• Sexta-feira, 30 Março 2012 / 3:14

Lula curado e a bomba de Hiroshima

      O ex-presidente Lula concedeu ontem uma entrevista as repórteres Cláudia Collucci e Mônica Bergamo, da ‘Folha’, e comparou a uma “bomba de Hiroshima” o tratamento que fez, com sessões de químio e radioterapia.
“Ele emocionou-se ao lembrar da luta do vice-presidente José Alencar (1931-2011), que morreu de câncer há exatamente um ano. “Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou.”
Quase 16 quilos mais magro e com a voz um pouco mais rouca que o normal, o ex-presidente ainda sente dor na garganta e diz que sonha com o dia em que poderá comer pão “com a casca dura”.
A entrevista foi acompanhada por Roberto Kalil, seu médico pessoal e “guru”, pelo fotógrafo Ricardo Stuckert e pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto”.
- Como o sr. está?
- O câncer está resolvido porque não existe mais aqui [aponta para a garganta]. Mas eu tenho que fazer tratamento por um tempo ainda. Tenho que manter a disciplina para evitar que aconteça alguma coisa. Aprendi que tanto quanto os médicos, tanto quanto as injeções, tanto quanto a quimioterapia, tanto quanto a radioterapia, a disciplina no tratamento, cumprir as normas que tem que cumprir, fazer as coisas corretamente, são condições básicas para a gente poder curar o câncer.
- Foi difícil abrir mão…
- Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou. [Fica com a voz embargada e os olhos marejados]. Eu, que convivi com ele tanto tempo, não tinha noção do que ele passou. A gente não sabe o que é pior, se a quimioterapia ou a radioterapia. Uns dizem que é a químio, outros que é a rádio. Para mim, os dois são um desastre. Um é uma bomba de Hiroshima e, o outro, eu nem sei que bomba é. Os dois são arrasadores.
- O sr. teve medo?
- A palavra correta não é medo. É um processo difícil de evitar, não tem uma única causa. As pessoas falam que é o cigarro [que causa a doença], falam que é um monte de coisa que dá, mas tá cheio de criancinha que nasce com câncer e não fuma.
- Qual é a palavra correta?
- A palavra correta… É uma doença que eu acho que é a mais delicada de todas. É avassaladora. Eu vim aqui com um tumor de 3 cm e de repente estava recebendo uma Hiroshima dentro de mim. [Em alguns momentos] Eu preferiria entrar em coma.
Kalil [interrompendo] – Pelo amor de Deus, presidente!
- Em coma?
- Eu falei para o Kalil: eu preferiria me trancar num freezer como um carpaccio. Sabe como se faz carpaccio? Você pega o contrafilé, tira a gordura, enrola a carne, amarra o barbante e coloca o contrafilé no freezer e, quando ele está congelado, você corta e faz o carpaccio. A minha vontade era me trancar no freezer e ficar congelado até…
- Sentia dor?
- Náusea, náusea. A boca não suporta nada, nada, nada, nada. A gente ouvindo as pessoas [que passam por um tratamento contra o câncer] falarem não tem dimensão do que estão sentindo.
- Teve medo de morrer?
- Eu tinha mais preocupação de perder a voz do que de morrer. Se eu perdesse a voz, estaria morto. Tem gente que fala que não tem medo de morrer, mas eu tenho. Se eu souber que a morte está na China, eu vou para a Bolívia.
- O sr. acredita que existe alguma coisa depois da morte?
- Eu acredito. Eu acredito que entre a vida que a gente conhece [e a morte] há muita coisa que ainda não compreendemos. Sou um homem que acredita que existam outras coisas que determinam a passagem nossa pela Terra. Sou um homem que acredita, que tem muita fé.
- Mesmo assim, teve um medo grande?
- Medo, medo, eu vivo com medo. Eu sou um medroso. Não venha me dizer: “Não tenha medo da morte”. Porque eu me quero vivo. Uma vez ouvi meu amigo [o escritor] Ariano Suassuna dizer que ele chama a morte de Caetana e que, quando vê a Caetana, ele corre dela. Eu não quero ver a Caetana nem…
- Qual foi o pior momento neste processo?
- Foi quando eu soube. Vim trazer a minha mulher para um exame e a Marisa e o Kalil armaram uma arapuca e me colocaram no tal de PET [aparelho que rastreia tumores]. Eu tinha passado pelo otorrino, o otorrino tinha visto a minha garganta inflamada. Eu já estava há 40 dias com a garganta inflamada e cada pessoa que eu encontrava me dava uma pastilha No Brasil, as pessoas têm o hábito de dar pastilha para a gente. Não tinha uma pessoa que eu encontrasse que não me desse uma pastilha: “Essa aqui é boa, maravilhosa, essa é melhor”. Eu já tava cansado de chupar pastilha. No dia do meu aniversário, eu disse: “Kalil, vou levar a Marisa para fazer uns exames”. E viemos para cá. O rapaz fez o exame, fez a endoscopia, disse que estava muito inflamada a minha garganta. Aí inventaram essa história de eu fazer o PET. Eu não queria fazer, eu não tinha nada, pô. Aí eu fui fazer depois de xingar muito o Kalil. Depois, fui para uma sala onde estava o Kalil e mais uns dez médicos. Eu senti um clima meio estranho. O Kalil estava com uma cara meio de chorar. Aí eu falei: “Sabe de uma coisa? Vocês já foram na casa de alguém para comunicar a morte? Eu já fui. Então falem o que aconteceu, digam!” Aí me contaram que eu tinha um tumor. E eu disse: “Então vamos tratar”.
- Existia a possibilidade de operar o tumor, em vez de fazer o tratamento que o senhor fez.
- Na realidade, isso nem foi discutido. Eles chegaram à conclusão de que tinha que fazer o que tinha que fazer para destruir o bicho [quimioterapia seguida de radioterapia], que era o mais certo. Eu disse: “Vamos fazer”. O meu papel, então, a partir dessa decisão, era cumprir, era obedecer, me submeter a todos os caprichos que a medicina exigia. Porque eu sabia que era assim. Não pode vacilar. Você não pode [dizer]: “Hoje eu não quero, não tô com vontade”.
- O senhor rezava, buscou ajuda espiritual?
- Eu rezo muito, eu rezo muito, independentemente de estar doente.
- Fez alguma promessa?
- Não.
- Existia também uma informação de que o senhor procurou ajuda do médium João de Deus.
- Eu não procurei porque não conhecia as pessoas, mas várias pessoas me procuraram e eu sou muito agradecido. Várias pessoas vieram aqui, ainda hoje há várias pessoas me procurando. E todas as que me procurarem eu vou atender, conversar, porque eu acho que isso ajuda.
- E como será a vida do sr. a partir de agora? Vai seguir com suas palestras?
- Eu não quero tomar nenhuma decisão maluca. Eu ainda estou com a garganta muito dolorida, não posso dizer que estou normal porque, para comer, ainda dói. Mas acho que entramos na fase em que, daqui a alguns dias, eu vou acordar e vou poder comer pão, sem fazer sopinha. Vou poder comer pão com aquela casca dura. Vai ser o dia! Eu vou tomando as decisões com o tempo. Uma coisa eu tenho a certeza: eu não farei a agenda que já fiz. Nunca mais eu irei fazer a agenda alucinante e maluca que eu fiz nesses dez meses desde que eu deixei o governo. O que eu trabalhei entre março e outubro de 2011… Nós visitamos 30 e poucos países.Eu não tenho mais vontade para isso, eu não vou fazer isso. Vou fazer menos coisas, com mais qualidade, participar das eleições de forma mais seletiva, ajudar a minha companheira Dilma [Rousseff] de forma mais seletiva, naquilo que ela entender que eu possa ajudar. Vou voltar mais tranquilo. O mundo não acaba na semana que vem.
- Quando é que o senhor começa a participar da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo?
- Eu acho o Fernando Haddad o melhor candidato. São Paulo não pode continuar na mesmice de tantas e tantas décadas. Eu acho que ele vai surpreender muita gente. E desse negócio de surpreender muita gente eu sei. Muita gente dizia que a Dilma era um poste, que eu estava louco, que eu não entendia de política. Com o Fernando Haddad será a mesma coisa.
- O senhor vai pedir à senadora Marta Suplicy para entrar na campanha dele também?
- Eu acho que a Marta é uma militante política, ela está na campanha.
- Tem falado com ela?
- Falei com ela faz uns 15 dias. Ela me ligou para saber da saúde. Eu disse que, quando eu sarar, a gente vai conversar um monte.
- E em 2014? O senhor volta a disputar a Presidência?
- Para mim não tem 2014, 2018, 2022. Deixa eu contar uma coisa para vocês: eu acabei de deixar a Presidência da República, tem apenas um ano e quatro meses que eu deixei a Presidência. Poucos brasileiros tiveram a sorte de passar pela Presidência da forma exitosa com que eu passei. E repetir o que eu fiz não será tarefa fácil. Eu sempre terei como adversário eu mesmo. Para que é que eu vou procurar sarna para me coçar se eu posso ajudar outras pessoas, posso trabalhar para outras pessoas? E depois é o seguinte: você precisa esperar o tempo passar. Essas coisas você não decide agora. Um belo dia você não quer uma coisa, de repente se apresenta uma chance, você participa.Mas a minha vontade agora é ajudar a minha companheira a ser a melhor presidenta, a trabalhar a reeleição dela. Eu digo sempre o seguinte: a Dilma só não será candidata à reeleição se ela não quiser. É direito dela, constitucional, de ser candidata a presidente da República. E eu terei imenso prazer de ser cabo eleitoral”.

  • Sábado, 18 Fevereiro 2012 / 12:36

Dilma muda médicos do Planalto

      Da repórter Luiza Damé, do ‘Globo’:
      “A presidente Dilma Rousseff ainda não atingiu a meta de ter pelo menos um terço dos 38 ministérios ocupados por mulheres, mas está ampliando a presença feminina no seu entorno. O médico institucional da Presidência da República, coronel Cleber Ferreira, que atendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo de seus dois mandatos, foi substituído por duas mulheres: a pneumologista Jacqueline de Magalhães Nallin Lobão, major da Aeronáutica, e a geriatra Virgínia Satuf Silva Vieira, capitã do Exército.
Discretas como manda o figurino palaciano, as duas médicas foram escolhidas pelo gabinete pessoal de Dilma. Durante o carnaval, a geriatra viajará com a presidente para a Base Naval de Aratu, em Salvador, onde Dilma descansará com a família, inclusive a mãe, Dilma Jane.
O ortopedista Cleber Ferreira deixou a Presidência no fim do mês passado para se dedicar à carreira militar. Coronel do Exército, ele vai se aperfeiçoar na Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio. No governo Lula, o médico tinha a total confiança do então presidente, mas, com Dilma, essa relação não se manteve. O desempenho de Ferreira foi criticado quando a presidente teve pneumonia. Desde então, ela não toma um medicamento antes de falar com o cardiologista Roberto Kalil”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:53

Galega tá cansada do governo

Dona Marisa Letícia, primeira-dama do país, parece estar cansada do poder.
Mais do governo do que de propriamente de Brasília.
No primeiro mandato, D. Marisa sempre foi figura central de todas as cerimônias oficiais, inclusive no próprio Palácio do Planalto.
Para se ter uma idéia, ela participou até mesmo da foto oficial de Lula com seu ministério.
Sem falar nos que foram nomeados por influencia sua. Tem até ministro do Supremo Tribunal Federal.
Hoje, ela anda sumida.
Basta dar uma leitura rápida nos jornais para perceber isso.
Há pouco, o jornalista Lauro Jardim postou uma nota dizendo que não teve ?médico, nem ministro: quem convenceu Lula a não viajar para Davos foi a primeira-dama Marisa. ?Só ela comanda o imperador?, disse um auxiliar do Presidente”.
No dia do piripaque, Lula participou de um comício ao lado de Dilma e sentenciou:
? De vez em quando, as pessoas falam que a Dilma é braba. E eu vou lhe contar uma coisa. Mulher tem mais é que ser braba mesmo. Quem tem que ficar arreganhando os dentes todas as horas é o homem. A mulher tem que ser séria mesmo.
O registro está no ?Globo? de ontem, em reportagem assinada por Letícia Lins.
Na semana passada, dia 21, Silvio Navarro publicou no Painel, da ?Folha?:
?O presidente Lula discursava anteontem, durante lançamento de uma escola técnica em Araçuaí (MG), quando se desculpou por não citar uma a uma as autoridades presentes no encontro devido à agenda apertada.
-Tenho que ser rápido porque tenho mais dois eventos em Juiz de Fora…
Imediatamente a platéia reagiu decepcionada.
-Vocês sabem que é longe -, emendou.
Como o público continuava contrariado, Lula coçou a cabeça e recorreu à desculpa que, enfim, colou:
-Tenho que ser rápido porque a galega está me esperando em Brasília! E a galega não é mole…?
O controle da galega sobre o Presidente, todos sabem, é coisa antiga.
Mas a prova maior da irritação de D. Marisa com o ti-ti-ti governamental, ela deu no dia do aniversário do marido, quando organizou uma feijoada-supresa, na Granja do Torto, para comemorar os 64 anos do Presidente.
Lauro Jardim, na época, dia 5 de novembro, deu uma nota informando que, ?fora a família Lula da Silva, estavam no máximo uns dez convidados, que ouviram Noca da Portela cantar enquanto rolava a feijoada. Entre os amigos do rei, Jorge Samek, presidente de Itaipu; Sigmaringa Seixas, advogado e ex-deputado petista; os médicos Roberto Kalil, Nana Miúra e Claudia Cozer; Ricardo Kotscho; o vice José Alencar; e mais uns velhos sindicalistas amigos dos tempos de Lula no ABC?.
E sabem quantos ministros? Nenhum.
Dona Marisa quer distância de todos eles.
Depois do episódio de Recife, ela deve estar mais do que convencida que esse pessoal do governo é que faz com que a pressão do Lula suba para 18 por 12.
A propósito. O maior sucesso de Noca da Portela é o samba “É preciso muito amor”.
Aí vai um trecho:
“Pra satisfazer essa mulher eu faço das tripas coração
Pra ela sempre digo sim, pra ela nunca digo não
Porque senão ela chora e diz que vai embora
Ô, diz que vai embora
Porque senão ela chora e diz que vai embora
Ô, diz que vai embora”.

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