• Terça-feira, 06 Março 2012 / 13:45

Testemunhas do Araguaia sofrem ameaça

     Dos repórteres João Carlos Magalhães e Lucas Ferraz, da ‘Folha’:
    “Testemunhas da guerrilha do Araguaia (1972-1975) e ouvidores do grupo governamental que busca corpos do conflito vêm sendo ameaçados de morte, segundo relatou a juíza Solange Salgado, responsável pelo caso. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar as ameaças.
“Essa questão do Araguaia está ficando muito preocupante, as ameaças são recorrentes, há indícios concretos”, disse a juíza à Folha.
Ela é responsável pela sentença que condenou a União em 2003 a buscar as ossadas dos militantes assassinados na região da Amazônia, o que vem sendo feito pelo grupo composto por familiares de guerrilheiros, membros do governo e do Exército.
Em 2010, a Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos condenou o Brasil a identificar e punir os responsáveis pelas mortes.
Organizado pelo PC do B, o conflito foi o maior foco da luta armada contra a ditadura. Cerca de 70 dos guerrilheiros foram mortos. Só dois corpos foram identificados até hoje.
Em decisão de dezembro, a juíza disse que “as pessoas que viveram naquele momento triste da história nacional e que hoje tentam colaborar com a Justiça estão sendo ameaçadas de morte”.
Pelo menos quatro relataram ameaças. Dois são ouvidores do grupo de trabalho, Paulo Fonteles e Sezostrys Alves, que trabalham em campo buscando testemunhos.
Um camponês que contribuiu com as buscas e um ex-motorista de Sebastião Rodrigues de Moura, o major Curió, um dos líderes militares da repressão à guerrilha, também sofreram ameaças.
Um dos suspeitos de promovê-las é o próprio Curió. À Folha ele disse: “Nunca ouvi falar nisso”.

  • Sábado, 17 Julho 2010 / 11:21

TAM: 3 anos de impunidade

 

 

   Não existe nada mais independente, no país, do que o Ministério Público e a Polícia Federal.
Por que então, depois de três anos da tragédia com o avião da TAM, no Aeroporto de Congonhas, não existe nem ao menos um processo em curso?
Será que Nelson Jobim, ex-ministro da Justiça, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, e atual ministro da Defesa agiu como bombeiro nesse caso?

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:43

Gilmar e a derrota da jabuticaba

O ministro Gilmar Mendes deixa amanhã a presidencia do Supremo Tribunal Federal. Ele concedeu à reporter Samanta Sallum, do ‘Correio Brasiliense’, a seguinte entrevista:
“- O que foi possível concretizar nesses dois anos na presidência do STF e do CNJ?
- Foram dois anos de intenso trabalho, com a aplicação de medidas importantes de modernização do andamento dos processos. Aprovamos diversas súmulas vinculantes, demos prioridade aos processos de repercussão, abrindo caminho para a conclusão de centenas de milhares de casos que estão na escada judiciária. E, assim, reduzimos o número de distribuição de processos vindos de outros tribunais para o STF. Pela primeira vez em 10 anos, temos um estoque abaixo dos 100 mil. A média anual de distribuição era de 10 mil processos por ministro. Hoje, está entre 3 e 4 mil, graças ao mecanismo de racionalização que adotamos. Assim, o tribunal está se aproximando de uma Corte Constitucional.
- O senhor já declarou que em certos momentos os confrontos se fazem necessários. Quais foram esses momentos na sua gestão?
- O episódio do habeas corpus de Daniel Dantas foi um momento difícil que superamos galhardamente. Ali, houve uma segunda ordem de prisão e uma segunda ordem de soltura do STF. Vimos uma opção clara feita por parte da magistratura, Ministério Público Federal e Polícia Federal de confronto com o Supremo. Não fui eu que escolhi o enfrentamento, mas era preciso reagir. Quem tentou inventar um estado de direito de jabuticabas se deu mal.
- Bem, jabuticaba é fruta que só dá no Brasil… O que o senhor chama de Estado jabuticaba?
- Um estado em que a polícia e alguns agrupamentos do MP e juízes querem mandar no cenário institucional, determinar os que outros devem fazer. Esse modelo foi vencido de forma clara nesse episódio. Ganhou a democracia, o estado de direito.
- Um dos desdobramentos da polêmica da Operação Satiagraha foi a sua denúncia de que estaria sendo alvo de grampos telefônicos. Os grampos nunca apareceram. O senhor ainda está convencido de que aquilo existiu?
- Não tenho dúvida de que havia um quadro de bagunça institucional, uma mistura de polícia, MP e juiz, num consórcio promíscuo. A gente não sabe tudo dessa história. Se não tivéssemos êxito em enfrentar isso, teríamos outras operações semelhantes. Tudo que já se revelou neste caso mostra o grau de desordem: delegado de polícia despachando com diretor da Abin, destacando funcionários de um órgão em operação de outro. Delegado sem registrar parte de investigação nos autos, guardando documento em casa. Falta de ordem completa. Era uma prática comum desse modelo de ação policial tentar chantagear os próprios magistrados. Já tínhamos antecedentes. Não me supreenderiam as tentativas de escutas telefônicas direcionadas a nós.
- Ao fazer essas declarações, o senhor provoca reação indignada nas categorias que representam as instituições citadas de participar desse consórcio promíscuo. Como lida com esses manifestos?
- Vejo-os de forma natural. Eles dizem que não houve combinação. Vejamos os fatos. A primeira ordem de soltura saiu do Supremo por volta das 23h, 23h30 de 10 de julho. Às 9h do dia seguinte ele foi libertado e intimado a comparecer à audiência às 14h e, nesse horário, ele já estava preso novamente, com um pedido da Polícia Federal longo e fundamentado, um parecer do Ministério Público e um longo despacho do juiz. Julguem as próprias pessoas. Se eles começaram a trabalhar a partir das 9h … Basta isso, o resto a história dirá.
- À frente do CNJ, o senhor conseguiu mobilizar o Judiciário no cumprimento da Meta 2. O resultado ficou a desejar?
Era necessária a articulação dos 91 tribunais do país, celebrar um pacto de equalização da prestação de serviço judicial. Estabelecemos 10 metas, a primeira de planejamento estratégico no mínimo quinquenal. E a Meta 2 foi a de julgar em 2009 todos os processos em estoque ajuizados até 31 de dezembro de 2005. De início pareceu utópico, mas depois vimos o bom resultado. Alguns tribunais cumpriram integralmente. A média nacional foi de 60%, o que é satisfatório. O mais importante é que conseguimos identificar as razões que emperravam os processos.
- Que razões, por exemplo?
- Alguns tribunais tiveram dificuldade de cumprir a Meta 2 por falta de recursos e meios, por exemplo, perícia nos casos de interesse das pessoas pobres, pagar perícia para exame de DNA. Há sobrecarga dos serviços de perícia. Alguns tribunais buscaram parcerias com outras instituições. Mas o cenário nos faz pensar na necessidade de se criar um fundo para subsidiar esse tipo de perícia. Um fundo público que garanta esse tipo de atividade.
- Qual o principal problema do Judiciário?
- Nas inspeções pelo CNJ percebemos nos tribunais estaduais um certo amor, vamos dizer, muito intenso, por parte deles no cuidado consigo mesmo e uma falta de percepção da necessidade de democratizar a alocação de recursos. Constatamos 30 servidores lotados em gabinetes de desembargador, enquanto faltam funcionários nas varas. Existe um estrangulamento na primeira instância, enquanto tribunais conseguem manter baixa taxa de congestionamento. Isso porque os juízes estão sobrecarregados. O primeiro grau está asfixiado. Também vimos gastos excessivos com hora extra e excesso de servidores em cargos de confiança. Há algo de errado. E concluímos que a eficiência não está relacionada diretamente à quantidade de verbas no orçamento. Os que têm mais recursos nem sempre são os que apresentam melhores resultados.
- O que o senhor aponta de medida mais eficiente de sua gestão?
- Considero como grande êxito os Mutirões Carcerários. Cerca de 20 mil pessoas foram libertadas, mais de 100 mil processos examinados. Instalamos varas de excecução penal virtuais para controle de penas, passamos a ter controle eletrônico da prisão provisória, evitando a situação canhestra de termos pessoas presas há 14 anos provisoriamente, como vimos no Ceará. Estamos discutindo com o governo a liberação de recursos para a construção de novos presídios. Enfim, mudamos o quadro de abandono que havia em relação à Justiça Criminal.
- E o que o senhor deixa com a sensação de que poderia ter sido melhor?
- Eu me esforcei no que diz respeito à política judicial em favor da criança e do adolescente. Desejava que isso ainda fosse maior. Nós nos posicionamos quando o Correio denunciou o problema da prostituição aqui na Rodoviária. É preciso ser mais enérgico ainda. O Judiciário e o Ministério Público têm a missão para a melhoria das políticas públicas na proteção a esses meninos e meninas que não são infratores mas estão em situação de risco.
- Tivemos a tragédia em Luziânia, de um ex-presidiário pedófilo que matou jovens. Ele tinha sido beneficiado com a liberdade e reincidiu. O caso reabriu a polêmica sobre tais benefícios a condenados. Qual sua posição sobre essa discussão?
- Não se deve atribuir ao benefício da progressão de pena a um condenado a reincidência do crime após ele ser libertado. Nada garante que um preso que cumpra a pena integralmente, digamos 30 anos, não vá cometer outro crime. Infelizmente, o problema está no desaparelhamento do sistema judicial para garantir o devido acompanhamento dos presos e dos beneficiados pela progressão. São necessárias equipes multidisciplinares para avaliar a condição do preso, para atestar precisamente se tem condições de ser libertado. É lamentável que venhamos discutir isso depois de uma tragédia”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:38

Rio: o Cristo que se dane

A recompensa de R$ 5 mil para quem der uma pista que leve aos vândalos pichadores do Cristo Redentor, é mais uma prova do descaso das autoridades do Rio pelo monumento.
O prefeito Eduardo Paes não mencionou os nomes dos doadores, não por modéstia. Foi pura vergonha.
Quando a estátua do Cristo Redentor, e o seu entorno, disputavam o privilégio de se tornar uma das 7 Maravilhas do Mundo,  o governo do Rio não moveu uma palha. Agora faz o mesmo.
Na época, nem ao menos um link do concurso – para que as pessoas votassem – o Governo do Rio exibia em seu portal.
Aécio Neves e José Serra, infinitamente mais antenados que Sergio Cabral, perceberam logo a importância da campanha e subiram o Corcovado. O governador os acompanhou, posando como um verdadeiro papagaio de pirata.
Todos entendiam que o Cristo era do Brasil, assim como as pirâmides são do Egito, a Torre Eiffel da França e o Taj Mahal da Índia. Menos o governador.
Na época, o autor desse blog disse que as autoridades preferiam, ao invés da campanha do Cristo, os jogos do PAN, pois eles movimentavam verbas e empreiteiros, proporcionavam superfaturamentos e bocas-livres, além de caixinhas e mordomias.
Eleito, o monumento não mereceu, por parte das autoridades, nem ao menos um policiamento. Por isso a ação dos pichadores.
A indignação de Cabral com o fato é zero. Até agora, ele não deu uma declaração sobre a vergonha que hoje corre o mundo. Ou a pichação não tem importância, ou ele não tem opinião.
O fanfarrão que prometeu reunir empresários para pagar uma palestra de Tony Blair ? político  desprezado pelos ingleses e sem condições de dar consultoria as Olimpíadas de Londres, mas que foi convidado para dar palpites nas Olimpíadas do Rio – não disparou um único telefonema para ajudar na busca dos pichadores.
A notícia da recompensa de R$ 5 mil, foi divulgada no mesmo dia em que a Polícia Federal prendeu um traficante, cuja recompensa era de US$ 5 milhões.
É claro que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.
Mas soa estranho que um colombiano preso esteja valendo 1 mil e 800 vezes mais do que o Cristo Redentor limpo.
$ergio Cabral entende de números.
Por isso, seu comportamento é o mesmo de quando o monumento estava em campanha.
O Cristo que se dane.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:33

Conselheiro do TCE foi preso com drogas

Do repórter Alfredo Junqueira, do ‘Estadão’:
“A eleição de Aloysio Neves Guedes para ocupar a uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio provocou um festival de baixarias e troca de acusações na noite de anteontem na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Jornalista, advogado e funcionário público de carreira, Aloysio foi preso em junho de 1983 acusado de tráfico de drogas. Ele admite que tinha amigos que usavam entorpecentes, mas afirma jamais ter feito uso de tóxicos, alegando ter sido vítima de um flagrante forjado.
Segundo reportagens da época, uma equipe da Delegacia de Entorpecentes da Polícia Civil encontrou 200 gramas de cocaína, sementes de maconha, seringas usadas, entre outros materiais para consumo e preparo de drogas, no apartamento de Guedes, em Ipanema, zona sul do Rio. Ele e três amigos foram presos em flagrante.
Aloysio foi condenado em primeira instância, mas acabou absolvido quando o processo subiu para a 4.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio.
O caso foi apresentado durante os debates em plenário. O deputado José Nader Júnior (PTB), que teve sua candidatura a mesma vaga no TCE impugnada pela Mesa Diretora da Alerj, levou recortes de jornal e questionou na tribuna: “Como é que os deputados votarão em uma pessoa que saiu no jornal O Globo, no dia 26/06/83, que foi presa por tráfico de droga?  Por tráfico de drogas, e eu, com o meu direito cerceado”, questionou o parlamentar.
Nades Júnior é filho do conselheiro aposentado e ex-presidente da Alerj, José Nader. Ele chegou a entrar com pedido de liminar na Justiça, mas o recurso foi negado.
Pai e filho foram dois dos alvos da Operação Pasárgada da Polícia Federal. Concluída em junho de 2008, a investigação descobriu um esquema de tráfico de influência e venda de sentenças nos tribunais de contas do Rio e de Minas.
Nader Filho chegou a ser indiciado pela PF por corrupção passiva e formação de quadrilha, mas o processo está parado no STJ. O deputado ainda é alvo de processo de cassação que está parado há mais de um ano na Mesa da Alerj. Os dois negam as acusações.
Presidente da CPI do TCE, que investiga irregularidades supostamente cometidas pelos conselheiros do órgão, a deputada Cidinha Campos (PDT) também foi à tribuna. Defendeu o novo conselheiro e atacou Nader Júnior com veemência. Cidinha chamou Nader de “ladrão” diversas vezes e deputados tiveram que intervir para interromper o bate boca entre os dois.
Chefe de gabinete da Presidência da Casa nos últimos 16 anos, tendo trabalhado para o atual governador Sérgio Cabral (PMDB) e o deputado Jorge Picciani (PMDB), Aloysio foi escolhido por 54 dos 70 parlamentares e passará a ganhar um salário vitalício de R$ 26 mil.
Venceu deputados e técnicos experientes do TCE-RJ. Emocionado, disse que a Justiça reabilitou sua reputação. “Tive que recomeçar a viver aos 37 anos”, disse o novo conselheiro, que, hoje, tem 63.
Aloysio disse que foi vítima de uma tentativa de extorsão de policiais e que sua prisão precisa ser entendida com o que acontecia no Rio de Janeiro na época”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:20

Roubalheira na pasta do PCdoB

Na semana passada, cinco pessoas foram presas, em Brasília, acusadas de desviarem R$ 1,99 milhão do total de R$ 2,9 milhões respassadas pelo ministério do Esporte, a duas ONGs ligadas ao PCdoB.
O dinheiro era do programa ‘Segundo Tempo’ e, segundo a polícia, foram usadas notas frias para simular compra de merenda, uniforme e material esportivo em nome da Federação Brasiliense de Kung Fu e da Associação João Dias.
O presidente dessa ONG foi candidato a deputado distrital, em 2006, pelo PCdoB de Brasília, na chapa encabeçada por Agnelo Queiroz, que deixou o ministério do Esporte para se candidatar ao Senado. Ambos foram derrotados. O atual ministro, Orlando Silva, também foi indicado pelo PCdoB.

                                                       * * *
Pode ser que uma coisa nada tenha a ver a outra, mas só para recordar.
No dia 13 de de fevereiro, esse blog deu uma nota, com o título “Ministro da Tapioca cala para manter boquinha”, onde criticava Orlando Silva, que participou de um encontro, em Londres, com Tony Blair, convidado para ser consultor das Olimpíadas de 2016.
O curioso é que desde a semana passada, quando prenderam os cinco acusados de desviarem dois terços do dinheiro do ministério, esse blog, especificamente, essa nota, passou a receber dezenas de ‘spam’, com os mais variados remetentes, mas todos vindos de apenas quatro computadores.
Todos os nomes tem oito letras, e estão inscritos no gmail.

                                                         * * *
A título de cooperação com a Polícia Civil, de Brasília, e com a Polícia Federal, indicarei aqui os nomes registrados no gmail, e mais os IPs dos computadores. Pode ser que seja apenas uma coincidência, mas quem sabe algum desses computadores seja de propriedade de alguém ligado a bandidagem, que promoveu a roubalheira no Ministério do Esporte.
Os IPs são os seguintes: 82.248.172.10; 89.248.172.10; 93.174.93.37 (esse o mais utilizado); e 91.201.66.44.
Os endereços dos rementes são todos seguidos de @gmail.com.
E os nomes são os seguintes:xekojocu, filiiege, gimaapac, xamikumm, stojociz, pericuao, yopobace, tucicobe, mequnita, sziyakin, katibufu, todugouv, swuoyafi.
Não custa dar uma investigada.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:20

Olho vivo que Sarney vem aí

 José Sarney assumirá a Presidência da República no próximo domingo, com o impedimento do vice José Alencar e do deputado Michel Temer, que se tornariam inelegíveis se ocupassem a cadeira do Presidente Lula, que viaja para Washington e só voltará na quarta-feira.
É preciso ter olhos abertos principalmente na Polícia Federal e no Diário Oficial.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:12

Durval: “O pior está por vir”

 Do ‘Globo’:
“Durval Barbosa, o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal e autor das denúncias que devastaram o governo de José Roberto Arruda e atingiram duramente a Câmara Distrital, disse que o escândalo batizado de mensalão do DEM está apenas começando.
Numa sessão da CPI da Corrupção, Durval insinuou que outros crimes graves já estão sendo apurados. Esta foi a primeira vez que Durval falou em público desde o início do caso, em novembro do ano passado.
Se eu contrariei algum interesse, não tenho culpa. O rolo compressor vem aí. Nem começou.
Quem tiver sua culpa que assuma. Infelizmente é assim advertiu ele.
Durval disse ainda que decidiu denunciar os desvios de dinheiro público e pagamento de propinas porque não suportava mais supostas chantagens de Arruda e do ex-vice-governador Paulo Octávio. O ex-secretário não revelou como foi pressionado.
Não estava aguentando mais os achaques do senhor Arruda, do senhor Paulo Octávio.
Fiz isso para me livrar desse mal que estava me corroendo.
Amparado por um habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justiça, Durval disse que não iria falar à comissão para não comprometer as investigações já em curso na Polícia Federal e no Ministério Público. Em depoimento àPF, o jornalista Edmilson Édson dos Santos, o Sombra, disse que políticos e empresários ainda mantêm o esquema de desvio de dinheiro público como se nada tivesse acontecido no Distrito Federal”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:05

Arruda pode ser solto no 1º de abril

Tudo leva a crer que o ex-governador José Roberto Arruda será solto nos primeiros dias de abril.
Só falta ele ser solto no dia 1º, o Dia da Mentira.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:49

PF investigam empreiteiras do PAC no Rio

Do repórter Italo Nogueira, da ‘Folha’:
“Documento feito a pedido da construtora Norberto Odebrecht para habilitar-se à licitação do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) nas favelas do Complexo do Alemão, no Rio, também foi usado por suas concorrentes para participar da mesma disputa.
A Odebrecht, líder do Consórcio Rio Melhor, venceu a disputa da obra, avaliada em R$ 493 milhões. Os consórcios liderados por Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão ganharam, respectivamente, as concorrências para as obras do PAC em Manguinhos (avaliada em R$ 232 milhões) e na Rocinha (R$ 175,6 milhões), objeto da mesma licitação.
A Folha revelou nesta semana que cruzamento de documentos apreendidos em várias operações da Polícia Federal mostram que empreiteiras formam consórcios “paralelos” antes da disputa de licitações com a finalidade de superfaturar obras públicas.
Duas construtoras (Odebrecht e Andrade Gutierrez) líderes de consórcios concorrentes negaram a troca de documentos entre elas. A Secretaria de Obras do Rio e a Queiroz Galvão não quiseram se pronunciar sobre o caso.
A licitação ocorreu em 2008. O edital exigia que os consórcios apresentassem termo de compromisso de fornecimento de material com uma empresa com experiência na instalação de teleféricos urbanos. Todos apresentaram a companhia francesa Pomagalski, que executou obra semelhante em Medellín, na Colômbia.
A documentação que comprovava a experiência da empresa no serviço estava em inglês, o que exige a tradução juramentada. Este último documento revelou o compartilhamento entre os concorrentes.
A Folha apurou que a tradução juramentada do documento da empresa do Metrô de Medelín foi pedida à empresa BTS Traduções por uma funcionária da Odebrecht.
A tradução I-67411/07 (número que serve como “identidade” de traduções juramentadas), assinada pelo tradutor Manoel Antônio Schimidt, aparece na habilitação dos três consórcios concorrentes.
O reconhecimento de firma de Schimidt foi feito no mesmo dia (7 de janeiro de 2008) e os selos das três cópias do documento têm números sequenciais, o que indica que foram enviadas juntas ao cliente da BTS, a Odebrecht.
Há outra tradução juramentada, assinada por Mariana Erika Heynemann, que aparece da mesma forma: sob o mesmo número na papelada dos três consórcios concorrentes.
A licitação das obras do PAC no Complexo do Alemão ocorreu juntamente com as das obras em Manguinhos e na Rocinha, mas uma empresa não poderia acumular, ao mesmo tempo, duas obras.
Apenas três consórcios foram habilitados. A Construcap, que foi desclassificada, acusou em 2008, por meio de recurso à Secretaria de Obras do Rio, existência de direcionamento na licitação do PAC.
Segundo a Construcap, o edital fazia exigências desnecessárias, o que limitava o número de participantes na concorrência. Um dos itens pedia comprovação de experiência em “fornecimento e assentamento de tubo flexível estruturado de PVC para drenagem de águas pluviais, com diâmetro mínimo de 400 milímetros”.
A Secretaria de Obras afirmou à época que a complexidade das obras em favelas aumentava a exigência na disputa.
A diferença nos preços propostos pelos consórcios não superou 0,23%. Os preços de obras de urbanização nas favelas ficaram 4,8% mais caros (R$ 41 milhões acima do previsto).
A Secretaria de Obras autorizou propostas de até 5% acima do preço definido no edital -que tinha sido publicado dias antes. Mais uma vez, a secretaria fundamentou sua decisão tomando por base a complexidade das obras”.

EMPRESAS NEGAM TER PARTILHADO DOCUMENTAÇÃO

“As construtoras Norberto Odebrecht e a Andrade Gutierrez negaram o compartilhamento de documento na licitação das obras do PAC nas favelas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. A Queiroz Galvão não se manifestou sobre o caso.
Em resposta encaminhada à reportagem, a Norberto Odebrecht, empresa que conquistou a licitação, negou que tenha auxiliado suas concorrentes na disputa.
Uma tradução juramentada feita a pedido da empresa reapareceu nos documentos dos consórcios liderados pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão.
“A Odebrecht não disponibilizou nenhuma informação aos participantes da referida licitação e não tem conhecimento dessa ocorrência”, afirmou a assessoria de imprensa da empreiteira.
A empresa afirmou que enviou à companhia francesa Pomagalski a tradução com reconhecimento de firma “para serem usadas de acordo com sua necessidade”.
Esse documento reapareceu na habilitação das concorrentes da Odebrecht na licitação.
A construtora Andrade Gutierrez, por sua vez, afirmou que “recebeu da própria Pomagalski o documento já traduzido para o português”.
O documento traduz ofício em inglês do Metrô de Medellín atestando a experiência da Pomagalski na instalação de teleféricos urbanos, exigência feita pela licitação.
A Secretaria de Obras do Rio de Janeiro afirmou que não comentaria o caso porque não teve participação na coleta de documentos das empresas que concorreram na licitação”.

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