• Quarta-feira, 29 Fevereiro 2012 / 8:17

PR pode lançar Tiririca em SP

     Do repórter Eduardo Bresciani, do ‘Estadão’:
     “Na tentativa de aumentar o valor de face do partido, o PR decidiu dar ao deputado federal Tiririca (PR-SP) o status de pré-candidato a prefeito de São Paulo. A manobra atende a vários objetivos da legenda, como a retomada de um lugar no primeiro escalão do governo Dilma Rousseff.
Até agora, praticamente todos os partidos com alguma representativa no Congresso já anunciaram a disposição de ter candidatos próprios a prefeito de São Paulo, como PP, PTB, PDT, PPS, PC do B e PMDB, além de petistas e tucanos.
O atual ministro do Transporte, Paulo Sérgio Passos, é filiado ao PR, mas não tem respaldo da cúpula do partido. Sondado durante o carnaval, Tiririca já avisou que aceita a missão e em conversa ontem com o Estado colocou a melhora do transporte público como uma prioridade dos paulistanos.
Além dos objetivos no curto prazo, dentro da legenda há quem defenda que uma candidatura de Tiririca teria o efeito de manter o PR alinhado com o PT no cenário nacional sem se afastar do PSDB no Estado. Dessa forma, o partido teria peso importante em um eventual segundo turno em São Paulo entre petistas e tucanos na capital.
Outra aposta é que, tendo o artista à frente do partido, seria possível ampliar a bancada de vereadores, atualmente com cinco representantes na Câmara.
Tiririca teve 1,3 milhão de votos, sendo o deputado federal mais votado do País em 2010. Sua campanha tinha o deboche como slogan: “Pior do que está não fica”. Com sua votação, ajudou a coligação de que fazia parte a eleger outros três parlamentares para a Câmara.
O responsável pela entrada do palhaço na política foi Valdemar da Costa Neto (PR-SP), um dos réus no processo do mensalão em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). A nova investida também tem a mesma origem. Foi Valdemar quem ligou para o colega durante o Carnaval para propor a candidatura.
“Eu estava no interior do Rio no Carnaval, e ele (Valdemar) me ligou dizendo que tinham muitos pedidos de eleitores para que eu fosse candidato a prefeito”, contou o deputado. “Não era uma coisa que eu pensava. Foi o partido que me procurou, mas, se o povo quiser, eu vou”.
Tiririca mora em São Paulo desde 2006 e diz ser o principal problema da cidade o “trânsito maluco”.
Na Câmara a atuação do parlamentar é discreta, apesar de ele estar sempre presente em plenário e na comissão de Educação e Cultura.
Até hoje nunca subiu à tribuna do plenário para fazer qualquer pronunciamento. Comedido nas conversas com a imprensa ressalta não estar na política para fazer “palhaçada”.
Vislumbrando um possível debate na televisão com o ex-governador José Serra (PSDB) e o ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) o artista não se acanha. “Eles são muito inteligentes, mas eu vou falar da minha maneira. Eu sei das dificuldades do povo mais do que ninguém.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:47

O futuro de Garotinho

O PT e Dilma Rousseff estão enganados com Anthony Garotinho.
Ele não tem porque fazer a campanha da candidata do PT se ela o  repele.
Quando os dois apareceram, juntos, na convenção do PR, em Brasília, os jornais cariocas a atacaram.
Mas ela acredita que a mídia lhe dará melhor tratamento caso fique exclusivamente com Sergio Cabral?
Só se a candidata for muito infantil.
Não existe a possibilidade do ex-governador ficar isolado.
Senão vejamos.
Será que sua candidatura não interessa ao ex-prefeito Cesar Maia, rejeitado pelo deputado Fernando Gabeira?  Afinal o candidato do PR só tem, até agora, um único candidato ao Senado, o Pastor Manoel Ferreira. A segunda vaga continua em aberto, assim como a candidatura a vice-governador.
É óbvio que Cesar Maia só se aliaria a Garotinho, se esse apoiasse José Serra. E porque não ele não o apoiaria? Na última eleição Garotinho pediu votos para Geraldo Alckmin, do mesmo PSDB.
Nesse caso, como se posicionarão os jornais cariocas? Qual deles condenará José Serra? Eles ficarão contra a candidatura do ex-governador de São Paulo? 
            * * *
Em política não existe o impossível, mas é cada dia mais improvável o apoio de Garotinho a Dilma.
Ele já sinalizou isso no encontro do PR, e ela fez o mesmo ontem no Rio.
O noivado pode acabar em rompimento, embora tanto para ela, quanto para o PT,  o interessante é que os dois continuassem noivos até outubro. Mas sem casamento.
Seria uma espécie do que antes era chamado de amizade colorida.
O candidato do PR é evangélico, e tem a família como uma de suas bandeiras. Por isso não quer ‘ficar’. Ele prefere compromisso sério.
            * * *
Garotinho tem hoje dois caminhos.
1 – Aderir a Serra, desde que Serra também o apoie. O namoro não é de todo estapafúrdio. A prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, esteve, no ano passado, pelo menos duas vezes com Serra, no Palácio dos Bandeirantes, sempre a convite do então governador de São Paulo. E certamente Serra não o chamou para uma conversa sobre o pré-sal. O fato é que o candidato do PSDB não tem palanque, no Rio,  para o primeiro turno. Na melhor das hipóteses, seu candidato preferencial, Fernando Gabeira, ficará com Marina Silva e , no segundo turno, trabalhará para Serra. E se não houver segundo turno para Presidente? Para que servirá o palanque de Gabeira? E mais: e se Gabeira não for para o segundo turno? Qual será sua contribuição?
2 – Garotinho pode assumir o discurso de que a prioridade é derrotar Sergio Cabral e companhia, já que o Rio  precisa de diversos choques: de moralidade, de administração e de carinho com o Estado. Tipo “prefiro o Rio à Paris”. No discurso, Garotinho diria que o país está resolvido, e em boas mãos, seja quem for o eleito: Dilma, Serra ou Marina, assim como também estaria bem nas mãos de Ciro Gomes, caso ele fosse candidato. Como são pessoas honradas – e Garotinho se dá bem com todos -  ele não precisaria canalizar esforços nessa disputa. Por isso cuidaria apenas do combate a Sergio Cabral, independentemente de quem o eleitor votar para Presidente. E se transformaria no único anti-Cabral, já que Gabeira tem que atender também a outros interesses.
Até o início da próxima semana, o quadro deverá ficar mais claro.
O DEM deu um prazo a Fernando Gabeira para que ele se defina até o dia 30 desse mês.
Até lá, continuarão, aparentemente, empurrando os impasses com a barriga.
Mas todos continuarão conversando.
Quem tiver o que conversar. E a oferecer.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:39

Três momentos de Gabeira

De Renata Lo Prete, no Painel, da ‘Folha’:
“- Não saio.
De Fernando Gabeira (PV), negando a hipótese de abdicar da candidatura no Rio em virtude das dificuldades de acomodação em sua aliança:
- Quem gostaria que eu desistisse é o governador, que aí poderia sair em viagem e nem fazer campanha”.
                            * * *
De Ilimar Franco, no Panorama Político, de ‘O Globo’:
“O cerco está se fechando em torno do candidato do PV ao governo do Rio. A cúpula nacional do PSDB recebeu um ultimato do DEM: para apoiar Gabeira para governador, ele tem que aceitar a candidatura de Cesar Maia ao Senado. Os tucanos estão convencidos de que não podem abrir mão de um candidato majoritário que pedirá votos para José Serra em favor de um candidato que fará campanha para Marina Silva”.
                           * * *
De Luiz Carlos Azedo, no ‘Correio Braziliense’:
“Desde a eleição de 1989, quando o ex-governador Leonel Brizola apoiou a candidatura de Lula contra Collor de Mello, o Rio de Janeiro tem simpatia pelo ?sapo barbudo?. Não foi à toa que o governador Sérgio Cabral (PMDB) engoliu cobras e lagartos para manter sua aliança com o PT. A ponto de andar de braços dados com o ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Faria, seu ex-desafeto, e se agastar com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), velho aliado de Cabral que vive às turras com o petista e também é candidato ao Senado.
Já a oposição precisa desenterrar uma caveira de burro. Não consegue erguer o seu palanque no Rio de Janeiro. O candidato do PV, Fernando Gabeira, que fez bonito na disputa pela Prefeitura carioca, dá sinais evidentes de que está com um pé fora da disputa. Criou caso com César Maia (DEM), por causa do índice de rejeição do ex-prefeito, mas isso pode ser apenas um pretexto para não correr o risco de ficar sem mandato. Gabeira sabe que é complicado para o PSDB e o PPS excluírem Maia da coalizão.
Refém de Gabeira, os caciques da oposição estudam alternativas caso fiquem sem o candidato a governador. Mas não conseguem encontrar alguém para enfrentar o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o ex-governador Anthony Garotinho(PR). A ex-juíza Denise Frossard (PPS), amiga dos Maia, não quer nem ouvir falar do assunto”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:29

Garotinho vai a culto e condena aborto

Do repórter Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
“O que deveria ser só um culto religioso, com cerca de cinco mil evangélicos, na Assembleia de Deus de Madureira, transformou-se ontem em palanque eleitoral liderado pelo ex-governador Anthony Garotinho, pré-candidato do PR ao governo. Ao lado da mulher, a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, e do pastor Manoel Ferreira, que disputará o Senado pelo PR, Garotinho, em seu discurso, pregou: ?Vai ser eleito governador de tudo que é tipo e senador de tudo que é estado do Brasil. Mas só vai ser eleito um governador crente, um senador crente?.
O evento marcou o lançamento do ?Manual Feminino da Cidadania?, que reproduz trechos polêmicos do Programa Nacional de Direitos Humanos do governo Lula ? como o apoio ao projeto de lei que defende a união civil de pessoas do mesmo sexo, criticado por Garotinho.
O manual distribuído ao fiéis destaca as ?22 razões para não fazer aborto?, ao lado de imagens de fetos mortos. São listadas ainda as ?22 razões para orar por Garotinho?. Na contracapa, ele aparece com Rosinha e os filhos, com o título: ?Quem tem família, defende família?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:27

PR-BA troca Wagner por Geddel

De Renata Lo Prete, no ‘Painel’:
‘Jacques Wagner (PT) chegou a afirmar em entrevista que estava “fechado” o apoio do PR à sua reeleição na Bahia. No mesmo dia, o partido anunciou que disputará o Senado, com César Borges, na chapa que terá Geddel Vieira Lima (PMDB) como candidato a governador.
Ao PR interessava aliança na chapa proporcional, mas o PT não queria. Borges também achava que os petistas pretendiam atrapalhar sua reeleição ao Senado colocando outro nome de peso na chapa. “Não venham com Waldir Pires pra cima de mim”, avisou a Wagner.
Já robustecido pelo tempo de TV do PR, Geddel está perto de arrastar também o PPS, para ira do PSDB, que na Bahia apoiará o candidato do DEM, Paulo Souto”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:17

Dilma na festa de Garotinho

Do repórter Cássio Bruno, de ‘O Globo’:
“A pré-candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, é esperada, no próximo dia 10, no I Congresso Estadual do PR, em um centro de convenções, no Rio. O evento marcará o lançamento da pré-candidatura ao governo do estado do ex-governador Anthony Garotinho. O encontro vai ocorrer no mesmo dia em que Dilma receberá uma homenagem do PT fluminense, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e do lançamento oficial da pré-candidatura pelo PSDB de seu adversário, José Serra. A expectativa do PR é que 15 mil pessoas compareçam.
A aproximação de Dilma e Garotinho desagrada ao governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que tinha a expectativa de ser o único candidato ao governo do Rio apoiado por Dilma e o presidente Lula.
? O partido faz parte da base do governo Lula. Como haverá um ato do PT no Rio no dia do congresso, ela (Dilma) manifestou o interesse de estar presente. E será muito bem-vinda ? disse o secretáriogeral do PR no Rio, Adroaldo Peixoto.
Garotinho estará acompanhado também do pastor Manuel Ferreira, pré-candidato ao Senado e presidente nacional das Assembleias de Deus, que reúne cerca de 60 mil templos em todo o país e possui seis milhões de fiéis ? Apresentaremos no Congresso a nominata provisória dos pré-candidatos a deputado estadual e federal nas eleições e o nosso pré-programa de governo para o Rio ? revelou Adroaldo Peixoto, coordenador da pré-campanha de Garotinho.
Petista vai hoje à posse do novo presidente do PR Hoje, Dilma participa, em Brasília, da posse do novo presidente nacional do PR, Alfredo Nascimento, ex-ministro dos Transportes.
Ele é pré-candidato ao governo do Amazonas. Na cerimônia, o PR também oficializará apoio à candidatura petista.
Essa aproximação de Dilma Rousseff e Garotinho provocou grande desconforto em Sérgio Cabral. Ex-aliado, Cabral atualmente é inimigo político de Garotinho.
Em janeiro, por exemplo, Dilma teve um encontro secreto com o ex-governador, num apartamento em Copacabana, irritando o peemedebista e estremecendo a aliança com o PT.
Segundo um dos que participaram do encontro, Garotinho cobrou sinais de que ele e o governo ?fazem parte do mesmo time?, já que as atenções do Planalto estão voltadas para Cabral. Com o aval dos petistas, incluindo Lula, Dilma subirá nos dois palanques em sua campanha no estado”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:20

Cabral anuncia novidades, sem nada de novo

 A excelente repórter Luciana Nunes Leal, do ‘Estadão’, comprou hoje gato por lebre.
Em reportagem intitulada “Cabral amplia aliança para isolar Garotinho”, diz Luciana:
“Na tentativa de isolar o ex-aliado Anthony Garotinho, que pretende disputar o governo do Rio pelo PR, o governador Sérgio Cabral (PMDB) negocia a formação de uma chapa muito mais ampla que a de 2006, quando foi eleito para o primeiro mandato. Adversários do peemedebista no primeiro turno da eleição passada, PT, PSB e PC do B estarão na aliança pela reeleição de Cabral. O governador tenta atrair ainda o PDT e deverá manter a parceria anterior com PP e PTB.
Cabral também tem a seu lado outro ex-adversário, o prefeito Eduardo Paes, que disputou o governo em 2006 pelo PSDB, mas migrou para o PMDB no ano seguinte. Paes é hoje um dos mais próximos aliados do governador e terá papel importante na campanha da capital.
No plano nacional, a ação do governador é para se firmar como o principal aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff. No carnaval, Cabral expôs sua contrariedade com o fato de Dilma ter se aproximado de Garotinho, que também apoia a ministra, e chamou a atenção para os riscos do palanque duplo no Rio.
A intenção de Cabral é reproduzir no Estado a disputa nacional entre o PT de Dilma e o PSDB do governador José Serra. Os aliados do tucano insistem em que o principal adversário será o deputado Fernando Gabeira (PV), que disputará o governo em coligação com o PSDB, o DEM e o PPS.
“Vamos montar um palanque muito mais forte nesta eleição. Haverá no Rio a mesma polarização nacional. Em eleições presidenciais, as disputas estaduais ficam em segundo plano. Cabral está conseguindo trazer praticamente todos os partidos que estão com Lula e Dilma”, diz o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).
As duas vagas de candidatos ao Senado estão reservadas para o PMDB, com o presidente a Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, e para o PT, que vai decidir entre a ex-governadora Benedita da Silva e o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias.
No PMDB do Rio, ainda há expectativa da desistência de Garotinho, hipótese rebatida pelo ex-governador e pré-candidato do PR. “Isso é desespero do Cabral. O problema para ele é que o interior e a Baixada Fluminense estão comigo e a capital está com Gabeira. O que sobra para o Cabral? Eu não troco votos com o Gabeira e sim com o Cabral”, diz Garotinho.
O PMDB ofereceu uma suplência de Senado para o PDT, mas os pedetistas ainda estão divididos sobre o futuro no Rio. Entre os partidos da base de Lula que enfrentaram Cabral em 2006, apenas o PRB não está em negociação com o PMDB”.
Na verdade nada mudou.
Como bem disse a repórter, os partidos que hoje estão com o governador, foram seus adversários no primeiro turno, mas quando Cabral aderiu, no segundo turno, à candidatura Lula, todos eles foram para o PMDB, que assim mesmo teve menos votos que o Presidente no Rio de Janeiro.Aliás, Lula teve mais votos que Cabral no primeiro e no segundo turno. E todos esses partidos comandam secretarias em seu governo,
Novidade mesmo, se houver, seria a adesão do PDT, que hoje faz oposição a Cabral na Assembléia, e está alijado governo.
Todo o restante é um blá-blá-blá do incansável Pezão, o vice que decide, e que começou sua carreira política no PDT de Brizola, quando se elegeu vereador e, depois, prefeito de Piraí.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:06

Cabral faz ameaça a Dilma

 ’O Globo’ de hoje, publica hoje, em sua Passarela Impressa, um enredo assinado por Chico Otavio, Flávio Tabak e Maiá Menezes, intitulado “Um bloco para atrair Garotinho”.
Vejam as alas e ouçam o samba. Depois cuidaremos dos destaques:
“Encorajado pela apresentação da Unidos da Tijuca, que acabava de passar empolgando o público com o enredo “É segredo”, um aliado próximo do governador Sérgio Cabral (PMDB) revelou que já começaram as negociações para convencer o ex-governador Anthony Garotinho (PR), até aqui o mais ferrenho opositor de Cabral, a sair do páreo em troca de alguma vantagem política.
A notícia circulou na porta do camarote do governador, na Passarela do Samba, logo depois da saída da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que passou quase quatro horas no Sambódromo, tempo suficiente para assistir, entre rápidos aplausos e braços cruzados, à passagem de três escolas de samba. Dilma desembarcara na cidade por volta das 20h, mas, antes de seguir para o camarote, teve uma reunião política com Cabral e seu staff no Palácio Laranjeiras. Garotinho, por outro lado, nega as negociações.  O encontro serviu para um acerto de ponteiros depois do mal-estar provocado pelo encontro de Dilma com Garotinho, ocorrido no fim do mês passado, no Rio. Além de explicar as razões da aproximação, a ministra aproveitou a oportunidade, em pleno carnaval, para acertar com Cabral uma agenda de campanha no estado. Segundo testemunhas, o encontro teria sido “extremamente cordial”.
- Não acredito que as convenções partidárias vão confirmar as candidaturas previamente colocadas. Até lá, muita água vai passar por debaixo da ponte. Há muito balão de ensaio – disse um dos articuladores de Cabral.
Um dos trunfos do grupo de Cabral, no esforço de convencer Garotinho a abandonar o páreo, é o pouco tempo de TV que o ex-governador terá (cerca de dois minutos) numa disputa cada vez mais voltada para a mídia eletrônica. Cabral venceu as eleições passadas tendo em seu palanque o casal Garotinho, na época no PMDB.
Outra novidade esperada é a concretização de uma aliança inédita, no Rio, entre peemedebistas e petistas. Para isso, Cabral contaria com o aval do presidente Lula. Mas o governador sabe que, mesmo após a derrota de Lindberg Farias no PT fluminense, o que afastou o prefeito de Nova Iguaçu da disputa sucessória, ainda terá de acomodar os aliados, já que pelo menos três deles (Marcelo Crivella, do PRB, com apoio de Lula; Jorge Picciani, PMDB; e Benedita da Silva, do PT), cobram apoio de Cabral na disputa das duas vagas ao Senado Federal.
Depois de encerrar, à 1h40m de ontem, sua participação no carnaval 2010, a ministra só voltará ao trabalho amanhã. No Sambódromo, procurou evitar temas políticos. Nem mesmo a provocação, em tom de brincadeira, de Cabral, que tomou o microfone de uma repórter de TV para “entrevistar” Dilma, a convenceu a politizar sua passagem pelo carnaval carioca.
- Ministra, como a senhora se sente ao receber aplausos na Passarela do Samba? – perguntou um sorridente governador.
- Olha, Sérgio, nesse momento eu não prestei atenção. Eu não vi – respondeu.
A ministra estava certa. Não houve aplausos para ela.
Eleito com o aval de Garotinho, de quem hoje é adversário ferrenho, Cabral vinha correndo isoladamente na campanha para a reeleição, até ser surpreendido pela entrada no páreo do deputado federal Fernando Gabeira, que será candidato pelo PV, numa aliança com o PSDB.
Cabral conta com a ajuda do presidente Lula para pressionar o PR a desistir de lançar candidato. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, será o novo presidente do partido. Cabral havia pedido uma conversa com o presidente Lula sobre o quadro eleitoral no Rio e trataria do tema durante o carnaval, mas ele desistiu de acompanhar os desfiles.
De acordo com aliados do governador, a maior preocupação de Cabral é com a entrada de Gabeira no cenário: há um temor de que, em um segundo turno, haja uma nacionalização a campanha.
- O presidente ligou para o governador, e a conversa foi marcada para depois do carnaval – disse o vice-governador Luiz Fernando Pezão, acrescentando que Cabral está convencido de que Dilma ficará em apenas um palanque no Rio.
Garotinho faz questão de dizer que ainda não sabe se concorrerá ao governo do estado. Por trás da indecisão está a sua filiação ao PR, em 2009, partido da base do governo Lula. Em troca de seu apoio e dos mais de 20% das intenções de voto que apresenta nas pesquisas, Garotinho quer estar ao lado de Dilma ou, no mínimo afastá-la de Cabral. Garotinho nega que o Planalto está tentando barrá-lo da sucessão.
- Ninguém pode retirar o que não está colocado. A ministra Dilma foi muito clara comigo no encontro que tivemos. Ela disse: “Estou aqui conversando com você, e o presidente Lula sabe que eu não faria nada sem que ele soubesse” – afirma o ex-governador. – Caso se confirmem, hipoteticamente, a minha candidatura, a do Cabral e a do Gabeira, acho pouco provável que ele (Cabral) vá ao segundo turno. A tendência que os setores populares fiquem comigo, e os mais conservadores, com o Gabeira. Aí fica difícil um espaço para ele.
Enquanto Cabral e Garotinho ainda costuram alianças e negociam vagas em suas futuras chapas, o deputado federal Fernando Gabeira (PV) já começa a esboçar o formato de sua campanha ao governo. A coligação PV/PSDB/DEM/PPS foi formalizada no dia 8 de fevereiro. Durante os dias que restam de folia, Gabeira quer ir ao Maracanã para torcer pelo Flamengo na Taça Guanabara, e escrever idéias que serão apresentadas aos eleitores.
- Trarei algumas metas que serão apresentadas na coligação, como utilizar os recursos do petróleo para nos libertarmos dele. Também escreverei sobre como avançar na segurança, que hoje está mais concentrada na Zona Sul (da capital) – diz o deputado”.

                                   * * *
Agora vamos aos destaques do enredo, e os comentários onde o samba atravessa:
1 – Diz o enredo:  “Um aliado próximo do governador Sérgio Cabral (PMDB) revelou que já começaram as negociações para convencer o ex-governador Anthony Garotinho (PR), até aqui o mais ferrenho opositor de Cabral, a sair do páreo em troca de alguma vantagem política”. Que os repórteres utilizem uma declaração em ‘off’, nada contra. É pena que a direção nacional do PR já divulgou uma nota, antes do Carnaval, informando que a candidatura de Garotinho é inegociável. E Cabral sabe disso. O triste é que a fonte declara que  Cabral estaria disposto a pagar, pela desistência do seu  “mais ferrenho opositor?, que  ganharia  “em troca alguma vantagem política”. Só mesmo rindo. Ou chorando.  Então o governador acha possível comprar uma candidatura com dinheiro ou com cargos?  É muita cara de pau, para se dizer o mínimo. A última ação de Cabral contra Garotinho, foi a de expulsar a filha Clarissa Garotinho, da presidência  da Juventude do PMDB,  e entronizar o filho do governador.
2 – Diz a fonte de ‘O Globo’: “Não acredito que as convenções partidárias vão confirmar as candidaturas previamente colocadas. Até lá, muita água vai passar por debaixo da ponte. Há muito balão de ensaio”. A declaração é de tal descaramento, que a fonte deve ter sido, não um assessor, mas sim o próprio governador. Ninguém é tão ousado quanto ele.
3. Mais uma da fonte: “Um dos trunfos do grupo de Cabral, no esforço de convencer Garotinho a abandonar o páreo, é o pouco tempo de TV que o ex-governador terá (cerca de dois minutos) numa disputa cada vez mais voltada para a mídia eletrônica”. Em princípio, isso  é verdade, mas por isso mesmo Cabral não deveria temer o adversário, já que terá mais de oito vezes o tempo de Garotinho na TV. Só que o ex-governador, ao que tudo indica, não ficará apenas com esses  dois minutos. Ele pode chegar a cinco, ou até mesmo um pouco mais, se tiver o apoio do PDT. O ministro Carlos Lupi já esteve com ele, e foi ao seu encontro a pedido da ministra Dilma Rousseff. Aliás, a candidata do PT à Presidência não tem porque dispensar, pelo menos 20% dos votos do Rio que Garotinho detém hoje.
4. O enredo: “Outra novidade esperada é a concretização de uma aliança inédita, no Rio, entre peemedebistas e petistas”.  Essa aliança já houve no segundo turno da última eleição. No primeiro turno, Sergio Cabral deve ter sido o único candidato a governador do país que tenha ficado  em cima do muro. Ele imaginava que Geraldo Alckmin pudesse vencer a eleição. Hoje sabe-se que Lula usa Cabral, já que nos dois outros grandes Estados do país – São Paulo e Minas – os governadores são do PSDB. Mas o Presidente sabe que Cabral não é pessoa confiável.  Por isso trabalha sempre com um pé atrás.
5. E continua o samba: “Mas o governador sabe que, mesmo após a derrota de Lindberg Farias no PT fluminense, o que afastou o prefeito de Nova Iguaçu da disputa sucessória, ainda terá de acomodar os aliados, já que pelo menos três deles (Marcelo Crivella, do PRB, com apoio de Lula; Jorge Picciani, PMDB; e Benedita da Silva, do PT), cobram apoio de Cabral na disputa das duas vagas ao Senado Federal”. Cobram nada. Eles cobram o apoio é de Lula. O apoio de Cabral não serve para absolutamente nada, a não ser arranjar dinheiro para pagar suas campanhas. Lula vai apoiar Crivella e o/a candidato/a do PT.  Jorge Picciani seria a única exigência de Cabral. Vamos ver a quem o governador  trairá. Será que ele vai trair o candidato preferencial  de Lula? Ou vai trair o PT que o apóia? Ou trairá o seu próprio candidato? Falta pouco tempo para cair a máscara carnavalesca do governador.
6. O jornal: “Depois de encerrar, à 1h40m de ontem, sua participação no carnaval 2010, a ministra só voltará ao trabalho amanhã”. ?Só amanhã?? Queriam que ela  voltasse quando? Hoje, na Terça-Feira Gorda? E o governador? Será que ele volta amanhã? Ele nunca voltou nem na quarta, nem na quinta, nem na sexta. Com sorte na próxima segunda. A não ser que, nesse meio tempo,  Lula o chame para ir a Brasília. Aliás, Lula está estressando Sergio Cabral, pois não conversa com ele. Amanhã, quarta-feira de Cinzas, o Presidente receberá até o governador em exercício de Brasília, Paulo Octavio. E Cabral ainda não tem nada marcado. Mas verdade seja dita: se Lula marcar audiência para Cabral amanhã, ou mesmo nessa semana, o  estresse será ainda maior: já pensou ter de trabalhar em plena quarta-feira de Cinzas?
7. O enredo mostra o puxa-saquismo  desnecessário de Cabral com Dilma Rousseff ? que nos bastidores é ridicularizada por ele, por não ser carismática. Fingindo-se de repórter de TV, disse Cabral:
“- Ministra, como a senhora se sente ao receber aplausos na Passarela do Samba? – perguntou um sorridente governador.
- Olha, Sérgio, nesse momento eu não prestei atenção. Eu não vi – respondeu.
A ministra estava certa. Não houve aplausos para ela”. Sem comentários.
8. O enredo de novo: “De acordo com aliados do governador, a maior preocupação de Cabral é com a entrada de Gabeira no cenário: há um temor de que, em um segundo turno, haja uma nacionalização a campanha”. É claro que haverá. Mas Lula não tem quase 80% de popularidade? Por que o temor de Cabral? Se Lula tem a capacidade de transferir votos para Dilma, por que não teria a mesma capacidade para transferi-los para Cabral? O governador não deveria ter medo de nada. Só que a verdadeira preocupação de Cabral é outra:  ele teme, e com razão, é não ir para o segundo turno.
9. Diz ‘O Globo’:  “- O presidente ligou para o governador, e a conversa foi marcada para depois do carnaval – disse o vice-governador Luiz Fernando Pezão, acrescentando que Cabral está convencido de que Dilma ficará em apenas um palanque no Rio”. Esse seria o óbvio, mas com alguns reparos. O Presidente não ligou para Cabral. Cabral foi quem cobrou a vinda do Presidente, e esse deu, como desculpa,  uma hipotética  hipertensão da Primeira-Dama, Dona Mariza. Que uma conversa foi marcada para depois do Carnaval, não existe dúvidas, até porque não poderia ser antes. Cabral queria que fôsse na semana passada, mas Lula disse que estava ocupado. E o encontro ainda não tem data marcada. Se tivesse dia e hora acertado eles informariam. E mais: Cabral não está convencido que Dilma ficará em apenas um palanque no Rio. Isso é o seu desejo, e não o seu convencimento. Por isso ele quer conversar com Lula. Mas se Dilma vai, na Bahia, ao palanque de Jacques Wagner e de Geddel Vieira Lima – seus amigos – por que no Rio seria diferente? Apenas para atender ao capricho do governador? Dilma não é mulher de atender a caprichos de quem quer que seja.
Agora a nota 10 do enredo.
Todo esse texto acima saiu publicado na primeira edição do ‘Globo’. Na segunda edição, o jornal publica algo inacreditável, e aí não tem fonte. É o próprio Cabral que se mostra como puxador do samba, quando canta sua chantagem descarada.  Depois de se referir ao encontro de Dilma com Garotinho,  diz o enredo:  “Cabral disse que há uma equação eleitoral que “não fecha”, e deu a entender que Dilma poderá perder seu apoio”.
Em seguida, a chantagem do puxador:
- Acho o seguinte: quando há dois palanques, pode ser um problema. Aqui, a equação não fecha. Como é que ela (Dilma) vai no mesmo dia para um palanque da situação e, depois, para um da oposição? Vai acabar perdendo o voto até da minha mulher.
Outra vez para firmar, vamos repetir o refrão:
 - Acho o seguinte: quando há dois palanques, pode ser um problema. Aqui, a equação não fecha. Como é que ela (Dilma) vai no mesmo dia para um palanque da situação e, depois, para um da oposição? Vai acabar perdendo o voto até da minha mulher.
Como Lula e Dilma não são bobos, eles não irão reclamar.
Mas o fato de não reclamarem, não quer dizer que eles não tenham ouvido a chantagem.
E, nesse caso, fica mais do que provado que o governador não é mesmo confiável.
Ele é capaz de tudo.
Quem viver verá…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:04

Arruda a um passo da cadeia

Êta semaninha boa.
Hoje ainda é quinta-feira e todos os dias tivemos boas notícias.
1. O General Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, candidato a uma vaga de ministro do STM,  que havia criticado os gays, enviou uma carta, para a Mesa do Senado, se retratando e pedindo desculpas ao homossexuais.
2. Já o General Maynar Marques de Santa Rosa, diretor-geral de Pessoal do Exército, vestiu o pijama, depois de ter divulgado na internet um texto que chamava de fanáticos os integrantes da Comissão da Verdade.
3. No Rio, o deputado Fernando Gabeira conseguiu finalmente fechar a aliança PV-PSDB-DEM-PPS. isso foi na terça-feira na casa de Marcello Alencar. O presidente de honra do PDT, Carlos Lupi, decidiu apoiar a candidatura de Garotinho ao governo do Rio. Com isso, o candidato do PR ganha mais uns minutos de propaganda na TV. Lupi disse que procurou Garotinho, atendendo a um pedido da ministra Dilma Rousseff. Pena que os leitores de jornais cariocas não saibam, até hoje, nada de Gabeira, nem de Garotinho. No Rio, a imprensa só cuida de Sergio Blindado Cabral.
4. O Presidente Lula ainda não decidiu se vem assistir ao desfile das Escolas de Samba. Se não vier, não precisará dividir, com Cabral, as vaias que estão sendo anunciadas para o Sambódromo. Se Madonna estiver ao lado de Sergio Odorico Cabral, ficará obvio que o público não estará vaiando a cantora.
5. O novo presidente da OAB, Ophir Cavalcante, pediu a prisão preventiva do governador de Brasília, José Roberto Arruda. E o melhor: o ministro do STJ, Fernando Magalhães, relator do inquérito que corre contra o Governador, já decretou a prisão preventina de Arruda. Mas seu relatório precisa ser aprovado pela Corte do STJ que está reunida, nesse momento, examinando a medida.
É bom demais pra ser verdade. A torcida é enorme.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:00

Cabral é a fonte de bestialógico

Os argumentos utilizados pelo ?O Globo? para mostrar que Garotinho poderia ser afastado da disputa eleitoral do Rio, a pedido de Sergio Cabral, foram ridículos e infantis.
Ridículo, pois é impensável que Garotinho troque uma candidatura ao governo do Rio,  pela de deputado federal pelo PR, onde seria um puxador de votos. Garotinho já lidera a maioria da bancada do PMDB fluminense, e não iria disputar votos contra seus liderados.
E infantil, pois o PR sabe muito bem que a melhor contribuição que Garotinho pode dar, para a formação de uma bancada federal, é se candidatando ao governo do Rio.
Como os autores da reportagem são profissionais competentes, eles certamente não são os responsáveis por tamanho disparate.
O bestialógico do ?Globo? é obra, com certeza, dos editores da matéria, e teve como fonte o governador  Sergio Blindado Cabral.

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