• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:51

Cabeça de Ciro atende a cacique

A cabeça de Ciro Gomes está valendo, até agora, muito pouco para o PSB.
Até agora, o único que ganhou foi o senador Renato Casagrande, que se candidatará ao governo do Espírito Santo, com o apoio do PMDB, do governador Hartung, e do PT.
Na verdade, o PT – beneficiário da cabeça de Ciro – não entrou com nada. No Espírito Santo quem perdeu foi o PMDB, cujo vice Ricardo Ferraço dividia, com Casagrande, a preferencia do eleitorado.
O que o PT fez foi apenas acompanhar o PMDB.
Casagrande, como secretário-geral do PSB, é o segundo nome na hierarquia do partido e não tem absolutamente nada a perder, já que seu mandato, no Senado, vai até 2015.
Mesmo se for derrotado nas urnas, ele terá mais quatro anos de mandato.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:50

As apostas do PSB

Ciro Gomes disse há dias, defendendo a sua candidatura, que “time que não entra em campo, que não joga, não forma torcida”. Ou seja: sua candidatura ajudaria o PSB a aumentar suas bancadas.
O partido preferiu dispensar Ciro. 
Hoje, a repórter Eugênia Lopes, do ‘Estadão’, diz que “em troca da retirada de Ciro da corrida presidencial, o PSB espera obter apoio do PT para eleger seus candidatos a governos estaduais. O partido tem 10 candidatos a governador e espera duplicar sua bancada na Câmara – hoje com 27 deputados – e eleger pelo menos cinco senadores nas eleições de outubro. “Definindo o nosso apoio a Dilma não vamos aceitar discriminação em relação aos nossos candidatos”, reiterou Campos”.
Agora só resta esperar outubro, e constatar que tem razão: Ciro Gomes ou Eduardo Campos.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:49

Por quem Ciro irá torcer

Por mais transparente que possa ser um político, ele sempre tem suas contradições.
Ciro Gomes por exemplo poderá até seguir a orientação do PSB e  trabalhar pela eleição de Dilma Rousseff.
Mas estará torcendo por José Serra.
Ele sabe que essa será a única maneira dele viabilizar sua candidatura daqui a quatro anos.
Se Dilma vencer, é possível que ele tenha que esperar oito anos.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:49

Ciro Gomes, imperdível!!!

O deputado Ciro Gomes, que hoje será defenestrado da candidatura à Presidência da República pelos covardes do PSB, deu na madrugada de domingo para segunda-feira, uma entrevista de pouco mais de uma hora ao excelente repórter Kennedy Alencar, no programa ‘É Notícia’, da Rede TV.
Ciro é hoje, sem dúvida alguma, o político mais transparente do país, e fala o que bem entende. Por isso é o único personagem que consegue unir tucanos e petistas: ambos preferem que ele não seja candidato.
O programa está dividido em três blocos:

 

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:48

PSB e o golpe na democracia

Do colunista Merval Pereira, de ‘O Globo’:
“Goste-se ou não da maneira como o deputado federal Ciro Gomes faz política, uma coisa é certa: sua desistência forçada à disputa da Presidência da República é um golpe na democracia”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:43

Lula, a favor da reeleição

  Dos repórteres Denise Rothenburg, Josemar Gimenez e Sílvia Bessa, do ‘Correio Brasiliense’: 
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi procurado pelo PSDB há algum tempo para tratar do mandato presidencial. A proposta era unir PT e PSDB em torno da ampliação do período de quatro para cinco anos e incluir no pacote o fim da reeleição. O relato foi feito ontem pelo próprio Lula, durante entrevista aos Diários Associados, concedida na Biblioteca do Palácio da Alvorada. ?Eu disse ao interlocutor que não queria mais o fim da reeleição, não quero mais o fim da reeleição?, contou. O presidente explica que mudou a opinião porque percebeu que ?para se fazer uma obra estruturante neste país, o sujeito, até fazer o projeto básico, executivo, conseguir a licença ambiental e vencer o Judiciário, já terminou o mandato?. Em quase uma hora de conversa, acompanhado do ministro da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, Lula deixou claro que conversará com Ciro sobre a não candidatura, enquadrou o PT de Minas, dizendo que a prévia para escolher candidato do PT acirrará os ânimos. Afirma ainda ver como certo que Michel Temer será o vice capaz de levar o PMDB para Dilma Rousseff. ?O PMDB é peça importante na aliança nacional?, diz Lula”
                          * * *
Eis a entrevista:
“- O senhor acha que o brasiliense tem o que comemorar hoje nesses 50 anos?
-  O povo de Brasília tem que comemorar. O significado de Brasília como capital não pode ser confundido com os administradores que cometeram absurdos. Muitas vezes, os erros são cometidos porque as pessoas acham que ficarão impunes. Brasília, de um lado, tem que estar de luto, porque aconteceu essa barbaridade, mas, ao mesmo tempo, tem que ter orgulho. É uma cidade extraordinária, que tem crescido muito acima do que foi previsto por Niemeyer e JK. Em alguns aspectos, cresceu um pouco desordenada. Acho até que houve irresponsabilidade em alguns momentos, mas Brasília é isso: tem um lado humano, o Plano Piloto, o centro das cidades satélites, e o lado desumano, daqueles que vivem no Entorno, em situações adversas. Ainda assim, acho que o povo tem que comemorar porque foi uma epopeia o nosso Juscelino cumprir e ter coragem de fazer uma coisa pensada em 1823. Não era fácil tirar a capital do Rio de Janeiro.
- Tivemos uma eleição indireta em que o candidato indicado pelo PMDB ganhou. O senhor acha que ainda cabe a intervenção?
- Essa é uma coisa que depende exclusivamente do Judiciário. Não cabe a um presidente dizer se cabe ou não intervenção. O Judiciário, em função das informações que tem, deve tomar a decisão. Minha preocupação era a paralisação das obras. Não podemos, em função de uma crise política, ver o povo ser prejudicado. No mês passado, pedi para a CGU uma investigação porque era preciso mostrar para a sociedade como estava o andamento de cada obra. No levantamento, detectamos coisas graves, como R$ 300 milhões da saúde depositados numa conta bancária para fazer caixa, quando o dinheiro deveria ser usado para pagar salário de médico, comprar remédio.
- O PT terá uma chapa em Brasília: Agnelo candidato ao governo, Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB) para o Senado. O senhor fará campanha aqui?
- Primeiro, o presidente da República não defende chapa dentro do PT em cada estado. O presidente geralmente acata aquilo que os companheiros do estado fizeram. Se o Agnelo, como candidato a governador, e a direção do partido entendem que é necessário fazer essa composição para ganhar as eleições, eles que sabem. Agora, nessa chapa toda está faltando um componente, que é o PMDB. Para onde vai? Não sei se o PT do Distrito Federal está conversando com o PMDB, mas acho importante conversar. O PMDB é peça importante na aliança nacional. De qualquer forma, o Agnelo é um homem de muita respeitabilidade, de dignidade incomensurável. Acho que ele irá empolgar os eleitores.
- E, em Minas, cansou, já chegou no limite? Como vai ficar aquilo ali?
- A política seria fácil se as pessoas a percebessem como o leito de um rio: a água desce normalmente se ninguém resolver fazer uma barragem. As coisas em Minas tinham tudo para ocorrer normalmente, sem trauma, sentar PT e PMDB e tentar conversar. Tínhamos e temos chance de ganhar na medida em que o Aécio Neves (ex-governador de Minas) não é candidato e ninguém pode transferir 100% dos votos. De repente, o PT resolve fazer uma guerra interna. Essas guerras não resolvem o problema. As pessoas pensam que podem fazer insultos, provocações e, depois, botar um papel em cima. No PT não volta à normalidade.
- Mas como faz? No momento em que escolhe um candidato a governador, como é que tira?
- Se o PT precipitar as decisões, vai ficar cada vez mais num beco sem saída. A prévia é importante, mas não pode ser usada para resolver problemas que os dirigentes criaram e não conseguem resolver. Se eu criei uma confusão, em vez de resolver, falo: ?Vamos para uma prévia?? Na história do PT já tivemos guerras fratricidas nessas prévias. Minas é um estado importante, interessa muito ao PT, ao PMDB e ao PSDB. É o segundo colégio eleitoral e muito sofisticado, porque você tem a Minas carioca, a Minas Bahia, a Minas Brasília, a Minas São Paulo, a Minas Minas . É preciso trabalhar isso com carinho.
- Minas, pelo jeito, se o senhor não intervir, não resolve.
- Se as pessoas fizeram isso achando que tenho que resolver, não é uma boa atitude. Não sou eleitor de Minas, não estou lá no embate cotidiano. Pimentel e Patrus (pré-candidatos do PT ao governo mineiro) são experientes, conhecem bem o PMDB de Minas. Já deveriam estar conversando entre eles e com o Hélio Costa (pré-candidato do PMDB) para trazer uma solução sem mágoas.
- Por falar em mágoas, e Ciro Gomes?
- Pretendo conversar com Ciro na medida em que a direção do PSB entenda que já é momento. Achei interessante quando ele transferiu o título para São Paulo porque era uma probabilidade. No primeiro momento, houve certa reação do PT, depois todos os quadros importantes passaram a admitir que era importante o Ciro ser candidato a governador de São Paulo. Depois, o PSB lançou o Paulo Skaf. O problema não era dentro do PT. Disse para o Ciro que jamais pediria para uma pessoa ou partido não ter candidato a presidente se não tiver argumento sólido. Ser candidato significa a possibilidade de fortalecer os partidos, mas também a possibilidade de perder uma eleição. Eu estou convencido de que essa deveria ser uma eleição plebiscitária. Fazer o confronto de ideias, programas, realizações.
- E como fica a disputa pelo governo de São Paulo?
- O PT não precisa provar para ninguém que tem 30% dos votos em São Paulo. Precisamos arrumar os outros 20%. Eu disse a Mercadante: ?É preciso que você arrume o teu José Alencar?. O Alencar teve importância para mim que não é a da quantidade de votos, mas da quantidade de preconceito que quebrou. Se um cara com 15 mil trabalhadores na fábrica, a maior empresa têxtil do país, estava sendo meu vice, um cidadão que tinha dois empregados e tinha medo do Lula perdia o argumento. O discurso do José Alencar quebrou barragem maior do que a de Itaipu. O PT de São Paulo precisa arrumar esse Alencar.
- Nesse conceito de vice, Michel Temer não teria esse perfil para a chapa de Dilma?
- Deixa eu contar uma coisa: a Dilma tem cartão de crédito de oito anos de administração bem-sucedida no Brasil. Ela foi uma gerente excepcional. O Temer dará a segurança de um homem que deu a vida pública já de muito tempo, tem uma seriedade comprovada no Congresso e hoje está mais fortalecido dentro do PMDB. Se ele for o indicado pelo partido, dará a tranquilidade de que nós não teremos problemas de governabilidade.
- A oposição já percebeu essa questão da eleição plebiscitária e começou agora a trabalhar com o slogan ?Pode ficar melhor?. Isso muda alguma coisa com relação à candidatura da ministra Dilma?
- Não. Mudaria se eles fizessem a campanha ?pode ficar pior?. Eu acho que eles têm que prometer fazer mais coisas. O que é importante e que me dá prazer de falar desse assunto, com humildade, é o seguinte: eu mudei o paradigma das coisas neste país. Quem não queria enxergar, durante meus oito anos de mandato, vai enxergar já daqui para frente.
- O senhor disse recentemente que se ressentia de não ter feito a reforma política. O Serra disse que, se eleito, proporá os cinco anos de mandato sem reeleição. Como o senhor avalia isso?
- Em política não vale você ficar falando para inglês ver. A história dos cinco anos eles já tiveram. É importante ter em conta que eles reduziram o mandato de cinco para quatro anos pensando que eu ia ganhar as eleições em 1994. Eles ganharam e, em 1996, aprovaram a reeleição. Aí, para tentarem convencer o Aécio a ser o vice, vieram até me propor que, se o PT e o PSDB estivessem juntos numa reforma política para aprovar cinco anos, seria o máximo, a gente aprovaria. Eu falei para meu companheiro interlocutor: ?Olha, eu era contra a reeleição, agora eu quero que tenha a reeleição mesmo se você ganhar, porque em quatro anos você não consegue fazer nenhuma obra estruturante, nenhuma?. Entre você pensar uma grande obra, fazer projeto básico, executivo, tirar licença ambiental, enfrentar o Judiciário, enfrentar o Tribunal de Contas e vencer todos os obstáculos, termina o mandato e você não começa a obra, sabe? Então eu falei: ?Não quero mais o fim da reeleição?.
- Essa conversa aconteceu quando, presidente? Com quem?
- Faz algum tempo. Não, porque era a tese do ex-presidente para convencer o Aécio a ser vice. Então, em política não vale ingenuidade. Ou seja, ninguém vai acreditar que o mesmo partido que criou a reeleição venha querer acabar com ela. É promessa para quem? Ninguém está pedindo isso. Só o Aécio está pedindo.
- O senhor já está trabalhando com a hipótese de o Aécio ser o vice?
- Sinceramente, acho que o Aécio está qualificado para ser o que quiser. Se ele for vice, vai se desgastar. É só pegar o que o Estado de Minas escreveu sobre as divergências de Aécio com Serra para perceber que o Aécio vai colocar muita dúvida na cabeça do povo mineiro.
- O senhor tem uma segurança grande com relação ao partido. A ministra Dilma não veio da base do partido. A preocupação é a seguinte: será que a ministra tem condições de ter um poder sobre o partido? Não será monitorada por ele?
- Não, não existe hipótese, gente. Primeiro porque uma coisa é a relação de respeito que você tem de ter com o partido. Não é uma relação de medo. Eu vou poder ajudar muito mais a Dilma dentro do PT não sendo presidente. Estarei mais nos eventos do PT, estarei participando mais das coisas do PT.
- O senhor acha que vai transferir quanto de sua popularidade para a ministra?
- É engraçado porque as pessoas que acham que eu não vou transferir voto para a Dilma acham que o Aécio vai transferir para o Serra. É engraçadíssimo porque as pessoas olham o seu umbigo o dizem ?o meu é o mais bonito de todos?.
- Mas essa transferência seria automática?
- Não, não seria automática. Não existe um automaticismo em política.
- E o que lhe dá, então, uma segurança tão grande?
- O que me dá segurança é que ao mesmo povo que me dá o voto de confiança há sete anos vou pedir para dar um voto de confiança a Dilma. Vou fazer campanha. Não pensem que vou ficar parado vendo a banda passar. Eu quero estar junto da banda, até porque acho que a campanha da Dilma é parte do meu programa de governo para dar continuidade às coisas que nós precisamos fazer no Brasil.
- Há tempo suficiente para torná-la conhecida em alguns lugares do país, como os grotões do Nordeste?
- Lá eu não vou nem chegar, lá eles são Lula. Lá estou representado. Eu quero ir é aos outros lugares.
- O Nordeste, então, não lhe preocupa?
- Lógico que me preocupa. Não existe eleição ganha antes da apuração, mas o carinho que o povo nordestino e do Norte têm por mim é de relação humana forte. Vou pedir o apoio desses companheiros para a minha candidata e vou trabalhar em outros estados. O meu trabalhar é o sinal mais forte que posso dar à sociedade brasileira de que não estou pensando em 2014. Quando o político é canalha, ele não quer eleger o sucessor. O velhaco quer voltar.
- Essa eleição da Dilma, parece que o senhor tem mais garra com a campanha dela do que com a sua reeleição. É uma questão de honra eleger a Dilma?
- Em política não se coloca questão de honra. É de pragmatismo. Estou muito mais animado com a campanha da Dilma do que com a minha. Meu governo já foi avaliado com a minha reeleição. Ele será biavaliado se eleger a Dilma. Daí a minha responsabilidade.
- Presidente, nesses oito anos o que o senhor olhou para trás e pensou: que pena que eu não fiz isso?
- Uma coisa eu digo: quando eu deixar a Presidência, vou ser uma pedra no calcanhar do PT para que o PT coloque a reforma política como prioridade, com 365 dias por ano falando de reforma política, procurando aliados para a gente fazer. Sobretudo porque eu acho que o fundo público para financiar as eleições, com a proibição de dinheiro privado, seria uma chance que a gente teria de moralizar o país.
- Qual a quarentena que o senhor dará com relação ao futuro governo?
- Não tem quarentena. Pretendo não dar palpite no próximo governo se pedirem alguma opinião (falava de Dilma), porque sinceramente acho que quem for eleito tem o direito de governar e de fazer o que entender que deva ser feito. Depois vai ser julgado. Não cabe a mim julgamento e ficar cobrando, como se fosse ex-marido ou ex-mulher, dizendo como o outro tem de ficar vivendo.
- Em relação ao seu projeto internacional?
- Esse negócio da ONU, vamos ter claro o seguinte: a ONU não pode ter como secretário-geral um político. Tem que ter um burocrata do sistema porque, caso contrário, você entra em confronto com outros presidentes. Vamos melhorar a ONU, mas acho que a burocracia tem de continuar existindo para manter certa harmonia. Eu tenho vontade de trabalhar um pouco a experiência acumulada no Brasil tanto para a África quanto para a América Latina. Não tenho projetos. Só penso agora em terminar o mandato e animar os meus ministros porque vai chegando o fim do mandato e, sabe aquele negócio, vai dando 2h da manhã, você está num baile e já começa a procurar uma cadeira para sentar. Eu quero que todo mundo continue animado e dançando porque eu quero continuar muito bem até 31 de dezembro.
- E o PAC 2? Não vai dar tempo de ser começado, presidente…
- Por que eu tive de fazer o PAC 2? Para facilitar a vida de quem vai entrar depois. Se não quiser fazer, não faça. Foi eleito presidente, tem o direito de pegar tudo, rasgar e não fazer. O que eu quero? Quero deixar uma prateleira de projetos que não recebi. Deixar a estrutura semeada”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:39

Ciro há 20 dias evita o PSB

De Eugênia Lopes, do ‘Estadão’:
“Magoado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na iminência de o PSB negar-lhe a candidatura à Presidência, Ciro Gomes decidiu mergulhar no isolamento. Há 20 dias, não fala com seus correligionários. O deputado se diz “injustiçado” pelo PSB, pelo PT e por Lula, que agiram para impedir alianças em torno de sua candidatura.
A gota d”água para a insatisfação de Ciro foi a visita da pré-candidata petista Dilma Rousseff ao Ceará, no início da semana passada. O Estado é o principal reduto eleitoral do socialista. Coube à ex-mulher de Ciro Gomes, a senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), verbalizar a mágoa do deputado com o governo. “Não havia necessidade de a Dilma ir lá nesse momento. Foi um desrespeito ao Ciro por tudo que ele sacrificou pelo governo Lula.”
Ciro sempre manifestou lealdade ao presidente Lula, lembra Patrícia. Transferiu seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, a pedido do presidente, com a finalidade de deixar uma porta aberta à possibilidade de disputar o governo paulista com o apoio do PT.
Cerco. Lideranças do PSB também acusam o governo de intervir junto aos partidos para minar as alianças em torno do nome de Ciro. O partido chegou a oferecer a vice-presidência ao PP do senador Francisco Dornelles (RJ). Também conversaram com o PTB do ex-deputado Roberto Jefferson, aliado de Ciro nas eleições de 2002. O PTB optou, no entanto, pelo apoio à candidatura do tucano José Serra.
“Não digo que teve uma interferência direta do presidente Lula. Mas o PT tem feito essa interferência não só no plano nacional como nos Estados. O PT está usando sua força para nos isolar”, reclamou o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. “De fato, a força do governo impediu que o PSB pudesse conseguir alianças”, emendou o secretário-geral do partido, senador Renato Casagrande (ES).
Além da interferência nas possíveis alianças, Ciro Gomes também está decepcionado com a falta de qualquer gesto, pelo presidente Lula, de apreço político ou prestígio. Afinal, como o próprio Ciro gosta de lembrar, ele foi um dos mais fiéis aliados de Lula na época do escândalo do mensalão. Mas, até agora, não há sinal do Palácio do Planalto de entendimento com o deputado em troca de sua desistência da candidatura presidencial.
De concreto, hoje, no Planalto, a situação é esta: o presidente não sabe o que fazer com o caso Ciro. Lula ainda não chamou Ciro para conversar porque não sabe como agir. Além disso, o presidente, dizem seus assessores, achava que Ciro admitia sair do páreo quando combinou com ele a transferência do título para São Paulo – uma ideia que, no Planalto, é atribuída a lideranças do próprio PSB.
Tasso. Com a provável retirada de sua candidatura do páreo da corrida presidencial, o deputado Ciro Gomes deverá “hibernar” nas eleições deste ano, dedicando-se às disputas regionais do Ceará. Ele deverá trabalhar pela reeleição de seu irmão, Cid Gomes, ao governo do Estado. Vai apoiar seu amigo Tasso Jereissati (PSDB-CE), que quer mais oito anos de mandato no Senado. Também ajudará na campanha da ex-mulher para a Câmara dos Deputados.
Casado com a atriz Patrícia Pillar, Ciro pretende passar parte do tempo no Rio, onde mora a mulher. A expectativa é que ele fique afastado das eleições presidenciais.
Segundo correligionários, ele não deverá se empenhar na campanha de Dilma Rousseff. Seus amigos mais próximos também não veem chances de ele vir a apoiar a candidatura de Marina Silva (PV) à Presidência da República. E os próprios tucanos reconhecem que é impossível Ciro apoiar Serra, tamanha é a divergência entre ambos.
A última vez que Ciro deu as caras em Brasília foi no dia 29 de março, quando houve uma reunião da cúpula do partido. Desde então, seus correligionários não tiveram mais contato com ele.
Nos últimos 20 dias, Ciro só se manifestou pelo seu site, com um artigo que foi considerado “agressivo” e “injusto” pelos colegas. “Ele não me procurou. Eu bem que tentei falar com ele pelo celular, mas só deu fora de área”, reclamou Roberto Amaral. “Ninguém sabe dele”, resumiu Casagrande. No artigo, Ciro pressionou o partido a definir sua situação na corrida presidencial”.

CIRO TEM 14 DIRETÓRIOS AO SEU LADO, MAS A CÚPULA  É  CONTRA

“Expectativa de crescimento do partido. Este é o argumento-chave apresentado pelos defensores no PSB da candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. Além disso, pelo menos 14 Diretórios Estaduais do partido são favoráveis à candidatura própria, de olho nas eleições locais.
É o caso do Amazonas e da Paraíba. Nesses dois Estados, as alianças regionais dificultam as condições para que os candidatos do PSB subam no palanque da pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff. Daí, a pressão para que Ciro se lance na corrida presidencial.
A cúpula do partido é, no entanto, majoritariamente contra a candidatura do deputado. A começar pelo presidente do PSB, Eduardo Campos, candidato à reeleição ao governo de Pernambuco e interessado em garantir o apoio do PT.
A avaliação é de que o PSB conquistará, pelo menos, 10% dos votos do eleitorado brasileiro se disputar a Presidência da República. “Para nós, 10% dos votos do eleitorado significa elegermos mais de 50 deputados federais”, argumenta o presidente do PSB de São Paulo, deputado Marcio França, um dos principais entusiastas da candidatura presidencial de Ciro dentro do partido.
Em 2002, Marcio França foi o coordenador da campanha de Anthony Garotinho à Presidência da República. “Antes da candidatura de Garotinho, o PSB tinha 3,5% dos votos do eleitorado brasileiro. Saímos da eleição com 6% dos votos”, conta França. É bem verdade que o ex-governador do Rio conseguiu encorpar seus votos com o apoio decisivo da igreja evangélica.
Manobra. Com uma candidatura praticamente solo, restrita a alianças com partidos nanicos, Garotinho também se valeu de uma brecha da legislação eleitoral na época e usou a seu bel prazer o tempo de televisão destinado aos candidatos do PSB nos Estados. “Fizemos uma jogada que hoje é proibida: lançamos candidatos ao governo em todos os Estados e o Garotinho aparecia ao lado deles nos programas”, lembra França. Sem poder contar com esse recurso na eleição deste ano, o tempo de exposição de um candidato presidencial isolado na TV seria sensivelmente menor.
Já os críticos da candidatura Ciro alegam que deputado não conta com apoio financeiro nem estrutura de grupos organizados à sua volta. “Tivemos essa experiência de crescimento da bancada do PSB em 2002. Foi uma experiência muito boa, uma oportunidade para firmar a identidade do partido”, observa o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. “Mas temos de ter uma candidatura para disputar e para isso não basta a decisão burocrática de lançar um candidato.”
Amaral foi um dos mais ferrenhos defensores da candidatura de Ciro à Presidência, mas mudou de lado diante da falta de estrutura e hoje é contra a entrada do PSB na corrida presidencial. Ele resume assim sua posição: “Time que não joga não tem torcida. Mas time que perde de goleada também fica sem torcida.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:36

Vice pede tempo e presidente cala

 ”Acho que ele tem todo direito de insistir em sua candidatura, mas o partido tem seu tempo. Ele não tem conversado muito conosco ultimamente, ele tem se isolado e isso é uma dificuldade”. Do vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, sobre o desafabo de Ciro Gomes em seu site.
Já o presidente do partido, Eduardo Campos, governador de Pernambuco, não fez qualquer comentário.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:36

Cobrança indireta a Lula

De Renata Lo Prete, no Painel, da ‘Folha’:
“Aliados que acompanham o impasse sobre a candidatura (ou não) de Ciro Gomes (PSB) à Presidência avaliam que, ao atacar duramente o partido em artigo publicado ontem em seu site, o verdadeiro destinatário do recado seria o presidente Lula. Ou seja, ao exigir do PSB uma definição sobre seu futuro, Ciro estaria cobrando de Lula o alegado compromisso de não inviabilizar sua permanência na disputa. Segundo leitores de sinais, não à toa ele se queixou da “briga provinciana dos políticos de São Paulo”, Estado para o qual transferiu seu domicílio eleitoral a pedido do presidente. “Ele só aceita ser derrotado pelo partido inteiro. Ou pelo Lula”, diz um aliado no Congresso.
No PSB, além da dificuldade em encontrar uma saída, há o temor de que Ciro não aceite a eventual orientação do presidente da sigla, Eduardo Campos (PE), para desistir e recorra ao Diretório Nacional do partido. Feito isso, o problema seria empurrado para a convenção de junho, o que atrapalharia ainda mais as alianças estaduais”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:36

Ciro cobra solução do PSB

Do deputado Ciro Gomes, em seu site:
“Jamais imaginei, apos trinta anos de vida Pública, viver uma situação política como a em que me encontro. A pouco mais de 60 dias do prazo final para as convenções partidárias que formalizam as candidaturas às eleições gerais de 2010, não consigo entender o que quer de mim o meu partido- o Partido Socialista Brasileiro.
A se dar crédito às pesquisas eleitorais, eu estaria falando por algo ao redor de 15 milhões de brasileiros, apesar de não dispor de nenhuma máquina como as portentosas estruturas do governo federal ou do governo de São Paulo ou de, notoriamente, não ser o mais querido da nossa grande mídia ou de nosso baronato. É muita coisa. É coisa mais que suficiente para irrigar em meu coração um profundo sentimento de gratidão e, mais que isso, um grave sentido de responsabilidade para com nossa Nação. Modesto, mas real e grave!
A se seguir pelo conselho pragmático que avilta a política brasileira, é óbvio que o partido só tem a ganhar apresentando uma candidatura. Os partidos que disputaram, cresceram. Os que não disputaram definharam. Merecidamente, diga-se de passagem.
A se por um olho minimamente sério sobre a realidade brasileira presente, mais óbvio e moralmente mais importante ainda é a tarefa de apresentar uma candidatura à presidência!
É fato notório o mal que faz ao Brasil esta polarização amesquinhada, porém mutuamente conveniente, entre o PT e o PSDB. É a imposição ao Brasil, por um preço cada vez mais impagável, da briga provinciana dos políticos de São Paulo. Lá eles são iguais, especialmente nos defeitos. Isto definitivamente não é verdade no Brasil!
Esta disputa pelo mero mando propiciado pelo poder, ou, pior, por seu aparelhamento patrimonialista e corrupto só garante uma coisa: o Brasil não muda na sua essência de mais desigual entre todos os países do mundo organizado! Claro que com Lula a coisa tem melhorado? Com os neoliberais acanhados do PSDB, a coisa vinha piorando?
A democracia brasileira, jovem e imperfeita como ainda é, agüenta que, ao invés de uma ampla opção arbitrada pelo povo, o jogo do poder seja decidido em gabinetes de Brasília onde a linguagem é um misto de pressões e trocas? Lembremo-nos de que, por regra, as burocracias partidárias se eternizam, o que quer dizer que basta a ação de pressão e/ou ofertas fisiológicas sobre uma mera meia dúzia de pessoas. Assim mesmo: sobre SEIS pessoas fechadas e isoladas em gabinetes de Brasília ou de São Paulo pode-se hoje definir as opções TODAS a serem ?escolhidas? pelo povo nas eleições. Isto não é, infelizmente uma hipótese. É o que está acontecendo no Brasil aqui e agora. Omitir-se sobre isto é criminoso!
O sistema eleitoral prevê dois turnos por respeitar a realidade do Pais. Uma federação cheia de maravilhosas contradições! Uma realidade de grande fragmentação partidária, parte por seqüelas de uma ordem política viciada, parte, entretanto, por expressão de muitas realidades que pedem muitos olhares sobre a vida dura de nossas maiorias. As alianças se impõem e são naturais no segundo turno.
A quem interessa tirar do povo as opções que no passado recente permitiram a um sindicalista chegar à presidência? A história acabou? Não há mais o que criticar ou discutir?  Oito de Lula, quatro de Dilma, mais oito de Lula é o melhor que podemos construir pro futuro de nosso Pais? A única alternativa é voltar a turma da privataria como diz o Elio Gaspari ? E estas transas tenebrosas de PT com PMDB é o melhor que nossa política pode oferecer como exemplo de prática aos nossos jovens?
O que é o PSB? Um ajuntamento como tantos outros, ou a expressão de um pensar audacioso e idealista sobre o Brasil? Vai se decidir isto agora.  
Eu cumprirei com disciplina e respeito democrático o que decidir meu Partido. Respeito suas lideranças. Mas, tenham meus companheiros clareza: eu não desisto! Considero meu dever com o Brasil, lutar até o fim. Se for derrotado, respeito. Mas amanhã algum brasileiro mais atento dirá que alguns não se omitiram quando se quis tirar o povo da jogada”.

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