• Domingo, 04 Março 2012 / 10:26

Clarissa será mesmo a vice de Rodrigo

     Dos repórteres João Antonio Barros e Rozane Monteiro, do ‘Dia’:
      “A política é capaz de misturar azeite e água e até juntar na mesma chapa o deputado federal Rodrigo Maia (DEM) e a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR). Filhos de dois históricos adversários políticos do Rio, os sucessores de Cesar Maia (três vezes prefeito) e Anthony Garotinho (ex-governador), anunciam no dia 8 a chapa que vai concorrer à sucessão de Eduardo Paes (PMDB).
Para fechar a parceria, só faltava o “sim” da moça, que vai ser a vice. Ele veio na quinta-feira (aniversário da cidade), durante entrevista em que os dois deram o tom da dupla. Fala mansa, Rodrigo é o articulador, o homem do cálculo, o estrategista. Falante, apaixonada por política, Clarissa parece estar sempre pronta para a briga.
- A senhora confirma que é candidata a vice-prefeita na chapa do deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ)?
CLARISSA GAROTINHO: Aceitei ser vice do Rodrigo e estou muito feliz com essa decisão.
- E o senhor? Está feliz?
- RODRIGO MAIA:  Eu sempre quis que a Clarissa fosse minha vice. Sempre tive certeza de que é o melhor caminho para essa aliança, do PR com o Democratas. A gente compõe uma chapa onde vamos ser dois quadros muito fortes. Não vai ser uma chapa onde você tem um candidato a prefeito e um vice desconhecido. Você vai ter uma chapa com dois quadros com muita densidade, com famílias com histórias fortes no estado e na cidade do Rio de Janeiro.
- Por que a senhora demorou tanto a confirmar? Havia alguma dúvida, alguma negociação que ainda estava em curso?
CLARISSA: Na cidade do Rio de Janeiro, dentro desta aliança, coube ao DEM indicar o candidato a prefeito. Mas eu tive muita dificuldade no início pelo fato de nossos pais terem sido adversários durante muito tempo. Meu pai chegou a dizer para mim: “Olha, se eu fui capaz de superar essas diferenças, você também tem que ser. Ele me disse: “Eu estou convencido de que essa aliança vai ser positiva”. Só que, para mim, não bastava que ele (o pai) estivesse convencido porque quem estaria no processo eleitoral seria eu. Quando eu entro em alguma coisa — e eu sou assim em tudo —, eu entro de cabeça. Eu não poderia compor uma chapa simplesmente por um arranjo familiar que entendeu que agora os dois partidos deveriam se unir para enfrentar o PMDB. Eu precisava estar convencida de que seria bom para mim e para a cidade compor essa chapa. Eu me lembro até hoje da primeira vez que eu e Rodrigo sentamos juntos. Eu me lembro que eu falei para o Rodrigo: “Essa aliança é muito difícil, mas ela não é impossível.” Então, eu resolvi me dar uma oportunidade, diante da necessidade da aliança, de conhecer o Rodrigo. Eu falei: “Eu e ele nunca fomos adversários. Então, eu preciso conhecer o Rodrigo Maia. Eu não sei como ele é, eu conheço da mídia. Não sei o que ele pensa.” E eu disse para ele: “Eu sou uma pessoa de muitas convicções, você também. Imagina se eu sou sua vice e lá no meio da campanha a gente fica batendo cabeça. Não vai ficar bonito isso. Então, eu preciso te conhecer, preciso saber o que você pensa sobre a cidade, preciso saber se nós vamos conseguir tratar um projeto comum para a cidade do Rio, como é que vai ser nós dois trabalhando juntos. Então, estamos há três meses nos reunindo. Já tivemos reuniões temáticas para discutirmos educação, infraestrutura da cidade… – Qual mais, Rodrigo?
RODRIGO: Esporte…
CLARISSA: … esporte, saúde… Nós fomos nos reunindo para tratar de vários temas. Chegou num momento em que essas questões temáticas estavam avançando bem. Então, sugerimos que começássemos a fazer reuniões públicas — ele já seria o candidato apoiado por nosso partido independentemente de eu ser a vice. Até para saber como seria nós dois juntos num ato público. Nós começamos a andar e fizemos várias reuniões grandes, ouvindo as pessoas, os problemas dos bairros… Eu acho que a gente se deu bem trabalhando junto. Isso, para mim, foi determinante na minha decisão. O Rodrigo me surpreendeu muito: ele é uma pessoa que sabe ouvir, humilde, que sabe ouvir quem pensa diferente e reter o que é bom. Eu acho que nós precisamos de políticos com essas características.
- “Surpreendeu” porque a senhora esperava uma outra coisa?
CLARISSA: Talvez por ser filho do prefeito que administrou a cidade por mais tempo — mais de 12 anos —, ele podia achar que era só reunir a equipe do pai que sabia exatamente o que tinha que fazer. Mas o que eu vi foi exatamente o oposto. O que eu vi foi uma pessoa disposta a ouvir, a rever algumas questões, disposta a trabalhar em equipe. Foi uma grata surpresa.
- Ela também o surpreendeu, deputado?
RODRIGO: Não. Eu tinha certeza de que ela era isso: talentosa, corajosa, boa de rua, boa de reunião com muita gente. Desde o primeiro dia, eu sabia que, para mim, a melhor alternativa era Clarissa de vice. As virtudes que eu conhecia de longe, que as pessoas confirmavam, todas elas foram confirmadas na aproximação. Agora, eu estou mais convencido ainda de que esta é uma chapa que vai dar muito trabalho nesta eleição.
- Tinha Plano B se ela não aceitasse?
RODRIGO: Não. Eu ia convencê-la. Quando entra num projeto, você tem que ter muita certeza dos seus objetivos. Eu tinha muita certeza de que o caminho era nós disputarmos uma eleição nesta aliança. Nós tínhamos que sair do isolamento. A primeira certeza que eu tinha: sozinhos, nós não íamos a lugar nenhum. Nós não podemos priorizar projetos pessoais, então, precisamos estar juntos num projeto coletivo, para construir a partir de 2012 um outro cenário para o Rio de Janeiro. Numa eleição que tem essa estrutura toda contra a gente, a gente tem que ter muita certeza. Não queria um vice do tipo “pelo menos, esse não tira voto”. Eu queria um vice com personalidade forte, que agregasse voto. Eu entendo minhas qualidades, mas entendo também alguns defeitos que eu tenho. Eu sou uma pessoa muito tímida, e acho que o perfil da Clarissa vai agregar muito na rua.
- Ela é mais coração, de batalha. O senhor é mais pragmático, mais de elaborar. São pessoas diferentes. Não dá dor de cabeça?
RODRIGO: Não, não dá dor de cabeça. Nós vamos construir um programa de governo juntos e vamos governar juntos a cidade do Rio de Janeiro. Quando eu escolhi a Clarissa, sabia que não podia colocar na chapa uma pessoa que, vencendo as eleições, iria colocar numa salinha escondida no 13º andar da Cidade Nova ( localização do gabinete do prefeito na sede da prefeitura). Eu precisava de uma pessoa que não ia ser apenas coadjuvante, que ia ser tão importante como o próprio candidato a prefeito.
CLARISSA: Ele me chamou e disse: “Clarissa, eu quero governar junto com você.” Nós nunca discutimos qual seria minha função no governo. Mas eu gostaria de ser a fiscal número 1 de nosso governo.
- Nas reuniões, o que convergia e o que divergia?
CLARISSA: Eu falei: “Olha, vocês estão dispostos a rever a questão da aprovação automática (nas escolas)?” Na verdade, a aprovação automática foi um nome que inventaram aqui. Acredito que funcione bem em muitos lugares do mundo, mas aqui…
RODRIGO: Foi feito no final do governo (de Cesar Maia), sem um estudo maior, sem trazer os pais e os professores para o debate. É um assunto que o Cesar Maia, num documento do partido em relação à cidade, deixou isso claro. Está lá, ele tem clareza que nós acertamos muito, mas nós erramos também. E esse foi um ponto que foi muito mal colocado. Nós temos é que melhorar a qualidade do ensino, valorizar o magistério, acabar com a privatização na Educação e na Saúde.
- O que o carioca deve esperar com relação às obras que já foram iniciadas pelo prefeito Eduardo Paes?
RODRIGO: Obras que estão sendo executadas vão ser todas terminadas. Agora, nós não acreditamos que a privatização da Saúde e Educação dá e dará bons resultados. Nós queremos dar clareza: nós, ganhando a eleição, não vamos manter a privatização nem na Educação, nem na Saúde.
- De que forma os índices de rejeição de Garotinho e Cesar Maia podem afetar a campanha dos senhores?
RODRIGO: A minha equação é que nós vamos poder entrar no eleitor do Cesar Maia e no eleitor do Garotinho. Agora, muito mais importante do que isso vai ser a nossa capacidade de trabalho e de convencimento para a gente poder agregar uma fatia que é a maior de todas: a de 70% do eleitorado que, com toda a máquina, com todo o gasto de publicidade, está indecisa. Um tem uma rejeição, outro tem outra. Parte dessa rejeição é a todos os políticos. E, depois, eu sou Rodrigo Maia, ela é Clarissa. Claro que o cara que odeia o Cesar Maia e o cara que odeia o Garotinho é óbvio que não vai votar na gente. É óbvio que nós nem vamos atrás desse voto. Agora, aquele que pensa: “Ah, o último governo do Cesar Maia eu não gostei muito. Pô, mas foi muito bom antes, o que aconteceu?”; aquele cara que é saudoso do primeiro e do segundo e ficou com a memória negativa do final do terceiro, esse, nós temos toda a condição de trazer. Da mesma forma que o eleitor do Garotinho que viu a gestão do Garotinho e a da Rosinha e depois acompanhou nos últimos anos toda a pressão em cima do Garotinho por alguns órgãos da mídia, ele também…
CLARISSA: Vai ser um desafio muito grande. São 12 partidos contra 2 ou 3, 14 minutos de TV contra 5, a máquina municipal, estadual, federal, muito dinheiro. Acho que é um grande desafio, mas desafio sempre foi uma palavra que me moveu muito.
- Se ganharem, os senhores vão dar continuidade às obras que estão previstas para a realização das Olimpíadas de 2016?
RODRIGO: Vamos honrar
- Como atingir, durante a campanha, o personagem Eduardo Paes?
RODRIGO: Ele não é um personagem. Hoje, na cidade do Rio de Janeiro, o (Fernando) Gabeira é um personagem, Cesar Maia é um personagem, o Garotinho é um personagem. Eduardo não é um personagem, Eduardo não tem identidade própria.
- Como avaliar o fator Marcelo Freixo nesta eleição?
RODRIGO: Todos os candidatos são nossos aliados. O Freixo (deputado estadual do PSOL que deverá sair candidato à Prefeitura) caminha numa faixa que hoje nós não temos. Mas ele também não entra na nossa faixa. O Otávio Leite (deputado federal do PSDB, também pré-candidato) é que entra um pouco na nossa faixa, que é o trabalho que ele fez com portadores de deficiência.
CLARISSA: E tem a Aspásia (Camargo, do PV, que poderá entrar na briga).
RODRIGO: Todos eles vão cumprir o papel para ter o segundo turno. E eu tenho a convicção de que nós estaremos no segundo turno.
- Quando os pais dos senhores ainda eram adversários ferrenhos, muitas vezes subiram o tom na troca de farpas. Referindo-se aos governos de Garotinho e Rosinha, Cesar Maia já disse que o Palácio Guanabara estava num “mar de lama”. Garotinho já disse que era “difícil” discutir ética com Cesar Maia. Quem estava com a razão?
RODRIGO: São momentos políticos, de adversários políticos e jovens. Garotinho foi governador com 38 e meu pai tinha 50 e poucos anos. Isso gera sempre um tom acima da crítica. Acho que é do jogo e já passou. O Cesar Maia e o Garotinho têm seus defeitos e virtudes. Vamos trabalhar com as virtudes. Nenhum de nós está abrindo mão de princípios. Mas nossas convergências são maiores.
CLARISSA: Para nós, que somos uma nova geração, isso é um aprendizado, que não dá para fazer política com o estômago. Não pode analisar um fato fora do contexto. O Garotinho disputava eleição de governador contra o Cesar Maia (1998). O Garotinho ganhou do Cesar Maia. Existia ali, de certa maneira, o orgulho ferido do Cesar, o prefeito do Rio, que perdeu para o Garotinho, que era um prefeito de Interior (Campos). Não interessa a nenhum de nós o confronto. Não nos interessa ficar discutindo se o pai dele tinha razão ou se o meu pai tinha razão. O que nos interessa agora é caminhar juntos e trabalhar pelo bem da nossa cidade.
RODRIGO: Se for analisar estas frases, vai ver que nenhum dos dois tinha razão. O excesso da agressividade até tem o seu papel, mas prova que nenhum dos dois tem razão.
- O que os difere dos pais dos senhores?
RODRIGO: Meu pai é um gestor, um quadro pensador do partido, e eu fazia política, organizava a burocracia do partido, organizava as alianças, tanto aqui como em Brasília. Meu perfil é mais de agregar, de conversar. Meu pai tem o perfil mais combativo, de confronto. Logo no início da carreira, vi que eu tinha uma qualidade que ele não tinha, a paciência de dialogar.
CLARISSA: Acho que meu pai é mais centralizador. Eu gosto mais de trabalhar em grupo, de dividir tarefas. Eu não sou muito centralizadora. Acho que é porque meu pai teve uma convivência muito grande com o (ex-governador do PDT Leonel) Brizola, que era muito centralizador. Não tenho dificuldades de ouvir conversas diferentes. Tanto que as minhas passagens pela Câmara (Municipal) e pela Assembleia (Legislativa) marcaram muito para mim porque a minha relação política se deu melhor sempre com os adversários políticos da minha família.
- Como os senhores se conheceram?
CLARISSA: Não sei se o Rodrigo vai lembrar, mas eu lembro. Foi através de um amigo comum.
RODRIGO: Foi no Garcia & Rodrigues
CLARISSA: Ele (o amigo) me ligou e falou: “Estou no Garcia & Rodrigues tomando café com um amigo meu, o deputado federal Rodrigo Maia, e eu queria te apresentar a ele. Você pode vir aqui?” E eu fui (risos). Fala sério, você (virando-se para Rodrigo) nem lembrava disso.
RODRIGO: Lembrava. Lembrava também de uma vez no plenário do Congresso (Nacional), uma vez que você foi lá.
- E, para as eleições de 2014, quem seriam os candidatos da chapa, se a aliança DEM-PR for mantida até lá?
RODRIGO: As eleições de 2012 são importantes para todos os partidos. E aqui no Rio não será diferente. O que sair de 2012 vai viabilizar candidaturas ou não. É lógico que nós estamos construindo a nossa aliança e quem são os nomes que os partidos têm? Garotinho é o mais forte e Cesar Maia o segundo mais forte, a nível regional.
CLARISSA: Vocês são muito ansiosos…

  • Segunda-feira, 06 Fevereiro 2012 / 14:45

Cesar: “Eleição no Rio terá 2º turno”

       Com vem fazendo todos os domingos, ‘O Dia’ publicou, nesse final de semana, mais uma entrevista com um cacique político do Rio. Esse domingo foi o dia de Cesar Maia que concedeu a entrevista a Rozane Monteiro:
“- O senhor tem dito que é hora de renovação no cenário político do Estado do Rio. O que isso quer dizer?
– A política do Rio de Janeiro, a política do estado todo tem alguns personagens: o (governador Sérgio) Cabral (PMDB), o (deputado federal Anthony) Garotinho (PR), eu (DEM) e, agora, o Lindbergh (Farias, senador do PT). São quatro personagens. Então, se você vai atrás da dinâmica do processo político, você vai atrás desses personagens. Só que, no nosso caso, por exemplo, a gente quer renovar o personagem — nós, do DEM. A busca nossa, não apenas no Rio de Janeiro, é a busca de entender que a nossa geração é uma geração que cumpriu o seu papel. Agora, tem que vir outra geração. Estou com 66 anos. Este ano, vou fazer 67. Em 2014, eu vou ter 70. Então, essas coisas a gente tem que entender. A gente não pode imaginar que a curva política seja uma curva de eternidade. O partido precisa buscar renovação. Para o caso do Brasil, isso é fundamental, que é buscar renovação para construir personagens políticos que serão, este ano ou em outro ano qualquer, os novos personagens da política de cada estado.
- Nesse quadro, o próprio prefeito Eduardo Paes, que parece convencido de que vai ser reeleito…
- Não está mais convencido. Não está mais convencido como estava há cinco meses.
- O senhor acha isso ou o senhor sabe que ele não está mais convencido?
- É o que eu sei. A gente faz as mesmas pesquisas que ele faz. Nós temos no Rio uma eleição que inexoravelmente vai para o segundo turno — é uma tradição do Rio, não tem jeito. O eleitor carioca não joga tudo num nome só. As pesquisas que a gente faz mostram que o Eduardo vai ter que disputar para ir para o segundo turno também. Porque ele comete três erros que, na história política do Rio de Janeiro, têm sido fatais: persegue servidores públicos, humilha os pobres — repressão pela repressão e intimidação —, e privatização da Educação e Saúde, que são os servidores que têm contato direto com a população. Ele vai ter que disputar a eleição para ir para o segundo turno. O Garotinho, em entrevista a O DIA (publicada dia 29 de janeiro), lembrou que, na hora que uma pesquisa do Ibope coloca o nome do (senador do PRB, Marcelo) Crivella, ele (Paes) já vem para 36%. Óbvio. Na hora que coloca o nome do (ex-deputado federal do PV Fernando) Gabeira, o meu, ele já vem pra 25%. E porque tanta gente na prefeitura… Tanta gente no entorno dele… Tanta gente que ele telefona, fala e recebe e que me conhece também… Dessa tanta gente, tem lá, uns 10%, sei lá, que me ligam, me mandam e-mail: “Cesar, estive com Eduardo”, “conversei não sei com quem”, “estão preocupados”…
- O filho do senhor, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a filha de Garotinho, a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR), estão juntos para enfrentar o prefeito Eduardo Paes. Os três fizeram uma reunião na quarta-feira para falar de eleição. Por que o senhor não foi?
- Por que não fui convidado. Só por isso.
- Foi o Rodrigo que marcou, não foi?
- Não faço a menor ideia. Eu sei que o Rodrigo e o Garotinho são deputados federais. Eles sentam no plenário e ali conversam. Um deputado fala uma bobagem, outro fala uma besteira, outro fala uma coisa interessante… “Olha, presta atenção, olha o que está falando ali”. Estão conversando ali. Então, tem um tipo de conversa, de interação entre os dois, na condição de deputado federal, que dá para eles uma interação natural todos os dias ou uma vez por semana, sei lá quanto. Não é meu caso.
- O senhor tem se reunido com Garotinho?
- Nesses últimos anos, estive com Garotinho duas vezes. Uma vez, foi um almoço na casa do Rodrigo, que foi, sei lá, aí por junho ou maio de 2011, com a Clarissa presente, em que se tratou do quadro geral.
- Foi nesse encontro que, como ele já contou, o senhor prometeu apoio em 2014 se ele vier candidato a governador?
- Não foi bem assim, né? Nesse, nem se tratou disso. Esse foi uma análise conjuntural. Teve um outro, que foi um jantar curto, com Rodrigo, Rogério Lisboa, Garotinho e eu. Fiquei 15 minutos na mesa porque tinha um compromisso num hotel em frente — era uma churrascaria, em Brasília. Eu tinha uma reunião. Ele estava com dúvidas sobre Nova Iguaçu. Foram respondidas. “E 2014?” 2014 é 2014. Agora, eu não tenho nenhum tipo de restrição ou dificuldade de amanhã, conforme as circunstâncias, ser seu vice. Falei assim, né? Ou não. Foi só essa frase que foi dita. Depende da dinâmica. Na entrevista do Garotinho a O DIA, ele tem uma preliminar que é muito importante: 2012 definirá 2014. Então, como nós — ele, eu e a torcida do Flamengo — passaremos por 2012? Como Sérgio Cabral passará por 2012? Sérgio Cabral era um forte eleitor em 2008. É um eleitor que os candidatos não vão querer na televisão. Hoje, Sérgio Cabral não agrega aos candidatos, tira voto.
- Ele atrapalha?
- Atrapalha.
- Por quê?
- Porque a gente testa. Só por isso. A gente faz pesquisa e testa. É uma eleição completamente diferente de 2008 e completamente diferente de 2010. Porque em 2010, o (ex-presidente) Lula era um santo, botava o dedo e elegia ou deselegia. Agora, não é assim. Agora, a presidenta é a Dilma, quem tem caneta. Não são mais 27 estados, são 500 cidades grandes. Então, é um quadro completamente diferente, um quadro competitivo. Agora, como é que a gente sai dessa eleição? Pensa bem, se alguém é candidato a governador vai querer como candidato a vice alguém que agregue ou não desagregue. Se eu fosse candidato a vice de alguém em 2010, eu agregaria? Não. Eu desagregaria? Alguma coisa.
- Por quê?
- Porque eu saí da prefeitura impopular. Só por isso. Então, como é que a gente pode fazer uma previsão de 2014, repetindo o que o Garotinho disse, sem passar por 2012? Fundamental. Aí, eu usaria o nome dele, Matheus. Mateus, 6,34: “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã. O dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta para cada dia o seu mal”. Então, o ‘dia’ de 2012 é o ‘dia’ que você tem que viver. Esse ‘dia’ de 2012 é que vai produzir as consequências para 2014. Imagina o que significa o Garotinho, que é uma pessoa muito popular, com muito voto na área popular, com muito voto na área evangélica — teve 170 mil votos para deputado federal na cidade do Rio de Janeiro… Imagina o que significa ele numa campanha dar uma grande agregação de votação ao Rodrigo e Clarissa. Agora, você imagina o contrário. Imagina eu sendo candidato a vereador — que serei, né? —, eu tendo 300 mil votos. Agora, imagina eu tendo 30 mil votos e sendo eleito. Então, como é que a gente vai tratar de combinações antes de saber quem são aqueles que ajudarão ou não candidatos ou ele mesmo em 2014?
- Garotinho seria um candidato competitivo ao governo do estado em 2014 contra o vice-governador Luiz Fernando Pezão?
- O Garotinho é um pré-candidato a governador muito forte. Ele é o fantasma do Pezão. Pezão faria de tudo para que essa nossa coligação fosse rompida porque onde o Pezão tem expectativa de voto o Garotinho é campeão de voto. O Pezão, com aquele estilo campônico dele, na capital não vai ganhar nada. Então ele fica naquela ansiedade porque essa dobradinha PR-DEM em 2012 é uma dobradinha que, fortalecendo o PR, nos fortalecendo, debilita o PMDB. O que o PMDB tem hoje no estado? A expressão do PMDB basicamente é ter o prefeito da capital, que é um PMDB de último momento. Você sabe das diferenças que existem entre os dois, governador e prefeito.
- Por exemplo?
- São reiteradas. Sempre. Reclama: “Está gerando desgaste para mim”… “Não fez o que se comprometeu em UPA”… Não sei das quantas… São coisas que vão acontecendo ali e que são ditas em voz alta. E as pessoas imediatamente, ali, no próprio celularzinho que tem ali… (imita alguém passando torpedo por um celular) “Cesar Maia, sabe o que ouvi agora?” Ou então: “Fulano, sabe o que ouvi aqui agora?” E, aí, vem e repercute para cá.
- O senhor está muito bem informado…
- Não estou muito bem informado porque não sei o quanto de informação existe. Eu estou suficientemente bem informado para que a gente possa planejar a campanha de 2012 de maneira que o nosso vetor seja um vetor liderado pelo Rodrigo e um vetor competitivo. É isso que nós estamos trabalhando. O Rodrigo tem uma linha de crescimento que vai ser relativamente rápida, que vai de 7 a 15 pontos. Depois da campanha, vai fazer a projeção da condição de ir para o segundo turno. Eu tenho tido no Rio de Janeiro 20% dos votos. Aqui, votam 3,5 milhões de eleitores. Eu tenho tido 20% disso como média. Em 2010, eu tive isso.
- O Rodrigo também herda a rejeição ao senhor?
- Claro, mas não herda toda.
- Qual a principal diferença entre o senhor e ele?
- Eu sou um político racionalista, de máquina de calcular. O Rodrigo é um político de articulação. Ele aprendeu a dinâmica da conversa, da audiência, da paciência. Ele tem estilo completamente diferente. Esse estilo permite a ele ter agregações que eu não tenho.
- A Clarissa, por ser bonita e carismática, pode ofuscar o Rodrigo?
- Se isso daí significar agregar, ‘tá bom. A Clarissa é o melhor quadro político da geração dela. Se há algum grande mérito da Rosinha e do Garotinho foi ter criado as condições para ter uma política que os supera. A Clarissa supera tanto a Rosinha quanto o Garotinho, sob qualquer ponto de vista. Eu não vou falar que tem o traquejo do Garotinho numa comunicação em rádio. Claro que não, certo? Mas, do ponto de vista político, eles criaram, educaram, abriram espaço para a filha, que, com seu talento, é hoje o quadro mais importante da geração dela. Mas o que significa ofuscar?
- Brilhar mais.
- Quanto mais ela brilhar, melhor para o Rodrigo. Eu perguntava para ele há um ano se não valeria a pena ter um vice do PR, técnico, sem brilho. E ele defendeu enfaticamente que não, que era fundamental ter um vice — que seria Clarissa Garotinho — que tem o talento dela, que tem a visibilidade dela, que tem a luz dela e que, em governo, será uma figura importante. Não apenas em campanha eleitoral, mas também em governo, pelo talento dela, pelo preparo dela, pela disciplina dela. Então, ele está muito bem acompanhado. O Garotinho tem, como eu, elementos de atrito que ela não tem.
- Que elementos de atrito os senhores têm?
- Essa combinação toda, do ponto de vista eleitoral, pode nos custar alguma coisa na Zona Sul, (nos fazer) perder votos. Vê a votação do Garotinho na Zona Sul e vê na Zona Oeste. Alguma razão existe para isso. Você tem uma taxa de rejeição dele na Zona Sul que não é pequena. E, ao contrário, na Zona Oeste, a taxa entre os evangélicos é uma taxa de aprovação grande, de entusiasmo com ele. Só que, na Zona Sul, o que a gente pode perder no início da campanha migra para o (deputado estadual Marcelo) Freixo (PSOL). Por quê? Porque, se a pessoa está marcando a gente e não o Eduardo, na hora que tiver algum motivo para sair, sai para o Freixo, para o (deputado federal) Otávio Leite (PSDB-RJ), não sai para o Eduardo. O problema nosso é só esse. Então, isso daí não nos preocupa porque a campanha vai corrigir algum tipo de potencial de desgaste na Zona Sul que poderia vir dessa combinação PR-DEM. Vamos ter um tempo de televisão muito bom.
- O senhor e o Garotinho têm um encontro marcado para o dia 27, quando estarão juntos em um ato público da coligação. A cena vai causar algum estranhamento porque os senhores já foram adversários?
- São meses com esse processo entrando. Cesar e Garotinho, “caramba, mas eles eram adversários”. No dia 27, não vai ter esse impacto que você imagina. Se nós estivéssemos há sete, oito meses, e tivéssemos dado essa fotografia (juntos em público). Mas nós não demos. De uma forma racional, o encontro foi sendo construído. Você imagina há sete, oito meses, a quantidade de e-mails que eu recebia: “Me explica isso, Cesar Maia”. As pessoas foram tendo respostas, conversando umas com as outras, isso vai acomodando. Por outro lado, você tem uma grande parte da população que acha bom isso.
- Vocês vão juntos fazer campanha nas ruas?
- Eu sou candidato a vereador. Ele está apoiando os candidatos do PR e não a mim, candidato a vereador. Ele vai junto com o Rodrigo e com a Clarissa, que são os candidatos majoritários. Eu sou candidato a vereador. Ele não pode querer que eu tenha mais votos — eu poderei ter — porque eu vou tirar vereador do PR. Então, ele vai ter que fazer campanha na rua para o PR, e a minha campanha de vereador vai ser uma campanha própria.
- Isso foi uma decisão de vocês dois?
- Foi uma decisão do partido, tomada na convenção de julho. A ideia dele é que eu vou ter muito voto. “E se eu não tiver?”, perguntei para ele. “E se eu não tiver e for eleito? A responsabilidade é de vocês. Mas, para que eu tenha voto, eu preciso de tempo de televisão. Então, vocês vão ter que sacrificar tempo de televisão para que eu possa ter essa votação que vocês imaginam. É uma hipótese de vocês. A minha é fazer uma campanha para me eleger vereador e tentar ter a votação que vocês imaginam.”
- Qual é a sua expectativa de votos para se eleger vereador?
- A conta ali no quadro negro foi assim: o Tio Carlos, o Caiadinho (Carlos Caiado) e o Cesar Maia, somados, teriam 250 mil votos. Os demais candidatos nossos a vereador (do DEM), numa chapa com coligação, teriam uns 3 mil votos em média. Isso daria de 8 a 9 vereadores (DEM). Eu e mais sete ou oito, desde que os três — Tio Carlos, Caiadinho e eu — tenhamos 250 mil votos. Essa é a projeção que eles fazem. Acho possível.
- Quais serão suas bandeiras como vereador?
- Eu vou lutar para derrubar as leis que prejudicaram os servidores públicos, derrubar as leis que permitiram a privatização da educação e da saúde, enfrentar a especulação imobiliária e garantir os recursos das Olimpíadas
- O prefeito Eduardo Paes já disse “não perco um minuto da minha vida com nenhum deles”, referindo-se ao senhor e ao Garotinho. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
- Ele vai dizer o quê? Se ele é prefeito, se ele é candidato à reeleição, vai dizer que as pesquisas dele dizem que essa eleição é uma eleição difícil e vai para o segundo turno? A resposta dele é uma resposta natural. Não vai encher a bola dos adversários. Mas está sempre ali procurando… Dá uma pancadinha. É aquele negócio: não se joga pedra em fruta podre. Vai fazer um discurso, diz: “Estou fazendo uma coisa que o Cesar Maia não fez…” Para quê? Por que ele não diz que o Conde não fez, por que não diz que o Marcello Alencar não fez? Ele não diz que o Conde não fez, que o Marcello Alencar não fez porque não são atores competitivos no quadro político do Rio de Janeiro hoje. Depois, está cometendo um erro político muito grande. Quantos partidos o estão apoiando? 17? Isso é uma coligação? Isso é um baile de máscaras de Luiz XVI. Ninguém sabe quem é quem. Com máscara, vale tudo. Prejudica. Uma coligação dessa é fácil ser atingida. Mas eles acham que isso tudo gera vitória…
- Há alguma possibilidade de o senhor ser candidato a prefeito este ano?
- Isso não existe. Não há hipótese, não há possibilidade. Quarta vez? Muito bom três vezes prefeito — o prefeito mais longevo da história do Rio de Janeiro. ‘Tá bom. Cumpri com minha função”.

  • Quarta-feira, 01 Fevereiro 2012 / 12:21

Garotinho e Maia mostram força

   Do repórter Cassio Bruno, do ‘Globo’:
   “Nova Iguaçu se transformou no fiel da balança para a consolidação da aliança entre o deputado federal Anthony Garotinho (PR) e o ex-prefeito Cesar Maia (DEM). Sem acordo fechado na cidade da Baixada Fluminense, que possui 547.483 eleitores, Garotinho se encontrará, nesta quarta-feira, com o filho de Cesar, o deputado federal Rodrigo Maia, para tentar resolver o embrólio. Só assim, PR e DEM deverão selar oficialmente a dobradinha entre Rodrigo e a deputada estadual Clarissa Garotinho, filha do ex-governador, para ambos formarem chapa única e disputarem a Prefeitura do Rio.
O impasse ocorreu porque o DEM quer lançar, em Nova Iguaçu, a pré-candidatura de Rogério Lisboa à prefeitura daquele município. Lisboa, porém, não decolou nas pesquisas de intenção de voto, o que provocou a resistência de Garotinho em torno de seu nome na disputa. Neste caso, o PR lançaria uma candidatura própria, hipótese já descartada por Cesar Maia. Em 2004, Lisboa foi vice na chapa do então candidato Lindbergh Farias (PT), ex-prefeito da cidade e, atualmente, senador.
- Sinceramente, eu só acredito nesta aliança (DEM-PR), quando Cesar Maia e Garotinho fizerem uma foto pública apertando as mãos. Fora isso, eu duvido de tudo – afirmou um dirigente partidário próximo aos dois políticos.
Na tentativa de mostrar força na aliança com o DEM, no entanto, Garotinho anunciou, na terça-feira, a realização de um evento público na Zona Oeste, nesta quinta-feira, com a presença de Rodrigo Maia, que deverá ser a cabeça de chapa, e Clarissa, a vice. O encontro será às 18h no Bangu Atlético Clube.
Na semana passada, Garotinho defendeu Cesar Maia como candidato da coligação a prefeito da capital, como O GLOBO revelou. Maia rejeitou a proposta sob críticas a Garotinho. Segundo o ex-governador, com Cesar Maia, seria a única chance de levar a disputa para o segundo turno contra o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB), pré-candidato à reeleição.
Em seu blog, nesta terça-feira, Garotinho justificou:
- O fato de eu ter defendido a candidatura de Cesar Maia a prefeito, como expliquei no blog, trata-se de uma questão de viabilidade, mas deixei claro que se tratava apenas da minha visão pessoal, mas nunca um empecilho à aliança entre o PR e os Democratas, que está consolidada. Cesar Maia tem posição diferente da minha, mas isso é normal numa composição. A turma da intriga é que parece estar com medo da aliança política do PR com o DEM, no Estado do Rio de Janeiro”.

  • Segunda-feira, 30 Janeiro 2012 / 9:53

Garotinho quer voltar ao Governo

     O deputado Anthony Garotinho concedeu uma entrevista ao ‘Dia’ nesse final de semana, quando revelou sua intenção de concorrer ao governo do Rio em 2014. Para ele, a eleição municipal desse ano, será uma prévia para ele atingir sua meta.
Eis a entrevista concedida a repórter Rozane Monteiro.
- O que levou o senhor a se aproximar do ex-prefeito Cesar Maia (DEM) e anunciar no ano passado a intenção de lançar seus filhos (Clarissa Garotinho e Rodrigo Maia) como uma opção para montar uma chapa adversária ao prefeito Eduardo Paes (PMDB) nas eleições deste ano?
– Nós organizamos o PR para disputar eleição de uma forma competitiva no Estado. Fora o partido do governador (PMDB), nenhum outro partido tem a competitividade que o nosso tem. Eu digo ‘partido do governador’ porque ele não tem partido. Ele tem partido porque está no governo, senão ele não conseguiria montar candidaturas. Restaram duas estruturas fortes no estado — a do governo, que só é o que é porque é governo — e a nossa. Então, nós procuramos não disputar esta eleição isolados.
- Por que não teriam força?
- Porque, do outro lado, existe um grupo enorme de partidos que foram cooptados por empregos, por favores, por negócios… dinheiro, né? Então, nós não podíamos disputar uma eleição dessas sem tempo de televisão, que é fundamental para nossos candidatos.
- Mas os senhores já foram adversários ferrenhos. A política é assim?
- Eu e Cesar Maia temos diferenças, temos sim. Nós não escondemos isso, não. Continuamos tendo. Veja bem, na política, a gente tem que superar as diferenças que existem com os nossos adversários em função dos momentos históricos que nós vivemos. Por exemplo, veja a grandeza de (Luiz Carlos) Prestes, num momento da História, depois de ter tido um problema seriíssimo com o (presidente Getúlio) Vargas, que foi a questão da mulher (Olga Benario Prestes). Em nome do interesse maior do povo brasileiro, ficaram juntos. [Depois de ver sua mulher, judia, ser entregue por Vargas ao governo alemão na década de 1930, Prestes apoia sua campanha a eleição para presidente em 1950 ].
- O senhor acha bonito o Prestes ter ficado do lado do Vargas depois de o presidente ter entregado a mulher dele aos alemães?
- Não. Mas o Prestes entendeu que, naquele momento, era importante para o Brasil a união dele com Vargas. Então, eu continuo entendendo que o Cesar Maia tem uma posição mais liberal que a minha. Eu não sou um liberal.
- Falamos de economia?
- Não. Liberal, como uma posição política. Eu não sou. Sou um trabalhista, um nacionalista. Ele não é. Ele é um liberal. Mas isso não é algo que seja maior do que a necessidade de banir do Rio de Janeiro essa coisa oca, sem conteúdo que é um conjunto de gente interesseira, negociante, que vem tratando a coisa pública do estado e no município como se fosse uma coisa sua, pessoal.
- Quando o senhor fala “negociantes”, o senhor está se referindo a quê?
- A tudo. Por exemplo: os carros da polícia terceirizados com preços superfaturados; o aluguel de ar-condicionado para as escolas estaduais, absurdo; o aluguel de UPAs (Unidades de Pronto Atendimento)… Eu poderia citar aqui pelo menos 10, 15 exemplos de grandes negociatas feitas no governo do estado por esse grupo que está aí…
- Como provar?
- Está mais do que provado. Está tudo provado.
- O povo tem a percepção disso?
- Não. Com raríssimas exceções, Cabral comprou a mídia do Rio de Janeiro.
- Não me inclua, por favor. Mas, voltando aos “jornalistas comprados”, eu — que não sou “comprada” —, pergunto ao senhor : como provar esta afirmação?
- Imagine que qualquer outro político tenha dito que as mulheres que moram na Rocinha são fábricas de marginais, que os médicos são vagabundos; que tivesse mandado prender 439 bombeiros de uma vez só, o que nem a ditadura fez… O que teria acontecido com esse político? Estaria execrado.
- Voltando ao DEM… O senhor falou que seria interessante ter tempo na TV. Com a aliança, em quanto aumenta esse tempo?
- Dobra. Passa de dois e pouco para quase cinco minutos.
- Como foi essa aproximação com o DEM?
- Um tempo atrás, o Rodrigo (Maia) me procurou em Brasília, almoçamos, e ele disse: “Olha, a visão do papai é a seguinte: que a gente, sem estar unido, vai ser muito difícil derrubar essa máquina que envolve dinheiro, poder, mídia, e que ele achava muito importante e necessário que nós sentássemos para conversar.” Falei: “Marca dia e hora.” Então, Cesar Maia marcou um encontro na casa dele e perguntou se eu iria lá. Eu disse: “Não sou uma pessoa intransigente de não sentar para conversar com ele.” Sentei na casa dele. Aí, o Cesar fez uma análise e falou: “O nosso partido está muito fragmentado no interior, ao contrário do seu grupo político. Então, a nossa proposta é a seguinte: a gente indica a cabeça de chapa na capital e mais um ou outro município, mas muito pouco. E vocês ficam com o resto do estado todo.” Eu achei que, para os nossos candidatos — várias cidades têm televisão como Volta Redonda, Campos, Macaé e outras regiões importantes do estado —, ter um partido onde a gente poderia montar uma boa nominata de vereadores e ainda ter tempo de televisão era uma boa. Mas eu fiz questão de perguntar: “E o projeto para frente?” Ele perguntou: “Para frente como?” Eu respondi: “Depois dessa eleição. Eu posso ser candidato a governador, né? Não estou dizendo que vou ser, é uma hipótese bem provável.” “Bom, se você for candidato a governador, nós estaremos com você”. “Está bom. Está fechado?” “Está fechado.” Passamos um primeiro momento, as coisas foram evoluindo, tivemos várias reuniões. Mas eu ainda acho que, melhor que a candidatura do Rodrigo, é a candidatura do Cesar Maia.
- A vereador?
- A prefeito. Eu defendo que ele (Cesar) seja candidato a prefeito. Ele ainda está resistente, mas acho que, no final, a disputa no Rio vai ser entre quatro candidatos: Eduardo Paes, Fernando Gabeira (PV), Cesar Maia e Marcelo Freixo (PSOL). Esses quatro candidatos vão fazer uma eleição disputadíssima na cidade do Rio de Janeiro. Aquilo que hoje o PMDB tenta passar como uma barbada vai ser uma eleição muito difícil. Quando você faz uma pesquisa e coloca Eduardo Paes com o cenário do Rodrigo Maia, (o deputado federal do PSDB) Otávio Leite e (o senador do PRB, Marcello) Crivella, ele dá 36%. Quando você faz uma pesquisa e coloca Eduardo Paes, Cesar Maia, Gabeira e Marcelo Freixo, ele dá 25%, Gabeira, 20%; Cesar Maia, 15%; Marcelo Freixo, 12%.
- Com o DEM, no cenário de agora, há uma chance de minar Eduardo Paes?
- Eu tenho absoluta certeza de que neste quadro de candidaturas — Eduardo Paes, Cesar Maia, Fernando Gabeira e Marcelo Freixo —, o Eduardo Paes vai para o segundo turno com um dos três e perde.
- Então, essa história de Rodrigo com Clarissa contra o Paes é balão de ensaio?
- Isso é o que está posto hoje. Mas a eleição não é hoje. A definição de candidatura também não é hoje. Eu vou continuar trabalhando dentro daquilo que eu acredito ser o melhor para a nossa visão política.
- Isso é uma preparação para a candidatura de Cesar Maia?
- O que eu estou te dizendo é que eu vou sensibilizá-lo e tenho certeza de que o próprio Gabeira, ao não sair do PV, acompanhando a Marina (Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata à Presidência da República pelo PV), deixou uma porta aberta para ser candidato. Se o Cesar Maia e o Gabeira forem candidatos, o PMDB perde a eleição no Rio.
- Qual o Calcanhar de Aquiles do Paes?
- Saúde. A saúde do governo dele está na CTI.
- O povo percebe isso?
- Percebe. Porque este fato é, assim, muito visível. É muita gente nesse embate diário, batendo na porta de pronto-socorro que não tem remédio, médico, atendimento… Eu acho assim: nós nos preparamos para fazer com nosso grupo 30 prefeituras no estado. Achamos que o PMDB vai começar a diminuir e voltar para o seu tamanho normal, que é, nesse primeiro momento, em torno de 30, para depois encolher e voltar para o seu leito natural. Eu acho que o PMDB vai encolhendo, vai perdendo espaço. Eles vão voltar a ser um partido pequeno no estado. Sabe por quê? Porque tudo que não tem consistência desmancha no ar. A farsa vai ser revelada a partir desta eleição municipal.
- Há algum município do Estado do Rio em que o PR esteja liberado para fazer aliança com o PMDB?
- Nós não vamos apoiar o PMDB em cidade nenhuma.
- Esse quadro não muda de jeito nenhum?
- Não muda.
- A campanha de 2012 é para preparar o PR para a disputa pela sucessão do governador Sérgio Cabral?
- A campanha de 2012, na verdade, vai consolidar o processo de reestruturação do PR no Rio de Janeiro. Este ano vai servir para pavimentar essa consolidação do partido em um âmbito estadual. Vamos poder aparecer na TV, falando de projetos já realizados pelo partido e por mim, como governador e como deputado federal, também saindo em defesa dos candidatos que a gente entende como sendo os melhores para a população. Então, a campanha de 2012 pavimenta, consolida a reestruturação do PR como uma legenda importante no estado. É uma campanha muito importante, sobretudo em função das eleições de 2014.
- Depois do tempo que o senhor passou no comando deste estado, o que ficou no imaginário do cidadão fluminense com relação ao senhor?
- Olha, eu saí do governo do estado para ser candidato a presidente. Tive quase 16 milhões de votos. Ganhei no Rio de Janeiro, tive mais voto do que o Lula. Rosinha (Garotinho, mulher do deputado) foi eleita (governadora, em 2002) no primeiro turno. Bom, como é que eu posso ter sido mau governador se o povo votou maciçamente em mim para presidente e elegeu a minha candidata — minha esposa — no primeiro turno? Claro, depois, foi feito todo um processo de massacre, de lavagem cerebral na cabeça da população para jogar parte da população contra mim. Por quê? Porque eu não sou um político que faça o jogo das elites políticas. Eu não sou um político, assim, confiável ao controle das elites. Se, numa eleição para deputado federal, eu faço 700 mil votos — a maior votação que um deputado federal já teve na História do Rio de janeiro —, as pessoas dizendo que não adiantava votar em mim, que o voto não ia valer, me acusando de tudo o que se pudesse imaginar, tem uma parte expressiva da população que não engoliu isso.
- O senhor seria candidato a presidente da República de novo?
- Sou professor de escola bíblica. A Bíblia manda a gente viver um dia de cada vez. Então, vamos viver o dia de hoje.
- Isso é sim ou não?
- Nem sim, nem não.
- Quem seria o vice no caso de o senhor ser candidato a governador?
- É muito prematuro isso. Agora é hora de organizar o partido e ganhar as eleições municipais. Consolidadas as eleições municipais, vamos partir para a eleição estadual. Mas primeiro temos que viver este momento.
- No início do ano, em entrevista a O DIA, ao comentar sua aliança com o Cesar Maia, o prefeito Eduardo Paes respondeu: “Eu não perco um minuto da minha vida com nenhum dos dois.” O que o senhor tem a dizer sobre isso?
- É uma frase de efeito e nada mais. Eu, se fosse ele, perdia um pouco de tempo comigo porque eu fui o deputado federal mais votado na cidade do Rio de Janeiro. Eu tive 177 mil votos na cidade, o dobro do candidato que ele apoiou que foi o secretário (Casa Civil) dele, o Pedro Paulo. Se você não quer perder um minuto com o deputado federal mais votado da cidade que você governa, no mínimo, você é mau político.
- Sobre o que é o livro que o senhor está acabando?
- É um livro de mensagens. Eu pego um versículo bíblico e desenvolvo, faço uma mensagem para a pessoa. O livro é isso. Em cima de cada mensagem, eu conto uma história. Por exemplo, tem o versículo “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Aí, eu falo o que é a verdade. No fim, ilustro com uma história.
- Falando nisso, o senhor teria um versículo para o prefeito nesta eleição?
- Um versículo bíblico?
- Sim.
- Para o Eduardo Paes?
- Claro.
- “A soberba precede a ruína.”

  • Sexta-feira, 27 Janeiro 2012 / 16:49

Cesar não será candidato à prefeito

     Do repórter Cássio Bruno, do ‘Globo’:
     “O ex-prefeito Cesar Maia (DEM) disse não haver “nenhuma chance” de ser candidato novamente nas próximas eleições, em outubro, ao cargo que ocupou por três mandatos. Em evento do PR, na última quarta-feira, no Rio, o deputado federal Anthony Garotinho, ex-governador, defendeu o nome de Cesar Maia como cabeça de chapa da aliança no lugar do filho dele, o também deputado federal Rodrigo Maia (DEM), atual pré-candidato à prefeitura. Segundo Garotinho, essa seria a única maneira de levar a disputa para o segundo turno contra o prefeito Eduardo Paes (PMDB), que tentará a reeleição.
- Não há nenhuma chance. É hora de renovação. A geração de 1964 (na política) terá 74 anos em 2014. A geração de 1968, a minha, terá 70 anos. Há que abrir espaço às novas gerações políticas – afirmou Cesar Maia.
Sem citar Garotinho, o ex-prefeito criticou o aliado, que afirmou tentar convencê-lo a concorrer mais uma vez a prefeito do Rio “diante dos fatos”, referindo-se à candidatura de Cesar Maia ter maior possibilidade de chegar ao segundo turno.
- Os fatos estão na politica e esta exige renovação. Se as gerações que atravessam hoje os 60 anos e que se formaram em outra época não entenderem isso, estarão servindo ao passado e suas circunstâncias, cultura, política e estilos – declarou o democrata.
Segundo Garotinho, a candidatura de Cesar Maia tem “mais densidade eleitoral”. Já na opinião do ex-prefeito, que negou haver crise na aliança PR-DEM, Garotinho “personalizou” o quadro eleitoral do Rio:
- Ele apenas sinalizou os vetores que disputarão as eleições este ano no Rio, e personalizou um deles. Quero servir a minha cidade, e como vereador o farei também.
Cesar Maia lembrou de candidatos a prefeito em eleições passadas que lideravam as pesquisas de intenção de votos, mas acabaram sendo derrotados:
- Qualquer pesquisa de projeção de cenários com os nomes em disputa sendo qualificados, mostra isso. Não se pode fazer pesquisa com nomes de visibilidade muito diferente. Por isso, os não iniciados se surpreenderam, em 1992, com Cidinha (Campos) com 38% na pré-campanha; em 1996, com (Sérgio) Cabral com 37%; em 2000, com (Luiz Paulo) Conde com 35% e, em 2008, com (Marcelo) Crivella, com 27%. A eleição de 2004 foi um ponto fora da curva. Assim mesmo, venci no primeiro turno por sete mil votos e em função da desistência da (juíza aposentada) Denise Frossard.
Nesta quinta-feira, em seu blog, Garotinho voltou a defender a candidatura de Cesar Maia a prefeito do Rio. Ele, porém, negou ter descartado o nome de Rodrigo Maia:
- Quero deixar bem claro que não tenho nenhuma restrição ao deputado Rodrigo Maia, e muito menos descartei sua candidatura a prefeito. É apenas uma questão de avaliação do quadro eleitoral atual, que também pode evoluir a seu favor. Só acho que não deveremos dar folga a esse grupo do PMDB que quer a todo o custo, através dos expedientes mais sujos, se manter à frente do governo do estado e a prefeitura do Rio. Essa é a minha visão neste momento.
Cesar e Rodrigo querem a filha do ex-governador, a deputada estadual Clarissa Garotinho como vice na chapa. A parlamentar, no entanto, não esconde o desejo de o PR ter candidatura própria. Procurado, Rodrigo Maia não retornou as ligações.
O PR, da base de apoio da presidente Dilma Rousseff, e o DEM são adversários no cenário nacional. No ano passado, contudo, Garotinho e Cesar Maia, inimigos políticos históricos até então, decidiram unir forças contra o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes. No Rio, o PR e o grupo de Garotinho ficaram enfraquecidos na Assembleia Legislativa (Alerj). O partido perdeu quatro dos nove deputados estaduais para o PSD. Assim, a legenda criada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ficou com 11 parlamentares. Desses, quatro vão disputar prefeituras no estado no ano que vem. Além disso, a única deputada do DEM na Assembleia, Graça Pereira, também aterrissou no PSD”.

  • Quinta-feira, 26 Janeiro 2012 / 10:37

Garotinho quer Cesar candidato

     Deu no ‘Globo’:
      “O deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ), ex-governador, defendeu ontem, em evento de seu partido, no Rio, a candidatura de Cesar Maia (DEM) a prefeito da cidade nas eleições de outubro, descartando, assim, o atual pré-candidato da aliança, deputado federal Rodrigo Maia (DEM), filho do ex-prefeito.
Segundo Garotinho, com Cesar Maia, as chances de levar a disputa para o segundo turno contra o prefeito Eduardo Paes (PMDB) serão maiores.
— O candidato mais adequado, nas pesquisas que eu tenho, é o Cesar Maia. O Eduardo Paes quer fazer uma eleição fácil, sem disputa — afirmou Garotinho, lembrando que a filha, a deputada estadual Clarissa, ainda não foi confirmada como vice na chapa. Rodrigo Maia não retornou as ligações”

  • Quinta-feira, 12 Janeiro 2012 / 14:17

Picciani detona o PT do Rio

      Os repórteres André Zahar e Rozane Monteiro, de ‘O Dia’, publicaram domingo uma entrevista com o
presidente do PMDB, o ex-deputado Jorge Picciani, que arrasa com o PT no Rio e coloca em perigo a aliança dos petistas com o candidato Eduardo Paes.
Picciani foi quem detonou, em 2010, a candidatura de Alessandro Molon, do PT, à Prefeitura do Rio – candidato que estava sendo apoiado pelo governador Sergio Cabral.
O presidente regional do PT fluminese distribuiu, no dia seguinte, uma nota oficial, atacando Picciiani: “Acreditamos que as opiniões desrespeitosas expressas pelo presidente do PMDB não sejam compartilhadas pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes”.
Lêdo engano.
Eis a entrevista de Picciani e depois a nota do presidente do PT, Jorge Florêncio de Oliveira.

- O PMDB vai apoiar candidatos do PT em quais municípios?
— O PMDB apoiará candidatos do PT em Paracambi, Paraty… Em Quissamã, nosso candidato Arnaldo Mattoso talvez seja vice também. Foi feito um acordo político. Todo mundo quer ser candidato, mas quando faz acordo, tem que valer.
- E em Niterói?
- Vamos apoiar o prefeito Jorge Roberto (Silveira), do PDT. Ele apoiou o PMDB na eleição majoritária — para governador e senador em 2010 —, doente e com o problema do Morro do Bumba (favela onde mais de 40 pessoas morreram em deslizamento). Isso nos levou a assumir o compromisso de apoiar a reeleição.
- Mas o governo dele está mal avaliado…
- O argumento de que ele não está bem não é político. Eu sou avalista dos acordos do partido. Não mudo de opinião em função das adversidades. Vai nos caber ajudá-lo a melhorar a administração.
- Na prática, o que significa ajudar a melhorar a administração em Niterói?
- Numa aliança, você sugere melhorias. Ele teve dois episódios (que o prejudicaram), um pessoal e um político. Houve o desabamento do Bumba e ele teve um câncer. A questão do Jorge Roberto também tem um simbolismo grande porque o Cabral fez campanha duríssima a favor do (atual secretário estadual de Assistência Social e pré-candidato do PT) Rodrigo Neves (em 2008). Perdeu e estabelecemos uma relação administrativa que avançou para a relação política. Sou amigo pessoal do (secretário estadual de Trabalho e pré-candidato do PSD) Sérgio Zveiter. Sou amigo pessoal da família. O Cabral me perguntou: “Picciani, e o Zveiter?” Eu disse: “Não tenho esse compromisso”. Uma coisa é o Jorge Picciani, outra é o presidente do PMDB, que não sentou em momento nenhum com o Sérgio Zveiter, o Rodrigo Neves, nem com seus partidos e fez nenhum compromisso.
- A dupla Zveiter e Rodrigo Neves é a aliança desejada pelo governador Sérgio Cabral para Niterói?
- É uma vontade pessoal, nos cabe respeitar. São pessoas com quem ele está convivendo, que são secretários dele. Agora, o governador não interfere nas questões partidárias. Ele pode opinar, tem representantes dele nas decisões da Executiva e depois desses anos todos deve confiar nas minhas posições. Ele me visitou no hospital para me oferecer se eu queria ir para ministro. Eu disse: “Não quero ter função pública, vou presidir o partido”. Eu presido o partido, e o patrimônio desse partido, da política, é cumprir os compromissos. Mas algumas alianças podem ser desfeitas. Não vamos levar o partido ao suicídio. Se cometerem erros que não podem ser justificados, não temos que afundar num barco que não remamos.
- Em Angra dos Reis, o candidato continua sendo o prefeito Tuca Jordão, do PMDB?
- Vamos definir este mês. Avança para a candidatura do deputado federal Fernando Jordão (também do PMDB, rompido com Tuca).
- A expectativa é eleger quantos prefeitos?
- Trabalho com 45. Falta combinar com o eleitor. (risos)
- Na capital, a conta de 18 partidos com o prefeito Eduardo Paes inclui PV e PPS?
- O PV tem um ato de vontade nossa, mas nenhum indicativo deles. Temos a possibilidade de trazer o PPS, desmontando um pouco a aliança de 10 anos com PSDB e PV.
- Qual é a chance de o PPS apoiar o Eduardo Paes?
- Mais de 90%. Foram feitas todas as conversas. O (vereador) Paulo Pinheiro, que era contra, saiu (para o PSOL).
- Como o senhor avalia as pesquisas sobre o Rio?
- Se somar todos (adversários), dá 30%. Sem o (senador Marcelo) Crivella (PRB), o Eduardo dá de três para um (na soma dos outros). A eleição será no primeiro turno.
- O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) pode dar trabalho?
- É um bom candidato, mas só vai ajudar a dar mais brilho à vitória do Eduardo no primeiro turno.
- Ele pode repetir a onda Fernando Gabeira (PV) nas eleições de 2008?
- Não creio. Apesar de ser um rapaz com qualidades, ele é menos abrangente. O Gabeira tinha liberdade para aliança. O Marcelo fica engessado, antes de falar tem que perguntar ao partido.
- Como o senhor vê a aliança entre Cesar Maia (DEM) e Anthony Garotinho (PR) na capital?
- É legítima, eles têm adversários comuns.
- Quem dará mais trabalho: Marcelo Freixo ou Rodrigo Maia?
- Não temos muita preocupação. O Marcelo vai dar mais brilho à vitória do Eduardo, e os outros sairão menores do que entraram.
- Como o senhor vê a criação do PSD?
- A relação com o PMDB no Rio é quase umbilical. Tem uma decisão nacional da direção do PMDB de não entrar na Justiça (contra quem saísse do partido). Os (vereadores) que ficaram, se quiserem apoiar adversários, eu vou cortar legenda. Respeito as manifestações, mas depois de bater a convenção, todos, desde os generais aos soldados, estarão condicionados. Não são obrigados a fazer a campanha. Se o governador não se sentir bem em apoiar um candidato, não vai. Mas fazer campanha contra o PMDB ou candidatos apoiados pelo PMDB, não acredito que os soldados nem os generais farão.
- E se tiver um rebelde?
- Aí, tem que ver caso a caso. O partido tem um estatuto, uma comissão de ética…
- … que vale para soldados e generais?
- Principalmente para os generais.
- Como o governador vai fazer campanha nos locais onde a base está rachada?
- O sentimento pessoal será sempre respeitado, mas a gente nunca vai imaginar que ele fará campanha em todos os municípios. Ele fará onde o PMDB tem candidato, onde apoia candidato e onde se sentir à vontade. Não há uma regra, mas o partido tem que ter uma estratégia. A partir daí, eu, o Cabral, o (vice-governador Luiz Fernando) Pezão, quem tiver voto vai fazer campanha. O que vai no coração do Cabral ele não conta.
- Como assim “no coração do Cabral”?
- Vou dar um exemplo. Em Nova Iguaçu, ele diz: “Apoiei tanto o (deputado federal Nelson) Bornier na eleição anterior (para prefeito), e ele foi fazer campanha para o (José) Serra (PSDB). Eu pedi tanto para fazer para a (presidenta) Dilma (Rousseff)”. É uma campanha que ele (Cabral) começa sem muita vontade de fazer. Mas, quando engrenar, o que vai contar é o seguinte: é importante o PMDB ganhar em Nova Iguaçu. Então, o Cabral passa a ter simpatia de novo pelo Bornier.
- O que acontece se o senador Lindbergh Farias (PT)decidir ser candidato a governador em 2014?
- Está no direito dele. O que eu ouço nos bastidores é que ele é candidato pelo PT ou pelo PSB. Não tenho nenhuma dúvida de que ele vai ser candidato. O PMDB vai estar aberto para aliança. Se ele quiser ser o vice do Pezão, não tem problema. Se quiser ser candidato, vamos respeitar e derrotá-lo.
- O cenário para 2014 passa muito pela Baixada. Lá, PMDB e PT estão separados em vários municípios.
- A eleição para prefeito, com exceção da capital, tem zero influência na de governador. Quem vai decidir a eleição de governador não é o Pezão, é o Cabral. Nós vamos ganhar em 45 cidades, mas, mesmo que perdêssemos tudo, faríamos o governador. Se o Cabral fosse candidato à reeleição, se elegeria de novo. O Cabral vai chegar na sucessão dele muito melhor. Teremos avançado muito mais na área de segurança, com menores índices de criminalidade. O Cabral fará o sucessor, e o Lindbergh tentará se tornar ainda mais conhecido para tentar a reeleição no Senado e nos derrotar depois.
- O senhor considera o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, uma alternativa a Pezão?
- Ele não é político, é uma pessoa da área de segurança. A grande sabedoria do Cabral é lhe dar autonomia e apoio. O partido é aberto a qualquer pessoa de bem, mas a minha opinião pessoal é que não se mistura segurança com política. O Pezão está identificado com o Governo Cabral. Na hora em que se tornar o candidato da continuidade, se tivermos índices que acham que o governo deve continuar, o Beltrame ajuda dizendo que, se for convidado, vai permanecer. Mas, se o governo for mal, não tem Beltrame, não tem ninguém. Se estiver mal, vão escolher a mim, que enfrento só pedreira. Eu sou candidato, só não sei a quê. Vamos esperar.
- Em 2014, só terá uma vaga em disputa no Senado. O senhor se candidataria?
- Eu seria candidato ao Senado, mas temos uma precedência, o senador (do PP Francisco) Dornelles. Se ele quiser continuar, vamos apoiá-lo. Se não quiser, abre-se uma discussão no PMDB. Se o Cabral não quiser, saio candidato. Se ele quiser, eu busco outro caminho. Minha preferência é disputar o Senado.
- Voltando ao PSD, onde tem acordo?
- Fizemos um acordo político que vale para 2012 e 2014 com o (prefeito de São Paulo e presidente do PSD Gilberto) Kassab, com o Indio (da Costa, presidente estadual do PSD no Rio) e com o (deputado) André Corrêa (secretário-geral do partido no Rio e líder do governo na Assembleia Legislativa).
- Como fica a situação em Macaé, onde o secretário de Agricultura, Christino Áureo, é pré-candidato pelo PSD?
- Em Macaé, temos candidato próprio. É o André Braga. O Christino Áureo é um rapaz ótimo, meu amigo de muitos anos, um quadro técnico maravilhoso, com nível para ser ministro da Agricultura. Ele botou na cabeça que é o ‘bola da vez’ para ganhar, mas as pesquisas mostram que não tem nenhuma chance. Quem conhece ele, não gosta. Eu sou exceção, que gosto, mas não voto em Macaé. Forte lá é o nosso adversário, o (deputado federal) Dr. Aluizio, do PV. Ele é o ‘bola da vez’. Vamos ter que bater nele até ele virar pó, senão não ganhamos. A eleição lá é muito difícil.
- O PSD discute o nome do deputado estadual Wagner Montes para o Senado. O acordo vale para senador também?
- O Wagner Montes sempre é pré-candidato a tudo. Nós fizemos um acordo de os partidos ficarem juntos.
- Mas quem foi para o PSD foi porque não tinha legenda para concorrer ao cargo que queria.
- O Wagner, se quisesse ter sido senador, poderia pelo PDT. Mas ali a convivência é muito difícil. O PDT vive um momento muito difícil. Uma das razões para eu querer apoiar o Jorge (Roberto, prefeito) em Niterói é resgatar o Jorge. Para nós, o PDT é fundamental na eleição de 2014. Se você deixa esfacelado, o PDT vai para o lado do adversário. O suplente do Lindbergh é do PDT. O Rodrigo Neves hoje é Cabral, mas, se ganhar, fortalece o Lindbergh. Eu aqui trato de partido, não tem a ver com gostar ou não gostar, ser mais simpático. Esse Rodrigo Neves tenta puxar o meu saco o tempo todo, só que o Cabral gosta e eu não gosto. São temperamentos diferentes. Cabral é muito mais educado, mais refinado. Eu estou na política, e a minha responsabilidade é levar o partido à vitória dentro da compreensão de que quem tem cacife ou não para fazer o sucessor é o sucesso do Governo Cabral. Dá tranquilidade para o Cabral governar ter um partido com quem tem experiência, seriedade e respeita acordo. Isso permite ao governo não ter que se meter nesta seara. Da mesma forma, ter alguém aqui que não usa o partido para se meter nas questões do governo é bom para o governo também.
- As alianças com o PT esbarram em 2014?
- Não. Eu penso o seguinte: queria apoiar o prefeito de Maricá, o Quaquá, que é do PT. Ele foi muito bacana comigo na campanha. Mas fizeram uma pesquisa, e ele tem 5% de intenções de voto, 70% de rejeição. Já o candidato do PMDB tem 35% de intenções. Aí, a simpatia tem que acabar. Não havia um acordo partidário, havia uma simpatia minha. Sou duro na negociação, senão não conduzo o partido. A questão do PT, se você pega cidade por cidade, é que não tem quadros. Lindbergh foi prefeito duas vezes em Nova Iguaçu. Quem ele preparou? Em Nilópolis, quem tem? Em Mesquita, o Artur Messias, que foi prefeito duas vezes, é meu amigo pessoal. Quem preparou para sucedê-lo? Não preparou. Então, eu vou levar o PMDB a um desastre? Não é porque eu não quero. Em Belford Roxo, o Cabral tem botado 100, 200 milhões em asfalto, e os índices (do prefeito Alcides Rolim) são desesperadores. O que vamos fazer? Brigar com todo o PMDB? Em Caxias, veio o líder do PMDB (na Alerj), deputado André Lazaroni, meu amigo querido, falar: “É minha mãe”. Eu adoro a Dona Dalva (Lazaroni, pré-candidata do PT), mas cadê? 0,2% na pesquisa. Eu falei: “Não deixa ela passar esse sofrimento. Lança ela vereadora no Rio e eu faço ser puxadora de votos do PMDB. Tira tua mãe do partido e vamos ver”. Em Petrópolis, o prefeito (Paulo) Mustrangi (PT) é excelente pessoa. Na Região Serrana, todos os políticos estão com fama de ladrão, ele não… mas é de uma inaptidão, não sai na rua, se esconde em casa. Sempre me tratou da melhor maneira. Me fez perder voto, porque está mal, mas sempre foi muito educado. Como vamos apoiar se temos um candidato com quatro vezes mais voto? Em Teresópolis, roubaram a cidade, destruíram a cidade, como vamos apoiá-los? Ele (Jorge Mário, expulso do PT) veio aqui, e disse: “Tenho quatro partidos me assediando, quero ir para o PMDB. Eu disse: “Arruma outro, vamos te cassar”.
- São Gonçalo tem uma situação peculiar, tem dois pré-candidatos do PMDB. Como se decide?
- A eleição lá é dificílima. Temos o deputado federal Edson Ezequiel e a deputada estadual Graça Matos. Em qualquer pesquisa, um ou outro está na frente. O deputado federal Neilton Mulim, do PR, apoiado pelo Garotinho, está em segundo, o deputado estadual do PSB Rafael do Gordo, em terceiro, o deputado estadual José Luiz Nanci, do PPS, em quarto, o Adolfo Konder, do PDT, apoiado pela prefeita (Aparecida Panisset), em quinto, e a Alice Tamborindeguy, do PP, crescendo. Fizemos um acordo (com PSB e PPS) para escolher o candidato com mais chance, mas tem que ser por consenso. Tem cidade onde você pode fazer intervenção, expulsar, mandar prender. Em São Gonçalo, não. A eleição é de dois turnos. Se perdemos (no primeiro), apoiamos o candidato da prefeita. Mas também queremos que ela nos apoie. São Gonçalo é diferente de tudo. É o município mais perigoso para a gente.
- O Marco Antônio Cabral, filho do governador, sai candidato em 2014?
- Eu acho que tem que ser puxador da legenda para (deputado) federal. Eu, como presidente do partido, o quero como candidato, mas vai depender das condições políticas da época e de onde o pai estiver. Acho que ele seria um sucesso em termos de voto, e eu estou aqui para cuidar do melhor para o PMDB. O Cabral não vai gostar (de eu falar) disso, não.
- É verdade que o governador não gostou quando o senhor falou isso pela primeira vez?
- Eu sempre faço a ressalva, eu falo o que eu penso, não combinei nada com eles. Eu digo sempre, aonde eu vou, quando me perguntam, eu falo as coisas que eu acho. Mas eu não combinei com ninguém, não. Mas eu continuo achando que não terá alternativa. Ele (Cabral), para eleger o Pezão, tem que se desincompatibilizar, ou (para concorrer) a vice-presidente ou a senador… E, com isso, vai resolver naturalmente a questão do anseio de uma militância imensa do partido que quer o Marco Antônio candidato”.

A nota do PT

“Frente a entrevista do Presidente Regional do PMDB, o candidato derrotado ao senado nas eleições de 2010 Jorge Picciani, que nos causou profundo estranhamento, algumas considerações se fazem necessárias:
- Picciani utiliza, durante toda a entrevista, números questionáveis para justificar suas opiniões. Em momento algum cita a fonte das pesquisas, cujos resultados curiosamente atendem sempre aos seus interesses.O PT-RJ nega-se a comentar os números do Instituto Data Picciani.
- Fica explícito, na entrevista, o desejo do presidente do PMDB de antecipar o processo eleitoral de 2014. Ao estabelecer critérios contraditórios na construção de alianças com o PT e com outros partidos, Picciani orienta-se pelo receio de enfrentar novamente nas urnas o senador pelo PT-RJ Lindbergh Farias, eleito com a maior votação do estado em 2010.
- O PT-RJ realizou um conjunto de debates e seminários visando a disputa das eleições municipais de 2012, reafirmando sua condição de partido democrático e comprometido com a melhoria objetiva das condições de vida do povo. Pretendemos com isso, ampliar nosso número de prefeitos e vereadores, bem como aumentar o diálogo e a colaboração entre os partidos que fazem parte do projeto nacional protagonizado pela presidenta Dilma Rousseff
- Entendemos, no entanto, que uma aliança política é sustentada por um projeto comum, respeito mútuo e diálogo democrático. Acreditamos que as opiniões desrespeitosas expressas pelo presidente do PMDB
não sejam compartilhadas pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito Eduardo Paes.
- Por fim, esperamos que o presidente do PMDB modifique o comportamento truculento e impróprio no trato com os aliados, que já lhe causou a derrota para o senado em 2010 e, mais uma vez, provoca uma situação constrangedora.
Jorge Florêncio de Oliveira
Presidente do Diretório Estadual/PT-RJ”

  • Terça-feira, 03 Janeiro 2012 / 10:13

A pauta de Cesar Maia

     O ex-prefeito Cesar Maia publicou em seu blog, semana passada, um balanço sobre a política municipal na capital do Rio.
Como candidato declarado a Câmara de Vereadores, e tendo provavelmente seu filho Rodrigo como candidato a Prefeito, o artigo certamente será a pauta do discurso do DEM nas eleições desse ano.
Eis o seu texto:
“1. A cultura política carioca, quando atropelada por candidatos majoritários, em todos os níveis, a resposta é dada nas urnas.  Os exemplos são muitos: Flexa Ribeiro, um paradigma. A atual prefeitura comete três pecados mortais contra a cultura política carioca: a) discrimina os servidores municipais e prestigia terceirizações e organizações; b) confunde lei e ordem com repressivismo e assim humilha os pobres. Quanto maior a autoridade menor a necessidade do uso da violência. Repressão pela repressão é intimidação. A Alemanha dos anos 20 e 30 tem triste memória disso; c) a privatização da educação e da saúde, com gastos com OSs, ONGs, Empresas, Institutos e Fundações que somados já alcançam 3 bilhões de reais desde 2009. O Rio -desde o Império e depois como DF- é a matriz brasileira da educação pública e da saúde pública. 
2. Pesquisa recente mostra que 61% dos eleitores cariocas no caso da Saúde e 59% no caso da Educação, acham que piorou ou nada melhorou na prefeitura do Rio nestas duas funções.     
3. A imberbização da gestão municipal trouxe para o primeiro nível de proximidade com o prefeito, incluindo o próprio, pessoas sem nenhuma experiência de gestão. Com isso não há coordenação, não há acompanhamento, e as promessas e propostas se diluem, sem execução ou com enorme atraso. Restam
as licitações de obras que são executadas por empreiteiros. Mas mesmo assim, a descontinuidade de empenho e liquidação, as interrompe sistematicamente.        4. A prefeitura se transforma numa patrocinadora de eventos para ter visibilidade e numa licitadora. O espalhamento político da administração municipal torna os acessos de raiva e faniquitos da autoridade superior, motivo de bazófias e perda de autoridade. Afinal vários secretários se sentem hierarquizados fora do prefeito, fora da prefeitura.      
5. Do ponto de vista macro, o setor imobiliário que é o vetor empresarial-político dominante desde a Proclamação da República, e cujo poder e controle das decisões básicas da prefeitura são cíclicos, volta a comandar as decisões executivas e legislativas. Isso estressa as relações com os moradores e gera
desgaste político. O único proveito eleitoral é o patrocínio eleitoral.         
6.  O caos no trânsito é a imagem dessa imberbização, da inexperiência e o descontrole. 66% dos cariocas acham que a situação piorou, piorou muito ou nada melhorou. Mesmo com ampla generosidade de boa parte da imprensa que não aplica a dialética governo- oposição, e com grande destaque para as promessas
publicitárias que se sucedem como se fossem realidades, mesmo estando no palco apenas o prefeito, sua avaliação no último trimestre alcançou 35% e sua intenção de voto com projeção de cenários, fica abaixo disso.     
7. Dessa forma em 2012 teremos no Rio eleições competitivas que serão decididas pela capacidade dos candidatos de fazer suas campanhas acertando adequadamente o alvo.  Nesse sentido, nem o segundo turno está teoricamente garantido para o prefeito”.

  • Terça-feira, 27 Julho 2010 / 10:14

Rodrigo Maia ironiza Cabral

    Do deputado Rodrigo Maia, presidente do DEM:
“O (Sergio) Cabral deve estar certo. Já que a violência no Rio acabou, a educação é de primeiro mundo e a saúde perfeita, para que debater?”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:49

Nordeste dará uma surra no DEM

Líder da bancada do DEM, Agripino está com dificuldades em se reeleger

Líder da bancada do DEM, Agripino está com dificuldades em se reeleger

De Maria Inês Nassif, do ‘Valor Econônico’:
“Um lento processo de esvaziamento do DEM no Nordeste, a região que manteve o partido, desde a sua criação, em 1985, com grande bancada no Senado, pode ser consumado em outubro. Do total de 14 senadores do partido, oito encerram seus mandatos – cinco eleitos pelo Nordeste e três pelo Centro-Oeste. Os senadores Gilberto Goellner (MT), Antonio Carlos Júnior (BA) e Adelmir Santana (DF) são suplentes e não disputarão em outubro.
O DEM pode reduzir sua bancada para oito ou nove, na previsão do diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antonio Augusto de Queiroz – o que significaria eleger dois ou três apenas nessas eleições. Ou vai perder apenas um ou dois senadores – o que significaria ficar com 12 ou 13, na avaliação do presidente nacional do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ). Os dois concordam, no entanto, que a sangria do partido ocorre no seu reduto tradicional, o Nordeste.
A longa duração do mandato de senador – que corresponde a dois mandatos de deputados – manteve o partido forte no Senado quando já havia entrado em declínio na Câmara. Em 1998, o então PFL elegeu 105 deputados, a maior bancada; quatro anos depois, com a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva, obteve 84 deputados nas urnas; em 2006, fez 65 deputados e, até a posse, já havia perdido três. Tornou-se a quarta bancada. No Senado, o declínio foi mais lento: a bancada de 19 senadores do período 1995-1998 baixou para 17 no período seguinte (1999-2002) e hoje são 14.
“Em 2000 administrávamos 1200 cidades; em 2004, 700 e poucas; hoje são apenas 497. Estamos perdendo nas cidades menores e com menor renda”, diz Maia. Para ele, quanto maior for a população beneficiada pelo programa Bolsa Família em relação ao número de eleitores – caso das comunidades menores -, menor é a chance de acesso da oposição a esse eleitor. “A máquina do governo impede o acesso da oposição aos eleitores mais pobres”, afirma o presidente do partido. Para Queiroz, esse processo ocorreu porque a opção do DEM pela oposição foi contra a natureza do partido, cuja razão de ser, até então, era a de “suprir de recursos e benefícios” do governo seus redutos eleitorais.
“Estamos pagando uma decisão partidária, de ser oposição ao governo Lula”, concorda Maia. “Todo mundo sabia que o resultado seria o de retração do partido nos Estados em que historicamente éramos bem posicionados, com os do Nordeste.” Para o dirigente, a forma de reverter essa tendência será não apenas a opção pela candidatura do tucano José Serra à Presidência, reeditando a aliança que deu certo nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso, como se empenhar pelo máximo desempenho do candidato no primeiro turno. É em 3 de outubro que o eleitor define a composição do Congresso. Quanto mais o partido conseguir se identificar, perante o eleitor, com um candidato a presidente com perspectiva de poder, maior será a sua chance de reverter a tendência de esvaziamento, segundo esse raciocínio”.

AS DIFICULDADES DE CASA UM

Demóstenes Torres é um dos que tem chances na reeleição

Demóstenes Torres é um dos que tem chances na reeleição

“Será difícil para o DEM manter uma forte bancada no Senado, na avaliação do diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antonio Augusto de Queiroz. Para ele, apenas o senador Demóstenes Torres (GO) é franco favorito nas eleições de outubro e tem reeleição garantida, e só o senador Heráclito Fortes (PI) desponta com chances objetivas de obter um segundo lugar, entre os cinco senadores do ex-PFL que disputam a reeleição. Este ano, serão renovados dois terços do Senado – são duas vagas por Estado. Segundo levantamento feito pelo diretor do Diap, terão dificuldades para renovar o mandato os senadores Marco Maciel (PE), Agripino Maia (RN) e Efraim Morais (PB).
Para Queiroz, o DEM tem também chances reduzidas de eleger senadores em outros Estados. As exceções ficam por conta de Santa Catarina, onde um candidato forte a governador, o senador Raimundo Colombo, pode ajudar a eleger um senador, e o Rio, onde disputará o ex-prefeito César Maia. O presidente do DEM, Rodrigo Maia, garante que as pesquisas internas do partido indicam uma bancada semelhante à atual na próxima legislatura. “Podemos perder dois senadores, mas temos três novos com condições de ganhar”, diz.
Se for confirmada a tendência de declínio do partido nos Estados em que disputa a reeleição ao Senado, os atuais parlamentares terão uma campanha muito dura. Em Pernambuco, o senador Marco Maciel está em primeiro lugar nas pesquisas de opinião – na última, estava pouco acima de João Paulo (PT), que desistiu em favor do ex-ministro Humberto Costa (PT), também considerado um forte concorrente. Mas Queiroz considera que esse é só o começo. Maciel tem como adversária uma chapa fechada e muito forte: o governador Eduardo Campos (PSB) é o favoritíssimo candidato à reeleição e os dois candidatos ao Senado na chapa dele são Costa e o ex-presidente da CNI Armando Monteiro (PTB). Este último disputa na faixa de eleitorado do senador do DEM.
Nas últimas eleições, o avanço do PT e do PSB tem acontecido, como no resto do Nordeste, sobre o eleitorado do ex-PFL. Em 1998, o partido elegeu 46 prefeitos; em 2000 eles eram 19. Os oito deputados federais do Estado eleitos em 1998 foram reduzidos a dois em 2006.
Não é favorável também a situação do DEM no Piauí, onde Heráclito Fortes disputa mais um mandato. Em 2002, quando fazia campanha para o Senado, ele tinha o apoio de cinco deputados federais eleitos em 1998. Hoje são apenas dois. Nas eleições municipais de 2008, o DEM viu seus 59 prefeitos serem reduzidos a nove. “O partido diminuiu por conta do Bolsa Família e do poder da caneta. O Estado é pobre e depende de transferências do governo federal”, diz.
Wellington Dias (PT), que saiu do governo para disputar o Senado, está em primeiro lugar nas pesquisas, 10 pontos à frente de Heráclito. Conta a favor do senador do DEM o fato do terceiro concorrente, Mão Santa, ser candidato sem partido: ele saiu do PMDB e montou um partido só para ele, o PSC, sem expressão.
No Rio Grande do Norte, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia, disputa a reeleição numa coligação que foi considerada como genial porque teria potencial de isolar a governadora que deixou o cargo, Vilma Maia (PSB), candidata ao Senado, e de esvaziar o palanque de Dilma no Estado. Maia disputa numa chapa encabeçada pela senadora Rosalba Ciarlini (DEM), com chances de se eleger governadora, e pelo senador Garibaldi Alves (PMDB). Para Queiroz não existe hipótese, todavia, de a mesma coligação levar as duas vagas ao Senado. “A tendência é de renovação de 50%: ou Agripino perde, ou Alves perde. A candidatura de Vilma vai começar a crescer”, afirma.
Foi-se o tempo em que o Rio Grande do Norte era um paraíso para o DEM. Em 2000, elegeu 35 prefeitos no Estado; em 2004, apenas 17. Em 1998 fez três federais; em 2006, apenas um.
O candidato à reeleição pela Paraíba, o senador Efraim Morais reconhece que a situação não é boa para o DEM no seu Estado. No ano 2000 foram eleitos 59 prefeitos; hoje são 38. O partido fechou uma coligação com o ex-prefeito Ricardo Coutinho (PSB). A outra vaga do Senado será disputada pelo ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB). “A tendência é que Cunha Lima leve uma vaga e o candidato da coligação liderada pelo governador José Maranhão (PMDB) fique com a segunda”, avalia Queiroz. Por enquanto, Morais figura na segunda colocação, atrás de Cunha Lima e na frente dos candidatos do PMDB, Vital do Rego Filho e Manoel Júnior, segundo informa Maia, com base nas pesquisas internas do DEM nacional .
O senador Demóstenes Torres é o favorito da disputa em Goiás num Estado em que o DEM está longe de ser forte. A explicação dele para isso é o fato de ser conhecido. Foi procurador-geral do Estado, secretário de Segurança do governo Marconi Perillo (PSDB), o favorito na disputa desse ano ao governo e também candidato ao governo. Depende mais de sua imagem nacional e de sua identificação regional com Perillo do que propriamente da estrutura partidária.
Por circunstâncias variadas, os atuais suplentes do DEM cujo mandato termina esse ano não vão disputar. O chamado Mensalão do DEM, que pôs na cadeia o único governador que conseguiu eleger em 2006, José Roberto Arruda, eliminou as chances do partido em pleitos majoritários no Distrito Federal, pelo menos nessas eleições. O senador Adelmir Santana disse ao Valor que considera a hipótese de se candidatar; Maia, todavia, não leva isso em conta. No Mato Grosso, o senador Gilberto Goellner foi eleito suplente do senador Jonas Pinheiro, que morreu em 2008. Não vai se candidatar.
O senador Antônio Magalhães Júnior (BA) é filho e suplente do senador Antonio Carlos Magalhães, que morreu em 2007. A direção do DEM disse que ele não será candidato por razões pessoais. Queiroz não acredita que o DEM – que concorrerá com o ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo de Carvalho, ou com o deputado José Carlos Aleluia – consiga uma das vagas. O DEM também tem dúvidas quanto a isso. Para o diretor do Diap, uma das vagas ficaria com o candidato da chapa do governador Jaques Vagner (PT) e a outra, de César Borges (PR).
É uma realidade dramática a da Bahia, que foi quase uma capitania hereditária de ACM. Em 1998, o então PFL elegeu um senador, que se somou aos dois eleitos em 1994, e uma bancada de 20 deputados federais e 23 estaduais, além do governador. Em 2006, perdeu as eleições para o governo e para o Senado e elegeu 13 federais e 16 estaduais. 125 prefeitos assumiram em 2001. Em 2008, foram eleitos só 43. (MIN)”

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