• Sexta-feira, 27 Janeiro 2012 / 16:59

Igreja tem telhado de vidro

     “Espacio Laical”, revista dos leigos da Arquidiocese de Havana, ao comentar a realização da primeira Conferência Nacional do Partido Comunista cubano, disse que é preciso abrir o debate sobre o poder que “está em mãos de Raúl Castro e de um grupo com a média de 80 anos de idade, de um velha guarda, portanto, presa a dogmas falidos”.
                          * * *
O mesmo vale para o Vaticano, que é comandando pela velha guarda da Igreja, tendo a frente Bento XVI, um senhor de quase 85 anos, que certamente está preso a dogmas falidos.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:56

ONG não conhece Sergio Cabral

   De ‘O Globo’:
“A organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras divulgou ontem lista de 40 políticos, representantes de governo, líderes religiosos, milícias e organizações criminosas considerados “predadores da liberdade de imprensa”. São pessoas ou grupos que, segundo a entidade, não suportam a imprensa, tratada por eles como inimiga, e que atacam jornalistas. “Eles são perigosos, violentos e acima da lei”, diz a nota divulgada pelo Repórteres sem Fronteiras.
Entre os nomes estão o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-i, a máfia italiana, o grupo separatista espanhol ETA. Muitos já integravam a lista ano passado. Para a organização, na América Latina os maiores inimigos da liberdade de imprensa se mantêm os mesmos: os traficantes de drogas, a ditadura cubana (na lista consta o nome de Raúl Castro), as Farc”.
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Pena que a ONG não tenha incluído Sergio Cabral entre os predadores da imprensa. 
A ação do governador do Rio diante da Imprensa carioca, desmoraliza os jornais da capital cultural do país.
No final da campanha eleitoral, e depois do horário gratuito de TV, o nível de credibilidade dos jornais deverá estar próximo de zero.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:06

Lula: diga não a Yoani Sánchez!

A dissidente cubana Yoani Sánchez enviou uma carta a Lula pedindo que ele interceda, junto a Fidel e Raul Castro, para que ela possa vir ao Brasil assistir a um documentário, no dia 1º de junho, em Jequié, no sul da Bahia.
Lula não deveria dar a menor bola para o pedido.
Yoani é uma das, senão a principal, responsável pela campanha contra Lula em todo o mundo,  no que se refere a decisão do Presidente brasileiro de não interferir na política interna de Cuba.
Se ela vier, será para falar mal dos irmãos Castro e, também para criticar Lula, em seu blog milionário traduzido em 19 línguas.
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E por falar em dissidente, como será que anda o maluco do Fariñas?
Ele disse que sua greve de fome o levaria a morte em quatro ou cinco dias.
E ela já dura mais de 20.
Sujeito forte esse tal de Fariñas…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:57

Deputados apoiam regime cubano

De Denise Madueño, do ‘Estadão’:
“Um insólito “protesto” em favor da ditadura cubana ganha força na Câmara dos Deputados. O grupo parlamentar Brasil-Cuba, comandado pela deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), está recolhendo assinaturas em uma moção de solidariedade ao governo de Raúl Castro, enquanto dissidentes cubanos lançam uma apelo internacional contra o “crime de consciência” na ilha.
O texto da moção dos deputados trata o movimento de dissidentes em Cuba e as manifestações contra o regime dos irmãos Castro como uma “cruzada infame” fabricada contra a soberania, a independência, a dignidade e o heroísmo do povo cubano.
O documento servirá de contraponto a outra moção, apresentada na semana passada no plenário da Câmara, de “irrestrito apoio e solidariedade aos presos políticos que, em Cuba, lutam por liberdade e democracia”. O requerimento foi retirado de votação, na quarta-feira, pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), até que os líderes partidários discutam o encaminhamento que deverá ser dado ao documento. A reunião deverá ocorrer hoje.
“Na verdade, os virulentos ataques a Cuba escondem um alvo maior, que são as conquistas de governos populares comprometidos com a democracia e a justiça social das grandes maiorias da nossa América”, diz a moção de apoio a Cuba. Ela considera ainda haver uma “insistente campanha promovida por meios de comunicação intransigentemente comprometidos com a desinformação”, despertando o ânimo dos políticos reacionários.
Até agora, de acordo com dados da assessoria de Grazziotin, cerca de 30 deputados assinaram o documento.
A moção de apoio aos presos políticos foi apresentado pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), conhecido na Casa por suas posições de direita, como apoio ao regime militar brasileiro. O requerimento obteve apoio de parlamentares do PP, do PPS, do PMDB, do PSDB, do DEM.
O documento de Bolsonaro foi reduzido a três linhas, com a retirada de termos mais incisivos contra o governo cubano. O documento de Grazziotin, ao contrário, é mais extenso e ataca o que chama de “inimigos” de Cuba”.
“A Revolução Cubana é marcada por um bem-sucedido processo de transformações políticas, econômicas e sociais caracterizadas nas condições de vida do seu povo, principalmente na saúde e na educação”, continua Grazziotin. “Por obra da mídia mercantil, do seu bloqueio informativo, nada disso chega aos leitores e telespectadores brasileiros”, ressalta a deputada na moção”.
       * * *
A matéria poderia apenas reportar o manifesto que está sendo negociado, entre deputados, a favor de Cuba.
Mas vejam como começa a reportagem: “um insólito “protesto” em favor da ditadura cubana…”
Poderiam cuidar disso no editorial.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:53

Llosa, um gênio tumultuado

  Domingo, dia 7, o ?Estadão? publicou um artigo de Mario Vargas Llosa – intitulado ?A decepcionante visita de Lula? -  com críticas a viagem do presidente brasileiro a Havana, no dia em que o ?dissidente? cubano, Orlando Zapata Tamayo, morria de uma greve de fome que durou 85 dias ? recorde no ‘Guinness Book’ – graças a eficiência e a dedicação dos médicos cubanos.
Quando li o artigo, não dei bola. Só que agora ele circula na internet. Então vamos a ele.
O texto é lamentável. Parece ter sido escrito por um daqueles cubanos de Miami, que vive da venda de bugigangas, nutre ódio mortal por Fidel e, agora, por seu irmão Raul, paga uma espécie de dízimo para financiar a propaganda contra-revolucionária, é capaz de planejar um atentado contra a Ilha, e está disposto a cometer, se necessário for, a mais cruel das irregularidades contra o seu próprio país.
E verdade seja dita: Llosa sempre se identificou com essa turma.
Em  2004, ele assinou um manifesto, ao lado da Madeleine Albrigth, ex-secretária de Estado dos EUA, pedindo a libertação de 75 presos cubanos, acusados de cometerem crimes de consciência. Hoje são 53.
Vargas Llosa, 74 anos a serem comemorados no próximo dia 28, teve uma vida tumultuada.

O casamento de seus pais durou apenas cinco meses, e quando nasceu foi morar na Bolívia.  Aos 10 anos voltou para Lima, e só aí conheceu o pai, que o internou numa escola militar.  Aos 19 anos ingressou na Universidade de San Marcos, em Lima, e trabalhou nos cemitérios da capital peruana, como revisor de nomes em túmulos.
Nessa época, casou-se com uma tia.
Quer maluquice maior?
Pois muito bem. Cinco anos depois, ele trocou a tia Julia pela prima Patrícia.

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O artigo que Llosa assinou no ?Estadão? é de autoria do Llosa político, e não do Llosa escritor  – consagrado como um dos mais importantes de língua espanhola.
Mas como político, ele sempre foi um derrotado.
Em 1987, presidiu o Movimento Liberdade, cuja bandeira era o combate a nacionalização dos bancos. Três anos depois, concorreu à Presidência do Peru pela Frente Democrática, quando perdeu para  Alberto  Fujimori.  Quer humilhação maior?
Em Londres, onde foi viver, voltou a fazer o que sabe de melhor: escrever livros.
Em 2006, passou um período em Lima, durante a campanha de Lourdes Flores. Foi coadjuvante de nova derrota. Alan Garcia ganhou outra vez.
Tudo somado fez de Llosa um homem problemático, tanto em sua vida privada, quanto na política.
O artigo que escreveu peca, principalmente, pela total falta de informações sobre Lula e sobre Cuba. Ele mais um parece um panfleto ordinário.
Para Llosa, Orlando Zapata Tamayo era um ?pedreiro pacifista da oposição, de 42 anos, pertencente ao Grupo dos 75, que os algozes castristas deixaram morrer de inanição – depois de submetê-lo em vida a confinamento, torturas e condená-lo com pretextos a mais de 30 anos de cárcere – depois de 85 dias de greve de fome?.
Pobre Llosa. Merece mais pena do que o próprio Tamayo.
Este não passava de um pobre coitado, com diversas passagens pela polícia -  todas referentes a crimes comuns. Na época da prisão dos 75 dissidentes, Zapata Tamayo nunca constou de nenhuma relação de ?dissidentes?. Seu nome não aparece nem na lista da Anistia Internacional e, muito menos, na do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Preso por agressão e tentativa de homicídio, Tamayo tornou-se ‘dissidente’ quando já estava na cadeia. E, ao contrário do que diz Llosa, seus algozes não deixaram o preso morrer de inanição. Ao contrário: fizeram de tudo para que ele sobrevivesse. Se o abandonassem, Tamayo não duraria 85 dias.
Llosa tem razão quando afirma que ?os irmãos Castro exercem há 51 anos esta política, e somente os idiotas poderiam esperar deles um comportamento diferente?.
Que ele próprio se considere um idiota, é um direito dele. Mas chamar Tamayo de idiota, trata-se de imensa covardia com um morto.  É óbvio que Cuba não aceitou, não aceita e nem aceitará pressões nem chantagens. Não as aceitaria de um contra-revolucionário, muito menos de um criminoso comum, um pobre diabo manipulado por um grupo de espertalhões que queriam um cadáver para transformá-lo em mártir. Até agora, só conseguiram o primeiro intento.

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No artigo, Llosa insiste na fantasia de que 50 cubanos pediram uma audiência a Lula, para reclamar da falta de liberdade na Ilha.
Mas qual a prova de que a audiência foi pedida? Para quem eles mandaram o documento? Ele foi enviado pelo correio ou  entregue em mãos?  Quem mandou o pedido?  E quem o recebeu?  Isso ninguém consegue responder.
Boa parte da comitiva de Lula passeou por Havana. Quatro ministros de Estado foram jantar na Bodequita del Médio, o restaurante mais badalado da Ilha. Por que nenhum dos dissidentes apareceu por lá? Eles não queriam conversar? Dezenas de jornalistas brasileiros estiveram em Havana naqueles dois dias? Por que nenhum deles foi procurado? O grevista de plantão, um maluco que atende pelo nome de Fariñas, dá entrevistas por telefone a todo o momento. Por que ele não foi atrás da comitiva brasileira? Uma repórter do Globo Online sabe o número de seu telefone, e ele certamente conhece o dela.
A mãe de Zapata também falou, com jornalistas estrangeiros, após a morte do filho. Para a blogueira dissidente Yoani Sánchez, ela chegou a conceder uma entrevista, com vídeo, na porta do IML local.
Então porque a fantasia de que Lula não aceitou conversar com o quem o procurava?
Na semana passada, um “dissidente” esteve na embaixada brasileira, em Havana, com uma carta para ser enviada ao Presidente. Quem a assinava? Ninguém. Nem mesmo o portador, que ficou de voltar mais tarde ?com pelo menos 100 assinaturas?. Até hoje nada.
No ‘Globo’ desse sábado, por exemplo, a correspondente Marília Martins informa que já “circula pela internet o vídeo produzido por um grupo de manifestantes (cubanos que vivem nos Estados Unidos ) que decidiu sentar-se diante da porta do consulado brasileiro em Miami em protesto contra o que definem como “cumplicidade de Lula com a ditadura cubana”.
- Esse grupo de cubanos esteve aqui durante cerca de meia hora gritando palavras de ordem, num protesto barulhento mas pacífico. Nós perguntamos se eles gostariam de entregar alguma carta ou algum documento para darmos ao presidente Lula. Mas recusaram a oferta. Parece que a intenção era simples: o grupo queria filmar a si mesmo fazendo o protesto para que as imagens circulassem pela internet – comenta o cônsul brasileiro em Miami, Luiz Augusto de Araújo Castro.
 
                                  * * *
Como intelectual, Llosa merece todo o respeito. Mas Llosa assinou o artigo como político. E como tal, ele mente. Mente descaradamente.
O político peruano acusa Lula de “abraçar Chávez, Evo Morales e Ortega”, o que ele considera a ?escória da América Latina?, embora todos tenham assumido o poder através do voto democrático, o que ele não conseguiu.
No artigo ele levanta uma dúvida: seria Lula um ?simples mascarado, capaz de todas as piruetas ideológicas, um político medíocre sem espinha dorsal cívica e moral”?
Quem é esse cidadão para insinuar isso sobre o Presidente do Brasil?
Vargas Llosa? Esse é um político medíocre, desinformado, reacionário, entreguista, frustrado, cheio de ódio, de recalques, e que não merece o mínimo de respeito.
Seu artigo no ?Estadão? não passa de uma coletânea de velhos e repetidos chavões contra Cuba e contra seus dirigentes.
Como intelectual consagrado, ele poderia se opor a Lula, a Cuba e aos irmãos Castro de maneira inteligente. Mas, por preguiça ou falta de argumentos, vomita uma verborragia sem conteúdo.

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Fariñas, o maluco de Cuba, disse ter ouvido de autoridades do Ministério do Interior, que ele tem todo o perfil para se tornar um mártir. Por isso, insiste em morrer. Mas, como é incompetente, não alcança o seu intento. Esta é a sua 23ª greve de fome, e ele continua vivo. Quem sabe, qualquer hora ele consiga.
Llosa, o maluco de Lima, tem certamente o perfil que Fariñas sempre sonhou.
Para virar mártir só precisa fazer uma greve de fome.
Vencedor, com uma infinidade de méritos, nos meios literários, Llosa poderia tentar obter uma vitória na política.
É óbvio que os irmãos Castro não aceitariam a sua chantagem.
Mas mesmo perdendo, Llosa sairia vitorioso.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:23

Aleluia desrespeita memória de ACM

 O presidente da Câmara, Michel Temer, foi obrigado ontem a suspender a sessão, depois de um  bate-boca entre o vice-líder do DEM, deputado José Carlos Aleluia, e deputados do PT e do PCdoB.
O deputado baiano disse que Fidel e seu irmão  Raul Castro são assassinos.
Se o líder de Aleluia, Antonio Carlos Magalhães, estivesse vivo, ele certamente daria um puxão de orelhas no correligionário.
Morto, ACM deve ter dado um puxão nos pés de Aleluia na madrugada que passou.
ACM adorava Fidel, e vice-versa.
Todas as  vezes que Fidel esteve no  Brasil, inclusive na posse de Collor, ele fez escala em Salvador para almoçar com o amigo. Certa vez, ameaçou levar para Havana a cozinheira do governador.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:22

Suicídio premeditado

Só para corrigir o noticiário dos jornais.
A morte do dissidente cubano, vítima de uma longa greve de fome que acabará entrando no Guinness Book – o livro dos recordes – não foi, como está sendo divulgado, um assassinato premeditado, e sim um suicídio premeditado.
E suícídio, assim como renuncia, é ato unilateral de vontade.
Orlando Zapata viveu como dissidente e morreu como extremista.
E para a sua morte, não existem culpados.
Nem o governo cubano, nem tão pouco o norte-americano, como sugeriu o presidente Raul Castro.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:01

“Um passeio por Havana”

 Frei Betto esteve há duas semanas em Havana e foi recebido por Fidel Castro.
Sobre a viagem, o religioso escreveu o artigo “Um passeio por Havana”, que o site Cuba Debate publica hoje. Eis o seu texto:
 ”Havana, nesta época do ano, é banhada por suave temperatura. O calor é amenizado pelo hálito de frescor que sopra das águas azuladas por trás do Malecón. A umidade reflui, embora a população se mantenha atenta à meteorologia: outubro e novembro são meses de furacões. Ano passado, ceifaram quase 20% do PIB, hoje calculado em US$ 50 bilhões.
Não há sinal de que o desastre se repita este ano. Impossível, contudo, prever as reações vingativas de Gaia, cruelmente estuprada por nossa ambição de lucro e solene desprezo à mãe ambiente.
A visita à Cuba, na penúltima semana de outubro, não tinha agenda de trabalho. Fui a convite do querido amigo José Alberto de Camargo que, para comemorar aniversário, escolheu a cidade reencantada pela literatura de Lezama Lima, Alejo Carpentier e Nicolás Guillén.
A comitiva (comitiva do coração) incluiu os jornalistas Chico Pinheiro e Ricardo Kotscho, este acompanhado de Mara, sua mulher. Alojados no octogenário Hotel Nacional, brindamos o desembarque com o daiquiri de La Floridita, onde Hemingway tomava seus porres. Visitamos a casa de praia em que ele morou e escreveu “O velho e o mar”, bem como o Hotel Ambos Mundos, no qual viveu seis anos e redigiu “Por quem os sinos dobram”.
Foram dias de boa culinária caribenha no El Templete, à beira do porto, e em El Oriente, frequentado por Saramago e García Márquez. Entre mojitos e o aroma perfumado dos charutos Cohiba, cuja fábrica percorremos, mantivemos proveitosas conversas com cidadãos anônimos e autoridades do país, como Ricardo Alarcón, presidente da Assembleia Nacional; Eusébio Leal, historiador da cidade (e responsável pela restauração da área colonial de Havana); Homero Acosta, secretário do Conselho de Estado (no qual se congregam ministros e dirigentes do país); Armando Hart, do Centro de Estudos Martianos; Abel Prieto, ministro da Cultura; e Caridad Diego, responsável pelo Gabinete de Assuntos Religiosos (que cuida da relação entre Estado e denominações confessionais).
Permaneci um dia a mais para encontrar-me com Raúl Castro, atual presidente, com quem almocei no sábado, 24, e Fidel que, na tarde do mesmo dia, me recebeu em sua casa, com direito a jantar.
Cuba se encontra grávida de si mesma. Após 50 anos de Revolução, é hora de analisar erros e impasses. Mira-se o passado para enxergar melhor o futuro. Em 2010, o 9º Congresso do Partido Comunista deverá submeter o país à verificação de suas contradições e elaboração de novas estratégias, sobretudo no que concerne à economia e à emulação ética.
Engana-se quem supõe Cuba retrocedendo ao capitalismo. Ainda que se multipliquem aberturas à economia de mercado, devido à globalização e o mundo unipolar hegemonizado pelo neoliberalismo, não interessa à Ilha priorizar a acumulação privada da riqueza em detrimento da maioria da população. A América Central é o espelho no qual Cuba não quer se ver: ali os índices de violência são, hoje, os mais altos do mundo, com 23 assassinatos/ano por cada grupo de 100 mil habitantes. No Brasil, o índice é de 31/100 mil e, em Cuba, 5,8/100 mil. Basta dizer que, no Rio, a polícia matou, em 2007, 1.330 pessoas. No ano anterior, em todo os EUA foram mortas pela polícia 347 pessoas.
Os cubanos são conscientes de as falhas do país não poderem ser todas atribuídas ao criminoso bloqueio imposto, há mais de 40 anos, pela Casa Branca (e, agora, em vias de distensão pela administração Obama).
A manutenção, por longo tempo, de medidas justificadas pela Guerra Fria, começa a ser questionada. É o caso do caráter paternalista do Estado que assegura, a 11 milhões de habitantes, gratuitamente, cesta básica, saúde e educação de qualidade.
Por essa razão, a qualidade de vida em Cuba, onde o analfabetismo está erradicado, figura em 51º lugar, entre 182 países, no Índice de Desenvolvimento Humano 2009, da ONU. O Brasil mereceu a 75ª classificação. Não se cogita alterar o direito universal e gratuito à saúde e à educação. Porém, a redução dos subsídios à alimentação deverá coincidir com o aumento de salários e da produtividade agrícola, de modo a diminuir a importação de 80% dos alimentos consumidos.
Busca-se solução a curto prazo para a duplicidade de moedas: o CUC adquirido pelos turistas (evita o câmbio paralelo e a evasão de divisas) e o peso utilizado pelo cidadão cubano. O turismo, ao lado da exportação de níquel, é das principais fontes de arrecadação de Cuba que, com tamanho 64 vezes inferior ao Brasil, recebe 2,5 milhões de turistas por ano, metade dos que desembarcam em nosso país no mesmo período.
Toda a América Latina se opõe, hoje, ao bloqueio e apoia a reintegração de Cuba nos organismos continentais. A questão política mais relevante nas relações internacionais é a urgente libertação dos cinco cubanos presos nos EUA desde 1998, condenados a penas elevadíssimas, acusados – acreditem! – de evitar atos terroristas. Os cinco lograram abortar 170 atentados planejados contra Cuba dentro da comunidade cubana de Miami.
Fernando Morais, com quem jantamos em Havana, promete lançar, em 2010, livro em que conta a esdrúxula história do processo movido pela Justiça usamericana contra os cinco cubanos.
PS: A quem possa interessar: Fidel goza de muito boa saúde e excelente bom humor.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:55

Chanceler foi agente da CIA?

Os jornais de hoje publicam a notícia de que Juanita Castro, uma das irmãs de Fidel, revelou em seu livro de memórias “Fidel e Raúl, meus irmãos – a história secreta”, lançado ontem nos EUA,  que ela colaborou com a CIA nos anos 60, e que foi apresentada a um dos agentes por Virgínia Leitão da Cunha, mulher do embaixador Vasco Leitão da Cunha que, na época, servia em Havana.
Sobre Juanita, pouco se tem a dizer:
Primeiro, ela diz que o irmão ?traiu os milhares que sofremos e lutamos pela revolução?, o que não foi o seu caso. Afinal, ela não esteve em Sierra Maestra, não pegou em armas, e nos três meses que antecederam a Revolução, Juanita não andava nem mesmo pelas ruas de Havana. Ela ficou escondida na embaixada brasileira, quando tornou-se amiga da embaixatriz  Virgínia Leitão da Cunha.
Em segundo lugar, apesar de ter traído o irmão Fidel, Juanita deixou Cuba com o auxílio do irmão Raul, atual presidente, que não só a avisou que já tinham descoberto tudo sobre ela, como ainda a ajudou a viajar para o exterior.
Juanita, portanto, não passa de uma pobre coitada.
O que a imprensa brasileira deveria se dedicar agora, é sobre a atuação do chanceler Vasco Leitão da Cunha.
Se é verdade que Virginia Leitão da Cunha e Juanita Castro viajaram juntas para o México, onde a embaixatriz a apresentou a um agente da CIA, é óbvio que ela, protegida pela imunidade diplomática, também trabalhava para o órgão de espionagem dos Estados Unidos. E possivelmente com a aprovação do marido. 
De Havana, Leitão da Cunha foi servir em Moscou.
Portanto, é possível que o governo brasileiro tenha colaborado com a CIA, mesmo sem saber, durante a crise dos mísseis soviéticos em Cuba. E isso no governo João Goulart.
Assim, Leitão da Cunha teria traído a confiança de Jango pelo menos duas vezes:
Na União Soviética, onde servia, e depois no golpe de 64.
Ele assumiu o Itamaraty já com Jango deposto, e 10 dias antes da posse do Marechal Castello Branco. Ou seja: era homem da mais alta confiança dos golpistas.
No Ministério das Relações Exteriores, Vasco Leitão da Cunha foi o responsável pelo desmonte das bases de uma política externa independente. Ele acreditava que isso agradaria aos Estados Unidos.
Durante sua gestão, Juracy Magalhães chegou a ser embaixador em Washington. É dele a famosa frase: ?O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil?. Juracy foi o sucessor de Leitão da Cunha no Itamaraty, e antes ocupara o cargo de ministro da Justiça. Nessa época, ele sugeriu a Roberto Marinho que demitisse dois jornalistas de ?O Globo?, recebendo uma negativa:
- Dos meus comunistas cuido eu ? disse-lhe Marinho.
O que é preciso que os jornais investiguem agora são apenas dois pontos:
1 – Virginia Leitão de Abreu foi agente da CIA com o conhecimento do marido, ou ela o traiu?
2 ? O Brasil já teve um Chanceler, Vasco Leitão da Cunha, que ao mesmo que, em tese, defendia os interesses do país, também trabalhava como agente da CIA?

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:50

Hugo Chávez, o repórter

O Presidente Hugo Chávez, sempre inspirado por Fidel Castro, que publica suas ?Reflexões?, edita também, na Venezuela, a sua ?Linhas de Chavez?. Em sua última edição, ele conta os bastidores da reunião da OEA que anulou o veto a Cuba – imposto a Ilha durante 47 anos.
Chávez relata os três telefonemas que recebeu de Fidel, durante a reunião, e a ?Folha? de hoje publica a mais interessante reportagem sobre o assunto, na verdade, uma reprodução parcial da ?Linhas de Chavez?.
É o seguinte o seu texto:
?O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que falou três vezes por telefone com o ex-ditador cubano Fidel Castro, na manhã da quarta-feira passada, antes de fechar o apoio à resolução que suspendeu o veto ao governo cubano na OEA (Organização dos Estados Americanos).
A versão do venezuelano sobre o rompimento do impasse foi dada na última edição das “Linhas de Chávez”, textos que ele escreve inspirados nas “Reflexões” que Fidel publica na internet e na imprensa estatal cubana desde que passou seus cargos executivos ao irmão Raúl Castro.
O presidente da Venezuela conta que esteve em contato com Fidel, que lhe enviava mensagens por escrito, durante toda a negociação do grupo de trabalho de dez países que se reuniu, por sugestão do Brasil, à margem da Assembleia Geral da OEA em San Pedro Sula, Honduras.
Do grupo faziam parte tanto Venezuela quanto os EUA, que até a segunda-feira passada estavam isolados em sua oposição a que o veto de 47 anos a Cuba fosse anulado.
Na noite de terça-feira, a situação havia se invertido. Os EUA cederam e fecharam com a maioria dos latino-americanos e caribenhos o texto que revoga a decisão da Guerra Fria, sem no entanto tornar automática a participação cubana na OEA. Mas os seis países da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) resistiam.
“A essa hora se perfilava o cenário que tínhamos previsto como mais provável: não haveria acordo (…). As consequências seriam imprevisíveis, mas uma delas era iminente: a OEA sairia dali dividida e com um míssil em sua linha de flutuação”, escreveu Chávez, que via “sinais de desespero nas fileiras adversárias” (os EUA).
Foi então, de acordo com o venezuelano, que a Alba lançou sua “ofensiva final”. “No meio da manhã [de quarta-feira, dia 3], Fidel telefona e conversamos diretamente não menos de três vezes; ligou para Evo [Morales, presidente da Bolívia] e para [Rafael] Correa [presidente do Equador], falou com Daniel [Ortega, presidente da Nicarágua] e com [Manuel] Zelaya [presidente hondurenho]. Conseguimos!”
A resolução finalmente consensual foi a mesma que estava pronta na noite de terça-feira, mas a reviravolta da Alba surpreendeu os negociadores americanos. Até então, o bloco chavista afirmava se opor à redação do preâmbulo, que por insistência dos EUA cita os princípios de democracia, direitos humanos e segurança.
Também ontem, a jornais chilenos e argentinos, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, disse que a decisão do organismo facilita o diálogo bilateral entre EUA e Cuba, com vistas ao fim do embargo econômico americano.
“Se a resolução contribuir para o fim do bloqueio, então será histórico. Mas estamos só começando”, disse.
Chávez, por outro lado, comemorou também o anúncio da adesão à Alba do Equador, o que será formalizada em cúpula no dia 24.
O bloco terá então oito países, incluindo Cuba e mais dois caribenhos: Dominica e São Vicente e Granadinas”.
Hoje, quase uma semana após a resolução, o Governo Revolucionário se pronunciou, pela primeira vez, sobre a suspenção do veto.
Lá está dito que “a decisão de deixar sem efeito a resolução constitui uma resposta inquestionável a política seguida pelos Estados Unidos contra Cuba, desde 1959. Ele objetiva reparar uma injustiça histórica e constitui uma reinvindicação do povo de Cuba aos povos da América”.
Já Fidel, sempre tão falante, continua calado.

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