• Quarta-feira, 28 Março 2012 / 17:48

A cachoeira de Demóstenes Tôrres

                                                                    Elio Gaspari*

           Demóstenes Torres, ex-líder do DEM no Senado, foi delegado de polícia, promotor e secretário de Segurança de Goiás. Fosse um frade, seria possível dizer que se aproximou do contraventor “Carlinhos Cachoeira” por amor ao próximo. No ano passado, aceitou um fogão e uma geladeira (importados) de presente de casamento. Vá lá que, pela sua etiqueta, “a boa educação recomenda não perguntar o preço nem recusá-los”. Em 2009, Demóstenes recebeu de “Cachoeira” um aparelho Nextel, habilitado nos Estados Unidos, e utilizava-o para conversar com o amigo, sem medo de grampos. Segundo um relatório da Polícia Federal, as chamadas contam-se às centenas. Isso e mais um pedido de R$ 3.000 para quitar uma conta de táxi aéreo. Geladeira e fogão são utensílios domésticos. Rádios com misturador de voz para preservar conversas com um contraventor cujas traficâncias haviam derrubado, em 2004, o subchefe da assessoria parlamentar da Casa Civil da Presidência da República, são outra coisa.
Em 2008 (e não em 2009, como o signatário informou no domingo), o senador foi personagem da denúncia de um grampo onde teriam capturado uma conversa sua com o então presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. A acusação custou o cargo ao diretor da Agência Brasileira de Informações, delegado Paulo Lacerda. Mendes, cuja enteada é hoje funcionária do gabinete do senador, disse na ocasião que o país vivia “um quadro preocupante de crise institucional”.
As investigações da Polícia Federal em torno das atividades de “Carlinhos Cachoeira” haviam começado em 2006. Uma sindicância da Abin e outra da PF não conseguiram chegar à origem do grampo, cujo áudio jamais apareceu. Gilmar Mendes disse, posteriormente, que “se a história não era verdadeira, era extremamente verossímil”.
O futuro do senador Demóstenes está pendurado na distância que separa o verdadeiro do verossímil. O verdadeiro só aparecerá quando ele e a patuleia tiverem acesso a toda a documentação reunida pela Polícia Federal. Nesse sentido, não é saudável que seja submetido à tortura dos vazamentos administrados. (Paulo Lacerda foi detonado por um deles e não se descobriu quem o administrou.) Se o negócio é verossimilhança, o senador está frito.

PATRULHA E CENSURA

Diga qual foi a publicação onde aconteceu isso:
Tendo publicado em seu site uma resenha favorável a um livro, ela foi denunciada pela direção de um partido político e daí resultaram os seguintes acontecimentos:
1) A resenha foi expurgada.
2) O autor do texto foi dispensado.
3) Semanas depois o editor da revista foi demitido.
Isso aconteceu na revista “História”, o livro resenhado foi “A Privataria Tucana”, a denúncia partiu do doutor Sérgio Guerra, presidente do PSDB, o jornalista dispensado foi Celso de Castro Barbosa e o editor demitido foi o historiador Luciano Figueiredo.
Em nove anos de poder, não há registro de que o comissariado petista com suas teorias de intervenção na imprensa tenha conseguido desempenho semelhante.
A revista é editada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, que pouco tem a ver com a administração da veneranda instituição. No episódio, sua suposta amizade ofendeu a ideia de pluralidade essencial às bibliotecas.
*Elio Gaspari é jornalista.

  • Sexta-feira, 20 Janeiro 2012 / 11:09

Miro crê que plebiscito já tem maioria

      O deputado Miro Texeira (PDT-RJ) concedeu uma entrevista a repórter Adriana Vasconcelos, do ‘Globo’,
sobre sua proposta de prebiscito, em 2014, para o que o eleitor decida como deve ser feita a reforma
política:
- O senhor conseguiu um apoio de peso esta semana, do PMDB…
- Depois de ouvir o Henrique Alves (líder do PMDB na Câmara) admitir publicamente que há uma grande desconfiança do eleitorado em relação à proposta de reforma política que tramita no Congresso, resolvi pedir a ele para intermediar novo encontro meu com o Michel Temer. Jantei com ele no Jaburu na terça-feira. Michel disse que apoia a ideia e prometeu conversar com as bancadas do PMDB na Câmara e no Senado. É o começo da discussão.
- E o PT, o senhor acha que vai aceitar a proposta?
- Coincidentemente, depois do jantar com Michel, eu me encontrei com o José Dirceu (deputado cassado e ex-ministro do governo Lula) e o Marco Aurélio Garcia (dirigente petista e assessor de Dilma). Ambos ficaram surpresos ao saber que há resistências dentro do PT e disseram que apoiam o debate sobre o assunto. Minha ideia agora é procurar outros petistas como o (deputado federal Ricardo) Berzoini, para continuar nesse trabalho de reduzir as resistências petistas. Pois a iniciativa não é uma ofensiva contra a proposta de reforma política que vem sendo elaborada pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS).
- Quais as chances reais de aprovação desse projeto de decreto legislativo?
- Com os apoios que venho recebendo publicamente, passamos a ter chance efetiva de aprovação do
projeto e de realização do plebiscito em 2014. Na próxima semana, por exemplo, marquei encontro com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e vou procurar também o PSD. Já conversei com os líderes do PTB e do PR. A partir da reabertura dos trabalhos legislativos, cada um desses partidos deverá fazer consultas junto a suas bancadas. Mas a sensação que tenho é que já temos o apoio da maioria dos parlamentares na Câmara.
- Qual a importância da realização desse plebiscito?
- Há hoje desconfiança natural e justa de parte da população sobre qualquer proposta de reforma política que saia do Legislativo, pois, em várias ocasiões em que isso ocorreu, tiraram poder do povo. As suspeitas são de que os parlamentares só vão aprovar mudanças que os favoreçam. Por isso, o plebiscito daria uma legitimidade maior à nova legislação.
- Com a confirmação do plebiscito, o horário eleitoral gratuito em 2014 seria ampliado para a discussão da reforma?
- Diante de uma causa nobre como esta, não acredito que o povo vá se incomodar em assistir a mais cinco minutos de horário eleitoral à tarde e à noite para que possamos fazer o debate sobre a reforma. Pode-se imaginar até uma fórmula que reduza o tempo dos candidatos e se dê prioridade a esse debate.

  • Quinta-feira, 05 Janeiro 2012 / 11:42

Oposição apoia Fernando Bezerra

     Fernando Bezerra, ministro da Integração Nacional, responsável pelo repasse de 90% das verbas contra enchente para o seu Estado, Pernambuco, é um homem de sorte.
A oposição está toda com ele.
Ou será que o deputado Sergio Guerra, presidente do PSDB, vai reclamar contra as verbas que seu Estado recebeu?
E qual será o comportamento do presidente do PPS, o também pernambucano Roberto Freire?
Já o presidente do DEM, José Agripino, não tem porque ficar falando sozinho. Além disso quem foi brindado  com verbas milionárias foi um estado nordestino – como ele.
                               * * *
Para que não se esqueça.
No governo Lula, o ministro da Integração Nacional chamava-se Geddel Vieira Lima, uma espécie de Eduardo Paes – um político que desancou o presidente e acabou sendo seu aliado.
Na sua administração, o mesmo percentual de verbas contra enchentes foi mandado para a Bahia.

  • Terça-feira, 03 Agosto 2010 / 10:52

Sonhar… não custa nada – 2

   De Sonia Racy, do seu “Direto da Fonte”:
“Sergio Guerra se reuniu domingo à noite com Andrea Matarazzo, José Henrique Reis Lobo, Marcio Fortes, Eduardo Jorge e Cícero Lucena para avaliar o resultado das pesquisas eleitorais. Não chegaram a uma conclusão sobre o que pode ter mudado em dez dias, entre a primeira e a segunda pesquisa do Ibope, impactando Serra negativamente.
A decisão foi focar no segundo turno que se mostra sempre uma nova eleição.
Falaram também sobre arrecadação de recursos. Acreditam que vai melhorar a partir da segunda quinzena de agosto”.

  • Quarta-feira, 14 Julho 2010 / 15:18

Serra, candidato bem trapalhão

Está no Painel, de Renata Lo Prete:
“O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, discutia com lideranças tucanas e de partidos aliados as próximas agendas de José Serra. Um participante opinou:
-Ele tem que dançar mais forró! Fez sucesso lá no Ceará- disse, referindo-se à recente visita de Serra.
Novas sugestões foram surgindo, até que José Thomaz Nonô (DEM-AL), candidato a vice na chapa do governador tucano Teo Vilela, interrompeu:
-Olha, eu só tenho um reparo. Ele tem que parar de procurar palmeirense até em shopping no Nordeste…”
                 * * *
Essa história de Serra, no Nordeste, parece cachorro em caminhão de mudanças. Ele está perdidinho.
E lembra uma outra de Geraldo Alckmin, candidato derrotado à Presidência da República.
Em 2006, Alckmin estava no calçadão da Praia de Copacabana ao lado de Denise Frossard.
Orlando Brito, fotógrafo que trabalhava para a campanha, sugeriu que ele bebesse uma água de coco. Nada mais carioca do que aquele gesto.
Alckmin topou na hora, e Brito teve a certeza que aquela seria a foto do dia.
Como estava ao lado de uma dessas barracas de praia, Alckmin pediu logo a água de coco ao vendedor.
Mas de caixinha…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:53

Lula chama Dornelles para conversa

De Renata Lo Prete, no Painel, da ‘Folha’:
“Diante dos sinais de aproximação entre PSDB e PP, Lula decidiu chamar para uma conversa o presidente do partido, Francisco Dornelles. É com ele, e não com a bancada, que será discutido o eventual apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) – decisão que Executiva da sigla decidiu anteontem adiar para junho.
No entender do Planalto, deputados do PP alimentam a especulação de que Dornelles pode ser vice de José Serra (PSDB) para aumentar o poder de barganha na liberação de verbas. Em entrevista à rádio Gaúcha, o senador manteve o suspense: “Não há política sem histórias. E, quando elas ganham força própria, não adianta confirmar nem desmentir”.
A chance de o PSDB convidar e de Dornelles aceitar, acrescentando cerca de um minuto e meio ao tempo de TV de Serra, é hoje maior do que a campanha de Dilma gostaria de admitir.
Ainda Dornelles à rádio Gaúcha: “O PP do Rio Grande do Sul é a seção mais forte e prestigiada do partido. A Executiva Nacional não tomará nenhuma decisão com a qual não concorde o PP do Rio Grande do Sul”. Que está alinhado com os tucanos”.

                       * * *

De Ilimar Franco, no Panorama Político, de ‘O Globo’:
“O PSDB e o DEM do Rio não querem nem ouvir falar na possibilidade de o presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), ser o vice de José Serra. A objeção já foi levada ao presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Disseram que não aceitam o PP na vice, pois Dornelles apoia o governador Sérgio Cabral (RJ), que é aliado da petista Dilma Rousseff. Um líder da oposição foi taxativo ontem, dizendo que tem quem queira, mas que Dornelles não será o vice”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:50

Sergio Guerra é um babaca!!!

No dia 21 de janeiro, ao final de uma reunião ministerial, o Presidente Lula fez um discurso dizendo que “esse babaca do Sergio Guerra (presidente do PSDB) não sabe o que está falando, quando diz que nada acontece de bom no Brasil. Espero que a eleição não seja de baixo nível, mas pode ser que seja, porque a oposição está sem discurso. E eu sei o que é ser candidato sem discurso”.
A afirmação foi em resposta a duas notas de Guerra, distribuídas no dia anterior, em que ele classificava a ministra Dilma Rousseff de “mentirosa e dissimulada”.
O presidente do PSDB disse que “Dilma Rousseff mente. Mentiu no passado sobre seu currículo e mente hoje sobre seus adversários. Usa a mentira como método. Aposta na desinformação do povo e abusa da boa fé do cidadão. Mente sobre o PAC, mente sobre sua função. Não é gerente de um programa de governo e, sim, de uma embalagem publicitária que amarra no mesmo pacote obras municipais, estaduais, federais e privadas”.
Na outra nota acusava a então chefe da Casa Civil de ser “dissimulada. Dilma Rousseff assegurou à Dra. Ruth Cardoso que não tinha feito um dossiê sobre ela. Mentira! Um mês antes, em jantar com 30 empresários, informara que fazia, sim, um dossiê contra Ruth Cardoso. Durante anos, mentiu sobre seu currículo. Apresentava-se como mestre e doutora pela Unicamp. Nunca foi nem uma coisa nem outra”.
                           * * * 
O fato é que Dilma foi chamada de mentirosa e dissimulada, em nota oficial, para que todos tomassem conhecimento.
Sergio Guerra foi chamado de babaca, pelo Presidente, em uma reunião privada com seus ministros, mas lá estavam 40 pessoas.
Portanto, é mais do que óbvio – e  Lula sabia disso – que essa informação vazaria.
                           * * *

Sergio Guerra preside o maior partido de Oposição, e representa o Estado de Pernambuco, o mesmo em que Lula nasceu. Se a aprovação popular de Lula, no país, supera hoje os 80%,  em Pernambuco ela deve estar próximo aos 100%.
No final do ano, o mandato de Guerra chegará ao fim, mas ele prefere concorrer a uma cadeira de deputado federal, ao invés de tentar a reeleição para o Senado, com a desculpa de que terá de dispensar um tempo maior à campanha de José Serra.
Como ele dizia de Dilma: É tudo “mentira e dissimulação”.
Ele não tem votos para voltar ao Senado.
E não os tem, porque o eleitor pernambucano não pode votar em alguém que Lula considera um ‘babaca’.
              * * *

O discurso de Lula pode ter sido apenas um desabafo. O danado é que o Presidente costuma acertar.
Hoje, o deputado Brizola Neto provou em seu blog -   www.tijolaco.com – que Sergio Guerra é mesmo um babaca.
No site do PSDB, existe uma banner rotativo para um outro site ‘Gente que Mente’, criado pelo tucanato para apontar aquilo que eles consideram mentiras de Lula, de Dilma e de petistas de uma maneira geral.
Essa ferramenta é o primeiro sinal de como será dura, e de baixíssimo nível, a campanha presidencial que se inicia.
Mas por que o senador Sergio Guerra é babaca?
Simples: o partido, que ele preside, é o detentor do registro do ‘Gente que Mente’.
Como explica Brizola Neto:
O “site não é de terceiros. Pertence ao PSDB, à direção nacional do partido, conforme você pode verificar com a página de registro no Comitê Gestor da Internet no Brasil.
O candidato José Serra age fraudulentamente quando elogia o governo Lula e diz que vai fazer uma campanha civilizada e de propostas, enquanto estimula que, sob a responsabilidade direta de seu partido, a guerra suja se espalhe na rede.
Não é um militante pró-serra que faz o site. Não é um parlamentar pró-serra. É o partido, é a instituição”.
               * * *
Sergio Guerra é mesmo muito babaca!

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:44

Alencar melhora, e Lula comemora

De Lauro Jardim, na ‘Veja’:
“Os exames a que José Alencar se submeteu na quinta-feira em São Paulo constataram que o seu tumor regrediu novamente. É a quarta redução em um ano”.
                     * * *
De Jorge Bastos Moreno, no ‘Nhenhenhém’:
“Se alguém tocar nesse assunto com Lula, ele é capaz de repetir o xingamento que fez ao tucano Sérgio Guerra.
Mas a verdade é que o presidente sempre condicionou seu pedido de licença para fazer campanha da minha candidata Dilma à permanência de Zé Alencar na vice.
E, apesar do desmentido veemente, parece que ele vai mesmo sair por uns dias”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:43

Jarbas diz não a José Serra

De Ancelmo Gois, de ‘O Globo’:
“Jarbas Vasconcelos foi ontem se encontrar com José Serra, em São Paulo, para informar que não vai sair candidato ao governo de Pernambuco. Mas prometeu mergulhar na campanha do tucano”.
                         * * *
Sem Jarbas na disputa, a  chance de que Serra tenha zero votos em Pernambuco é enorme.
O senador Sergio Guerra, presidente do PSDB, deverá também desistir da reeleição, com a desculpa de que estará empenhado na eleição do candidato tucano.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:43

Campos atrai oposição em PE

Do repórter Murillo Camarotto, do ‘Valor Econômico’:
“O governo é como a luz: sempre atrai as mariposas”. De autoria desconhecida, o clichê foi a solução encontrada pelo presidente nacional do PPS, Roberto Freire, para avaliar a difícil situação por que passa a oposição em Pernambuco, da qual faz parte. Outra frase feita, esta atribuída ao deputado federal Inocêncio Oliveira (PR-PE), também se mostra pertinente na mesma trama: “Terno branco, sapato de duas cores e oposição só é bonito nos outros”.
Composta por PSDB, DEM, PMDB e PPS, a oposição ao governador Eduardo Campos (PSB) vive hoje uma situação delicada, segundo admitem seus próprios caciques. Além da altíssima popularidade de Lula, grande aliado de Campos, os oposicionistas estão tendo que lidar com uma verdadeira sangria em sua base de sustentação, especialmente nos municípios do interior.
Com os investimentos estaduais chegando às suas cidades, prefeitos do PSDB vêm declarando abertamente que irão apoiar a reeleição de Campos, em detrimento da orientação do partido. O mesmo vinha ocorrendo com prefeitos do DEM que, após serem advertidos, deixaram de se manifestar publicamente, porém não mudaram de opinião quanto ao apoio ao governador.
Líder da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco, a deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB) acusa o governo de trocar obras por apoio político e com isso passar o rolo compressor na Casa. O governo, por sua vez, nega a relação entre os investimentos e as adesões dos prefeitos rivais, mas admite, nos bastidores, que tem mantido conversas com o objetivo de atrair esses apoios.
O prefeito de Carpina, a 56 quilômetros do Recife, Manoel Botafogo (PSDB), conta que foi convidado por Campos para uma conversa no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo pernambucano, em setembro do ano passado. Durante o encontro, o governador teria pedido apoio à sua reeleição, apesar de saber que Botafogo também estará no palanque do pré-candidato tucano à Presidência, José Serra. “Ele pediu apoio para ele e pra mais ninguém”, conta o prefeito.
Apesar da conversa, o prefeito diz que o grande motivo para o apoio declarado é o volume de investimentos do governo estadual no município, que passam dos R$ 6 milhões. Os principais projetos são uma escola técnica e um ginásio poliesportivo, além da pavimentação de ruas. “O governador é um grande parceiro da Prefeitura”, avalia Botafogo.
Na vizinha Lagoa do Carro, a prefeita Judite Botafogo (PSDB) – irmã de Manoel Botafogo – conta história semelhante. Os projetos de abastecimento de água, construção de casas populares e recapeamento do calçadão da cidade foram determinantes para a definição do apoio. A prefeita diz que também foi convidada a visitar o governador, porém o encontro acabou não ocorrendo e a conversa sobre o apoio à reeleição se deu “por telefone mesmo”.
Assim como ocorreu com o irmão, o pedido se limitou à reeleição de Campos. “Colocamos, de imediato, que não poderíamos deixar esse apoio se estender para outras esferas (eleições para deputados, senador e presidente)”, contou a prefeita.
Segundo fontes do governo, pelo menos 20 prefeitos da oposição já se comprometeram a pedir votos para Campos, apesar de apenas 13 terem sido revelados. Entre os dissidentes também há prefeitos do próprio PMDB, partido do provável adversário de Campos nas eleições, o senador Jarbas Vasconcelos. Caso conte mesmo com 20 prefeitos da oposição, Eduardo Campos terá ao seu lado cerca de 146 prefeitos, de um total de 184 em Pernambuco.
Apesar de comemorarem o feito, os palacianos tratam do tema com bastante cautela, receosos em passar a pecha de oportunista à estratégia de atração de apoios.
Os investimentos realizados nos municípios acabam, inevitavelmente, sendo os grandes responsáveis pela atração de apoio, em detrimento de convicções partidárias já pouco consistentes. “O político vive de obra em sua cidade. O partido é importante, mas não resolve”, explica um prefeito do DEM, que prefere não ter seu nome publicado. “É impossível fazer oposição a um governo que fez tanto pelo município”, completa.
Na mesma linha segue o prefeito de Limoeiro, cidade a 80 quilômetros do Recife, Ricardo Teobaldo (PSDB). Após mencionar as obras realizadas na cidade, com destaque para o asfaltamento de ruas, ele não titubeia em dizer que estará no palanque de Campos, apesar de se dizer fiel ao senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB. “Voto com Sérgio em tudo”, disse o prefeito, que também pedirá votos para Serra.
Além dos prefeitos dissidentes, o PSDB de Pernambuco convive também com deputados estaduais na contramão, casos de Carlos Santana e Emanuel Bringel. Advertidos pelo partido, os dois preferiram não falar mais sobre o assunto.
“No caso dos prefeitos, não tem jeito, a gente vai tentar convencê-los a mudar de lado. Mas os deputados, esses sim, ficarão sem legenda para as eleições caso se posicionem contra o partido. Não vamos permitir transgressão”, alertou a líder Terezinha Nunes.
Segundo Sérgio Guerra, uma das esperanças da oposição é de que o lançamento oficial da candidatura de Jarbas, que deve ser definida até o final deste mês, possa representar uma reviravolta no comportamento dos prefeitos dissidentes.
Dos quatro prefeitos tucanos que falaram com o Valor, todos fazem juras de fidelidade a Guerra, que já foi do PSB, partido do governador. No entanto, solicitado a explicar os motivos da debandada dos correligionários, o senador, que mantém boa relação com Campos, foi seco: “Não sou coronel”.
Jarbas Vasconcelos é a única esperança da oposição, que não dispõe de outros nomes de peso dispostos a enfrentar Campos e seu “rolo compressor”. Duas vezes governador e bastante popular na Região Metropolitana do Recife, Jarbas é tido como o único capaz de conter uma vitória folgada do governo, evitando que, além do Palácio, Campos faça também os dois senadores e uma grande bancada na Câmara e na Assembleia.
Maior prejudicado pela debandada, o próprio Jarbas chegou a admitir publicamente o desmonte da oposição no Estado, fazendo, inclusive, mea-culpa sobre a situação. Segundo ele, a atividade no Senado não permitiu um maior cuidado com a rede de apoios em Pernambuco. Apesar disso, seus aliados acreditam que a falta de apoio das prefeituras não fará grande diferença nas urnas. Um desses aliados é Roberto Freire, afastado da política pernambucana já há alguns anos. Ele também se diz confiante em uma virada da oposição e, mais uma vez, parafraseou: “Ninguém ganha eleição de véspera”.

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