• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:26

Arruda ameaça sair da cadeia

Da ‘Folha’:
“O Superior Tribunal de Justiça deve julgar hoje o pedido de liberdade do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido). O ex-democrata está preso há dois meses na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, acusado de obstruir as investigações do mensalão do DEM.
Primeiro governador do país detido no exercício do mandato, Arruda já superou a marca do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), que, em 2005, ficou 40 dias preso também por atrapalhar a Justiça.
A decisão de julgar o pedido da defesa para a revogação da prisão preventiva foi do ministro do STJ, Fernando Gonçalves, relator do caso, que se aposenta no dia 20, ao completar 70 anos. Gonçalves vai submeter o pedido à Corte Especial -que reúne os 15 ministros mais antigos.
Para o advogado do ex-governador, Nélio Machado, não há mais justificativas para a manutenção da prisão. “A prisão do jeito que está é ilegal porque ele [Arruda] não tem como atrapalhar as investigações. Agora, não é questão de inocência, é questão de que a prisão é desnecessária”, afirmou.
A nova justificativa apresentada por Machado para pedir a liberdade do ex-democrata é que os depoimentos à Polícia Federal de testemunhas e pessoas envolvidas no suposto esquema de arrecadação e pagamento de propina acabaram na semana passada.
O relatório da Polícia Federal com o resultado dos interrogatórios e a perícia dos vídeos de políticos, assessores e empresários recebendo suposta propina deve ser encaminhado hoje ao STJ e ao Ministério Público. A expectativa é que o delegado Alfredo Junqueira solicite, pela segunda vez, a prorrogação das investigações por mais 30 dias”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:44

Mulher de Arruda: “todos recebem”

Do ‘Globo”:
“Em sua primeira entrevista após a prisão do marido, a mulher do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), Flávia Arruda, disse ontem que as imagens dele recebendo dinheiro do ex-secretário Durval Barbosa, delator do suposto esquema do mensalão, não a espantaram.
Para ela, trata-se de prática comum no meio político.
Não me surpreende em nada, porque sei que todo mundo recebe e que a política no Brasil é assim. As pessoas precisam receber dinheiro para acampanha justificou, depois de visitar Arruda na Superintendência da Polícia Federal (PF).
Para a ex-primeira-dama, o flagrante foi gravado na précampanha de Arruda ao governo, antes de seu casamento. E o dinheiro recebido por ele foi declarado.
Ela o tratou como uma vítima do esquema revelado pela Operação Caixa de Pandora.
O único prejudicado nessa história é ele alegou.
Ontem,o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a visita de um médicoparticular a Arruda. Flávia alegou que ele não concluiu opós-operatório de uma cirurgia ortopédica feita em novembro e sofre deum edema na perna direita. A fisioterapia, que era diária, foiinterrompida, o que estaria contribuindo para a suposta piora.
Chorando, Flávia afirmou que o marido estava sem andar há dois dias e que os médicos aumentaram a dose de antidepressivos.
A PF informou que o governador é examinado duas vezes por dia. Segundo a instituição, ele caminha normalmente.
Queixando-sede dores no pé, obteve autorização para se consultar num hospital deBrasília anteontem, mas o ultrassom não apontou anormalidades”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:18

Arruda procurou ministro do STJ

Eliane Catanhede e Lucas Ferraz, da ‘Folha’, entrevistaram o ministro Fernando Gonçalves, que mandou o governador Arruda para a cadeia.
Eis o seu texto:
“Avesso a jornalistas e agora famoso pela prisão preventiva do governador José Roberto Arruda (DF), o ministro Fernando Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), disse que foi procurado por Arruda pessoalmente e pelo governo de Minas Gerais, por telefone, depois de receber o processo da Operação Caixa de Pandora, que estava em segredo de Justiça. “O processo era sigiloso, não sei como vazou”, disse. “Devia ter mais coisa no ar do que avião”, acrescentou à Folha ontem, citando o chefe da Casa Civil de Minas, Danilo de Castro, como autor do telefonema. Ouvido pela Folha, Castro disse que não se lembrava da ligação. Os advogados de Arruda não foram localizados. Gonçalves, que irá se aposentar em abril, quando completa 70 anos, vota em Brasília, afirma que magistrado não decide por clamor da opinião pública e que a prisão de Arruda não foi fácil: “Fiz a contragosto, não foi por prazer”.
- No despacho para prender Arruda, o sr. afirma que a prisão preventiva era “imprescindível”. Por quê?
- Não fiz da minha cabeça, da minha vontade, foi um pedido do procurador-geral da República. Houve apreensão de dinheiro, confissão de quem levava dinheiro, pessoas ligadas ao governador que teriam feito a negociação. A prisão foi para que não se frustasse a instrução criminal.
- O sr. foi implacável?
- Fiz a contragosto, não por prazer. Apesar de a imprensa gostar da decisão de prender, nunca fui de mandar prender.
- E quanto aos vídeos com políticos e empresários recebendo dinheiro?
- Não vi, só na televisão. Tenho a degravação dos áudios, que são de 2006, e isso é suficiente.
- Em sendo da época da campanha, pode ser caixa dois, prática generalizada no país?
- Não diria que só são de campanha, não, porque presume-se que há coisas posteriores. Mas, para mim há uma única expectativa: no dia 20 de abril eu saio.
- E sai com uma vitória de 12 a 2 no plenário do STJ. Isso foi fator condicionante para a decisão do ministro Marco Aurélio Mello (STF) contra o habeas corpus de soltura de Arruda?
- A dúvida foi se era possível fazer a prisão sem a autorização da Câmara Legislativa [do Distrito Federal]. Quatro ministros foram vencidos, houve a votação do mérito e, depois, o ministro Marco Aurélio esclareceu que um dispositivo da Lei Orgânica foi considerado inconstitucional pelo Supremo. Ou seja: não precisa ouvir a Câmara.
- O que o sr. pensou ao receber o pedido de prisão?
- Estou muito calejado, como esses motoristas que dirigem à noite daqui até Belo Horizonte. Não quero dizer que sou uma pessoa fria, e é lógico que você não vai receber um pedido desses prazerosamente, mas cada um tem que cumprir seu dever. Quando tomo uma decisão, me coloco naquele lugar do vencido, não do vencedor. Preferiria que não tivesse caído para mim. Não gosto de ficar exposto.
- O sr. sofreu pressão dos seus conterrâneos? Arruda e Paulo Octávio são mineiros.
- O Arruda veio aqui e pediu para falar comigo, dizia que havia um processo contra ele. Foi logo no início, antes de toda e qualquer providência. Eu o conheço. Ele veio, ficou sentado aí [apontando o sofá]. O processo era sigiloso, não sei como vazou.
- O que o sr. lhe disse?
- Que tinha sido distribuído para mim, que estava tramitando sigilosamente, que não tinha conhecimento dos fatos e que não poderia adiantar nada. O processo tinha sido distribuído, mas não tinha chegado. Não sei se a operação vazou. Devia ter alguma coisa no ar além de avião.
- O Durval Barbosa, delator do mensalão, disse que Arruda iria falar com Aécio para pedir ao sr. que o recebesse. Aécio falou algo?
- A Socorro [secretária do ministro] disse que o chefe da Casa Civil, Danilo de Castro, havia ligado para mim. Mas isso é muito normal. Sou muito amigo dele e do Aecinho, mas nem falei com ele. Quando ele ligou, Arruda já tinha vindo.
- A prisão preventiva de um governador aproxima o Judiciário da opinião pública?
- Não pensei nisso, só fiz o meu papel. Eu não posso deixar a opinião pública me induzir contra a minha consciência. Não à prisão por clamor popular!”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:04

Arruda a um passo da cadeia

Êta semaninha boa.
Hoje ainda é quinta-feira e todos os dias tivemos boas notícias.
1. O General Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, candidato a uma vaga de ministro do STM,  que havia criticado os gays, enviou uma carta, para a Mesa do Senado, se retratando e pedindo desculpas ao homossexuais.
2. Já o General Maynar Marques de Santa Rosa, diretor-geral de Pessoal do Exército, vestiu o pijama, depois de ter divulgado na internet um texto que chamava de fanáticos os integrantes da Comissão da Verdade.
3. No Rio, o deputado Fernando Gabeira conseguiu finalmente fechar a aliança PV-PSDB-DEM-PPS. isso foi na terça-feira na casa de Marcello Alencar. O presidente de honra do PDT, Carlos Lupi, decidiu apoiar a candidatura de Garotinho ao governo do Rio. Com isso, o candidato do PR ganha mais uns minutos de propaganda na TV. Lupi disse que procurou Garotinho, atendendo a um pedido da ministra Dilma Rousseff. Pena que os leitores de jornais cariocas não saibam, até hoje, nada de Gabeira, nem de Garotinho. No Rio, a imprensa só cuida de Sergio Blindado Cabral.
4. O Presidente Lula ainda não decidiu se vem assistir ao desfile das Escolas de Samba. Se não vier, não precisará dividir, com Cabral, as vaias que estão sendo anunciadas para o Sambódromo. Se Madonna estiver ao lado de Sergio Odorico Cabral, ficará obvio que o público não estará vaiando a cantora.
5. O novo presidente da OAB, Ophir Cavalcante, pediu a prisão preventiva do governador de Brasília, José Roberto Arruda. E o melhor: o ministro do STJ, Fernando Magalhães, relator do inquérito que corre contra o Governador, já decretou a prisão preventina de Arruda. Mas seu relatório precisa ser aprovado pela Corte do STJ que está reunida, nesse momento, examinando a medida.
É bom demais pra ser verdade. A torcida é enorme.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:39

Arruda pode ter prisão decretada

De Élio Gaspari:
“José Roberto Arruda voltou a sorrir, mas ainda não está livre de ser mandado à cadeia. Está no Supremo Tribunal Federal o pedido do procurador-geral para que seja declarado inconstitucional o artigo da Constituição de Brasília que dá poderes à Câmara Legislativa para blindar o governador. Se o STF aceitar o pedido (o que parece provável), Arruda cairá na jurisdição do STJ. No interesse da preservação de provas, o tribunal poderá deferir um pedido de prisão preventiva. Arruda pode parar de sorrir ainda em 2010″.

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