• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:12

Durval: “O pior está por vir”

 Do ‘Globo’:
“Durval Barbosa, o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal e autor das denúncias que devastaram o governo de José Roberto Arruda e atingiram duramente a Câmara Distrital, disse que o escândalo batizado de mensalão do DEM está apenas começando.
Numa sessão da CPI da Corrupção, Durval insinuou que outros crimes graves já estão sendo apurados. Esta foi a primeira vez que Durval falou em público desde o início do caso, em novembro do ano passado.
Se eu contrariei algum interesse, não tenho culpa. O rolo compressor vem aí. Nem começou.
Quem tiver sua culpa que assuma. Infelizmente é assim advertiu ele.
Durval disse ainda que decidiu denunciar os desvios de dinheiro público e pagamento de propinas porque não suportava mais supostas chantagens de Arruda e do ex-vice-governador Paulo Octávio. O ex-secretário não revelou como foi pressionado.
Não estava aguentando mais os achaques do senhor Arruda, do senhor Paulo Octávio.
Fiz isso para me livrar desse mal que estava me corroendo.
Amparado por um habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justiça, Durval disse que não iria falar à comissão para não comprometer as investigações já em curso na Polícia Federal e no Ministério Público. Em depoimento àPF, o jornalista Edmilson Édson dos Santos, o Sombra, disse que políticos e empresários ainda mantêm o esquema de desvio de dinheiro público como se nada tivesse acontecido no Distrito Federal”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:45

Cristovam, o xerife e o estadista

O senador Cristovam Buarque, do PDT, deu uma entrevista a repórter Raquel Ulhôa, do ‘Valor Econômico’, a quem admitiu vir a se candidatar ao governo de Brasília, embora preferissse concorrer a reeleição para o Senado: “Eu queria terminar a vida como estadista e o GDF é tarefa para xerife”, comentou.
Eis a entrevista:
- O senhor já decidiu se será candidato a governador?
- Acho que a melhor posição que eu posso exercer na política a serviço do Brasil e do Distrito Federal é no Senado. Tenho mais de cem projetos em andamento, um deles é o mais revolucionário do Brasil: cria a carreira nacional do magistério. Não gostaria vê-los parados. As crises do Senado passaram a idéia de que aqui é casa de mordomia, boa vida. Fica parecendo que estou fugindo da luta por interesse pessoal. Eu continuo olhando para o Senado, mas não posso fazer isso de costas para a população. E, quando a população diz que estou querendo abandonar Brasília, fica difícil.
- O que vai pesar em sua decisão?
- Primeiro, o ex-governador Joaquim Roriz não ser candidato. Se ele não for, não precisam de mim para ganhar eleição. Os candidatos quer representam o passado estão tão enfraquecidos, salvo o Roriz, que qualquer um que a gente apresentar vence. E a renovação virá, que é o que o povo quer. O segundo fato que, se acontecer, me libera para disputar o Senado, é as esquerdas se unirem. Se a gente fizer uma frente com oito, nove partidos, incluindo o PT, vamos ter força suficiente até para bater o Roriz. Acho que ele não vai ser candidato, mas só deve decidir isso lá para junho.
- Essa aliança depende do PT?
- No dia 21, o PT vai escolher um candidato (entre Agnelo Queiroz e Geraldo Magela, que disputarão prévias). Espero que saia unido e no outro dia venha conversar conosco, com sete partidos que estão trabalhando juntos (PDT, PSB, PCdoB, PPS, PV, PRB e PMDB).
- Esses sete apoiariam o candidato do PT?
- Nós vamos discutir isso, mas o PT é o mais forte. Eu, pessoalmente, defendo que seja do PT e unifique as forças de esquerda. Qual é o meu medo? Que o PT escolha o candidato e, para se unificar, se feche contra os outros partidos. Ou seja, forme uma chapa só deles: o que perder as prévias vai indicar o vice ou o candidato ao Senado. Isso nos dividirá. Por que, para ficarmos unidos, nós, desses sete partidos, queremos que os outros três cargos majoritários (vice e dois de senador) sejam dessegrupo. O PT seria apenas cabeça de chapa.
- Por que o senhor acha que Roriz vai acabar não se candidatando?
- Primeiro, porque vai se expor a um bombardeio da Justiça e da mídia. Além disso, seria governador pela quinta vez, em condições muito negativas. Ele é um homem fortíssimo. Erra quem menospreza o Roriz. Mas ele está num partido sem tempo de televisão, sem militância na rua.Terá dificuldade de comprar cabo eleitoral. A Justiça vai estar de olho. O que ele poderia é ter voto de gratidão, de quem recebeu lote no primeiro governo dele, que terminou em 94. Mas acho que essa gratidão não vai pesar tanto, porque os que receberam já estão velhos e os filhos não têm a mesma gratidão.
- Então seu destino em outubro está nas mãos do PT e do ex-governador Roriz?
- Se a esquerda se dividir e Roriz estiver na disputa, eu vou ter que ser candidato, porque pelo menos não vai ficar a marca de que o Roriz ganhou sem eu brigar com ele. Ele pode até ganhar, mas ninguém vai poder me acusar de virar as costas. Essa é minha tragédia hoje. Olhar para o Senado de costas para o povo.
- O PMDB era aliado de Arruda. Com ele nesse grupo dos sete, dá para falar em união das esquerdas?
- A palavra esquerda é realmente muito forte. Na verdade, é a união das forças que desejam a mudança. Você pode dizer que o PMDB era o partido do Roriz até pouco tempo. Mas o PMDB conseguiu tirar o Roriz dele. E essa crise do Arruda, eu trabalho como sendo crise de pessoas, não de partidos. Até o Democratas está se recuperando bem, na medida que tirou Arruda, Paulo Octávio (ex-vice-governador) e deputados envolvidos.
- Esse escândalo que levou Arruda para a cadeia atingiu também a Câmara Legislativa. A política aqui está contaminada?
- Você já comparou nossa Câmara, com toda sua fragilidade – não estou desculpando -, a todas as 5.563 Câmaras de Vereadores do Brasil para saber se a nossa é pior?
- O senhor está tratando-a como Câmara de Vereadores mesmo?
- Assim como trato o governador como prefeito. Governador aqui é um prefeito. Quando fui governador, cheguei a discutir a possibilidade de a polícia ser comandada do Palácio do Planalto. Sabe por que? Por uma questão de estadismo. Um dia, pode haver um governador, comandando a PM, com mais tropa que o exército em Brasília, que queira invadir o palácio. Essas mudanças têm que ser discutidas. Realmente, são duas coisas diferentes: a capital e a cidade. Brasília hoje é muito maior que a capital. Brasília tem uma peculiaridade. Todo mundo que faz política aqui entrou na política recentemente. Eu não conseguiria ser eleito governador na primeira eleição que disputasse em nenhum outro Estado. Brasília ainda é um faroeste. Um lugar a ser desbravado. Em algumas áreas evoluiu, como em medicina e na ciência e tecnologia. Na política, a gente chegou atrasada. Aqui não tinha líderes, até porque os governantes eram nomeados. Eram interventores. Ficamos mais tempo da história sem direito a voto do que com voto. Temos existência pequena.Tivemos apenas quatro governadores e quatro Câmaras Legislativas até aqui. A primeira não foi ruim. Mas o fisiologismo chegou lá também. A política virou questão de marketing, compra.
- O fato de ser a capital estimula a corrupção, o fisiologismo?
- Não. É por ser nova, não ter tradição nem lideranças consolidadas. Aqui não teve um Miguel Arraes, um Leonel Brizola, um Antonio Carlos Magalhães, que levaram décadas para criar suas carreiras. Eu saí de uma reitoria para ser governador. Eu me filiei só em 90. Isso é fruto do fato de a cidade ainda estar sendo desbravada em todas as áreas,inclusive na política.
- O senhor acha que o escândalo atual vai forçar uma mudança, uma ruptura em relação à prática política de Brasília?
- Essa é minha esperança: que Brasília, daqui a quatro anos, seja a cidade com o melhor sistema governamental do ponto de vista ético. Não acredito que seja possível o eleitor repetir erros e que os governantes cometam os erros que Arruda cometeu, mesmo que tenham vocação para cometer esses erros. Por uma questão de sobrevivência. Brasília vai poder construir uma novidade na forma de administrar. Aliás, acho até que na campanha. Espero não ser candidato a governador, mas, se for,penso em algumas inovações. Exemplo: divulgar todas as contribuições imediatamente na internet e não receber contribuição para a campanha acima de R$ 10 mil ou R$ 20 mil. Ao estabelecer um teto por doador você não fica com débito. Quando vier um empresário disputar uma licitação de R$ 500 milhões, não vai poder cobrar nada. Se doou R$ 200 mil já começa a querer cobrar. Coisas como essa podem inovar Brasília.
- Uma intervenção federal não poderia ser uma solução para o momento em que nenhuma instituição é confiável?
- A possibilidade de intervenção está na Constituição. Esse negócio de dizer que é a falência da democracia não é verdade. A intervenção se dá dentro da democracia. Seria falência se fosse o comandante da PM que indicasse o governador ou um empresário rico. Mas não, é a justiça. Mas minha opção é que o governador para esse final de mandato seja eleito pela Câmara Legislativa. Mas, para ter legitimidade, o eleito tem queter cara, cabeça, coração e mão de interventor. Isso é uma das coisas que também me fazem temer ser candidato. Eu queria chegar nessa idade como estadista. O próximo governador vai ser um xerife. A principal prioridade não vai ser a educação. Vai ser a ética. A grande tarefa é construir uma máquina exemplar de governo, em que mesmo ladrão não consiga roubar e nem os desonestos possam ser corruptos. Essa vai ser a obrigação. Por isso não sou entusiasmado em ser candidato a governador.Não é o que eu gostaria de deixar como marca: construir um governo ético. Queria deixar como marca a mudança na sociedade e não na máquina do governo. Repito: não gostaria de terminar a vida como xerife, queria terminar como estadista.
- Sua proposta significa uma intervenção legalizada pela Câmara.
- É isso. E por que essa sutileza? Por que a intervenção não é um abalo na democracia, mas é um abalo na classe política. É o fracasso da política. E o fracasso da política é ruim pedagogicamente. A ideia que  vai passar é que foi preciso a Justiça intervir, porque os líderes daqui não foram capazes de encontrar uma saída. Falo da autonomia de 2 milhões de habitantes. É uma população do porte de outros Estados. A gente vai cortar a autonomia do Acre, de Rondônia? Por que cortar autonomia da população do DF?
- Mas essa Câmara, que tem entre seus deputados pessoas envolvidas no escândalo, tem condições de eleger uma pessoa com o perfil que o senhor defende?
- Essa é uma pergunta que não dá para responder ainda. Ninguém dizia, há duas ou três semanas atrás, que eles iriam aceitar o processo de impeachment do Arruda. E votaram por 17 a 0. E eu acho que vão cassar o Arruda.
- Há quem diga que ele pode apoiar um candidato em outubro. Acredita que ele ainda tenha alguma influência política no GDF?
- Tem. A gente fala muito dos lotes. Mas esquece que, como Brasília é Estado e prefeitura, o número de cargos comissionados é muito grande.Acho que são 35 mil num total de 150 mil servidores, mais ou menos.Aqui o governador se fortalece dando aumento salarial e distribuindo lotes. Um candidato apoiado por ele não teria chance de ganhar, mas teria muitos votos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:21

Governador do DF prefere o TC

Ser conselheiro de um Tribunal de Contas é tão bom, mas tão bom, que vejam só esse exemplo publicado hoje em ‘O Globo’, na reportagem que trata da crise institucional no Distrito Federal:
“O deputado Wilson Lima (PR), que assumiu ontem o governo do Distrito Federal depois da renúncia do governador interino, Paulo Octávio (exDEM), cultiva a fama de humilde e brincalhão, mas nem por isso escapou aos conchavos políticos do grupo do governador afastado e preso, José Roberto Arruda. Segundo aliados de Arruda, Lima fez um acordo com o governador afastado para assumir a presidência da Câmara Legislativa, e depois o governo, com uma exigência: se Arruda deixar a cadeia e voltar ao governo, ele seria indicado para uma vaga no Tribunal de Contas do Distrito Federal.
O Tribunal de Contas é um dos empregos mais cobiçados por políticos em fim de carreira.
Os conselheiros recebem altos salários e têm direito a uma série de mordomias”.
E aqui querem nomear aqui no Rio sete nomes de uma só vez.
É a bandalheira programada.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:20

“A cada 20 minutos tudo pode mudar”

 Há tempos não surgia um apelido tão perfeito para um político, do que o de BandNews para Paulo Octávio – “a cada 20 minutos tudo pode mudar”.
A entrevista que o ex-governador deu ao repórter Rui Nogueira, do ‘Estadão’, é um belo exemplo.
No dia em que ele assinou duas cartas de renuncia – ao DEM e ao governo do DF – ele falou na possibilidade de se candidatar ao governo de Brasília em 2014. Só mesmo um bobalhão como ele seria capaz de declarar tamanha asneira.
Vejam a matéria:
“Paulo Octávio admite que pode ter batido um recorde político ao assinar duas cartas de renúncia em um só dia, mas não descarta voltar à disputa do governo do DF. Disse que renunciou porque, sem apoio político, daria um “governo fraco”. Avalia que a intervenção federal no DF está descartada. Ele falou com o Estado minutos antes de a assessoria dele confirmar a renúncia ao governo.
- O senhor, em um único dia, enterrou a possibilidade de ser governador do DF e deixou o partido que ajudou a fundar. Definitivamente, tem algo de errado com os 20 anos de autonomia política de Brasília e com a forma como o poder é exercido na capital. Certo?
- Fiz duas cartas de renúncia em um dia. Jamais imaginei que isso pudesse acontecer na minha vida. Não encontrei condições mínimas de governabilidade para assumir o Distrito Federal. Apesar de tudo, ainda acho que o tempo mostrará que estávamos fazendo o melhor governo de Brasília. Nestes 20 anos, Brasília cresceu muito e se consolidou como capital.
- Como é que o sr. pode dizer que um governo é bom, pedindo que a população aplauda as obras e esqueça as imagens de secretários e políticos flagrados embolsando pacotes de dinheiro de caixa um, caixa dois, caixa três?
- Essa é uma questão eleitoral. É preciso fazer reformas políticas, é preciso refazer as campanhas eleitorais. 
- Na essência, por que o sr. não quis assumir o governo do DF?
- Faria um governo enfraquecido. Não quis ser um governador fraco, sem força. Não ter o apoio do meu partido (DEM) foi crucial. E tem o processo do STJ (Operação Caixa de Pandora), tem os problemas na Câmara Distrital (pedido de impeachment). Na essência, quando o DEM pediu para os seus filiados deixarem o governo, eu já assumi enfraquecido. Além disso, o governador Arruda, que está na prisão, pode voltar.Sim, Arruda se licenciou. Dependendo dos desdobramentos jurídicos, ele pode voltar, o que me deixava ainda mais fraco, se assumisse o governo. Não é possível governar sem apoio político e sangrando em praça pública.
- Por que parte das lideranças do DEM assumiram a posição de não respaldar o sucessor do Arruda?
- Não sei.
- E o futuro do DF?
- Assume o presidente da Câmara, o deputado Wilson Lima (PR), que é um homem bom, é um homem simples. E vamos aguardar.
- Mas a Câmara também está contaminada.
- Quero lembrar que as imagens exibidas pela mídia referem-se à campanha eleitoral. O governo assumiu em 2007, e não há vídeos sobre nada desde que o governo começou.
- Mas o governo que assumiu é o que foi eleito na campanha em que foram gravados os vídeos.
- O governo não está nos vídeos. Repito, temos uma questão eleitoral a resolver na legislação.
- O sr. acha que afastou a intervenção federal no DF?
- Sim. Ninguém, da classe política, deseja essa intervenção.
- Com a renúncia, o sr. também preserva a sua condição de empresário, certo?
- Não penso nisso agora.
- O sr. admitiu que queria assumir, fazer um governo de coalizão e, depois, se afastar da vida pública. Como o sr. não assumiu o DF, isso quer dizer que pode voltar a pleitear o governo do DF?
- Não tenha dúvida. Mas agora vou refletir, dar um tempo. Hoje (ontem) já recebi três convites de filiação a partidos novos. Tenho uns quatro anos para pensar no futuro”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:20

‘O Globo’ e a crise Zé Dirceu

 Manchete do ‘Estadão’:
“Paulo Octávio sai, mas crise continua”
Manchete da ‘Folha’:
“DF perde 2º governador em 12 dias”
Manchete do ‘Globo:
“Governo corre para esvaziar denúncia de lobby de Dirceu”.
Ou seja: para o Globo, a crise chama-se José Dirceu.
Não existe crise na Capital da República.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:19

PO renuncia: já vai tarde!!!

E o bobalhão se foi.
Disse que ficaria no DEM e, ameaçado de expulsão, anunciou que sairia do partido amanhã, quarta-feira.
Desfiliou-se hoje.
Disse que ficaria a frente do governo do Distrito Federal até 31 de dezembro.
Já anunciou que entregará, ainda hoje, a sua carta renunciando ao cargo.
Se não for preso nos próximo dias, deverá dar graças a Deus.
Agora é a intervenção, e depois fechar o cerco contra Joaquim Roriz.
E o Congresso que cumpra o seu papel, e faça a revisão da autonomia política do Distrito Federal. Está mais do que provado que a cidade não produziu quadros a altura do país. Aquilo é um bando de aventureiros e bandalheiros que não merecerem um mandato popular.
Não deveria ter governador, mas sim um prefeito nomeado pelo Poder Central, que é quem paga todas as contas do Distrito Federal.
E uma Câmara de Vereadores para controlar o Executivo.
E só.
Nada de representação federal na Câmara e no Senado.
Quem quiser ajudar a cidade, vá ser vereador.
Quem não estiver contente com isso, dispute um mandato eletivo em seu Estado de origem.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:19

Paulo Octavio e a BandNews

 De Renata Lo Prete:
“No DEM, o errático Paulo Octávio ganhou o apelido de BandNews. Com ele, assim como no slogan da emissora, “em 20 minutos tudo pode mudar”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:18

Arruda procurou ministro do STJ

Eliane Catanhede e Lucas Ferraz, da ‘Folha’, entrevistaram o ministro Fernando Gonçalves, que mandou o governador Arruda para a cadeia.
Eis o seu texto:
“Avesso a jornalistas e agora famoso pela prisão preventiva do governador José Roberto Arruda (DF), o ministro Fernando Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), disse que foi procurado por Arruda pessoalmente e pelo governo de Minas Gerais, por telefone, depois de receber o processo da Operação Caixa de Pandora, que estava em segredo de Justiça. “O processo era sigiloso, não sei como vazou”, disse. “Devia ter mais coisa no ar do que avião”, acrescentou à Folha ontem, citando o chefe da Casa Civil de Minas, Danilo de Castro, como autor do telefonema. Ouvido pela Folha, Castro disse que não se lembrava da ligação. Os advogados de Arruda não foram localizados. Gonçalves, que irá se aposentar em abril, quando completa 70 anos, vota em Brasília, afirma que magistrado não decide por clamor da opinião pública e que a prisão de Arruda não foi fácil: “Fiz a contragosto, não foi por prazer”.
- No despacho para prender Arruda, o sr. afirma que a prisão preventiva era “imprescindível”. Por quê?
- Não fiz da minha cabeça, da minha vontade, foi um pedido do procurador-geral da República. Houve apreensão de dinheiro, confissão de quem levava dinheiro, pessoas ligadas ao governador que teriam feito a negociação. A prisão foi para que não se frustasse a instrução criminal.
- O sr. foi implacável?
- Fiz a contragosto, não por prazer. Apesar de a imprensa gostar da decisão de prender, nunca fui de mandar prender.
- E quanto aos vídeos com políticos e empresários recebendo dinheiro?
- Não vi, só na televisão. Tenho a degravação dos áudios, que são de 2006, e isso é suficiente.
- Em sendo da época da campanha, pode ser caixa dois, prática generalizada no país?
- Não diria que só são de campanha, não, porque presume-se que há coisas posteriores. Mas, para mim há uma única expectativa: no dia 20 de abril eu saio.
- E sai com uma vitória de 12 a 2 no plenário do STJ. Isso foi fator condicionante para a decisão do ministro Marco Aurélio Mello (STF) contra o habeas corpus de soltura de Arruda?
- A dúvida foi se era possível fazer a prisão sem a autorização da Câmara Legislativa [do Distrito Federal]. Quatro ministros foram vencidos, houve a votação do mérito e, depois, o ministro Marco Aurélio esclareceu que um dispositivo da Lei Orgânica foi considerado inconstitucional pelo Supremo. Ou seja: não precisa ouvir a Câmara.
- O que o sr. pensou ao receber o pedido de prisão?
- Estou muito calejado, como esses motoristas que dirigem à noite daqui até Belo Horizonte. Não quero dizer que sou uma pessoa fria, e é lógico que você não vai receber um pedido desses prazerosamente, mas cada um tem que cumprir seu dever. Quando tomo uma decisão, me coloco naquele lugar do vencido, não do vencedor. Preferiria que não tivesse caído para mim. Não gosto de ficar exposto.
- O sr. sofreu pressão dos seus conterrâneos? Arruda e Paulo Octávio são mineiros.
- O Arruda veio aqui e pediu para falar comigo, dizia que havia um processo contra ele. Foi logo no início, antes de toda e qualquer providência. Eu o conheço. Ele veio, ficou sentado aí [apontando o sofá]. O processo era sigiloso, não sei como vazou.
- O que o sr. lhe disse?
- Que tinha sido distribuído para mim, que estava tramitando sigilosamente, que não tinha conhecimento dos fatos e que não poderia adiantar nada. O processo tinha sido distribuído, mas não tinha chegado. Não sei se a operação vazou. Devia ter alguma coisa no ar além de avião.
- O Durval Barbosa, delator do mensalão, disse que Arruda iria falar com Aécio para pedir ao sr. que o recebesse. Aécio falou algo?
- A Socorro [secretária do ministro] disse que o chefe da Casa Civil, Danilo de Castro, havia ligado para mim. Mas isso é muito normal. Sou muito amigo dele e do Aecinho, mas nem falei com ele. Quando ele ligou, Arruda já tinha vindo.
- A prisão preventiva de um governador aproxima o Judiciário da opinião pública?
- Não pensei nisso, só fiz o meu papel. Eu não posso deixar a opinião pública me induzir contra a minha consciência. Não à prisão por clamor popular!”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:17

Agaciel Maia, o caipira modernoso

  O Sr. Agaciel Maia, o antes todo poderoso chefão do Senado, responsável por tudo o que foi safadeza praticado na Casa, com o apoio, óbvio, de um grupo de senadores, à frente José Sarney, está agora em busca de uma imunidade.
Brasília amanheceu repleta de cartazes de Agaciel, embora ele negue que seja candidato.
Na internet, ele fez um blog, digno de um preguiçoso.
Seus últimos post estão datados de 10 de fevereiro. O primeiro é sobre “8 habilidades essenciais para um bom administrador” – imaginem. O segundo é de comemoração: “Hoje faz 33 anos que ingressei na carreira de servidor efetivo do Quadro de Pessoal do Senado Federal”.
No blog, o que existe de mais informativo, e verdadeiro, é um enorme relógio – já ajustado para o horário de Brasília.
Como administrador moderno que é, Agaciel abriu uma conta no Orkut, sem foto, sem recados, sem perfil. Também não tem amigos e está filiado apenas a uma comunidade: ‘Agaciel Maia Community’, criada em 19 de novembro de 2009 e, até hoje, passados mais de tres meses, com um único membro: ele próprio. Poderia pelo nomes colocar a esposa e os filhos.
Ele sugere ainda que o sigam no Twitter. Desde o dia 22 de janeiro ele postou nove mensagens. Seguidores? Zero.
Além de um link para o Facebbok, Agaciel tem outro para o YouTube. Caso você digite o seu nome, aparecerão alguns vídeos:
1. O diretor do Senado é suspeito de omitir da Declaração de Bens uma mansão avaliada em R$ 5 milhões…
2. Ouça os diálogos que ligam a família Sarney a favores de Agaciel. As gravações foram realizadas pela Polícia Federal com autorização judicial e …
3. O senador Arthur Virgílio Neto (do PSDB de José Serra e FHC), pulou dentro do caldeirão de escândalos no Senado. O senador passeou em Paris e pegou dinheiro emprestado com Agaciel Maia para pagar a…  
4. O cometário de Alexandre Garcia sobre o caso do senador Agaciel Maia…
5. O presidente do Senado, José Sarney, pediu ao TCU que investigue Agaciel Maia, que admitiu ser dono de uma mansão em Brasília, declarada no nome de …
E por aí vai. É vídeo que não acaba mais. Todos contra.
Agaciel Maia é mais o mais belo exemplo da necessidade de uma intervenção federal no Distrito Federal e, mais do isso: é preciso que o Congresso reveja a autonomia política da Capital.
Para se ter uma idéia, de 1994 para cá foram eleitos seis senadores, entre eles José Roberto Arruda, Luiz Estevão, Joaquim Roriz e Paulo Octavio.
Não há como resistir a isso.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:16

PF e MP aumentam cerco contra PO

Dos repórteres Rodrigo Rangel e Rosa Costa, do Estadão:
“Duas investigações bloqueadas na Polícia Civil de Brasília e recém-assumidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público podem selar o destino do governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio, personagem do “mensalão do DEM” ao lado do governador afastado José Roberto Arruda, preso desde o dia 11. Uma delas, batizada de Operação Tucunaré, apura um intrincado esquema de distribuição de dinheiro que envolve empresas de fachada sediadas em Brasília e tem como alvo o policial aposentado Marcelo Toledo, homem de confiança de Paulo Octávio.
A outra investigação, conhecida como Operação Tellus, apura um suposto esquema de cobrança de propina na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, quando o titular da pasta era o próprio Paulo Octávio.
Além de enredar Arruda e seu vice em novas transações suspeitas, as investigações demonstram como a dupla usava o poder para abafar, na Polícia Civil do DF, os inquéritos que poderiam atingi-los. Os delegados encarregados de tocar tanto a Tellus como a Tucunaré foram exonerados das funções comissionadas que ocupavam.
A Tucunaré, que começou modesta em 2009, mirando suspeitos de estelionato, acabou por desaguar em um esquema milionário. Agora, os investigadores suspeitam de ligação com o mensalão do PT. O grosso das somas sacadas no caixa em agências bancárias de Brasília viria da Euro DTVM e Royster Serviços, empresas investigadas no escândalo petista.
O inquérito da Operação Tucunaré, hoje a cargo da PF e do Ministério Público Federal, aponta para a existência de uma rede de corrupção com tentáculos na política local e nacional. Descobriu-se um esquema de desvio de dinheiro de fundos de pensão de estatais federais e empresas do governo do DF.
Investigadores disseram ao Estado já ter detalhes de como empresas que lucram somas vultosas em negócios com os fundos alimentam suposto esquema de distribuição de dinheiro. Políticos e dirigentes dos fundos são os destinatários da propina, apontam os autos. Operações de pelo menos três fundos – dois de estatais federais e um de empresa pública do Distrito Federal – fazem parte do inquérito.
O Estado teve acesso a documentos da investigação que listam 12 empresas desconhecidas, muitas delas de fachada, que receberiam o dinheiro remetido, em sua maior parte, pela Euro DTVM e pela Royster Serviços. A Royster tem como proprietário o doleiro paulista Lúcio Bolonha Funaro, conhecido no mensalão do PT por intermediar pagamentos a políticos aliados do Planalto. Outra empresa que abasteceria o esquema é a Toesa Service, que ganhou contratos importantes no governo Arruda.
De acordo com o inquérito, das empresas de fachada que recebiam os depósitos, as que mais se destacam, pelo valor das transações, são a Matriz Construções Ltda. e a Center Comércio e Consultoria. De maio de 2007 a março de 2008, a Center movimentou R$ 15 milhões. A Matriz sacou R$ 5,3 milhões de maio a dezembro de 2007.
Outro personagem da recente crônica policial brasiliense aparece como responsável pelos saques do dinheiro. Trata-se do doleiro Fayed Antoine Traboulsi, investigado em escândalos de corrupção no governo Joaquim Roriz (PSC). De acordo com a polícia, Fayed é quem administra a distribuição do dinheiro. Um irmão dele, Louis, era quem quase sempre fazia os saques. As idas às agências foram monitoradas.
É justamente nessa ponta da investigação que aparece o policial aposentado Marcelo Toledo, que se apresenta como fiel auxiliar de Paulo Octávio.
Toledo, que já foi sócio de Fayed, chegou a ser gravado pela Polícia Civil em conversas com o doleiro. As gravações revelaram a proximidade do policial com o esquema e levantaram suspeitas de que, ao menos parte dele, pode ter abastecido as contas do mensalão do DEM.
De um dos diálogos gravados pela polícia com autorização judicial surge a evidência mais forte de que o caso preocupava a cúpula da política no Distrito Federal. Fayed pede a Toledo que use sua influência junto ao governo para evitar que a investigação avançasse.
Em 17 de julho passado, pouco depois da conversa, o delegado encarregado do caso, Érico Mendes, e seu superior imediato, Cícero Jairo Vasconcelos, foram exonerados de suas funções comissionadas. Na ocasião, foram avisados de que a decisão havia sido de Arruda.
Nas investigações da Operação Caixa de Pandora, Toledo é apontado por Durval Barbosa, delator-mor do mensalão do DEM, como operador de Paulo Octávio. Em um dos vídeos gravados por Barbosa, Toledo aparece com maços de dinheiro nas mãos e diz que parte do valor deveria ser entregue ao atual governador em exercício.
Remessas: Empresas com atuação no mercado de ações e no setor de serviços remetem valores expressivos para contas de firmas de fachada sediadas em Brasília
Saque: Assim que chega nas contas das empresas de fachada, o dinheiro é sacado na boca do caixa, quase sempre por pessoas ligadas ao doleiro Fayed Traboulsi, um dos mais conhecidos do DF
Partilha: Logo após o saque, é feita a distribuição dos valores. Os investigadores monitoraram homens de Fayed levando sacolas de dinheiro para hotéis de Brasília
Suspeito: Um dos investigados na operação é o policial civil aposentado Marcelo Toledo, ex-sócio de Fayed e homem de confiança do governador em exercício, Paulo Octávio, e do governador afastado José Roberto Arruda
Afastamento: Delegados da Polícia Civil que atuavam no caso foram afastados por ordem do Palácio do Buriti, sede do governo do DF. Hoje na PF e no Ministério Público, o inquérito indica que boa parte do dinheiro tem origem em empresas beneficiadas em transações com fundos de pensão
Foco: Segundo a polícia, o esquema gira em torno da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do DF, até recentemente comandada por Paulo Octávio
Propina: Funcionários da secretaria cobrariam propina de empresas interessadas em receber terrenos do governo, como parte do Pró-DF, programa destinado a promover o desenvolvimento econômico do Distrito Federal
Gravações: nas interceptações telefônicas feitas pela polícia, foram flagradas conversas em que auxiliares diretos de Paulo Octávio tratavam da propina. Num dos casos, um assessor combina encontro para receber R$ 1,2 milhão”.

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