• Quarta-feira, 29 Fevereiro 2012 / 8:36

Os poderosos

    De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
    “O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, almoçava com um amigo em um shopping de São Paulo no fim de semana passado quando foi abordado na mesa por um frequentador do restaurante:
-Eu estou enganado ou o sr. é o Aécio Neves?
O ministro negou de forma polida que fosse o senador tucano -com quem já foi confundido antes -, mas não se apresentou. O interlocutor, então, o aconselhou:
-Pois o sr. deveria se passar pelo Aécio Neves. Mulheres adoram homens com poder”.

  • Sábado, 18 Fevereiro 2012 / 12:34

Teixeira procura sucessor na CBF

     Da colunista Renata Lo Prete, do Painel da ‘Folha’:
     “A definição do sucessor é o motivo que retarda a saída de Ricardo Teixeira da CBF. O dirigente avisou a amigos que está decidido a não renunciar. Para ele, nenhum dos cinco vices resistiria ao cerco da imprensa uma vez empossado. Pelo estatuto, o primeiro da fila seria José Maria Marin, recentemente flagrado embolsando medalha do time campeão da Copa São Paulo.
Teixeira inclina-se por convocar assembleia e anunciar que sairá de licença por período indeterminado. Nesse cenário, poderá delegar o comando da entidade a quem quiser. O presidente da federação paulista, Marco Polo del Nero, está entre os cotados.
Entre os cinco vice-presidentes da CBF, estão Fernando Sarney, filho do presidente do Senado e indiciado por evasão de divisas, e Weber Magalhães, já encrencado com a Ficha Limpa”.

  • Terça-feira, 07 Fevereiro 2012 / 8:15

Sábio conselho

    De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
    Certa vez, quando trabalhava na Rede Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho recebeu um telefonema de Roberto Marinho, que lhe fez uma pergunta para a qual, de imediato, o executivo não tinha resposta. Boni ficou de apurar a questão e, conforme relata em seu livro de memórias, recebeu o seguinte ensinamento do patrão:
-Quando for comigo, seja sincero. Mas, com gente de fora, diga: ‘o negócio é o seguinte…’ e desligue enquanto estiver falando. Apure, ligue de volta e explique: ‘como eu dizia quando caiu a linha, o negócio é o seguinte…..

  • Segunda-feira, 06 Fevereiro 2012 / 14:48

Temer fará campanha contra Haddad

      Da colunista Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
      ”Em conversa recente, Dilma Rousseff sugeriu a Michel Temer que ambos evitem se envolver nas disputas municipais, de modo a preservar o governo. Com a polidez habitual, o vice disse partilhar da preocupação da presidente, mas ponderou que terá de se fazer presente ao menos em São Paulo, onde o PMDB pretende lançar Gabriel Chalita”.

  • Quinta-feira, 02 Fevereiro 2012 / 7:06

Dilma escolhe secretária das Cidades

    Da colunista Renata Lo Prete, do Painel, da ‘Folha’:
    “Seja qual for o representante do PP colocado nas Cidades, o Planalto trabalha para alçar Inês Magalhães, atual secretária de Habitação, ao segundo posto na hierarquia do ministério. A petista, que na prática carregou a pasta durante a longa agonia de Mário Negromonte, daria maior segurança ao palácio na condição de secretária-executiva. O PP já decidiu que, se for esse o desejo de Dilma Rousseff, não oporá resistência.
Uma saída dada como certa na cúpula do ministério é a do secretário de Mobilidade Urbana, Luiz Carlos Bueno, herança do deputado pepista José Janene, expoente do mensalão que morreu em 2010.
Prestes a virar ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PB) conseguiu fechar o nome do aliado Arthur de Lira (AL) para substituí-lo na liderança da bancada do PP na Câmara”.

  • Domingo, 15 Janeiro 2012 / 22:46

Tradução simultânea

     Da colunista Renata Lo Prete, no Painel da Folha:
     “Pouco antes de assumir a Presidência, Dilma Rousseff concedeu longa entrevista ao “The Washington Post”. Em determinado momento da conversa, a presidente ficou impaciente com a demora da tradutora em explicar o programa Minha Casa, Minha Vida, de moradias populares. Dilma, que fala inglês, interrompeu e exclamou diretamente à entrevistadora Lally Weymouth:
-É o ‘My house, my life’!
Todos os presentes evitaram rir na hora, mas o diálogo até hoje inspira piadas no Planalto”.

  • Sexta-feira, 13 Janeiro 2012 / 9:44

Meritocracia

    De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
    “Em solenidade, ontem, no Bandeirantes, o presidente da Caixa, Jorge Hereda, pediu aplausos para os 151 anos do banco. Vários funcionários se levantaram, mostrando ocupar metade dos assentos reservados a autoridades.
Minutos depois, Dilma Rousseff acenou para o grupo:
-É tempo de festa, mas também de pensar nas 400 mil moradias que precisamos viabilizar além da meta…
Um funcionário da instituição brincou:
-Nossa, nem deu tempo de assoprar as velinhas e já tem mais trabalho na mesa?

  • Quinta-feira, 05 Janeiro 2012 / 11:38

Nem Minas reclama de Bezerra

     Da colunista Renata Lo Prete, do Painel da ‘Folha’:
     “Chamou atenção do Planalto a prudência de tucanos alinhados a Aécio Neves nas considerações acerca da atuação de Fernando Bezerra (Integração Nacional), acusado de privilegiar Pernambuco, seu reduto eleitoral, no repasse de verbas para prevenção de enchentes em 2011. Apesar de Minas Gerais ter sido o Estado mais penalizado com as chuvas, nem mesmo Antonio Anastasia se aventurou a censurar o ministro.
O pacto de não agressão é interpretado nos bastidores como um afago do PSDB ao governador Eduardo Campos (PE), padrinho de Bezerra e próximo de Aécio, que trata o PSB como potencial aliado em 2014.
Poupado por Anastasia, Bezerra também foi elogiado por Beto Richa (PSDB), que o considerou “atencioso” com o Paraná. Coube a José Serra a crítica quase solitária ao “loteamento político” da pasta”.

  • Terça-feira, 03 Janeiro 2012 / 10:16

Professores podem ter aumento de 22%

    Da colunista Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
    “Antes de se despedir do MEC rumo à eleição paulistana, Fernando Haddad (PT) deverá faturar com o derradeiro gesto de visibilidade de sua gestão: até o dia 15 o ministro planeja anunciar o patamar de reajuste do piso nacional dos professores, que pode atingir 22% -de 2010 para 2011, o salto foi de 15,85%.
Embora afague categoria numerosa do funcionalismo, o novo valor intimida os governadores. Quando o tema foi discutido no Congresso, políticos dos mais diversos matizes entraram em campo na tentativa de reduzir o percentual, já que 17 Estados descumprem hoje a remuneração mínima, de R$ 1.187.
Outro item da agenda educacional que deixa governadores de cabelo em pé é o já aprovado calendário nacional de greves da categoria. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, ligada à CUT, programou para a segunda quinzena de março rodada de paralisações por todo o país. Além do piso, os sindicatos vão cobrar adequação de jornada extraclasse”.

  • Domingo, 19 Setembro 2010 / 14:21

Três notas sobre Tiririca

 

PALHAÇO EM TEMPO INTEGRAL
       Do repórter Amauri Segalla, da ‘Isto é’:
“O palhaço da foto ao lado não tira a peruca de jeito nenhum. Candidato do Partido da República (PR) a deputado federal por São Paulo, o sujeito, que atende pelo apelido de Tiririca, recusou-se a atender a reportagem de ISTOÉ na condição de Francisco Everardo Oliveira Silva, seu nome de batismo. Alegou falta de tempo, mas a verdade é que, na reta final de campanha, não quer correr o risco de expor o seu verdadeiro eu. Segundo o Ibope, Tiririca deve amealhar um milhão de votos, o que vai transformá-lo num dos maiores fenômenos eleitorais da história do Brasil. Personagem criado pelo cearense Francisco, Tiririca fez certo sucesso em um programa humorístico da tevê e vendeu milhares de cópias de um CD graças à música burlesca Florentina. Por que resolveu ser candidato? “Minha mãe disse que era uma boa”.
Não tem graça nenhuma o real motivo que o levou à política. Um ano antes das eleições, uma pesquisa do PR concluiu que Tiririca tinha enorme potencial nas urnas. Seu desempenho avassalador vai puxar outros integrantes do PR para o Congresso. Como o número de vagas de cada partido é definido pelo quociente eleitoral (a soma de votos dos candidatos e da legenda dividida pelo número de vagas a que cada Estado tem direito), ele traz consigo candidatos nem tão queridos assim pela população. Se chegar a um milhão de votos, Tiririca pode eleger Valdemar Costa Neto, ex-presidente do PL e que renunciou ao cargo de deputado em 2005 por seu envolvimento no caso do Mensalão, e o delegado Protógenes Queiroz, que liderou barulhentas operações da Polícia Federal, como a Satiagraha. É da natureza da democracia admitir que qualquer cidadão possa disputar uma eleição. Mas o caso Tiririca é diferente. O candidato não é um brasileiro comum, mas um personagem do mundo da fantasia. Isso introduz um elemento fraudulento ao caso, diz o cientista político Fábio Wanderley Reis. O problema está no disfarce. Tira a peruca, Tiririca.
- Você vai responder a entrevista na condição de Tiririca ou de Francisco, seu nome de batismo?
- Então, cara, o Tiririca é o Francisco e o Francisco é o Tiririca.
- Você deve receber um milhão de votos. Como conquistou tanta gente?
- É o tempo de trabalho que tenho como artista, esse lance da Florentina. O pessoal se identifica com a minha história de vida, aquele cara que veio de baixo e deu a volta por cima.
- Como surgiu a ideia de sua candidatura?
- É engraçado. Recebi o convite do partido, o PR, há um ano. Aí fui falar com a minha mãe e ela achou uma boa.
- Quem está bancando a sua campanha?
- O partido.
- Quanto ela vai custar?
- Uns R$ 3 milhões. A campanha está bem pra caramba, tem muito material, tem de tudo.
- Quais são suas as propostas?
- A gente quer ajudar os menos favorecidos e os nordestinos também. Mas é complicado pra caramba. Por isso eu não divulgo proposta, não prometo nada.
- Você já disse que não tem ideia do que faz um deputado. Acha correto esse tipo de discurso?
- Do fundo do coração, acho bacana tudo o que o Tiririca fala. É uma coisa que um deputado jamais falaria. Ele não vai dar a cara para bater. O público gosta desse lance de sinceridade. As pessoas querem ver o Tiririca brincando. Essa é a maneira que achamos de fazer política. O Tiririca fala o que vem na cabeça, o que a galera quer ouvir. É por isso que a campanha deu 100% certo.
- No Congresso, você vai ser o Tiririca ou o Francisco?
- Eu queria estar vestido de Tiririca, mas não pode. Pelo menos foi o que o pessoal da parte jurídica disse. O que pode é terno diferente, colorido, mas a peruca não posso usar.
- Você quer ir para Brasília para fazer política séria ou piada?
- Vou ser o que eu sou. Vou ajudar muita gente, ajudar pra caramba. Graças a Deus, tenho meu trabalho. Já cheguei num ponto em que estabilizou a minha vida. Se eu quiser parar hoje, posso parar. Não sou candidato pela grana que o deputado ganha.
- Você se incomoda com as críticas?
- Não. Os adversários batem pra caramba, mas acho isso engraçado.
- Vai votar em quem para presidente?
- Do fundo do coração, posso falar em quem não vou votar. Não vou votar no Mercadante (Aloizio Mercadante, candidato ao governo de São Paulo pelo PT). Ele partiu para um lance infantil, bateu de frente comigo. Quando estou no ar, aparece o nome de quem apoio. O Mercadante pediu para tirar o nome dele, falou que não queria se associar a esse tipo de política. Voto na Dilma, mas no Mercadante não voto.
- É você vai ter paciência para política partidária, para o trabalho formal no Congresso?
- Já pensei nesse lance e acho que vou tirar de letra. Vai ser bacana mesmo.
VAI, TIRIRICA

      De Renata Lo Prete, da ‘Folha’:
“Sondagens eleitorais em curso indicam que o palhaço Tiririca (PR), provável recordista de votos em São Paulo, virou trunfo do PT para assegurar a presidência da Câmara em 2011. Puxador da coligação encabeçada pelos petistas, o dono do bordão “pior que está não fica” permitirá, caso as projeções se confirmem, que o partido de Lula e Dilma Rousseff conquiste até quatro cadeiras adicionais. Isso desempataria a acirrada disputa com o PMDB pela maior bancada.
As duas siglas trabalham para atingir a meta de cem deputados. Embora não exista regra, a base mais numerosa tem mais chances de comandar a Casa”.
JERÔNICO E TIRIRICA

    Do crítico Artur Xexéo, de ‘O Globo’:

“As pesquisas anunciam que Tiririca deve ser o candidato a deputado federal mais votado em São Paulo. Entendo perfeitamente o que leva um Tiririca a se candidatar a deputado federal. O que não entendo é o que leva um eleitor a votar em Tiririca.
Já fui adepto do voto nulo, e isso num tempo em que votar era coisa rara. Lembrome da primeira eleição popular durante a ditadura. Eu deveria escolher um candidato para fazer parte da Câmara dos Vereadores de Juiz de Fora. Não acreditava na eleição. Para quem chegou agora, estou falando de um tempo em que a gente votava em cédulas. Para que pareça mais distante ainda, era um tempo em que a gente escrevia na cédula o nome do candidato. Quer dizer, para presidente, governador, acho que até mesmo para senador, bastava preencher uns quadradinhos.
Mas, como a gente não votava para presidente, governador ou senador, tinha mesmo é que escrever o nome do vereador ou dos deputados. Cravei na cédula: Jerônimo Coragem.
Jerônimo Coragem não era um candidato de verdade. Era um candidato de ficção, interpretado por Claudio Cavalcanti na novela ‘Irmãos Coragem’, de Janete Clair. É meio difícil imaginar uma questão política envolvendo uma novela de Janete Clair.
Logo ela que sempre foi associada a trabalhos alienantes. Mas acho que, durante a ditadura, a televisão não produziu trabalhos mais engajados do que as novelas de Janete. Dizia-se que Sucupira, a cidade que Dias Gomes inventou em ‘O bem amado’, era um microcosmo do Brasil. Mas, antes de Sucupira, havia Coroado, a cidade dos ‘Irmãos Coragem’.
Na ficção, Jerônimo candidatava-se a prefeito em eleições, que, como acontecia com as eleições de verdade no Brasil, eram só para inglês ver. Jerônimo Coragem foi meu primeiro e único voto nulo. Um voto de protesto.
É impossível fazer um voto de protesto hoje em dia. Com as eleições eletrônicas, não há mais espaço para Jerônimo Coragem.
Ficou pior. Sobrou espaço para Tiririca.
O protesto é em Tiririca. Só que Jerônimo Coragem nunca teria uma cadeira na Câmara Federal. Tiririca vai ter.
Há quem justifique a candidatura de Tiririca dizendo que ela é representativa de parcela da população. Bobagem. Se fosse assim, teríamos que ter também candidatos ladrões, candidatos corruptos… bem, nós temos candidatos ladrões, candidatos assassinos e candidatos corruptos, mas não escancaradamente. Eles se disfarçam, e quem vota neles não sabe que são ladrões ou corruptos. Em Tiririca, vota-se sabendo quem ele é. O eleitor escolhe um palhaço para eleger acreditando que está sendo esperto. No fundo, está sendo mais palhaço que o candidato. Na campanha, Tiririca usa o slogan Vote em Tiririca, pior do que está não fica. Ledo engano. As pesquisas estão mostrando que pode ficar bem pior”.

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