• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:28

Dirceu quer ser exemplo para o PT

Da repórter Maria Inês Nassif, do ‘Valor Econômico’:
“Para ministros petistas, o ex-presidente do PT José Dirceu tornou-se a “Geni” da política brasileira – uma referência à música de Chico Buarque que narra a história do alvo preferido de uma cidade, “feita para apanhar, boa de cuspir”. Não é um juízo de valor, apenas uma constatação: em todos os momentos mais delicados para o partido, em primeiro lugar é a figura de José Dirceu que emerge no centro de ataques dos adversários. Para o público interno do PT, no entanto, desde 2005, quando Dirceu tornou-se o principal alvo das investigações sobre o chamado mensalão do PT, ele passou a ser o símbolo de resistência. A imagem de perseguido, mais um intenso trabalho que fez nos Estados, garantem ao ex-ministro popularidade entre militantes.
Essa posição dúbia do ex-presidente do PT o torna uma presença incômoda na campanha da candidata a presidente do partido, Dilma Rousseff, à medida que ele tem uma capacidade ilimitada de atrair a atenção dos inimigos; mas ao mesmo tempo importante, já que se mantém como referência para uma militância que, pretende-se, deve estar mobilizada para uma campanha que promete ser dura. O ideal seria que fosse discreto. “Essa não é a sua personalidade”, ressalva uma figura do governo.
Dirceu, que havia sido um centralizador presidente do partido, com domínio sobre as realidades regionais do PT, saiu percorrendo as sessões estaduais para evitar o isolamento, durante e depois do processo que levou à cassação de seu mandato de deputado pela Câmara, em dezembro de 2005, na esteira das denúncias de um mensalão que alimentaria o caixa dois de campanha do PT. “Desde 2005, o Zé se move pelo Brasil inteiro”, lembra um ministro. Teve sucesso não apenas no seu objetivo individual, o de obter apoio da militância do PT, mas, segundo avaliação de uma parcela da legenda, acabou desempenhando indiretamente uma função partidária: o PT estava acuado por uma crise sem similar na sua história e sob um comando considerado “fraco” – era presidente do partido o deputado Ricardo Berzoini (SP).
Outra parte do PT, todavia, se incomoda profundamente com a desenvoltura com que Dirceu transita nos diretórios estaduais. “Ele sempre dá a impressão de que fala pelo partido”, diz uma fonte do governo, ressaltando que esse tipo de postura fragiliza a autoridade do comando partidário, ao mesmo tempo que o grande público identifica permanentemente o partido e sua candidata à Presidência, Dilma Rousseff, com uma figura que está sempre sob ataque.
Um papel adicional que Dirceu continua cumprindo, embora informalmente – também para desconforto da direção – é o de manter contatos com os aliados regionais do PT. Foi no período em que presidiu o partido, de 1995 a 2002, que o PT saiu do isolamento. O trabalho de centralização e formação de maioria interna feito por Dirceu levou o PT a uma política mais consistente de alianças eleitorais. Dirceu articulou intensa e meticulosamente as alianças regionais, enquanto esteve na presidência do PT. Já ministro da Casa Civil (2003-2005), trabalhou para levar o PMDB para a base de apoio do governo. Conhece profundamente os protagonistas da política regional de cada Estado. E tem trânsito junto a aliados e possíveis aliados do partido.
A excessiva popularidade interna do ex-ministro e seu trânsito junto a políticos regionais que podem se aliar ao governo, todavia, contrastam com a imagem que ele desfruta junto ao público externo – e esse é o problema político da campanha da ministra Dilma Rousseff. “Não adianta, se ele bota a cara de fora, o partido todo apanha”, constata outro ministro do governo Lula. Segundo um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve um acordo para que Dirceu assuma uma posição mais discreta na campanha eleitoral. A assessoria de Dirceu não confirma o acordo, mas diz que o ex-ministro se prepara para trabalhar na campanha de Dilma, na “forma e intensidade” que o PT decidir. Para tanto, vai reduzir suas atividades profissionais – inclusive na JD Consultoria, que é a atividade que toma mais o seu tempo. Foi como consultor que voltou aos jornais há cerca de um mês, devido ao interesse comercial de um cliente seu de reativar a Eletronet.
Nem as pessoas mais próximas a Dilma no governo Lula, no entanto, acreditam que Dirceu consiga a façanha da discrição. “Não adianta, é da personalidade dele: tudo tem que ser grandioso”, observa um ministro com ligações antigas com Dirceu. Prova de que isso é uma tarefa difícil para Dirceu foi a comemoração do seu aniversário, no dia 16 de março. Não foi a festa de alguém que está disposto a ir para a cocheira, pelo menos até terminar as eleições. Foi, de fato, um evento político.
Segundo um dos assessores do ex-ministro, todavia, não há razões para que Dirceu se exponha, já que sua maior contribuição à candidatura de Dilma, segundo ele, foi dada no ano passado, quando percorreu o país e transitou o nome da candidata tanto nos partidos regionais como entre aliados nos Estados. A homologação desses acordos que teriam sido iniciados por ele, agora, é tarefa do PT Nacional. O que não quer dizer que vá ficar no seu canto nas eleições. A ideia de reduzir suas atividades de consultoria atendem ao objetivo de ter mais tempo para se dedicar ao seu blog e às atividades partidárias de campanha, inclusive de viagens aos Estados”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:05

Divisão do PT no Rio é inevitável

Do ‘Globo’:
“A cúpula do PT não conseguiu evitar a realização da prévia que escolherá, no próximo domingo, o candidato do partido ao Senado, no Rio. Ontem, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, desistiu de obter acordo entre os dois postulantes: Benedita da Silva,secretária estadual de Assistência Social, e Lindberg Farias, prefeito de Nova Iguaçu.
Os últimos telefonemas para ambos, segundo Dutra, foram feitos anteontem:
- Em várias conversas com os dois, trabalhei para um consenso. Já desisti. As bases do PT é que vão deliberar sobre a melhor opção.Prévias costumam deixar sequelas e divisões. Por isso, a determinaçãode evitá-las. Agora, temos que cuidar para que essas consequências sejam as mínimas possíveis.
O diretório nacional mobilizou figuras influentes, como o deputado federal Ricardo Berzoini e o chefe de Gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, para tentar fazer Benedita e Lindberg recuar. Amanhã haverá um debate entre eles no Sindicato dos Bancários, no Centro do Rio, às 19h. A expectativa da direção regional é que cerca de 20 mil filiados participem do pleito”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:09

Afrouxe o cinto, a esquerda sumiu

Do repórter Fernando Taquari, do ‘Valor Econômico’:
“Depois de dois mandatos marcados pelo pragmatismo, com uma guinada ideológica ao centro, o PT realiza o 4 º Congresso com um discurso mais alinhado à esquerda. Enquanto petistas defendem um retorno às raízes, cresce o vácuo à direita. Se tudo correr dentro do previsto, o Brasil terá pela terceira eleição consecutiva para presidente apenas candidatos com origem política na esquerda ou centro-esquerda. Além de Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) não têm como serem rotulados de direitistas e o mesmo se aplica aos respectivos partidos.
O sumiço da direita na disputa pode estar associado a uma série de fatores, como a polarização entre PT e PSDB e a chegada da maturidade da geração que enfrentou o regime militar durante os anos 60 e 70. Enéas Carneiro, em 1998, conquistou pelo Prona apenas 2,1% dos votos. Em 1994, Esperidião Amin (PP) e Enéas obtiveram 10,1% dos votos.
A situação é bem diferente quando comparada às eleições de 1989. Na época, sete candidatos alinhados com o perfil direitista (Fernando Collor, Aureliano Chaves, Paulo Maluf, Guilherme Afif Domingos, Ronaldo Caiado, Affonso Camargo e Enéas Carneiro) participaram da sucessão presidencial e atingiram quase a metade dos votos (46,9%). “Tucanos e petistas, que se alternam na primeira e segunda posição nas eleições desde 1994, também foram os únicos que deram a cara a bater em todas as cinco disputas para presidente após o fim da ditadura. Somados, os candidatos do PT e PSDB receberam 90,2% dos votos válidos em 2006. O resultado não difere muito em relação às outras campanhas”, argumenta o cientista político Rogério Schmitt, coordenador de estudos e pesquisas do Centro de Liderança Pública (CLP).
Segundo ele, a polarização entre as duas legendas e a ausência de uma direita autêntica restringe o debate a um cardápio reduzido de propostas. “Nada mais natural e salutar do que a alternância pacífica no poder entre governos com foco mais à esquerda ou à direita, como ocorre nas principais democracias mundiais”, avalia Schmitt. O cientista político chama a atenção para uma situação paradoxal ao ressaltar que a maioria da população brasileira (47%) disse ser de direita durante levantamento realizado pelo Datafolha, em 2006. Outros 30% declararam serem de esquerda, enquanto 23% ficaram no centro.
“Isso não quer dizer que os eleitores são adeptos do liberalismo econômico e favoráveis à privatização de empresas estatais, características dos partidos de direita. Pelo contrário. O resultado expressa a inclinação mais conservadora da sociedade, apegada aos valores morais mais tradicionais”, justifica Schmitt.
Talvez por este motivo, arrisca o cientista político, PFL [Partido da Frente Liberal] e PL [Partido Liberal], que tinham a palavra liberal na sigla, tenham mudado de nomes nos últimos anos. Agora, ficaram Democratas e PR [Partido da República], respectivamente. “A estratégia não deu muito certo no caso do DEM, que seria o partido mais à direita no país, mas não conseguiu sair da sombra do PSDB e se conformou em ser uma linha auxiliar, com medo de defender suas bandeiras”, observa.
O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), admitiu uma renovação no discurso com inserção de temas como meio ambiente e corte de impostos na agenda da legenda, além da migração da base eleitoral do Nordeste para o Sul e Sudeste e a intenção de conquistar um público mais jovem, engajado em questões sociais. “Com uma nova plataforma, pretendemos concorrer à Presidência nas eleições de 2014″, diz Maia, que foi no fim do ano passado com o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) à Inglaterra buscar informações sobre mudanças do Partido Conservador.
Os conservadores britânicos, que estão fora do poder desde 1992, lutam para conquistar a maioria no parlamento e se espelham no líder David Cameron para adotar uma linha que consideram mais “progressista”, colocando na agenda do partido temas como liberdades individuais, fim da burocracia no Estado e defesa do meio ambiente. Nesta nova fase, Cameron admitiu em diversos artigos que a crise comprovou que o mercado não seria a solução dos problemas da humanidade e advertiu sobre a necessidade de promover um capitalismo com “consciência”, com a valorização da esfera pública e das organizações sociais, além de um poder descentralizado.
Na tentativa de voltar a ter um espaço significativo na política nacional, o DEM foi atingido em cheio pela prisão de seu único governador, José Roberto Arruda (DEM).
Ao comentar o “sumiço” da direita, Maia acredita que se trata de um rumo coletivo, entre esquerda e direita, ao centro. “Isso ficou claro no momento em que o presidente Lula assinou a Carta ao Povo Brasileiro no pleito de 2002″, assinalou. No documento, o então candidato procurou acalmar os ânimos dos investidores ao rejeitar transformações na condução da política econômica.
O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), que vai repassar no 4 º Congresso Nacional o cargo de presidente do PT ao ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra, recusa a ideia de Maia e afirma que os próprios partidos de direita têm receios de defender suas bandeiras. “De qualquer maneira, vejo que o PSDB e o DEM ocuparam esse espaço, com um papel liberal ou neoliberal”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:51

Lindinho está sem saída

 Marcelo Sereno, ex-dirigente nacional do PT, confessa que ?não tem jeito. Uma hora a gente acaba se rendendo às novas tecnologias. E, aos 51 anos, inauguro meu primeiro blog. Tenho muito para falar sobre nosso Rio de Janeiro, nosso Brasil?.
Na verdade, o blog de Marcelo está no ar desde outubro, mas sua mais recente nota é bastante reveladora.
Ele fala de um seminário do PT, realizado sábado, dia 23, e que ?contou com a participação de lideranças como Benedita da Silva, José Dirceu e Ricardo Berzoini?, nessa ordem.
Benedita, como é do conhecimento geral, luta por uma legenda para concorrer ao Senado,  e Lindberg  Farias pretende o mesmo. Mesmo sem mandato, Marcelo é uma importante liderança do PT no Rio, e certamente não irá trair nem Bené, e nem o seu grupo.
O melhor cenário para Lindinho, seria ele não renunciar à Prefeitura de Nova Iguaçu. Afinal, faltam quase três anos para que termine o seu mandato.  E  uma coisa seria ele sair para tentar servir, não só a Nova Iguaçu, mas a todo  o Estado. Outra seria abandonar agora o povo de sua cidade, que o elegeu no primeiro turno, e partir para uma aventura: a de tentar obter legenda para desfrutar das mordomias de uma Casa cada dia mais desmoralizada.
A não ser que, dentro do pacote negociado com o governador, Lindinho seja obrigado a renunciar, a qualquer custo, a Prefeitura de Nova Iguaçu, já que a sua vice é a ex-deputada Sheila Gama.
E mais do que isso: ela é esposa do Sr. Aluízio Gama, ex-deputado do PMDB, e hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:21

Berzoini promete respeitar o PT

Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT, esteve hoje no Rio, para defender a candidatura do deputado Luiz Sergio à presidência regional do PT.
É seu direito. 
Ele disse que o melhor, para o partido, seria a manutenção da aliança com o governador Sergio Cabral, e não o lançamento de candidatura própria ao governo do Estado.
É uma opinião, e ele tem todo o direito de expressá-la.
Mas Berzoini garantiu que, apesar do Rio fazer parte da consolidação da aliança nacional com o PMDB, ?quem decide é o congresso do PT em fevereiro. Já tive, por mais de uma vez, conversas respeitosas com Lindberg. Nossos pontos de vista não são exatamente os mesmos?.
Espera-se, portanto, que o PT nacional cumpra com sua palavra e respeite a vontade do PT do Rio.
Caso os petistas fluminenses achem por bem lançar Lindberg Farias, que seja acatada essa decisão.
O PT do Rio é um dos mais fracos do país, e a direção nacional do partido tem uma enorme parcela de culpa por esse quadro.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:35

Batata está assando

  Diz o presidente do PT, Ricardo Berzoini, no ?Panorama Político?:
- O presidente Lula não terá dois candidatos. O candidato dele vai ser Dilma Rousseff. Mas, se Ciro Gomes for candidato, não haverá hostilidade, porque ele faz parte do projeto.
Acredita-se que, se é assim no plano federal, não tem porque ser diferente nos Estados.
Assim, Lula apoiará os candidatos do PT aos governos estaduais, sem hostilizar aqueles que fazem ?parte do projeto?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:12

PT quer CPI do Senado

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, em entrevista hoje no ?Globo?, insiste na tese que a oposição desejava jogar seu partido contra o PMDB, por isso o apoio ao senador José Sarney. Agora, ele quer que o  partido proponha uma CPI para investigar o Senado.
Veja a entrevista concedida ao repórter Ricardo Galhardo:
?- Qual o balanço da crise no Senado e no PT?
- Foi um episódio difícil porque a bancada no Senado estava com uma visão muito focada no fato em si, desconhecendo a importância de analisar essa questão em um aspecto mais amplo, não verificando que a oposição vinha numa tática de tentar estabelecer um conflito político entre o PT e o PMDB no Senado. Até acreditando que o o Conselho de Ética teria condição de fazer um debate sobre essa questão de maneira isenta. Na verdade, o Conselho de Ética é um foro político e a votação demonstrou isso. O PT fez o certo no Conselho de Ética. O PT não errou.
- Mas o PT não acabou caindo na armadilha, já que, certamente, entrou em conflito com o eleitorado que defende a ética na política?
- O PT defende a ética mas não trata a ética como se fosse uma questão isolada da política. Defendemos investigações no Ministério Público, na Polícia Federal, no Judiciário, que são instrumentos institucionais. Quando se concentra a investigação no Parlamento é porque se quer fazer disputa política. Quando se ignora irregularidades graves cometidas por outros senadores e se concentra só no presidente da Casa é porque se quer fazer disputa política.
- Como o PT vai explicar isso ao eleitor?
- É óbvio que é um debate que temos que fazer com a sociedade. Não é um debate que está feito, que está tranquilo. Ou a gente enfrenta ou a gente se acovarda. E na política quem se esconde normalmente perde. Quem enfrenta tem chance de ganhar.
- Então a questão é ganhar?
- Não. A questão é não cair em armadilha e facilitar o trabalho da oposição. Não reconheço no DEM, que está na 1aSecretaria (da Mesa do Senado) há 14 anos e diz que não sabe dos atos secretos, autoridade política para fazer essa investigação. Não reconheço no PSDB, que nas CPIs do Proer e do Banespa agiu para não ter investigação, autoridade política. Reconheço no Ministério Público.
- Muita gente diz que o PT trocou a ética pelo pragmatismo.
- Eu seria favorável a uma CPI para apurar o conjunto da obra no Senado. Por que a oposição não aceita? Porque, com uma CPI, certamente não conseguiriam pôr o foco só no presidente do Senado. Os atos secretos envolvem mais de 40 senadores dos mais variados partidos. O PT não abandonou a ética. Mas o PT, no governo, precisa ter clareza de qual é o espaço para a defesa da ética. Certamente, não é no Conselho de Ética do Senado. A simplificação só interessa a quem não quer investigar em profundidade. O PT não pode ser ingênuo e entrar nesse joguete?.

  • Quinta-feira, 06 Maio 2010 / 3:58

Aposentados: candidatos apoiam Lula

Dos repórteres Sérgio Roxo e Maria Lima, de ‘O Globo’:
“O pré-candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, afirmou ontem, em Porto Alegre, que apoiará qualquer decisão do governo federal em relação ao aumento dos aposentados. O tucano disse que é favorável a reposições das aposentadorias ao longo do tempo. Falou que tem até casos na sua família “de pessoas que ficaram para trás” por causa da defasagem dos reajustes, mas disse que é necessário avaliar as contas do governo para definir o percentual de aumento possível.
- Tem que fazer uma análise detida do impacto da questão. O governo tem um ministro da Fazenda, que é sério, não é do meu partido, somos amigos, mas já tivemos diferenças. Tem gente séria. O presidente Lula é um homem que acompanha as coisas. E eles vão decidir. O que eles decidirem, eu vou apoiar, porque é o governo que tem os instrumentos, o conhecimento e a responsabilidade para tomar uma decisão – disse Serra, ao participar de sabatina na sede do Grupo RBS.
Perguntado sobre o fim do fator previdenciário, o ex-governador manteve a linha de resposta:
- Tudo é um problema de custo. Isso tem de ser analisado: tem dinheiro, não tem dinheiro, como vai funcionar. Nós não estaríamos nessa situação se tivesse sido votada a reforma completa da Previdência.
A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, negou-se a fazer declarações públicas sobre o assunto. Em entrevista após almoço com a cúpula do PSB, em Brasília, quando perguntada sobre o aumento das aposentadorias acima do mínimo e possível veto de Lula, ela disse que não comentaria a decisão da Câmara. Mas, em dois posts em sua página no Twitter, Dilma não se posicionou nem contra nem a favor, mas defendeu o direito dos aposentados e ressaltou o compromisso de Lula com os setores sociais.
“Imprensa me pergunta o que o presidente Lula deve fazer em relação ao aumento dos aposentados. O presidente tem um forte compromisso social”, diz o primeiro post do @Dilmabr no Twitter.
E continua, para tentar minimizar o estrago que o veto causaria à sua pré-campanha entre os aposentados: “Lula tem compromisso com trabalhadores e aposentados que deram seu trabalho pelo Brasil. Tenho certeza de que ele decidirá de forma equilibrada”.
Na entrevista, quando perguntada sobre possível veto de Lula, afirmou:
- Nunca fiz, nem farei considerações a respeito dos atos que o presidente vai tomar.
A senadora Marina Silva, pré-candidata do PV à Presidência, disse que o reajuste aprovado pelos deputados pode ameaçar o controle das contas públicas.
- A discussão tem de ser feita com cuidado. É justo você ter aposentadorias dignas. Por outro lado, há o problema das contas públicas – afirmou ela, em entrevista ao SBT. Marina defendeu a negociação de um projeto que assegure, de forma permanente, a recuperação dos valores pagos hoje pela Previdência.
- O projeto foi aprovado na Câmara, e agora vai ao Senado. Vamos ver o que vai acontecer. Não é só aprovar. É preciso ver também de onde vêm as receitas”.

Como os ex-ministros votaram
 
De ‘O Globo’:
“Quatro deputados que já comandaram o Ministério da Previdência votaram de forma diferente anteontem. José Pimentel (PT-CE), ministro até início de abril, votou contra o fim do fator previdenciário. Seu companheiro de partido e ex-ministro da pasta Ricardo Berzoini (PT-SP) votou a favor. Ministro da Previdência por três vezes, sendo a última no de Fernando Henrique Cardoso, o deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR) – que há pouco deixou o ministério da Agricultura do governo Lula – votou pelo fim do fator. Stephanes disse que o mecanismo é importante, mas que na votação a base do governo e o PT votaram contra. Para ele, se acabar o fator, terá que ser adotada uma idade mínima para aposentadoria.
Já o ex-ministro da Previdência Jader Barbalho (PMDB-PA), segundo a Câmara, votou pelo fim do fator. O ex-ministro da Integração Geddel Vieira Lima (BA) votou pela manutenção. No PSDB, partido do criador do fator, só seis votaram pela manutenção, entre eles Arnaldo Madeira (SP)”.

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