• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

PMDB mineiro perde a paciência

De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
“Depois de ter esperado pacientemente pela prévia do PT em Minas, que o Planalto prometeu ser “de mentirinha”, o PMDB dá sinais de que não está disposto a aguentar por mais tempo a procrastinação do aliado, que em público ainda mantém o discurso da candidatura própria ao governo. Para pressionar o PT a anunciar de vez o apoio a Hélio Costa, a cúpula peemedebista discute até mesmo a possibilidade de adiar o encontro do partido, marcado para o próximo dia 15, que consagraria Michel Temer como vice de Dilma Rousseff, à espera do desfecho da novela mineira.
Embora os pleitos do PMDB sejam muitos, só dois são pré-condição para a aliança nacional: Temer na vice e Costa como único candidato lulista em Minas.
Enquanto o casamento mineiro não sai, nos bastidores a discussão da chapa está acelerada. O deputado petista Virgílio Guimarães larga na frente entre os cotados para vice de Costa.
No Planalto, no entanto, há quem veja com simpatia a idéia de convencer Patrus Ananias, o derrotado nas prévias do PT, a aceitar a vaga. Existe ainda uma terceira ala no PT a sugerir que a vice fique com outro partido, como o PR, já que o petista Fernando Pimentel já estaria na chapa majoritária como candidato ao Senado.
Seja qual for o desenho da chapa em Minas, Guimarães não tentará renovar o mandato na Câmara. Em seu lugar lançará candidato o filho Gabriel, 26.
Desabafo do presidente do PT, José Eduardo Dutra, ouvido por correligionários às vésperas da prévia mineira: “É preferível um fim horroroso do que um horror sem fim”.
                                    * * *
Os dois pleitos do PMDB, considerados pré-condição para a aliança nacional – Temer na vice e Costa em Minas – tem um mesmo coordenador: o deputado Eduardo Cunha.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:54

PT mineiro resiste a Costa

Do repórter César Felício, do ‘Valor Econômico’:
“O PT mineiro tenta esta semana articular uma candidatura única ao governo estadual entre o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, como última tentativa de barrar a candidatura pela base lulista do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), que deve ser lançada hoje, em reunião da Executiva estadual pemedebista.
Na última sexta-feira, em reunião em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Patrus e Pimentel expuseram que o PT em Minas terá grandes dificuldades para apoiar o pemedebista. Ressalvaram que retiram as candidaturas, se Lula decidir que Costa deve ser candidato único, mas que é provável o desengajamento da militância do PT e das bases municipais na candidatura do pemedebista.
As duas vertentes do partido procuraram deixar claro que apoiariam sem resistência uma candidatura do vice-presidente José Alencar (PRB) como alternativa a Costa. Com 78 anos e doente de câncer desde 1997, Alencar participou da reunião. Segundo relato de petistas, ele se colocou àdisposição para disputar a eleição, mas frisou que considerava mais adequado disputar o Senado.
Segundo um dos interlocutores dos participantes da reunião, não só a doença e a idade que desanimam Alencar a disputar o governo estadual, mas a perspectiva de travar confronto direto com o governador Aécio Neves(PSDB), que vai apoiar a eleição do vice-governador Antonio Anastasia(PSDB). Como candidato a uma das duas vagas ao Senado, mesmo com Aécio postulando uma cadeira na outra chapa, Alencar poderia construir a campanha em tom consensual.
Embora não tenha sido um assunto abordado na reunião de sexta, partiu do próprio entorno de Alencar a proposta de uma chapa com Pimentel como candidato a governador e Patrus como vice. Mas dirigentes petistas ligados a Pimentel são céticos sobre a aceitação de Patrus à proposta. Acreditam que, fora da disputa para o governo, preferiria permanecer em um ministério da área social de um novo mandato do PT.
A resistência a Costa é maior entre os aliados de Pimentel, mas partiu do próprio grupo de Patrus a ideia de propor soluções alternativas ao apoio ao pemedebista. O grupo do ministro foi o primeiro a sugerir a candidatura de Alencar e tomou a iniciativa de restabelecer o diálogo com a ala de Pimentel, rompido desde a disputa pela direção estadual.Na ocasião, Pimentel ganhou a eleição interna por uma diferença ínfima e com acusações de irregularidade de parte a parte no processo de votação.
Uma vez definido um nome único do PT, Lula perderia um dos argumentos usados para tentar convencer os petistas a cederem a cabeça de chapa em Minas, que é a divisão do partido. A expectativa dos petistas é prolongar as negociações com o PMDB até maio, na esperança de que Costa, hoje líderem todas as pesquisas de intenção de voto, comece a perder popularidade. Aliados de Patrus gostam de lembrar que o ministro das Comunicações perdeu as eleições para o governo mineiro em 1990 e 1994 na reta final da campanha, em viradas surpreendentes dos adversários, respectivamente Hélio Garcia (PRS) e Eduardo Azeredo (PSDB)”.

  • Terça-feira, 06 Julho 2010 / 3:58

Impasse na oposição de MG continua

Da ‘Folha’:
“As cúpulas do PT e PMDB consideram fechado o acordo em Minas Gerais, mas os dois partidos ainda precisam aparar outras arestas e, por isso, decidiram adiar a oficialização das chapas nacional e mineira.
Do lado petista, a reivindicação é que o PMDB se envolva de corpo e alma na campanha de Dilma Rousseff na região Sul, onde a pré-candidata está atrás do tucano José Serra nas pesquisas de intenção de voto.
Da parte dos peemedebistas, além de apoios a seus candidatos no Ceará e no Pará, há queixas também sobre a liberação de verbas e nomeações.
Ontem, em reunião entre os dois partidos, ficou acertado um “roteiro de procedimentos” no caso de Minas que prevê o anúncio oficial do acordo somente em 6 de junho, véspera das convenções partidárias que definirão os candidatos oficiais.
O adiamento tem como objetivo não melindrar a militância do PT mineiro, que ainda alimenta a esperança de ter candidatura própria no Estado.
Os presidentes do PT, José Eduardo Dutra, e do PMDB, Michel Temer, reafirmaram ontem que as duas legendas terão candidatura única em Minas, cuja definição se dará por meio de “critérios políticos”.
O encontro contou com a participação do ex-ministro Hélio Costa (PMDB) e do ex-prefeito Fernando Pimentel, pré-candidato do PT que venceu uma apertada disputa interna no partido contra o ex-ministro Patrus Ananias.
Para enfrentar de igual para igual o candidato do ex-governador Aécio Neves (PSDB), Antonio Anastasia, o PMDB afirma precisar de um apoio do PT que vá além do aperto de mão.
O acordo precisa incluir o envolvimento efetivo na campanha, o que não ocorreria, crê o PMDB, se a militância petista fosse obrigada a engolir de forma brusca o apoio a Costa.
No jantar com Temer, Dilma sinalizou o fechamento do acordo em Minas, mas pediu que o PMDB determine que os diretórios no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná a apoiem. No encontro, Dilma convidou oficialmente Temer para ser seu vice.
Além de Minas, PT e PMDB ainda têm indefinições em outros Estados, o que provocou o cancelamento do encontro que os peemedebistas fariam em Brasília no próximo dia 15, para anunciar o apoio a Dilma. O evento ficou para a convenção nacional, em 12 de junho”.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.