• Segunda-feira, 26 Março 2012 / 9:29

O caso Demóstenes

                                      Ricardo Noblat*
     O que espera Roberto Gurgel, Procurador Geral da República, para pedir ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito contra Demóstenes Torres, líder do DEM no Senado, acusado de ser sócio do empresário Carlinhos Cachoeira na exploração de jogos ilegais em Goiás? O próprio Demóstenes quer ser investigado.
Cumpra-se a sua vontade, ora!
Foi em setembro de 2009 que Gurgel recebeu da Polícia Federal o primeiro relatório com gravações e outras provas da ligação de Cachoeira com Demóstenes.
Cabia-lhe pedir ao Supremo que investigasse o senador.
Ou então arquivar o caso alegando insuficiência de provas. Gurgel não fez nem uma coisa nem outra.
Em 29 de fevereiro último, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Monte Carlo para desmontar a quadrilha comandada por Cachoeira e integrada, no mínimo, por 82 pessoas — entre elas dois delegados da própria PF, seis da Polícia Civil e 29 policiais militares, todos de Goiás.
A quem lhe perguntou por que não agiu ao receber em 2009 o primeiro relatório da PF, Gurgel respondeu que preferira esperar os resultados da Operação Monte Carlo. Esperar como, se ele não sabia à época que três anos depois uma operação com esse ou outro nome seria executada?
A desculpa rota foi corrigida em seguida por Gurgel.
Ele não agiu “por uma questão de estratégia”, disse.
Teria sido mais honesto admitir que não agiu porque não quis. Demóstenes integra o Ministério Público de Goiás desde 1983. Gurgel é chefe do Ministério Público Federal. Sabe como é…
Os partidos esperam um sinal de Gurgel para decidir o futuro de Demóstenes. Alastra- se entre eles a vontade de cassar-lhe o mandato por quebra de decoro. Imaginam assim fazer Justiça e se redimir do vexame coletivo que marcou a sessão do Senado destinada a proclamar a inocência de Demóstenes.
Do alto da tribuna do Senado, depois de se defender com meia dúzia de argumentos capengas, Demóstenes ouviu com prazer a fala de 44 dos seus pares. Na tarde de 7 de março passado, com a solenidade requerida pela ocasião, os senadores esgotaram seu estoque de lisonjas em favor de um deles.
O mínimo que chamaram Demóstenes foi de amigo, companheiro legal, competente e verdadeiro homem público. Pedro Simon (PMDB-RS): “Vossa Excelência é uma das pessoas mais competentes e que atuaram com bravura em toda sua vida”. Aécio Neves (PSDBMG): “Vossa Excelência é um dos homens públicos mais preparados que há”.
Não estava em questão o companheirismo de Demóstenes, nem a sua competência.
Os senadores estavam obrigados a ouvir a defesa dele. Mas a prudência aconselhava que esperassem os desdobramentos da operação policial responsável pela prisão de Cachoeira e de mais 30 pessoas. Só então poderiam absolver ou condenar Demóstenes.
De resto, àquela altura, os senadores conheciam em detalhes uma série de fatos que tornavam Demóstenes suspeito da autoria de vários crimes. Há quase 300 gravações de telefonemas trocados entre Demóstenes e Cachoeira. A partir de certo momento, os dois passaram a se falar por meio de um aparelho de telefone imune a grampos. Por quê?
Em uma das gravações, o senador pede R$ 3 mil a Cachoeira para pagar o aluguel de um jatinho. Em outra, pede um jatinho emprestado.
Numa terceira, queixa-se do seu iPad que deixou de funcionar.
Cachoeira providenciou outro. Antes, presenteara Demóstenes com um fogão e uma geladeira no valor de R$ 30 mil.
Relatórios da PF informam que Cachoeira e Demóstenes são parceiros desde 2006. O império do jogo de Cachoeira se amparava em oito mil máquinas caça-níqueis e 1,5 mil pontos de bingos. Arrecadou nos últimos seis anos R$ 170 milhões.
Um terço da dinheirama ficou com o senador, que fez do combate à corrupção seu filão eleitoral.
Há políticos de sobra dispostos a chafurdar na lama com gente como Cachoeira.
Demóstenes nem de longe parecia ser um deles. É isso, afinal, o que mais surpreende.
*Ricardo Noblat é blogueiro do ‘Globo’.

  • Segunda-feira, 30 Janeiro 2012 / 10:01

Conselho a Cabral

   

 

                            Ricardo Noblat*

     Por pouco uma tragédia não surpreende o governador Sérgio Cabral fora do Estado ou do país.
Cabral voou a Paris no dia 19, retornando no dia 24, véspera da queda de três prédios no centro do Rio.
A pergunta que não quer calar: por que Cabral viaja tanto ao exterior? E por que a maioria de suas viagens quase sempre é cercada de mistério?
Não, Cabral não tem o dom de abortar tragédias com a sua simples presença. Dele não se cobraria tamanho prodígio.
De resto, manual algum recomenda que o bom governante esteja sempre por perto quando ocorrer uma tragédia. Ou que visite de imediato o local onde ainda há mortos e feridos.
Lula fazia questão de manter distância de desastres de qualquer porte. Não pôs os pés, por exemplo, em São Paulo quando ali se espatifou no dia 17 de julho de 2007 o Airbus A-320 da TAM, matando as 187 pessoas que transportava e mais 12 em solo. Na ocasião, o Comandante da Aeronáutica foi a São Paulo representando Lula.
Eis a questão de fato mais relevante neste momento: em uma democracia, o cidadão tem o direito de saber o que fazem com o seu dinheiro recolhido por meio de impostos.
É uma fatia desse dinheiro que paga os frequentes deslocamentos de Cabral e de sua comitiva. Logo, tudo que tenha a ver com o assunto nos interessa. Ou deveria interessar.
Se Cabral viaja ou viajou de graça à custa de empresários amigos, isso também importa – e como!
É direito de o cidadão conhecer todos os aspectos do comportamento dos seus governantes para poder avaliá-los e fazer suas escolhas. O homem público não tem vida privada, sinto muito. Se quiser ter que abdique da condição de homem público.
A deputada Clarissa Garotinho (PR) pediu à Assembleia Legislativa do Rio que levantasse todas as informações pertinentes às viagens de Cabral. Queria saber quantas vezes ele viajou desde que se elegeu governador; na companhia de quem; se em voo comercial ou particular; e os custos de cada viagem.
O pedido da deputada foi recusado por Paulo Melo (PMDB), presidente da Assembléia e aliado de Cabral, sob o pretexto de que o assunto é da órbita federal.
Então o deputado Garotinho fez pedido idêntico à Câmara dos Deputados. Rose de Freitas (PMDB-ES), vice-presidente, recusou o pedido. Decretou que o assunto é da órbita estadual.
Não é.
Na verdade, quem pode dispor das informações requisitadas por Garotinho filha e pai é a Polícia Federal e a Secretaria de Aviação Civil da presidência da República. À Secretaria se vinculam a Agência Nacional de Aviação Civil e a Infraero, que administra os 66 aeroportos brasileiros.
Garotinho recorreu da decisão de Rose à direção da Câmara, mas perdeu. Apelou à Justiça.
Seu apelo, hoje, repousa empoeirado à sombra de alguma toga.
Uma sugestão: por que Cabral não abre espontaneamente a caixa preta de suas viagens para mostrar que nada de podre se esconde ali?
Somente em uma democracia de fachada – ou uma democracia capenga – um governante pode esconder dos governados informações sobre suas viagens ao exterior e a outros Estados
*Ricardo Noblat é jornalista e mantém um blog no site de ‘O Globo’.

  • Segunda-feira, 09 Janeiro 2012 / 6:41

Flor do recesso

                                     Ricardo Noblat*

             “Sempre que o Congresso entra de férias no meio e no fim do ano, desabrocham o que o ex-deputado Thales Ramalho, secretário-geral do antigo MDB, chamava de “flores do recesso”. São assuntos destinados a ocupar largo espaço nos meios de comunicação até que o Congresso volte a funcionar. Irrompem de uma hora para a outra. Fenecem de repente.
De longe, a mais viçosa flor do atual recesso é a história do ministro Fernando Bezerra Coelho, da Integração Nacional, que usou quase 90% da verba do programa federal de prevenção de desastres naturais para socorrer Pernambuco, seu estado, vítima de duas inundações em 2010 e de uma no ano passado.
Cara de pau esse ministro… No ano passado, e novamente neste, fortes chuvas castigam meia dúzia de estados, fazendo transbordar rios, destruindo casas e estradas, matando e desabrigando gente. E o ministro só se preocupa com a terra onde mercadeja seus votos. Um abuso! É ou não é?
Inclua-me fora dessa! Em junho de 2010, duas inundações varreram parte de Pernambuco. Outra parte foi varrida em maio último. No total, cerca de 80 mil pessoas ficaram desalojadas e desabrigadas. Tombaram 16 mil casas, 600
escolas, seis hospitais de médio porte e 26 pontes de grande porte.
Em meio à terceira inundação, Dilma telefonou a Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, oferecendo ajuda. Ele pediu R$ 500 milhões para construir um sistema de cinco barragens capaz de evitar a repetição do flagelo. Dilma topou dar a metade. O estado daria o restante. Negócio fechado.
Há R$ 6 bilhões alocados em ministérios para uso em prevenção e combate a desastres naturais. O da Integração Nacional dispunha apenas de R$ 31 milhões.
Com o conhecimento de Dilma, remeteu R$ 25 milhões para Pernambuco – o que significa 10% do que foi garantido por ela. Ou 5% do preço das cinco barragens.
Minas Gerais recebeu no ano passado R$ 50 milhões para aplicar nas 80 cidades atingidas pelas chuvas de janeiro. Os reparos só foram concluídos em 15 delas. Há poucos dias, tiveram início em mais dez. Sumiu gorda parcela do
dinheiro reservado para recuperar a semi-destruída Região Serrana do Rio de Janeiro.
São 251 as cidades com risco elevado de desastres naturais. A tragédia carioca que no ano passado custou a vida de mais de mil pessoas acelerou a montagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.
Precariamente, 56 cidades vem sendo monitoradas há dois meses – nenhuma fora de Sul e Sudeste. Ó paí, ó!
Eduardo lamenta a conduta do governo Dilma quando a imprensa, à falta de escândalos de verdade, imaginou estar diante de um – o primeiro de 2012. O governo poderia ter respondido a denúncia inaugural e abortado o barulho -
mas não. Custou a reagir. Só o fez ao perceber com quem entrava em rota de colisão.
Lula trata Eduardo como se fosse um filho adotivo. Eduardo reelegeu-se vencendo o atual senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) em todos os 184 municípios de Pernambuco – em 102 deles com mais de 90% dos votos, em 47 com mais de 95% e em 23 com mais de 98%. Nenhum outro estado registrou vitória tão acachapante.
Coube à ministra do Planejamento repetir de público o que Eduardo havia dito sobre o acordo para a construção das barragens. Coube também à ministra avalizar tudo o que fez seu colega da Integração Nacional. Por fim, coube ao
presidente do PT incensar as virtudes do PSB, precioso aliado.
Entre outras coisas notáveis, os pernambucanos se gabam de ter a maior avenida em linha reta das Américas e o maior shopping center do país. Já tiveram uma inesquecível casa em forma de navio. Debocham deles mesmos ao
dizerem que os rios Capibaribe e Beberibe se juntam no Recife para formar o Oceano Atlântico.
Eduardo é o governador mais popular do Brasil com 90% de aprovação. A levar-se em conta a mania de grandeza dos seus conterrâneos, agora corre o risco de virar unanimidade.
*Ricardo Noblat é jornalista e escreve para ‘O Globo’.

  • Segunda-feira, 23 Agosto 2010 / 20:08

Cabral exporta bandido que ameaça rico

      Sérgio Cabral pediu a Justiça a transferência , para bem longe do  Rio,  dos 10 bandidos que invadiram, no sábado,  o Hotel Intercontinental, em São Conrado.
Comentário de Ricardo Noblat em seu blog:
“O Rio vai começar a exportar bandidos? Cabral pedirá a transferência para outros Estados de bandidos que venham a ser presos pela polícia do Rio?
Qual será critério para a exportação? Bandido que invada hotel de luxo será mandado embora? E bandido que invada casa de classe média? E bandido que assassine morador de morro? Esses ficam no Rio?
Brincadeira!
Cabral teme os reflexos na eleição do episódio recente de São Conrado – um bairro de classe média alta transformado em praça de guerra.
À falta de melhor idéia, teve essa”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

Gabeira confirma hoje candidatura

O pré-candidato ao governo do Rio, Fernando Gabeira, do PV, deu ontem, no final da tarde, uma entrevista ao jornalista Ricardo Noblat pelo Twitter. Por limitações da ferramenta utilizada, nenhuma pergunta e nenhuma resposta, tem mais de 140 toques. Veja a entrevista:
“- Boa tarde, deputado Fernando Gabeira. Depois de idas e vindas, o senhor será mesmo candidato ao governo do Rio?
- Boa tarde. Depois de idas e vindas, sou candidato ao governo do Rio.
- O que lhe faz achar que merece ser eleito governador?
- Creio que adquiri experiência política e conhecimento para responder aos desafios do Rio.
- O senhor se acha mais capaz do que Sérgio Cabral e Garotinho, por exemplo?
- Pelo governo que fizeram, creio que tenho condições de realizar muito mais e com outra concepção política.
- Por que o senhor não queria o ex-prefeito Cesar Maia em sua chapa para o Senado e agora quer?
- Fizemos ampla consulta aos apoiadores capital e interior. Preferem união para termos chances de vitoria.
- Mas antes o senhor imaginou que sem união com o DEM de Cesar Maia poderia vencer?
- Antes estava disposto a seguir caminho sem grandes conflitos. Não há resposta científica sobre a fórmula vencedora.
- Que conflitos o senhor pensa que enfrentará por se juntar com o DEM?
- Conflitos na coligação e com parte dos eleitores. Só aceito coligar se todos se sentirem confortáveis. Creio que haverá paz.
- “Só aceito coligar se todos…” Quer dizer que ainda não se bateu o martelo sobre a coligação com o DEM?
- Creio que isso será feito amanhã. O critério para coligar é a aceitação do projeto ficha limpa.
- E quem ainda resiste a aceitar o projeto ficha limpa? O DEM? O PSDB? Quem?
- Todos os partidos da coligação aceitam, com base no projeto original. Vamos oficializar essa decisão amanhã.
- Quem mudou para que se possa imaginar o senhor e Cesar Maia juntos? Mudou o senhor ou Cesar Maia?
- O que muda é a situação do país e do estado. O sistema de dominação do PMDB é profundo e muito forte. Só a união vencerá.
- Quem mudou? Gabeira ou o PT, partido ao qual o senhor já pertenceu?
- Nós todos mudamos no caminho. O PT mudou de uma forma que nos separou. Consegui crescer sozinho, fora de um governo popular.
- O senhor acha possível fazer um governo popular junto com o DEM e o PSDB? Ou esse não é o seu objetivo?
- O objetivo é um governo com a sociedade. O governo popular tem boa políticas econômica e social, mas loteou cargos com partidos.
- O senhor não dará cargos a pessoas indicadas pelos partidos que o apóiam caso se eleja?
- Sim, desde que sejam pessoas honradas e com competência especifica para os cargos.
- Acho que Lula teria respondido da mesma forma antes de lotear cargos com os partidos que o apoiam…
- Isto não é uma pergunta. Quando Lula descumpriu o prometido, sai do PT.
- Para quem o senhor pedirá votos – Marina ou Serra?
- Pedirei votos para Marina, mas tenho admiração pelo Serra. Ambos me apoiam.
- Haverá lugar para Serra no seu programa de propaganda no rádio e na televisão?
- Está combinado que Serra aparece me dando apoio.O vice, do PSDB, vai apoiá-lo.
- Quando Serra for ao Rio fazer comícios o senhor estará ao lado dele?
- De um modo geral não faço mais comícios. Posso encontrá-lo na rua, pois nela encontro até adversários.
- Por que o senhor acha Marina e Serra mais preparados para governar do que Dilma?
- Ambos passaram por crivos eleitorais, Marina venceu a pobreza e eleições, Serra governou São Paulo.
- Em um eventual segundo turno entre Serra e Dilma, o senhor então irá de Serra?
- Sim, num eventual segundo turno apoio Serra.
- Existe alguma chance de composição entre Serra e Marina ainda no primeiro turno?
- Não creio. Marina quer falar de sustentabilidade e acha que seu papel é singular.
- Que lição (ou lições) extraiu de sua derrota para prefeito do Rio?
- Estou nisso desde 82 e cometo erros até hoje. Meu principal erro foi não deter o feriado na Justiça.
(De O Globo: A ausência de 927.250 eleitores cariocas (20,24% do total), em meio ao feriado prolongado decretado pelo governador Sérgio Cabral, pode ter influenciado o resultado da eleição, na opinião de cientistas políticos.
As maiores abstenções registradas foram nas zonas eleitorais do Centro (26,34%), da Zona Sul (26,11%) e da Grande Tijuca (22,14%), três regiões que registraram o melhor desempenho do candidato derrotado , Fernando Gabeira (PV).
Os números são superiores aos registrados no primeiro turno, que teve 17,91% de abstenção, e acima da média nacional, que ficou em 18,09%, bem próximo dos 17,29% registrados no segundo turno de 2004. Na ponta do lápis, isso representou uma perda de mais 107.157 votos em relação ao primeiro turno.
Na Zona Sul faltaram 143.714 eleitores, justamente onde Gabeira teve seu melhor desempenho. O fato reforça a polêmica sobre o feriadão decretado pelo governador Sérgio Cabral, que antecipou de terça-feira para esta segunda o Dia do Servidor Público).

- De 0 a 10, que nota dá à administração do prefeito Eduardo Paes?
- Não dou notas, mas aprecio a decisão de recuperar o porto do Rio, um dos projetos centrais de minha campanha.
- O que o governador Sérgio Cabral está fazendo que o senhor não faria?
- Proponho plano de segurança para todo o estado, saúde não apenas para emergência, e romper com a cumplicidade com empresas transporte.
- Em um eventual segundo turno contra Cabral o senhor pediria o apoio de Garotinho?
- Meu grande esforço é ir para o segundo turno. Quando estiver lá, tomarei as decisões do momento.
- O que acha da política de segurança pública de Cabral? E mais especificamente das UPPs?
- Defendi esta politica em 2008. Sou beneficiado por ela, mas pergunto sempre: e os outros? É preciso pensar Rio como estado.
- Qual será o papel do RJ na discussão da partilha de royalties caso o senhor se eleja?
- O Rio tem de lutar pelos royalties. Veja o desastre agora em Lousiana. São riscos ambientais e encargos sociais com o petróleo.
- Últimas perguntas. Qual é exatamente sua posição sobre o comércio de drogas consideradas ilícitas?
- Minha proposta é reformar a polícia. Sem boa polícia não há politica de repressão ou discriminação. É uma ponte entre extremos.
- O que pensa da concessão do titulo de propriedade definitivo aos atuais moradores de favelas?
- Sou favorável, desde que em áreas seguras. Com o título, as pessoas têm emprestimos, há dinamismo econômico.
- Última pergunta: O que fará para impedir a edificação em áreas de risco? E a ocupação ilegal de terra pública?
- De um modo geral é tarefa de prefeito. Poderei ajudar [fazendo] convênio com Google, monitorando on line”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:23

Cabral: covardia contra o Rio!!!!!

Disse Cabral ao G1 ao comentar a tragédia da chuvas no Rio:
“A culpa é de toda a sociedade. No Rio, direitos humanos e ordem pública eram vistos como se fossem contraditórios. E, pelo contrário, ordem pública traz melhorias aos direitos humanos”.
                 * * *
Comentários no site do G1:
1. De Josué: “Infelizmente ele tem razão, pois somos nós que votamos neles. A culpa é de quem sabe que essas pessoas vivem em áreas de risco mas não fazemos nada. Agora quero ver se vamos ficar calados e não exigir nossos direitos”.
2. De Marcio: “Alguém viu Cabral chorar? Ele só chora quando existe petróleo em disputa”.
                 * * *
Comentário do jornalista Ricardo Noblat em seu blog:
“Você, carioca, se sente culpado pela tragédia que matou até agora 195 pessoas no Rio de Janeiro e soterrou de 100 a 150 em Niterói?
Quem autoriza a construção de casas em áreas de risco?
Que desconhece o número de áreas de risco? O último levantamento tem 10 anos.
O morador da área de risco tem culpa? Se pudesse ele escolheria morar em uma área de risco?
Para que servem os governantes?
Sem essa, seu Cabral!
Professores da Universidade Federal Fluminense, por exemplo, estudaram as condições do morro onde cerca de 200 pessoas acabaram soterradas em Niterói. Durante décadas funcionou ali um lixão.
Compararam a área a uma bomba prestes a explodir. Explodiu. Os estudos não foram levados em conta por sucessivos prefeitos.
Tentar dividir a culpa pela tragédia com a sociedade é uma maneira esperta, mas inócua, de diminuir a culpa de quem foi eleito para governar. E foi um governante relapso”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:22

Chega de covardia com o Rio

Disse Cabral ao G1 ao comentar a tragédia da chuvas no Rio:
“A culpa é de toda a sociedade. No Rio, direitos humanos e ordem pública eram vistos como se fossem contraditórios. E, pelo contrário, ordem pública traz melhorias aos direitos humanos”.
                 * * *
Comentários no site do G1:
1. De Josué: “Infelizmente ele tem razão, pois somos nós que votamos neles. A culpa é de quem sabe que essas pessoas vivem em áreas de risco mas não fazemos nada. Agora quero ver se vamos ficar calados e não exigir nossos direitos”.
2. De Marcio: “Alguém viu Cabral chorar? Ele só chora quando existe petróleo em disputa”.
                 * * *
Comentário do jornalista Ricardo Noblat em seu blog:
“Você, carioca, se sente culpado pela tragédia que matou até agora 195 pessoas no Rio de Janeiro e soterrou de 100 a 150 em Niterói?
Quem autoriza a construção de casas em áreas de risco?
Que desconhece o número de áreas de risco? O último levantamento tem 10 anos.
O morador da área de risco tem culpa? Se pudesse ele escolheria morar em uma área de risco?
Para que servem os governantes?
Sem essa, seu Cabral!
Professores da Universidade Federal Fluminense, por exemplo, estudaram as condições do morro onde cerca de 200 pessoas acabaram soterradas em Niterói. Durante décadas funcionou ali um lixão.
Compararam a área a uma bomba prestes a explodir. Explodiu. Os estudos não foram levados em conta por sucessivos prefeitos.
Tentar dividir a culpa pela tragédia com a sociedade é uma maneira esperta, mas inócua, de diminuir a culpa de quem foi eleito para governar. E foi um governante relapso”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:11

A dificuldade de Cabral

O blog do Noblat fez uma pesquisa onde perguntava:
“Como você avalia até aqui o governo de Sergio Cabral no Rio de Janeiro”.
Quem lê o blog são leitores de ‘O Globo’ – pelo menos da versão online – e se interessam por política.
Foram 1.745 entrevistados. Veja o resultado:
ótimo/bom             19.48%
regular                    23.61% 
ruim/péssimo         52.21% 
não tenho opinião     4.70%
Como ele teve mais de 50% de ruim/péssimo, em tese ele não iria para o segundo turno, num quadro – como existe hoje – de três candidatos.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:41

Arruda precisa ser preso

Trecho do artigo de Ricardo Noblat publicado hoje em ‘O Globo’:
“No momento, funcionam em Brasília quatro centrais de vídeos capazes de fazer Severino (Cavalcanti) corar. O dono da mais completa é Durval (Barbosa), que entregou 30 vídeos à Polícia Federal e guardou 50. O ex-governador Joaquim Roriz é dono de outra. A terceira é de Arruda. E a quarta dos irmãos Pedro e Márcio Passos, acusados de grilagem de terras.
Quem foi filmado sabe que foi. Quem não sabe receia ter sido. O manto pesado do medo cobre a Brasília dos poderosos. A outra Brasília serve de pano de fundo para a primeira e em boa parte depende dela. Sem dúvida, está indignada. Mas por cautela prefere manter o silêncio dos cúmplices ? ou dos desencantados.
Arruda reuniu-se em separado com cada um dos 17 deputados que o apoiam na Câmara. Seu recado foi simples e direto: ou nos salvamos juntos ou afundaremos juntos. Os jornais de Brasília são parceiros de Arruda. O dono de um deles era mensaleiro. O presidente do mais importante foi citado por Durval em mais de um depoimento.
Somente a Justiça poderá estragar os planos de Arruda. Para isso terá de agir com rapidez, acatando o pedido do Ministério Público de mandar prendê-lo. Solto e no exercício do cargo, Arruda prejudica as investigações, como tem feito, e a produção de provas contra ele mesmo”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:32

O apagão de Cabral

Artigo do jornalista Ricardo Noblat hoje, em ‘O Globo’, com o título acima:
“E aí, Lindinho? Nem sequer de leve vai censurar o governador Sérgio Cabral (PMDB) por ter sumido nas primeiras 24 horas após o deslizamento de terras em Angra dos Reis? Ali morreram 44 pessoas. Lindinho é como chamam Lindberg Farias, prefeito de Nova Iguaçu, ex-aspirante a candidato do PT ao governo. E, até outro dia, crítico de Cabral.
Os dois chegaram a um acordo. Sob pressão de Lula, Cabral topou apoiar a candidatura de Lindinho ao Senado ? e Lindinho topou transferir para daqui a quatro anos a pretensão de ser candidato ao governo. Benedita da Silva (PT), ex-governadora do Rio e também candidata ao Senado, detestou o acordo.
E aí, Bené? Como Lindinho, nada dirá a respeito do apagão de Cabral? Bobagem! Bené está impedida de dizer qualquer coisa que deixe Cabral aborrecido. Afinal, ela é Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do governo dele. Reza para que não vingue o apoio de Cabral a Lindinho.
Tudo bem, mas Alessandro Molon, deputado estadual do PT, poderia perguntar a Cabral por que ele preferiu despachar para Angra seu vice Luiz Fernando Pezão, só aparecendo por lá um dia depois. No dia da tragédia, nem Lula conseguiu falar com Cabral. Sem o apoio de Cabral, Molon perdeu a eleição de 2008 para prefeito do Rio.
Molon calou-se. De sua parte, Cabral repeliu, indignado, a suspeita de que voara para o exterior. ?Estão querendo plantar que eu estava fora do país? Eu estava em Mangaratiba?, jurou. Melhor que não estivesse. Mangaratiba fica a 57 quilômetros de Angra, que, por sua vez, fica a 157 quilômetros da cidade do Rio, de onde saiu Pezão.
Em julho de 2007, por causa da morte de 26 peregrinos poloneses em um acidente de ônibus entre Cannes e Grenoble, três ministros da França voaram para o local, distante 600 quilômetros de Paris. François Fillon, o primeiro-ministro, também voou, assim como Sarkozy, o presidente da República. E Lech Kaczynski, o presidente da Polônia.
Peregrino polonês vale mais do que ilhéu ou turista que visita Angra? Por que os políticos brasileiros são pouco solidários com a população? Sabem adulá-la atrás de votos. Na hora da dor, guardam distância. Lula, em julho de 2007, guardou distância de São Paulo onde se espatifara um Airbus da TAM, matando 199 pessoas.
O PT foi para cima do governador José Serra (PSDB) e do prefeito Gilberto Kassab (DEM) cobrando providências contra o recente alagamento de parte da cidade de São Paulo. O PT finge que o governo Cabral nada tem a ver com os estragos provocados pelas chuvas no Rio. Morreram 64 pessoas entre quarta-feira e sábado.
Os cariocas assistem conformados à reprise de um filme triste e antigo. No fim do filme, são eles que morrem varridos pelas águas. O governo de plantão joga a culpa nos governos passados. E de tragédia em tragédia, vai-se levando. Cabral anunciou que transformará em parque ambiental as áreas de Angra afetadas pelos deslizamentos.
?A ideia é identificar as casas que devem ser removidas. Orçamento não é problema. Vamos listar as famílias para depois indenizá-las?, prometeu. Ora, o decreto 41.921, de junho último, assinado por Cabral, afrouxou as regras de construção em áreas de preservação ambiental de Angra e de outras ilhas.
Uma petição com mais de cinco mil assinaturas exige a revogação do decreto, rejeitado pelas principais entidades ambientalistas do Estado, a representação do Ibama em Angra, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e… Sim, e Molon. O Ministério Público Federal considera o decreto inconstitucional porque não há lei que o ampare.
Molon apresentou na Assembleia um projeto de Decreto Legislativo que susta os efeitos de alguns artigos do decreto de Cabral. Se está de fato empenhado em evitar que ocorram novos desastres como o da Ilha Grande na madrugada da sexta-feira, de saída Cabral poderia revogar seu decreto infeliz. Mas isso só não basta, é claro”.

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