• Terça-feira, 17 Abril 2012 / 16:13

Palpite infeliz

      O vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, disse ao ‘Globo’ que “a preocupação com a CPI é zero”.

  • Segunda-feira, 06 Fevereiro 2012 / 14:45

Cesar: “Eleição no Rio terá 2º turno”

       Com vem fazendo todos os domingos, ‘O Dia’ publicou, nesse final de semana, mais uma entrevista com um cacique político do Rio. Esse domingo foi o dia de Cesar Maia que concedeu a entrevista a Rozane Monteiro:
“- O senhor tem dito que é hora de renovação no cenário político do Estado do Rio. O que isso quer dizer?
– A política do Rio de Janeiro, a política do estado todo tem alguns personagens: o (governador Sérgio) Cabral (PMDB), o (deputado federal Anthony) Garotinho (PR), eu (DEM) e, agora, o Lindbergh (Farias, senador do PT). São quatro personagens. Então, se você vai atrás da dinâmica do processo político, você vai atrás desses personagens. Só que, no nosso caso, por exemplo, a gente quer renovar o personagem — nós, do DEM. A busca nossa, não apenas no Rio de Janeiro, é a busca de entender que a nossa geração é uma geração que cumpriu o seu papel. Agora, tem que vir outra geração. Estou com 66 anos. Este ano, vou fazer 67. Em 2014, eu vou ter 70. Então, essas coisas a gente tem que entender. A gente não pode imaginar que a curva política seja uma curva de eternidade. O partido precisa buscar renovação. Para o caso do Brasil, isso é fundamental, que é buscar renovação para construir personagens políticos que serão, este ano ou em outro ano qualquer, os novos personagens da política de cada estado.
- Nesse quadro, o próprio prefeito Eduardo Paes, que parece convencido de que vai ser reeleito…
- Não está mais convencido. Não está mais convencido como estava há cinco meses.
- O senhor acha isso ou o senhor sabe que ele não está mais convencido?
- É o que eu sei. A gente faz as mesmas pesquisas que ele faz. Nós temos no Rio uma eleição que inexoravelmente vai para o segundo turno — é uma tradição do Rio, não tem jeito. O eleitor carioca não joga tudo num nome só. As pesquisas que a gente faz mostram que o Eduardo vai ter que disputar para ir para o segundo turno também. Porque ele comete três erros que, na história política do Rio de Janeiro, têm sido fatais: persegue servidores públicos, humilha os pobres — repressão pela repressão e intimidação —, e privatização da Educação e Saúde, que são os servidores que têm contato direto com a população. Ele vai ter que disputar a eleição para ir para o segundo turno. O Garotinho, em entrevista a O DIA (publicada dia 29 de janeiro), lembrou que, na hora que uma pesquisa do Ibope coloca o nome do (senador do PRB, Marcelo) Crivella, ele (Paes) já vem para 36%. Óbvio. Na hora que coloca o nome do (ex-deputado federal do PV Fernando) Gabeira, o meu, ele já vem pra 25%. E porque tanta gente na prefeitura… Tanta gente no entorno dele… Tanta gente que ele telefona, fala e recebe e que me conhece também… Dessa tanta gente, tem lá, uns 10%, sei lá, que me ligam, me mandam e-mail: “Cesar, estive com Eduardo”, “conversei não sei com quem”, “estão preocupados”…
- O filho do senhor, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a filha de Garotinho, a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR), estão juntos para enfrentar o prefeito Eduardo Paes. Os três fizeram uma reunião na quarta-feira para falar de eleição. Por que o senhor não foi?
- Por que não fui convidado. Só por isso.
- Foi o Rodrigo que marcou, não foi?
- Não faço a menor ideia. Eu sei que o Rodrigo e o Garotinho são deputados federais. Eles sentam no plenário e ali conversam. Um deputado fala uma bobagem, outro fala uma besteira, outro fala uma coisa interessante… “Olha, presta atenção, olha o que está falando ali”. Estão conversando ali. Então, tem um tipo de conversa, de interação entre os dois, na condição de deputado federal, que dá para eles uma interação natural todos os dias ou uma vez por semana, sei lá quanto. Não é meu caso.
- O senhor tem se reunido com Garotinho?
- Nesses últimos anos, estive com Garotinho duas vezes. Uma vez, foi um almoço na casa do Rodrigo, que foi, sei lá, aí por junho ou maio de 2011, com a Clarissa presente, em que se tratou do quadro geral.
- Foi nesse encontro que, como ele já contou, o senhor prometeu apoio em 2014 se ele vier candidato a governador?
- Não foi bem assim, né? Nesse, nem se tratou disso. Esse foi uma análise conjuntural. Teve um outro, que foi um jantar curto, com Rodrigo, Rogério Lisboa, Garotinho e eu. Fiquei 15 minutos na mesa porque tinha um compromisso num hotel em frente — era uma churrascaria, em Brasília. Eu tinha uma reunião. Ele estava com dúvidas sobre Nova Iguaçu. Foram respondidas. “E 2014?” 2014 é 2014. Agora, eu não tenho nenhum tipo de restrição ou dificuldade de amanhã, conforme as circunstâncias, ser seu vice. Falei assim, né? Ou não. Foi só essa frase que foi dita. Depende da dinâmica. Na entrevista do Garotinho a O DIA, ele tem uma preliminar que é muito importante: 2012 definirá 2014. Então, como nós — ele, eu e a torcida do Flamengo — passaremos por 2012? Como Sérgio Cabral passará por 2012? Sérgio Cabral era um forte eleitor em 2008. É um eleitor que os candidatos não vão querer na televisão. Hoje, Sérgio Cabral não agrega aos candidatos, tira voto.
- Ele atrapalha?
- Atrapalha.
- Por quê?
- Porque a gente testa. Só por isso. A gente faz pesquisa e testa. É uma eleição completamente diferente de 2008 e completamente diferente de 2010. Porque em 2010, o (ex-presidente) Lula era um santo, botava o dedo e elegia ou deselegia. Agora, não é assim. Agora, a presidenta é a Dilma, quem tem caneta. Não são mais 27 estados, são 500 cidades grandes. Então, é um quadro completamente diferente, um quadro competitivo. Agora, como é que a gente sai dessa eleição? Pensa bem, se alguém é candidato a governador vai querer como candidato a vice alguém que agregue ou não desagregue. Se eu fosse candidato a vice de alguém em 2010, eu agregaria? Não. Eu desagregaria? Alguma coisa.
- Por quê?
- Porque eu saí da prefeitura impopular. Só por isso. Então, como é que a gente pode fazer uma previsão de 2014, repetindo o que o Garotinho disse, sem passar por 2012? Fundamental. Aí, eu usaria o nome dele, Matheus. Mateus, 6,34: “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã. O dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta para cada dia o seu mal”. Então, o ‘dia’ de 2012 é o ‘dia’ que você tem que viver. Esse ‘dia’ de 2012 é que vai produzir as consequências para 2014. Imagina o que significa o Garotinho, que é uma pessoa muito popular, com muito voto na área popular, com muito voto na área evangélica — teve 170 mil votos para deputado federal na cidade do Rio de Janeiro… Imagina o que significa ele numa campanha dar uma grande agregação de votação ao Rodrigo e Clarissa. Agora, você imagina o contrário. Imagina eu sendo candidato a vereador — que serei, né? —, eu tendo 300 mil votos. Agora, imagina eu tendo 30 mil votos e sendo eleito. Então, como é que a gente vai tratar de combinações antes de saber quem são aqueles que ajudarão ou não candidatos ou ele mesmo em 2014?
- Garotinho seria um candidato competitivo ao governo do estado em 2014 contra o vice-governador Luiz Fernando Pezão?
- O Garotinho é um pré-candidato a governador muito forte. Ele é o fantasma do Pezão. Pezão faria de tudo para que essa nossa coligação fosse rompida porque onde o Pezão tem expectativa de voto o Garotinho é campeão de voto. O Pezão, com aquele estilo campônico dele, na capital não vai ganhar nada. Então ele fica naquela ansiedade porque essa dobradinha PR-DEM em 2012 é uma dobradinha que, fortalecendo o PR, nos fortalecendo, debilita o PMDB. O que o PMDB tem hoje no estado? A expressão do PMDB basicamente é ter o prefeito da capital, que é um PMDB de último momento. Você sabe das diferenças que existem entre os dois, governador e prefeito.
- Por exemplo?
- São reiteradas. Sempre. Reclama: “Está gerando desgaste para mim”… “Não fez o que se comprometeu em UPA”… Não sei das quantas… São coisas que vão acontecendo ali e que são ditas em voz alta. E as pessoas imediatamente, ali, no próprio celularzinho que tem ali… (imita alguém passando torpedo por um celular) “Cesar Maia, sabe o que ouvi agora?” Ou então: “Fulano, sabe o que ouvi aqui agora?” E, aí, vem e repercute para cá.
- O senhor está muito bem informado…
- Não estou muito bem informado porque não sei o quanto de informação existe. Eu estou suficientemente bem informado para que a gente possa planejar a campanha de 2012 de maneira que o nosso vetor seja um vetor liderado pelo Rodrigo e um vetor competitivo. É isso que nós estamos trabalhando. O Rodrigo tem uma linha de crescimento que vai ser relativamente rápida, que vai de 7 a 15 pontos. Depois da campanha, vai fazer a projeção da condição de ir para o segundo turno. Eu tenho tido no Rio de Janeiro 20% dos votos. Aqui, votam 3,5 milhões de eleitores. Eu tenho tido 20% disso como média. Em 2010, eu tive isso.
- O Rodrigo também herda a rejeição ao senhor?
- Claro, mas não herda toda.
- Qual a principal diferença entre o senhor e ele?
- Eu sou um político racionalista, de máquina de calcular. O Rodrigo é um político de articulação. Ele aprendeu a dinâmica da conversa, da audiência, da paciência. Ele tem estilo completamente diferente. Esse estilo permite a ele ter agregações que eu não tenho.
- A Clarissa, por ser bonita e carismática, pode ofuscar o Rodrigo?
- Se isso daí significar agregar, ‘tá bom. A Clarissa é o melhor quadro político da geração dela. Se há algum grande mérito da Rosinha e do Garotinho foi ter criado as condições para ter uma política que os supera. A Clarissa supera tanto a Rosinha quanto o Garotinho, sob qualquer ponto de vista. Eu não vou falar que tem o traquejo do Garotinho numa comunicação em rádio. Claro que não, certo? Mas, do ponto de vista político, eles criaram, educaram, abriram espaço para a filha, que, com seu talento, é hoje o quadro mais importante da geração dela. Mas o que significa ofuscar?
- Brilhar mais.
- Quanto mais ela brilhar, melhor para o Rodrigo. Eu perguntava para ele há um ano se não valeria a pena ter um vice do PR, técnico, sem brilho. E ele defendeu enfaticamente que não, que era fundamental ter um vice — que seria Clarissa Garotinho — que tem o talento dela, que tem a visibilidade dela, que tem a luz dela e que, em governo, será uma figura importante. Não apenas em campanha eleitoral, mas também em governo, pelo talento dela, pelo preparo dela, pela disciplina dela. Então, ele está muito bem acompanhado. O Garotinho tem, como eu, elementos de atrito que ela não tem.
- Que elementos de atrito os senhores têm?
- Essa combinação toda, do ponto de vista eleitoral, pode nos custar alguma coisa na Zona Sul, (nos fazer) perder votos. Vê a votação do Garotinho na Zona Sul e vê na Zona Oeste. Alguma razão existe para isso. Você tem uma taxa de rejeição dele na Zona Sul que não é pequena. E, ao contrário, na Zona Oeste, a taxa entre os evangélicos é uma taxa de aprovação grande, de entusiasmo com ele. Só que, na Zona Sul, o que a gente pode perder no início da campanha migra para o (deputado estadual Marcelo) Freixo (PSOL). Por quê? Porque, se a pessoa está marcando a gente e não o Eduardo, na hora que tiver algum motivo para sair, sai para o Freixo, para o (deputado federal) Otávio Leite (PSDB-RJ), não sai para o Eduardo. O problema nosso é só esse. Então, isso daí não nos preocupa porque a campanha vai corrigir algum tipo de potencial de desgaste na Zona Sul que poderia vir dessa combinação PR-DEM. Vamos ter um tempo de televisão muito bom.
- O senhor e o Garotinho têm um encontro marcado para o dia 27, quando estarão juntos em um ato público da coligação. A cena vai causar algum estranhamento porque os senhores já foram adversários?
- São meses com esse processo entrando. Cesar e Garotinho, “caramba, mas eles eram adversários”. No dia 27, não vai ter esse impacto que você imagina. Se nós estivéssemos há sete, oito meses, e tivéssemos dado essa fotografia (juntos em público). Mas nós não demos. De uma forma racional, o encontro foi sendo construído. Você imagina há sete, oito meses, a quantidade de e-mails que eu recebia: “Me explica isso, Cesar Maia”. As pessoas foram tendo respostas, conversando umas com as outras, isso vai acomodando. Por outro lado, você tem uma grande parte da população que acha bom isso.
- Vocês vão juntos fazer campanha nas ruas?
- Eu sou candidato a vereador. Ele está apoiando os candidatos do PR e não a mim, candidato a vereador. Ele vai junto com o Rodrigo e com a Clarissa, que são os candidatos majoritários. Eu sou candidato a vereador. Ele não pode querer que eu tenha mais votos — eu poderei ter — porque eu vou tirar vereador do PR. Então, ele vai ter que fazer campanha na rua para o PR, e a minha campanha de vereador vai ser uma campanha própria.
- Isso foi uma decisão de vocês dois?
- Foi uma decisão do partido, tomada na convenção de julho. A ideia dele é que eu vou ter muito voto. “E se eu não tiver?”, perguntei para ele. “E se eu não tiver e for eleito? A responsabilidade é de vocês. Mas, para que eu tenha voto, eu preciso de tempo de televisão. Então, vocês vão ter que sacrificar tempo de televisão para que eu possa ter essa votação que vocês imaginam. É uma hipótese de vocês. A minha é fazer uma campanha para me eleger vereador e tentar ter a votação que vocês imaginam.”
- Qual é a sua expectativa de votos para se eleger vereador?
- A conta ali no quadro negro foi assim: o Tio Carlos, o Caiadinho (Carlos Caiado) e o Cesar Maia, somados, teriam 250 mil votos. Os demais candidatos nossos a vereador (do DEM), numa chapa com coligação, teriam uns 3 mil votos em média. Isso daria de 8 a 9 vereadores (DEM). Eu e mais sete ou oito, desde que os três — Tio Carlos, Caiadinho e eu — tenhamos 250 mil votos. Essa é a projeção que eles fazem. Acho possível.
- Quais serão suas bandeiras como vereador?
- Eu vou lutar para derrubar as leis que prejudicaram os servidores públicos, derrubar as leis que permitiram a privatização da educação e da saúde, enfrentar a especulação imobiliária e garantir os recursos das Olimpíadas
- O prefeito Eduardo Paes já disse “não perco um minuto da minha vida com nenhum deles”, referindo-se ao senhor e ao Garotinho. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
- Ele vai dizer o quê? Se ele é prefeito, se ele é candidato à reeleição, vai dizer que as pesquisas dele dizem que essa eleição é uma eleição difícil e vai para o segundo turno? A resposta dele é uma resposta natural. Não vai encher a bola dos adversários. Mas está sempre ali procurando… Dá uma pancadinha. É aquele negócio: não se joga pedra em fruta podre. Vai fazer um discurso, diz: “Estou fazendo uma coisa que o Cesar Maia não fez…” Para quê? Por que ele não diz que o Conde não fez, por que não diz que o Marcello Alencar não fez? Ele não diz que o Conde não fez, que o Marcello Alencar não fez porque não são atores competitivos no quadro político do Rio de Janeiro hoje. Depois, está cometendo um erro político muito grande. Quantos partidos o estão apoiando? 17? Isso é uma coligação? Isso é um baile de máscaras de Luiz XVI. Ninguém sabe quem é quem. Com máscara, vale tudo. Prejudica. Uma coligação dessa é fácil ser atingida. Mas eles acham que isso tudo gera vitória…
- Há alguma possibilidade de o senhor ser candidato a prefeito este ano?
- Isso não existe. Não há hipótese, não há possibilidade. Quarta vez? Muito bom três vezes prefeito — o prefeito mais longevo da história do Rio de Janeiro. ‘Tá bom. Cumpri com minha função”.

  • Terça-feira, 03 Janeiro 2012 / 10:27

Cabral diz que fica até o fim do mandato

     O governador Sérgio Cabral concedeu uma entrevista a repórter Luciana Nunes Leal, do ‘Estadão’, a quem assegurou que continuará no governo do Rio até o último dia.
Se fosse se descompatibilizar em abril, para concorrer a qualquer mandato eletivo em 2014, Cabral não estaria a frente da Copa do Mundo, no Rio de Janeiro.
Como Pezão é seu candidato à reeleição, se saisse do governo passaria o poder, por nove meses, para o presidente da Assembléia do Rio – o que seria um desastre maior do que seu próprio governo.
Ficando até o final de 2014, “em defesa do Rio”, ele entra em 2015 sem qualquer imunidade parlamentar.
Quem viver verá…
A entrevista:
- 2011 foi o pior dos seus cinco anos de governo?
- Todos os anos ofereceram dificuldades e conquistas. A partir de 2008, o segundo ano do governo, as conquistas se evidenciaram, porque em 2007 nos dedicamos a organizar a casa. Investimos em gestão, serviço público, qualificação das pessoas. Este foi um ano como os demais, com grandes conquistas e grandes desafios. Quem diria que o Rio seria o Estado com a recepção dos maiores investimentos brasileiros e estrangeiros em 2010? Iniciamos
o ano com o desafio dos complexos da Penha e do Alemão, terminamos com a pacificação da Rocinha.
- Em julho o sr. criou uma comissão de ética do Estado. Ela é para valer? Pode mudar o comportamento do funcionário público?
- Ela está sendo montada pela Casa Civil, mas jamais foi apenas uma resposta para qualquer momento da minha vida pública. O nosso governo age com muita firmeza do ponto de vista ético. Demitimos inspetores de renda, funcionários públicos de todas as áreas. Não compactuamos com nenhum tipo de má conduta. A comissão de ética é importante como órgão consultivo.
- O sr. se sentiu na obrigação de rever a sua própria conduta em relação a voos em aviões emprestados ou aceitar convites de empresários?
- Não fiz nada de ilegal, mas é evidente que reavaliei e por isso estão contidas algumas restrições no procedimento da comissão de ética.
- Nas contas do governo, vemos dois recordes. O sr. pagou R$ 1,6 bi em despesas com obras e R$ 172,5 milhões com publicidade. Quais as razões desses gastos?
- O contrato de publicidade é de R$ 150 milhões e vai de abril a abril. É menos do que gastam a Bahia, São Paulo, Minas. Eu poderia ser o segundo do ranking porque sou o segundo Estado do Brasil. Mas não sou. Nas obras, ainda
teremos mais investimentos em infraestrutura. Aumentamos em 50% o esgoto tratado no Estado em apenas cinco anos. Vamos recuperar estradas, porque o interior está crescendo muito. O segredo de São Paulo ter crescido muito é o interior pujante. Temos um novo ciclo de investimento em áreas antes abandonadas. É muita obra, muito investimento. E cada vez que a gente vai pacificando as comunidades, é um jogo de ganha-ganha. Temos cinco, dez anos de uma boa perspectiva pela frente.
- Qual é o seu plano para depois 2014?
- Meu projeto é terminar o mandato no governo, colaborar muito para a reeleição da Dilma (Rousseff) e do Michel (Temer). Acredito muito nesta aliança de centro-esquerda PT-PMDB. Tem feito muito bem ao Brasil. Você veja
que o segundo mandato do presidente Lula foi muito melhor que o primeiro porque houve estabilidade para governar. Em 2012, quero colaborar com a reeleição do prefeito Eduardo Paes, sem dúvida o melhor prefeito da história da cidade do Rio. Em 2014 quero eleger Pezão meu sucessor e passar o bastão para ele.
- A discussão sobre os royalties do petróleo afastou o sr. da presidente Dilma?
- De forma alguma. Temos uma relação muito afetuosa. Ela, recentemente, em um evento em São Paulo, foi muito gentil ao comentar o quanto se sente à vontade em ser parceira do Rio, o quanto ela confia e acredita em nosso
trabalho. Temos um grande respeito recíproco, uma grande parceria. Fez um primeiro ano exemplar, impôs seu estilo sem deixar de valorizar nosso líder maior, que é o presidente Lula. Ela está muito centrada e serena em um momento difícil do mundo, com grande sensibilidade e grande prevenção, com medidas importantes e corajosas.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:13

Cabral, mais uma irregularidade

De Flavio Tabak, de ‘O Globo’:
“Pouco mais de três meses antes da campanha eleitoral, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), pré-candidato à reeleição, mudou o nome do Plano de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios (Padem), que distribui recursos para cidades do estado por meio de convênios.
Criado em 2001 durante o governo de Anthony Garotinho (PR), seu provável concorrente na disputa pelo Palácio Guanabara, o programa passa a ser chamado de Somando Forças ? que já é o slogan do atual governo.
A modificação foi publicada no Diário Oficial de ontem por meio do decreto 42.384. Como o lema ?Somando Forças? passa a ser um programa público, a futura candidatura de Cabral não poderá usá-lo como slogan de campanha. Segundo a procuradora regional eleitoral do Rio, Silvana Batini, é permitido apenas fazer referências ao Somando Forças durante as eleições: ? Se o candidato tiver dado esse nome para um programa institucional do governo, não poderá usá-lo no slogan de campanha.
Seria uso de um bem público, o que é uma conduta vedada.
Em princípio não dá para apontar irregularidade na troca do nome, mas é preciso ver como isso será utilizado. A apropriação de uma propaganda institucional pela campanha também é conduta vedada.
O decreto também deixa o Padem sob o guarda-chuva da Secretaria estadual de Obras, ocupada pelo vice-governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB) ? o que já era feito na prática. De acordo com Pezão, a iniciativa de trocar o nome partiu do próprio governador. O slogan da campanha, segundo ele, não deve ser ?Somando Forças?: ? O Cabral é quem bate o martelo. Há muito tempo ele cobra essa mudança de nome, foi iniciativa dele.
Conforme reportagem publicada pelo GLOBO em 13 de março, o Padem é usado por Cabral para atrair aliados. O governador deve distribuir neste ano R$ 223,6 milhões. O valor é cinco vezes maior do que foi transferido aos municípios em 2009″.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:07

Pezão trabalha até no aniversário

De Jorge Bastos Moreno, no seu ‘Nhenhenhém’:
“O incansável Pezão, no dia do seu aniversário, nesta segunda-feira, vem a Brasília, acompanhado do vice Sérgio Cabral, pedir um presente especial para o Lula e a Dilma: um dinheirinho para as favelas do Rio.
De Brasília, Cabral volta para o exterior.
Pezão vai comemorar seus 55 anos, à noite, na intimidade, com a mulher, Maria Lúcia”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:56

Pezão: “questão de justiça”

Do vice Luiz Fernando Pezão, em artigo no ‘Globo’:
“Com a aprovação pela Câmara dos Deputados da emenda que prevê a distribuição dos royalties da exploração do petróleo entre todos os estados e municípios brasileiros, os três estados produtores principalmente o Rio de Janeiro, mais São Paulo e Espírito Santo estão sendo colocados em lado oposto ao do restante da Federação, e, pior, apontados como ricos e individualistas. É necessário destacar que os recursos são uma compensação aos impactos sociais e ambientais da indústria do petróleo.
Na realidade, a divisão da riqueza do petróleo já é feita. O Estado do Rio produz 85% do petróleo nacional, mas fica com 46% dos royalties e participações especiais, o que totaliza cerca de R$ 7,5 bilhões ao ano. O restante das compensações vai para a União (quase totalidade), outros estados e municípios.
Com a mudança das regras, o governo do estado que, no ano passado, recebeu R$ 4,884 bilhões, passará a receber apenas R$ 100 milhões por ano. Já o montante do município de Campos cairá de R$ 1 bilhão para ínfimos R$ 4 milhões anuais. Que empresa, de pequeno ou grande porte, ou dona de casa resistiria a corte tão grande em seu orçamento? Outro ponto importante é que a cobrança do ICMS é feita no destino e não na origem como acontece com quase todos os produtos. Com isso, o Rio deixa de arrecadar R$ 8 bilhões ao ano.
Só mesmo por desconhecimento da história do Brasil para tentar colar essa injusta pecha no Rio. São muitas as perdas históricas do nosso estado. A primeira aconteceu há meio século, com a transferência da capital federal para Brasília. Com isso, perdemos, além do prestígio político, recursos financeiros.
Basta imaginarmos Brasília dentro do Rio para termos noção das nossas perdas, sem as devidas compensações.
Costumo lembrar o caso alemão. A cidade de Bonn recebeu, por uma década, 3 bilhões de euros por ano, a título de compensação, pela transferência da capital para Berlim. Já o Rio ganhou esvaziamento político e econômico.
Outra covardia contra o nosso estado foi a fusão da antiga Guanabara com o Estado do Rio, ocorrida há 35 anos, sem ao menos consulta popular e, mais uma vez, sem compensação financeira.
Nós, que somos do interior fluminense, sabemos exatamente o tamanho do esvaziamento político, financeiro e tributário que a fusão provocou.
Isso sem falar do empobrecimento que a capital experimentou.
Passados 13 anos da fusão, novo golpe contra o Rio. Em 1988, a Constituição estabeleceu que a cobrança do ICMS sobre o petróleo e seus derivados deverá ser feita, somente, no destino do seu consumo. Mais recentemente, com a descoberta de reservas gigantes de petróleo na camada pré-sal, nossas esperanças de recuperar tais perdas históricas se reacenderam. Em vão. A ocupação pelo Brasil de nova posição geopolítica no mundo e também como propõe acertadamente o governo federal a possibilidade de investimentos maciços em, por exemplo, educação e desenvolvimento tecnológico, são, sem dúvida, vitórias para todos nós, brasileiros. Provavelmente, esse é o destino mais nobre que se pode dar à riqueza obtida com o petróleo do présal.
Repartir o bolo ainda com outros estados é mais do que justo, e o Rio de Janeiro aplaude as duas iniciativas.
Entretanto, o governo do estado e municípios fluminenses não podem abrir mão dos valores das compensações pagas hoje. Esses recursos são essenciais para manter o equilíbrio das nossas finanças e também garantir investimentos necessários frente às demandas que surgem com a atividade petrolífera, como estradas, escolas, hospitais, segurança. Também não podemos nos furtar ao papel histórico do Rio de Janeiro de colaborar com o desenvolvimento socioeconômico do país.
Nosso objetivo é garantir as regras atuais de recebimento das compensações financeiras para os estados produtores e contribuir com o país, dando alternativa que permita ao governo federal colocar em prática seu ambicioso plano. Para isso, bastaria manter as regras, apesar de deixarmos de ganhar um volume maior de recursos com os novos campos do pré-sal. Aliás, a emenda aprovada é ilegal porque altera os contratos já licitados.
Com isso, fica mantido o nível de recursos recebidos pelo Rio de Janeiro em forma de compensações e permite a distribuição da riqueza aos outros estados e municípios não produtores.
É uma proposta boa para todos os entes brasileiros”.
        * * *
De uns 10 dias para cá, ficou na moda reclamar da mudança da capital para Brasília e da fusão da extinta Guanabara com o antigo Estado do Rio.
No primeiro caso, não há o que discutir.
Mas alguém conhece algum movimento que esteja tratando da desfusão?
A quem ela interessaria?
Certamente não é ao governador do Estado.
Aí é que ele não se reelegeria mesmo.
Gabeira ficaria com a Guanabara, e Garotinho com o Estado do Rio.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:48

Consequências imprevisíveis

 A passeata de hoje, no Rio, tem todos os ingredientes para que  termine em uma enorme confusão.
Esse é um ano eleitoral e lá estarão os três candidatos ao governo.
Se forem 150 mil pessoas, conforme  prevê o vice Pezão,  não haverá como impedir que partidários de um ou outro candidato resolva aproveitar o ato para tratar de outros assuntos, que não os royaltes do petróleo.
A passeata foi convocada pela prefeita  Rosinha Garotinho, que estará acompanhada do marido. O governador Sergio Cabral tomou pra si a iniciativa de organizar o protesto. O deputado Fernando Gabeira disse que estará no meio do povão.
Se for realmente um ato em favor do Rio de Janeiro, o normal é que os três discursem.
O palanque na Cinelândia foi construído pelo governo do Estado. Mas será que todos os  políticos terão acesso a ele? Os artistas convidados irão marchar da Candelária a Cinelândia, ou ficarão apenas no palanque ao lado de quem mandou construi-lo? Isso seria abusar da boa fé de quem vai lá defender o Rio. 
É óbvio que os que irão a passeata são todas pessoas politizadas e, por isso mesmo, com claras preferências eleitorais.
Se o palanque for aberto a todas as tendências, haverá vaias e aplausos para os que forem discursar. Se ele for utilizado apenas para os aliados do governador, aí será pancadaria na certa.
Não existe liderança política capaz de comandar 3 mil pessoas que sejam, quanto mais 150 mil.
A torcida para que esse blog esteja errado é imensa. Nessa torcida, inclui-se o próprio autor da nota.
Mas a verdade, repito, é que o ato tem tudo para acabar mal.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:37

Paris deixa Cabral doente

De Fernando Molica, em ‘O Dia’, com o título ‘Saudades de Paris’:
“Para um gaiato, Sergio Cabral passou mal na quinta ao lembrar que, a partir de abril, ficará seis meses sem poder ir a Paris. Pezão e Jorge Picciani, seus subsitutos imediatos, são candidatos às eleições e ficarão impedidos de assumir o governo”.
Tenham a certeza de que ele dará um jeito. Nem que seja para passar o poder ao presidente do Tribunal de Justiça.
Seis meses longe de Paris… nem pensar.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:37

Lula inaugurará meia Rocinha

Da ‘Folha”:
“Principais investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, as obras de urbanismo e habitação não ficarão prontas a tempo da inauguração de segunda-feira, com a presença do presidente Lula. O ministro das Cidades, Márcio Fortes, disse ontem que o presidente limitará a inauguração a um complexo esportivo, a uma unidade de saúde e a um centro para a prática de judô.
Segundo Fortes, só em junho a população da Rocinha desfrutará da abertura de ruas, de 144 novas unidades habitacionais e de planos inclinados -opção às rampas e escadarias do local. O atraso das obras -iniciadas há dois anos e orçadas em R$ 231,2 milhões- está sendo creditado pelo governo do Estado a dificuldades na desapropriação de imóveis.
Batizado de Centro de Integração, o complexo esportivo custou R$ 41,1 milhões. Terá duas quadras de esportes, duas piscinas, campo de futebol, escola de surfe, pista de skate e academia de boxe.
O Complexo de Atendimento à Saúde custou R$ 15,6 milhões. Terá uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), com capacidade de até cem atendimentos por dia, e um centro de assistência à família. O custo do Centro de Judô é de R$ 2,8 milhões.
As obras no complexo do Alemão e em Manguinhos (zona norte) estão mais adiantadas que as da Rocinha, segundo a assessoria do vice-governador Luiz Fernando Pezão, responsável pelo PAC no Estado”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:33

Reunião com Cabral é mistério

O site do ex-governador Garotinho informa que “a prefeita Rosinha Garotinho, presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), conquistou importantes adesões nesta terça-feira para a campanha ?Justiça para quem produz?, durante encontro com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, em Vitória, e mais 17 prefeitos capixabas. De Vitória, ela seguiu para o Rio, onde nesta quarta-feira, às 10h, se reúne com representantes do Fecomércio e, às 15h, estará com o governador Sérgio Cabral, que receberá os prefeitos que fazem parte da Ompetro”.
Esse encontro não faz parte da agenda do governador do Rio. Portanto existem três opções:
1 – Ele receberá a comissão, mas não quer dar publicidade a reunião.
2 – Ele não receberá a comissão, por isso não agendou o encontro.
3 – Ele encarregará o Vice Pezão ou outro secretário de Estado para estar com os prefeitos, já que entre eles está Rosinha Garotinho, e Cabral não quer ser fotografa ao lado de sua antecessora.

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