• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:43

A Igreja e as esquerdas

 

Marina Silva, beneficiária

Marina Silva, beneficiária

    Maria Inês Nassif, do ‘Valor Econômico’, assina a reportagem mais interessante do dia:
“O PT foi fundado, em 1980, de uma costela dos movimentos populares ligados à Igreja da Teologia da Libertação. A ligação entre ambos, todavia, não é mais a mesma. Houve uma “despetização” desses movimentos. O setor progressista católico botou o pé para fora do partido que hoje está no governo da União e se move com mais desembaraço nos movimentos sociais do que fora do circuito de poder, e nos movimentos políticos suprapartidários, como o que resultou na aprovação do projeto Ficha Limpa, no dia 19 de maio.
As bases católicas progressistas ainda votam de forma majoritária no PT, mas não se misturam com o partido e são proporcionalmente menores que nos anos 80 e 90. Primeiro, porque a própria instituição perdeu a sua centralidade, com a redemocratização. “Nos anos 70 e 80, a Igreja era o guarda-chuva para a sociedade civil na defesa de direitos, um abrigo para os movimentos sociais e um centro de atividade política. Quando abriu o regime, não precisou mais exercer esse papel, porque floresceram outras institucionalidades”, analisa o padre José Oscar Beozzo, da Teologia da Libertação – o veio de reflexão da Igreja de esquerda latino-americana que foi condenado à proscrição nos papados de João Paulo II e Bento XVI, acusado de tendências materialistas, mas que resiste nas bases sociais católicas de forma mais tímida e “de cabelos mais brancos”, segundo Beozzo, e com mais dificuldades de reposição de quadros, na opinião de Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, um de seus teóricos.
Na democracia, a atividade partidária não precisa estar mais abrigada na Igreja, nem a Igreja tem a obrigação de ser o grande protagonista de movimentos políticos civis: “No movimento do Ficha Limpa, houve um trabalho conjunto com setores laicos. É melhor trabalhar assim”, afirma Beozzo. “Sem a capilaridade da Igreja, dificilmente o movimento conseguiria reunir 1,6 milhão de assinaturas para a proposta de iniciativa popular”, relativiza o juiz Márlon Reis, um dos organizadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.
De outro lado, também foi gradativamente se reduzindo o espaço de atuação da Igreja progressista nas bases sociais. Isto se deve à evasão dos setores mais pobres das igrejas católicas, que rumam celeremente para templos evangélicos, e à política sistemática de esvaziamento dos setores católicos progressistas por Roma. A igreja da Teologia da Libertação ocupa um espaço, junto às classes menos favorecidas, a que os tradicionalistas não conseguem acesso. Quando esse setor tem seu acesso reduzido a estas bases, a adesão ao catolicismo também diminui. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, 89,2% declaravam filiação ao catolicismo em 1980; em 2000, eram 73,8%. Em 1990, esse índice era de 83% – um ritmo de queda muito aproximado a 1% ao ano nos dez anos seguintes. As religiões evangélicas eram a opção de 6,7% da população em 1980; já trafegavam numa faixa de 15,4% dos brasileiros em 2000. Segundo dados do Censo, subiu de 1,6% para 7,3% os brasileiros que se declaram sem religião.
O IBGE parece confirmar a teoria de Frei Betto em relação à origem dos que saem do catolicismo em direção às igrejas evangélicas: enquanto, na população total, 73,8% se declaravam católicos no Censo de 2000, esse número subia para 80% nas regiões mais ricas e entre pessoas de maior escolaridade.
Segundo Beozzo, a Igreja Católica encolheu nas comunidades onde viscejava o trabalho pastoral da igreja progressista. “Hoje a igreja é minoritária nas comunidades. Para cada três igrejas católicas, existem 40 pentecostais.” Além da perda de fiéis para as igrejas católicas nas periferias urbanas, a Igreja católica tem perdido também para os que se declararam sem religião. É a “desafeição no campo religioso” a que se refere Beozzo.
Para Frei Betto, todavia, as perdas respondem diretamente à ofensiva da hierarquia católica contra a Teologia da Libertação. Essa é uma posição que foi expressa também pelo bispo emérito de Porto Velho, dom Moacyr Greghi, na 12ªInterclesial, no ano passado, quando as comunidades eclesiais de base surpreenderam ao reunir cerca de 3 mil delegados num encontro cujo tema era “CEBs: Ecologia e Missão – Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia”. “Onde existirem as CEBs, os evangélicos não entram e os católicos não saem de nossa igreja”, discursou dom Moacyr.
Segundo teólogos, padres e especialistas ouvidos pelo Valor, processos simultâneos mudaram as feições da ação política da igreja. A alta hierarquia católica fechou o cerco contra a Teologia da Libertação, quase que simultaneamente à redemocratização do país e à emergência de instâncias livres de participação democrática – partidos, sindicatos, organizações não-governamentais e movimentos organizados.
O PT, principal beneficiário dos movimentos de base da Igreja, se autonomizou e absorveu quadros originários das CEBs, das pastorais e das ações católicas especializadas (JEC e JUC, por exemplo). Ao tornar-se poder, pelo voto, incorporou lideranças católicas, mas também decepcionou movimentos que estavam à esquerda do que o partido conseguia ir administrando o país e mediando interesses de outras classes sociais. “As bases estão insatisfeitas, mas têm medo de fazer o jogo da oposição, que está à direita do governo”, analisa Frei Betto. “Tem uma parte dessa militância que tem pavor da volta do governo tucano”, relata o candidato do P-SOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio.
O espaço do PT nas bases católicas ficou menor depois da ascensão do partido ao poder e da crise do chamado Escândalo do Mensalão, em 2005 – quando foi denunciado um esquema de formação de caixa 2 de campanha dentro do partido. Hoje, a relação dos católicos progressistas com a legenda não é mais obrigatória e os militantes de movimentos católicos de base são menos mobilizados e em menor número. Os partidos de esquerda acabaram incorporando um contingente da base católica que continua partidarizada, embora o PT ainda seja majoritário.
“O PT continua sendo o partido que tem mais preferência dos militantes das Comunidades Eclesiais de Base, mas existem partidários do P-SOL e tem gente que saiu do PT para militar com a Marina Silva, do Partido Verde”, conta o padre Benedito Ferraço, um ativo militante . Em alguns Estados, como o Maranhão, onde existia uma militância histórica do antigo MDB autêntico, da época da ditadura, ainda se encontram bases católicas progressistas pemedebistas, segundo padre Ferraço. O candidato do P-SOL, Plínio de Arruda Sampaio, que milita junto a setores da Igreja na defesa da reforma agrária – e assessora a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o tema – tem a adesão de líderes de movimentos da Igreja ligados à questão agrária. Contabiliza o apoio do ex-presidente da Comissão Pastoral da Terra, o bispo emérito Dom Tomás Balduíno. Marina – que, embora tenha abraçado a religião evangélica, tem na sua origem política a militância nas CEBs – recebeu a adesão do guru da Teologia da Libertação, Leonardo Boff.
Na avaliação do ex-vereador Francisco Whitaker, membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, as bases da igreja progressista têm saído da militância petista, mas engrossam mais as fileiras dos “sem-partido” do que propriamente as legendas mais à esquerda ou opções mais radicais pela ecologia, embora isso aconteça. “Hoje, a militância partidária é apenas uma das possibilidades”, afirma Whitaker, que foi um dos líderes do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral que esteve à frente da campanha pelo projeto dos Ficha Limpa.
Whitaker e Frei Betto – este, junto com Boff, é um dos expoentes da Teologia da Libertação – apontam também um outro fator para a “despetização” das bases da Igreja: a absorção de quadros originários das CEBs e das pastorais sociais pelo próprio governo. “O movimento de base foi muito desarticulado, ou porque os seus líderes foram cooptados pelo governo do PT, ou porque foram incorporados à máquina partidária”, diz Frei Betto. Isso quer dizer que o militante católico absorvido pelas máquinas partidárias e do governo deixou de ser militante e passou a ser preferencialmente um quadro petista.
A incorporação à máquina não é apenas a cargos de confiança em Brasília. “As representações estaduais do Incra e da Funasa, por exemplo, absorveram muita gente que veio dos movimentos de base da Igreja Católica”, conta Frei Betto. Também a máquina burocrática do partido atraiu os militantes que antes atuavam nas bases comunitárias de influência católica.
A “laicaização” do PT foi mais profunda, todavia, após 2005. “O mensalão bateu forte nas bases católicas”, avalia Whitaker. Sob o impacto do escândalo, centenas de militantes petistas aproveitaram o Fórum Social Mundial, que naquela ano acontecia em Porto Alegre, para anunciar a primeira debandada organizada de descontentes, que saíram denunciando a assimilação, pelo PT, das “práticas e a maneira de fazer política usuais no Brasil”, conforme carta aberta divulgada por Whitaker. “Eu tomei a decisão de integrar o partido dos sem-partido”, conta o ex-vereador. A aposta, naquele momento, era que esses dissidentes criassem um forte partido ligado à esquerda católica. O P-SOL nasceu, mas pequeno e fraco – uma reedição, em tamanho reduzido, da aliança entre esquerda católica e grupos marxistas que, 15 anos antes, havia criado o PT.
Os “sem-partido”, no cálculo de quem saiu, são em maior número. Whitaker chama essa “despetização” de “saída para a sociedade”: o contingente se incorporou ao movimento dos Ficha Limpa, agora reforça a briga pela aprovação da Emenda Constitucional de combate ao trabalho escravo e tem atuação na luta pela reforma agrária. Tem forte atuação também – e quase definitiva – na organização dos Fóruns Sociais Mundiais (FSM) que ocorrem todo ano, de forma quase simultânea ao Fórum Econômico Mundial de Davos, como uma opção de debate econômico dos excluídos das generosidades do capitalismo mundial. Exercem uma militância de certa forma invisível na política institucional, mas muito atuante nas bases, de questionamento da legitimidade das dívidas interna e externa.
O secretário-executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Daniel Seidel, afirma que esse setor católico vive hoje em estado de ebulição, depois de um período de recuo, imposto especialmente pela ofensiva de Roma contra os setores mais progressistas da Igreja da América Latina. No caso brasileiro, esse novo período de eferverscência é atribuído a Dom Dimas Lara, secretário-geral da CNBB, de um lado; e de outro lado, ao papel desempenhado pelas Assembleias Populares, um formato de organização das bases mobilizadas da Igreja. As Assembleias têm definido uma ação política fora dos partidos e engrossado as mobilizações dos movimentos populares. São um espaço para onde tem convergido a atuação da Igreja cidadã: é onde se definem questões de atuação conjunta com outras igrejas, leigos, movimentos sociais e partidos políticos, embora jamais vinculados a eles.
Embora a “saída para a sociedade” tenha se dado num quadro de frustração com o governo, existe cautela em relação a ações contra o governo Lula. “Tem uma parte das bases católicas que acha que, ruim com ele (Lula), pior sem ele. Essa parte tem pavor da volta de um governo tucano”, analisa Arruda Sampaio. “Embora as bases estejam insatisfeitas, têm medo de denunciar o governo e fazer o jogo da oposição”, diz Frei Betto. Isso ocorre também com os movimentos sociais que já estão descolados da Igreja, como o MST, que foram criminalizados nos governos de FHC, não concordam com os rumos tomados pelos governos de Lula, mas ainda assim preferem a administração petista, numa situação eleitoral de polarização entre o PT e o PSDB”.

Plínio de Arruda Sampaio, beneficiário

Plínio de Arruda Sampaio, beneficiário

EX-MILITANTES ESTÃO COM MARINA E PLÍNIO

 ”A Igreja progressista já não produz quadros para a política na quantidade que o fazia antigamente, mas a política brasileira pós-redemocratização está repleta de suas crias.
No início do governo, no comando do programa Fome Zero, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, contabilizou-s em artigo no “Correio Braziliense”: Marina Silva, ex-militante das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja; Benedita da Silva, líder comunitária cujo primeiro marido, o Bola, militou no movimento Fé e Política; o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que foi da Juventude Estudantil Católica (JEC) de Anápolis (GO); Dilma Rousseff, companheira de cárcere de Frei Betto e de outros religiosos, no presídio Tiradentes; José Graziano, formado politicamente na JEC; Olívio Dutra e Gilberto Carvalho, que vieram da Pastoral Operária; José Dirceu, que no período de clandestinidade foi abrigado no convento São Domingos; e o jornalista Ricardo Kotscho, com quem Frei Betto criou grupos de oração, base do trabalho evangelizador da Teologia da Libertação .
Muita água rolou por baixo da ponte, mas nessas eleições presidenciais pelo menos dois candidatos beberam dela. A evangélica Marina Silva, candidata a presidente pelo PV, é uma. “Nós crescemos na batina do dom Moacyr (Grechi)”, afirma a candidata. Militante desde cedo das comunidades eclesiais de base do Acre, atribuiu à Igreja católica, em especial de dom Moacyr, o fato de o Estado ter encontrado caminhos políticos diferentes ao do narcotráfico. Foi o pessoal do dom Moacyr que ganhou eleições para governos e Senado e forneceu quadros para secretarias e estrutura burocrática,
O candidato do P-SOL, Plínio de Arruda Sampaio, foi um incansável militante, dentro e fora da Igreja, pela reforma agrária. Era um quadro do PT até o racha de 2005. Acha que, em algum momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve liderança incontestável nas bases da Igreja, mas hoje não lidera mais “gregos e troianos”.
A deputada e ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (PSB), embora não seja candidata à Presidência, é um exemplo de política que se criou nas bases da Igreja. Em Pernambuco, onde dava os seus primeiros passos na luta política, a Igreja progressista ajudava a organizar sindicatos rurais numa região em que as ligas camponesas – movimentos sociais muito atuantes antes do golpe de 64 – foram destroçadas pela ditadura. “Havia uma grande repressão às ligas e aos camponeses, mas a Igreja tinha uma relativa liberdade de transitar por esses espaços e aproveitava disso para organizar sindicatos”, conta a deputada. Erundina veio para cá ameaçada pela repressão militar. Elegeu-se prefeita em 1989 – e foi a sua relação com a Igreja progressista que a protegeu nos momentos mais difíceis”. (M.I.N)

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:37

A hipocrisia tucana em Goiás

Do jornalista Ricardo Kotscho, no seu Balaio:
“Vim à bela e arborizada capital de Goiás a passeio, como informei aos leitores na sexta-feira, e só pretendia atualizar o Balaio no domingo. Nem trouxe meu laptop. Mas um grande acontecimento, que agitou Goiânia durante todo o dia de ontem, me faz interromper a breve folga. 
Ao ler os jornais da cidade hoje de manhã, achei que os leitores tinham o direito de saber que aqui se promoveu o maior comício da atual campanha eleitoral.
?O aniversário de 47 anos do senador Marconi Perillo transformou-se em ato pró-candidatura ao governo. Estima-se que 40 mil pessoas passaram pelo Atlanta Music Hall ao longo do dia, dentre eles, 142 prefeitos. A organização disponibilizou 220 ônibus para o transporte de convidados?, informa o Diário da Manhã em sua primeira página.
A farta cobertura do evento espalha-se por três páginas internas. Sob a manchete ?40 mil pedem a volta de Marconi?, o jornal relata detalhes desta super-produção. Os organizadores serviram 3,5 toneladas de carne, uma tonelada de arroz, 150 quilos de farofa, 30 mil latas de cerveja e seis mil litros de refrigerante.
Em pequena nota lateral, o jornal esclarece: ?Marconi lembrou aos presentes que a festa foi apenas comemorativa. Decisão sobre candidatura apenas em abril. Os organizadores também lembraram que não tiveram gastos com nada?.
Claro, tudo deve ter caído do céu, como diria o ex-ministro Magri. O noticiário, porém, desmente a versão de que ?a festa foi apenas coemorativa?. A começar por Geraldo Alckmin, pré-candidato tucano em São Paulo, anunciado como principal autoridade presente ao evento, todos os oradores só falaram da volta de Perillo ao governo de Goiás nas próximas eleições.
?Vim trazer o meu abraço e de José Serra a Marconi, que foi um grande governador e trabalhou pelos pobres. Goiás tem pressa. Goiás quer sua eleição no primeiro turno. Volta, Marconi?, proclamou Geraldo Alckmin. Anunciado pelos jornais na véspera como a grande atração da festa, o governador José Serra não apareceu.
Com o título ?Sucessão dá o tom dos discursos na festa de aniversário de Marconi?, outro jornal da cidade, O Popular, foi direto ao assunto do grande comício. ?O senador Marconi Perillo (PSDB) tentou afastar o caráter político da sua festa de aniversário de 47 anos, mas o fato é que o evento transformou-se em ato de apoio à candidatura ao governo do Estado?.
Nada seria mais mais natural do que, em ano de eleição, uma festinha de aniversário de candidato se transforme num grande acontecimento político _ não fosse pelo fato de que Marconi Perillo pertence ao PSDB, o partido que, junto com seu aliado DEM, já entrou com várias representações na Justiça denunciando o presidente Lula e a candidata Dilma Roussef por campanha eleitoral antecipada.
Tema constante de editoriais, colunas e blogs cada vez mais indignados, esta jaboticaba da nossa legislação eleitoral, em que os candidatos naturais não podem se dizer candidatos, e muito menos reunir pessoas para falar o que pensam, antes de determinadas datas pré-estabelecidas, a monumental comemoração do aniversário de Perillo em Goiânia é apenas mais um episódio da grande hipocrisia que reina na política brasileira”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:53

Galega tá cansada do governo

Dona Marisa Letícia, primeira-dama do país, parece estar cansada do poder.
Mais do governo do que de propriamente de Brasília.
No primeiro mandato, D. Marisa sempre foi figura central de todas as cerimônias oficiais, inclusive no próprio Palácio do Planalto.
Para se ter uma idéia, ela participou até mesmo da foto oficial de Lula com seu ministério.
Sem falar nos que foram nomeados por influencia sua. Tem até ministro do Supremo Tribunal Federal.
Hoje, ela anda sumida.
Basta dar uma leitura rápida nos jornais para perceber isso.
Há pouco, o jornalista Lauro Jardim postou uma nota dizendo que não teve ?médico, nem ministro: quem convenceu Lula a não viajar para Davos foi a primeira-dama Marisa. ?Só ela comanda o imperador?, disse um auxiliar do Presidente”.
No dia do piripaque, Lula participou de um comício ao lado de Dilma e sentenciou:
? De vez em quando, as pessoas falam que a Dilma é braba. E eu vou lhe contar uma coisa. Mulher tem mais é que ser braba mesmo. Quem tem que ficar arreganhando os dentes todas as horas é o homem. A mulher tem que ser séria mesmo.
O registro está no ?Globo? de ontem, em reportagem assinada por Letícia Lins.
Na semana passada, dia 21, Silvio Navarro publicou no Painel, da ?Folha?:
?O presidente Lula discursava anteontem, durante lançamento de uma escola técnica em Araçuaí (MG), quando se desculpou por não citar uma a uma as autoridades presentes no encontro devido à agenda apertada.
-Tenho que ser rápido porque tenho mais dois eventos em Juiz de Fora…
Imediatamente a platéia reagiu decepcionada.
-Vocês sabem que é longe -, emendou.
Como o público continuava contrariado, Lula coçou a cabeça e recorreu à desculpa que, enfim, colou:
-Tenho que ser rápido porque a galega está me esperando em Brasília! E a galega não é mole…?
O controle da galega sobre o Presidente, todos sabem, é coisa antiga.
Mas a prova maior da irritação de D. Marisa com o ti-ti-ti governamental, ela deu no dia do aniversário do marido, quando organizou uma feijoada-supresa, na Granja do Torto, para comemorar os 64 anos do Presidente.
Lauro Jardim, na época, dia 5 de novembro, deu uma nota informando que, ?fora a família Lula da Silva, estavam no máximo uns dez convidados, que ouviram Noca da Portela cantar enquanto rolava a feijoada. Entre os amigos do rei, Jorge Samek, presidente de Itaipu; Sigmaringa Seixas, advogado e ex-deputado petista; os médicos Roberto Kalil, Nana Miúra e Claudia Cozer; Ricardo Kotscho; o vice José Alencar; e mais uns velhos sindicalistas amigos dos tempos de Lula no ABC?.
E sabem quantos ministros? Nenhum.
Dona Marisa quer distância de todos eles.
Depois do episódio de Recife, ela deve estar mais do que convencida que esse pessoal do governo é que faz com que a pressão do Lula suba para 18 por 12.
A propósito. O maior sucesso de Noca da Portela é o samba “É preciso muito amor”.
Aí vai um trecho:
“Pra satisfazer essa mulher eu faço das tripas coração
Pra ela sempre digo sim, pra ela nunca digo não
Porque senão ela chora e diz que vai embora
Ô, diz que vai embora
Porque senão ela chora e diz que vai embora
Ô, diz que vai embora”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:01

“Um passeio por Havana”

 Frei Betto esteve há duas semanas em Havana e foi recebido por Fidel Castro.
Sobre a viagem, o religioso escreveu o artigo “Um passeio por Havana”, que o site Cuba Debate publica hoje. Eis o seu texto:
 ”Havana, nesta época do ano, é banhada por suave temperatura. O calor é amenizado pelo hálito de frescor que sopra das águas azuladas por trás do Malecón. A umidade reflui, embora a população se mantenha atenta à meteorologia: outubro e novembro são meses de furacões. Ano passado, ceifaram quase 20% do PIB, hoje calculado em US$ 50 bilhões.
Não há sinal de que o desastre se repita este ano. Impossível, contudo, prever as reações vingativas de Gaia, cruelmente estuprada por nossa ambição de lucro e solene desprezo à mãe ambiente.
A visita à Cuba, na penúltima semana de outubro, não tinha agenda de trabalho. Fui a convite do querido amigo José Alberto de Camargo que, para comemorar aniversário, escolheu a cidade reencantada pela literatura de Lezama Lima, Alejo Carpentier e Nicolás Guillén.
A comitiva (comitiva do coração) incluiu os jornalistas Chico Pinheiro e Ricardo Kotscho, este acompanhado de Mara, sua mulher. Alojados no octogenário Hotel Nacional, brindamos o desembarque com o daiquiri de La Floridita, onde Hemingway tomava seus porres. Visitamos a casa de praia em que ele morou e escreveu “O velho e o mar”, bem como o Hotel Ambos Mundos, no qual viveu seis anos e redigiu “Por quem os sinos dobram”.
Foram dias de boa culinária caribenha no El Templete, à beira do porto, e em El Oriente, frequentado por Saramago e García Márquez. Entre mojitos e o aroma perfumado dos charutos Cohiba, cuja fábrica percorremos, mantivemos proveitosas conversas com cidadãos anônimos e autoridades do país, como Ricardo Alarcón, presidente da Assembleia Nacional; Eusébio Leal, historiador da cidade (e responsável pela restauração da área colonial de Havana); Homero Acosta, secretário do Conselho de Estado (no qual se congregam ministros e dirigentes do país); Armando Hart, do Centro de Estudos Martianos; Abel Prieto, ministro da Cultura; e Caridad Diego, responsável pelo Gabinete de Assuntos Religiosos (que cuida da relação entre Estado e denominações confessionais).
Permaneci um dia a mais para encontrar-me com Raúl Castro, atual presidente, com quem almocei no sábado, 24, e Fidel que, na tarde do mesmo dia, me recebeu em sua casa, com direito a jantar.
Cuba se encontra grávida de si mesma. Após 50 anos de Revolução, é hora de analisar erros e impasses. Mira-se o passado para enxergar melhor o futuro. Em 2010, o 9º Congresso do Partido Comunista deverá submeter o país à verificação de suas contradições e elaboração de novas estratégias, sobretudo no que concerne à economia e à emulação ética.
Engana-se quem supõe Cuba retrocedendo ao capitalismo. Ainda que se multipliquem aberturas à economia de mercado, devido à globalização e o mundo unipolar hegemonizado pelo neoliberalismo, não interessa à Ilha priorizar a acumulação privada da riqueza em detrimento da maioria da população. A América Central é o espelho no qual Cuba não quer se ver: ali os índices de violência são, hoje, os mais altos do mundo, com 23 assassinatos/ano por cada grupo de 100 mil habitantes. No Brasil, o índice é de 31/100 mil e, em Cuba, 5,8/100 mil. Basta dizer que, no Rio, a polícia matou, em 2007, 1.330 pessoas. No ano anterior, em todo os EUA foram mortas pela polícia 347 pessoas.
Os cubanos são conscientes de as falhas do país não poderem ser todas atribuídas ao criminoso bloqueio imposto, há mais de 40 anos, pela Casa Branca (e, agora, em vias de distensão pela administração Obama).
A manutenção, por longo tempo, de medidas justificadas pela Guerra Fria, começa a ser questionada. É o caso do caráter paternalista do Estado que assegura, a 11 milhões de habitantes, gratuitamente, cesta básica, saúde e educação de qualidade.
Por essa razão, a qualidade de vida em Cuba, onde o analfabetismo está erradicado, figura em 51º lugar, entre 182 países, no Índice de Desenvolvimento Humano 2009, da ONU. O Brasil mereceu a 75ª classificação. Não se cogita alterar o direito universal e gratuito à saúde e à educação. Porém, a redução dos subsídios à alimentação deverá coincidir com o aumento de salários e da produtividade agrícola, de modo a diminuir a importação de 80% dos alimentos consumidos.
Busca-se solução a curto prazo para a duplicidade de moedas: o CUC adquirido pelos turistas (evita o câmbio paralelo e a evasão de divisas) e o peso utilizado pelo cidadão cubano. O turismo, ao lado da exportação de níquel, é das principais fontes de arrecadação de Cuba que, com tamanho 64 vezes inferior ao Brasil, recebe 2,5 milhões de turistas por ano, metade dos que desembarcam em nosso país no mesmo período.
Toda a América Latina se opõe, hoje, ao bloqueio e apoia a reintegração de Cuba nos organismos continentais. A questão política mais relevante nas relações internacionais é a urgente libertação dos cinco cubanos presos nos EUA desde 1998, condenados a penas elevadíssimas, acusados – acreditem! – de evitar atos terroristas. Os cinco lograram abortar 170 atentados planejados contra Cuba dentro da comunidade cubana de Miami.
Fernando Morais, com quem jantamos em Havana, promete lançar, em 2010, livro em que conta a esdrúxula história do processo movido pela Justiça usamericana contra os cinco cubanos.
PS: A quem possa interessar: Fidel goza de muito boa saúde e excelente bom humor.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:02

As previsões de José Dirceu

José Dirceu publica hoje em seu blog um comentário sobre a entrevista que Ricardo Kotscho, seu ex-companheiro de Planalto, fez com o presidente do Ibope, Carlos Alberto Montenegro, que fala na possibilidade de José Serra vencer as eleições presidenciais do ano que vem, já no primeiro turno.
Dirceu confessa  ter torcido pelo Flamengo, na época da infância em Passa Quatro,  diz que Serra não está eleito e que o Flamengo derrotará o Botafogo e se sagrará mais uma vez  campeão. ?Espero ? diz ele ? não errar em nenhuma das duas previsões?.
O primeiro palpite de Dirceu será esclarecido no próximo domingo. O segundo só em outubro do próximo ano.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 18:57

Kotscho: quimioterapia é preventiva

Veja o que diz Ricardo Kotscho, em seu balaio do IG, sobre a doença da ministra Dilma Roussef:
“Passei o dia fora de casa sem celular e só à noite soube dos problemas de saúde enfrentados pela ministra Dilma Roussef.
Liguei para sua casa em Brasília por volta das 22 horas, mas um assessor me informou que ela já estava descansando. Em conversas com ex-colegas de governo e médicos que acompanharam o caso de perto esta semana, posso informar aos leitores que:
* Depois de diagnosticado o câncer linfático em procedimento de rotina, faz um mês, os exames foram enviados aos Estados Unidos e lá os médicos confirmaram a necessidade de cirurgia imediata para a retirada de um linfoma na axila na axila esquerda, o que foi feito há três semanas.
* Dilma pediu aos médicos que ninguém fosse informado sobre o problema, nem o presidente Lula, para não preocupar sua filha e sua mãe.
* Novos exames garantiram o sucesso da cirurgia: ?Ela não tem mais nada agora. Está curada. Tiraram tudo. O tratamento de quimioterapia é necessário apenas para que o problema não volte daqui a 10, 15 anos?.
* Depois que a informação sobre a cirurgia começou a vazar no começo da última semana, com o surgimento de boatos que falavam de um problema muito mais grave, o presidente Lula conversou com Dilma e, junto com o ministro Franklin Martins, eles decidiram que a ministra  deveria conceder  entrevista coletiva relatando os problemas de saúde que está enfrentando.
* Dilma tem todas as condições de seguir levando uma vida normal. ?Não muda nada nem para ela nem para o governo?. A partir de segunda-feira, ela já retoma as viagens com o presidente Lula para cuidar do PAC. Nos próximos quatro meses, ela terá que interromper suas atividades apenas para fazer sessões de quimioterapia a cada vinte dias.
Pelo que conheço da minha amiga Dilma, que já enfrentou situações tão ou mais difíceis na vida, ela vai querer trabalhar ainda mais do que antes e não se deixará abalar por mais esta cilada do destino.
Deve ter sofrido mais com as falsas acusações que lhe fizeram nas últimas semanas e depois desmentiram.
Vida que segue”.

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