• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:44

Mulher de Arruda: “todos recebem”

Do ‘Globo”:
“Em sua primeira entrevista após a prisão do marido, a mulher do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), Flávia Arruda, disse ontem que as imagens dele recebendo dinheiro do ex-secretário Durval Barbosa, delator do suposto esquema do mensalão, não a espantaram.
Para ela, trata-se de prática comum no meio político.
Não me surpreende em nada, porque sei que todo mundo recebe e que a política no Brasil é assim. As pessoas precisam receber dinheiro para acampanha justificou, depois de visitar Arruda na Superintendência da Polícia Federal (PF).
Para a ex-primeira-dama, o flagrante foi gravado na précampanha de Arruda ao governo, antes de seu casamento. E o dinheiro recebido por ele foi declarado.
Ela o tratou como uma vítima do esquema revelado pela Operação Caixa de Pandora.
O único prejudicado nessa história é ele alegou.
Ontem,o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a visita de um médicoparticular a Arruda. Flávia alegou que ele não concluiu opós-operatório de uma cirurgia ortopédica feita em novembro e sofre deum edema na perna direita. A fisioterapia, que era diária, foiinterrompida, o que estaria contribuindo para a suposta piora.
Chorando, Flávia afirmou que o marido estava sem andar há dois dias e que os médicos aumentaram a dose de antidepressivos.
A PF informou que o governador é examinado duas vezes por dia. Segundo a instituição, ele caminha normalmente.
Queixando-sede dores no pé, obteve autorização para se consultar num hospital deBrasília anteontem, mas o ultrassom não apontou anormalidades”.

  • Segunda-feira, 10 Maio 2010 / 4:01

Tuma Jr reclama de abuso da PF

O Secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr,, acusado de ligação com a máfia chinesa, em São Paulo, deu entrevista ao repórter Mario Cesar Carvalho, da ‘Folha’, na qual ele reclama de abusos da Polícia Federal, e diz que o objetivo não é investigá-lo mas sim desmoralizá-lo.
Eis a entrevista:
- O sr. já comprou celular e videogame contrabandeado, como sugerem as conversas gravadas?
- Eu estava em Viena e minha filha pediu para eu comprar um Wii para minha neta. Liguei para ela e disse que o Wii custava caro, 350, quase R$ 1.200. Ela me perguntou se não seria melhor comprar no Brasil. Liguei para o Paulinho. Uma coisa que tem de ficar clara é que eu tenho um amigo que é chinês. Não sou amigo de contrabandista. Se cometeu crime, deixa de ser meu amigo.
Falei para o Paulinho: “Vê quando custa um Wii na Paulista”. Ele liga de volta: “Custa R$ 950″. Minha filha liga de novo e diz que o namorado da minha outra filha estava nos EUA, onde o Wii custa US$ 250. O jogo veio dos EUA.
- E o celular?
- Tenho esse celular há três anos, quando fui para a China. Só tem em Hong Kong. Tem um amigo meu, diretor do Corinthians, que ficou doente com o telefone. O Paulinho me liga: “Tá vindo um primo meu de Hong Kong”. Pedi para ele comprar um telefone igualzinho ao meu. O cara trouxe o preto, não dourado. O meu amigo não quis e eu não comprei. Não é pirata. É um Motorola que só tem em Hong Kong.
- Paulo Li é conhecido como contrabandista há alguns anos. O sr., que é delegado, não sabia disso?
- Se for verdade, para mim é uma decepção. Sou policial há mais de 30 anos e tenho obrigação de conhecer quem faz coisa errada. Nunca desconfiei, até porque ele vivia numa situação difícil. Tinha um filho que estava sem emprego e eu arrumei emprego para ele no Corinthians. Ele estava tirando outro filho da escola porque estava sem dinheiro. Esse é o grande líder do contrabando?
- A polícia diz que o sr. ajudava Li a regularizar a situação de chineses ilegais no Brasil.
- Conheço o Paulinho há 20 anos e tem uns quatro e-mails em que ele pede informação sobre estrangeiros. É minha obrigação como servidor atender qualquer pessoa de uma área sob minha responsabilidade. Ele, eventualmente, pode ter pedido alguma coisa. Mas se houve atendimento é porque estava dentro da lei.
- Mas Li é acusado de cobrar comissão para fazer isso.
- Houve uma disputa muito grande sobre a data para anistia dos imigrantes. Decidimos que seria 1º de novembro de 2008. No Congresso, um deputado fez uma emenda colocando a data para 1º de fevereiro de 2009. Isso é um absurdo.As pessoas iriam se aproveitar para colocar imigrantes no Brasil. É criminoso. Um deputado havia montado um esquema com policiais federais na Liberdade e cobravam por atestado. Foi o Paulinho que denunciou esse esquema.
- O sr. avisou a polícia?
- Pedi um inquérito. Foi um mês antes de o Paulinho ser preso. É por isso que ele me liga no dia da prisão. Tinha medo de que não fossem policiais, mas pessoas dessa máfia.
- Numa gravação, um assessor do sr. tenta liberar aparentemente uma carga apreendida.
- É outro absurdo. Se divulgassem a conversa inteira, veriam que não é mercadoria. São livros contábeis. Um empresário me liga e diz: “Veio um fiscal na minha loja e pegou os livros. Para devolver, ele quer R$ 30 mil.” Falei: “Vamos prender o cara”. Pedi para um assessor descobrir quem era o delegado da Receita na região. O empresário foi lá e denunciou.
Não cometi nenhum crime.
- O sr. também é acusado de tentar ajudar a família da deputada Haifa Madi, presa com US$ 123 mil no aeroporto de Cumbica.
- Recebi dezenas de telefonemas nesse caso, inclusive de pessoas do Judiciário. Me perguntavam se podia sair do Brasil com US$ 10 mil ou R$ 10 mil. Eu não lembrava. Era domingo. Liguei para um assessor e contei o caso. Quando soube que eles tinham sido presos na sexta à noite, dois dias antes, falei: “Então tá morto, tá putrefato”. O que eu queria dizer é: por que me ligam se as pessoas já estão presas? Como fazem divulgação seletiva e criminosa dos diálogos, acham que estou dizendo que já não dá para ganhar uma nota.
- É normal um secretário da Justiça ter esse tipo de conversa?
- Sou servidor público e tenho obrigação de atender as pessoas. É natural que uma deputada ligue quando tem parentes presos. Isso não é crime.
- Um assessor seu, Paulo Guilherme Mello, é investigado sob suspeita de ajudar a máfia chinesa. Por que o sr. não o afastou do cargo?
- Ele é um policial federal e não posso prejulgar uma pessoa por uma investigação a que eu não tive acesso.
- O sr. sabe por que seu depoimento não está no inquérito?
- Isso é muito grave. Fui delegado de polícia e, se ouvisse uma pessoa num inquérito e não juntasse o depoimento, estaria na rua. Isso é crime. Não tive direito a defesa.
- O sr. acha que essa investigação da PF cometeu abusos?
- Do jeito que essa investigação está sendo tratada, é um abuso. Não da PF, mas de algumas pessoas da PF. Fui investigado e chegou-se à conclusão que não deveria ser denunciado. O caso foi arquivado.
- Por que uma investigação de setembro veio à tona agora?
- Estou sendo vítima do crime organizado e de uma armação política muito grande. Com a política que implantamos no ministério, virei símbolo do combate à lavagem de dinheiro, da cooperação internacional. Quando fui para a Comissão de Pirataria, é evidente que isso criou um desconforto. O objetivo não é me investigar, é desmoralizar. O crime organizado age assim: mata testemunhas e desmoraliza os chefes da investigação”.

 

Nova denuncias complicam situação de Tuma Jr.
Do repórter Roberto Maltchick, de ‘O Globo’:
“As novas denúncias de envolvimento com Li Kwok Kwen ? preso como um dos chefes da máfia chinesa no Brasil e acusado de contrabando pelo Ministério Público Federal ? complicaram a situação do secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., dentro do governo. Depois que o presidente Lula disse, no sábado, que Tuma Jr. terá de ser punido ?como qualquer brasileiro?, se as denúncias forem comprovadas, o Palácio do Planalto já admite que ele precisará dar explicações plausíveis se quiser se manter no cargo e estancar o estrago causado pelo escândalo.
O governo avalia que a situação de Tuma Jr. piora à medida que são reveladas novas conversas interceptadas pela PF demonstrando a intimidade do secretário com Kwen. O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse ontem que Tuma Jr. precisa dar mais explicações para afastar as dúvidas sobre sua conduta à frente da Secretaria Nacional de Justiça.
? Se não tiver uma explicação plausível, não tem alternativa senão afastar o servidor.
Neste caso, essa é uma decisão que deve ser avaliada pelo ministro da Justiça ? afirmou.
No último sábado, o jornal ?O Estado de S. Paulo? revelou trechos de conversas telefônicas que indicam outra ação de Tuma Jr., desta vez para tentar amenizar o flagrante de uma apreensão de US$ 160 mil, no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP). O dinheiro estava na bagagem da deputada estadual Haifa Madi (PDT). Durante a operação, que interceptou a remessa ilegal de dinheiro para Dubai, nos Emirados Árabes, sete pessoas foram presas.
Na avaliação de auxiliares, o presidente Lula está insatisfeito com os argumentos apresentados até agora por Tuma Jr., especialmente a respeito das conversas em que trata da compra de produtos, como telefones celulares supostamente contrabandeados.
? A questão é mais ética do que criminal. Não há, de fato, processo contra o Tuma Jr. O problema é que o cargo dele é totalmente incompatível com esse tipo de atividade ? disse um interlocutor do presidente.
O secretário acumula a função de presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria desde o dia 23 de abril. Na posse de Tuma Jr. no Conselho, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, destacou seu mérito para assumir o posto.
? Não existe máfia no mundo que o Tuma não conheça.
Sua indicação agrega um valor substantivo ao trabalho do órgão ? disse o ministro referindose à atuação de Tuma como delegado da Polícia Civil de São Paulo.
Hoje, a situação de Tuma Jr.será discutida entre o presidente Lula, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e outros ministros durante a reunião de coordenação de governo. O presidente também recebe relatos periódicos sobre o caso do ministro da Justiça.
No sábado, em São Bernardo do Campo (SP), durante o lançamento da campanha nacional de vacinação, Lula admitiu que a permanência de Tuma no governo não está assegurada, embora tenha lembrado sua história como delegado e filho de um homem ?de muito respeito em São Paulo?, o senador Romeu Tuma (PTB-SP)”.

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