• Sexta-feira, 02 Março 2012 / 14:14

Serra prefere Dilma à Aécio

                                                                Fernando Rodrigues*
            Numa das diversas conversas mantidas entre Gilberto Kassab (PSD) e dirigentes petistas nos últimos meses, o prefeito de São Paulo fez uma confidência para o presidente nacional do PT, Rui Falcão.
“Eu tive um contato com ele [Kassab] no ano passado”, diz Falcão. Na ocasião, segundo o relato do petista, Kassab declarou: “Eu acho que o Serra não vai mais ser candidato a presidente da República (…). Para a [presidente] Dilma, a melhor coisa que poderia acontecer é o Serra prefeito de São Paulo. Porque se tiver Dilma e Aécio [Neves, do PSDB], Serra é Dilma [na disputa presidencial de 2014]“.
Falcão fez esse relato ontem, em entrevista à Folha e ao UOL. Em 2011, quando ouviu a análise de Kassab, o presidente do PT afirma ter recebido a previsão com ceticismo. “Eu brinquei. Falei: ‘Conta a do português agora’”.
Ao revelar o conteúdo de sua conversa com Kassab, o presidente do PT faz uma intriga pública que já é há tempos ouvida nos bastidores da sucessão paulistana.
Demonstra também que a cúpula petista tentará desqualificar politicamente o prefeito.
Adversário desde o início da aliança do PT com Kassab em São Paulo, Falcão diz que o relacionamento recente da direção petista com o prefeito foi só institucional.
“Ele é presidente de um partido.”
Como Kassab nessas conversas com o PT sempre reafirmava que apoiaria Serra se o tucano decidisse concorrer à sua sucessão, Falcão acha que tudo foi já estava previamente acertado.
“Ele [Serra] formalizou algo que nós já esperávamos. Esse roteiro é mais que previsível. Durante um tempo ele diz que não é candidato. No momento seguinte, é procurado por lideranças do seu partido. Diz que vai pensar. Em seguida, confirma o que já se sabia anteriormente”.
Falcão acha que a eleição paulistana será em parte nacionalizada, como sempre tem sido.
Nesse caso, afirma que o PT gostará de debater o tema das privatizações.
O petista diz haver diferenças entre a venda de empresas estatais e o modelo adotado pelo governo Dilma, de apenas fazer concessão para a iniciativa privada atuar em alguns setores.
Sobre assuntos polêmicos, Falcão reafirmou que o PT tem em suas diretrizes a descriminalização do aborto, mas que esse não é um tema central para o partido defender no Congresso Nacional.
Indagado sobre a hipótese de o PT apoiar a candidatura de Gabriel Chalita (PMDB) em São Paulo, Falcão disse que essa foi uma ideia “infeliz” do líder petista na Câmara, Jilmar Tato.
*Fernando Rodrigues é colunista a ‘Folha’.

  • Quarta-feira, 18 Janeiro 2012 / 12:46

PT sonha com Paes e Cabral contra Picciani

      Dos repórteres Juliana Castro e Adauri Antunes Barbosa, no Globo Online:
       “A direção nacional do PT resolveu chamar para uma conversa o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, numa tentativa de colocar fim à crise com o PMDB no Rio. A convocação para o encontro será feita pelo
presidente nacional do PT, Rui Falcão, que na terça-feira recebeu o presidente do PT fluminense, Jorge Florêncio, e o senador Lindbergh Farias para tratar dos desentendimentos na formação de alianças no estado. Os petistas reclamam que apóiam os peeemedebistas, mas não há contrapartida na mesma medida.
- Será uma conversa com o governador e com o prefeito, junto com o Lindbergh e o Jorge Florêncio, para fazer uma avaliação de interesses estratégicos dos dois partidos no Rio de Janeiro, assim como vou fazer com dirigentes do PMDB em outros estados — anunciou Falcão, que prevê a reunião no Rio para os próximos 15 dias.
- Nós precisamos ouvir o que eles pensam. Cabral e Paes têm um peso muito grande nessa questão – completa Florêncio.
O PT vai excluir do encontro o presidente regional do PMDB, Jorge Picciani, principal articulador das alianças peemedebistas deste ano no estado. Declarações de Picciani publicadas na imprensa pioraram a crise entre os partidos.
- Eu já falei com ele pessoalmente. Temos respeito por ele, mas ele tem sido muito intransigente – justifica o presidente regional do PT.
O clima da aliança esquentou depois que Picciani deu declarações desprezando as candidaturas colocadas pelo PT, entre as quais a de Rodrigo Neves, secretário de Assistência Social e Direitos Humanos do governo Sérgio Cabral ou do deputado federal Chico D’Ângelo, à Prefeitura de Niterói.
Na segunda-feira, em nota oficial, o presidente do PT estadual disse esperar que Picciani “modifique o comportamento truculento e impróprio no trato com os aliados, que já lhe causou a derrota para o Senado em 2010 e, mais uma
vez, provoca uma situação constrangedora”.
O presidente estadual do PT é cauteloso ao falar que se a falta de entendimento pode acarretar na ruptura da aliança:
- O que não podemos é abrir mão dos nosso interesses – afirma, ressaltando que, caso não tenha uma solução no encontro, o PT pode levar o caso ao Diretório Nacional do PMDB.
Depois da reunião com Lindbergh e Jorge Florêncio, Rui Falcão lembrou de uma “pajelança”, um encontro que teve no primeiro semestre do ano passado com o prefeito do Rio e o “staff” do governador, que não participou porque fazia
uma viagem internacional com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Foi uma espécie de pajelança, na qual nos comprometemos a apoiar o Eduardo Paes. Com que protocolo? Nós queremos o vice, queremos reforçar algumas políticas públicas comuns e queremos, não como condição, mas a simpatia do PMDB, em outros municípios do Rio, particularmente Niterói – afirma Falcão.
Nessa reunião, que deve ser marcada para os últimos dias de janeiro ou os primeiros de fevereiro, Rui Falcão quer acertar com Cabral e Eduardo Paes “as áreas de interesse comum que temos no Rio”.
- Tem município que o PMDB pode nos apoiar, pode ser nosso vice, e há municípios que nós vamos apoiar o PMDB, até independente de ter a vice. Em alguns vamos ter a vice e em outros não — disse o presidente nacional do PT.
Com a entrada da direção nacional na negociação da aliança diretamente com Cabral e Eduardo Paes, sem a a presença de Picciani, os petistas esperam reverter o clima de tensão entre os dois partidos. De acordo com algumas
lideranças do PT, o PMDB está “indo pra cima”, desrespeitando candidaturas consolidadas em municípios como Niterói, Mesquita, Japeí e Maricá.
— Nós elegemos o PMDB como nosso principal aliado e o PMDB nos elegeu como o principal adversário. Há muita tensão porque eles estão indo para cima, contra a gente — disse uma liderança, que pediu para não ser identificada.
Florencio diz que o PT não quer impor nomes ou candidaturas, mas quer abrir negociação principalmente em cidades como Mesquita, Maricá, Belfort Roxo, Petrólis e Teresópolis, que citou, onde os candidatos do partido são “competitivos”.
— Onde o PMDB tem força é natural, mas onde não tem força, onde necessariamente não tem um candidato competitivo, cabe a gente do PT encabeçar”.

  • Quinta-feira, 06 Maio 2010 / 3:59

Marqueteiro de Dilma perde poder

 Da repórter Ana Flor, da ‘Folha’:
“Um novo arranjo na estratégia de comunicação da pré-campanha de Dilma Rousseff à Presidência, no qual o marqueteiro João Santana teve sua área de atuação limitada aos programas de TV do partido e do horário eleitoral, causou desconforto no bunker petista.
Há menos de um mês, o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), jornalista, assumiu a coordenação geral da área de comunicação, trazendo para a campanha novos profissionais.
Falcão passou a atuar na estratégia de imprensa. Ele coordena o planejamento de entrevistas da candidata em viagens e em Brasília e despacha diariamente com a coordenadora de imprensa, Helena Chagas.
A entrada do deputado, amigo de Dilma há décadas, representou, na prática, uma divisão de poder na comunicação.
Como marqueteiro, Santana sempre foi uma espécie de coordenador geral de comunicação, apesar de ser oficialmente responsável pelo marketing.
Sua influência, em geral, vai muito além da TV, com o poder de moldar o discurso, na estratégia política e nos modos dos candidatos que assessora, modificando desde a forma de vestir e vocabulário, até o tipo de público para o qual deve falar.
A voz corrente na campanha, entretanto, é que Santana não deixará o posto, mesmo desgostoso com a nova organização. Ele não apenas é o preferido de Lula, mas também tem relação próxima com Dilma.
Em 2006, quando foi o marqueteiro da reeleição de Lula, a então ministra foi responsável por uma das coordenações da campanha. Ali, ambos estreitaram o relacionamento.
Há aqueles que acreditam que, com o início do horário eleitoral, a influência do marqueteiro voltará a crescer. Além da importância dos programas, Santana sabe utilizar de maneira hábil as pesquisas qualitativas que realiza.
João Santana e Rui Falcão atuaram juntos na campanha de Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo, em 2008, quando ela perdeu para Gilberto Kassab (DEM).
A campanha enfrentou uma crise na reta final, por causa de um comercial de televisão com perguntas de natureza pessoal sobre Kassab.
Na época, Santana assumiu responsabilidade pela peça e disse que a candidata não tinha conhecimento do teor.
Hoje, os dois fazem parte do grupo de cardeais de Dilma, que se reúne às terças-feiras em Brasília para definir estratégias de campanha.
Os coordenadores são o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP), e inclui o presidente do PT, José Eduardo Dutra e os deputados José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Cândido Vaccarezza (PT-SP).
Na nova estratégia de imprensa, a campanha já ganhou um escritório em São Paulo, para dar apoio a agendas de Dilma no Estado, e está ampliando a estrutura em Brasília.
Na pré-campanha, a equipe usa três casas no Lago Sul, em Brasília. Além da imprensa, há profissionais que fazem programas de rádio e cuidam da manutenção do blog atual da candidata. A internet está a cargo da empresa Pepper”.

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