• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:48

Supremo irá julgar a tortura

Do ‘Estadão’:
“O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse ontem, no Senado, que a votação prevista para amanhã sobre a Lei da Anistia, no Supremo Tribunal Federal, será uma oportunidade de “lavar nossas feridas e permitir a cicatrização de uma chaga que ainda sangra, dói e machuca”.
Segundo Simon, o Brasil é “o único país da América Latina que ainda não julgou criminalmente os homens que se excederam na ditadura, torturando ou matando”.
- Tortura não é crime político. É um grave atentado à dignidade humana.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:12

RJ e ES tentam salvar royaltes

Do ‘Valor Econômico’:
“No último dia de apresentação de emendas ao projeto de lei que trata da definição do regime de partilha de produção como modelo de exploração do petróleo da camada pré-sal, os senadores Francisco Dornelles (PP-RJ) e Renato Casagrande (PSB-ES), apresentaram proposta conjunta para alterar a regra de divisão dos royalties incluída pela Câmara dos Deputados na proposta.
Pela emenda de Dornelles e Casagrande, a receita proveniente dos royalties do petróleo encontrado no mar – e somente para os contratos futuros – seria assim dividida: 30% para os Estados produtores, 20,8% para os municípios produtores e 5,8% para os municípios afetados por operações de embarque e desembarque da exploração dos poços.
Os Estados não produtores ficariam com 16,7%, distribuídos por meio do Fundo Especial dos Estados (FEE) e os municípios não produtores, com o mesmo percentual (16,7%), também repartidos por meio de um Fundo Especial dos Municípios (FEM). Os 9,9% restantes seriam divididos entre a Marinha (3,3%), o Ministério da Ciência e Tecnologia (3,3%) e um fundo especial para o Meio Ambiente (3,3%).
De acordo com a proposta, a União não teria direito a parte da receita. Apenas receberia os recursos que teria de repassar a Estados e municípios, por meio do fundo especial em sua quase totalidade.
A emenda foi apresentada por Dornelles e Casagrande, representantes dos dois Estados maiores produtores de petróleo do país, numa tentativa de evitar a aprovação pelo Senado da chamada “emenda Ibsen”, apresentada na Câmara, que determina o rateio de todo os royalties do petróleo do mar – inclusive dos encontrados em campos já licitados – entre Estados e municípios do país por meios dos fundos de participação.
Por essa emenda, os Estados produtores, os maiores beneficiados da regra atual de repartição dos royalties, perderiam o tratamento diferenciado. “Vamos apresentar a emenda e buscar apoio para ela”, disse Dornelles. Ele não concorda com a emenda apresentada por Pedro Simon (PMDB-RS) que dá à União a responsabilidade pela compensação das perdas que os Estados produtores teriam, caso a emenda da Câmara fosse aprovada.
Os senadores do Rio e do Espírito Santo preferem retirar a parte dos royalties à qual a União teria direito e repassá-la diretamente aos Estados e municípios. Não concordam também em mexer com os contratos já assinados. “Sabemos que temos que negociar ao mesmo tempo com a Câmara”, diz Casagrande. Quando o projeto for votado no Senado, ele será novamente submetido à votação dos deputados, se sofrer qualquer alteração. E a Câmara pode introduzir novamente a “Emenda Ibsen”, se houver acordo.
Ontem foi o último dia de apresentação das emendas aos projetos de lei que tratam do marco regulatório do pré-sal – partilha de produção, capitalização da Petrobras, fundo social e nova estatal para administrar os contratos de partilha. Até às 20h, 23 senadores haviam encaminhado emendas às três comissões em que eles tramitam simultaneamente – Constituição e Justiça (CCJ), Assuntos Econômicos (CAE) e Infraestrutura (CI)”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:23

Ex-ministro de FHC faz ginástica intelectual

Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES e ex-ministro das Comunicações no governo FHC, que não suportou um discurso do senador Pedro Simon e, por isso, pediu demissão do cargo, está ficando gagá. Só isso explica o artigo que ele escreve hoje na ‘Folha’ intitulado “Aumento do consumo: mérito de quem?”. Ele concluiu que Fernando Henrique Cardoso fez 60% e Lula 40%.
Como indicador, ele escolheu o preço dos autómoveis, embora diga que poderia ser também o aumento das viagens internacionais.
Vejam só a ginástica intelectual feita pelo ex-ministro para chegar a essa conclusão:
“Um dos temas mais discutidos hoje no Brasil é o do aparecimento de uma nova classe média e que representa quase metade da população. Os cientistas políticos exploram em suas reflexões o impacto desse grupo de brasileiros em ascensão sobre uma nova dinâmica política/eleitoral no país. Já os analistas econômicos estão mais preocupados com os efeitos da ampliação do mercado consumidor sobre a dinâmica de crescimento dos próximos anos. Mas a opinião geral é que essa dinâmica é suficientemente forte para influir no perfil de nossa sociedade ao longo da próxima década.
No debate eleitoral deste ano, um dos temas que têm dominado as intervenções dos principais atores políticos é o que trata da paternidade dessas mudanças. Para as pessoas ligadas ao governo e aos partidos que lhe dão apoio, não existe dúvida: foi o presidente Lula, com sua política social, o grande responsável por essas mudanças.
Já para os que gravitam em torno do PSDB e do governo FHC, nada disso teria acontecido sem a ruptura com nosso passado inflacionário por ocasião do Plano Real. Todo esse ganho de renda da nova classe média e o crescimento do crédito bancário ao consumidor -que são a base do aumento do consumo dos últimos anos- só ocorreram porque vivemos os últimos dez anos com uma moeda estável e confiável.
Não vou entrar nesse debate. Entretanto é possível quantificar os efeitos da estabilização conseguida nos anos FHC e da política social do governo Lula no crescimento do consumo nos últimos anos. Para esse exercício, escolhi entre vários indicadores o que, em minha opinião, mais se presta a essa análise: o valor em salários mínimos da prestação na compra de um automóvel de R$ 25.000.
Começo pelo fim, isto é, pelo resultado desse estudo realizado pelos economistas da Quest. No período entre junho de 2000 e dezembro de 2009, o número de salários mínimos necessários para pagar a prestação desse automóvel padrão reduziu-se a um terço do comprometimento antigo. Mas o trabalho da Quest foi mais longe e identificou as principais causas dessa queda. Elas estão ligadas à estabilidade econômica, conseguida no governo FHC e mantida pelo presidente Lula, e ao impacto do aumento real do mínimo no poder de compra do consumidor.
A estabilidade teve vários efeitos. O primeiro foi a redução do preço do automóvel em relação ao da cesta de consumo medida pelo IPCA. Em outras palavras, houve uma mudança de preços relativos na cesta de consumo do brasileiro.
Além disso, permitiu uma queda dos juros reais e um aumento dos prazos de financiamento, que chegaram para os automóveis a mais de cinco anos. Claramente foi a maior confiança do sistema bancário na estabilidade futura de preços que motivou esse comportamento.
Esses fatores ligados à estabilidade macroeconômica representaram 60% da queda do valor real das prestações do automóvel tomado aqui como referência. Já o aumento real do salário mínimo e associado à política social do governo Lula explica os restantes 40% de queda no valor da prestação do financiamento.
Esse mesmo exercício pode ser realizado para outros bens de consumo duráveis ou para certos serviços, como viagens internacionais. Neles vamos encontrar também a convergência virtuosa entre a estabilização macroeconômica de FHC e a política de ganhos reais do salário mínimo”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:11

Lula: Dilma terá dois mandatos

O presidente Lula disse em entrevista exclusiva ao ‘Estadão’ que não escolheu Dilma Rouseff como candidata à Presidente, pensando já em voltar ao poder em  2014:?Ninguém aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher uma pessoa para ser vaca de presépio.Todo político que tentou eleger alguém manipulado quebrou a cara.? Na entrevista aos repórteres Vera Rosa, Tânia Monteiro, Rui Nogueira, João Bosco Rabello e Ricardo Gandour, Lula disse que uma eventual gestão Dilma, não será mais à esquerda do que o seu governo, mas afirmou que as diretrizes do programa petista podem ser mais ?progressistas?: ?O partido, muitas vezes, defende princípios e coisas que o governo não pode defender?.
Veja a entrevista de Lula:
- Na entrevista ao ‘Estado’, em agosto de 2007, perguntamos se o sr. já pensava em lançar uma mulher como candidata à sua sucessão. Sua resposta foi: “No momento em que eu disser isso, uma flecha estará apontada para esse nome, seja ele qual for.” Naquela época, o sr. já tinha decidido que seria a ministra Dilma? Quando o sr. decidiu?
- Quando aconteceram todos os problemas que levaram o companheiro José Dirceu a sair do governo, eu não tinha dúvida de que a Dilma tinha o perfil para assumir a Casa Civil e ajudar a governar o País. Na Casa Civil ela se transformou na grande coordenadora das políticas do governo. Foi quase uma coisa natural a indicação da Dilma. A dedicação, a capacidade de trabalho e de aprender com facilidade as coisas foram me convencendo que estava nascendo ali mais do que uma simples tecnocrata. Estava nascendo ali uma pessoa com potencial político extraordinário, até porque a vida dela foi uma vida política importante.
- Mas a escolha da ministra só ocorreu porque houve um “vazio” no PT, como disse o ex-ministro Tarso Genro, com os principais candidatos à sua cadeira dizimados pela crise do mensalão, não?
- Não concordo. Não tinha essa coisa de “principais candidatos”. Isso é coisa que alguém inventou.
- José Dirceu, Palocci…
- Na minha cabeça não tinha “principais candidatos”. Estou absolutamente convencido de que ela é hoje a pessoa mais preparada, tanto do ponto de vista de conhecimento do governo quanto da capacidade de gerenciamento do Brasil.
- Naquele momento em que sr. chamou a ministra de “mãe do PAC”, na Favela da Rocinha (Rio), ali não foi apresentada a vontade prévia para fazer de Dilma a candidata?
- Se foi, foi sem querer. Eu iria lançar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), na verdade, antes da eleição (de 2006). Mas fui orientado a não utilizar o PAC em campanha porque a gente não precisaria dele para ganhar as eleições. Olha o otimismo que reinava no governo! E o PAC surgiu também pelo fato de que eu tinha muito medo do segundo mandato.
- Por quê?
- Quem me conhece há mais tempo sabe que eu nunca gostei de um segundo mandato. Eu sempre achei que o segundo mandato poderia ser um desastre. Então, eu ficava pensando: se no segundo mandato o presidente não tiver vontade, não tiver disposição, garra e ficar naquela mesmice que foi no primeiro mandato, vai ser uma coisa tão desagradável que é melhor que não tenha.
- O sr. está enfrentando isso?
- Não porque temos coisas para fazer ainda, de forma excepcional, e acho que o PAC foi a grande obra motivadora do segundo mandato.
- O sr. não está desrespeitando a Lei Eleitoral, antecipando a campanha?
- Não há nenhum desrespeito à Lei Eleitoral. Agora, o que as pessoas não podem é proibir que um presidente da República inaugure as obras que fez. Ora, qual é o papel da oposição? É criticar as coisas que nós não fizemos. Qual é o nosso papel? Mostrar coisas que nós fizemos e inaugurar.
- Mas quem partilha dessa tese diz que o sr. praticamente pede votos para Dilma nas inaugurações…
- Eu dizer que vou fazer meu sucessor é o mínimo que espero de mim. A grande obra de um governo é ele fazer seu sucessor. Não faz seu sucessor quem está pensando em voltar quatro anos depois. Aí prefere que ganhe o adversário, o que não é o meu caso.
- Há quem diga que o sr. só escolheu a ministra Dilma, cristã nova no PT, com apenas nove anos de filiação ao partido, porque, se eleita, ela será fiel a seu criador. Isso deixaria a porta aberta para o sr. voltar em 2014. O sr. planeja concorrer novamente?
- Olha, somente quem não conhece o comportamento das mulheres e somente quem não conhece a Dilma pode falar uma heresia dessas. Ninguém aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher uma pessoa para ser vaca de presépio. Não faz parte da minha vida nem no PT nem na CUT. Eu já tive a graça de Deus de governar este país oito anos. Minha tese é a seguinte: rei morto, rei posto. A Dilma tem de criar o estilo dela, a cara dela e fazer as coisas dela. E a mim cabe, como torcedor da arquibancada, ficar batendo palmas para os acertos dela. E torcendo para que dê certo e faça o melhor. Não existe essa hipótese .
- O sr. não pensa mesmo em voltar à Presidência?
- Não penso. Quem foi eleito presidente tem o direito legítimo de ser candidato à reeleição. Ponto pacífico. Essa é a prioridade número 1.
- O sr. não vai defender a mudança dessa regra, de fim da reeleição com mandato de cinco anos?
- Não vou porque quando quis defender ninguém quis. Eu fui defensor da ideia de cinco anos sem reeleição. Hoje, com a minha experiência de presidente, eu queria dizer uma coisa para vocês: ninguém, nenhum presidente da República, num mandato de quatro anos, concluirá uma única obra estruturante no País.
- Então o sr. mudou de ideia…
- Mudei de ideia. Veja quanto tempo os tucanos estão governando São Paulo e o Rio Tietê continua do mesmo jeito. É draga dali, tira terra, põe terra. Eu lembro do entusiasmo do Jornal da Tarde quando, em 1982, o banco japonês ofereceu US$ 500 milhões para resolver aquilo. A verdade é que, para desgraça do povo de São Paulo, as enchentes continuam. Eu não culpo o Serra, não culpo o Kassab e nenhum governante. Eu acho que a chuva é demais. No meu apartamento, em São Bernardo, está caindo mais água dentro do que fora. Choveu tanto que vazou. Há dias o meu filho me ligou, às duas horas da manhã, e disse: “Pai, estou com dois baldes de água cheios.” Eu fui a São Paulo no dia do aniversário da cidade e disse que o governo federal está disposto a sentar com o governo do Estado, com o prefeito, e discutir uma saída para ver se consegue resolver o problema, que é gravíssimo. Não queremos ficar dizendo: “Ah, é meu adversário, deu enchente, que ótimo”. Quem está falando isso para vocês viveu muitas enchentes dentro de casa.
- Pelas diretrizes do programa do PT, um eventual governo Dilma Rousseff parece que será mais à esquerda que o seu…
- Eu ainda não vi o programa, eu sei que tem discussão. Mas conheço bem a Dilma e, como acho que ela deve imprimir o ritmo dela, se ela tomar uma decisão mais à esquerda do que eu, eu tenho que encarar com normalidade. E, se tomar uma posição mais à direita do que eu, tenho que encarar com normalidade. Tenho total confiança na Dilma, de que ela saberá fazer as coisas corretas para este país. Uma mulher que passou a vida que a Dilma passou – e é sem ranço, sem mágoa, sem preconceito – venceu o pior obstáculo.
- A experiência de poder distanciou o sr. do pensamento mais utópico do PT, não?
- Veja, o PT que chegou ao poder comigo, em 2002, não era mais o PT de 1980, de 1982.
- Não era porque houve a Carta ao Povo Brasileiro…
- Não é verdade. Num Congresso do PT aparecem 20 teses. Tem gosto para todo mundo. É que nem uma feira de produtos ideológicos. As pessoas compram o que querem e vendem o que querem. O PT, quando chegou à Presidência, tinha aprendido com dezenas de prefeituras, já tínhamos as experiências do governo do Acre, do Rio Grande do Sul, de Mato Grosso do Sul… O PT que chegou ao governo foi o PT maduro. De vez em quando, acho que foi obra de Deus não permitir que eu ganhasse em 1989. Se eu chego em 1989 com a cabeça do jeito que eu pensava, ou eu tinha feito uma revolução no País ou tinha caído no dia seguinte. Acho que Deus disse assim: “Olha, baixinho, você vai perder várias eleições, mas, quando chegar, vai chegar sabendo o que é tango, samba, bolero.” O PCI italiano passou três décadas sendo o maior partido comunista do mundo ocidental, mas não passava de 30%. Eu não tinha vocação para isso. E onde eu fui encontrar (a solução)? Na Carta ao Povo Brasileiro e no Zé Alencar. Essa mistura de um sindicalista com um grande empresário e um documento que fosse factível e compreensível pela esquerda e pela direita, pelos ricos e pelos pobres, é que garantiu a minha chegada à Presidência.
- Mesmo assim, o sr. teve de funcionar como fator moderador do seu governo em relação ao partido…
- E vou continuar sendo. Eu não morri.
- Mas a Dilma poderá fazer isso?
- Ah, muito. Hipoteticamente, vocês acham que o PSTU ganhará eleição com o discurso dele? Vamos supor que ganhe, acham que governa? Não governa.
- As diretrizes do PT, que pregam o fortalecimento do Estado na economia, não atrapalham?
- Quero crer que a sabedoria do PT é tão grande que o partido não vai jogar fora a experiência acumulada de ter um governo aprovado por 72% na opinião pública depois de sete anos no poder. Isso é riqueza que nem o mais nervoso trotskista seria capaz de perder.
- Os críticos do programa do PT dizem que o Estado precisa ter limites como empreendedor. Por que mais Estado na economia?
- Vou fazer uma brincadeira: o único Estado forte que eu quero é o Estadão (risos). Não existe hipótese, na minha cabeça, de você ter um governo que vire um governo gerenciador. O governo tem dois papéis e a crise reforçou a descoberta deste papel. O governo tem, de um lado, de ser o regulador e o fiscalizador; do outro lado, tem de ser o indutor, o provocador do investimento, que discute com o empresário e pergunta por que ele não investe em tal setor.
- Por que é preciso ressuscitar empresas estatais para fazer programas como a universalização da banda larga? O governo toca o Luz Para Todos com uma política pública que contrata serviços junto às distribuidoras e não ressuscita a Eletrobrás.
- Mas nós estamos ressuscitando a Eletrobrás. O Luz Para Todos só deu certo porque o Estado assumiu. As empresas privadas executam sob a supervisão do governo, que é quem paga.
- Não pode fazer a mesma coisa com a banda larga?
- Pode. Não temos nenhum problema com a empresa privada que cumpre as metas. Mas tem empresa privada que faz menos do que deveria. Então, eu quero, sim, criar uma megaempresa de energia no País. Quero empresa que seja multinacional, que tenha capacidade de assumir empréstimos lá fora, de fazer obras lá fora e fazer aqui dentro. Se a gente não tiver uma empresa que tenha cacife de dizer “se vocês não forem, eu vou”, a gente fica refém das manipulações das poucas empresas que querem disputar o mercado. Então, nós queremos uma Eletrobrás forte, para construir parceria com outras empresas. Não queremos ser donos de nada.
- A banda larga precisa de uma Telebrás?
- Se as empresas privadas que estão no mercado puderem oferecer banda larga de qualidade nos lugares mais longínquos, a preço acessível, por que não?
- Mas precisa de uma Telebrás?
- Depende. O governo só vai conseguir fazer uma proposta para a sociedade se tiver um instrumento. Não quero uma nova Telebrás com 3 ou 4 mil funcionários. Quero uma empresa enxuta, que possa propor projetos para o governo. Nosso programa está quase fechado, mais uns 15 dias e posso dizer que tenho um programa de banda larga. Vou chamar todos e q-uero saber quem vai colocar a última milha ao preço mais baixo. Quem fizer, ganha; quem não fizer, tá fora. Para isso o Estado tem de ter capacidade de barganhar.
- O sr. teme que o PSDB venha na campanha com o discurso de gastança, de inchaço da máquina, que o seu governo contratou 100 mil novos servidores?
- Vou dar um número, pode anotar aí: cargos comissionados no governo federal, para uma população de 191 milhões de habitantes. Por cada 100 mil habitantes, o governo tem 11 cargos comissionados. O governo de São Paulo tem 31 e a Prefeitura de São Paulo tem 45.
- Deixar o governo de Minas para o PMDB de Hélio Costa facilita a vida de Dilma junto à base aliada?
- A aliança com o PMDB de Minas independe da candidatura ao governo de Estado. O Hélio Costa tem me dito publicamente que a candidatura dele não é problema. Ele propõe o óbvio, que se faça no momento certo um estudo e veja quem tem mais condições e se apoie esse candidato. Acho que os companheiros de Minas, tanto o Patrus Ananias quanto o Fernando Pimentel se meteram em uma enrascada. Estava tudo indo muito bem até que eles transformaram a disputa entre eles em uma fissura muito ruim para o PT. Como a política é a arte do impossível, quem sabe até março eles conseguem resolver o problema deles.
- A desistência da pré-candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) facilitaria a vida de Dilma?
- O Ciro é um companheiro por quem tenho o mais profundo respeito. Eu já gostava do Ciro e aprendi a respeitá-lo. Um político com caráter. E, portanto, eu não farei nada que possa prejudicar o companheiro Ciro Gomes. Eu pretendo conversar com ele, ver se chegamos à conclusão sobre o melhor caminho.
- Ele diz que o “santo Lula” está errado.
- É preciso provar que o santo está errado. É por isso que eu quero discutir.
- O sr. ainda quer que ele seja candidato ao governo de São Paulo?
- Se eu disser agora, a minha conversa ficará prejudicada.
- O senador Mercadante pode ser o plano B?
- Não sei. Alguém terá de ser candidato.
- O Ciro tem dito que a aliança da ministra Dilma com o PMDB é marcada pela frouxidão moral.
- Todo mundo conhece o Ciro por essas coisas. Mas acho que ele não disse nada que impeça uma conversa com o presidente.
- O que se teme no Temer? Ele é o nome para vice?
- O Michel Temer, neste período todo que temos convivido com ele, que ele resolveu ficar na base e foi eleito presidente da Câmara, tem sido um companheiro inestimável. A questão da vice é uma questão a ser tratada entre o PT, a Dilma e o PMDB.
- O sr. não teme que Dilma caia nas pesquisas após sair do governo?
- Ela vai crescer.
- Mas sozinha?
- Ela nunca estará sozinha. Eu estarei espiritualmente ao lado dela (risos).
- Há quem tenha ficado assustado com a foto do sr. abraçando o Collor, depois de tudo o que passou na campanha de 1989.
- O exercício da democracia exige que você faça política em função da realidade que vive. O Collor foi eleito senador pelo voto livre e direto do povo de Alagoas, tanto quanto foi eleito qualquer outro parlamentar. Ele está exercendo uma função institucional e merece da minha parte o mesmo respeito que eu dou ao Pedro Simon, que de vez em quando faz oposição, ao Jarbas Vasconcelos, que faz oposição. Se o Lula for convidado para determinadas coisas, não irá. Mas o presidente tem função institucional. Portanto, cumpre essa função para o bem do País e, até agora, tem dado certo. Fui em uma reunião com a bancada do PT em que eles queriam cassar o Sarney. Eu disse: muito bem, vocês cassam o Sarney e quem vem para o lugar?
- O sr. acha que o eleitor entende?
- O eleitor entende, pode entender mais. Agora, quem governa é que sabe o tamanho do calo que está no seu pé quando quer aprovar uma coisa no Senado.
- O governo depende do Sarney no Senado? O único punido até agora foi o Estado, que está sob censura.
- O Sarney foi um homem de uma postura muito digna em todo esse episódio. Das acusações que vocês (o jornal) fizeram contra o Sarney, nenhuma se sustenta juridicamente e o tempo vai provar. O exercício da democracia não permite que a verdade seja absoluta para um lado e toda negativa para o outro lado. Perguntam: você é contra a censura? Eu nasci na política brigando contra a censura. Exerço um governo em que eu duvido que alguém tenha algum resquício de censura. Mas eu não posso censurar que os Poderes exerçam suas funções. Eu não posso censurar a imprensa por exercer a sua função de publicar as coisas, nem posso censurar um tribunal ou uma Justiça por dar uma decisão contrária. Deve ter instância superior, deve ter um órgão para recorrer.
- O sr. e o PT lideraram o processo de impeachment de Collor e nada, então, se sustentou juridicamente porque o STF absolveu o ex-presidente. O sr. está dizendo que o jornal não deveria publicar as notícias porque não se sustentariam juridicamente? Os jornais publicam fatos…
- Não quero que vocês deixem de publicar nada. Minha crítica é esta: uma coisa é publicar a informação, outra coisa é prejulgar. Muitas vezes as pessoas são prejulgadas. Todos os casos que eu vi do Sarney, de emprego para a neta, daquela coisa, eu ficava lendo e a gente percebia que eram coisas muito frágeis. Você vai tirar um presidente do Senado porque a neta dele ligou para ele pedindo um emprego?
- O caso da neta é o corporativismo, o fisiologismo, os atos secretos…
- O que eu acho é o seguinte: o DEM governou aquela Casa durante 14 anos e a maioria dos atos secretos era deles. E eles esconderam isso para pedir investigação do outro lado. É uma coisa inusitada na política.
- O sr. acha que os fatos do “mensalão do DEM”, no Distrito Federal, são fatos inverídicos também?
- No DEM tem um agravante: tem gravação, chegaram a gravar gente cheirando dinheiro.
- No mensalão do PT tinha uma lista na porta do banco com o registro dos políticos indo pegar a mesada…
- Vamos pegar aquela denúncia contra o companheiro Silas Rondeau, que foi ministro das Minas e Energia. De onde se sustenta aquela reportagem dizendo que tinha dinheiro dentro daquele envelope? Como se pode condenar um cara por uma coisa que não era possível provar?
- O sr. tem dito, em conversas reservadas, que quando terminar o governo, vai passar a limpo a história do mensalão. O que o sr. quer dizer?
- Não é que vou passar a limpo, é que eu acho que tem coisa que tem de investigar. E eu quero investigar. Eu só não vou fazer isso enquanto eu for presidente da República. Mas, quando eu deixar a Presidência, eu quero saber de algumas coisas que eu não sei e que me pareceram muito estranhas ao longo do todo o processo.
- Quem o traiu?
- Quando eu deixar a Presidência, eu posso falar.
- Por que é que o seu governo intercede em favor do governo do Irã?
- Porque eu acho que essa coisa está mal resolvida. E o Irã não é o Iraque e todos nós sabemos que a guerra do Iraque foi uma mentira montada em cima de um país que não tinha as armas químicas que diziam que ele tinha. A gente se esqueceu que o cara que fiscalizava as armas químicas era um brasileiro, o embaixador Maurício Bustani, que foi decapitado a pedido do governo americano, para que não dissesse que não havia armas químicas no Iraque.
- O sr. continua achando que a Venezuela é uma democracia?
- Eu acho que a Venezuela é uma democracia.
- E o seu governo aqui é o quê?
- É uma hiper-democracia. O meu governo é a essência da democracia”.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 23:21

De Arinos para Sarney

O jornalista Élio Gaspari publica hoje na ‘Folha’ e no ‘Globo’ o seguinte artigo:

“José,
Renuncie, homem. Aqui somos três a pedi-lo. Eu, o Milton Campos e o Pedro Aleixo, três amigos, velhos companheiros a quem você admirava com sorriso encantado quando chegou à Câmara, em 1959, aos 29 anos.
Todos três passamos por momentos em que nos enganamos quando as circunstâncias se confundiram com a existência. Na renúncia do Jânio eu era ministro das Relações Exteriores e deveria ter defendido, desde o primeiro momento, a posse do doutor João Goulart. Em 1964, diante dos primeiros casos comprovados de tortura, o Milton deveria ter renunciado ao Ministério da Justiça. O Pedro Aleixo reconhece que naquela reunião que editou o AI-5 ele devia ter devolvido a Vice-Presidência. Um ano depois, apearam-no. Nos três casos, as circunstâncias indicavam que devíamos fazer o que fizemos.
Confundidos, pensávamos que não havia opção melhor. Você sabe que a modéstia nunca foi um
dos meus atributos: não percebemos quão grandes éramos.
Com justos motivos você avalia suas opções levando em conta o que diz o presidente Lula, o apoio do senador Renan Calheiros e até mesmo a agressiva defesa representada por Fernando Collor. Você pensa até no PMDB. Tudo circunstancial. Em 1988, Lula te chamou de “incapaz” cinco vezes em 43 segundos. O que haveria de pensar o jovem José Sarney se visse a mim, ao Milton e ao Pedro almoçando no Bife de Ouro com o Tenório Cavalcanti e o Amaral Neto? Claro que pouca gente sabe quem são esses dois (nem estamos aqui para reapresentá-los). Assim como os jovens de hoje não lembram o que foi a UDN, os de amanhã não lembrarão o que foi o PMDB.
Renuncie, homem. Saia desse contratempo e carregue seus penares. A crise é sua, mas a essa altura ela interessa aos outros. Ao Lula convém um Congresso desmoralizado. Aos aliados do PMDB interessa mostrar que têm os poderes dos embalsamadores. Fuja do sarcófago.
Censurar jornal, José? Chantagear o Pedro Simon, Sarney? Esse não é nosso patrimônio. O presidente que ficou impassível enquanto seu ônibus era apedrejado e riscou com o traço da bonomia sua passagem pela vida pública está se apedrejando.
Orgulhamo-nos da tua alvorada. Não compartilhe o crepúsculo com os senadores Calheiros e Collor. O Antonio Carlos Magalhães diz que isso é feitiço de um certo Bita do Barão, com seus tambores de Codó.
Milton Campos e Pedro Aleixo pediram-me que escrevesse porque insistem em lembrar a qualidade do meu discurso de 9 de agosto de 1954. Até hoje sofro por esse ataque ao Getúlio Vargas. Não que devesse poupá-lo, mas padeço pelo que sucedeu 15 dias depois. (Ele evita encontrar comigo, nunca me dirigiu a palavra e, na chegada do d. Helder Câmara, negou-me a mão.) Sei que você memorizou trechos dessa fala e sei que você jamais viu malícia na minha alma.
Como o Pedro e o Milton insistiram ao ponto da impertinência, repito-me:
“Senhor presidente Getúlio Vargas, eu lhe falo como presidente (…) tome afinal aquela deliberação, que é a última que um presidente, na sua situação, pode tomar. (…) E eu falo ao homem Getúlio Vargas e lhe digo: lembre-se da glória de sua terra (…) lembre-se homem, pelos pequeninos, pelos humilhados, pelos operários, pelos poetas”.
Com as recomendações de Annah e os votos pela recuperação de Marly, deixa-lhe um abraço e a certeza da amizade, o seu,
Afonso”

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 23:16

A frase do dia

Do senador Pedro Simon sobre o aparte que recebeu ontem do senador Fernando Collor:
“É incrível! Me veio a imagem do pai dele, que atirou e matou o senador Kairala. Foi assustador, saía fogo dos olhos do senador Fernando Collor ali logo embaixo de mim. E eu não falei nada demais dele, quando vi ele entrou correndo, completamente transtornado!”

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 23:06

José Dirceu tem novos amigos

Diz hoje o ministro José Dirceu em seu blog:
?Os trabalhos parlamentares recomeçam e a mídia não desiste de sua campanha. Inconformada já que sua pressão para calar os que apóiam o senador José Sarney (PMDB-AP) não funcionou, transforma a defesa do presidente do Senado por senadores aliados, ou as denúncias comprovadas contra senadores da oposição ou dissidentes do PMDB, em ?bate boca? e ?baixarias?.
Traduzindo:
1 – José Dirceu diz que existem ?denúncias comprovadas? contra Pedro Simon, já que ele foi o dissidente do PMDB que ontem discursou e, por isso, foi dura e covardemente atacado.
2 ? José Dirceu aplaude a atuação dos ?senadores aliados? que, para defender José Sarney, não se envergonham em chantagear e tentar humilhar o senador Pedro Simon. Os aplausos do ministro vão para Renan Calheiros, Fernando Collor, Wellington Salgado e Papaléo Paes
Esse são os novos amigos de José Dirceu.
Não se surpreendam se amanhã ele aplaudir Paulo Duque.
E durma-se com um barulho desses.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:27

Tião, Jarbas ou Pedro Simon

 José Sarney está convencido de que se pedir licença da presidência do Senado, ele não voltará ao cargo.
E pior:no período de licença, a pressão contra ele e seus familiares, nas investigações que estão por vir, será tão ou mais insuportável do que atualmente.
O melhor seria a renuncia.
E a Casa elegeria um novo presidente.
Se ele fôr fora dos quadros do PMDB, que tem a maioria no Senado, o eleito poderá ser Tião Viana, do PT.
Se a maioria peemedebista ? leia-se Renan e Cia. – optar por um dos 17 senadores que assinaram a nota em favor de Sarney, é possível que a oposição busque, dentro do próprio PMDB, a candidatura de Jarbas Vasconcellos ou de Pedro Simon.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 22:01

Até tu, Brutus?

Diz o senador Pedro Simon que ?estamos no fundo do poço?.
Quem dera.
Esse poço ainda tem muito fundo.
Minutos depois da declaração de Simon, senador há 27 anos, e um dos mais dignos e sérios parlamentares do país, descobre-se que 37 senadores estão envolvidos com atos secretos, inclusive o próprio.
E, nesse caso, não tem mais ou menos envolvidos.
Estão todos no mesmo balaio

  • Segunda-feira, 05 Julho 2010 / 4:37

Serra precisa reinstalar o sistema

  O bagulho entupiu.
Assim, plagiando o sambista Zeca Pagodinho, esse blog resumiu, há dias, a campanha de José Serra à Presidência. Era impressionante a quantidade de erros cometidos pelo comando tucano, culminando com a escolha do vice, Índio do Demo.
Hoje, o jornalista Élio Gaspari faz nova comparação, obviamente de maneira mais sofisticada. Vamos a ela.
   “José Serra está na situação do sujeito que digita um texto em “Times New Roman” e ele aparece na fonte “Arial”. (Numa entrevista, indagado pela jornalista Miriam Leitão sobre a autonomia do Banco Central, destratou-a.) Depois, o cidadão decide salvar uma planilha, e ela some. (Forma uma chapa puro-sangue com um vice que noutra encarnação foi expulso do PSDB.) Finalmente, no meio de uma palestra com PowerPoint, suas tabelas travam. (Diante da insurreição do DEM, fecha a chapa com um candidato com quem nunca conversou por mais de cinco minutos.)
O freguês do computador achou que o problema estava no programa Word (Jornalistas perguntando o que não devem). Depois a suspeita migrou para o Excel. (O PSDB é muito volúvel). Finalmente, o culpado é o PowerPoint (É preciso reformular a estrutura da campanha).
Se os problemas fossem esses, seriam pequenos, mas, levando-se as queixas a quem sabe mexer com as máquinas, a resposta é dura: na melhor das hipóteses é o seu sistema operacional que está corrompido. O bug não está nos diversos programas que acompanham a candidatura, mas na sua essência. É preciso reinstalar o sistema. Na pior das hipóteses, a encrenca não está no software, mas na própria máquina. Por ser a alternativa catastrófica, letal, convém desprezá-la.
Problemas na escolha dos vices são mais comuns do que resfriados. Geraldo Alckmin jogou ao mar Henrique Alves; Fernando Henrique Cardoso sacrificou Guilherme Palmeira. Tancredo Neves, reunido com o senador Pedro Simon numa suíte do Hotel Nacional, ouviu um veto desprimoroso a José Sarney, que se retirou da sala, tomou o avião e foi para o Rio. Tancredo disse a Simon que o vice de seu projeto era Sarney e acabou com a divergência. Quando o ministro do Exército, general Lyra Tavares, disse ao general Médici que o almirante Rademaker não podia ser seu vice, o então comandante da guarnição do Sul pegou o quepe e voltou para Porto Alegre, onde foram buscá-lo, com Rademaker na vice.
Serra detonou a proposta de prévias de Aécio Neves, que poderia expor o PSDB a uma saudável exposição de contraditórios. Fez isso insistindo em postergar o lançamento de sua candidatura. Há um ano, quando a nação petista começou a mover a candidatura de Dilma Rousseff, o governador de São Paulo estava 30 pontos à frente da chefe da Casa Civil. Assumindo a candidatura, acreditou demais na possibilidade de atrair Aécio Neves e cultivou a ideia de dispensar o DEM. Serra temia, e continua temendo, a exibição dos vídeos do democrata José Roberto Arruda e de sua quadrilha embolsando dinheiro em malas, bolsas e meias.
Há um mês, Serra poderia escolher o vice que bem entendesse. Não queria buscá-lo no DEM, mas não disse isso a ninguém. Fez uma escolha oportunista, calculou mal o equilíbrio da política paranaense e acordou na quarta-feira sem plano B, C ou Z. Aceitou um companheiro de chapa produzido muito mais pela marquetagem do que pelos Maia do Rio de Janeiro. Todas as decisões e indecisões saíram do seu sistema operacional e deu no que deu.
Há três meses, Serra lembrou que “a boa equipe necessita de um norte claro, sempre claro, de quem está no comando” e lançou-se na campanha presidencial dizendo que “o Brasil pode mais”. Depois disso, o “Times Roman” virou “Arial”, a planilha sumiu e o “PowerPoint” travou. Como a campanha mal começou, poderá reinstalar o sistema”.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.