a presidente”, aí é outra coisa. Mas eu não vejo esse cenário.
- E por que a situação com Aécio poderia ser diferente?
- Vou fazer uma justiça a Aécio. Quando a CPI dos Correios começou a arquitetar o golpe contra o presidente Lula, o Aécio teve um envolvimento estratégico. No meio da crise, eu, Dilma, Márcio Thomaz Bastos [então ministro da Justiça] e Jaques Wagner [então ministro das Relações Institucionais] nos reuníamos diariamente às 7h para definir uma estratégia que era “Infantaria e Diplomacia” – eu dei o nome. Nós iríamos fazer o diálogo, a diplomacia. Fizemos uma lista daqueles nomes importantes da República e escalamos quem falaria com cada um. Bastos e [Antonio] Palocci ficaram escalados para conversar com o Fernando Henrique e com o Serra, e eu, com Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Fernando Gabeira [PV-RJ], José Carlos Aleluia [DEM-BA] – esta era a estratégia de diplomacia. E como infantaria, nós estimulamos um movimento para ocupar as ruas. O trabalho da diplomacia era dizer: “Daqui para trás: nós estamos vendo um componente golpista nisto, o presidente da República não será alcançado e nós não vamos tolerar isso”. Acabamos fazendo a manifestação na rua, só para mostrar que não estávamos blefando. O Aécio entendeu. Passou não só a concordar, mas a agir para desarmar a bomba. Muitas vezes ele mandou um avião para me buscar em Brasília às 9h da manhã, mandava o avião para pegar fulano, ciclano e beltrano da CPI e íamos para o hangar lá em Belo Horizonte. Lá brigávamos muito, mas chegávamos a acordos avalizados pelo Aécio. Ele nos ajudou a salvar o mandato do Lula. Invoco o testemunho de Gustavo Fruet [PSDB-PR] e Eduardo Paes [na época, PSDB-RJ]. O Aécio nos ajudou a desmontar a indústria da infâmia movida a partir do PSDB de São Paulo.
- Existe a hipótese de Aécio ser candidato a presidente?
- Acho que sim. Com grandes chances. Se ele for o candidato, é porque Serra terá recuado voluntariamente, e daí Serra garante a ele o eleitorado em São Paulo. O segundo colégio é Minas, e Aécio tira 70% ou mais; o terceiro é o Rio, e ele entra melhor que o Serra; depois é o Nordeste. O Sul está hostil para nós. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o eleitorado é contra o PT, eu ainda entro, mas o Aécio entra com mais leveza. O problema é o Serra e o carreirismo dele, só pensa em si. O problema do PSDB é o seguinte: eles [os tucanos] vivem embaixo de uma redoma, quando saem da rede de proteção da mídia, encontram um Brasil que não conhecem.
- FHC também?
- O Fernando Henrique tem um ciúme infantil do Lula, uma inveja feminil do Lula”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:42

Tasso oficializa o não a Serra

?O Globo? de hoje confirma o que esse blog publicou dia 1º: Tasso Jereisatti não aceitou o convite para ser vice de José Serra. O que o senador não diz, é que ele não pode tentar ajudar Serra a ser presidente, pois seu principal aliado chama-se Ciro Gomes ? o mesmo que ocorre com Aécio Neves.
Eis a reportagem assinada por Isabela Martin:
? Lembrado como alternativa para a vaga de vice na chapa encabeçada pelo também tucano José Serra na disputa pela Presidência da República, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou ontem não estar convencido de que é boa a estratégia do governador de São Paulo de adiar ainda mais o anúncio de sua candidatura e que seu nome ?não está à disposição? do partido.
Para Tasso, não bastou a declaração pública de Serra da semana passada dizendo nunca ter abandonado a ideia de ser candidato e cobrou que o governador de São Paulo ?caia na vida?. Numa referência indireta ao ritmo acelerado da ministrachefe da Casa Civil e pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, o senador afirmou que o atraso na campanha do PSDB na corrida pelo Palácio do Planalto é mais grave do que perder um bonde.
? O nosso trem está atrasado, disse ele. ? Quando falo em ser candidato, é cair na rua, cair na vida. Articular, fazer visitas, chamar os estados, dar entrevistas e garantir na imprensa o mesmo espaço dado ao adversário.
Fugindo ao estilo cauteloso ?até pelas divergências passadas que deixaram marcas na relação com Serra, quando apoiou Ciro Gomes para presidente da República em 2002 ?, Tasso elevou o tom das críticas.
Atribuiu a estratégia de Serra de adiar para abril o anúncio de sua candidatura ?aos amigos dele?: ? É uma estratégia que ninguém está entendendo. Acho isso uma loucura, sem sentido.
Para o senador, ainda há tempo para definir vice Sobre a especulação em torno do seu nome para compor como vice numa eventual chapa puro-sangue, Tasso disse que a hora dessa discussão ainda não chegou.
? Primeiro a gente tem que ter um candidato na rua. O vice, tem tempo (para encontrar).
A gente não tem mais tempo é de ficar sem candidato ? afirmou o tucano.
O boato em torno de seu nome ganhou ênfase há cerca de dez dias quando pesquisa Datafolha mostrou que a diferença entre Serra e Dilma caiu para quatro pontos percentuais.
Tasso silenciou por mais de uma semana sobre o assunto.
Nesse meio tempo, irritou os adversários do PT com o projeto de lei de sua autoria aprovado na Comissão de Educação do Senado que cria um benefício adicional ao Bolsa Família para os alunos que tiverem bom desempenho escolar.
Na última sexta-feira, em Sobral, município da região norte do Ceará, terra natal do presidenciável Ciro Gomes (PSB), ele tocou no tema vice publicamente pela primeira vez. E foi enfático ao responder se seu nome estava à disposição do partido.
? Não. Meu nome não está à disposição, não. Hoje eu estou aqui no Ceará dedicado a fortalecer o meu partido ? afirmou.
Tasso afirma que seu plano é continuar senador Já ontem, Tasso afirmou que seu plano é continuar senador.
Sobre a possibilidade de aceitar a vaga de vice caso Serra saia candidato, disse que não era ?turrão? e encerrou a entrevista.
Em Sobral, onde foi receber uma comenda da Universidade Federal do Ceará, Tasso chegou ao local da solenidade de carona num carro dirigido pelo governador Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, e aliado do PT. A cena dos dois ? que trocaram elogios mútuos durante entrevista ? reacendeu o temor de petistas de que a aliança entre Tasso e os Ferreira Gomes seja reeditada em nível estadual.
No plano nacional, o senador tem reafirmado que mesmo que Ciro seja candidato, Serra terá apoio incondicional do PSDB no Ceará?.
Só mais um detalhe que faltou a reportagem: Tasso é candidato à reeleição e, para isso, conta com o apoio do governador do Estado, Cid Gomes, irmão de Ciro.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:29

Tasso e a pressão inútil

O ex-presidente do PSDB, Tasso Jereissati promete hoje, em entrevista ao ‘Globo’, que a pressão sobre Aécio Neves será muito grande para que ele seja vice de José Serra.
Se pressão valesse alguma coisa dentro do PSDB, Tasso não teria apoiado Ciro Gomes contra José Serra em 2002, e mais: aceitaria ser candidato ao governo do Ceará contra o irmão de ciro.
Mas eis a entrevista assinada por Isabela Martin:
“- Como o senhor recebeu a notícia da desistência do governador Aécio Neves?
- Havia uma expectativa que a gente entrasse o ano novo com uma solução. O Aécio fez um gesto espetacular, ao mesmo tempo que foi bastante pragmático. As suas possibilidades concretas estavam numa prévia. E as prévias não se realizando, para o partido o melhor era ele tomar essa decisão. Agora em janeiro somos obrigados a tomar uma decisão junto com nosso candidato, que fatalmente será o Serra.
- Serra já decidiu se será mesmo candidato? Ele está reticente ou é estratégia?
- Serra é uma pessoa que gosta de tomar decisões de última hora. Faz parte da sua personalidade. Mas o partido está exigindo agora em janeiro uma decisão. Em outras circunstancias não seria tão necessário. Mas Lula precipitou a campanha em mais de um ano. É difícil você ver uma foto do Lula hoje em que a Dilma não esteja como papagaio de pirata do lado. ?Nem jeitão de candidata ela (Dilma) tem?
- O senhor conversou com Serra depois da decisão de Aécio? – Não. Mas para o Serra não ficou alternativa, é definir ou definir. Janeiro chegou, e chegou este momento.
- Além do DEM, quais os outros partidos que podem compor uma aliança?
- Acho que pode vir ainda o PMDB.
- Rachado?
- Rachado ele vai ficar. A definição da candidatura Ciro vai definir um quadro de maneira decisiva. Acho que o próprio PDT, diante de uma candidatura do Ciro ou não, ainda não tem uma definição muito clara. E essas definições vão também levar a que outros partidos, como o PMDB, revejam sua posição.
- A chapa puro-sangue não torna mais difícil ampliar o arco de alianças?
- Fica. Mas, no caso do puro sangue sendo com Aécio, a perspectiva de ganhar fica maior ainda. Aécio é agregador. Fora isso, uma chapa que venha com perspectiva de vitória, nos dois estados mais populosos do Brasil, é uma candidatura que nasce muito forte.
- Aécio considera isso?
- Ele colocou que vai ajudar no que puder. Mas a prioridade dele é eleger o governador de Minas. Diante do quadro, ele que se prepare porque vai sofrer uma pressão muito grande do partido e até de outros partidos para aceitar. Por isso que digo que muita água vai rolar. O partido todo sonha com isso.
- Quais as chances de derrotar uma candidata que tem Lula como padrinho?
- A Dilma não é o Lula. O Lula é único porque as pessoas se identificam nele. Não é só por causa do Bolsa Família. Na época do mensalão, ouvi as pessoas do interior dizer: ?ele pode até fazer, mas é um de nós?. A Dilma não é. Pelo contrário, nem jeitão de candidata ela tem. Ela não é simpática, não é simples, é arrogante, não tem boa comunicação, é prepotente, e não tem uma afinidade popular.
- E o Serra tem?
- O Serra é governador de São Paulo, já foi prefeito, senador e candidato a presidente com excelente votação. Não confunda não ter afinidade popular com não ser sorridente, gaiato. É uma herança da história dele. A Dilma vai chegar só com o padrinho. O PAC é um fracasso. O discurso da Dilma só pode ser: ?o Lula é o meu padrinho?.E daí?
- O presidente Lula parece muito confiante de que fará seu sucessor.
- Lula descolou do chão. Tenho uma admiração por ele, pelo que representou. Mas ele descolou. O Papa é coisinha na frente dele. Ele está dando aula para o (Barack) Obama e explicando até porque a terra não é redonda e dizendo que foi Freud que disse isso. Como diz a juventude, ele está se achando. Não é surpresa ele achar que onde tocar o dedo vai se iluminar”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:45

Visão tucana para 2010

 Quem chamou a atenção para a entrevista que o publicitário Luiz González deu ontem ao ?Valor? foi o ex-prefeito Cesar Maia.
O principal marqueteiro do PSDB acredita que José Serra ganhará a ?guerra das biografias?.
Vale a pena ler a íntegra da entrevista concedida ao repórter Caio Junqueira:
 ?Luiz González, 56 anos, paulistano, neto de espanhóis da Galícia, deverá ser o principal estrategista da campanha do governador de São Paulo, José Serra, a presidente em 2010. É o marqueteiro preferido dos tucanos paulistas. Sua ascensão no marketing político foi concomitante à consolidação do PSDB no governo estadual. Já se vão 15 anos desde que fez a campanha de Mário Covas, em 1994, mesmo ano em que trabalhou para Serra, que disputava o Senado. Quatro anos depois, ajudava Covas a se reeleger. Em 2000, perdeu com Alckmin na prefeitura, mas o fez governador dois anos depois. Voltaria a trabalhar para Serra na campanha à prefeitura em 2004 e ao governo do Estado em 2006, quando atuou para Alckmin na disputa presidencial. No ano passado, elegeu Gilberto Kassab (DEM) prefeito.
Foi em sua agência Lua Branca, detentora de contratos de publicidade tanto com a Prefeitura de São Paulo quanto com o governo paulista, que ele recebeu o Valor para uma entrevista, explicitou sua estratégia que, a exemplo do governo, é de polarização entre Serra e Dilma – “Só que o embate não vai ser entre Lula x FHC, mas entre a biografia de um realizador e a de uma desconhecida”. A seguir, trechos da entrevista:
- O senhor não teme a transferência de votos de Lula para Dilma?
- Aqui em São Paulo ou em Caetés (cidade pernambucana em que Lula nasceu)? Em Caetés haverá mais. A pergunta é: quanto Lula vai transferir nos lugares onde a informação é menos variada, chega mais devagar e as pessoas dependem mais do Estado? Quanto isso pesa mais do que a admiração que as pessoas possam ter por um cara como o Serra e a expectativa de que com ele o lugar onde o eleitor vive melhora? Lula fez campanha para Marta. Foi para o palanque e resultou em quê? Nada. Não levantou meio ponto porque o eleitor aqui é atento.
- Mas e no resto do país?
- Alckmin era desconhecido nacionalmente, enfrentava um mito que tinha disputado as cinco últimas eleições e que havia feito um governo em que a economia ia bem. Agora está invertido. A Dilma é desconhecida, o Serra é mais conhecido e tem mais biografia. Dilma precisa mostrar o que o governo fez. Pode subir até certo ponto, mas para subir para valer tem que expor a pessoa. 
- Foi a privatização que derrotou o Alckmin?
- Eu nunca saí de um estúdio tão festejado como naquele dia do debate da Bandeirantes. Não só os políticos mas também os coleguinhas. E eu sabia que tinha dado errado. Tinha falado pra ele: não faz isso. Foi ali que ele perdeu a eleição. Colocou o dedo na cara do Lula, foi desrespeitoso. O público fala: “Quem é esse cara? Tô desconhecendo”. E teve também a reação do Lula no segundo turno. Fez a famosa reunião no Palácio do Planalto com 17 ministros, despachou um para cada Estado e escalou quatro para aparecerem no “Bom Dia Brasil”, “Jornal Hoje”, “Jornal Nacional” e “Jornal da Globo”. Várias entrevistas do PT metendo a ripa no Alckmin e do nosso lado ninguém. O Tasso (Jereissati) estava no interior do Ceará, o Sérgio Guerra, em Pernambuco, o César Maia sumiu. Consegui o Heráclito Fortes para dar uma coletiva. Se você dá uma entrevista às 15h eu tenho que dar outra às 15h30. Esse é o jogo. E o nosso foi um desastre.
- A força do Lula no Nordeste também não foi decisiva?
- Não foi apenas no Nordeste. Uma grande derrota que ele sofreu foi no Amazonas. Perdemos em Minas, que tem 10 milhões de eleitores, por 1 milhão de votos. No Amazonas, que tem 2 milhões, perdemos por 900 mil votos. Amazonas virou Minas, que é o terceiro colégio eleitoral do país, porque os dois candidatos da base do Alckmin, Arthur Virgílio e Amazonino Mendes, brigaram o tempo todo e nenhum deles conseguiu defender o candidato da acusação de que ele acabaria com a Zona Franca. 
- Em 2010, o comando de Lula sobre a campanha não fará a diferença?
- Uma coisa é o Lula outra é essa mulher [Dilma] que ninguém sabe de onde veio. Estou colocando como caricatura o discurso, mas no fundo é o seguinte: será que as pessoas estão dispostas a aguentar o PT mais quatro anos sem o Lula? Sem o Lula ficam só os Waldomiros [Waldomiro Diniz, ex-assessor do Planalto flagrado em vídeo recebendo propina]. O Lula foi preservado nessa coisa toda, e sem ele como é que fica? 
- O senhor aposta numa campanha pela biografia, mas não acha que o governo vai se pautar por temas como Bolsa Família, crédito popular, valorização do salário mínimo?
- Mas para cuidar disso aí você prefere esse cara aqui ou essa mulher [Dilma] que ninguém conhece? Tudo isso vai continuar e vai melhorar porque onde esse cara [Serra] põe a mão dá certo. Veja só, como ministro: 300 hospitais reformados. Como deputado: tirou o seguro-desemprego do papel. Como ministro da Saúde: fez os genéricos. Como governador: fez três vezes mais metrô que todo mundo. Onde ele põe a mão dá certo. Vai dar certo com aposentadoria, com salário mínimo, água encanada porque ele é um realizador, tem credibilidade, melhora a vida das pessoas por onde passa. E do lado de lá? Quem é? Ninguém sabe.
- E o PAC e o pré-sal?
- Eles vão mostrar o PAC, nós vamos mostrar que o PAC não existe. Está tudo parado. A vantagem da campanha política é que o contraditório é exercido todos os dias. Cada um fala o que quer, ouve o que não quer e o eleitor julga. Por isso a campanha não é publicitária, é jornalística. Quanto tem para o pré-sal? São 5 bilhões de barris a US$ 40 dólares o barril. US$ 200 bilhões. Por que não põe US$ 100 bilhões na saúde agora? Ah, não existe? Pensei que tivesse. Não estão falando que a Petrobras está sendo capitalizada com 5 bilhões de barris?
- A aposta, então, é que na disputa entre biografias o Serra leve?
- O Serra é o favorito, tem grandes chances de ganhar. A Dilma passou a ter problemas com a entrada do Ciro [Gomes] e daA Marina. Será uma surpresa se ela decolar. O governo acha que vai ser um plebiscito Lula versus não-Lula, ou Lula versus FHC, mas nós não vamos deixar. Não é isso. É a biografia do Serra contra a da Dilma. E daí o nosso japonês é melhor do que o japonês dos outros. Serra foi deputado constituinte, senador, secretário de Estado, ministro duas vezes, prefeito, governador. Tudo o que ele fez alicerça o que vai prometer. Isso dá credibilidade, confiança. E é uma figura nacional.
- Como contrabalançar o Norte e o Nordeste?
- Uma questão central na campanha é que Serra não pode perder Sul e Sudeste. Não é à toa toda essa movimentação em São Paulo. Eles não são trouxas, precisam de alguém que tire votos do Serra aqui. Uns cinco, seis pontos. Todo esse jogo com o [Gabriel] Chalita é entre PSB e PT porque tem que tirar uns 4 milhões de votos do Serra aqui. O Nordeste é fundamental, é importante, mas acho que nunca se pode perder suas cidadelas. O negócio é que não se pode perder de muito lá e ganhar bem aqui. Serra é tido no Nordeste como o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve.
- O PMDB é crucial?
- Se o PMDB for para o governo nos prejudica bastante porque tempo de TV é importante.
- O fato de o PMDB ter as maiores bancadas no Congresso e o maior número de prefeitos não é importante também?
- Não. Isso não é garantido, pois ninguém sabe se eles vão ajudar mesmo. Alguns só ajudam se receberem recurso material, outros até ajudam adversários. O PMDB de Pernambuco é diferente do de Goiás, que é diferente do Rio. Há a possibilidade remota, mas existente, de eles fecharem com o Serra. Aí nossa chance aumenta muito. A possibilidade em que acredito: o PMDB não vai para ninguém. Aí zera e a eleição fica polarizada entre Serra e Dilma. Mas até o início da campanha ela vai sofrer com matérias que ela não emplaca. Alguém do PT em off criticando, dizendo que o gênio dela é ruim, que ela briga com todo mundo. Só bastidores. Ela vai sofrer com isso.
- E o Ciro?
- Não emplaca. Primeiro porque não vai ter tempo de TV. Vai ter PSB e mais o tempo igualitário, que vai dar uns dois minutos e meio. Sabe qual a leitura do público? ´Aquele pequenininho lá não vai governar porque não consegue agregar. Tem dois que são pra valer e dois nanicos´. Segundo porque ele é verborrágico e alguém vai provocá-lo. Pode ser o Serra ou até mesmo a Dilma, porque pode se travar uma disputa entre ela e o Ciro pelo segundo lugar. Para nós é o melhor cenário. Isso se o Ciro não tiver cometido nenhum deslize verborrágico, o que eu não acredito.
- E a Marina?
- É uma candidata interessante, bacana, com história bacana, com aura de seriedade. A única coisa que a prejudica neste momento é o pouco tempo de TV. É pouco para expor as ideias, convencer, seduzir e apaixonar. O eleitor também avalia a capacidade de fazer alianças pelo tempo de TV. A tradução do pouco tempo é esse: o cara não tem força. Ela tende a murchar também.
- Aqui em São Paulo o PSDB faz sucessor sem atropelos?
- São Paulo sempre é uma eleição complicada. É um lugar com opinião pública forte, gente informada, urbanizada, antenada. Mas acho difícil para a oposição mesmo porque não sei quem é o candidato.
- O Palocci pode ser competitivo em São Paulo?
- Será um erro se ele sair. Tem uma série de coisas de quando ele foi prefeito de Ribeirão Preto que ainda não foram resolvidas, assim como o caso do caseiro Francenildo que também não foi resolvido na opinião pública.
- E a disputa entre os tucanos? Alckmin lidera as pesquisas, mas o meio político prefere Aloysio Nunes Ferreira, com dois pontos nas pesquisas. É difícil alavancar o Aloysio? 
- Você pergunta o que é mais difícil, não a minha preferência. Mesmo porque, essa é uma questão partidária e não me caberia opinar. Mas é óbvio que é mais difícil pegar alguém com 3 ou 5 pontos e lutar morro acima para levar a 20, 25 pontos e forçar o segundo turno do que pegar um candidato com 50 pontos, ex-governador do Estado.
- O que é mais determinante ao voto?
- Tem uma tese do professor João Albuquerque, da USP, defendendo que 15% votam por identificação, o mesmo percentual, por oposição e 70% por expectativa de benefício futuro. A questão central é como se cria uma identificação com o candidato e se desperta no eleitor a confiança de que ele é capaz de melhorar sua vida. 
- A internet vai ser importante em 2010?
- A cada eleição a internet fica mais importante. E, em 2010, pode até ser a ferramenta mais comentada, pelas novidades que trará. Mas não acredito que será a mais importante. Nas condições de 2010, acho que a TV ainda será mais importante do que a internet, por mais amplas e diversificadas que sejam as ações na internet e por mais tradicionais que sejam na TV. Mário Covas dizia que se ele tivesse pouco dinheiro pagaria advogado e programa de TV e depois contrataria o resto. Se fosse para hierarquizar os veículos que eu usaria, diria que o mais importante é o horário eleitoral, free media [presença dos candidatos no rádio, TV, jornais e revistas], programa eleitoral no rádio e, por fim, a internet.
- Por que?
- Pela abrangência. O Brasil tem pouco mais de 131 milhões de eleitores. A televisão chega a praticamente todos. Existem 57 milhões de domicílios no Brasil. Há pelo menos um aparelho de TV em 95% desses domicílios – 170 milhões de brasileiros a assistem diariamente. Estima-se que haja até 60 milhões de internautas, com 11 milhões de conexões em banda larga. Ou seja: a televisão chega a muito mais gente. Outra questão é a distribuição geográfica. A TV chega a todo o país de maneira mais uniforme: 96% dos domicílios urbanos têm TV. Na zona rural a presença cai, mas ainda é alta: 78% das residências rurais têm TV. Essa presença avassaladora e bem distribuída não acontece, ainda, com a internet. A internet está mais presente nas regiões Sul e Sudeste, com 60% dos internautas. Mas as regiões Norte e Nordeste que têm, juntas, 34% do eleitorado, só têm 22% dos internautas. 
- Essa concentração da internet no Sul e Sudeste favorece alguma candidatura?
- Acho que a internet vai servir de maneira distinta às candidaturas. Serve mais ao PT do que ao PSDB. Como o PT tem mais dificuldade no Sul e no Sudeste, onde a internet tem mais penetração, o instrumento vale mais. Da mesma forma, se o corte for cidade grande versus cidade pequena, o PT tem mais dificuldade nas capitais e cidades grandes. O PSDB tem mais dificuldade nos grotões. Desse ponto de vista, o que o PSDB precisa é de carro de som nas pequenas cidades. Além disso, a televisão é um veículo impressionista. É um veículo de emoção, que surpreende o telespectador em sua casa. Nessas características essenciais, é insubstituível.
- O que o senhor achou da reforma eleitoral recém-aprovada?
- Lamentável. O Congresso perdeu a oportunidade de limpar as regras eleitorais, de deixar o pleito mais livre. Por exemplo: não se pode usar imagem externa nas inserções ao longo da programação, nos comerciais. Mas se pode usar imagem externa nos programas grandes, em bloco. Qual o motivo? 
- Quais são os outros problemas da reforma?
- A reforma instituiu um “liberou geral” nas coligações. Agora é possível, na mesma circunscrição eleitoral, fazer coligações que se contradizem. Essa emenda do “liberou geral” para as coligações atende a estratégia governista. Nos últimos anos, prevaleceu a norma que impedia o uso de um espaço eleitoral no rádio e na TV por um candidato a outro cargo. Mesmo assim, em 2006 Lula “invadiu” grande parte das campanhas estaduais, principalmente onde o candidato a governador do PT era fraco. Foi parcialmente punido por isso, com perda de tempo de TV. Nem todas as “invasões” foram descobertas a tempo de se acionar o TSE. Na eleição de 2010, as campanhas estaduais estão autorizadas a veicular “imagem e voz” do candidato a presidente, ou de militante político nacional. Traduzindo: é a licença para Lula e Dilma” invadirem” os tempos de propaganda de candidatos a governador, senador e deputados. Vai ser uma festa. Infelizmente, a oposição deixou passar. Vamos ver o que o TSE diz sobre o assunto?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:44

Estrelas em declínio

Pelo menos quatro das maiores estrelas do Senado ? Sergio Guerra, Tasso Jereisatti, Renan Calheiros e Aloísio Mercadante ? estão correndo o risco de não se reelegerem para o Senado. O ?Estadão? de hoje publica reportagem sobre esse assunto assinada por Eugênia Lopes:
?Como se não bastasse a crise que desmoralizou o Senado neste ano, as eleições de 2010 ameaçam tirar o brilho de antigas estrelas da política nacional, que enfrentam dificuldade para se reeleger. Os obstáculos atingem em cheio senadores de todos os partidos que estão sendo obrigados a fazer arranjos políticos para garantir, ao mesmo tempo, sua sobrevivência e a eleição nos Estados.
Na oposição, há casos emblemáticos como os dos senadores tucanos Sérgio Guerra (PE), atual presidente do PSDB, e Tasso Jereissati (CE), ex-presidente da sigla, que correm o risco de não voltar ao Senado. Os percalços eleitorais também abrangem senadores governistas, como Renan Calheiros (PMDB-AL), que provavelmente terá de encarar como adversários na corrida pelo Senado o ex-governador Ronaldo Lessa (PSB) e a candidata à Presidência pelo PSOL em 2006, Heloisa Helena.
O enfraquecimento de cabeças coroadas da política é mais visível no Nordeste, onde tradicionalmente os governadores são responsáveis pela eleição de senadores. Depois de governar Pernambuco por oito anos consecutivos, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que tem mais cinco anos de mandato, é pressionado a sair candidato ao governo do Estado. O motivo é que a candidatura do peemedebista seria o caminho mais tranquilo para alavancar a eleição tanto de Sérgio Guerra quanto do ex-vice-presidente Marco Maciel (DEM-PE).
Com dificuldade para se reeleger ao Senado, os dois torcem para que Jarbas dispute o governo do Estado e, com isso, ganhem um palanque forte. Afinal, ambos terão como adversários o ex-prefeito de Recife, o petista João Paulo, e o deputado Armando Monteiro (PTB). Com mandato desde 1971, Maciel é o que tem mais “recall” junto ao eleitorado. Já o senador tucano é o que dispõe da maior estrutura partidária no Estado, mas sem o palanque de Jarbas enfrenta dificuldade de se reeleger para o Senado.
“Todos os candidatos de oposição serão mais competitivos se Jarbas for candidato ao governo”, admite Guerra. O senador peemedebista prefere, no entanto, manter o suspense até o carnaval, data em que confidenciou a amigos que irá bater o martelo sobre sua candidatura. Se Jarbas resolver não entrar na disputa eleitoral, Guerra vai tentar seu quarto mandato de deputado. Para “guardar lugar”, já lançou sua filha Helena Guerra à Câmara.
Governador do Ceará por oito anos, Tasso elegeu para o Senado quem bem entendeu durante a década de 90 e até 2002, quando ele e sua afilhada política Patrícia Saboya (PDT) conquistaram as duas vagas no Senado. Mas agora a situação é tão delicada que a ex-mulher do pré-candidato à Presidência pelo PSB, deputado Ciro Gomes, vai disputar uma vaga de deputada estadual. Na sua vaga de deputado pelo Ceará, Ciro pretende eleger Pedro Brito (PSB), ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos. Tasso tenta obter o apoio velado de Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro e atual governador do Ceará, para voltar ao Senado.
O cenário cearense ficou complicado depois que o ministro da Previdência, José Pimentel (PT), entrou na disputa por uma das duas cadeiras de senador. A outra é pleiteada pelo deputado Eunício Oliveira (PMDB), ex-ministro das Comunicações de Lula. Teoricamente, Cid apoiará as candidaturas de Eunício e Pimentel.
Ocorre que historicamente os Gomes sempre estiveram juntos de Tasso. “Na história política do Ceará nenhum governador se elegeu sem deixar de fazer os senadores”, diz Oliveira, que aposta no apoio do governador para conquistar o Senado.
Homem forte no Senado do governo Lula, Renan também se prepara para enfrentar uma eleição dificílima. Com a provável candidatura da senadora Marina Silva (PV-AC) à Presidência, Heloísa Helena teria desistido de tentar disputar a sucessão presidencial. A expectativa é que obtenha “um caminhão de votos” na eleição para o Senado. A candidatura do ex-governador Lessa também é forte: quase se elegeu em 2006 para o Senado. Perdeu para Fernando Collor de Mello (PTB).
Depois de chegar ao Senado com mais de 10 milhões de votos, o líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), não deverá ter reeleição fácil. A situação dele se agravou depois que o vereador Gabriel Chalita migrou do PSDB para o PSB para disputar uma das vagas por São Paulo. Com a aliança entre o PSDB e o PMDB em torno da candidatura ao Senado do ex-governador Orestes Quércia, Mercadante estaria contando em ser o “segundo voto” dos tucanos. Mas agora o “segundo voto” deve migrar para Chalita?.

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