• Domingo, 22 Abril 2012 / 13:35

Cabral e Cavendish, dois fanfarrões

    Dos repórteres Wilson Tosta e Alfredo Junqueira, do ‘Estadão’:
    “Jeito de garotão, simpatia de carioca e leve sotaque que denuncia o nascimento em Pernambuco. O empresário Fernando Cavendish mistura comportamento informal nos contatos pessoais com agressividade peculiar nos negócios. O estilo do dono da Delta Construções, brindado com muitas das obras do governo do Rio e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), confunde-se com a ascensão da empresa que, de modesta visibilidade em Pernambuco, em 15 anos galgou posto de destaque no País.
O bom relacionamento com sucessivos governos fluminenses – Anthony Garotinho (1999-2002), Rosinha Garotinho (2003-2006) e Sérgio Cabral Filho (a partir de 2007) – foi importante na trajetória, agora sob investigação da Polícia Federal e da CPI do Cachoeira.
Até os anos 1990, porém, a Delta e Cavendish viveram trajetórias distintas. A empresa foi fundada em Recife, em 1961, por seu pai, Inaldo Soares. O jovem Cavendish vivia no Rio, onde, de 1986 a 1990, estudou engenharia civil nas Faculdades Integradas (hoje Universidade) Veiga de Almeida. Festeiro e boa-pinta, aproveitou a juventude na noite carioca, mas, após formado, assumiu, aos 27 anos, o Conselho de Administração da Delta, em 1.º de dezembro de 1990. Em 1995, transferiu a matriz para o Rio – sempre que pode, demonstra a paixão pelo Estado. “Gosto de praia”, diz o empresário, que esbanja informalidade e sorrisos. Ele completará 49 anos em 17 de junho.
Uma cartada de Cavendish decisiva para turbinar a Delta foi a aproximação, no fim dos anos 1990, de Garotinho, então uma novidade. Em parceria com outra empreiteira, a Oriente Construção Civil, a Delta ganhou a concessão da estrada RJ-116, de Itaboraí a Macuco, no interior. Foi o Edital 001/99 do Departamento de Estradas de Rodagem do governo que começava. A via tem quatro postos de pedágio a preços que atualmente vão de R$ 3,90 a R$ 15,60, dependendo do tamanho do veículo, e é explorada desde então pelas duas empreiteiras.
A aproximação Cavendish-gestão Garotinho logo no início do governo ajudou o dono da Delta na disputa com empreiteiras maiores, que passaram a ver com reservas a impetuosidade do jovem. Por vezes, o empreiteiro fixou preços supostamente abaixo do mercado, irritando concorrentes. Mais adiante, a empresa tocou obras grandes da Prefeitura do Rio sob o comando de Cesar Maia (DEM), adversário de Garotinho. “Os concorrentes reclamavam que a Delta entrava com preços inviáveis. Mas a empresa sempre entregou as obras a tempo e com o preço contratado”, diz Maia.
Durante a gestão de Maia, de 2002 a 2008, o município contratou, em valores não corrigidos, R$ 331.059.602,42 em obras e serviços da Delta. Hoje, porém, Cavendish já não é mais visto, entre as grandes empreiteiras, como forasteiro. E no governo do sucessor de Maia, Eduardo Paes (PMDB), em valores não corrigidos, fechou contratos de R$ 325.534.422,51.
A primeira eleição de Cabral para governador, em 2006, ocorreu com apoio de Garotinho e de sua mulher e sucessora Rosinha. Cabral foi reeleito em 2010, mas rompido com o casal desde 2007. O fato não afetou a posição da Delta, que ganhou no peemedebista um aliado que facilitou seu acesso ao governo federal. A proximidade com o vice-governador (e ex-secretário de Rosinha), Luiz Fernando Pezão, também foi um fator que ajudou a cacifá-la. Com o crescimento do PAC, a empresa expandiu-se nacionalmente. De 2007 até hoje, as obras contratadas com a Delta pelo Estado do Rio somaram R$ 1,49 bilhão. Entre os trabalhos de maior visibilidade, estão a nova pista do Aeroporto de Cabo Frio e a reurbanização do Complexo do Alemão. Sobre a reforma do Maracanã, que a Delta em consórcio com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, a empresa decidiu anteontem que deixará a obra após deixar de fazer dois repasses financeiros ao consórcio – já como consequência das denúncias de envolvimento com Cachoeira.
O lado extrovertido do empresário ficou evidente em 12 de novembro de 2009, em seu casamento com Jordana Kfuri, o segundo de sua vida. A festa foi na casa do empresário em Itaipava, em Petrópolis. Cerca de 700 convidados assistiram a uma celebração nos jardins, com uma passarela protegida por toldos transparentes e iluminada por velas e decorada com castiçais de prata, “gotas” de cristal e rosas brancas.
O casamento, que gerou filhas gêmeas, foi tragicamente encerrado em 17 de junho de 2011, quando Jordana e mais seis pessoas morreram em acidente de helicóptero na Bahia, a caminho da festa de aniversário de Cavendish. Cabral já tinha chegado, mas, como o empresário, não embarcou no aparelho, que estava lotado. A amizade entre o dono da Delta e Cabral começara por intermédio da mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, e Gabriela Carvalho, primeira esposa do empreiteiro.
Aliados de Cabral confirmam que a ligação de ambos é forte. São parecidos: simpáticos, extrovertidos, carismáticos, vaidosos, metidos a galanteadores, bonachões. Mais do que os negócios entre a Delta e o Estado, a relação de amizade se baseia em empatia, descrevem. Um aliado do governador diz que eles se encontram para “beber e falar besteira”. A revelação de que a Delta estaria fazendo negócios com o Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, porém, teria incomodado Cabral.
Outro interlocutor do governador conta que o peemedebista tem se lamentado e dito que Cavendish teria passado dos limites. O mesmo amigo de Cabral, contudo, afirma que a postura pode ser uma tentativa do político de se afastar do empreiteiro “para tentar não se queimar”.
Na quinta-feira, porém, Pezão disse que os contratos com a Delta “obedeceram a todos os editais” e afirmou que a empresa é “agressiva, por isso tem mais contratos”. O governador e o empresário têm casas de veraneio no mesmo condomínio em Mangaratiba, no sul fluminense. Até o acidente de helicóptero no litoral baiano, tornando pública a proximidade dos dois, eles costumavam passar fins de semana juntos com suas famílias. Cavendish, Cabral e suas mulheres já tinham dividido o jatinho Legacy emprestado por Eike Batista para pelo menos mais uma viagem: uma semana em Nassau, capital das Bahamas.
O Ministério Público Estadual investigou a relação do governador com os empresários e considerou não haver irregularidades: o procurador-geral de Justiça do Rio, Claudio Lopes, arquivou o procedimento.
No Rio, as boas relações de Cavendish não se limitam ao governador. Ele também é amigo de deputados federais, como Eduardo Cunha e Washington Reis, ambos do PMDB, e tem bom trânsito no Tribunal de Justiça, do qual recebeu R$ 154 milhões por obras. Além disso, a Delta está presente em construções e serviços”.

  • Domingo, 22 Abril 2012 / 13:33

As dificuldades de Paes

     Eleito em 2008, Eduardo Paes repetia a quem quizesse ouvir:
- Recebi toda a campanha pronta. Sou eternamente grato.
Com o estouro da Delta, Paes terá dificuldade em ter a mesma quantidade de recursos de quatro anos atrás.
E sua batata será a terceira a ser assada.
Logo depois da de Cabral e Pezão.

  • Domingo, 22 Abril 2012 / 13:18

Sergio Kirchner x Cristina Cabral

     Do jornalista Elio Gaspari, na ‘Folha’:
     “Cristina Kirchner assumiu o controle da petrolífera YPF em nome do futuro da Argentina. Pelo menos é o que ela diz.
O governador Sérgio Cabral desapropriou um edifício de 13 andares avaliado em R$ 500 milhões, onde funcionam 14 grandes empresas, nas quais trabalham 4.000 pessoas, para servir de anexo à Assembleia Legislativa e dar conforto a 70 deputados.
Até 2011, 33 deles estavam espetados na Justiça.
Quem sabe, até o fim do mandato, desapropriará sua casa de Mangaratiba para servir de colônia de praia para os deputados”.

  • Segunda-feira, 09 Abril 2012 / 13:18

Cabral abandonou os desabrigados

     Do repórter Luiz Ernesto Magalhães, do ‘Globo’:
     “A nova tragédia que deixou cinco mortos na Região Serrana ocorreu sem que os problemas provocados pelo maior desastre natural da história do Brasil tenham sido solucionados. Um ano e três meses depois da morte de mais de 900 pessoas em sete municípios, as casas populares prometidas para moradores de áreas de risco não foram entregues. Além disso, irregularidades foram descobertas no pagamento do aluguel social. As compras que contam com subsídio do estado seguem em ritmo lento, devido à oferta escassa e ao custo dos imóveis. A ocupação desordenada é tão grande que, segundo levantamento de 2010, apenas em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo pelo menos 42 mil pessoas viviam em áreas de risco – incluindo favelas e bairros de classe média.
Em Nova Friburgo, a Fazenda da Lage, escolhida inicialmente para reassentar três mil famílias, foi descartada porque exigiria investimentos elevados em drenagem, já que fica perto de um córrego. Somente em fevereiro o governo estadual iniciou as obras de terraplenagem de um terreno em Conselheiro Paulino. As primeiras 500 casas de um total de 2.100 deverão ser entregues até o fim de 2012.
Em Teresópolis, o processo de desapropriação de uma outra área só terminou recentemente. O vice-governador Luiz Fernando Pezão admite problemas nos reassentamentos:
- Estamos investindo, mas temos dificuldades para comprar terrenos planos na Serra. Além disso, os proprietários discutem na Justiça o valor das indenizações, o que atrasa muito o processo.
Os paliativos também não beneficiam a todos. Em Nova Friburgo, cinco mil famílias se inscreveram para receber o aluguel social e sair de áreas de risco. No entanto, o benefício de cerca de R$500 é pago a apenas 2.800. Um recadastramento realizado com dois mil beneficiários encontrou irregularidades em 10% dos cadastros.
- Tem gente que voltou para as casas em áreas de risco e usou dinheiro em melhorias. Outros sequer moravam em locais perigosos. Encontramos até um caso de parentes recebiam no lugar de um morto – diz o secretário de Assistência Social de Friburgo, Josué Ebenezer”.

  • Sábado, 07 Abril 2012 / 13:04

Os bem amados

       Do colunista Jorge Bastos Moreno, em seu Nhenhenhém, do ‘Globo’:
“Desde que o Rio foi escolhido sede da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), Cabral e Paes não saem de Roma.
Até o Papa já perguntou aos dois se eles estarão no Brasil na semana do evento.
Mas eles não se tocam.
Já levaram até garrafinhas de pré-sal para o Santo Padre. Daqui a pouco, levam sorvete de macadâmia de Piraí.
Já, já, Garotinho apelida a dupla de Odorico Paraguaçu e Dirceu Borboleta”.

  • Domingo, 25 Março 2012 / 9:13

Cabral, exemplo do ‘painho’

    Do repórter Italo Nogueira, da ‘Folha’:
    “Cabral circula pelo Senado, pelo PMDB e em palanques. Inaugura obras e acompanha momentos cruciais do Rio no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense.
Compromissos do governador Sérgio Cabral (PMDB), 49, se encaixam na agenda do filho, Marco Antônio, 20, que acompanha de perto a gestão do pai e até já o substituiu em campanha eleitoral.
Sob supervisão paternal, ele ascende na política. No último dia 16, ele assumiu a presidência nacional da Juventude do PMDB.
Estudante do 6º período de Direito na PUC, herdou trejeitos e bandeiras do pai. Defende a legalização do aborto, jogo, casamento homossexual e maconha -que diz ter experimentado há dois anos e não usado mais.
A desenvoltura no palanque o levou a ter seu nome sugerido à Câmara dos Deputados em 2014. Marco Antônio admite ser esse seu desejo, mas o pai faz ressalvas.
Por restrições da lei eleitoral, o governador teria que deixar o cargo caso o filho se candidatasse, mas poderia concorrer a presidente, vice-presidente ou ao Senado.
Cabral diz, no entanto, que sua principal preocupação é a de que o filho possa deixar os estudos um pouco de lado.
“Ele foi excelente aluno no Santo Inácio (colégio de elite na zona sul), onde participava do grêmio. Mas vou ficar sempre no pé dele”, disse Cabral. O pai tem suas razões.
Além de estudar e presidir a juventude do PMDB-RJ, Marco Antônio é funcionário na Prefeitura do Rio -tem cargo comissionado com salário de R$ 2.500, em que acompanha a execução de obras. Em 2011, repetiu duas de oito matérias da PUC.
“Seria maluco meu pai se licenciar para eu sair candidato. Sou jovem, posso esperar”, afirma Marco.
Além da invasão do Complexo do Alemão, acompanhou ao lado do pai, em tempo real no Palácio Guanabara, os desdobramentos da greve de bombeiros. Foi ao lado do filho, o segundo dos cinco de dois casamentos, que Cabral viveu a maior crise dos dois mandatos.
Em junho de 2011, Marco Antônio perdeu a namorada, Mariana, em um acidente aéreo de helicóptero no litoral da Bahia. Os dois se conheciam desde os 12 anos.
O acidente revelou a relação do governador com os empresários Fernando Cavendish (dono da empreiteira Delta) e Eike Batista.
Marco Antônio diz que o pai errou ao viajar no jatinho de Eike, o que Cabral reconhece. Mas considera “babacas” as críticas à amizade com Cavendish, cuja empresa tem mais de R$ 1 bilhão em contratos com o governo.
“A amizade antecedia o mandato. O cara é governador e só pode ter amizade com gente pobre?”, diz ele, que namora há cinco meses uma estudante de psicologia.
Em 2010, quando o pai não foi às ruas para a campanha de reeleição, ele acompanhou o vice Luiz Fernando Pezão em agendas para defender o pai. Discursava e liderava militantes no interior.
Em 2009, chegou à presidência regional da Juventude no Rio, substituindo Clarissa Garotinho, 29 -filha do ex-governador Anthony Garotinho, rival de seu pai.
“Ele pediu que eu renunciasse. Mas faltavam três meses para o fim do mandato. Depois fui destituída e ele foi nomeado. Mas é um garoto gente boa”, diz Clarissa, hoje deputada estadual.
Marco a considera “boa deputada”, mas “muito raivosa” na oposição ao pai. E não poupa críticas a Anthony Garotinho: “É corrupto”.
Primo em segundo grau, por parte de mãe, do senador Aécio Neves, Marco repete o pai no elogio tanto a membros do PT como do PSDB.
Aécio, diz, é “referência”. “Foi o primeiro a fazer trabalho de gestão da máquina pública.” E defende o governo na rebelião do PMDB no Congresso. “É crise instaurada por poucos que não querem ver o crescimento do país.”

  • Sexta-feira, 02 Março 2012 / 14:20

Saúde do Rio é a pior do país

    Do repórter André de Souza, do ‘Globo’:
    “A saúde pública no Rio de Janeiro obteve a pior avaliação entre as maiores cidades do país medidas pelo novo indicador de qualidade criado pelo Ministério da Saúde. Numa escala que vai de 0 a 10, o Rio tirou nota 4,33, no Índice de Desempenho do Sistema Único do Saúde (IDSUS), abaixo da média do país, que ficou com 5,47. No estado do Rio, a situação também é preocupante: recebeu nota 4,58, a terceira pior, à frente apenas de Rondônia e Pará. Outras cidades do Rio aparecem na lista de mais baixo desempenho: São Gonçalo (4,18), Niterói (4,24), Nova Iguaçu (4,41) e Duque de Caxias (4,57).
No extremo oposto, Vitória obteve a maior nota entre as principais cidades. O ministério dividiu os municípios em seis grupos de acordo com o porte da cidade e os serviços que presta via SUS. A capital do Espírito Santo foi a campeã do grupo 1, o mesmo em que o Rio ficou em último lugar. Os números foram divulgados ontem pelo Ministério da Saúde, que calculou o IDSUS de todas as cidades e estados do país.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o que mais pesou para a avaliação do Rio foi o baixo acesso à atenção básica. Os dados usados para calcular o índice são de 2008 a 2010. Mas, de acordo com Padilha, houve uma melhora em 2011. Ele diz que, se contados os dados do ano passado, o Rio de Janeiro estaria acima da média nacional. O ministro informou que, em 2008, o acesso à atenção básica só chegava a 3% da população carioca, mas que até o fim de 2012 deverá chegar a 50%.
Padilha também acredita que o alto número de usuários de planos de saúde no Rio também contribuiu para o resultado, uma vez que eles não são excluídos da avaliação. Por exemplo: se houver baixo uso do SUS para exames de mamografia, porque parte das mulheres prefere usar o plano privado, o indicador terá uma nota baixa.
- Outra coisa que pesa muito na cidade do Rio é que a proporção de pessoas que têm acesso à saúde suplementar é muito maior que em outras capitais do Brasil. Como o cálculo do IDSUS é pensando no conjunto da população da cidade, porque o SUS pretende ser universal e, na prática, muita gente que tem plano usa bastante o SUS, você tem que pensar o índice a partir do conjunto da população. Então, o sentimento de não acesso no Rio de Janeiro pode ser menor do que o sentimento de não acesso em outras cidades – avaliou Padilha.
De acordo com o diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS, Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira, não é possível responsabilizar apenas o município pela nota que tirou, uma vez que o SUS é formado pelas várias esferas de governo:
Não estamos fazendo avaliação da gestão estadual ou municipal. É uma avaliação que tem que ser vista e assumida pelas três esferas de governo.
No estado do Rio, a cidade de Piraí, do grupo 3, teve a maior nota: 7,14. A nota mais baixa no estado ficou com Guapimirim: 3,53, a oitava pior do grupo 4 no país”.

  • Quarta-feira, 29 Fevereiro 2012 / 10:00

Rio perde dimensão política

                                                                    Cesar Maia*
          

          O Estado do Rio tem sido, nos últimos anos, a capital da política de clientela do PMDB no Brasil. Não é de hoje, e a Assembleia Legislativa tem sido -nesse sentido- um paradigma. Mas esse nanismo político não havia chegado à capital até 2008. Chegou! Rio, que foi capital do país por 200 anos, onde a disputa política tinha a atenção nacional, agora se condominiza, e o PMDB quer transformar o prefeito da cidade em um síndico.
Quer, mas nem isso consegue, do ponto de vista administrativo. Passou a ser o coordenador de uma grande comissão de licitação. Mas conseguiu que fosse um síndico -e ausente- do ponto de vista político. A ausência do prefeito do PMDB  da capital dos comerciais e do programa nacional do PMDB é retrato disso. Total ausência dos temas de interesse nacional com repercussão regional.
Nestes 3 anos e quase três meses, nunca se viu o prefeito -no Rio, em Brasília, ou em qualquer Estado- tratando de nada. A gratidão ao governador por tê-lo transferido do PSDB e o ter elegido na capital pelo PMDB é bem traduzida num beija mão registrado nos jornais. Não tem nada a dizer sobre reforma política, reforma tributaria, código florestal, nem sobre Rio + 20, onde se imagina um mero mordomo da festa. Nem artigo escreve para jornais ou blogs.
Essa vocação do PMDB, do poder como clientela, afastou o partido do poder nos Estados e Captais do sul e do sudeste. O Estado do Rio e o Rio são exceções à regra. E pelas razões. Os prefeitos do Rio e de SP, que historicamente frequentavam o andar de cima da política nacional, agora apenas o da cidade de SP frequenta.
O Rio-Capital perde, a cada dia mais, centralidade política e centralidade cultural. Os grandes eventos de que se jacta foram conquistados antes do marasmo político atual. A decisão do COI, de 2009, com projeto entregue em 2008, foi simples arrastre do ano anterior. Por sorte antes, pois a perda de dimensão política atual os inviabilizaria.
Esse tema -a dimensão política- está sempre presente no imaginário do carioca, e a frustração presente o colocará no proscênio do debate em 2012, para que o Rio supere essa letargia e mediocridade políticas, e saia do beija mão e volte à altivez de quem representa a cidade brasileira que foi a razão da independência, da identidade e da unidade nacionais.
*Cesar Maia, ex-prefeito do Rio, em seu blog.

  • Terça-feira, 07 Fevereiro 2012 / 8:21

Cabral: PM do Rio condena greve

    Do colunista Luiz Carlos Azedo, do ‘Correio Braziliense’:
    “O governador do Rio, Sérgio Cabral (foto), do PMDB, garantiu ontem que não haverá uma nova greve de policiais militares no estado. Anunciou que o salário inicial da PM será aumentado de cerca de R$ 1.200 para R$ 1.669 e que o movimento a favor da paralisação não tem apoio da maioria da corporação, muito menos da população”.

  • Segunda-feira, 06 Fevereiro 2012 / 14:45

Cesar: “Eleição no Rio terá 2º turno”

       Com vem fazendo todos os domingos, ‘O Dia’ publicou, nesse final de semana, mais uma entrevista com um cacique político do Rio. Esse domingo foi o dia de Cesar Maia que concedeu a entrevista a Rozane Monteiro:
“- O senhor tem dito que é hora de renovação no cenário político do Estado do Rio. O que isso quer dizer?
– A política do Rio de Janeiro, a política do estado todo tem alguns personagens: o (governador Sérgio) Cabral (PMDB), o (deputado federal Anthony) Garotinho (PR), eu (DEM) e, agora, o Lindbergh (Farias, senador do PT). São quatro personagens. Então, se você vai atrás da dinâmica do processo político, você vai atrás desses personagens. Só que, no nosso caso, por exemplo, a gente quer renovar o personagem — nós, do DEM. A busca nossa, não apenas no Rio de Janeiro, é a busca de entender que a nossa geração é uma geração que cumpriu o seu papel. Agora, tem que vir outra geração. Estou com 66 anos. Este ano, vou fazer 67. Em 2014, eu vou ter 70. Então, essas coisas a gente tem que entender. A gente não pode imaginar que a curva política seja uma curva de eternidade. O partido precisa buscar renovação. Para o caso do Brasil, isso é fundamental, que é buscar renovação para construir personagens políticos que serão, este ano ou em outro ano qualquer, os novos personagens da política de cada estado.
- Nesse quadro, o próprio prefeito Eduardo Paes, que parece convencido de que vai ser reeleito…
- Não está mais convencido. Não está mais convencido como estava há cinco meses.
- O senhor acha isso ou o senhor sabe que ele não está mais convencido?
- É o que eu sei. A gente faz as mesmas pesquisas que ele faz. Nós temos no Rio uma eleição que inexoravelmente vai para o segundo turno — é uma tradição do Rio, não tem jeito. O eleitor carioca não joga tudo num nome só. As pesquisas que a gente faz mostram que o Eduardo vai ter que disputar para ir para o segundo turno também. Porque ele comete três erros que, na história política do Rio de Janeiro, têm sido fatais: persegue servidores públicos, humilha os pobres — repressão pela repressão e intimidação —, e privatização da Educação e Saúde, que são os servidores que têm contato direto com a população. Ele vai ter que disputar a eleição para ir para o segundo turno. O Garotinho, em entrevista a O DIA (publicada dia 29 de janeiro), lembrou que, na hora que uma pesquisa do Ibope coloca o nome do (senador do PRB, Marcelo) Crivella, ele (Paes) já vem para 36%. Óbvio. Na hora que coloca o nome do (ex-deputado federal do PV Fernando) Gabeira, o meu, ele já vem pra 25%. E porque tanta gente na prefeitura… Tanta gente no entorno dele… Tanta gente que ele telefona, fala e recebe e que me conhece também… Dessa tanta gente, tem lá, uns 10%, sei lá, que me ligam, me mandam e-mail: “Cesar, estive com Eduardo”, “conversei não sei com quem”, “estão preocupados”…
- O filho do senhor, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a filha de Garotinho, a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR), estão juntos para enfrentar o prefeito Eduardo Paes. Os três fizeram uma reunião na quarta-feira para falar de eleição. Por que o senhor não foi?
- Por que não fui convidado. Só por isso.
- Foi o Rodrigo que marcou, não foi?
- Não faço a menor ideia. Eu sei que o Rodrigo e o Garotinho são deputados federais. Eles sentam no plenário e ali conversam. Um deputado fala uma bobagem, outro fala uma besteira, outro fala uma coisa interessante… “Olha, presta atenção, olha o que está falando ali”. Estão conversando ali. Então, tem um tipo de conversa, de interação entre os dois, na condição de deputado federal, que dá para eles uma interação natural todos os dias ou uma vez por semana, sei lá quanto. Não é meu caso.
- O senhor tem se reunido com Garotinho?
- Nesses últimos anos, estive com Garotinho duas vezes. Uma vez, foi um almoço na casa do Rodrigo, que foi, sei lá, aí por junho ou maio de 2011, com a Clarissa presente, em que se tratou do quadro geral.
- Foi nesse encontro que, como ele já contou, o senhor prometeu apoio em 2014 se ele vier candidato a governador?
- Não foi bem assim, né? Nesse, nem se tratou disso. Esse foi uma análise conjuntural. Teve um outro, que foi um jantar curto, com Rodrigo, Rogério Lisboa, Garotinho e eu. Fiquei 15 minutos na mesa porque tinha um compromisso num hotel em frente — era uma churrascaria, em Brasília. Eu tinha uma reunião. Ele estava com dúvidas sobre Nova Iguaçu. Foram respondidas. “E 2014?” 2014 é 2014. Agora, eu não tenho nenhum tipo de restrição ou dificuldade de amanhã, conforme as circunstâncias, ser seu vice. Falei assim, né? Ou não. Foi só essa frase que foi dita. Depende da dinâmica. Na entrevista do Garotinho a O DIA, ele tem uma preliminar que é muito importante: 2012 definirá 2014. Então, como nós — ele, eu e a torcida do Flamengo — passaremos por 2012? Como Sérgio Cabral passará por 2012? Sérgio Cabral era um forte eleitor em 2008. É um eleitor que os candidatos não vão querer na televisão. Hoje, Sérgio Cabral não agrega aos candidatos, tira voto.
- Ele atrapalha?
- Atrapalha.
- Por quê?
- Porque a gente testa. Só por isso. A gente faz pesquisa e testa. É uma eleição completamente diferente de 2008 e completamente diferente de 2010. Porque em 2010, o (ex-presidente) Lula era um santo, botava o dedo e elegia ou deselegia. Agora, não é assim. Agora, a presidenta é a Dilma, quem tem caneta. Não são mais 27 estados, são 500 cidades grandes. Então, é um quadro completamente diferente, um quadro competitivo. Agora, como é que a gente sai dessa eleição? Pensa bem, se alguém é candidato a governador vai querer como candidato a vice alguém que agregue ou não desagregue. Se eu fosse candidato a vice de alguém em 2010, eu agregaria? Não. Eu desagregaria? Alguma coisa.
- Por quê?
- Porque eu saí da prefeitura impopular. Só por isso. Então, como é que a gente pode fazer uma previsão de 2014, repetindo o que o Garotinho disse, sem passar por 2012? Fundamental. Aí, eu usaria o nome dele, Matheus. Mateus, 6,34: “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã. O dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta para cada dia o seu mal”. Então, o ‘dia’ de 2012 é o ‘dia’ que você tem que viver. Esse ‘dia’ de 2012 é que vai produzir as consequências para 2014. Imagina o que significa o Garotinho, que é uma pessoa muito popular, com muito voto na área popular, com muito voto na área evangélica — teve 170 mil votos para deputado federal na cidade do Rio de Janeiro… Imagina o que significa ele numa campanha dar uma grande agregação de votação ao Rodrigo e Clarissa. Agora, você imagina o contrário. Imagina eu sendo candidato a vereador — que serei, né? —, eu tendo 300 mil votos. Agora, imagina eu tendo 30 mil votos e sendo eleito. Então, como é que a gente vai tratar de combinações antes de saber quem são aqueles que ajudarão ou não candidatos ou ele mesmo em 2014?
- Garotinho seria um candidato competitivo ao governo do estado em 2014 contra o vice-governador Luiz Fernando Pezão?
- O Garotinho é um pré-candidato a governador muito forte. Ele é o fantasma do Pezão. Pezão faria de tudo para que essa nossa coligação fosse rompida porque onde o Pezão tem expectativa de voto o Garotinho é campeão de voto. O Pezão, com aquele estilo campônico dele, na capital não vai ganhar nada. Então ele fica naquela ansiedade porque essa dobradinha PR-DEM em 2012 é uma dobradinha que, fortalecendo o PR, nos fortalecendo, debilita o PMDB. O que o PMDB tem hoje no estado? A expressão do PMDB basicamente é ter o prefeito da capital, que é um PMDB de último momento. Você sabe das diferenças que existem entre os dois, governador e prefeito.
- Por exemplo?
- São reiteradas. Sempre. Reclama: “Está gerando desgaste para mim”… “Não fez o que se comprometeu em UPA”… Não sei das quantas… São coisas que vão acontecendo ali e que são ditas em voz alta. E as pessoas imediatamente, ali, no próprio celularzinho que tem ali… (imita alguém passando torpedo por um celular) “Cesar Maia, sabe o que ouvi agora?” Ou então: “Fulano, sabe o que ouvi aqui agora?” E, aí, vem e repercute para cá.
- O senhor está muito bem informado…
- Não estou muito bem informado porque não sei o quanto de informação existe. Eu estou suficientemente bem informado para que a gente possa planejar a campanha de 2012 de maneira que o nosso vetor seja um vetor liderado pelo Rodrigo e um vetor competitivo. É isso que nós estamos trabalhando. O Rodrigo tem uma linha de crescimento que vai ser relativamente rápida, que vai de 7 a 15 pontos. Depois da campanha, vai fazer a projeção da condição de ir para o segundo turno. Eu tenho tido no Rio de Janeiro 20% dos votos. Aqui, votam 3,5 milhões de eleitores. Eu tenho tido 20% disso como média. Em 2010, eu tive isso.
- O Rodrigo também herda a rejeição ao senhor?
- Claro, mas não herda toda.
- Qual a principal diferença entre o senhor e ele?
- Eu sou um político racionalista, de máquina de calcular. O Rodrigo é um político de articulação. Ele aprendeu a dinâmica da conversa, da audiência, da paciência. Ele tem estilo completamente diferente. Esse estilo permite a ele ter agregações que eu não tenho.
- A Clarissa, por ser bonita e carismática, pode ofuscar o Rodrigo?
- Se isso daí significar agregar, ‘tá bom. A Clarissa é o melhor quadro político da geração dela. Se há algum grande mérito da Rosinha e do Garotinho foi ter criado as condições para ter uma política que os supera. A Clarissa supera tanto a Rosinha quanto o Garotinho, sob qualquer ponto de vista. Eu não vou falar que tem o traquejo do Garotinho numa comunicação em rádio. Claro que não, certo? Mas, do ponto de vista político, eles criaram, educaram, abriram espaço para a filha, que, com seu talento, é hoje o quadro mais importante da geração dela. Mas o que significa ofuscar?
- Brilhar mais.
- Quanto mais ela brilhar, melhor para o Rodrigo. Eu perguntava para ele há um ano se não valeria a pena ter um vice do PR, técnico, sem brilho. E ele defendeu enfaticamente que não, que era fundamental ter um vice — que seria Clarissa Garotinho — que tem o talento dela, que tem a visibilidade dela, que tem a luz dela e que, em governo, será uma figura importante. Não apenas em campanha eleitoral, mas também em governo, pelo talento dela, pelo preparo dela, pela disciplina dela. Então, ele está muito bem acompanhado. O Garotinho tem, como eu, elementos de atrito que ela não tem.
- Que elementos de atrito os senhores têm?
- Essa combinação toda, do ponto de vista eleitoral, pode nos custar alguma coisa na Zona Sul, (nos fazer) perder votos. Vê a votação do Garotinho na Zona Sul e vê na Zona Oeste. Alguma razão existe para isso. Você tem uma taxa de rejeição dele na Zona Sul que não é pequena. E, ao contrário, na Zona Oeste, a taxa entre os evangélicos é uma taxa de aprovação grande, de entusiasmo com ele. Só que, na Zona Sul, o que a gente pode perder no início da campanha migra para o (deputado estadual Marcelo) Freixo (PSOL). Por quê? Porque, se a pessoa está marcando a gente e não o Eduardo, na hora que tiver algum motivo para sair, sai para o Freixo, para o (deputado federal) Otávio Leite (PSDB-RJ), não sai para o Eduardo. O problema nosso é só esse. Então, isso daí não nos preocupa porque a campanha vai corrigir algum tipo de potencial de desgaste na Zona Sul que poderia vir dessa combinação PR-DEM. Vamos ter um tempo de televisão muito bom.
- O senhor e o Garotinho têm um encontro marcado para o dia 27, quando estarão juntos em um ato público da coligação. A cena vai causar algum estranhamento porque os senhores já foram adversários?
- São meses com esse processo entrando. Cesar e Garotinho, “caramba, mas eles eram adversários”. No dia 27, não vai ter esse impacto que você imagina. Se nós estivéssemos há sete, oito meses, e tivéssemos dado essa fotografia (juntos em público). Mas nós não demos. De uma forma racional, o encontro foi sendo construído. Você imagina há sete, oito meses, a quantidade de e-mails que eu recebia: “Me explica isso, Cesar Maia”. As pessoas foram tendo respostas, conversando umas com as outras, isso vai acomodando. Por outro lado, você tem uma grande parte da população que acha bom isso.
- Vocês vão juntos fazer campanha nas ruas?
- Eu sou candidato a vereador. Ele está apoiando os candidatos do PR e não a mim, candidato a vereador. Ele vai junto com o Rodrigo e com a Clarissa, que são os candidatos majoritários. Eu sou candidato a vereador. Ele não pode querer que eu tenha mais votos — eu poderei ter — porque eu vou tirar vereador do PR. Então, ele vai ter que fazer campanha na rua para o PR, e a minha campanha de vereador vai ser uma campanha própria.
- Isso foi uma decisão de vocês dois?
- Foi uma decisão do partido, tomada na convenção de julho. A ideia dele é que eu vou ter muito voto. “E se eu não tiver?”, perguntei para ele. “E se eu não tiver e for eleito? A responsabilidade é de vocês. Mas, para que eu tenha voto, eu preciso de tempo de televisão. Então, vocês vão ter que sacrificar tempo de televisão para que eu possa ter essa votação que vocês imaginam. É uma hipótese de vocês. A minha é fazer uma campanha para me eleger vereador e tentar ter a votação que vocês imaginam.”
- Qual é a sua expectativa de votos para se eleger vereador?
- A conta ali no quadro negro foi assim: o Tio Carlos, o Caiadinho (Carlos Caiado) e o Cesar Maia, somados, teriam 250 mil votos. Os demais candidatos nossos a vereador (do DEM), numa chapa com coligação, teriam uns 3 mil votos em média. Isso daria de 8 a 9 vereadores (DEM). Eu e mais sete ou oito, desde que os três — Tio Carlos, Caiadinho e eu — tenhamos 250 mil votos. Essa é a projeção que eles fazem. Acho possível.
- Quais serão suas bandeiras como vereador?
- Eu vou lutar para derrubar as leis que prejudicaram os servidores públicos, derrubar as leis que permitiram a privatização da educação e da saúde, enfrentar a especulação imobiliária e garantir os recursos das Olimpíadas
- O prefeito Eduardo Paes já disse “não perco um minuto da minha vida com nenhum deles”, referindo-se ao senhor e ao Garotinho. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
- Ele vai dizer o quê? Se ele é prefeito, se ele é candidato à reeleição, vai dizer que as pesquisas dele dizem que essa eleição é uma eleição difícil e vai para o segundo turno? A resposta dele é uma resposta natural. Não vai encher a bola dos adversários. Mas está sempre ali procurando… Dá uma pancadinha. É aquele negócio: não se joga pedra em fruta podre. Vai fazer um discurso, diz: “Estou fazendo uma coisa que o Cesar Maia não fez…” Para quê? Por que ele não diz que o Conde não fez, por que não diz que o Marcello Alencar não fez? Ele não diz que o Conde não fez, que o Marcello Alencar não fez porque não são atores competitivos no quadro político do Rio de Janeiro hoje. Depois, está cometendo um erro político muito grande. Quantos partidos o estão apoiando? 17? Isso é uma coligação? Isso é um baile de máscaras de Luiz XVI. Ninguém sabe quem é quem. Com máscara, vale tudo. Prejudica. Uma coligação dessa é fácil ser atingida. Mas eles acham que isso tudo gera vitória…
- Há alguma possibilidade de o senhor ser candidato a prefeito este ano?
- Isso não existe. Não há hipótese, não há possibilidade. Quarta vez? Muito bom três vezes prefeito — o prefeito mais longevo da história do Rio de Janeiro. ‘Tá bom. Cumpri com minha função”.

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