• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:44

Costa Couto no governo do DF

Da repórter Christiane Samarco, do ‘Estadão’:
“Com o governador do Distrito Federal na cadeia, um grupo de sete partidos, apoiados pelo Planalto, corteja um personagem que está situado fora da contaminada política brasiliense para ocupar o Palácio do Buriti. A ideia é acelerar o impeachment de José Roberto Arruda e desencadear na Câmara Legislativa a eleição indireta que escolherá o novo governador. Pelo pacto, deputados distritais teriam suas candidaturas vetadas para facilitar a escolha do ex-ministro e conselheiro do Tribunal de Contas do DF Ronaldo Costa Couto.
Essa é a saída legal e política que está sendo costurada nos bastidores por dirigentes de PSB, PT, PDT, PC do B, PV, PRB e PMDB, com a simpatia de setores do Supremo Tribunal Federal (STF), que também vê “com reservas” a possibilidade de intervenção.
O motor que impulsiona essa negociação é a ameaça permanente de intervenção federal no DF e o nome que está mais forte para assumir comando de Brasília é o de Costa Couto, que já ocupou a cadeira de governador interino em 1985, por um mês. “Para evitarmos a intervenção, teremos de eleger um governador com cara, mãos e coração de interventor”, aconselha o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que já governou o DF e tem resistido às pressões para voltar ao Palácio do Buriti.
Costa Couto ocupa uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas desde 1989. Ele foi ministro do Interior nos dois primeiros anos do governo José Sarney, tempos em que cabia ao presidente da República indicar o governador do DF. Também foram cogitados para ocupar a cadeira do governador afastado, que se encontra preso na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, o ex-ministro do Supremo Sepúlveda Pertence e o ex-deputado Sigmaringa Seixas, que enfrenta resistências a seu nome por ser filiado ao PT.
Dirigentes petistas, socialistas, comunistas e pedetistas já identificaram no presidente da Câmara Distrital, Wilson Lima (PR), o primeiro da linha sucessória, “vontade e disposição” para se manter na cadeira de governador até o fim do mandato. A Lei Orgânica do DF dá brecha para que o interino que chega ao posto no último ano de governo fique até o fim do mandato.
Mas esses partidos preferem se apegar à Constituição, que prevê eleição indireta, tal como já se manifestaram a Procuradoria-Geral do DF e da própria Câmara Legislativa, ao prestarem informações ao STF. “Nossa posição é pelo impeachment, que deve ser concluído logo, e pela convocação de eleições indiretas”, diz o presidente do PSB do DF, Rodrigo Rollemberg”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:53

Galega tá cansada do governo

Dona Marisa Letícia, primeira-dama do país, parece estar cansada do poder.
Mais do governo do que de propriamente de Brasília.
No primeiro mandato, D. Marisa sempre foi figura central de todas as cerimônias oficiais, inclusive no próprio Palácio do Planalto.
Para se ter uma idéia, ela participou até mesmo da foto oficial de Lula com seu ministério.
Sem falar nos que foram nomeados por influencia sua. Tem até ministro do Supremo Tribunal Federal.
Hoje, ela anda sumida.
Basta dar uma leitura rápida nos jornais para perceber isso.
Há pouco, o jornalista Lauro Jardim postou uma nota dizendo que não teve ?médico, nem ministro: quem convenceu Lula a não viajar para Davos foi a primeira-dama Marisa. ?Só ela comanda o imperador?, disse um auxiliar do Presidente”.
No dia do piripaque, Lula participou de um comício ao lado de Dilma e sentenciou:
? De vez em quando, as pessoas falam que a Dilma é braba. E eu vou lhe contar uma coisa. Mulher tem mais é que ser braba mesmo. Quem tem que ficar arreganhando os dentes todas as horas é o homem. A mulher tem que ser séria mesmo.
O registro está no ?Globo? de ontem, em reportagem assinada por Letícia Lins.
Na semana passada, dia 21, Silvio Navarro publicou no Painel, da ?Folha?:
?O presidente Lula discursava anteontem, durante lançamento de uma escola técnica em Araçuaí (MG), quando se desculpou por não citar uma a uma as autoridades presentes no encontro devido à agenda apertada.
-Tenho que ser rápido porque tenho mais dois eventos em Juiz de Fora…
Imediatamente a platéia reagiu decepcionada.
-Vocês sabem que é longe -, emendou.
Como o público continuava contrariado, Lula coçou a cabeça e recorreu à desculpa que, enfim, colou:
-Tenho que ser rápido porque a galega está me esperando em Brasília! E a galega não é mole…?
O controle da galega sobre o Presidente, todos sabem, é coisa antiga.
Mas a prova maior da irritação de D. Marisa com o ti-ti-ti governamental, ela deu no dia do aniversário do marido, quando organizou uma feijoada-supresa, na Granja do Torto, para comemorar os 64 anos do Presidente.
Lauro Jardim, na época, dia 5 de novembro, deu uma nota informando que, ?fora a família Lula da Silva, estavam no máximo uns dez convidados, que ouviram Noca da Portela cantar enquanto rolava a feijoada. Entre os amigos do rei, Jorge Samek, presidente de Itaipu; Sigmaringa Seixas, advogado e ex-deputado petista; os médicos Roberto Kalil, Nana Miúra e Claudia Cozer; Ricardo Kotscho; o vice José Alencar; e mais uns velhos sindicalistas amigos dos tempos de Lula no ABC?.
E sabem quantos ministros? Nenhum.
Dona Marisa quer distância de todos eles.
Depois do episódio de Recife, ela deve estar mais do que convencida que esse pessoal do governo é que faz com que a pressão do Lula suba para 18 por 12.
A propósito. O maior sucesso de Noca da Portela é o samba “É preciso muito amor”.
Aí vai um trecho:
“Pra satisfazer essa mulher eu faço das tripas coração
Pra ela sempre digo sim, pra ela nunca digo não
Porque senão ela chora e diz que vai embora
Ô, diz que vai embora
Porque senão ela chora e diz que vai embora
Ô, diz que vai embora”.

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