• Segunda-feira, 02 Agosto 2010 / 19:59

Sonhar… não custa nada

     Com as campanhas nas ruas, as promessas estão a mil.
Os repórteres Daniela Lima e Fernando Galloa, da ‘Folha’, publicaram um breve resumo das promessas dos candidatos em cinco importantes estados.

BAHIA
Jaques Wagner
, que disputa a reeleição pelo PT, apresenta como proposta um pacote de obras de infraestrutura, mas não detalha de onde virão os recursos. As promessas do governador vão desde a recuperação de rodovias e hidrovias até a ampliação de aeroportos.
Paulo Souto (DEM) diz que vai construir seis hospitais gerais e um instituto de oncologia sem detalhar onde ou com que dinheiro.

SÃO PAULO
O candidato que lidera a corrida, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que “São Paulo não terá um preso em cadeia. Todos [ficarão] em Centros de Detenção Provisória”.
Já o candidato do PT, Aloizio Mercadante, prega a implantação de três linhas de trens de alta velocidade (até 200 km/h): uma de Ribeirão Preto a Campinas, e outras duas ligando Bauru e Sorocaba a São Paulo.

RIO DE JANEIRO
No programa de governo, o governador Sérgio Cabral (PMDB), promete ampliar o alcance das UPPs (Unidades de Policiamento Pacificadoras) de 1,2 milhão para 2,1 milhões de habitantes, com base em cálculo questionado por especialistas.
Já o deputado Fernando Gabeira (PV) propõe universalizar o atendimento de saúde e parceria com a rede privada para tratamentos de alta e de média complexidade.

MINAS GERAIS
Os candidatos ao governo de Minas apostaram em propostas genéricas para convencer o eleitorado.
Hélio Costa (PMDB) falou em criar uma força-tarefa para combater o crack, mas disse que sua equipe ainda está discutindo o problema.
Antonio Anastasia (PSDB) centrou o discurso na continuidade. Candidato do ex-governador Aécio Neves (PSDB), prometeu ampliar programas do antecessor.

RIO GRANDE DO SUL
Os candidatos que encabeçam a disputa no Estado dizem que, se eleitos, vão garantir a destinação de 12% da receita para a saúde.
Tanto Tarso Genro (PT) quanto José Fogaça (PMDB) afirmam que cumprirão o percentual, previsto em lei.
O Conselho Estadual de Saúde afirma que o governo do Estado nunca cumpriu a norma, e que o investimento em saúde fica restrito a, em média, 5% ao ano.

  • Sábado, 24 Julho 2010 / 8:37

Tarso lidera no Rio Grande

     Da ‘Folha’:
“O candidato do PT, Tarso Genro, largou na frente na corrida ao governo do Rio Grande do Sul. Ele tem 35% das intenções de voto, contra 27% do candidato do PMDB, José Fogaça.
De acordo com a primeira pesquisa Datafolha desde o registro das chapas na Justiça Eleitoral, eles são os mais cotados para disputar o segundo turno da eleição para o Palácio Piratini.
A governadora Yeda Crusius (PSDB), que tenta a reeleição, tem apenas 15%. Entre todos os Estados pesquisados, esse é o pior desempenho de um governador que tenta permanecer no cargo.
O candidato do PSOL, Pedro Ruas, aparece com 1% das intenções de voto. Os nanicos Humberto Carvalho (PCB), Aroldo Medina (PRP), Julio Flores (PSTU), Montserrat Martins (PV), Schneider (PMN) e Professor Guterres (PRTB) foram citados, mas não chegaram a pontuar.
Brancos e nulos somam 3% dos entrevistados, e outros 18% disseram ainda não saber em quem votar.
Na pesquisa espontânea, em que os entrevistados citam livremente os candidatos, Tarso tem 12%, contra 7% de Yeda e 6% de Fogaça.
Em Porto Alegre, Tarso amplia a vantagem sobre Fogaça para 13 pontos percentuais. O petista aparece com 43%, contra 30% do peemedebista na capital. Os dois já foram prefeitos da capital, onde Yeda cai para 9%.
No interior, Tarso registra 33%, contra 27% de Fogaça. Yeda alcança 17% das intenções de voto -quase o dobro do seu desempenho em Porto Alegre.
O levantamento mostra que os entrevistados com maior grau de escolaridade apoiam mais o candidato do PT. Ele tem 31% entre os eleitores que estudaram até o ensino fundamental, 39% na faixa do ensino médio e 41% na do ensino superior.
O Datafolha também perguntou em quem os gaúchos não votariam de jeito nenhum. O ranking é liderado por Yeda, com 42% de rejeição. Não votam em Tarso 13%, e em Fogaça, 12%”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:54

Dilma em dois palanques

Dilma Rousseff foi a festa de aniversário de Tarso Genro em Porto Alegre.
Em conversa com um repórter da ‘Folha’, disse que “não irá se constranger se precisar subir em dois palanques no Estado -caso o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB) também seja candidato ao governo estadual.
“Mas essa é uma possibilidade que ainda precisamos ver. O candidato [Fogaça] não se manifestou de forma clara se quer o nosso apoio”, afirmou Dilma”.
Portanto, no Rio não será diferente.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:14

Lula revolta o PT gaúcho

Do diário gaúcho ‘Zero Hora’:
“Ao afirmar que não fará corpo-a-corpo eleitoral em Estados onde há palanque duplo para a ministra Dilma Rousseff ? pré-candidata do PT à Presidência ?, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva causou revolta entre petistas gaúchos ontem.
Figura ausente na campanha à prefeitura de Porto Alegre em 2008, o presidente sinaliza que poderá frustrar novamente as expectativas e não se engajar à candidatura a governador de Tarso Genro, uma vez que o ex-ministro da Justiça vai disputar com o prefeito da Capital, José Fogaça (PMDB). No plano federal, PT e PMDB deverão abraçar a candidatura de Dilma.
Quando fez a declaração, Lula estava ao lado do governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), que concorrerá à reeleição e pode enfrentar Zeca do PT. Em Três Lagoas, o presidente citou os casos de Mato Grosso do Sul, de Santa Catarina, de Pernambuco e do Rio Grande do Sul como exemplos de locais onde as negociações estão difíceis.
? Se em algum Estado não houver possibilidade de construir uma aliança política, o que vai acontecer é que o presidente da República não participará da campanha naquele Estado ? disse Lula, em referência à campanha eleitoral de Dilma Rousseff (PT).
Se Lula não aparecer no Estado, o maior beneficiado é Fogaça, uma vez que Tarso terá seu cabo eleitoral de luxo neutralizado. Inconformados com a eventual ausência de Lula, dirigentes gaúchos do PT demonstraram irritação com as declarações do presidente e reconheceram possíveis prejuízos a Tarso. À frente do PT estadual, o deputado Raul Pont considerou ?dispensável? a manifestação presidencial:
? O palanque prioritário é o nosso, o do PT. É o partido que sustentou as campanhas e a eleição. É um equívoco. Tarso trabalhou e sustentou sete anos de governo. Lula deveria estar junto conosco.
Disse também que não se pode cobrar um preço impagável do PT:
? Não é porque José Sarney (presidente do Senado) ajudou o governo, que deixaremos de ter candidatura, por exemplo, no Maranhão.
Coordenador da pré-candidatura de Tarso, Luiz Fernando Mainardi defende que Lula apoie abertamente todos os candidatos do PT:
? O presidente não é candidato. Ele vai exercer o direito de militante do PT e não do PMDB. Por que isso? O partido é construção de Lula, e ele é construção do partido.
Rebelião nos Estados não será tolerada este ano. Ontem, o 4º Congresso Nacional do PT deu ao comando do partido poderes totais para fechar as alianças eleitorais que quiser e para intervir em qualquer seção estadual que as contrariar. O objetivo é não criar obstáculos para a construção da coligação de Dilma.
? Esse poder da direção, sendo usado com ponderação e conhecimento da situação local e não sendo usado de maneira arbitrária, mas com sensibilidade das questões políticas locais, é correto, porque dá predominância à questão nacional ? avaliou Tarso no encontro petista.
O ex-ministro voltou a dizer que a disputa com Fogaça não trará prejuízos a sua candidatura. Para ele, o duplo palanque será favorável a Dilma:
? Não sei porque acham que eu perderia votos com o apoio do Fogaça para Dilma. É o reconhecimento da legitimidade do PT. A eleição para a Presidência é mais importante”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:11

Lula: Dilma terá dois mandatos

O presidente Lula disse em entrevista exclusiva ao ‘Estadão’ que não escolheu Dilma Rouseff como candidata à Presidente, pensando já em voltar ao poder em  2014:?Ninguém aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher uma pessoa para ser vaca de presépio.Todo político que tentou eleger alguém manipulado quebrou a cara.? Na entrevista aos repórteres Vera Rosa, Tânia Monteiro, Rui Nogueira, João Bosco Rabello e Ricardo Gandour, Lula disse que uma eventual gestão Dilma, não será mais à esquerda do que o seu governo, mas afirmou que as diretrizes do programa petista podem ser mais ?progressistas?: ?O partido, muitas vezes, defende princípios e coisas que o governo não pode defender?.
Veja a entrevista de Lula:
- Na entrevista ao ‘Estado’, em agosto de 2007, perguntamos se o sr. já pensava em lançar uma mulher como candidata à sua sucessão. Sua resposta foi: “No momento em que eu disser isso, uma flecha estará apontada para esse nome, seja ele qual for.” Naquela época, o sr. já tinha decidido que seria a ministra Dilma? Quando o sr. decidiu?
- Quando aconteceram todos os problemas que levaram o companheiro José Dirceu a sair do governo, eu não tinha dúvida de que a Dilma tinha o perfil para assumir a Casa Civil e ajudar a governar o País. Na Casa Civil ela se transformou na grande coordenadora das políticas do governo. Foi quase uma coisa natural a indicação da Dilma. A dedicação, a capacidade de trabalho e de aprender com facilidade as coisas foram me convencendo que estava nascendo ali mais do que uma simples tecnocrata. Estava nascendo ali uma pessoa com potencial político extraordinário, até porque a vida dela foi uma vida política importante.
- Mas a escolha da ministra só ocorreu porque houve um “vazio” no PT, como disse o ex-ministro Tarso Genro, com os principais candidatos à sua cadeira dizimados pela crise do mensalão, não?
- Não concordo. Não tinha essa coisa de “principais candidatos”. Isso é coisa que alguém inventou.
- José Dirceu, Palocci…
- Na minha cabeça não tinha “principais candidatos”. Estou absolutamente convencido de que ela é hoje a pessoa mais preparada, tanto do ponto de vista de conhecimento do governo quanto da capacidade de gerenciamento do Brasil.
- Naquele momento em que sr. chamou a ministra de “mãe do PAC”, na Favela da Rocinha (Rio), ali não foi apresentada a vontade prévia para fazer de Dilma a candidata?
- Se foi, foi sem querer. Eu iria lançar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), na verdade, antes da eleição (de 2006). Mas fui orientado a não utilizar o PAC em campanha porque a gente não precisaria dele para ganhar as eleições. Olha o otimismo que reinava no governo! E o PAC surgiu também pelo fato de que eu tinha muito medo do segundo mandato.
- Por quê?
- Quem me conhece há mais tempo sabe que eu nunca gostei de um segundo mandato. Eu sempre achei que o segundo mandato poderia ser um desastre. Então, eu ficava pensando: se no segundo mandato o presidente não tiver vontade, não tiver disposição, garra e ficar naquela mesmice que foi no primeiro mandato, vai ser uma coisa tão desagradável que é melhor que não tenha.
- O sr. está enfrentando isso?
- Não porque temos coisas para fazer ainda, de forma excepcional, e acho que o PAC foi a grande obra motivadora do segundo mandato.
- O sr. não está desrespeitando a Lei Eleitoral, antecipando a campanha?
- Não há nenhum desrespeito à Lei Eleitoral. Agora, o que as pessoas não podem é proibir que um presidente da República inaugure as obras que fez. Ora, qual é o papel da oposição? É criticar as coisas que nós não fizemos. Qual é o nosso papel? Mostrar coisas que nós fizemos e inaugurar.
- Mas quem partilha dessa tese diz que o sr. praticamente pede votos para Dilma nas inaugurações…
- Eu dizer que vou fazer meu sucessor é o mínimo que espero de mim. A grande obra de um governo é ele fazer seu sucessor. Não faz seu sucessor quem está pensando em voltar quatro anos depois. Aí prefere que ganhe o adversário, o que não é o meu caso.
- Há quem diga que o sr. só escolheu a ministra Dilma, cristã nova no PT, com apenas nove anos de filiação ao partido, porque, se eleita, ela será fiel a seu criador. Isso deixaria a porta aberta para o sr. voltar em 2014. O sr. planeja concorrer novamente?
- Olha, somente quem não conhece o comportamento das mulheres e somente quem não conhece a Dilma pode falar uma heresia dessas. Ninguém aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher uma pessoa para ser vaca de presépio. Não faz parte da minha vida nem no PT nem na CUT. Eu já tive a graça de Deus de governar este país oito anos. Minha tese é a seguinte: rei morto, rei posto. A Dilma tem de criar o estilo dela, a cara dela e fazer as coisas dela. E a mim cabe, como torcedor da arquibancada, ficar batendo palmas para os acertos dela. E torcendo para que dê certo e faça o melhor. Não existe essa hipótese .
- O sr. não pensa mesmo em voltar à Presidência?
- Não penso. Quem foi eleito presidente tem o direito legítimo de ser candidato à reeleição. Ponto pacífico. Essa é a prioridade número 1.
- O sr. não vai defender a mudança dessa regra, de fim da reeleição com mandato de cinco anos?
- Não vou porque quando quis defender ninguém quis. Eu fui defensor da ideia de cinco anos sem reeleição. Hoje, com a minha experiência de presidente, eu queria dizer uma coisa para vocês: ninguém, nenhum presidente da República, num mandato de quatro anos, concluirá uma única obra estruturante no País.
- Então o sr. mudou de ideia…
- Mudei de ideia. Veja quanto tempo os tucanos estão governando São Paulo e o Rio Tietê continua do mesmo jeito. É draga dali, tira terra, põe terra. Eu lembro do entusiasmo do Jornal da Tarde quando, em 1982, o banco japonês ofereceu US$ 500 milhões para resolver aquilo. A verdade é que, para desgraça do povo de São Paulo, as enchentes continuam. Eu não culpo o Serra, não culpo o Kassab e nenhum governante. Eu acho que a chuva é demais. No meu apartamento, em São Bernardo, está caindo mais água dentro do que fora. Choveu tanto que vazou. Há dias o meu filho me ligou, às duas horas da manhã, e disse: “Pai, estou com dois baldes de água cheios.” Eu fui a São Paulo no dia do aniversário da cidade e disse que o governo federal está disposto a sentar com o governo do Estado, com o prefeito, e discutir uma saída para ver se consegue resolver o problema, que é gravíssimo. Não queremos ficar dizendo: “Ah, é meu adversário, deu enchente, que ótimo”. Quem está falando isso para vocês viveu muitas enchentes dentro de casa.
- Pelas diretrizes do programa do PT, um eventual governo Dilma Rousseff parece que será mais à esquerda que o seu…
- Eu ainda não vi o programa, eu sei que tem discussão. Mas conheço bem a Dilma e, como acho que ela deve imprimir o ritmo dela, se ela tomar uma decisão mais à esquerda do que eu, eu tenho que encarar com normalidade. E, se tomar uma posição mais à direita do que eu, tenho que encarar com normalidade. Tenho total confiança na Dilma, de que ela saberá fazer as coisas corretas para este país. Uma mulher que passou a vida que a Dilma passou – e é sem ranço, sem mágoa, sem preconceito – venceu o pior obstáculo.
- A experiência de poder distanciou o sr. do pensamento mais utópico do PT, não?
- Veja, o PT que chegou ao poder comigo, em 2002, não era mais o PT de 1980, de 1982.
- Não era porque houve a Carta ao Povo Brasileiro…
- Não é verdade. Num Congresso do PT aparecem 20 teses. Tem gosto para todo mundo. É que nem uma feira de produtos ideológicos. As pessoas compram o que querem e vendem o que querem. O PT, quando chegou à Presidência, tinha aprendido com dezenas de prefeituras, já tínhamos as experiências do governo do Acre, do Rio Grande do Sul, de Mato Grosso do Sul… O PT que chegou ao governo foi o PT maduro. De vez em quando, acho que foi obra de Deus não permitir que eu ganhasse em 1989. Se eu chego em 1989 com a cabeça do jeito que eu pensava, ou eu tinha feito uma revolução no País ou tinha caído no dia seguinte. Acho que Deus disse assim: “Olha, baixinho, você vai perder várias eleições, mas, quando chegar, vai chegar sabendo o que é tango, samba, bolero.” O PCI italiano passou três décadas sendo o maior partido comunista do mundo ocidental, mas não passava de 30%. Eu não tinha vocação para isso. E onde eu fui encontrar (a solução)? Na Carta ao Povo Brasileiro e no Zé Alencar. Essa mistura de um sindicalista com um grande empresário e um documento que fosse factível e compreensível pela esquerda e pela direita, pelos ricos e pelos pobres, é que garantiu a minha chegada à Presidência.
- Mesmo assim, o sr. teve de funcionar como fator moderador do seu governo em relação ao partido…
- E vou continuar sendo. Eu não morri.
- Mas a Dilma poderá fazer isso?
- Ah, muito. Hipoteticamente, vocês acham que o PSTU ganhará eleição com o discurso dele? Vamos supor que ganhe, acham que governa? Não governa.
- As diretrizes do PT, que pregam o fortalecimento do Estado na economia, não atrapalham?
- Quero crer que a sabedoria do PT é tão grande que o partido não vai jogar fora a experiência acumulada de ter um governo aprovado por 72% na opinião pública depois de sete anos no poder. Isso é riqueza que nem o mais nervoso trotskista seria capaz de perder.
- Os críticos do programa do PT dizem que o Estado precisa ter limites como empreendedor. Por que mais Estado na economia?
- Vou fazer uma brincadeira: o único Estado forte que eu quero é o Estadão (risos). Não existe hipótese, na minha cabeça, de você ter um governo que vire um governo gerenciador. O governo tem dois papéis e a crise reforçou a descoberta deste papel. O governo tem, de um lado, de ser o regulador e o fiscalizador; do outro lado, tem de ser o indutor, o provocador do investimento, que discute com o empresário e pergunta por que ele não investe em tal setor.
- Por que é preciso ressuscitar empresas estatais para fazer programas como a universalização da banda larga? O governo toca o Luz Para Todos com uma política pública que contrata serviços junto às distribuidoras e não ressuscita a Eletrobrás.
- Mas nós estamos ressuscitando a Eletrobrás. O Luz Para Todos só deu certo porque o Estado assumiu. As empresas privadas executam sob a supervisão do governo, que é quem paga.
- Não pode fazer a mesma coisa com a banda larga?
- Pode. Não temos nenhum problema com a empresa privada que cumpre as metas. Mas tem empresa privada que faz menos do que deveria. Então, eu quero, sim, criar uma megaempresa de energia no País. Quero empresa que seja multinacional, que tenha capacidade de assumir empréstimos lá fora, de fazer obras lá fora e fazer aqui dentro. Se a gente não tiver uma empresa que tenha cacife de dizer “se vocês não forem, eu vou”, a gente fica refém das manipulações das poucas empresas que querem disputar o mercado. Então, nós queremos uma Eletrobrás forte, para construir parceria com outras empresas. Não queremos ser donos de nada.
- A banda larga precisa de uma Telebrás?
- Se as empresas privadas que estão no mercado puderem oferecer banda larga de qualidade nos lugares mais longínquos, a preço acessível, por que não?
- Mas precisa de uma Telebrás?
- Depende. O governo só vai conseguir fazer uma proposta para a sociedade se tiver um instrumento. Não quero uma nova Telebrás com 3 ou 4 mil funcionários. Quero uma empresa enxuta, que possa propor projetos para o governo. Nosso programa está quase fechado, mais uns 15 dias e posso dizer que tenho um programa de banda larga. Vou chamar todos e q-uero saber quem vai colocar a última milha ao preço mais baixo. Quem fizer, ganha; quem não fizer, tá fora. Para isso o Estado tem de ter capacidade de barganhar.
- O sr. teme que o PSDB venha na campanha com o discurso de gastança, de inchaço da máquina, que o seu governo contratou 100 mil novos servidores?
- Vou dar um número, pode anotar aí: cargos comissionados no governo federal, para uma população de 191 milhões de habitantes. Por cada 100 mil habitantes, o governo tem 11 cargos comissionados. O governo de São Paulo tem 31 e a Prefeitura de São Paulo tem 45.
- Deixar o governo de Minas para o PMDB de Hélio Costa facilita a vida de Dilma junto à base aliada?
- A aliança com o PMDB de Minas independe da candidatura ao governo de Estado. O Hélio Costa tem me dito publicamente que a candidatura dele não é problema. Ele propõe o óbvio, que se faça no momento certo um estudo e veja quem tem mais condições e se apoie esse candidato. Acho que os companheiros de Minas, tanto o Patrus Ananias quanto o Fernando Pimentel se meteram em uma enrascada. Estava tudo indo muito bem até que eles transformaram a disputa entre eles em uma fissura muito ruim para o PT. Como a política é a arte do impossível, quem sabe até março eles conseguem resolver o problema deles.
- A desistência da pré-candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) facilitaria a vida de Dilma?
- O Ciro é um companheiro por quem tenho o mais profundo respeito. Eu já gostava do Ciro e aprendi a respeitá-lo. Um político com caráter. E, portanto, eu não farei nada que possa prejudicar o companheiro Ciro Gomes. Eu pretendo conversar com ele, ver se chegamos à conclusão sobre o melhor caminho.
- Ele diz que o “santo Lula” está errado.
- É preciso provar que o santo está errado. É por isso que eu quero discutir.
- O sr. ainda quer que ele seja candidato ao governo de São Paulo?
- Se eu disser agora, a minha conversa ficará prejudicada.
- O senador Mercadante pode ser o plano B?
- Não sei. Alguém terá de ser candidato.
- O Ciro tem dito que a aliança da ministra Dilma com o PMDB é marcada pela frouxidão moral.
- Todo mundo conhece o Ciro por essas coisas. Mas acho que ele não disse nada que impeça uma conversa com o presidente.
- O que se teme no Temer? Ele é o nome para vice?
- O Michel Temer, neste período todo que temos convivido com ele, que ele resolveu ficar na base e foi eleito presidente da Câmara, tem sido um companheiro inestimável. A questão da vice é uma questão a ser tratada entre o PT, a Dilma e o PMDB.
- O sr. não teme que Dilma caia nas pesquisas após sair do governo?
- Ela vai crescer.
- Mas sozinha?
- Ela nunca estará sozinha. Eu estarei espiritualmente ao lado dela (risos).
- Há quem tenha ficado assustado com a foto do sr. abraçando o Collor, depois de tudo o que passou na campanha de 1989.
- O exercício da democracia exige que você faça política em função da realidade que vive. O Collor foi eleito senador pelo voto livre e direto do povo de Alagoas, tanto quanto foi eleito qualquer outro parlamentar. Ele está exercendo uma função institucional e merece da minha parte o mesmo respeito que eu dou ao Pedro Simon, que de vez em quando faz oposição, ao Jarbas Vasconcelos, que faz oposição. Se o Lula for convidado para determinadas coisas, não irá. Mas o presidente tem função institucional. Portanto, cumpre essa função para o bem do País e, até agora, tem dado certo. Fui em uma reunião com a bancada do PT em que eles queriam cassar o Sarney. Eu disse: muito bem, vocês cassam o Sarney e quem vem para o lugar?
- O sr. acha que o eleitor entende?
- O eleitor entende, pode entender mais. Agora, quem governa é que sabe o tamanho do calo que está no seu pé quando quer aprovar uma coisa no Senado.
- O governo depende do Sarney no Senado? O único punido até agora foi o Estado, que está sob censura.
- O Sarney foi um homem de uma postura muito digna em todo esse episódio. Das acusações que vocês (o jornal) fizeram contra o Sarney, nenhuma se sustenta juridicamente e o tempo vai provar. O exercício da democracia não permite que a verdade seja absoluta para um lado e toda negativa para o outro lado. Perguntam: você é contra a censura? Eu nasci na política brigando contra a censura. Exerço um governo em que eu duvido que alguém tenha algum resquício de censura. Mas eu não posso censurar que os Poderes exerçam suas funções. Eu não posso censurar a imprensa por exercer a sua função de publicar as coisas, nem posso censurar um tribunal ou uma Justiça por dar uma decisão contrária. Deve ter instância superior, deve ter um órgão para recorrer.
- O sr. e o PT lideraram o processo de impeachment de Collor e nada, então, se sustentou juridicamente porque o STF absolveu o ex-presidente. O sr. está dizendo que o jornal não deveria publicar as notícias porque não se sustentariam juridicamente? Os jornais publicam fatos…
- Não quero que vocês deixem de publicar nada. Minha crítica é esta: uma coisa é publicar a informação, outra coisa é prejulgar. Muitas vezes as pessoas são prejulgadas. Todos os casos que eu vi do Sarney, de emprego para a neta, daquela coisa, eu ficava lendo e a gente percebia que eram coisas muito frágeis. Você vai tirar um presidente do Senado porque a neta dele ligou para ele pedindo um emprego?
- O caso da neta é o corporativismo, o fisiologismo, os atos secretos…
- O que eu acho é o seguinte: o DEM governou aquela Casa durante 14 anos e a maioria dos atos secretos era deles. E eles esconderam isso para pedir investigação do outro lado. É uma coisa inusitada na política.
- O sr. acha que os fatos do “mensalão do DEM”, no Distrito Federal, são fatos inverídicos também?
- No DEM tem um agravante: tem gravação, chegaram a gravar gente cheirando dinheiro.
- No mensalão do PT tinha uma lista na porta do banco com o registro dos políticos indo pegar a mesada…
- Vamos pegar aquela denúncia contra o companheiro Silas Rondeau, que foi ministro das Minas e Energia. De onde se sustenta aquela reportagem dizendo que tinha dinheiro dentro daquele envelope? Como se pode condenar um cara por uma coisa que não era possível provar?
- O sr. tem dito, em conversas reservadas, que quando terminar o governo, vai passar a limpo a história do mensalão. O que o sr. quer dizer?
- Não é que vou passar a limpo, é que eu acho que tem coisa que tem de investigar. E eu quero investigar. Eu só não vou fazer isso enquanto eu for presidente da República. Mas, quando eu deixar a Presidência, eu quero saber de algumas coisas que eu não sei e que me pareceram muito estranhas ao longo do todo o processo.
- Quem o traiu?
- Quando eu deixar a Presidência, eu posso falar.
- Por que é que o seu governo intercede em favor do governo do Irã?
- Porque eu acho que essa coisa está mal resolvida. E o Irã não é o Iraque e todos nós sabemos que a guerra do Iraque foi uma mentira montada em cima de um país que não tinha as armas químicas que diziam que ele tinha. A gente se esqueceu que o cara que fiscalizava as armas químicas era um brasileiro, o embaixador Maurício Bustani, que foi decapitado a pedido do governo americano, para que não dissesse que não havia armas químicas no Iraque.
- O sr. continua achando que a Venezuela é uma democracia?
- Eu acho que a Venezuela é uma democracia.
- E o seu governo aqui é o quê?
- É uma hiper-democracia. O meu governo é a essência da democracia”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:03

Bernardo: “ninguém governa sozinho”

O ‘Estadão’ publica uma entrevista com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que defende a aliança do PT com o PMDB, sob o argumento de que “ninguém pode governar sozinho”. Ele rechaça comentários do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), para quem a coligação de apoio à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, padece de “frouxidão moral”.
“Bem-humorado, ele poupou Ciro, que não desistiu de disputar o Planalto, mas alfinetou a oposição. “Às vezes, o PSDB e o DEM tendem a achar que o mundo está dividido em duas partes: uma que apanha e outra que bate. Temos de mostrar que eles não vão ter vida fácil nessa campanha”, insistiu”.
- Em 30 anos de trajetória, é a primeira vez que o PT disputa a eleição presidencial sem o nome de Lula na cédula. Por que a ministra Dilma, cristã nova no PT, foi escolhida como herdeira do lulismo sem nunca ter disputado uma eleição?
- A Dilma foi uma ideia do presidente Lula, mas ela conquistou rapidamente a nossa militância. Tanto que não teve qualquer contestação. Ela se revelou uma grande gestora, com capacidade de coordenação.
- O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que Dilma foi escolhida porque havia um vazio de nomes no PT pós-crise do mensalão. O sr. concorda com ele?
- Não. Nós poderíamos ter feito um grande debate no partido e também ter chegado a Dilma. Mas o presidente vislumbrou o nome antes de todos nós.
- A ministra Dilma é mais à esquerda do que o presidente Lula. Isso não pode assustar o mercado? Na oposição, há quem diga que o PT quer a reestatização…
- Reestatização? (risos) Essas interpretações têm malícia e nós não vamos entrar nesse debate. O presidente Lula ouve todo mundo antes de tomar decisão e a Dilma, eleita, vai fazer isso também. Às vezes, o PSDB e o DEM tendem a achar que o mundo está dividido em duas partes: uma que apanha e outra que bate. Temos de mostrar que não vão ter vida fácil nessa campanha.
- Que garantia o PT tem de que não vai virar refém do PMDB em um eventual governo Dilma? Até o deputado Ciro Gomes afirma que a aliança entre o PT e o PMDB padece de “frouxidão moral”…
- Não vamos ficar refém de ninguém. É normal que um partido, quando apoia o governo, faça suas exigências. Nós respeitamos o Ciro, mas ninguém pode achar que vai governar sozinho com esse sistema político que temos. Precisamos ter voto dentro do Congresso. Vamos fazer o quê?
- Reportagem do Estado no domingo mostrou que a gestão Lula chegará ao fim com 100 mil servidores a mais. Isso não é inchaço da máquina pública?
- O número de funcionários aumentou em cerca de 57 mil servidores desde 2003. Criamos até agora 12 novas universidades, 214 escolas técnicas federais e 50% desse efetivo novo é para a área da educação. Inchamos a máquina? Nós colocamos professores, técnicos administrativos, reaparelhamos a Polícia Federal, os institutos de pesquisa… A verdade é que as pessoas querem um Estado que funcione. O funcionamento do Estado no governo Lula é muito melhor do que no governo FHC.
- O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que Dilma não é líder, mas, sim, reflexo de um líder. É mentira?
- Dilma não pode ser considerada líder nacional, ainda. Mas é bom lembrar que, em 1993, o pessoal discutia se Fernando Henrique ia ser candidato a deputado ou o que ele seria. Temos de respeitá-lo porque foi presidente duas vezes. Mas o problema é que ele está lutando contra um moinho de vento. Quer demonstrar que o governo do PSDB beneficiou mais o povão, mas as pessoas não veem assim. Até os tucanos ficam quietos e escondidinhos quando ele fala”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:58

“Dilma: consequencia do PT fragilizado”

Do repórter Valdo Cruz, da ‘Folha’:
“De saída do cargo, o ministro Tarso Genro (Justiça) avalia que o presidente Lula escolheu sozinho Dilma Rousseff candidata porque havia um “vazio” no PT, que estava “fragilizado” pelo mensalão. Não fosse isso, o partido “no mínimo faria uma negociação com o presidente”, que “agiu corretamente”.
Candidato ao governo do Rio Grande do Sul, o petista diz que a eleição de Dilma para suceder Lula não é “garantida”, mas aposta que ela é competitiva. Rival político da mineira radicada no Sul, o ministro diz não ser adversário dela, com quem chegou a cogitar disputar a indicação de Lula -nunca “seriamente”, afirma.
Tarso relativiza a suposta falta de carisma da chefe da Casa Civil ao analisar os adversários: “Veja o Serra. Não diria que ele é propriamente uma miss simpatia. O Ciro tem às vezes respostas bastante duras”. Questionado se há garantia de que o mensalão não se repetirá, o chefe da Polícia Federal responde: “Nenhuma”, e defende a reforma política.
Sobre a mais recente polêmica em que se envolveu, a discussão sobre a Lei da Anistia, ele insiste que ela não se aplica aos torturadores, mas lembra que sua pasta deixou de liderar o debate por ordem de Lula. A seguir, trechos da entrevista feita ontem em Brasília.
A ENTREVISTA
- O sr. comandou duas áreas, Segurança Pública e Educação, que, ao fim do governo, deixam a impressão de que não decolaram. Sai com um sentimento de fracasso?

- Pelo contrário, saio com a sensação de dever cumprido. Posso dar exemplos. Na Educação, a implementação do Fundeb, do ProUni, da ampliação do ensino superior, de um programa revolucionário de escolas técnicas, tudo ancorado no trabalho que eu e o Fernando Haddad planejamos.
- E na Segurança, uma das áreas com pior avaliação?
- Coisa que começou a mudar com essa última pesquisa, nessa semana. Pela primeira vez, as pesquisas mostram que a sensação de segurança começa a melhorar no país.
- O governo demorou a acordar para essa área?
- Em primeiro lugar, a situação da segurança pública é mais complexa num país como o Brasil. Em segundo, as condições preparatórias para que a União começasse a intervir nesse processo foram realizadas de forma muito lenta. Em terceiro porque não havia uma confiança nessas relações federativas, que seriam produtivas.
- Além dessas duas áreas, o sr. atuou também na coordenação política. Nesse setor, o presidente Lula não rompeu com uma prática antiga de distribuição de cargos, classificada de fisiologismo. Por que ele não quebrou esse paradigma?
- Esse paradigma só vai ser quebrado com uma profunda reforma política. Se não a fizermos, o próximo governo vai padecer dessas limitações e essas práticas vão continuar.
- Não faltou vontade política ao presidente para essa reforma?
- Faltou vontade não do presidente, mas do governo. O governo é um sistema complexo de relações de poder.
- O PT, ao contrário do que pregava quando na oposição, adotou uma política de aparelhamento do Estado, como classificado pela oposição. Por que esse modelo?
- Acho uma premissa falsa de origem. Porque um partido que ganha as eleições tem o dever político de ocupar os cargos de confiança para tocar a administração pública. O que existe no Brasil, na verdade, não é uma prática inaugurada pelo PT, mas um excesso de cargos disponíveis para serem designados por nomeação.
- Mas não seria ideal ter uma redução desses cargos em busca de uma máquina mais estável? – Sim, estou de acordo, isso é necessário, mas também essa reforma estrutural do Estado brasileiro só será possível com outro sistema político.
- Qual foi o pior momento do governo Lula?
- Aqueles primeiros dois anos, no chamado mensalão. Um momento muito difícil.
- Como garantir que aquele episódio não volte a ocorrer?
- Nenhuma garantia, esses episódios voltarão a ocorrer. Em maior ou menor grau, essas debilidades irão aparecer em quaisquer governos, porque os problemas que ocorreram ali têm origem nas movimentações políticas tradicionais, fisiológicas ou regionais. Por dentro desse processo ocorrem ou não ilegalidades. Frequentemente ocorrem.
- Inclusive no PT?
- Eu acho que no PT vai diminuir bastante a taxa de tradicionalização da política, em função da experiência pelo próprio mensalão. Acho que o PT aprendeu ali uma dura lição.
- A direção daquele momento está voltando agora ao poder no PT, como o ex-ministro José Dirceu. Isso é bom para o partido?
- Acho normal que isso aconteça, até porque são pessoas com currículo político antigo na formação do partido, na história política do país. É natural que voltem. E não foram julgadas nem condenadas, no Brasil não há morte civil, essas pessoas têm direito de voltar à atividade política, por mais divergências que eu possa ter, o que não me impede de conviver com elas no partido.
- A escolha da ministra Dilma como candidata a presidente, feita exclusivamente por Lula, sem prévias, não foi um retrocesso na linha de democratização do PT?
- Ocorre que o partido estava fragilizado em função daqueles acontecimentos. Tinha de ter alguém que tivesse um mandato subjetivo do partido para isso. E foi isso que o Lula fez, num vazio de vida partidária, apresentou a candidatura da Dilma como de composição, que não permitisse que os grupos políticos passassem a disputar a indicação. Acho que o Lula agiu corretamente porque havia um vazio de capacidade decisória sobre o assunto.
- Mas a escolha de uma candidata sem tradições no partido, a imposição de uma neófita no PT…
- Neófita no partido, mas uma antiga companheira da esquerda.
- Se fosse um outro momento, teria sido diferente?
- Se o partido não tivesse passado por aquela crise, obviamente teria sido um sujeito político muito mais ativo na escolha. No mínimo, faria negociação com o presidente, que não teve condições de fazer.
- Como é ter uma antiga adversária disputando a Presidência pelo seu partido?
- Nunca olhei a Dilma como adversária. Ela foi do PDT no Rio Grande do Sul e a conheço há 30 anos. Fomos até vizinhos, inclusive convivíamos, não cotidianamente, no meio da esquerda durante o regime militar. Sempre tivemos uma relação muito boa.
- O sr. foi cotado para ser o candidato do PT, disputando a indicação com a ministra Dilma. Não ter sido frustra o senhor?
- Nunca seriamente, porque nunca fui maioria dentro do partido. Para ser candidato, teria de ser indicado pelo presidente ou maioria dentro do partido, ou as duas coisas, de preferência. Ser indicado pelo presidente não seria, porque a minha principal oposição política vem de São Paulo, onde é a base do presidente. A indicação do presidente poderia causar um confronto dentro do partido, o que a Dilma não causa.
- A eleição está garantida?
- Não, não é eleição garantida. Dilma é uma candidata altamente competitiva e sua vitória dependerá de dois fatos: a capacidade de transmissão de votos do presidente, e o seu desempenho no diálogo político com a sociedade, no debate com adversários. Acho que esses requisitos serão preenchidos e ela tem grandes possibilidades de ganhar a eleição.
- Ela nunca disputou eleição e é vista como sem jogo de cintura, pouco simpática. Essas características podem prejudicá-la?
- A Dilma já tem demonstrado uma capacidade enorme de reorganizar seu diálogo político não só dentro do PT, mas também com a sociedade. Todos os candidatos têm dificuldades. Veja o candidato Serra, forte e respeitado. Não diria que ele é propriamente uma miss simpatia. O Ciro, sabemos que tem às vezes determinadas respostas bastante duras, que o fazem chocar com o senso comum.
- Os três candidatos são duros, incisivos…
- Não gosto muito dessa expressão, porque pode parecer ofensiva, mas [eles] não despertam imediatamente uma grande empatia em qualquer setor da sociedade, como desperta o presidente Lula.
- A Secretaria de Direitos Humanos propôs uma revisão da Lei da Anistia, e o sr. foi a favor. Por que só agora? Faltou coragem para tratar desse tema antes, pela crise militar que poderia desencadear?
- Na verdade não se trata de revisão. Essa palavra, revisão, foi colocada por pessoas que não querem que a lei seja interpretada de maneira adequada. E cria a ilusão que se quer modificar a lei para atingir militares, o que não é verdade. Porque aqui, no Brasil, as corporações militares, ao contrário da Argentina, não estiveram envolvidas em repressão massiva em qualquer momento do país. Participaram dos combates no Araguaia, mas aquilo é combate militar, não é repressão política nos porões como ocorreu em alguns locais mais fortemente. O que está se tratando é se essa lei anistiou os torturadores. A Lei da Anistia é política, e esses não cometeram delitos políticos.
- O presidente pediu para tirar esse tema da pauta?
- Não, o presidente pediu -e eu obedeci, sou um ministro disciplinado- que não fizesse essa discussão a partir do ministério, mas nas universidades, nas ruas, nas ONGs”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:42

Os golpistas do PSDB

De Élio Gaspari, com o título “Perigo à vista: vivandeiras do tucanato”:
“A expressão “vivandeira” veio do marechal Humberto Castello Branco, há 45 anos, no alvorecer da anarquia militar que baixou sobre o Brasil a treva de 21 anos de ditadura. Referindo-se aos políticos civis que iam aos quartéis para buscar conchavos com a oficialidade, ele disse:
“Eu os identifico a todos. São muitos deles os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias ao Poder Militar”.
Desde o início da controvérsia provocada pelo Programa Nacional de Direitos Humanos, sentia-se o perfume da sedução tucana pelo flerte com a figura abstrata dos militares aborrecidos com a ideia de esclarecer a responsabilidade por crimes praticados durante a ditadura. Uma palavrinha aqui, outra ali, coisa cautelosa para uma corrente política que pretende levar à Presidência da República o governador José Serra, que pagou com 15 anos de exílio o crime de ter presidido a UNE. Serra e os grão-tucanos conhecem um documento de 1973, preparado pela meganha enquanto ele estava preso ou asilado no Chile. A peça vale por uma anotação manuscrita: “Esta é a súmula do que existe sobre o fulano. Como vês, trata-se de “boa gente” que bem merece ser “tratado” pelos chilenos”. A rubrica do autor parece ter três letras. (Ao menos cinco brasileiros foram “tratados” pelos chilenos nas semanas seguintes ao golpe do general Pinochet.) Será que Serra não tem curiosidade de saber quem queria “tratá-lo”?
A vivandagem tucana explicitou-se numa entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao repórter Gary Duffy. No seu melhor estilo, disse a coisa e seu contrário. Referindo-se aos itens do programa de direitos humanos que cuidam do estabelecimento de uma comissão da verdade, o ex-presidente afirmou o seguinte:
“Este não é um assunto político no Brasil, mas uma questão de direitos humanos, o que para mim é importante, mas o perigo é transformar isso em um assunto político”.
Assunto político, o desaparecimento de pessoas jamais deixará de ser. Não há como dizer que seja um tema climático. O ex-presidente foi adiante e viu na iniciativa de investigar os crimes do Estado um fator de “intranquilidade entre as Forças Armadas”.
Pode vir a ser um fator de indisciplina. “Intranquilidade entre as Forças Armadas”, só se fosse uma ameaça às fronteiras nacionais ou às reservas de petróleo do mar territorial. Fernando Henrique Cardoso já sentiu o gosto amargo da vivandagem quando ampliou a Lei da Anistia e reconheceu a prática, pelo Estado, dos crimes da ditadura. Nesse sentido, na busca da verdade e da compensação das vítimas (reais) da ditadura, deve-se mais a ele e a tucanos como José Gregori do que a Lula e a organizadores de eventos como Tarso Genro e Paulo Vannuchi.
Não se reconhece em Fernando Henrique Cardoso do ano eleitoral de 2010 o presidente de 1995 a 2002. Muito menos o militante das causas democráticas, visto pela tigrada como um “marxista violentíssimo”. Felizmente, pode-se garantir que FHC não sentou praça na tropa da ditadura. Infelizmente, podendo mostrar pelo exemplo que há uma diferença entre os tucanos e as vivandeiras, escolheu o cálice do oportunismo”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:16

Cabral e Silveirinha

O ex-governador Anthony Garotinho dá a sua versao, hoje, em seu blog, do episódio Silveirinha, agora que parte do dinheiro será repatriado. Veja o que diz o ex-governador:
“O ministro Tarso Genro anunciou que o governo brasileiro conseguiu a devolução aos cofres públicos, pelo governo da Suíça, de cerca de US$ 30 milhões desviados por fiscais da Receita Estadual e auditores federais. É uma boa oportunidade para que todos conheçam em detalhes algumas particularidades do escândalo que ficou conhecido com Propinoduto.
Em primeiro lugar vale a pena destacar, que quando o assunto veio à tona, em 2003, a então governadora Rosinha Garotinho e eu tomamos a iniciativa de processar administrativamente os envolvidos tirando-lhes as funções públicas, exigimos da Assembléia Legislativa uma CPI e por fim colaboramos com a Justiça Federal para que os responsáveis fossem exemplarmente punidos. Os fiscais foram presos, processados, condenados e agora o dinheiro está sendo devolvido.
Em qual outro desvio de dinheiro público foram tomadas medidas tão severas como estas? E é bom lembrar que apenas um dos envolvidos, Rodrigo Silveirinha ocupou cargo de confiança no meu governo. Os demais praticaram os desvios, ao longo dos governos Brizola, Moreira Franco e Marcello Alencar, conforme ficou demonstrado ao longo do processo.
Mas, parte da imprensa tentava associar todo o tempo, Silveirinha, a mim e a Rosinha. Vamos agora conhecer um pouco da verdade. Silveirinha sempre foi grande amigo do atual governador Sérgio Cabral. Aliás, foram diretores juntos na TURISRIO, nomeados pelo então governador Moreira Franco. Na disputa do 2º turno para o governo do Estado, em 98, o PSDB de Sérgio Cabral, que havia apoiado Luiz Paulo Corrêa da Rocha no 1ºturno, se dividiu e uma parte liderada pelo então deputado estadual Sérgio Cabral declarou apoio à minha candidatura no 2ºturno contra o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia. Quando da composição do governo não tinha a menor idéia de quem se tratava Rodrigo Silveirinha, amigo íntimo de Cabral. Sua amizade com o atual governador era tão grande, que quando estourou o escândalo, a mulher de Silveirinha estava nomeada no cargo mais importante da Presidência da ALERJ, pelo então deputado Sérgio Cabral.
Essa é a verdade. Não tínhamos há época como saber das maracutaias praticadas pelos fiscais porque eles agiam assim: lançavam multas pesadas contra grandes empresas e depois negociavam o recurso no Conselho de Contribuintes dando ganho de causa às empresas multadas. Enquanto isso, o dinheiro acertado para absolver as empresas era depositado na conta dos fiscais no exterior. Isso aconteceu durante muitos anos. E o caso só foi descoberto e a quadrilha desmontada, porque na nossa gestão não compactuamos com algo de podre que vinha acontecendo na fiscalização do estado há muitos anos.
Quando me perguntam pelo Silveirinha eu respondo: ?Perguntem ao Cabral? Eles sempre foram grandes amigos?. O atual governador deu sustentação à sua nomeação, mas tinha tanto carinho pelo Silveirinha, que a sua esposa Silvana ocupava o cargo mais importante em seu gabinete na ALERJ.
Pena, que o ex-deputado federal André Luiz, muito amigo de Silveirinha e Cabral hoje esteja fora de atividade. Porque se ele quisesse prestar um grande bem à sociedade diria quem é na verdade, o verdadeiro dono do dinheiro que estava na conta de Rodrigo Silveirinha, na Suíça. Aviso a Cabral: é só pra começar. Vem aí o escândalo do aluguel do ar condicionado para as escolas do estado. Vocês leram bem? Aluguel. E logo a seguir o esquema da fraude milionária na estocagem dos remédios do estado. Apertem os cintos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:48

Cabral, o fanfarrão

Sergio Cabral é bom mesmo de imprensa.
Hoje na coluna de Ilimar Franco está dito que “na condição de parceiro de primeira hora,  (o PMDB) vai cobrar reciprocidade em alguns estadoschave, como o Rio, onde o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), quer disputar com o governador Sérgio Cabral”.
Pura plantação.
Por que só o Rio?
Por que não Germano Rigotto com Tarso Genro, no Rio Grande do Sul?
Por que não Quércia apoiando Dilma?
Por que não Geddel Vieira Lima ao lado de Jacques Wagner, na Bahia?
Por que não Patrus Ananias e o PT mineiro com Helio Costa?

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