• Domingo, 06 Fevereiro 2011 / 10:29

PCdoB reclama de que?

     Do colunista Ilimar Franco, de ‘O Globo’:
“Convidado para assumir a Autoridade Pública Olímpica, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, quer acumular com a organização da Copa de 2014. O PCdoB está cada vez mais irritado com esse encaminhamento”.
                   * * *
Esse irritação só pode ser por questões de poder (ou caixa).
Conflito ideológico é que não é.
Afinal, não foi o comunista Orlando Silva, o ministro da Tapioca, que foi a Londres buscar instruções para o Rio2016 com o facínora Tony Blair?

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:21

A frase do dia

“Quando eu estiver fora (do governo), vou evitar que se faça com a Dilma o que fizeram comigo. Vou gritar mais, vou ter mais liberdade. Não vou ser instituição. Vou arregaçar as mangas para fazer a reforma política, porque não podemos ficar subordinados ao que um juiz diz que podemos ou não fazer. Vou poder gritar mais, perturbar mais” – do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro do PCdoB em apoio à candidatura de Dilma Rousseff.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:19

O tapioca e o pagodeiro

De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha”:
“O PC do B, que hoje formaliza apoio a Dilma Rousseff, está em pé de guerra com o PT em São Paulo. Os comunistas do Brasil ameaçam abandonar o candidato ao governo Aloizio Mercadante e aderir a Paulo Skaf (PSB) se os petistas insistirem em rejeitar o cantor e vereador Netinho de Paula como companheiro de chapa de Marta Suplicy ao Senado”.
O mais ilustre comunista de São Paulo, o ministro Orlando Silva – o ministro da tapioca – aquele que teme o voto popular e vive atrás de uma boquinha nas Olimpíadas, ao que tudo indica não move uma palha para resolver o impasse.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:16

General pagou a informante

De  ‘O Globo’:
“Durante a ditadura militar, o Exército brasileiro deu dinheiro a um dirigente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em troca de informações sobre onde se realizaria uma reunião em que os dirigentes da sigla, então na clandestinidade, discutiriam a Guerrilha do Araguaia. O que era até hoje tido como uma suposição foi confirmado pelo general Leônidas Pires Gonçalves, em entrevista ao jornalista Genetton Moraes Netto, levada ao ar ontem à noite pelo canal Globonews, no programa ?Dossiê Globonews?.
O general ? que foi ministro do Exército no governo Sarney e, no regime militar, chefiou o DOI-Codi do Exército, no Rio, de março de 1974 a janeiro de 1977 ? disse que foi ele quem autorizou pessoalmente o pagamento: ? A ideia foi minha! Fui adido militar na Colômbia (de julho de 1964 a novembro de 1966). Aprendi que lá eles compravam todos os subversivos com dinheiro.
Repassadas ao II Exército, em São Paulo, as informações obtidas pelo I Exército resultaram na invasão da casa onde estava reunido o Comitê Central do PCdoB, na Rua Pio XI, no bairro da Lapa, em São Paulo, em 16 de dezembro de 1976. Três dirigentes morreram na operação, que ficou conhecida como ?Massacre da Lapa?: Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Baptista Franco Drummond.
?Nunca houve tortura a preso político na minha área? Segundo o general Leônidas, o informante foi preso e acabou revelando o dia em que haveria a reunião em São Paulo.
? Deu o dia e a hora por 150 mil (cruzeiros), entregues à filha dele, em Porto Alegre ? contou o general.
O general não cita o nome do informante. Porém, o livro ?O combate nas trevas?, lançado na década de 80 pelo historiador e ex-militante comunista Jacob Gorender, registra que ?a colaboração de Jover Teller com o Exército deu à reunião um final de catástrofe?.
O general negou a Genetton que soubesse da existência de tortura durante os dois anos e dez meses em que chefiou o DOI-Codi do I Exército: ? Nunca houve tortura a preso político na minha área. Desafio alguém que tenha sido torturado durante esse período. Está feito o desafio! A história de tortura…
Você vai me perguntar se existiu. Costumo dizer: a miserável condição humana leva a isso.
Mas, com medo da falada tortura, eles eram grandes delatores ? afirmou o general.
Depois, ele admitiu que houve tortura durante o regime: ? Acho que ela, lamentavelmente, ocorreu. Mas, para ser uma mancha, ela foi muito aumentada por nossos antagonistas para justificar algumas coisas que eles fizeram e achavam que tinham o direito de fazer. Hoje, todo mundo diz que foi torturado para receber a bolsa ditadura”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:51

Tapioca deu uma baianada no Rio

Dia 15, segunda-feira, Ancelmo Gois publicou a seguinte nota:
“Orlando Silva avisou a Cabral que vai participar da passeata quarta-feira, contra decisão da Câmara que tungou os royaltes do Rio.
O ministro dos Esportes nasceu na Bahia, fez política em São Paulo pelo PCdoB, e vem morar no Rio para ajudar na realização da Olimpíada de 2016″.
Mas o ministro da Tapioca não apareceu.
Ele pensou melhor e ficou em Brasília.
Antes, a Bahia era o quinto Estado que mais lucrava com os royaltes do petróleo, enquanto o Rio era o líder.
Agora, a Bahia ocupa a primeira colocação, enquanto o Rio ficou em 22º lugar.
O rei da boquinha achou melhor não contrariar seus conterrâneos.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:36

Senador Netinho

O vereador paulista Netinho de Paula, do PCdoB, eleito com 84.406 votos, está feliz da vida.
Cantor do grupo ‘Negritude Júnior’ e apresentador do quadro ‘Um Dia de Princesa’, no SBT, ele teve quatro projetos aprovados em menos de 10 dias:
1. Em primeira votação, o plenário aprovou a inclusão da Feira Cultura Preta, ja na sua nona edição, entre os eventos e festividades da capital paulista.
2. Aguarda a sanção do prefeito na lei que estabelece parâmetros para a criação de Centros de Referencia da Juventude. 
3. Espera a promulgação no projeto de resolução que institui a Frente Parlamentar em Defesa da Educação Integral nas Escolas da Cidade de São Paulo.
4. Se prepara para a segunda votação da lei que incluiu o Dia da Conscientização sobre Transtornos de Apredizagem, a ser realizada sempre na terceira semana de março.
Com esse sucesso, o PCdoB decidiu lançar Netinho como candidato ao Senado, por São Paulo.
Que bom!
A presidente estadual do PCdoB, Nádia Campeão, disse que “trata-se de uma decisão unânime e irreversível da direção do partido. Queremos que ele seja o candidato da frente em São Paulo. O bloco precisa se manter unido?, segundo ela informou ao jornalista Claudio Humberto.
O PCdoB tem vários filiados mais ilustres em São Paulo, como é o caso do ministro do Esporte, Orlando Silva.
Mas esse não quer saber de eleição.
Abadonou suas bases em São Paulo – se é que ele as tinha - e torce pelo fim do governo para ganhar logo sua boquinha nas Olimpíadas, que lhe dará paz até o ano de 2016.
Melhor que isso, só isso mesmo.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:20

Cabral anuncia novidades, sem nada de novo

 A excelente repórter Luciana Nunes Leal, do ‘Estadão’, comprou hoje gato por lebre.
Em reportagem intitulada “Cabral amplia aliança para isolar Garotinho”, diz Luciana:
“Na tentativa de isolar o ex-aliado Anthony Garotinho, que pretende disputar o governo do Rio pelo PR, o governador Sérgio Cabral (PMDB) negocia a formação de uma chapa muito mais ampla que a de 2006, quando foi eleito para o primeiro mandato. Adversários do peemedebista no primeiro turno da eleição passada, PT, PSB e PC do B estarão na aliança pela reeleição de Cabral. O governador tenta atrair ainda o PDT e deverá manter a parceria anterior com PP e PTB.
Cabral também tem a seu lado outro ex-adversário, o prefeito Eduardo Paes, que disputou o governo em 2006 pelo PSDB, mas migrou para o PMDB no ano seguinte. Paes é hoje um dos mais próximos aliados do governador e terá papel importante na campanha da capital.
No plano nacional, a ação do governador é para se firmar como o principal aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff. No carnaval, Cabral expôs sua contrariedade com o fato de Dilma ter se aproximado de Garotinho, que também apoia a ministra, e chamou a atenção para os riscos do palanque duplo no Rio.
A intenção de Cabral é reproduzir no Estado a disputa nacional entre o PT de Dilma e o PSDB do governador José Serra. Os aliados do tucano insistem em que o principal adversário será o deputado Fernando Gabeira (PV), que disputará o governo em coligação com o PSDB, o DEM e o PPS.
“Vamos montar um palanque muito mais forte nesta eleição. Haverá no Rio a mesma polarização nacional. Em eleições presidenciais, as disputas estaduais ficam em segundo plano. Cabral está conseguindo trazer praticamente todos os partidos que estão com Lula e Dilma”, diz o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).
As duas vagas de candidatos ao Senado estão reservadas para o PMDB, com o presidente a Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, e para o PT, que vai decidir entre a ex-governadora Benedita da Silva e o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias.
No PMDB do Rio, ainda há expectativa da desistência de Garotinho, hipótese rebatida pelo ex-governador e pré-candidato do PR. “Isso é desespero do Cabral. O problema para ele é que o interior e a Baixada Fluminense estão comigo e a capital está com Gabeira. O que sobra para o Cabral? Eu não troco votos com o Gabeira e sim com o Cabral”, diz Garotinho.
O PMDB ofereceu uma suplência de Senado para o PDT, mas os pedetistas ainda estão divididos sobre o futuro no Rio. Entre os partidos da base de Lula que enfrentaram Cabral em 2006, apenas o PRB não está em negociação com o PMDB”.
Na verdade nada mudou.
Como bem disse a repórter, os partidos que hoje estão com o governador, foram seus adversários no primeiro turno, mas quando Cabral aderiu, no segundo turno, à candidatura Lula, todos eles foram para o PMDB, que assim mesmo teve menos votos que o Presidente no Rio de Janeiro.Aliás, Lula teve mais votos que Cabral no primeiro e no segundo turno. E todos esses partidos comandam secretarias em seu governo,
Novidade mesmo, se houver, seria a adesão do PDT, que hoje faz oposição a Cabral na Assembléia, e está alijado governo.
Todo o restante é um blá-blá-blá do incansável Pezão, o vice que decide, e que começou sua carreira política no PDT de Brizola, quando se elegeu vereador e, depois, prefeito de Piraí.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:16

Singer ataca o PMDB

O ex-porta-voz da Presidencia, André Singer, que já havia defendido a candidatura do deputado Ciro Gomes para ser o vice de Dilma Rousseff, voltou a carga hoje na ‘Folha’ e, em entrevista a repórter Ana Rosa, o cientista político disse que o PT deveria dizer não ao PMDB:
- O PT ainda é um partido de massas e de trabalhadores?
- Continua sendo, mas já com as mudanças que eram previsíveis, de acordo com a trajetória dos grandes partidos socialistas das democracias ocidentais. O PT teve uma trajetória de sucesso eleitoral relativamente rápida. Isso faz com que o peso no partido dos que têm mandato comece a crescer. Essa trajetória faz com que o grau de participação, a chamada militância, vá diminuindo ao longo do tempo. Não é mais a militância da primeira década.
- O que fez a influência de Lula crescer tanto no partido?
- O principal fator é o que eu tenho chamado de lulismo. É um fenômeno novo. Não é o resultado, ao meu ver, de um realinhamento eleitoral. A base social que elegeu Lula em 2006 é diferente da que o elegeu em 2002. Essa nova base social são os eleitores de baixíssima renda, foram o resultado de políticas de governo do primeiro mandato. Esse primeiro mandato significou uma mudança tão importante na estrutura eleitoral do país que deu ao presidente uma base que é relativamente autônoma do partido.
- É uma base diferente daquela que sustenta o PT?
- O PT tem uma base eleitoral ampla, mas é uma base historicamente de classe média. O lulismo trouxe essa novidade de estar ancorado nessa base de baixo. Isso faz com que a adesão seja mais a uma figura que tem grande visibilidade do que a uma instituição, a um partido. Eu acho que é possível que haja uma convergência entre essa base social e o PT.
- Se essa adesão ao projeto se confirmar, garantiria, então, a eleição da escolhida do presidente?
- É a minha percepção. É mais uma adesão de projeto do que carismática.
- Quais os efeitos, para o PT, de uma aliança com o PMDB?
- O PMDB tem se caracterizado por ser um partido de baixo teor programático, o que é danoso para o sistema partidário brasileiro. Faz com que a política fique parecendo algo que diz respeito aos interesses dos políticos.
- Então é ruim para o PT?
- A opção preferencial pelo PMDB fortalece esse aspecto negativo. Ela é compreensível do ponto de vista pragmático. Na minha opinião, o PT deveria arcar com um certo risco de procurar primeiro os partidos que estão mais próximos a ele no campo de esquerda e de centro-esquerda. No caso, o PSB, que tem como pré-candidato Ciro Gomes. O PSB ainda é um partido ideologicamente mais próximo do PT. Eu também poderia me referir ao PDT, ao PC do B. O PT deveria retomar uma prática de que suas alianças fossem orientadas pelo programa.
- O PT decidiu não correr o risco por ter uma candidata eleitoralmente fraca?
- Eu acho que o problema é de outra natureza. Acho que o pragmatismo é uma força extraordinária em partidos eleitorais. Todo partido tende a ser fortemente pragmático.
- Mas se o candidato fosse alguém mais conhecido do eleitor, seria diferente?
- Eu não sei. Uma vez estabelecidos os critérios pragmáticos, como o tempo na TV e essa relativa capilaridade eleitoral [do PMDB], sempre será um elemento fortemente levado em consideração. O que está em jogo é pragmatismo versus opção programática.
- O fato de Lula ter escolhido a candidata enfraquece o PT?
- Essa é uma condição que está relacionada com a grande influência de uma liderança carismática, que tem os votos. Sem dúvida, ela significa que o partido é fortemente influenciado por essa liderança.
- O lulismo pode engolir o PT?
- A questão se vai haver essa convergência ou não vai depender de em que medida esses eleitores que a meu ver aderiram ao lulismo irão pouco a pouco votar no PT. Nas eleições de 2006 os estudos mostram que isso não aconteceu. A base social do PT continua sendo a base social tradicional, mais forte no Sudeste e no Sul do que no interior do Norte e Nordeste. Dá para ver essa diferença entre lulismo e petismo”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:09

PCdoB não tem opinião sobre Blair

Quem acompanha esse blog sabe que, no dia 1º de fevereiro, enviei oito perguntas ao ministro do Esporte, Orlando Silva, referentes ao encontro que ele teve com Tony Blair, em Londres, quando assistiu ao convite feito pelo governador Sergio Cabral para que o ex-primeiro-ministro britânico fosse consultor das Olimpíadas do Rio.
O blog nunca obteve resposta.

                                   * * *
No dia 7 de fevereiro, um email foi enviado ao presidente do PCdoB, Renato Rabelo.
Nele, foi dito que ?na segunda-feira passada, dia 1º, publiquei uma relação de oito perguntas para serem respondidas pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, filiado ao PCdoB.
O tema central da entrevista era o convite feito pelo governador do Rio, Sergio Cabral, a Tony Blair, para que ele desse uma consultoria as Olimpíadas de 2016.
Orlando Silva esteve presente a esse encontro, mas até hoje não houve resposta.
Gostaria de saber, por gentileza:
1 – O ministro Orlando Silva comunicou, com antecedência, a direção do PCdoB, de que participaria de uma reunião com Tony Blair?
2 – O partido está de acordo com comportamento do ministro, que apoiou, com a sua presença, o convite feito pelo governador do Rio para que Blair desse uma consultoria aos organizadores das Olimpíadas de 2016?
3 – Qual a opinião do PCdoB sobre o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair??.
                                     * * *
O PCdoB teve toda a semana, anterior ao Carnaval, para responder a esse blog. Mas preferiu não fazê-lo.
No dia 18, finalmente  – 11 dias após a primeira mensagem ? esse blog recebeu, do presidente do PCdoB, às 14h18m,  o seguinte email:
?O Ministro Orlando Silva Júnior dispõe de assessoria de imprensa que poderá resolver esta sua solicitação. Ao mesmo tempo, desejo lhe informar que o Ministro tem plena autonomia ao exercício de suas funções de Estado.
Do ponto de vista da Presidência do Partido, coloco-me à disposição para eventuais solicitações.
Grato.
Renato Rabelo?
Ás 14h37m, respondi:
 ?Sr. Presidente,
 Certamente devido ao enorme volume de trabalho que ocorre em anos eleitorais, a resposta ao meu email demorou 11 dias.
Entendo que “o Ministro tem plena autonomia ao exercício de suas funções de Estado”, e isso invalida duas das três perguntas que enviei a essa presidência.
Mas a terceira indagação nada tem a ver com o Ministro, e sim com a direção do PCdoB. Por isso insisto nela.
“Qual a opinião do PCdoB sobre o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair?”
Fico grato por sua resposta.
Cordialmente?
Ás 17h45m, nova mensagem do presidente nacional do PCdoB:
?Caro Dacio Malta,
 Como jornalista experiente que é – torna-se necessário contextualizar a pergunta ou pelo menos colocá-la no plano histórico concreto.
 A questão que me colocas a respeito de Tony Blair só tem sentido prático se está relacionada a algum fato objetivo. Já me pronunciei a respeito de encontros realizados pelo Ministro do Esporte no exercício de suas funções de Estado.
Agora se a pergunta se coloca em um contexto mais amplo sobre a situação política na Inglaterra de hoje — com a proximidade de eleições gerais marcadas para o dia 3 de junho próximo ? aí então a pergunta ganha sentido.
Coloco-me sempre à sua disposição.
Renato Rabelo?.
Às 18h13m, encaminhei ao PCdoB:
?Presidente,
 A pergunta que enviei foi muito simples:
“Qual a opinião do PCdoB sobre o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair?”
Apenas isso.
Já entendi a posição do partido com relação ao ministro Orlando Silva.
Acredito que não seja necessário contextualizar absolutamente nada.
Nem sobre o passado de Blair, nem sobre a situação atual da Inglaterra e, muito menos, sobre a posição de Blair diante das eleições marcadas para o dia 3 de junho, quando, a seu juízo, “a pergunta ganha sentido”.
Insisto que a pergunta é simples. Ou, talvez, simplória ao extremo para os senhores.
Mas fique essa presidência à vontade para não respondê-la, se acreditar que é necessário, de fato, contextualizá-la para que eu possa obter uma resposta.
Muito obrigado por sua atenção?.
                                   * * *
Hoje é dia 1º de março.
O email inicial ao ministro completa um mês sem resposta, embora o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, acredite que o ministro de seu partido “dispõe de assessoria de imprensa que poderá resolver essa sua solicitação”.
É verdade que ele dispõe, mas é pena que ela não resolva.
A troca de emails entre esse blog e o presidente do PCdoB foi no dia 18 de fevereiro. Passados onze dias, pode-se afirmar, com absoluta segurança, que o Partido Comunista do Brasil não sabe, ou melhor, não tem opinião sobre o ex-primeiro-ministro Tony Blair.
Já não se fazem comunistas como antigamente.
  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:05

Ministro da tapioca cala para manter boquinha

A foto oficial do ministro. De boca fechada.

A foto oficial do ministro. De boca fechada.

No dia 1º de fevereiro, esse blog postou o seguinte texto com o título ?Qual será a posição do ministro??
?Esse blog enviou, essa manhã, as assessoras de imprensa do ministro Orlando Silva -  Maria José Mundin e Marcia Oliveira Gomes  – as seguintes perguntas para serem respondidas pelo ministro do Esporte:
1. O que o senhor achou da contratação do ex-premier Tony Blair para ser consultor das Olimpíadas de 2016?
2. Qual a sua opinião sobre o ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha?
3. Quando o senhor embarcou para Londres, já sabia dessa agenda com Tony Blair, ou foi surpreendido?
4. O senhor comunicou ao seu chefe, o Presidente Lula, de que participaria desse encontro?
5. Os dirigentes de seu partido, o PCdoB , foram informados previamente?
6. O sucesso das Olimpíadas depende da consultoria de Blair?
7. Pelo o que diz o governador Cabral, um grupo de empresários pagará as despesas dessa assessoria. Não existe nenhum outro item mais relevante, no orçamento, que poderia se pago por esse grupo de empresários?
8. O senhor não seria mais útil às Olimpíadas de 2016 se fosse detentor de um mandato popular, como o de deputado federal, já que seria na Câmara o porta-voz natural dos interesses olímpicos do país?”
Passados 13 dias, o ministro Orlando Silva nada respondeu, embora tenha, com certeza, recebido as perguntas.
O ex-presidente da UNE se comporta mais como um secretário de Sergio Cabral, do que como um ministro do Presidente Lula. E por isso ele não responde. Na verdade, ele não tem o que dizer.
Político sem voto, Orlando Silva de Jesus Junior, que adotou, políticamente, o nome do ?Cantor das Multidões?, decidiu pegar a boquinha das Olimpíadas e está feliz da vida.
Conseguiu um emprego que vai até 2016 – isso é mais do que o mandato de um governador ou de um presidente. E o melhor, sem ter a chateação de prestar contas a quem quer que seja.
Aliás, prestar contas nunca foi o forte do ministro.
Até o episódio dos cartões corporativos, pouco se ouvia falar nele. Até o dia em que foi descoberta a farra dos cartões, quando chegou a pagar uma tapioca de R$ 8,30, com dinheiro dos cofres públicos.
A tapioca foi a ponta do iceberg.
Depois, viu-se que, dentre todos os ministros, ele tinha sido o terceiro que mais utilizara o cartão.
Só em um jantar em São Paulo, na região dos Jardins, o  ministro pagou uma conta de R$ 485,05, em um restaurante, onde o valor médio de uma refeição é de R$ 150,00. O pior é que, nesse dia, não constava de sua agenda nenhuma atividade em São Paulo.
Certo dia, a agenda dizia que o ministro ficaria em Brasília em despachos internos. Mas ele gastou nessa data R$ 196,23 em uma churrascaria do Rio. Descobriu-se que ele pagara hotel para a esposa, a filha e a babá, durante um final de semana na cidade sede das Olímpiadas de 2016.
Menos de 24 horas depois que a colega Matilde Ribeiro foi exonerada, por uso abusivo do cartão, Orlando Silva, em pleno sábado de Carnaval, convocou a imprensa para fazer um anuncio em tom solene: estava devolvendo aos cofres publicos, de uma só vez, não apenas a tapioca, mas tudo o que havia gasto com o cartão de crédito corporativo: R$ 30.870,38.
E assim salvou o pescoço.
Pode-se dizer que isso nada tem a ver com a visita que ele fez a Tony Blair.
Tem sim, pois assim como ele falseava o cartão ? tanto que devolveu tudo o que gastou ? ele falseia o governo a quem serve, e falseia o seu próprio partido, o PcdoB.
Quando Orlando Silva foi chamado a depor na CPI dos cartões, o ministro reclamou das distorções da imprensa:
“Tomei a decisão de recolher aos cofres públicos todas as despesas utilizadas por mim com os cartões corporativos. Foi uma atitude política, um gesto político, que refletiu a minha indignação. Eu percebi que havia uma escalada na distorção de informações que envolvia a minha própria reputação e a minha família. O meu patrimônio é minha família e minha história política. Não poderia tolerar ataques à minha honra, minha ética”.
Para que não houvesse novas “distorções” sobre o pensamento do ministro, esse blog enviou as perguntas.
E por que ele não responde?
Porque teria que discordar de Sergio Cabral. E isso ele não faz, pois quer a boquinha de autoridade olímpica durante os próximos seis anos?
Quem se dispõe, por livre e expontânea vontade, a tomar chá com Blair, além de sorrir para fotos e apertar a mão de um facínora, está disposto a tudo.
Ter Tony Blair como consultor das Olimpíadas será muito ruim.
Mas ter Orlando Silva como gestor das Olimpíadas do Rio será péssimo.
O Rio não merecia isso.
Apesar de jovem, o ex-presidente da UNE representa o que existe de mais atrasado na política brasileira.
O ministro também é o responsável pela requisição do Palácio Gustavo Capanema, onde quer instalar o seu gabinete de trabalho, quando estiver morando no Rio.
Até Carlos Nuzman já tirou o corpo fora. Disse que não conhecia as instalações e nada tinha a ver com essa idéia.
Já o ministro continua calado.
Se perder o emprego terá de disputar votos para que possa continuar na vida pública.
E eleição, pelo jeito, é o tipo de esporte que Orlando Silva prefere distância.
                 * * *  
Ainda sobre a trapalhada de se requisitar o palácio Gustavo Capanema, recebi hoje o endereço do blog da psicopedagoga mineira Cristina Farage, que fala sobre o absurdo da idéia.
Leia o seu texto, e ouça a interpretação extraordinária de Ella Fitzgerald cantando “Samba de Uma Nota Só”.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.