• Sexta-feira, 27 Janeiro 2012 / 16:46

A trinca e o coringa

                                             Eliane Catanhêde*

         O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi salvo na última hora pelo desabamento de prédios no Rio. Não fosse a tragédia, as principais imagens e conversas políticas pelo país afora seriam sobre Kassab levando ovos no dia do aniversário da capital paulista.
Com Kassab virando omelete, o PSDB dividido irrecuperavelmente e Dilma fazendo bonito nas pesquisas, o PT recupera fôlego e sai a galope para a prefeitura, onde joga o seu futuro. Como já dito aqui, se Fernando Haddad -que fez 49 anos- se eleger prefeito da principal capital do país, estará automaticamente na lista de presidenciáveis de 2018.
Quando FHC diz que Aécio Neves é a opção “óbvia” para a Presidência, empurra Aécio para uma arena inglória. Em 2014, será a chance de o PSDB paulista fazer com Aécio o que ele fez com Serra e Alckmin em 2002, 2006 e 2010: jogá-lo aos leões -ou leoas. Dilma não terá mais só a aura de Lula. Tenderá a ter também a sua própria popularidade e, no rastro dela, a união dos governistas.
O jogo que está sendo jogado é, sobretudo, para 2018, com um trio que tem o impulso da renovação natural e se destaca desde já: Aécio pelo PSDB, Haddad pelo PT e Eduardo Campos (PSB) como um pêndulo entre os dois, mas na verdade querendo ele próprio concorrer.
Os três apontam para o futuro da política, mas há diferenças: Aécio é neto de Tancredo, e Campos, de Miguel Arraes. Enquanto eles têm a articulação política no sangue e a liderança nos seus partidos, Haddad tem que comer na mão de Lula, aprender os primeiros passos com Dilma e evitar acidentes “em casa” – no PT.
Kassab circula bem entre PSDB, PSB e PT, como um coringa que pode reforçar a cartada de um dos três. Deve, porém, ajustar sua (ótima) capacidade política e sua (medíocre) popularidade. A questão geracional ajuda a definir o jogo e os jogadores, mas não é o único fator. É apenas uma imposição da política, como da vida.
*Eliane Catanhêde é colunista da ‘Folha’.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:42

Tancredo, há 25 anos

De Élio Gaspari:
“Há um quarto de século, morreu Tancredo Neves. Na noite de 14 de março de 1985, os brasileiros foram dormir esperando assistir às cenas de sua posse na manhã seguinte e acordaram com o último dos generais deixando o palácio pela porta dos fundos enquanto José Sarney vestia a faixa presidencial. Tancredo só chegou a Brasília morto.
Ele foi uma resultante. Somava marqueses da ditadura, cardeais da moderação democrata-cristã, comissários de uma esquerda mais ou menos convicta. Morto Tancredo, a coligação perdeu o nexo e, aos poucos, deslizou para o colapso financeiro da hiperinflação e o desastre político do collorato.
Passados 25 anos, persiste o mito de que Tancredo Neves era um conservador. Com aquele jeito, falando baixo, sempre de terno, só podia ser. Além disso, seu conservadorismo seria um bálsamo capaz de aliviar o passado de Sarney e o futuro de Fernando Henrique Cardoso. Um mito conveniente.
Felizmente, o jornalista Mauro Santayana organizou o livro “Tancredo: O Verbo Republicano”, com os textos dos últimos discursos e entrevistas de Tancredo Neves. Santayana assessorou-o por quase 20 anos. Na tarde de 14 de março de 1985, passou cerca de duas horas com ele, revendo o discurso que faria na manhã seguinte, ao tomar posse. Semanas depois, quando sabia-se que Tancredo não sairia vivo do hospital, Santayana entregou os originais a Risoleta Neves, mulher do presidente eleito.
A primeira metade do discurso de Tancredo contém uma das mais belas páginas da oratória política nacional. Elegante no estilo, profético no conteúdo. Em alguns momentos impressiona pela atualidade, mas, se isso indica a clarividência de Tancredo, ilustra também a mediocridade do debate nos 25 anos que se seguiram. Alguns trechos:
“Temos construído esta nação com êxitos e dificuldades, mas não há dúvida, para quem saiba examinar a história com isenção, de que o nosso progresso político deveu-se mais à força reivindicadora dos homens do povo do que à consciência das elites. (…) A pátria dos pobres está sempre no futuro e, por isso, em seu instinto, eles se colocam à frente da história”.
“A legislação sindical brasileira se encontra envelhecida. (…) A unidade sindical não pode ser estabelecida por lei, mas surgir naturalmente da vontade dos filiados. (…) Os sindicatos não podem submeter-se à tutela do governo nem subordinar-se aos interesses dos partidos políticos”.
“Já vivemos, nas grandes cidades brasileiras, permanente guerra civil (…). É natural que todos reclamem mais segurança nas ruas, e é dever do Estado garantir a vida e os bens dos cidadãos. Essa garantia, sabemos todos, não será oferecida com o aumento do número de polícias, ou com a multiplicação dos presídios. É muito mais fácil entregar ferramentas aos homens do que armá-los, e muito mais proveitoso para a sociedade dar pão e escola às crianças abandonadas, do que, mais tarde, segregar adultos criminosos. A história nos tem mostrado que, invariavelmente, o exacerbado egoísmo das classes dirigentes as tem conduzido ao suicídio total”.
“Temos de ampliar o mercado interno, o único com que podem contar permanentemente os empresários brasileiros. Não se amplia o mercado interno sem que haja mais empregos e mais justa distribuição da renda nacional”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:41

Gabeira ainda procura saída

Da repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’:
“Enquanto o DEM bate o pé, o PV continua a tentar uma alternativa para que o deputado federal Fernando Gabeira (PV) seja o candidato a governo do Estado e dê ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra, o tão desejado palanque no Estado do Rio. O presidente do PV no Rio, vereador Alfredo Sirkis, colocou em seu site uma nova proposta de coligação que tenta evitar a necessidade de aprovação do Tribunal Superior Eleitoral. Segundo o vereador, ” a geometria é simples porque se tratam de duas eleições majoritárias: uma estadual, de governador, e outra federal, na qual o eleitor deve votar para dois poderes, o Legislativo, senador, e o Executivo, para presidente ” . Com isso seriam permitidas as diferentes coligações, na primeira, entre PV, PSDB e PPS e, na segunda, PSDB; DEM e PPS. Para ele, nesta composição, apenas Gabeira perderia tempo de televisão. ” Mas será o ônus que teremos que pagar”.
O deputado federal e presidente do DEM, Rodrigo Maia, nem quer ouvir falar na proposta. Segundo Maia, a nova tentativa está sendo feita para evitar uma possível derrota na Justiça Eleitoral. ” Eles vão perder, é claro ” , afirma o deputado. Para Maia, não há mais negociação possível. O DEM quer uma coligação completa que inclua em todos os horários de TV o ex-prefeito Cesar Maia como candidato da coligação ao Senado. ” Não há como ceder mais.”
Desde a semana passada. Gabeira disse que poderia novamente desistir de se candidatar ao governo do Estado porque seus eleitores não aprovavam a união de seu nome com a do ex-prefeito Cesar Maia, tese defendida por Sirkis desde o início das negociações. Gabeira chegou a dizer que voltaria a se candidatar a deputado federal se não tivesse tempo suficiente de televisão para tentar concorrer com a máquina do atual governador Sérgio Cabral.
Ontem, na inaguração da exposição em comemoração ao centenário de Tancredo Neves; no Museu Histórico Nacional, no Rio, com a presença do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e do candidato José Serra, Rodrigo Maia marcou presença junto a políticos do PSDB. Nem Gabeira nem Sirkis compareceram. Do PV apenas a vereadora Aspásia Camargo, virtual candidata ao senado pelo partido, caso o nó político não seja desfeito.
Apesar da intransigência, Rodrigo Maia disse que o ex-deputado Márcio Fortes (PSDB) e candidato a vice-governador na chapa é quem está negociando com Gabeira uma solução para o problema. ” O que o Márcio Fortes conseguir, vamos negociar ” , afirmou. Sirkis também afirmou, por telefone, que a decisão está nas mãos de Gabeira e que vai apoiá-lo seja ela qual for.
Caso a coligação saia, a vereadora Aspásia Camargo ainda sonha com a candidatura ao senado. Ela diz que a legislação permite que o partido tenha um candidato avulso. ” A Marina (Marina Silva, candidata à presidência pelo PV) precisa de um candidato ao Senado. Não pode ficar sem ninguém ” , acredita.
No evento no Museu Histórico Nacional, tanto José Serra como Aécio Neves não quiseram falar de política. Em curta entrevista, depois de conhecer a exposição rapidamente, sempre acompanhado do ex-governador mineiro José Serra se limitou a dizer que Tancredo o inspirava muito. Os dois ficaram lado a lado durante toda a visitação, que durou cerca de meia hora”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

Dornelles não tem pressa

O sonho de Dornelles é ocupar o ministério da Defesa. Quem sabe Dilma o atende?

O sonho de Dornelles é ocupar o ministério da Defesa. Quem sabe Dilma o atende?

A competencia do presidente nacional do PP, senador Francisco Dornelles, é de se tirar o chapéu.
Ele é o único presidentem de partido, dos que integram a base do governo, inclusive ocupando um ministério – o das Cidades -  que ainda não declarou apoio explícito a candidatura de Dilma Rousseff.
Por isso, seu nome é citado, vez por outra, pelos tucanos, para ser o vice de José Serra.
Apesar de ser senador pelo Rio, Dornelles é mineiro de Belo Horizonte, mas foi criado em São João del Rey, na casa do tio Tancredo Neves, de quem era sobrinho por parte de mãe. Por parte de pai, Dornelles tem outro paretesco forte na política: sobrinho de Ernesto Dornelles, primo do presidente Getúlio Dornelles Vargas.
O presidente do PP, como vice de Serra, amarraria Aécio Neves ao   candidato do PSDB, menos pelo presidente e mais pelo vice – o tio Francisco.
Sem falar na saia justa que ficaria o governador Sergio Cabral…
E para se somar a tudo isso, Dornelles ainda foi procurado, nesse final de semana, pelo presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que foi pedir o apoio do PP à candidatura de Ciro Gomes. Aqui um parenteses: Ciro e Dornelles residem no mesmo prédio, no Rio de Janeiro.
O presidente do PSB voltou de mãos abanando, depois que o senador Dornelles lhe disse que o partido  estava fechado com Dilma Rousseff em pelo menos 20 Estados.
Se são em pelo menos 20 estados, a conta pode chegar a 21.
Como existem apenas 26, então a maioria dos estados já decidiu.
Mas Dornelles, que dá nó em pingo d’água, prefere esperar um pouco mais para anunciar a posição oficial do partido.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:26

Gabeira critica ida de Dilma a Tancredo

Do repórter Roberto Almeida, do ‘Estadão’:
“Ao lado da presidenciável Marina Silva, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), pré-candidato verde ao governo do Rio, criticou em discurso a visita da petista Dilma Rousseff ao túmulo de Tancredo Neves, na semana passada. “Precisamos retomar as ideias de Tancredo, e não ficar discutindo em torno do túmulo dele a possibilidade de ganhar votos”, disse.
De acordo com Gabeira, a visita de Dilma é resultado de uma visão de “contradição”. E atacou movimentações recentes do governo com relação à política externa, especialmente com o Irã e Cuba.
“Nossa visão de País, de unidade, que se manifesta na política externa, não é a que se abraça com o Irã, não é a que pode virar as costas paras pessoas que estão sofrendo com a ditadura na América Latina. Todos esses erros vem de uma visão segundo a qual a contradição move o mundo.”
Gabeira participa, em São Paulo, da pré-convenção estadual do PV paulista, que lança as pré-candidaturas do ex-presidente do Instituto Ethos Ricardo Young ao Senado e do ex-deputado Fábio Feldmann ao governo do Estado”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:21

PT e mineiros minimizam Dilma

Das repórteres Maria Clara Cabral e Ana Flor, da ‘Folha’:
“O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), afirmou ontem que as expressões “Dilmasia” e “Anastadilma”, usadas pela pré-candidata petista Dilma Rousseff durante visita ao Estado anteontem, não encontram “amparo na realidade” e que o pré-candidato José Serra (PSDB) terá “situação eleitoral favorável” entre os mineiros.
Os dois termos se referem a dobradinhas híbridas no segundo maior colégio eleitoral do país unindo as candidaturas de Dilma à Presidência e de Anastasia ao governo estadual, reeditando o fenômeno do voto “Lulécio”, observado em 2006, que abarcou fatia dos eleitorados de Lula e Aécio.
Ontem, a direção do PT e os pré-candidatos petistas ao governo de Minas minimizaram a declaração de Dilma, afirmando que foi uma brincadeira. Em sua primeira visita “institucional” a Brasília como governador, Anastasia afirmou também que “soou estranha” a visita da ex-ministra ao túmulo de Tancredo Neves, avô de Aécio, pela atitude do PT no colégio eleitoral, em 1985.
“Nós lembramos que, naquela oportunidade, o PT não só não apoiou como até expulsou deputados que votaram no presidente Tancredo”, disse. Da tribuna da Câmara, petistas defenderam Dilma. “Acho estranha essa raiva, espécie de ciúme da oposição. Ela visitou o túmulo do Tancredo a convite da família dele”, disse o deputado José Genoino (PT-SP).
Sobre o mal-estar gerado entre os partidos aliados por causa da expressão “Anastadilma”, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que a petista telefonou para o ex-ministro Hélio Costa (PMDB), pré-candidato ao governo, para dar explicações e que ele entendeu que “tudo não passou de um chiste da [ex-] ministra”. O coordenador da campanha de Dilma foi na mesma linha.
“É blague”, afirmou Fernando Pimentel, que disputa com o ex-ministro Patrus Ananias a chance de concorrer ao governo do Estado pelo PT.
Pimentel, que acompanhou Dilma na entrevista, afirmou que ela não defendeu um apoio direto ao tucano, mas se referiu àqueles que apoiam Anastasia e preferem, em nível nacional, a continuidade do governo Lula -principal bandeira de campanha da ex-chefe da Casa Civil.
Para definir o imbróglio petista em Minas, deve acontecer no dia 25 uma reunião dos delegados do partido no Estado para definir o pré-candidato. Para o presidente do PT-MG, Reginaldo Lopes, o encontro evitará uma “prévia traumática”.
Carta
Sob orientação de Aécio, o PSDB mineiro prepara uma lista de reivindicações a ser entregue ao pré-candidato do partido, José Serra. O documento, denominado “Agenda de Minas”, enumera as obras “estruturantes” no segundo maior colégio eleitoral do país que carecem de recursos da União no quadriênio 2011-14, como investimentos na ampliação do metrô de Belo Horizonte”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:19

Dilma, mais mineira que nunca

Do repórter Cesar Felício, do ‘Valor Econômico’:
“No primeiro ato do que, na prática, já é a campanha presidencial, a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT) testou o que poderá ser um palanque duplo para a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao visitar ontem Ouro Preto e São João Del Rei (MG), onde reverenciou dois ícones mineiros: o mártir da independência Tiradentes e o presidente Tancredo Neves (1910-1985).
Na primeira etapa da viagem, Dilma estava acompanhada pelos dois pré-candidatos do PT ao governo, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do pré-candidato do PMDB, o senador Hélio Costa (MG).
“Sempre temos falado em palanque único, mas ninguém pode impor nada a ninguém. Eu apelo pelo palanque único, mas, se não tiver palanque único, o que fazer?”, afirmou Dilma, ao encerrar uma rápida entrevista coletiva na Câmara dos Vereadores de Ouro Preto, onde chegou com duas horas de atraso.
A ex-ministra, nascida em Belo Horizonte, mas atuando fora de Minas Gerais desde o início da década de 70, procurou fazer uma profissão de fé da mineiridade. Depositou flores na estátua em homenagem a Tiradentes e no túmulo de Tancredo Neves e , contrita, rezou diante da imagem de Cristo ressuscitado, no altar da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, a matriz de Ouro Preto.
“Quem nasce em Minas Gerais, tem Minas dentro de si. A gente sai de Minas, mas Minas não sai dentro da gente. Não é possível que alguém perca a força dessas raízes. Ouro Preto é o berço de uma nação, o berço de um povo, porque aqui se lutou pela primeira vez contra a metrópole. Vou partir desta cidade para uma nova jornada, cheia de desafios”, disse a ex-ministra em seu discurso. Eleitora em Porto Alegre (RS), Dilma mudou de tom desde que foi colocada como pré-candidata. Há alguns anos, em palestra na Federação das Indústrias de Minas Gerais, onde estará na manhã de hoje, a então ministra das Minas e Energia reagiu ao ser chamada de “mineira” por um dos empresários presentes e disse que se considerava gaúcha.
Dilma também escolheu Minas Gerais para iniciar a sua virtual campanha presidencial como uma forma de explorar o que poderá ser um flanco do principal adversário, o ex-governador paulista José Serra (PSDB), nas regiões sul e sudeste. Serra sobrepujou dentro do partido o ex-governador mineiro Aécio Neves, neto de Tancredo , na luta pela candidatura presidencial. Na entrevista coletiva, Dilma procurou caracterizar Serra como um candidato contra Lula e tudo que o presidente construiu durante seu governo, ainda que para isso tenha recorrido a uma sucessão de frases negativas para formular um único conceito: o de que ela é a única sucessora das propostas do atual governo.
“Quem, da oposição, passar por sucessor de Lula não sendo, é um lobo em pele de cordeiro”, disse. Segundo a ex-ministra, “não está certo dizer que todo mundo hoje é igual. Até ontem havia uma oposição clara, que não pode aparecer agora como não sendo oposição. Será estranho uma eleição transformada em um silêncio constrangedor. Nós queremos debater e não é possível fazer uma discussão sobre programas sem que fique claro quais são os outros projetos “, disse.
Na visita a Ouro Preto, Dilma se deparou com reivindicações de cor regional. Do prefeito Ângelo Oswaldo (PMDB), ouviu um pedido para que coloque em sua agenda a revisão da política de distribuição municipal dos royalties da mineração, um tema que foi retirado da proposta de novo Código Mineral elaborada pelo governo federal. “Dilma conhece mineração. Sabe do nosso problema do marco regulatório e da contribuição financeira pela mineração (Cfem). Precisamos de uma política justa. O que vemos hoje nos municípios da região petrolífera é o que queremos para os municípios mineradores”, afirmou Oswaldo, que foi colega de classe de Dilma no curso clássico do Colégio Estadual de Belo Horizonte, no começo dos anos 60.
Ao receber a bênção na Igreja, Dilma ouviu do pároco Marcelo Santiago um pedido de ajuda para recuperar objetos de arte roubados em 1973. Segundo o padre, o inquérito desapareceu na Polícia Federal. “Fazemos um apelo às autoridades para que não se cansem de dar provimento às medidas necessárias”, disse o padre, esquecendo-se que ninguém, na comitiva de Dilma, era mais autoridade federal.
A visita a Minas serviu ainda para Dilma dar um breve mergulho na política municipal. A ex-ministra almoçou com 22 prefeitos da região de Ouro Preto, entre eles dois da base de apoio de Aécio: o de Lamim, do DEM e o de Moeda, do PSDB. No almoço, o prefeito de Ouro Preto, aliado de Hélio Costa na disputa estadual, convidou os três pré-candidatos a discursarem. Segundo seu relato, Patrus procurou desviar do nó eleitoral com um discurso em torno da mineiridade. Pimentel fez uma convocação à base municipal trabalhar por Dilma. Hélio Costa foi o único a apelar pela necessidade de um palanque único no Estado para derrotar o PSDB no Estado e no país”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:17

Nova esperteza de Sergio Cabral

‘O Globo’ de hoje publica quatro fotos de Dilma Rousseff com o ex-governador Anthony Garotinho. Uma na primeira página e outras três na página 3 do jornal.
Se o faz, é porque seus editores acreditam que isso tanto pode prejudicar Dilma, como pode prejudicar Garotinho também.
‘O Globo’ é, hoje, o mais elitista dos jornais cariocas. E como a elite é contra Lula, a edição ajudaria na campanha contra Dilma, pois a coloca ao lado de Garotinho, igualmente rejeitado pela elite.
Isso preserva Sergio Cabral, que poderia passar pela eleição, com o mesmo comportamento que teve em 2006, quando se declarava “radicalmente neutro” entre Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva. 
Para Cabral, o ideal seria manter distância de Dilma e de Serra. Sem se comprometer com nenhum dos dois, quem sabe ele não viesse a se beneficiar com o voto de ambos.
O guru do governador para essas questões é o senador Francisco Dornelles, o político mais competente do país.
Mas Dornelles, sobrinho de Tancredo Neves, sabe muito bem que “esperteza, quando é demais, vira bicho e come o homem”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:16

Aécio: “Dilma é uma incógnita”

o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é entrevistado pelos repórteres Mario Sabino e Fábio Portela, nas páginas amarelas da ‘Veja’:
- A que exatamente a população deu a aprovação de 92%?
- As pessoas sabem o que é bom para elas, sua família, sua cidade, seu estado e seu país. A aprovação vem naturalmente quando elas percebem que a ação do governo está produzindo professores que ensinam, alunos que aprendem, policiais que diminuem o número de crimes e postos de saúde que funcionam. Quando você faz um choque de gestão e entrega bons resultados ano após ano, não há politicagem que atrapalhe a percepção de melhora por parte da população. Quem tem 92% de aprovação está sendo bem avaliado por todo tipo de eleitor, até entre os petistas.
- Os eleitores entendem o conceito de ?choque de gestão??
- Quase todo mundo percebe quando a política está sendo exercida como uma atividade nobre, sem mesquinharias, com transparência e produzindo resultados práticos positivos. A política, em si, é a mais digna das atividades que um cidadão possa exercer. Os gregos diziam que a política é a amizade entre vizinhos. Quando traduzimos para hoje, estamos falando de estados, municípios e da capacidade de construir, a partir de alianças, o bem comum. Vou lutar por reformas que possam tornar a política de novo atraente para as pessoas de bem, que façam dessa atividade, hoje vista com suspeita, um trabalho empenhado na elevação dos padrões materiais, sociais e culturais da maioria. É assim que vamos empurrar os piores para fora do espaço político. Não existe vácuo em política. Se os bons não ocuparem espaço, os ruins o farão.
- A máquina do serviço público é historicamente pouco eficiente. Como o senhor fez para mudar essa realidade?
- Nós estabelecemos metas para todos os servidores, dos professores aos policiais. E 100% deles passaram a receber uma remuneração extra sempre que atingissem as metas acordadas. O governo começou a funcionar como se fosse uma empresa. Os resultados apareceram com uma rapidez impressionante. A mortalidade infantil em Minas caiu mais do que em qualquer outro estado, a desnutrição infantil das regiões mais pobres chegou perto do patamar das regiões mais ricas, todas as cidades do estado agora são ligadas por asfalto, a energia elétrica foi levada a todas as comunidades rurais e mesmo as mais pobres passaram a ter saneamento. Na segurança pública conseguimos avanços notáveis com a efetiva diminuição de todos os tipos de crime.
- O desafio do PT sobre comparação de resultados de governos, então, lhe conviria?
- Gostaria muito de contrapor os resultados obtidos pela implantação da meritocracia com o messianismo daqueles que apenas fazem promessas e propagam a própria bondade. Quando você estabelece instrumentos de controle e consegue medir os resultados das ações de governo, você espanta os pregadores messiânicos. Eles fogem das comparações. Mas para ter resultados é preciso que se viva sob um sistema meritocrático. Isso significa que as pessoas da máquina estatal têm de ser qualificadas, e não simplesmente filiadas ao partido político. O aparelhamento do estado que vemos no governo federal é um mal que precisa ser erradicado.
- Quais são as chances de o senhor ser candidato a vice-presidente da República na chapa de José Serra?
- Serei candidato ao Senado. Eu tenho a convicção de que a melhor forma de ajudar na vitória do candidato do meu partido, o governador José Serra, é fazer nossa campanha em Minas Gerais. Eu respeito, mas divirjo da análise de que a minha presença na chapa garantiria um resultado positivo para o governador Serra. Isso não é verdade. Talvez criasse um fato político efêmero, que duraria alguns dias, mas logo ficaria claro que, no Brasil, não se vota em candidato a vice-presidente.
- Nas últimas eleições, quem venceu em Minas venceu também a eleição presidencial. Acontecerá o mesmo neste ano?
- Espero que sim, e acho que o governador Serra tem todas as condições para vencer em Minas Gerais e no Brasil. Eu vou me esforçar para ajudá-lo, repito, porque tenho um compromisso com o país que está acima de qualquer projeto pessoal. Esse compromisso inclui trabalhar para encerrar o ciclo de governo petista. Lula teve muitas virtudes. A primeira delas, aliás, foi não alterar a política econômica do PSDB. Ele fez bons programas sociais? Claro, é um fato. Mas o desafio agora é fazer o Brasil avançar muito mais, e é isso que nosso presidente fará.
- A ministra Dilma Rousseff, candidata do PT ao Planalto, tem dito que o presidente Lula reinventou o país. Esse é um exemplo de discurso messiânico?
- Sem dúvida. Se um extraterrestre pousasse sua nave no Brasil e ficasse por aqui durante uma semana sem conversar com ninguém, só vendo televisão, ele acharia que o Brasil foi descoberto em 2003 e que tudo o que existe de bom foi feito pelas pessoas que estão no governo atual. Os brasileiros sabem que isso é um discurso vazio. Não teria havido o governo do presidente Lula se não tivesse havido, antes, os governos do presidente Fernando Henrique e do presidente Itamar Franco. Sem o alicerce do Plano Real, nada poderia ter sido construído.
- A ministra Dilma cresceu nas pesquisas e viabilizou-se como candidata competitiva. Isso preocupa o PSDB?
- A ministra Dilma chegou ao piso esperado para um candidato do PT, qualquer que fosse ele. A partir de agora, ela terá de contar com a capacidade do presidente Lula de lhe transferir votos. Mas o confronto olho no olho com o governador Serra vai ser muito difícil para ela.
- Na sua opinião, como será o tom da campanha presidencial?
- Acho que, em primeiro lugar, a candidata Dilma terá de explicar logo como será sua relação com seu próprio partido, o PT, em um eventual governo. O PT tem dificuldades históricas de ter uma posição generosa em favor do Brasil. Quando a prioridade do Brasil era a retomada da democracia, o PT negou-se a estar no Colégio Eleitoral e votar no presidente Tancredo Neves. O PT chegou a expulsar aqueles poucos integrantes que contrariaram o partido. Prevaleceu uma visão política tacanha, e não o objetivo maior que tinha de ser alcançado naquele momento. Se dependesse do partido, talvez Paulo Maluf tivesse sido eleito presidente pelo Colégio Eleitoral. Ao final da Constituinte, o PT recusou-se a assinar a Carta. Quando o presidente Itamar Franco assumiu o governo, em um momento delicado, de instabilidade, e o PT foi convocado a participar do esforço de união nacional, novamente se negou, sob a argumentação de que não faria alianças que não condiziam com a sua história. Se prevalecesse a posição do PT, nós não teríamos a estabilidade econômica, porque o partido votou contra o Plano Real. O presidente Lula, com sua autoridade, impediu que o partido desse outros passos errados quando chegou ao governo. Mas o que esperar de um governo do PT sem o presidente Lula?
- Qual é o seu palpite?
- Eu acho que, pelo fato de a ministra Dilma nunca ter ocupado um cargo eletivo, há uma grande incógnita. Caberá a ela responder, durante a campanha, a essa incógnita. Dar demonstrações de que não haverá retrocessos, de que as conquistas democráticas são definitivas. A ministra precisa dizer de forma muito clara ao Brasil qual será a participação em seu governo desse PT que prega a reestatização, que defende uma política externa meramente ideológica, que faz gestos muitos vigorosos no sentido de coibir a liberdade de expressão. 
- E o PSDB, falará de quê?
- Nosso maior tema será lembrar aos brasileiros que somos a matriz de todos os avanços sociais e econômicos do Brasil contemporâneo. Nós temos legitimidade para dizer que somos parte integrante do que aconteceu de bom no Brasil até agora. Se hoje o país está numa situação melhor, foi porque nós tivemos uma participação decisiva nesse processo. Houve a alternância do poder, que é natural e saudável, mas está na hora de o PSDB voltar ao poder. Está na hora de o país ter um governo capaz de fazer a máquina pública federal funcionar sem aparelhamento. É preciso implantar a meritocracia na administração federal, e o PT simplesmente não quer, não sabe e não pode fazê-lo. Às promessas falsas, ao messianismo, aos insultos pessoais, aos ataques de palanque, vamos contrapor nossos resultados nos estados e a receita de como obtê-los também no nível federal.
- O senhor acha que os brasileiros são ingratos com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?
- Eu acho que hoje não se faz justiça a ele, mas tenho certeza absoluta de que a história reconhecerá seu papel crucial. Como também acho que se fará justiça ao presidente Itamar Franco, que permitiu a Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, fazer e aplicar o Plano Real.
- Se vencer a disputa presidencial, Serra diz que tentará acabar com a reeleição.
- Eu prefiro mandatos de cinco anos, sem reeleição. Defendo isso desde 1989. Mas, hoje, pensar nisso é irreal. A reeleição incrustou-se na realidade política brasileira de maneira muito forte. A prioridade deveria ser uma reforma política que incluísse o voto distrital misto. Isso aproximaria os eleitores dos deputados e ajudaria a depurar o Parlamento.
- O senhor, um político jovem, bem avaliado, duas vezes governador de um grande estado, ainda deve almejar chegar à Presidência, não?
- Eu tenho muita vontade de participar da construção de um projeto novo para o Brasil, em que a nossa referência não seja mais o passado, e sim o futuro. Sem essa dicotomia que coloca em um extremo o PT e no outro o PSDB, e quem ganha é obrigado a fazer todo tipo de aliança para conseguir governar. Assim, paga-se um preço cada vez maior para chegar a sabe-se lá onde. O PT deixou de apresentar um projeto de país e hoje sua agenda se resume apenas a um projeto de poder. Eu gostaria de uma convergência entre os homens de bem, para construir um projeto nacional ousado, que permita queimar etapas e integrar o Brasil em uma velocidade muito maior à comunidade dos países desenvolvidos, de modo que todos os brasileiros se beneficiem desse processo.
- Mas o Brasil já está direcionado nesse rumo, não?
- Está, mas é preciso acelerar a nossa chegada ao nosso destino de grandeza como povo e como nação. Eu fico impaciente com realizações aquém do nosso potencial. O Brasil pode avançar mais rapidamente com um governo que privilegie o mérito, que qualifique a gestão pública, para que ela produza benefícios reais e duradouros para a maioria das pessoas, que valorize o serviço público e cobre dele resultados. Um governo que tenha autoridade e generosidade para fazer acordos. Meu avô Tancredo Neves costumava dizer que há muito mais alegria em chegar a um entendimento do que em derrotar um adversário. Eu vou ser sempre um construtor de pontes. Quanto a chegar à Presidência da República, tenho a convicção de que isso é muito mais destino do que projeto.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:15

Os 50 anos de Brasília

Da jornalista Tereza Cruvinel, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), no ‘Correio Braziliense’:
?Abril, o mais cruel dos meses.? Escrevi algumas colunas valendo-me desse verso de T. S. Eliot para comentar crises políticas recorrentes neste quarto mês do ano. Nele acontecia, até há poucos anos, a fixação do novo salário mínimo, hoje antecipada para primeiro de janeiro, e isso produzia grande conturbação no Congresso. Nele, como ocorreu agora, ministros deixam os cargos para disputar cargos eletivos em anos eleitorais, e isso traz fervura política. Nele, os movimentos sociais, hoje mais pacificados, sempre fizeram marchas e agitações diversas. Em abril, Tiradentes foi enforcado e, no mesmo dia, séculos depois, Tancredo Neves morreu e o Brasil chorou. Mas foi também em abril, no mesmo dia 21, que Juscelino Kubitscheck inaugurou Brasília há 50 anos.
O cinquentenário da capital, já escrevi aqui, deve ser festejado por todo o Brasil, pois a obra tida como impossível cumpriu o objetivo de modernizar o país, interiorizar o desenvolvimento e assegurar plenamente a soberania sobre o território nacional, incorporando definitivamente o Centro-Oeste e a Amazônia. Essa obra, pela ousadia, foi comparada ao desatino do faraó Amenófis IV, ou Akhenaton, que, por motivos político-religiosos, transferiu a capital do império egípcio da resplandecente Tebas para a longínqua Akhetaton, que hoje é ruína. Mas, aqui, nem JK negligenciou o reino, como o faraó, nem a cidade fracassou como projeto. Aos 50, é símbolo da capacidade realizadora dos brasileiros, tanto dos geniais, como Lucio Costa e Niemeyer, como dos anônimos candangos que armaram o concreto ou plantaram o verde.
Mas não foi no comício de Jataí, em 1955, quando Juscelino prometeu num lampejo construir a nova capital no Planalto Central, que tudo começou. Os inconfidentes mineiros, sonhando com independência e República, imaginaram uma capital no interior do país. José Bonifácio de Andrada e Silva, patriarca da independência, também incorporou a ideia. Francisco Adolfo de Varnhagen, historiador, diplomata, um dos mais completos intelectuais que o Brasil já teve, trocou os salões europeus por peregrinação ao sertão goiano, chegando a sugerir que a nova capital ficasse entre as três lagoas: a Formosa, a Feia e a Mestre D`Armas.
Brasília acabou ficando próxima, porém mais ao sul. Proclamada a República, a previsão foi inscrita na Primeira Constituição, a de 1891. Para cumpri-la, foi instituída a Missão Cruls, que percorreu novamente o sertão, identificando o quadrilátero ideal. Nada aconteceu na República Velha e no Estado Novo, mas a ideia foi ressuscitada pela Constituinte de 1946, que determinou a demarcação do local. Nova comissão demarcadora foi nomeada em 1953, optando pelo chamado ?sítio castanho?, entre outros quatro aventados. JK e seus pares só puderam construir a cidade no prazo recorde de três anos porque encontraram a previsão inscrita na Constituição e o local já demarcado.
Mas Brasília só foi possível também porque muito antes os bandeirantes cortaram o sertão, plantando vilas e fazendas. Anhanguera já havia passado, fincando bandeiras. Então, aqui havia uma espécie de Idade Média, mas não o vazio absoluto. Todas essas passagens inscrevem Brasília no roteiro da civilização brasileira que estamos construindo. É com essa perspectiva histórica que a TV Brasil homenageia os 50 anos de Brasília, exibindo conteúdos como Os anos JK, de Silvio Tendler, os interprogramas Bem te vi, Brasília, de Tânia Quaresma, A vida é um sopro, confissões de Niemeyer, e a inédita série documental coproduzida com o cineasta Pedro Jorge de Castro, Brasília, um sonho de três séculos. Viva Brasília e o povo brasileiro!” .

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