• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:32

Preocupação de Ciro é com o irmão

Da repórter Raquel Ulhôa, do ‘Valor Econômico’:
“A direção do PSB deve marcar para a próxima semana reunião com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) com o objetivo de tomar uma decisão sobre sua pré-candidatura à Presidência. Embora setores do partido estejam irritados com o PT e com a ex-ministra Dilma Rousseff, a tendência dos socialistas é fazer uma aliança com a petista.
Dirigentes do PSB tiveram ontem uma conversa informal sobre o assunto. O senador Renato Casagrande (ES), secretário-geral do partido, defende pressa na decisão sobre o lançamento ou não da candidatura própria. Casagrande é defensor da tese da candidatura própria, acreditando que fortaleceria o PSB.
A maior parte da direção da legenda, no entanto, avalia que a candidatura de Ciro não se viabilizou politicamente e que o partido não tem outro caminho senão a coligação nacional com o PT. Um pré-candidato do PSB a governador admite estar “angustiado”, porque a incerteza com relação à eleição nacional dificulta a costura da aliança local.
Ciro não tem ido a Brasília nem tem mantido contato com a direção do PSB. Tem ficado principalmente em Fortaleza, São Paulo ou no Rio de Janeiro, sem agenda política. A interlocutores, tem dito que vai acatar a decisão do seu partido. Não vai forçar sua aceitação como candidato.
Embora considere uma afronta a visita feita por Dilma ao Ceará, na segunda e terça-feiras, Ciro não mostra disposição de partir para o ataque contra o PT e o governo. Sua maior preocupação é com a candidatura do irmão, governador Cid Gomes (PSB), à reeleição. Não quer prejudicá-lo. Cid, no entanto, também tem problemas com o PT, partido que integra sua base aliada. Cid tem compromisso de apoiar o deputado Eunício Oliveira (PMDB) para senador. O PT lançou o ex-ministro José Pimentel para a outra vaga, mas Cid gostaria de lançar apenas um candidato em sua chapa. Seria uma forma de fazer uma aliança branca com o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), candidato à reeleição.
O PT da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, não aceita essa solução. Ameaça, inclusive, romper a aliança com Cid e lançar um candidato a governador. Um nome cotado é o do ex-governador Lúcio Alcântara (PR), que teve encontro com Dilma recentemente. Cid não gostou da visita da ex-ministra ao Ceará. Chegou a telefonar para o chefe de gabinete de Lula, na véspera – de quem ouviu que Dilma não iria mais. Para sua surpresa, ela foi. O governador faltou a dois eventos com Dilma, nos quais era esperado. Ele a recebeu, mas mostrou seu desagrado com o comportamento do PT local e com o constrangimento pelo qual Ciro passa.
Quem mais protestou contra a ida de Dilma ao Ceará, enquanto Ciro ainda é pré-candidato, foi a senadora Patrícia Saboya (PDT), sua ex-mulher. “Essa hostilidade só afasta os eleitores do Ciro da candidatura da Dilma. Isso já ocorre espontaneamente, porque as pesquisas mostram que, sem Ciro, José Serra (PSDB) cresce. Essa afronta só piora a situação”, disse. Para Patrícia, o comportamento de Dilma e do PT foi “uma falta de respeito e o prenúncio de um desastre. É uma campanha que não sabe respeitar os aliados”.
Ciro sempre manifestou lealdade ao presidente. Transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo, a pedido de Lula, com a finalidade de deixar uma porta aberta à possibilidade de disputar o governo paulista com apoio do PT – sem nomes fortes para a eleição. O deputado foi, também, um dos mais fiéis a Lula na época do escândalo do mensalão, segundo já declarou o petista.
Mesmo assim, Lula não tem feito qualquer gesto de apreço ou prestígio ao deputado. Não há sinalização de entendimento em troca de sua desistência da candidatura presidencial. Segundo aliados, Ciro está decepcionado. O próprio deputado declarou várias vezes que, se não disputar a Presidência da República, não concorrerá a outro mandato eletivo. Pessoas próximas a Ciro acreditam que ele deve, realmente, se afastar da política.
O PSDB não alimenta qualquer expectativa de Ciro vir a apoiar Serra, tamanha é a divergência entre ambos. Os tucanos acham, no entanto, que um afastamento de Ciro da eleição nacional melhoraria a situação eleitoral de Serra no Ceará e facilitaria as alianças entre PSDB e PSB negociadas nos Estados. O PSDB deve apoiar candidatos socialistas a governador no Amazonas e na Paraíba. Há entendimentos em andamento em outros Estados”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:28

Dilma ainda precisa de Ciro

Pesquisa eleitoral, como políticos não cansam de ressaltar, é o retrato da hora.
Daqui uma semana o quadro poderá ser outro.
O fato é que, pela pesquisa Sensus – encomendada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo – divulgada hoje, José Serra, do PSDB tem 32,7%, e Dilma Rousseff, do PT, está com 32,4%. Ou seja: estão empatados.
Se a eleição fosse hoje, Ciro Gomes (PSB) com seus 10,1%, levaria a eleição para o segundo turno.
Quando a pesquisa exclui Ciro, Serra sobre para 36,8% e Dilma para 34%.
Na nova pesquisa, Marina Silva, do PV, tem 8,1%. Brancos e nulos somam 9,1% e 9.5%, e a margem de erro é de 2,2 pontos.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

Ciro, agora, depende do TSE

 O PSB está, desde o dia 18 de março, aguardando um pronunciamento do TSE sobre uma consulta relacionada ao tempo de propaganda eleitoral gratuita no radio e na TV.
O partido entende que o tempo a ser dividido entre os partidos políticos com representação na Câmara, seja concedido apenas para as legendas que possuem candidatos à Presidência. Se o Tribunal tiver esse entendimento, o tempo de Ciro Gomes – que não se coligou a nenhum partido -  subiria de 1 minuto e 40 segundos, para 3 minutos e 30 segundos.
Pela legislação eleitoral, o tempo de campanha é dividido da seguinte forma: 10 minutos são distribuídos entre todos os partidos e coligações que tenham candidatos, e os demais 20 minutos são repartidos entre as legendas com representação na Câmara.
Caso a tese do PSB saia vitoriosa no TSE, o peso do PMDB na coligação com o PT será ser bastante reduzido, assim como o do DEM na coligação que apóia o ex-governador José Serra.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:16

Campos prepara anuncio sobre Ciro

Do ‘Jornal do Commércio’, do Recife:
“Há expectativa de que o governador Eduardo Campos (PSB) viaje a Brasília, esta semana, para uma conversa definitiva sobre o futuro do presidenciável do PSB, Ciro Gomes. A data ainda está sendo definida. Na semana passada, Eduardo disse, em entrevista à imprensa, no Palácio das Princesas, que ?resolveria? a questão ?após a Páscoa?. E reforçou que o destino do correligionário ?quem decide é o PSB e ninguém mais?. O governador confirmou, porém, que esteve com Ciro no último dia 22 de março, em Brasília, mas não revelou o conteúdo da conversa.
Nesse último encontro, o dirigente socialista e a cúpula do partido teriam tentado mostrar ao deputado as dificuldades de lançá-lo candidato a presidente, como o pouco tempo de TV e falta de recursos para a campanha. O PSB tentou fechar aliança com o PP, que preferiu a presidenciável do PT, Dilma Rousseff, e o PTB, que optou pelo pré-candidato tucano, José Serra”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:08

Ciro prepara a sua metralhadora

De Renata Lo Prete, da ‘Folha’:
“Diagnóstico de quem conhece bem tanto Eduardo Campos quanto Ciro Gomes: o presidente do PSB está fazendo pacientemente todo o roteiro de conversas com possíveis aliados para no final poder dizer ao pré-candidato algo como: “Tentamos de tudo, mas não deu”.
E Ciro vai sair da disputa presidencial em silêncio ou atirando? “Para todo lado”, responde o mesmo especialista”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:05

A saia justa de Sergio Cabral

De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
“No dia em que o governador Eduardo Campos (PSB-PE) se reuniu com Francisco Dornelles (PP) para discutir a remota possibilidade de uma aliança em torno da candidatura de Ciro Gomes (PSB), tucanos voltaram a mencionar o senador, tio de Aécio Neves, como opção de vice para José Serra (PSDB).
A especulação é curiosa, dado que a maioria dos diretórios do PP está hoje alinhada com Dilma Rousseff (PT). E se a cúpula escolhesse outro caminho?  “O PP é um partido onde ninguém manda e ninguém obedece”, desdenha um cacique. Ainda assim, uma parcela do PSDB acredita que, concedendo a vaga de vice a Dornelles, o placar pró-PT nos Estados seria superado, e o tempo de TV do partido, muito bem-vindo”.
            * * *
O mais curioso disso tudo seria o caminho a ser trilhado pelo governador do Rio.
Como se sabe, Sergio Cabral é um trapalhão de primeira.
Seu amigo, Ciro Gomes, na semana passada, sugeriu inclusive que ele mudasse de ramo, ja que política não é o seu forte.
Ele acha que ser bajulador é o suficiente.
Pois muito bem: a única pessoa que sabe fazer política, entre seus amigos, é o senador Francisco Dornelles. Esse é um dos mais experiente políticos do país.
E se Dornelles vier a ser o vice de Serra?
Cabral continuaria apoiando Dilma?
Como disse a própria candidata do PT, quando perguntaram a ela qual sua opinião sobre o apoio que Lula dava ao regime cubano, Dilma reagiu:
- O que voces querem? – perguntou ela. Que eu seja contra o Presidente Lula? Mas que nem que a vaca tussa.
Será esse o caminho de Cabral.
É claro que essa possibilidade é mais do que remota.
Mas o remoto, no caso, é a candidatura de Dornelles.
Não o traição de Cabral.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:45

Ciro: “PT paulista é um desastre”

O deputado federal e ex-ministro Ciro Gomes (PSB), 52, deu uma longa entrevista a repórter Malu Delgado, da ‘Folha’. Ela andou de taxi com o presidenciável, pelo Rio, e pôde constatar a sua popularidade. Mesmo tendo apenas 12% das intenções de voto na pesquisa ‘Datafolha’, Ciro diz que continua candidato, mas que age “em sintonia com Lula e com a direção do PSB”.
Para a repórter, Ciro fez uma profecia:”Dilma cometerá algum erro na campanha, pois é a mais vulnerável e inexperiente entre os candidatos”.
Ao final da entrevista, diz Malu Delgado, “com o gravador já desligado e cercado por correligionários do PSB num hotel no Rio, Ciro confessa que se não for candidato à Presidência e nem disputar o governo de São Paulo, deixará a política”.
Eis os principais trechos da entrevista:
- O sr. afirmou na semana passada que São Paulo não precisa do sr. São Paulo precisa de quem?
- Fulanizar a política é algo ridículo no Brasil. São Paulo precisa de um projeto porque a eficiência medíocre do PSDB deu o que tinha que dar. Os indicadores de violência estão crescendo, o transporte está colapsando, a educação de São Paulo é uma das piores do país. Agora, como o PT é um desastre, lá em São Paulo especialmente, eles têm essa eficiência medíocre posta em relevo.
- Por que o sr. considera o PT um desastre em São Paulo?
- Por tudo o que aconteceu. Eu lamento, mas há uma lista toda, a nominata quase inteira com problema. Estou falando do desastre de confiabilidade, de confiança da população a ponto de o próprio PT, na minha opinião corretamente, pretender lançar um candidato jovem lá, para fazer nome. Os principais quadros do partido [o PT], por essa ou aquela outra, justa ou injustamente, entraram num problema. Não é brincadeira não, rapaz. José Dirceu, Genoino, Mercadante, Marta, João Paulo… Não é brinquedo não. Praticamente isso é a lista inteira.
- O PT pretendia lançar o sr. no Estado.
- Eu fico muito honrado, distinguido com isso, mas veja bem: não é tão artificial essa solução não?
- Então se o sr. for candidato ao governo de São Paulo será uma solução artificial? 
- A minha candidatura naturalmente é artificial. Agora, o que eu posso fazer, eu poderia fazer –e tinha que ser sincero e franco com a população de São Paulo –era dizer: eu não faço rotina aqui, mas acumulei uma experiência de grande sucesso na administração pública, e essa experiência eu me disponho a colocar a serviço de São Paulo. Não é minha pretensão. Todo mundo sabe e eu repito que minha intenção é ser candidato à Presidência.
- Mencionando um ditado dito pelo sr., “quem quer pegar galinha não diz xô!”.
- Eu não estou dizendo xô para ninguém. Eu apenas quero ser sincero, porque não posso parecer indeciso –e eu não estou. Nem posso atrapalhar a responsabilidade dos meus companheiros do PT, do PSB, que têm uma candidatura que pretende ser apresentada lá, que é do Paulo Skaf. É tão remota e exótica essa possibilidade que ninguém tem que esperar por mim. Amanhã, se no limite o meu papel for essencial, se não for eu não dá certo, o mundo se acaba, o projeto brasileiro corre risco, e tal, nesta circustância é evidente que eu iria. Mas não creio.
- O sr. trabalha por alianças do Paulo Skaf com o PT, por exemplo? O sr. vê possibilidade de uma chapa Aloizio Mercadante e Skaf?
- Eu não veto, não atrapalho, não opino contra, mas acho que a melhor opção é o PT ter o seu candidato e nós o nosso.
- Circulam avaliações no meio político e uma delas é que o sr. está numa orquestração com o presidente Lula, agindo conforme interesses do Planalto para impedir que José Serra cresça. Seus movimentos são feitos em consonância com o presidente?
- Todos os movimentos que eu faço são em absoluta consonância com a direção do meu partido, o PSB, e com o presidente Lula.
- Interessa ao presidente que o sr. se coloque neste momento candidato à Presidência?
- Se interessa a ele ou não eu não sei, mas até o presente momento tudo o que eu fiz está em absoluta sintonia com ele e com a direção do meu partido.
- O sr. diz que é o único a ter liberdade para fazer críticas ao governo do presidente Lula, sejam políticas ou econômicas. Esse debate sobre o papel do Estado, com viés anti-privatização, é equivocado?
- Não, a questão não é que esteja equivocado. Embora o Serra tenha sido capaz de quebrar patentes no Ministério da Saúde na questão do coquetel anti-aids (…), ele chega em São Paulo privatiza a conta da prefeitura, hospeda num banco privado. E em seguida bota a Nossa Caixa para vender, um dos últimos ativos que São Paulo tem. Em relação à Dilma eu tenho a vivência que ela não tem.
- Mas qual é a sua posição sobre privatização e o papel do Estado?
- Isso tudo é baboseira ideológica. No mundo inteiro a experiência empírica demonstra, inclusive com a crise recente nos EUA, que o Estado não é máximo, nem mínimo, nem grande, nem pequeno. É o necessário. É o seguinte: a lei do menor esforço. Quem faz melhor, mais rápido e mais barato é quem vai fazer. É o Estado fazendo o que for necessário fazer. Às vezes é Estado regulador, às vezes tem que ser empresário. Não quer dizer que temos que cair no estatismo, na ineficiência, abrir mão de mecanismos modernos de privatização, parcerias público-privada, concessões. Não. A economia moderna é mista, mas a responsabilidade pela dinâmica estratégica de um país é do Estado.
- O sr. sempre menciona eventuais problemas de governabilidade do futuro presidente, seja ele quem for, dado que ninguém terá o capital político e altíssima popularidade de Lula, que de certa forma faz com que ele transite bem no Congresso.
- Mais que transitar. Ele suporta, sem perder legitimidade. O que é um fenômeno absolutamente raro. Só ele. Não conheço nenhum outro. Nem Juscelino [Kubitischek]. Se a coalizão for essa, com o protagonismo desta banda do PMDB que manda no país sem dúvida [haverá crise de governabilidade]. O DEM é muito melhor que o PMDB neste instante. Uma questão é um escândalo, no qual todos nós estamos vulneráveis a ter um companheiro que vai entrar numa dessa. Todos nós. Isso é da política. O problema é que no PMDB, não o coletivo, mas a banda hegemônica, faz desta linguagem o seu instrumento central de luta.
- E como se governa o Brasil com a atual condição de representatividade e o atual sistema político?
- É uma ilusão de ótica que a prostração moral do PT está passando para o país. O problema da situação política da Dilma é que ela fica com a boca travada. Ela não pode falar isso para ninguém. Como o Serra também não pode. Eu posso. Eu posso fazer avançar a bancada do PSB, do PC do B, do PDT, pensando em flancos ideológicos. E posso fortalecer entendimentos com o lado decente e republicano do PMDB e o lado que tem espírito público do PSDB, que é imenso (…) Não tenho problema nenhum em fazer alianças. Imagino governar o Brasil assim: eu encerraria a violenta, paroquial e provinciana radicalização que opõe PSDB e PT. Convocarei um entendimento nacional entre os dois partidos, PT e PSDB, e convocaria todos os outros partidos para influir, me poria como magistrado. Essa é a saída para o país avançar e diminuir a importância de setores clientelistas, fisiológicos, atrasados, corruptos (…) Os brucutus reacionários eles dizem: se for o Serra ou a Dilma tá tudo bem. O que o mercado não quer é o Ciro. O que Wall Street não quer é o Ciro.
- Fazendo uma revisão história de 2002, o mercado ainda teme sua candidatura?
- Teme, mas é injusto. Eu não sou uma invenção. Eu já fui ministro da Fazenda. Eu fui muito bom para a economia brasileira pelos resultados. O país cresceu 5,3%, tivemos superávit primário de 5% do PIB, inflação zero. Agora, tive algumas questões. Fiz a intervenção do Banespa e do Banerj. Fiz a abertura comercial que dissolveu vários cartéis. Tudo bem, a vida é dura. Eu não vou vender a minha alma para ser presidente do Brasil.
- O preço que o sr. paga pode ser inclusive ter dificuldades de financiamento da sua campanha, um fantasma que circunda todas as campanhas. Como o sr. financiará a sua?
- Nós precisamos resolver essa equação do dinheiro com a política. Na democracia representativa, dinheiro é uma essencialidade. E a nossa moral vigente, a ética católica dominante, meio que abomina isso. E aí como a realidade se impõe, você vai na clandestinidade, e mistura ladrão e safado com empresários que não aceitam doar para a sua campanha, mas aceitam doar anonimamente para o partido. Eu advogo o financiamento público de campanha. Advogo mais: a estatização das campanhas, que é uma ideia que jamais vai passar. O TSE conseguiria padronizar as campanhas, equalizaria as linguagens. Vou fazer uma caricatura, porque é mais complexo, mas teria um estúdio e tudo mundo só gravaria lá.
- E como o sr. viabilizará sua campanha?
- Vou lá pedir dinheiro. É o momento mais desagradável de todos. Nas minhas campanhas eu sempre me protegi. Eu não tenho uma só pessoa. Eu normalmente faço a lista dos contribuintes prováveis e possíveis, e monto uma equipe. E nunca vai um só, normalmente vão dois, fazer em meu nome. Quem financiou 100% minha campanha de deputado federal foi a indústria siderúrgica brasileira.
- Há forte especulação no meio político em São Paulo em torno da filiação do Paulo Skaf no PSB, de que ele teria entrado no partido para financiar campanhas.
- Isso é uma completa ilusão. Nenhum indivíduo, nenhum, nem o Eike Batista aguenta financiar campanha individualmente. O Skaf está muito longe de ser um Eike Batista. Ele é um pequeno empresário, a rigor.
- O PT teria que tomar um cuidado especial com essa questão do financiamento nesta campanha, pelos escândalos recentes?
- Tem. Todos nós temos, mas o PT mais que ninguém. Um vetor essencial da história do PT é o moralismo. Aí o pecado do pecador a gente perdoa, mas o pecado do pregador é imperdoável.
- Neste contexto não é um equívoco político escolher um tesoureiro, o João Vaccari Netto, que esteja supostamente ligado ao caso Bancoop, ainda que não tenha nenhuma prova ou sentença?
- Eu não estou suficientemente informado do assunto e acho odiento que alguém pague por uma culpa não demonstrada.
- O sr. já sofreu uma oscilação fortíssima nas pesquisas em 2002. Todos os políticos não estão sujeitos a isso?
- Sim, isso eu acho. Acho que a Dilma cometerá um erro, porque nenhum de nós escapou. O Lula cometeu, eu cometi, o Serra, o Alckmin cometeu. Ela cometerá. Tomara que não. E vai oscilar. Ela é um pouco mais vulnerável, claro. Porque na medida em que você erra, você aprende. O Lula aprendeu para caramba, não é verdade? Eu aprendi muito. O Serra erra menos porque é protegido pela grande mídia.
- A sua liberdade para criticar o presidente Lula não pode lhe trazer problemas? Ou traz votos?
- Criticar o Lula tira voto. E eu não critico o Lula, mas não é porque tira votos. Todo mundo sabe que eu tenho imensa afinidade com ele. Agora, eu tenho mais amor, mais paixão, mais compromisso com o Brasil.
- O sr. foi irônico ao chamá-lo de santo, por exemplo.
- Eu não fiz isso. Eu disse que para mim ele não é um santo. Ele é um grande líder político, extraordinário. Sou amigo dele desde 1989. E no governo tivemos uma relação extraordinária. É uma pessoa pela qual tenho imenso carinho, admiração, respeito. E daí?
- Se criticá-lo tira votos, então podemos esperar uma campanha em que todos vão poupar Lula?
- O Serra que é o capitão da oposição, especialista em câmbio, adora bajular exportador, não fala nada. As contas externas do Brasil se acabando e quem fala sou eu. O Banco Central guiado pela estupidez do tal PIB potencial e quem fala é o Delfim Neto. Então agora estão nesta disputa ridícula de inauguração, se pode inaugurar maquete, anunciar edital. Pelo amor de Deus! Ou eu estou ficando muito cego, ou está na hora de sair da política.
- O país está imerso numa cegueira afetado pela alta popularidade de Lula?
- Está numa brutal cegueira, mas não pela popularidade, que é um legítimo prêmio a um governante que tem feito muito bem ao país. O problema é da vulgaridade dos políticos e dos seus dispositivos de mídia.
- A política externa do Brasil está no rumo correto? Pergunto-lhe em função das últimas polêmicas sobre o relacionamento do governo brasileiro com Cuba e Irã.
- Estrategicamente o governo brasileiro está muito correto. Somos contra a intervenção em assuntos domésticos, seja de quem for, somos pela solução pacífica dos conflitos, e advogamos uma ordem mundial multipolar. Tudo o que o Lula faz guarda coerência com esses princípios. Nós consideramos que o embargo norte-americano a Cuba –e não é o governo Lula, eu estou falando –é a causa de todos os abusos que hoje ainda temos que assistir em Cuba. O embargo, essa coisa anacrônica, prepotente, e injusta dos americanos, que inacreditavelmente continua com o governo Obama, justifica a atitude defensiva de Cuba. O país está acossado por um inimigo externo iminente, a maior potência do planeta. Eu acho odiento o crime político. Mas, o embargo dá ao governo de Cuba a faculdade de dizer que aquilo não é crime de opinião, mas sabotagem, espionagem, serviço ao inimigo externo. Essa é a questão que tem que ser posta em perspectiva. De qualquer forma, não é o Brasil que vai resolver isso. O Brasil deu asilo ao [Alfredo] Stroessner, no que acho que fez muito bem. Isso tira da moral dessa gente, da direita truculenta, esse papo. Quando foi que a direita brasileira teve qualquer apego aos direitos humanos? Que dia? Em que circunstância internacional ou internacional? Esse papo furado é só para quem não tem memória. E o Irã: deixa os americanos fazerem uma aventura militar no Irã para você ver o que vai acontecer com o planeta. O Irã não é o Iraque. O Brasil não é a favor que o Irã desenvolva artefato nuclear. O Brasil tem uma posição contra armamento nuclear no mundo. Ele não é ingênuo. Queremos que o mundo se desarme”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:40

PT e PMDB, um namoro difícil

Das repórteres Denise Rothenburg e Flávia Foreque, no ‘Estado de Minas’:
“A desconfiança que se instala entre PT, PMDB e PSB  em alguns estados começa a provocar abalos no castelo de partidos que o presidente Lula pretende arregimentar para a campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. No Pará, por exemplo, onde a governadora Ana Júlia Carepa (PT) é candidata à reeleição, o ex-deputado José Priante (PMDB-PA) resume assim a relação entre os dois partidos: ?É mais fácil um remista passar a torcer para o Paissandu, ou vice-versa, do que o PMDB apoiar a Ana Júlia?, afirma.
A declaração do peemedebista vem carregada pela pura desconfiança que cresce cada vez mais entre os dois partidos. Ana Júlia foi candidata porque em 2006 o deputado Jader Barbalho foi ao presidente Lula e disse que o pré-candidato do PT, Mário Cardozo, não venceria o PSDB. Lula e Barbalho combinaram então que Jader teria um candidato a governador, o PT lançaria Ana Júlia, e no segundo turno, eles estariam juntos.
Ao longo do governo de Ana Júlia, a relação com o PMDB se deteriorou. Há dois meses, no entanto, ela ofereceu a Jader uma das vagas ao Senado. Ocorre que Jader, depois de uma série de consultas ao PT, descobriu que os petistas planejam votar apenas no seu candidato ? o deputado Paulo Rocha, aquele que terminou fora do Congresso em 2006 por conta do escândalo do mensalão ? e, por causa dos antigos escândalos da Sudam, desidratar o candidato do PMDB.
A suspeita levou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, a chamar Paulo Rocha e Priante para uma conversa em seu gabinete. Até o momento, o acordo não saiu e a perspectiva é de que não sairá.
No Maranhão, a situação não é diferente. PT e PMDB simplesmente não confiam um no outro. Lá, o PT decide no dia 27 se ficará com o aliado histórico, o PCdoB, que tem como candidato a governador o deputado Flávio Dino, ou apoiará a reeleição de Roseana Sarney (PMDB). A disputa será dura e, na hipótese de ficar com Dino, isso pode refletir na campanha presidencial, uma vez que Roseana estendeu o tapete vermelho para Dilma e fechou as portas para Marina Silva, do PV de Sarney Filho, irmão da governadora. Feito isso, agora o PMDB aguarda reciprocidade do PT local. Acredita que não terá.
Desconfiança No Piauí, o clima de desconfiança é entre PT e PSB. Os socialistas esperavam contar com o apoio do PT para eleger o vice-governador Wilson Martins, que ficará no comando do estado quando Wellington Dias deixar o governo para concorrer ao Senado. Ocorre que o PT pretende lançar Antônio José Medeiros, deputado federal, ao governo estadual. Nessa disputa estará ainda o senador João Claudino, outro que tem pretensões de ser governador. Dilma acabará com três palanques e, se pender para o do PT, como alguns acreditam que fará nos estados onde os petistas são candidatos, corre o risco de perder os outros dois.
A desconfiança entre PT e PMDB perdura ainda em Minas Gerais. O máximo que o comando nacional do partido conseguiu arrancar da Executiva Estadual foi um acordo de cavalheiros em que ficou definida a ?vontade política? de ter apenas um nome da base aliada a Lula na corrida pelo governo do estado. O PT insiste em candidatura própria e, no dia 22, abre prazo para que os pré-candidatos se apresentem. Até 5 de abril, quando termina o prazo de inscrição, o presidente do partido, Reginaldo Lopes, espera conseguir um acordo entre Patrus Ananias e Fernando Pimentel para negociar com o PMDB de Hélio Costa”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:31

Bolsa-Família beneficia Dilma

 Da repórter Marta Salomon, da ‘Folha’:
“A pré-candidata do PT Dilma Rousseff lidera a disputa pelo Planalto entre os eleitores beneficiados pelo Bolsa Família, mostra pesquisa Datafolha. Mas, a oito meses das eleições, a vantagem da petista não se mantém entre os contemplados por financiamentos de habitação popular do programa Minha Casa, Minha Vida.
Dilma alcança 40% dos votos entre os inscritos no Bolsa Família, contra 25% de Serra e 10% de Ciro Gomes (PSB). Marina Silva (PV) tem 8% nesse universo. A liderança da petista chega a 46% dos votos entre os inscritos no Bolsa Família no cenário sem Serra nem Ciro.
No domingo, o Datafolha revelou que a diferença entre José Serra (PSDB) e a pré-candidata petista caiu de 14 para 4 pontos desde dezembro. O tucano tem 32% contra 28% de Dilma no principal cenário.
Entre os entrevistados que afirmam receber benefícios do Bolsa Família, no entanto, Dilma Rousseff passa a liderar a pesquisa, que identificou 10% dos eleitores como beneficiários do principal programa de transferência do governo.
O Bolsa Família paga entre R$ 22 e R$ 200 por mês a cerca de 11 milhões de famílias com renda mensal de até R$ 140 por pessoa, dependendo do grau de pobreza e do número de filhos com até 17 anos. O número de beneficiários deve chegar perto dos 13 milhões de famílias até o final do ano, planeja o Ministério do Desenvolvimento Social.
O Datafolha entrevistou 2.623 brasileiros de 16 anos ou mais em 144 municípios nos dias 24 e 25 de fevereiro. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.
A vantagem para Dilma não se sustenta entre os entrevistados que não recebem o benefício do governo, mas afirmam conhecer alguém cadastrado no programa.
O efeito eleitoral do Bolsa Família não é acompanhado pelo programa de financiamento de habitação Minha Casa, Minha Vida, lançado no ano passado e uma das apostas do governo na campanha.
A meta do programa é fechar contratos de financiamento de 1 milhão de moradias até o final de 2010 para famílias com renda mensal de até R$ 4.900. Isso significa triplicar o número de moradias em relação ao desempenho do programa em 2009.
Entre os participantes do programa habitacional do governo, Serra lidera com 35%, contra 28% obtidos por Dilma, isso no cenário com Ciro. Sem o candidato do PSB, Serra amplia a diferença em relação à pré-candidata petista. A pesquisa identificou 4% dos eleitores brasileiros entre participantes do principal programa habitacional do governo Lula.
O Datafolha também investigou a expectativa de continuidade dos dois programas sociais. A expectativa varia, dependendo de quem sucederá Luiz Inácio Lula da Silva, e é maior no caso de vitória de Dilma Rousseff (73%) contra pouco mais da metade dos eleitores se José Serra ou Ciro Gomes virem a ser eleitos. Os percentuais variam de 53% e 57% dos entrevistados, dependendo do programa governamental.
Moradores do Nordeste são mais pessimistas sobre as chances de manutenção tanto do Bolsa Família como do Minha Casa, Minha Vida. O pessimismo é reforçado entre simpatizantes do PT, mas o mesmo não acontece entre os simpatizantes do PSDB.
Na primeira avaliação do impacto eleitoral do Bolsa Família, um estudo feito pela FGV (Fundação Getulio Vargas) afirmou que o programa foi responsável por um aumento de três pontos percentuais na votação de Lula no segundo turno das eleições de 2006″.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:28

Problemas de Serra são Rio e MG

Para o ex-prefeito Cesar Maia, especialista em pesquisas eleitorais, o maior problema hoje de José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência da República é Rio e Minas. Veja a sua análise:
“1. Todos os cruzamentos e projeções em 2009 mostravam que Dilma cresceria na base da superexposição e companhia de Lula, e que chegaria, no início de 2010, aos 30%, de onde partiria a polarização com Serra. A pesquisa Datafolha sugere que o PSB não vai dar sustentação a Ciro Gomes, e que esse não será candidato. E que Marina (com programa de TV recente) será paisagem nessa campanha, que tende a ser decidida no primeiro turno.         
2. O DataFolha (24-25/02) dá a Serra 38% das intenções de voto, a Dilma 31%, e a Marina 10%. O Ibope (6-7/02) deu a Serra 41%, Dilma 28% e Marina 10%. O Sensus (25-29/01) deu a Serra 41%, Dilma 29% e Marina 10%.  O Vox-Populi (14-17/01) deu a Serra 38%, Dilma 29% e Marina 8%. Portanto, tudo dentro rigorosamente da dita margem de erro. O óbvio e esperado crescimento de Dilma em pesquisas se deu no correr de 2009, pela superexposição e transferência possível de Lula.             
3. Em 2010, o quadro está estabilizado. Elas por elas com Serra 40%, Dilma 30% e Marina 10%. O fato de Ciro e Dilma -quando se inclui Ciro- ficarem estacionados, é mais uma prova disso.      
4. Curiosamente, o DataFolha diz que cresceu o percentual de eleitores indecisos na pergunta não estimulada: eles são hoje 58%, contra 47% no Datafolha anterior. E informa que a vantagem de Serra no Sudeste teria caído de 22 para 14 pontos. Isso ainda há que se comprovar na série, pois a margem de erro por região é pelo menos o dobro da nacional. Mas esse deve ser um alerta para Serra em Minas+Rio, que respondem por 20% do eleitorado.        
5. A aproximação no segundo turno da pesquisa DF só corrobora que a eleição será mesmo plebiscitária e tende a ser decidida no primeiro turno, sem Ciro, claro. Quando o eleitor se aperceber disso, fará o voto útil ainda no primeiro turno, minimizando a intenção de voto em Marina”.

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