• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:21

Governador do DF prefere o TC

Ser conselheiro de um Tribunal de Contas é tão bom, mas tão bom, que vejam só esse exemplo publicado hoje em ‘O Globo’, na reportagem que trata da crise institucional no Distrito Federal:
“O deputado Wilson Lima (PR), que assumiu ontem o governo do Distrito Federal depois da renúncia do governador interino, Paulo Octávio (exDEM), cultiva a fama de humilde e brincalhão, mas nem por isso escapou aos conchavos políticos do grupo do governador afastado e preso, José Roberto Arruda. Segundo aliados de Arruda, Lima fez um acordo com o governador afastado para assumir a presidência da Câmara Legislativa, e depois o governo, com uma exigência: se Arruda deixar a cadeia e voltar ao governo, ele seria indicado para uma vaga no Tribunal de Contas do Distrito Federal.
O Tribunal de Contas é um dos empregos mais cobiçados por políticos em fim de carreira.
Os conselheiros recebem altos salários e têm direito a uma série de mordomias”.
E aqui querem nomear aqui no Rio sete nomes de uma só vez.
É a bandalheira programada.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:20

“A cada 20 minutos tudo pode mudar”

 Há tempos não surgia um apelido tão perfeito para um político, do que o de BandNews para Paulo Octávio – “a cada 20 minutos tudo pode mudar”.
A entrevista que o ex-governador deu ao repórter Rui Nogueira, do ‘Estadão’, é um belo exemplo.
No dia em que ele assinou duas cartas de renuncia – ao DEM e ao governo do DF – ele falou na possibilidade de se candidatar ao governo de Brasília em 2014. Só mesmo um bobalhão como ele seria capaz de declarar tamanha asneira.
Vejam a matéria:
“Paulo Octávio admite que pode ter batido um recorde político ao assinar duas cartas de renúncia em um só dia, mas não descarta voltar à disputa do governo do DF. Disse que renunciou porque, sem apoio político, daria um “governo fraco”. Avalia que a intervenção federal no DF está descartada. Ele falou com o Estado minutos antes de a assessoria dele confirmar a renúncia ao governo.
- O senhor, em um único dia, enterrou a possibilidade de ser governador do DF e deixou o partido que ajudou a fundar. Definitivamente, tem algo de errado com os 20 anos de autonomia política de Brasília e com a forma como o poder é exercido na capital. Certo?
- Fiz duas cartas de renúncia em um dia. Jamais imaginei que isso pudesse acontecer na minha vida. Não encontrei condições mínimas de governabilidade para assumir o Distrito Federal. Apesar de tudo, ainda acho que o tempo mostrará que estávamos fazendo o melhor governo de Brasília. Nestes 20 anos, Brasília cresceu muito e se consolidou como capital.
- Como é que o sr. pode dizer que um governo é bom, pedindo que a população aplauda as obras e esqueça as imagens de secretários e políticos flagrados embolsando pacotes de dinheiro de caixa um, caixa dois, caixa três?
- Essa é uma questão eleitoral. É preciso fazer reformas políticas, é preciso refazer as campanhas eleitorais. 
- Na essência, por que o sr. não quis assumir o governo do DF?
- Faria um governo enfraquecido. Não quis ser um governador fraco, sem força. Não ter o apoio do meu partido (DEM) foi crucial. E tem o processo do STJ (Operação Caixa de Pandora), tem os problemas na Câmara Distrital (pedido de impeachment). Na essência, quando o DEM pediu para os seus filiados deixarem o governo, eu já assumi enfraquecido. Além disso, o governador Arruda, que está na prisão, pode voltar.Sim, Arruda se licenciou. Dependendo dos desdobramentos jurídicos, ele pode voltar, o que me deixava ainda mais fraco, se assumisse o governo. Não é possível governar sem apoio político e sangrando em praça pública.
- Por que parte das lideranças do DEM assumiram a posição de não respaldar o sucessor do Arruda?
- Não sei.
- E o futuro do DF?
- Assume o presidente da Câmara, o deputado Wilson Lima (PR), que é um homem bom, é um homem simples. E vamos aguardar.
- Mas a Câmara também está contaminada.
- Quero lembrar que as imagens exibidas pela mídia referem-se à campanha eleitoral. O governo assumiu em 2007, e não há vídeos sobre nada desde que o governo começou.
- Mas o governo que assumiu é o que foi eleito na campanha em que foram gravados os vídeos.
- O governo não está nos vídeos. Repito, temos uma questão eleitoral a resolver na legislação.
- O sr. acha que afastou a intervenção federal no DF?
- Sim. Ninguém, da classe política, deseja essa intervenção.
- Com a renúncia, o sr. também preserva a sua condição de empresário, certo?
- Não penso nisso agora.
- O sr. admitiu que queria assumir, fazer um governo de coalizão e, depois, se afastar da vida pública. Como o sr. não assumiu o DF, isso quer dizer que pode voltar a pleitear o governo do DF?
- Não tenha dúvida. Mas agora vou refletir, dar um tempo. Hoje (ontem) já recebi três convites de filiação a partidos novos. Tenho uns quatro anos para pensar no futuro”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:20

‘O Globo’ e a crise Zé Dirceu

 Manchete do ‘Estadão’:
“Paulo Octávio sai, mas crise continua”
Manchete da ‘Folha’:
“DF perde 2º governador em 12 dias”
Manchete do ‘Globo:
“Governo corre para esvaziar denúncia de lobby de Dirceu”.
Ou seja: para o Globo, a crise chama-se José Dirceu.
Não existe crise na Capital da República.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:19

PO renuncia: já vai tarde!!!

E o bobalhão se foi.
Disse que ficaria no DEM e, ameaçado de expulsão, anunciou que sairia do partido amanhã, quarta-feira.
Desfiliou-se hoje.
Disse que ficaria a frente do governo do Distrito Federal até 31 de dezembro.
Já anunciou que entregará, ainda hoje, a sua carta renunciando ao cargo.
Se não for preso nos próximo dias, deverá dar graças a Deus.
Agora é a intervenção, e depois fechar o cerco contra Joaquim Roriz.
E o Congresso que cumpra o seu papel, e faça a revisão da autonomia política do Distrito Federal. Está mais do que provado que a cidade não produziu quadros a altura do país. Aquilo é um bando de aventureiros e bandalheiros que não merecerem um mandato popular.
Não deveria ter governador, mas sim um prefeito nomeado pelo Poder Central, que é quem paga todas as contas do Distrito Federal.
E uma Câmara de Vereadores para controlar o Executivo.
E só.
Nada de representação federal na Câmara e no Senado.
Quem quiser ajudar a cidade, vá ser vereador.
Quem não estiver contente com isso, dispute um mandato eletivo em seu Estado de origem.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:19

Paulo Octavio e a BandNews

 De Renata Lo Prete:
“No DEM, o errático Paulo Octávio ganhou o apelido de BandNews. Com ele, assim como no slogan da emissora, “em 20 minutos tudo pode mudar”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:18

Arruda procurou ministro do STJ

Eliane Catanhede e Lucas Ferraz, da ‘Folha’, entrevistaram o ministro Fernando Gonçalves, que mandou o governador Arruda para a cadeia.
Eis o seu texto:
“Avesso a jornalistas e agora famoso pela prisão preventiva do governador José Roberto Arruda (DF), o ministro Fernando Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), disse que foi procurado por Arruda pessoalmente e pelo governo de Minas Gerais, por telefone, depois de receber o processo da Operação Caixa de Pandora, que estava em segredo de Justiça. “O processo era sigiloso, não sei como vazou”, disse. “Devia ter mais coisa no ar do que avião”, acrescentou à Folha ontem, citando o chefe da Casa Civil de Minas, Danilo de Castro, como autor do telefonema. Ouvido pela Folha, Castro disse que não se lembrava da ligação. Os advogados de Arruda não foram localizados. Gonçalves, que irá se aposentar em abril, quando completa 70 anos, vota em Brasília, afirma que magistrado não decide por clamor da opinião pública e que a prisão de Arruda não foi fácil: “Fiz a contragosto, não foi por prazer”.
- No despacho para prender Arruda, o sr. afirma que a prisão preventiva era “imprescindível”. Por quê?
- Não fiz da minha cabeça, da minha vontade, foi um pedido do procurador-geral da República. Houve apreensão de dinheiro, confissão de quem levava dinheiro, pessoas ligadas ao governador que teriam feito a negociação. A prisão foi para que não se frustasse a instrução criminal.
- O sr. foi implacável?
- Fiz a contragosto, não por prazer. Apesar de a imprensa gostar da decisão de prender, nunca fui de mandar prender.
- E quanto aos vídeos com políticos e empresários recebendo dinheiro?
- Não vi, só na televisão. Tenho a degravação dos áudios, que são de 2006, e isso é suficiente.
- Em sendo da época da campanha, pode ser caixa dois, prática generalizada no país?
- Não diria que só são de campanha, não, porque presume-se que há coisas posteriores. Mas, para mim há uma única expectativa: no dia 20 de abril eu saio.
- E sai com uma vitória de 12 a 2 no plenário do STJ. Isso foi fator condicionante para a decisão do ministro Marco Aurélio Mello (STF) contra o habeas corpus de soltura de Arruda?
- A dúvida foi se era possível fazer a prisão sem a autorização da Câmara Legislativa [do Distrito Federal]. Quatro ministros foram vencidos, houve a votação do mérito e, depois, o ministro Marco Aurélio esclareceu que um dispositivo da Lei Orgânica foi considerado inconstitucional pelo Supremo. Ou seja: não precisa ouvir a Câmara.
- O que o sr. pensou ao receber o pedido de prisão?
- Estou muito calejado, como esses motoristas que dirigem à noite daqui até Belo Horizonte. Não quero dizer que sou uma pessoa fria, e é lógico que você não vai receber um pedido desses prazerosamente, mas cada um tem que cumprir seu dever. Quando tomo uma decisão, me coloco naquele lugar do vencido, não do vencedor. Preferiria que não tivesse caído para mim. Não gosto de ficar exposto.
- O sr. sofreu pressão dos seus conterrâneos? Arruda e Paulo Octávio são mineiros.
- O Arruda veio aqui e pediu para falar comigo, dizia que havia um processo contra ele. Foi logo no início, antes de toda e qualquer providência. Eu o conheço. Ele veio, ficou sentado aí [apontando o sofá]. O processo era sigiloso, não sei como vazou.
- O que o sr. lhe disse?
- Que tinha sido distribuído para mim, que estava tramitando sigilosamente, que não tinha conhecimento dos fatos e que não poderia adiantar nada. O processo tinha sido distribuído, mas não tinha chegado. Não sei se a operação vazou. Devia ter alguma coisa no ar além de avião.
- O Durval Barbosa, delator do mensalão, disse que Arruda iria falar com Aécio para pedir ao sr. que o recebesse. Aécio falou algo?
- A Socorro [secretária do ministro] disse que o chefe da Casa Civil, Danilo de Castro, havia ligado para mim. Mas isso é muito normal. Sou muito amigo dele e do Aecinho, mas nem falei com ele. Quando ele ligou, Arruda já tinha vindo.
- A prisão preventiva de um governador aproxima o Judiciário da opinião pública?
- Não pensei nisso, só fiz o meu papel. Eu não posso deixar a opinião pública me induzir contra a minha consciência. Não à prisão por clamor popular!”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:16

PF e MP aumentam cerco contra PO

Dos repórteres Rodrigo Rangel e Rosa Costa, do Estadão:
“Duas investigações bloqueadas na Polícia Civil de Brasília e recém-assumidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público podem selar o destino do governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio, personagem do “mensalão do DEM” ao lado do governador afastado José Roberto Arruda, preso desde o dia 11. Uma delas, batizada de Operação Tucunaré, apura um intrincado esquema de distribuição de dinheiro que envolve empresas de fachada sediadas em Brasília e tem como alvo o policial aposentado Marcelo Toledo, homem de confiança de Paulo Octávio.
A outra investigação, conhecida como Operação Tellus, apura um suposto esquema de cobrança de propina na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, quando o titular da pasta era o próprio Paulo Octávio.
Além de enredar Arruda e seu vice em novas transações suspeitas, as investigações demonstram como a dupla usava o poder para abafar, na Polícia Civil do DF, os inquéritos que poderiam atingi-los. Os delegados encarregados de tocar tanto a Tellus como a Tucunaré foram exonerados das funções comissionadas que ocupavam.
A Tucunaré, que começou modesta em 2009, mirando suspeitos de estelionato, acabou por desaguar em um esquema milionário. Agora, os investigadores suspeitam de ligação com o mensalão do PT. O grosso das somas sacadas no caixa em agências bancárias de Brasília viria da Euro DTVM e Royster Serviços, empresas investigadas no escândalo petista.
O inquérito da Operação Tucunaré, hoje a cargo da PF e do Ministério Público Federal, aponta para a existência de uma rede de corrupção com tentáculos na política local e nacional. Descobriu-se um esquema de desvio de dinheiro de fundos de pensão de estatais federais e empresas do governo do DF.
Investigadores disseram ao Estado já ter detalhes de como empresas que lucram somas vultosas em negócios com os fundos alimentam suposto esquema de distribuição de dinheiro. Políticos e dirigentes dos fundos são os destinatários da propina, apontam os autos. Operações de pelo menos três fundos – dois de estatais federais e um de empresa pública do Distrito Federal – fazem parte do inquérito.
O Estado teve acesso a documentos da investigação que listam 12 empresas desconhecidas, muitas delas de fachada, que receberiam o dinheiro remetido, em sua maior parte, pela Euro DTVM e pela Royster Serviços. A Royster tem como proprietário o doleiro paulista Lúcio Bolonha Funaro, conhecido no mensalão do PT por intermediar pagamentos a políticos aliados do Planalto. Outra empresa que abasteceria o esquema é a Toesa Service, que ganhou contratos importantes no governo Arruda.
De acordo com o inquérito, das empresas de fachada que recebiam os depósitos, as que mais se destacam, pelo valor das transações, são a Matriz Construções Ltda. e a Center Comércio e Consultoria. De maio de 2007 a março de 2008, a Center movimentou R$ 15 milhões. A Matriz sacou R$ 5,3 milhões de maio a dezembro de 2007.
Outro personagem da recente crônica policial brasiliense aparece como responsável pelos saques do dinheiro. Trata-se do doleiro Fayed Antoine Traboulsi, investigado em escândalos de corrupção no governo Joaquim Roriz (PSC). De acordo com a polícia, Fayed é quem administra a distribuição do dinheiro. Um irmão dele, Louis, era quem quase sempre fazia os saques. As idas às agências foram monitoradas.
É justamente nessa ponta da investigação que aparece o policial aposentado Marcelo Toledo, que se apresenta como fiel auxiliar de Paulo Octávio.
Toledo, que já foi sócio de Fayed, chegou a ser gravado pela Polícia Civil em conversas com o doleiro. As gravações revelaram a proximidade do policial com o esquema e levantaram suspeitas de que, ao menos parte dele, pode ter abastecido as contas do mensalão do DEM.
De um dos diálogos gravados pela polícia com autorização judicial surge a evidência mais forte de que o caso preocupava a cúpula da política no Distrito Federal. Fayed pede a Toledo que use sua influência junto ao governo para evitar que a investigação avançasse.
Em 17 de julho passado, pouco depois da conversa, o delegado encarregado do caso, Érico Mendes, e seu superior imediato, Cícero Jairo Vasconcelos, foram exonerados de suas funções comissionadas. Na ocasião, foram avisados de que a decisão havia sido de Arruda.
Nas investigações da Operação Caixa de Pandora, Toledo é apontado por Durval Barbosa, delator-mor do mensalão do DEM, como operador de Paulo Octávio. Em um dos vídeos gravados por Barbosa, Toledo aparece com maços de dinheiro nas mãos e diz que parte do valor deveria ser entregue ao atual governador em exercício.
Remessas: Empresas com atuação no mercado de ações e no setor de serviços remetem valores expressivos para contas de firmas de fachada sediadas em Brasília
Saque: Assim que chega nas contas das empresas de fachada, o dinheiro é sacado na boca do caixa, quase sempre por pessoas ligadas ao doleiro Fayed Traboulsi, um dos mais conhecidos do DF
Partilha: Logo após o saque, é feita a distribuição dos valores. Os investigadores monitoraram homens de Fayed levando sacolas de dinheiro para hotéis de Brasília
Suspeito: Um dos investigados na operação é o policial civil aposentado Marcelo Toledo, ex-sócio de Fayed e homem de confiança do governador em exercício, Paulo Octávio, e do governador afastado José Roberto Arruda
Afastamento: Delegados da Polícia Civil que atuavam no caso foram afastados por ordem do Palácio do Buriti, sede do governo do DF. Hoje na PF e no Ministério Público, o inquérito indica que boa parte do dinheiro tem origem em empresas beneficiadas em transações com fundos de pensão
Foco: Segundo a polícia, o esquema gira em torno da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do DF, até recentemente comandada por Paulo Octávio
Propina: Funcionários da secretaria cobrariam propina de empresas interessadas em receber terrenos do governo, como parte do Pró-DF, programa destinado a promover o desenvolvimento econômico do Distrito Federal
Gravações: nas interceptações telefônicas feitas pela polícia, foram flagradas conversas em que auxiliares diretos de Paulo Octávio tratavam da propina. Num dos casos, um assessor combina encontro para receber R$ 1,2 milhão”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:16

Paulo Octávio, o barata tonta

O governador em exercício de Brasília, o empresário Paulo Octávio, continua agindo como uma barata tonta. Sai ou não sai do DEM, renuncia ou não ao governo, cada diz que passa está mais perdido. Bom exemplo é a reportagem de Lucaz Ferraz, na ‘Folha’:
“Sem descartar a renúncia de seu horizonte político, o governador interino Paulo Octávio adiou a decisão de se desfiliar do DEM, como anunciado por ele na semana passada, e vai tentar convencer o seu partido a não abandonar o governo.
Onze dias depois de assumir o governo no lugar do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido), Paulo Octávio já deu quatro versões para seu futuro político.
Primeiro, avisou que iria renunciar, mas ficou no cargo dizendo que esperaria definições da Justiça sobre intervenção no Distrito Federal e prisão de Arruda. Na semana passada, seu assessor garantiu que ele ficaria até o fim do mandato. Agora, ele volta a ter dúvidas e diz que “a semana é decisiva”.
“Ainda estou buscando sentir o clima, o apoiamento. Não tenho nada certo. Qualquer decisão vou tomar essa semana”, disse ontem ao admitir que perder o apoio político da sigla a qual é filiado seria um de seus maiores “complicadores” na tentativa de governabilidade.
Um dos responsáveis por tentar reaver a posição do DEM de deixar o governo é o secretário de Transportes, Alberto Fraga (DEM). Ele deve se encontrar com o presidente da legenda, Rodrigo Maia, amanhã. A Executiva do partido vai se reunir na quarta para tratar da questão do Distrito Federal.
Rodrigo Maia admite que a situação do governador interino “piorou muito”, mas ressaltou que a decisão sobre expulsá-lo ou não será “coletiva”. Paulo Octávio diz não se preocupar com os três processos de impeachment abertos contra ele na Câmara, nem com a suspeita de envolvimento no mensalão -ele nega ter recebido dinheiro do esquema.
O governador interino também anunciou que vai solicitar ao governo federal uma auditoria da CGU (Controladoria Geral da União) nos repasses da União para o DF -o chamado fundo constitucional, dinheiro que é utilizado pelas áreas da saúde, educação e segurança pública. No ano passado, a União repassou para Brasília mais de R$ 7 bilhões. A auditoria, contudo, já tinha sido anunciada até pela Presidência da República na semana passada”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:14

Paulo Octávio, o bobo da Côrte

 O governador em exercício do Distrito Federal, o empresário Paulo Octávio, disse que ficará no comando de Brasília até o dia 31 de dezembro, ou seja, até o final do mandato.
É claro que José Roberto Arruda não voltará ao cargo, embora isso ainda não esteja consolidado.
Em princípio, sua prisão só pode levar até 30 dias, e daqui a duas semanas, em tese, Arruda estará solto. Até o momento, a Câmara Distrital não votou o impedimento de Arruda, e ele não assinou a carta renunciando ao cargo.
Mas Paulo Octavio, ao dizer que fica até o fim, não é ousado.
Taí uma característica que ele não tem, a não ser nos negócios.
Também não é um espertalhão. Longe disso. Pode ser espertalhão, também na vida privada.
Quem chega onde ele chegou não pode ser chamado de ingênuo.
Isso ele não é.
PO é apenas um bobalhão.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:10

PO quer preservar os seus bens

De Renata Lo Prete, no ‘Painel’:
“Na opinião de quem conhece bem Paulo Octávio, um dos elementos para entender seus movimentos erráticos desde a prisão de José Roberto Arruda é o receio de que a renúncia ao governo, seguida de eventual intervenção, coloque em risco ao menos parte de seus muitos negócios no Distrito Federal.
Mais especificamente, o governador interino teme que o mandatário da faxina venha a revogar o Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Distrito Federal, mina de ouro para as empreiteiras de “PO”. Em depoimento à PF, o gravador-geral Durval Barbosa afirmou que cada um dos 19 votos para aprovar o Pdot na Câmara Distrital custou até R$ 420 mil. O Ministério Público do DF tenta anular a votação.
Além do possível prejuízo aos negócios, preocupa Paulo Octávio a perspectiva de, uma vez fora do cargo, ver seus bens bloqueados pela Justiça.
Com a tirada de corpo de Lula e o “perdido” dado por Paulo Octávio, ministros do STF repetiam ontem uma conclusão: “Mais uma vez, jogaram tudo no colo do Supremo”.
Mas a Corte não vai se apressar. O presidente Gilmar Mendes voltou a dizer que o processo seguirá seu rito natural. Vários ministros não sabem ao certo como se desenharia na prática a intervenção, dada a “metástase das instituições” no DF.
Ao justificar para os mais próximos a decisão de não renunciar, “PO” disse ter ouvido que o STF vai soltar Arruda. Seu gesto, portanto, seria desnecessário. Alguns dos presentes discordaram da avaliação.
Sepúlveda Pertence, ex-presidente do STF mencionado como opção para o cargo de interventor no Distrito Federal, é advogado de José Celso Gontijo, empresário que aparece nos vídeos de Durval Barbosa transportando dinheiro que supostamente abasteceu o mensalão”.

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