• Segunda-feira, 30 Janeiro 2012 / 10:01

Conselho a Cabral

   

 

                            Ricardo Noblat*

     Por pouco uma tragédia não surpreende o governador Sérgio Cabral fora do Estado ou do país.
Cabral voou a Paris no dia 19, retornando no dia 24, véspera da queda de três prédios no centro do Rio.
A pergunta que não quer calar: por que Cabral viaja tanto ao exterior? E por que a maioria de suas viagens quase sempre é cercada de mistério?
Não, Cabral não tem o dom de abortar tragédias com a sua simples presença. Dele não se cobraria tamanho prodígio.
De resto, manual algum recomenda que o bom governante esteja sempre por perto quando ocorrer uma tragédia. Ou que visite de imediato o local onde ainda há mortos e feridos.
Lula fazia questão de manter distância de desastres de qualquer porte. Não pôs os pés, por exemplo, em São Paulo quando ali se espatifou no dia 17 de julho de 2007 o Airbus A-320 da TAM, matando as 187 pessoas que transportava e mais 12 em solo. Na ocasião, o Comandante da Aeronáutica foi a São Paulo representando Lula.
Eis a questão de fato mais relevante neste momento: em uma democracia, o cidadão tem o direito de saber o que fazem com o seu dinheiro recolhido por meio de impostos.
É uma fatia desse dinheiro que paga os frequentes deslocamentos de Cabral e de sua comitiva. Logo, tudo que tenha a ver com o assunto nos interessa. Ou deveria interessar.
Se Cabral viaja ou viajou de graça à custa de empresários amigos, isso também importa – e como!
É direito de o cidadão conhecer todos os aspectos do comportamento dos seus governantes para poder avaliá-los e fazer suas escolhas. O homem público não tem vida privada, sinto muito. Se quiser ter que abdique da condição de homem público.
A deputada Clarissa Garotinho (PR) pediu à Assembleia Legislativa do Rio que levantasse todas as informações pertinentes às viagens de Cabral. Queria saber quantas vezes ele viajou desde que se elegeu governador; na companhia de quem; se em voo comercial ou particular; e os custos de cada viagem.
O pedido da deputada foi recusado por Paulo Melo (PMDB), presidente da Assembléia e aliado de Cabral, sob o pretexto de que o assunto é da órbita federal.
Então o deputado Garotinho fez pedido idêntico à Câmara dos Deputados. Rose de Freitas (PMDB-ES), vice-presidente, recusou o pedido. Decretou que o assunto é da órbita estadual.
Não é.
Na verdade, quem pode dispor das informações requisitadas por Garotinho filha e pai é a Polícia Federal e a Secretaria de Aviação Civil da presidência da República. À Secretaria se vinculam a Agência Nacional de Aviação Civil e a Infraero, que administra os 66 aeroportos brasileiros.
Garotinho recorreu da decisão de Rose à direção da Câmara, mas perdeu. Apelou à Justiça.
Seu apelo, hoje, repousa empoeirado à sombra de alguma toga.
Uma sugestão: por que Cabral não abre espontaneamente a caixa preta de suas viagens para mostrar que nada de podre se esconde ali?
Somente em uma democracia de fachada – ou uma democracia capenga – um governante pode esconder dos governados informações sobre suas viagens ao exterior e a outros Estados
*Ricardo Noblat é jornalista e mantém um blog no site de ‘O Globo’.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:19

PMDB quer proteger Cabral

Dos repórteres Flávio Tabak, Alessandra Duarte e Gerson Camarotti, de ‘O Globo’:
“Um dia depois de a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, ter chamado de parceiro o ex-governador Anthony Garotinho num evento do PR, integrantes do PMDB evitaram polêmicas públicas, mas repetiram, nos bastidores, que o partido exige tratamento de aliado preferencial ao governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), que disputa a reeleição. A proximidade de Dilma com Garotinho só não gerou uma crise entre os peemedebistas porque o PT cancelou a presença da ex-ministra no lançamento da pré-candidatura de Garotinho, que deve ocorrer neste sábado.
Emissários do PMDB avisaram aos dirigentes do PT que é preciso estabelecer uma regra de convivência para evitar problemas na campanha do Rio, pois o partido espera que Cabral seja tratado como o candidato de Lula no estado.
O encontro reservado de Dilma e Garotinho causou certa contrariedade entre os integrantes da campanha de Cabral. Líder do PMDB na Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), tentou contornar:
- O Sérgio Cabral está tranquilo. O que aconteceu é que a ministra Dilma recebeu o apoio de um partido da base e apoio não pode ser recusado. O que houve foi o apoio de Garotinho a Dilma. Agora temos que estabelecer regras de campanha.
O PMDB e o PT criaram um grupo de trabalho para elaborar as regras dos palanques que de Dilma Rousseff nos estados. Há cerca de duas semanas, dirigentes dos dois partidos participaram de uma reunião para discutir as alianças e a possível formação de palanques duplos em estados como Rio, Bahia e Minas Gerais.
O vice-presidente do PMDB no Rio, Wellington Moreira Franco, será um dos responsáveis por elaborar as regras, que devem ser apresentadas às duas legendas em dez dias.
- Ficamos eu e o José Eduardo Cardozo (PT-SP) responsáveis por fazer um texto que defina as regras para a operação de palanques duplos, não só na relação PT/PMDB, mas também com os outros partidos. Fiz uma minuta com o Zé Eduardo, e a expectativa é de que possamos definir uma regra validada por todos os partidos que compõem as alianças – disse Moreira Franco.
Ao comentar o encontro de Dilma e Garotinho anteontem, o líder do governo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e presidente do PMDB no Rio, deputado Paulo Melo, afirmou que Dilma Rousseff “deve saber que faz parte da política uma escolha de lados”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:03

Madonna, rainha do camarote de Cabral

 A prefeitura do Rio promoveu ontem um saramaleque na Marques de Sapucaí com ensaios de situações de riscos, resgates de pessoas presas no elevador, falta de energia, pontos de alagamento e principio de incêndios em camarotes.
Segundo o subsecretário de Defesa Civil municipal, coronel Sérgio Simões, ?essa será a primeira vez que a cidade tem um plano de contingência com esse modelo de integração?.
Como o Presidente Lula esteve lá Passarela do Samba, no ano passado, e não armaram esse circo para ele, tudo leva a crer que o esquema é para atender a Madonna, a super-amiga de Sergio Cabral ? pelo menos ele a considera assim. Ela já tem a sua disposição 30 policiais militares, sendo que 10 são batedores que evitam engarrafamentos no trânsito.
Se ela fosse passar o Carnaval em Sucupira, o prefeito não faria melhor.
E possível até que Sergio Odorico Cabral faça uma saudação especial a amiga, quando ela desembarcar no Sambódromo:
?Botando de lado os entretantos e partindo pros finalmentes, é uma alegria anunciar que prafentemente vocês terão agora, na memória, os momentos que ficarão para sempre nos anais e menstruais da nova proprietária da Vita Cocô?.
Depois do discurso, será só alegria, com Madonna cercada pelos amigos do governador ? gente inteligente, amável, informada, espirituosa, cordial, enfim um bom-papo ? como é o caso dos mais íntimos Jorge Picciani e Paulo Mello.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:51

Cabral e Adriana: casamento de araque

‘O Dia’, sob nova administração, deu hoje um furo de reportagem. Pena que ninguém tenha assinado a  matéria. Mas vamos a ela:
“O governador Sergio Cabral e a primeira dama Adriana Ancelmo renovaram os votos de casamento na noite de segunda-feira, com padrinhos ilustres: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Casa Civil,Dilma Rousseff. A cerimônia reservada foi no Palácio Laranjeiras, para 50 convidados. O padre Marcelino Modelski, pároco da Igreja de São Jorge, em Quintino, Zona Norte do Rio, celebrou o ato, seguida de festa com direito a DJ. A festa serviu também como comemoração antecipada do 47º aniversário do governador, que é hoje.
 O padre Marcelino Modelski contou ter sido convidado pela primeira dama para realizar a benção das alianças do casal, poucas horas antes da cerimônia. “Como Cabral já era separado do primeiro casamento, não poderia se unir em matrimônio pela igreja outra vez. Apenas no civil, como já tinha feito. Nesses casos, a exemplo de qualquer outro na mesma cirscunstância, nós damos uma benção especial sobre as alianças”, explicou o padre.
Segundo ele, a benção durou aproximadamente cinco minutos. “Foi rápida. Coloquei a batina, fiz uma oração especial e rezamos o Pai-Nosso juntos, com muita fé. Em tom de brincadeira o governador gritou: “Lula, Dilma, venham ser meus padrinhos”, revelou o sacerdote quando Cabral chamou o presidente e a ministra, que adiaram o retorno para Brasília para participarem da cerimônia. Lula ficou cerca de uma hora e meia no Palácio. Antes, ele havia participado de outra festa, a dos 100 anos de Maria Amélia Buarque de Holanda, mãe de Chico Buarque.
Lula deu conselhos ao governador e à primeira dama. Ele disse para Adriana Ancelmo que é muito difícil ser mulher de político por causas dos compromissos e do tempo sempre muito apertado. o presidente disse ainda que o político é como adolescente, sempre anda em grupo e, às vezes, falta tempo para se dedicar a família.
A festa rolou até às 3h, com muita música. Entre os políticos presentes, apenas os mais próximos de Cabral. Do PMDB, só estavam o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani, o líder do governo Paulo Melo e o prefeito do Rio, Eduardo Paes.
Segundo o padre Modelski, a primeira dama e o governador costumam frequentar a paróquia. “Adriana vem até mais que ele”, contou o padre.

Agora alguns comentários:
1 – A doutora Adriana Ancelmo é muito jeitosa. No ano passado, ela aproveitou a presença de Lula no Rio, e o convidou para a festa de aniversário do marido, que havia ocorrido duas semanas antes, e que ele já tinha comemorado em Paris, cidade de sua predileção. Ela queria só uma maior proximidade com o Presidente. 
2 – Dessa vez, depois de ter dois filhos com o governador, ela inventa o batismo de umas alianças para levar o Presidente da República ao Palácio Laranjeiras, no momento em que a imprensa levanta sérias suspeitas sobre o seu escritório de advocacia. Depois de tantos anos, por que só agora a benção das alianças?
3 – A “cerimônia” foi arranjada às pressas, só  para aproveitar a presença de Lula. Tanto que o próprio padre disse ter sido convidado “poucas horas antes”. Ninguém faz uma festa de casamento, ou seja lá o que fôr, com a presença do Presidente da República, e convida o padre poucas horas antes.
4 – Será mesmo que o casal frequenta a Igreja? Dificil, pois nas proximidades não desce helicóptero. Além disso, Cabral – pelo que se conhece de sua biografia – nunca foi um católico praticamente. Ele defende a discriminização da maconha, é a favor do aborto, participa da passeata gay, não foi recepcionar o novo Arcebispo do Rio quando este chegou a cidade, e muito menos foi a sua posse.
5 – Aliás, teria o padre solicitado licença à Arquidiocese para participar dessa cerimônia?  Esse pode ser um precedente estranho.
6 – Há quem diga que Cabral “casou”, apenas para ter a desculpa de que viajaria em lua-de-mel. Eles ontem embarcaram para Londres.
7 – Londres deve ter sido o destino escolhido, pois São Jorge é o padroeiro da Inglaterra, assim como o padre, que deu a “benção” nas alianças, é pároco da igreja de Quintino.
8 – E, para finalizar: ou foram mais de 50 pessoas, ou a festa não terminou as 3 da madrugada. Não é possível que a animação de Picciani, Paulo Melo e Eduardo Paes seja tamanha, que fiquem dançado por mais de quatro anos depois da saída do Presidente.

Copyright © 2010. Todos os direitos reservados.