• Terça-feira, 07 Fevereiro 2012 / 8:15

Sábio conselho

    De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
    Certa vez, quando trabalhava na Rede Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho recebeu um telefonema de Roberto Marinho, que lhe fez uma pergunta para a qual, de imediato, o executivo não tinha resposta. Boni ficou de apurar a questão e, conforme relata em seu livro de memórias, recebeu o seguinte ensinamento do patrão:
-Quando for comigo, seja sincero. Mas, com gente de fora, diga: ‘o negócio é o seguinte…’ e desligue enquanto estiver falando. Apure, ligue de volta e explique: ‘como eu dizia quando caiu a linha, o negócio é o seguinte…..

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:31

Lula, vítima só se fortalece

  ?O Globo? não se emenda.
Seu oportunismo continua a mil.
O jornal publica, diáriamente, uma página de opinião. Poderiam ser duas, três, mas seus editores acreditam que dois editoriais por dia estão de bom tamanho.  Isso ocorre por falta de assuntos, ou de articulistas, ou para economizar papel, ou para não chatear os leitores ? a razão mais plausível, já que o jornal sabe, e sabe muito bem, que sua liderança no Rio deve-se, única e exclusivamente, a qualidade de seus repórteres e colaboradores. E não de seus editoriais. Há anos, a ?voz do dono? não forma a opinião de absolutamente ninguém, embora isso não seja um fenômeno exclusivo de jornal carioca.
Como ninguém lê seus editoriais, o jornal decidiu editorializar algumas reportagens. E raro o dia em que ele não encontra nada para criticar o Presidente da República. E sempre em meio ao noticiário, o que não é bom para uma publicação que, há 85 anos, luta para conquistar credibilidade.
O interessante é que, apesar de fazerem parte de uma mesma organização, a linha editorial do jornal, nada tem a ver com a da televisão, que é diferente linha adotada na radio.  Mas isso não é assunto para hoje. O fato é que ?O Globo? é atualmente o jornal mais reacionário do país e, por conseqüência, o maior crítico do Presidente,
Ulysses Guimarães tinha uma bela imagem sobre o seu MDB. E Lula poderia se utilizar dela, para ironizar as críticas que recebe do jornal:
- Assim como o PMDB de Ulysses, Lula é igual a pão-de-ló. Quanto mais ele apanha, mais ele cresce.
                                                 * * *
O Presisente esteve ontem em Santiago  – em ?uma visita relâmpago? – para encontrar-se com Michelle Bachelet,  e conhecer suas reais necessidades, depois que parte do Chile foi devastado por um terremoto que matou centenas de pessoas, e feriu outras milhares, além de destruir cidades inteiras no interior do país.
?O Globo? não gostou da viagem de Lula, e decidiu reclamar, na primeira página e, também, num  ?box? na página 26, de sua ausência nas “tragédias domésticas”.
Vejam a reportagem:
?A prontidão com que o presidente Lula se dispôs a se deslocar para o Chile para prestar solidariedade às vítimas do terremoto que atingiu o país no sábado se contrapõe à atitude que adotou em outras catástrofes no Brasil. Em dois acidentes aéreos, por exemplo, que vitimaram cerca de 350 pessoas, o presidente sequer foi ao local para prestar condolências aos familiares.
No caso do voo 1907, da GOL, que em setembro de 2006 caiu após se chocar com um Legacy da Embraer pilotado por dois americanos, Lula divulgou uma nota de pesar. No acidente da TAM, em julho de 2007, o presidente demorou três dias para fazer um pronunciamento na TV, lastimando a tragédia e prestando solidariedade às vítimas. Ele só recebeu uma comissão de familiares em agosto.
Com enchentes, ocorreu o mesmo. Em novembro de 2008, por exemplo, 84 pessoas morreram em Santa Catarina.
As cheias atingiram 14 cidades. O presidente demorou pelo menos uma semana para ir ao estado e sobrevoar as áreas. Isso também ocorreu em maio do ano passado, quando a chuva deixou mais de sete mil famílias desabrigadas em 21 municípios do Piauí e também no Maranhão?.
Vamos lá.
O Presidente Lula foi ao Chile, e prometeu enviar um hospital de campanha, além de quatro equipes de resgates para tentar salvar sobreviventes, muitos ainda embaixo dos escombros. E mais: ajudará na reconstrução do Chile.
                                            * * *
Agora vejam os exemplos do ?Globo?.
Primeiro ele reclama da ausência do Presidente em dois episódios de desastres aéreos, um da Gol e outro da TAM, quando, como se sabe, lamentávelmente, não houve sobreviventes. Mas o  que ?O Globo? queria? Que o Presidente descesse, por uma corda, no meio da selva amazônica para ajudar no regaste dos corpos? O que ele iria fazer lá? E em São Paulo, no desastre da TAM onde os corpos foram carbonizados? Será que o jornal queria que o Presidente participasse do reconhecimento das arcadas dentárias ou ele deveria prometer ajuda a TAM na reconstrução do galpão onde o Airbus caiu?
Há quem possa argumentar que Sarkosy apressou-se a ir ao Aeroporto Charles De Gaulle,  quando soube do desaparecimento do vôo da Air France, que havia saído do Rio, e não pousara em Paris. Mas esse é um caso totalmente diferente.
1 ? Além de ter a sua bandeira, o Airbus era de fabricação francesa. Sarkosy foi ao aeroporto menos pelas vítimas, e mais pela indústria francesa.
2 ? Na hora que Sarkosy foi ao aeroporto, ainda havia a esperança de sobreviventes, já que o avião estava desaparecido e não se tinha noticia da explosão do aparelho.
Lula, ao contrário do que pensa ?O Globo?, não foge de seus cadáveres, embora saiba que, como todo mortal, ele é impotente diante deles. Mas não se furta a homenageá-los e reverenciá-los.
Há dias, ele fez isso com o grupo de soldados e oficiais do Exército mortos no terremoto do Haiti. Antes já havia ido ao velório da Dra. Zilda Arns, em Curitiba. Ao longo de seus dois mandatos, ele compareceu ao velório dos governadores Leonel Brizola e Miguel Arraes, dos deputados Carlos Wilson e João Hermann Filho ? os dois no mesmo dia, um no Recife e o outro em Campinas ? se emocionou, às lagrimas, no de Dona Ruth Cardoso, compareceu a outros protocolares, como o do Papa João Paulo II, e até mesmo de adversários, como foi o caso do Dr. Roberto Marinho, que ainda ganhou luto oficial por três dias.
O que ?Globo? quer mais? Que o Presidente fosse a cada um dos 350 sepultamentos dos que morreram na Gol e na TAM?  Por que deveria comparecer? Porque viajavam de avião? Por que não cobram a presença do Presidente em enterros dos que morrem  em naufrágios em rios da Amazônia, em acidentes de ônibus nas estradas brasileiras  (normalmente ônibus de excursões), ou nos de motoboys atropelados diariamente no país?
Reclamam que o Presidente demorou uma semana para sobrevoar áreas que sofreram enchentes em Santa Catarina. Mas ao que se saiba, no primeiro dia não houve enchente, houve uma chuva forte, assim como no segundo. Os rios foram enchendo e aos poucos transbordando. Lula esteve lá quando as enchentes estavam no seu ápice. Ele não foi nem na cheia, nem quando o problema estava diminuindo.  O mesmo vale para as chuvas do Piauí e do Maranhão.
Lula viajou para o Chile, pois lá existem sobreviventes, e muitos ainda estão debaixo dos escombros. E é preciso encontrá-los e resgatá- los.
Lula viajou para o  Chile, pois o país perdeu quatro mil leitos hospitalares, e eles precisam de um hospital de campanha para que possam continuar salvando vidas. 
Lula viajou para o Chile, pois parte do país precisa ser reconstruído. E ele não poderia reconstruir nem o Boeing da Gol que se espatifou na Amazonia, e muito menos o Airbus da TAM que ardeu em Congonhas. O Presidente não tinha o que fazer em nenhum desses lugares.
É pena que ?O Globo?, jornal editado no Rio de Janeiro, não tenha a mesma disposição para criticar as ausências do governador Sergio Cabral, em muitas das tragédias que assolaram o Estado nesses três anos de seu governo. Mesmo quando o jornal trata de assuntos corriqueiros da cidade, a preocupação de preservar o chefe do Executivo é notória e, na maioria das vezes, desavergonhada. Aqui, Cabral não tem nada a ver, com absolutamente nada. E esse é o único ponto que une ?O Globo? e o Presidente Lula. Os dois estão unidos, de mãos dadas, para preservar Cabral.
No Rio, o que não falta é a ausência do governador do Estado, mas ?O Globo? finge que não vê.
Haverá o dia em que, por puro entusiasmo, ?O Globo? publicará um editorial reclamando, por hipótese,  da ausência de Lula na Lagoa Rodrigo de Freitas, onde morreram 90 toneladas de peixes, num dos maiores acidentes ecológicos do Rio, enquanto o governador continuará sem ser entrevistado sobre o assunto. Nem sobre esse, nem sobre nenhum outro.
São poucas as vezes que Cabral emite alguma opinião. Mas, nessas horas, ele manda avisar àqueles a quem ele patrocina.
Lula, por sua vez, continuará apanhando pelo o que fez, pelo o que deveria ter feito, pelo o que deixou de fazer, pelo o que pensou em fazer e não fez, pelo o que fizeram por ele em seu nome, ou mesmo sem o seu conhecimento, e por tudo o mais.
E  o pão-de-ló continuará crescendo ? deixando perplexos àqueles que ainda se julgam poderosos, e se imaginam capazes de dominar corações e mentes.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:55

Chanceler foi agente da CIA?

Os jornais de hoje publicam a notícia de que Juanita Castro, uma das irmãs de Fidel, revelou em seu livro de memórias “Fidel e Raúl, meus irmãos – a história secreta”, lançado ontem nos EUA,  que ela colaborou com a CIA nos anos 60, e que foi apresentada a um dos agentes por Virgínia Leitão da Cunha, mulher do embaixador Vasco Leitão da Cunha que, na época, servia em Havana.
Sobre Juanita, pouco se tem a dizer:
Primeiro, ela diz que o irmão ?traiu os milhares que sofremos e lutamos pela revolução?, o que não foi o seu caso. Afinal, ela não esteve em Sierra Maestra, não pegou em armas, e nos três meses que antecederam a Revolução, Juanita não andava nem mesmo pelas ruas de Havana. Ela ficou escondida na embaixada brasileira, quando tornou-se amiga da embaixatriz  Virgínia Leitão da Cunha.
Em segundo lugar, apesar de ter traído o irmão Fidel, Juanita deixou Cuba com o auxílio do irmão Raul, atual presidente, que não só a avisou que já tinham descoberto tudo sobre ela, como ainda a ajudou a viajar para o exterior.
Juanita, portanto, não passa de uma pobre coitada.
O que a imprensa brasileira deveria se dedicar agora, é sobre a atuação do chanceler Vasco Leitão da Cunha.
Se é verdade que Virginia Leitão da Cunha e Juanita Castro viajaram juntas para o México, onde a embaixatriz a apresentou a um agente da CIA, é óbvio que ela, protegida pela imunidade diplomática, também trabalhava para o órgão de espionagem dos Estados Unidos. E possivelmente com a aprovação do marido. 
De Havana, Leitão da Cunha foi servir em Moscou.
Portanto, é possível que o governo brasileiro tenha colaborado com a CIA, mesmo sem saber, durante a crise dos mísseis soviéticos em Cuba. E isso no governo João Goulart.
Assim, Leitão da Cunha teria traído a confiança de Jango pelo menos duas vezes:
Na União Soviética, onde servia, e depois no golpe de 64.
Ele assumiu o Itamaraty já com Jango deposto, e 10 dias antes da posse do Marechal Castello Branco. Ou seja: era homem da mais alta confiança dos golpistas.
No Ministério das Relações Exteriores, Vasco Leitão da Cunha foi o responsável pelo desmonte das bases de uma política externa independente. Ele acreditava que isso agradaria aos Estados Unidos.
Durante sua gestão, Juracy Magalhães chegou a ser embaixador em Washington. É dele a famosa frase: ?O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil?. Juracy foi o sucessor de Leitão da Cunha no Itamaraty, e antes ocupara o cargo de ministro da Justiça. Nessa época, ele sugeriu a Roberto Marinho que demitisse dois jornalistas de ?O Globo?, recebendo uma negativa:
- Dos meus comunistas cuido eu ? disse-lhe Marinho.
O que é preciso que os jornais investiguem agora são apenas dois pontos:
1 – Virginia Leitão de Abreu foi agente da CIA com o conhecimento do marido, ou ela o traiu?
2 ? O Brasil já teve um Chanceler, Vasco Leitão da Cunha, que ao mesmo que, em tese, defendia os interesses do país, também trabalhava como agente da CIA?

  • Terça-feira, 29 Junho 2010 / 4:30

Lily Marinho fará festa para Dilma

De Monica Bergamo, na ‘Folha’:
“Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, da TV Globo, está organizando almoço em torno de Dilma Rousseff (PT). Os convidados vão se reunir na célebre casa do Cosme Velho, no Rio, onde Marinho recebeu praticamente todos os governantes brasileiros”.

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