• Segunda-feira, 02 Agosto 2010 / 18:33

Com o rei na barriga

     O candidato 1111 será um dos campeões de gastos nessa campanha. Ontem pela manhã, no Aterro do Flamengo, quase uma centena de cabos eleitorais, contratados pelo candidato, agitavam bandeiras com o seu número.
O 1111 pertence ao ex-secretário de Transportes, Julio Lopes.
Em São Paulo, esse número é do deputado Paulo Maluf.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:35

Serra, Maluf, Pitta e Kassab

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, lembrou-se ontem do episódio de Paulo Maluf, cuja popularidade elegeu Celso Pitta para a Prefeitura de São Paulo, para dizer que o sucessor nem sempre repete a popularidade ou o governo do seu antecessor.
Em entrevista a uma rádio, Serra disse que não há garantias que Dilma Rousseff fará  um governo tão bom quanto Lula:
“Lembra o que ocorreu em São Paulo com Maluf e Pitta? O Maluf estava bem avaliado e bancou o Pitta. O Pitta foi diferente do Maluf ou não foi? Foi outra coisa. Não necessariamente o sucessor replica o antecessor, mesmo tendo sido apoiado por ele”, disse ele.
Poderiam fazer duas perguntas a Serra:
1. Isso quer dizer que ele considera boa a administração de Paulo Maluf na Prefeitura de São Paulo?
2. O seu sucessor Gilberto Kassab, bancado por ele, está sendo um fracasso?

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:26

Arruda ameaça sair da cadeia

Da ‘Folha’:
“O Superior Tribunal de Justiça deve julgar hoje o pedido de liberdade do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido). O ex-democrata está preso há dois meses na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, acusado de obstruir as investigações do mensalão do DEM.
Primeiro governador do país detido no exercício do mandato, Arruda já superou a marca do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), que, em 2005, ficou 40 dias preso também por atrapalhar a Justiça.
A decisão de julgar o pedido da defesa para a revogação da prisão preventiva foi do ministro do STJ, Fernando Gonçalves, relator do caso, que se aposenta no dia 20, ao completar 70 anos. Gonçalves vai submeter o pedido à Corte Especial -que reúne os 15 ministros mais antigos.
Para o advogado do ex-governador, Nélio Machado, não há mais justificativas para a manutenção da prisão. “A prisão do jeito que está é ilegal porque ele [Arruda] não tem como atrapalhar as investigações. Agora, não é questão de inocência, é questão de que a prisão é desnecessária”, afirmou.
A nova justificativa apresentada por Machado para pedir a liberdade do ex-democrata é que os depoimentos à Polícia Federal de testemunhas e pessoas envolvidas no suposto esquema de arrecadação e pagamento de propina acabaram na semana passada.
O relatório da Polícia Federal com o resultado dos interrogatórios e a perícia dos vídeos de políticos, assessores e empresários recebendo suposta propina deve ser encaminhado hoje ao STJ e ao Ministério Público. A expectativa é que o delegado Alfredo Junqueira solicite, pela segunda vez, a prorrogação das investigações por mais 30 dias”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:16

Aécio: “Dilma é uma incógnita”

o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é entrevistado pelos repórteres Mario Sabino e Fábio Portela, nas páginas amarelas da ‘Veja’:
- A que exatamente a população deu a aprovação de 92%?
- As pessoas sabem o que é bom para elas, sua família, sua cidade, seu estado e seu país. A aprovação vem naturalmente quando elas percebem que a ação do governo está produzindo professores que ensinam, alunos que aprendem, policiais que diminuem o número de crimes e postos de saúde que funcionam. Quando você faz um choque de gestão e entrega bons resultados ano após ano, não há politicagem que atrapalhe a percepção de melhora por parte da população. Quem tem 92% de aprovação está sendo bem avaliado por todo tipo de eleitor, até entre os petistas.
- Os eleitores entendem o conceito de ?choque de gestão??
- Quase todo mundo percebe quando a política está sendo exercida como uma atividade nobre, sem mesquinharias, com transparência e produzindo resultados práticos positivos. A política, em si, é a mais digna das atividades que um cidadão possa exercer. Os gregos diziam que a política é a amizade entre vizinhos. Quando traduzimos para hoje, estamos falando de estados, municípios e da capacidade de construir, a partir de alianças, o bem comum. Vou lutar por reformas que possam tornar a política de novo atraente para as pessoas de bem, que façam dessa atividade, hoje vista com suspeita, um trabalho empenhado na elevação dos padrões materiais, sociais e culturais da maioria. É assim que vamos empurrar os piores para fora do espaço político. Não existe vácuo em política. Se os bons não ocuparem espaço, os ruins o farão.
- A máquina do serviço público é historicamente pouco eficiente. Como o senhor fez para mudar essa realidade?
- Nós estabelecemos metas para todos os servidores, dos professores aos policiais. E 100% deles passaram a receber uma remuneração extra sempre que atingissem as metas acordadas. O governo começou a funcionar como se fosse uma empresa. Os resultados apareceram com uma rapidez impressionante. A mortalidade infantil em Minas caiu mais do que em qualquer outro estado, a desnutrição infantil das regiões mais pobres chegou perto do patamar das regiões mais ricas, todas as cidades do estado agora são ligadas por asfalto, a energia elétrica foi levada a todas as comunidades rurais e mesmo as mais pobres passaram a ter saneamento. Na segurança pública conseguimos avanços notáveis com a efetiva diminuição de todos os tipos de crime.
- O desafio do PT sobre comparação de resultados de governos, então, lhe conviria?
- Gostaria muito de contrapor os resultados obtidos pela implantação da meritocracia com o messianismo daqueles que apenas fazem promessas e propagam a própria bondade. Quando você estabelece instrumentos de controle e consegue medir os resultados das ações de governo, você espanta os pregadores messiânicos. Eles fogem das comparações. Mas para ter resultados é preciso que se viva sob um sistema meritocrático. Isso significa que as pessoas da máquina estatal têm de ser qualificadas, e não simplesmente filiadas ao partido político. O aparelhamento do estado que vemos no governo federal é um mal que precisa ser erradicado.
- Quais são as chances de o senhor ser candidato a vice-presidente da República na chapa de José Serra?
- Serei candidato ao Senado. Eu tenho a convicção de que a melhor forma de ajudar na vitória do candidato do meu partido, o governador José Serra, é fazer nossa campanha em Minas Gerais. Eu respeito, mas divirjo da análise de que a minha presença na chapa garantiria um resultado positivo para o governador Serra. Isso não é verdade. Talvez criasse um fato político efêmero, que duraria alguns dias, mas logo ficaria claro que, no Brasil, não se vota em candidato a vice-presidente.
- Nas últimas eleições, quem venceu em Minas venceu também a eleição presidencial. Acontecerá o mesmo neste ano?
- Espero que sim, e acho que o governador Serra tem todas as condições para vencer em Minas Gerais e no Brasil. Eu vou me esforçar para ajudá-lo, repito, porque tenho um compromisso com o país que está acima de qualquer projeto pessoal. Esse compromisso inclui trabalhar para encerrar o ciclo de governo petista. Lula teve muitas virtudes. A primeira delas, aliás, foi não alterar a política econômica do PSDB. Ele fez bons programas sociais? Claro, é um fato. Mas o desafio agora é fazer o Brasil avançar muito mais, e é isso que nosso presidente fará.
- A ministra Dilma Rousseff, candidata do PT ao Planalto, tem dito que o presidente Lula reinventou o país. Esse é um exemplo de discurso messiânico?
- Sem dúvida. Se um extraterrestre pousasse sua nave no Brasil e ficasse por aqui durante uma semana sem conversar com ninguém, só vendo televisão, ele acharia que o Brasil foi descoberto em 2003 e que tudo o que existe de bom foi feito pelas pessoas que estão no governo atual. Os brasileiros sabem que isso é um discurso vazio. Não teria havido o governo do presidente Lula se não tivesse havido, antes, os governos do presidente Fernando Henrique e do presidente Itamar Franco. Sem o alicerce do Plano Real, nada poderia ter sido construído.
- A ministra Dilma cresceu nas pesquisas e viabilizou-se como candidata competitiva. Isso preocupa o PSDB?
- A ministra Dilma chegou ao piso esperado para um candidato do PT, qualquer que fosse ele. A partir de agora, ela terá de contar com a capacidade do presidente Lula de lhe transferir votos. Mas o confronto olho no olho com o governador Serra vai ser muito difícil para ela.
- Na sua opinião, como será o tom da campanha presidencial?
- Acho que, em primeiro lugar, a candidata Dilma terá de explicar logo como será sua relação com seu próprio partido, o PT, em um eventual governo. O PT tem dificuldades históricas de ter uma posição generosa em favor do Brasil. Quando a prioridade do Brasil era a retomada da democracia, o PT negou-se a estar no Colégio Eleitoral e votar no presidente Tancredo Neves. O PT chegou a expulsar aqueles poucos integrantes que contrariaram o partido. Prevaleceu uma visão política tacanha, e não o objetivo maior que tinha de ser alcançado naquele momento. Se dependesse do partido, talvez Paulo Maluf tivesse sido eleito presidente pelo Colégio Eleitoral. Ao final da Constituinte, o PT recusou-se a assinar a Carta. Quando o presidente Itamar Franco assumiu o governo, em um momento delicado, de instabilidade, e o PT foi convocado a participar do esforço de união nacional, novamente se negou, sob a argumentação de que não faria alianças que não condiziam com a sua história. Se prevalecesse a posição do PT, nós não teríamos a estabilidade econômica, porque o partido votou contra o Plano Real. O presidente Lula, com sua autoridade, impediu que o partido desse outros passos errados quando chegou ao governo. Mas o que esperar de um governo do PT sem o presidente Lula?
- Qual é o seu palpite?
- Eu acho que, pelo fato de a ministra Dilma nunca ter ocupado um cargo eletivo, há uma grande incógnita. Caberá a ela responder, durante a campanha, a essa incógnita. Dar demonstrações de que não haverá retrocessos, de que as conquistas democráticas são definitivas. A ministra precisa dizer de forma muito clara ao Brasil qual será a participação em seu governo desse PT que prega a reestatização, que defende uma política externa meramente ideológica, que faz gestos muitos vigorosos no sentido de coibir a liberdade de expressão. 
- E o PSDB, falará de quê?
- Nosso maior tema será lembrar aos brasileiros que somos a matriz de todos os avanços sociais e econômicos do Brasil contemporâneo. Nós temos legitimidade para dizer que somos parte integrante do que aconteceu de bom no Brasil até agora. Se hoje o país está numa situação melhor, foi porque nós tivemos uma participação decisiva nesse processo. Houve a alternância do poder, que é natural e saudável, mas está na hora de o PSDB voltar ao poder. Está na hora de o país ter um governo capaz de fazer a máquina pública federal funcionar sem aparelhamento. É preciso implantar a meritocracia na administração federal, e o PT simplesmente não quer, não sabe e não pode fazê-lo. Às promessas falsas, ao messianismo, aos insultos pessoais, aos ataques de palanque, vamos contrapor nossos resultados nos estados e a receita de como obtê-los também no nível federal.
- O senhor acha que os brasileiros são ingratos com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?
- Eu acho que hoje não se faz justiça a ele, mas tenho certeza absoluta de que a história reconhecerá seu papel crucial. Como também acho que se fará justiça ao presidente Itamar Franco, que permitiu a Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, fazer e aplicar o Plano Real.
- Se vencer a disputa presidencial, Serra diz que tentará acabar com a reeleição.
- Eu prefiro mandatos de cinco anos, sem reeleição. Defendo isso desde 1989. Mas, hoje, pensar nisso é irreal. A reeleição incrustou-se na realidade política brasileira de maneira muito forte. A prioridade deveria ser uma reforma política que incluísse o voto distrital misto. Isso aproximaria os eleitores dos deputados e ajudaria a depurar o Parlamento.
- O senhor, um político jovem, bem avaliado, duas vezes governador de um grande estado, ainda deve almejar chegar à Presidência, não?
- Eu tenho muita vontade de participar da construção de um projeto novo para o Brasil, em que a nossa referência não seja mais o passado, e sim o futuro. Sem essa dicotomia que coloca em um extremo o PT e no outro o PSDB, e quem ganha é obrigado a fazer todo tipo de aliança para conseguir governar. Assim, paga-se um preço cada vez maior para chegar a sabe-se lá onde. O PT deixou de apresentar um projeto de país e hoje sua agenda se resume apenas a um projeto de poder. Eu gostaria de uma convergência entre os homens de bem, para construir um projeto nacional ousado, que permita queimar etapas e integrar o Brasil em uma velocidade muito maior à comunidade dos países desenvolvidos, de modo que todos os brasileiros se beneficiem desse processo.
- Mas o Brasil já está direcionado nesse rumo, não?
- Está, mas é preciso acelerar a nossa chegada ao nosso destino de grandeza como povo e como nação. Eu fico impaciente com realizações aquém do nosso potencial. O Brasil pode avançar mais rapidamente com um governo que privilegie o mérito, que qualifique a gestão pública, para que ela produza benefícios reais e duradouros para a maioria das pessoas, que valorize o serviço público e cobre dele resultados. Um governo que tenha autoridade e generosidade para fazer acordos. Meu avô Tancredo Neves costumava dizer que há muito mais alegria em chegar a um entendimento do que em derrotar um adversário. Eu vou ser sempre um construtor de pontes. Quanto a chegar à Presidência da República, tenho a convicção de que isso é muito mais destino do que projeto.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:39

O cardiologista da República

 De Tatiana Farah, de ‘O Globo’:
“Luiz Inácio Lula da Silva, José Alencar, Dilma Rousseff, José Sarney, Fernando Collor, Paulo Bernardo, Paulo Maluf e José Serra. A lista de pacientes de Roberto Kalil Filho tem segredos de três décadas da política brasileira, mas o cardiologista prefere ser visto como médico de família, à moda antiga, do que ser chamado de ?médico do poder?.
? É claro que tem um lado bom em ser o médico do presidente, mas há outro lado. Alguns pacientes pensaram ?agora ele vai ficar viajando o mundo inteiro e não terá mais tempo para mim?. Não é verdade. Eu atendo a todos e gosto de acompanhar cada caso. Se quebrou o pé, quero saber ? diz Kalil, que, para dar conta do recado, começa às 8h e só para à meia-noite.
Aos sete anos, Kalil ganhou um microscópio do pai. Agora, aos 50, já deu estetoscópios e aventais brancos, bordados com os nomes, para estimular nas filhas adolescentes algum gosto pela medicina.
? Elas têm duas opções, podem ser médicas ou médicas ? brinca o médico, que começou ao lado do tio, Fúlvio Pileggi, diretorgeral do Instituto do Coração (InCor) nos anos 80.
Foi com Pileggi que Kalil aprendeu a ser rigoroso e cobrar muito dos assistentes: ? Meu tio dizia: ?Não quer ficar 24 horas trabalhando? Está cansado? Então vá fazer balé, tricô, ficar em casa. Porque médico trabalha 24 horas?. Eu sou mais bonzinho que ele, pelo menos de madrugada, em emergência, eu não faço as assistentes correrem para o hospital. Venho eu mesmo, até porque eu gosto de ver o que está acontecendo com o meu paciente.
Diretor de Cardiologia do Hospital Sírio Libanês, médico e professor do Instituto do Coração, Kalil está arranjando tempo para se dedicar mais à pesquisa.
Quer desenvolver no Instituto do Câncer um trabalho sobre o efeito dos quimioterápicos sobre o coração e as artérias.
? Um médico não pode ficar sem fazer ciência muito tempo.
Este é meu plano para agora.
Para cumprir sua jornada de ?workaholic?, Kalil dispensa cinema, teatro, livros, passeios e férias. Em janeiro, ?arrastado? pela mulher, a médica Cláudia Cozer, e as filhas, foi esquiar nos Estados Unidos. Resultado: a mão e uma costela quebradas.
Mas não é de hoje que a agenda de Kalil é fechada para o lazer.
? Quando era criança, o melhor dia das férias era o de voltar para casa. Quando era moço e solteiro, nunca fui a uma boate.
Não gosto de festas, se fui ao cinema, fui umas três, quatro vezes na vida (uma delas para ver o filme ?Lula, O Filho do Brasil?).
Sou assim. Meu irmão, médico também, é um pouco diferente.
Kalil não para nem para conversar com colegas na lanchonete do hospital e, muitas vezes, passa reto, sem cumprimentar, com a cabeça ?a mil?.
? Falam que eu sou chato, mas eu não gosto, nunca gostei de festa, de muita conversa. É só o meu jeito ? admite.
O excesso de visibilidade em razão da agenda de pacientes famosos, principalmente do presidente Lula, incomoda um pouco Kalil. Para decidir dar a entrevista ao GLOBO, ele levou duas semanas.
Com a reportagem aguardando no hospital, ligou para o presidente do CRM (Conselho Regional de Medicina), para saber a opinião do órgão.
? Os médicos usam pouco o CRM e, lá, eles estão habilitados a nos orientar nessas questões éticas? justificou.
O melhor amigo de Kalil, também médico, é Lucio Rossini, especialista em endoscopia. Moram em São Paulo, mas passam mais de um ano sem se ver.
? É um amigo daqueles que, pode passar o tempo, será o seu melhor amigo. Devo muito a ele.
Quando começamos com um consultório, eu não tinha dinheiro, e abrimos juntos. Um atendia de manhã e o outro, à tarde.
Dinheiro e consultório hoje não são problema. Em um dos prédios ao lado do Hospital Sírio Libanês, os pacientes ficam cercados de sofisticação. No consultório que Kalil guarda o microscópio da infância e um ritual: sempre ter um vaso com rosas brancas.
? Sou espiritualizado.
Aprendi a acreditar quando vi minha mãe doente. Com fé e medicina ela se recuperou.
É a mesma receita de fé e medicina que Kalil vê como o sucesso do vice-presidente José Alencar na luta contra o câncer. Ele elogia o espírito otimista de Alencar e o jeito regrado de Maluf para cumprir os tratamentos médicos. Para o presidente Lula também sobram elogios, assim como histórias.
Kalil é seu cardiologista há quase 20 anos.
? Na eleição de 2002, o presidente, muito carinhoso, brincou com a minha filha: ?Você votou em mim?? Ela respondeu: ?não, votei no Serra?. Eu falei: ?Filha, como assim? Você não votou em ninguém, você não vota?.
E ela respondeu: ?Votei sim, fui votar com a minha mãe e apertei o 45 (número do PSDB)?.
Todos nós demos risada.
Mas política é um assunto que fica fora do consultório.
? Sou médico, não político.
Não tenho vontade de ser”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:09

Afrouxe o cinto, a esquerda sumiu

Do repórter Fernando Taquari, do ‘Valor Econômico’:
“Depois de dois mandatos marcados pelo pragmatismo, com uma guinada ideológica ao centro, o PT realiza o 4 º Congresso com um discurso mais alinhado à esquerda. Enquanto petistas defendem um retorno às raízes, cresce o vácuo à direita. Se tudo correr dentro do previsto, o Brasil terá pela terceira eleição consecutiva para presidente apenas candidatos com origem política na esquerda ou centro-esquerda. Além de Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV) não têm como serem rotulados de direitistas e o mesmo se aplica aos respectivos partidos.
O sumiço da direita na disputa pode estar associado a uma série de fatores, como a polarização entre PT e PSDB e a chegada da maturidade da geração que enfrentou o regime militar durante os anos 60 e 70. Enéas Carneiro, em 1998, conquistou pelo Prona apenas 2,1% dos votos. Em 1994, Esperidião Amin (PP) e Enéas obtiveram 10,1% dos votos.
A situação é bem diferente quando comparada às eleições de 1989. Na época, sete candidatos alinhados com o perfil direitista (Fernando Collor, Aureliano Chaves, Paulo Maluf, Guilherme Afif Domingos, Ronaldo Caiado, Affonso Camargo e Enéas Carneiro) participaram da sucessão presidencial e atingiram quase a metade dos votos (46,9%). “Tucanos e petistas, que se alternam na primeira e segunda posição nas eleições desde 1994, também foram os únicos que deram a cara a bater em todas as cinco disputas para presidente após o fim da ditadura. Somados, os candidatos do PT e PSDB receberam 90,2% dos votos válidos em 2006. O resultado não difere muito em relação às outras campanhas”, argumenta o cientista político Rogério Schmitt, coordenador de estudos e pesquisas do Centro de Liderança Pública (CLP).
Segundo ele, a polarização entre as duas legendas e a ausência de uma direita autêntica restringe o debate a um cardápio reduzido de propostas. “Nada mais natural e salutar do que a alternância pacífica no poder entre governos com foco mais à esquerda ou à direita, como ocorre nas principais democracias mundiais”, avalia Schmitt. O cientista político chama a atenção para uma situação paradoxal ao ressaltar que a maioria da população brasileira (47%) disse ser de direita durante levantamento realizado pelo Datafolha, em 2006. Outros 30% declararam serem de esquerda, enquanto 23% ficaram no centro.
“Isso não quer dizer que os eleitores são adeptos do liberalismo econômico e favoráveis à privatização de empresas estatais, características dos partidos de direita. Pelo contrário. O resultado expressa a inclinação mais conservadora da sociedade, apegada aos valores morais mais tradicionais”, justifica Schmitt.
Talvez por este motivo, arrisca o cientista político, PFL [Partido da Frente Liberal] e PL [Partido Liberal], que tinham a palavra liberal na sigla, tenham mudado de nomes nos últimos anos. Agora, ficaram Democratas e PR [Partido da República], respectivamente. “A estratégia não deu muito certo no caso do DEM, que seria o partido mais à direita no país, mas não conseguiu sair da sombra do PSDB e se conformou em ser uma linha auxiliar, com medo de defender suas bandeiras”, observa.
O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), admitiu uma renovação no discurso com inserção de temas como meio ambiente e corte de impostos na agenda da legenda, além da migração da base eleitoral do Nordeste para o Sul e Sudeste e a intenção de conquistar um público mais jovem, engajado em questões sociais. “Com uma nova plataforma, pretendemos concorrer à Presidência nas eleições de 2014″, diz Maia, que foi no fim do ano passado com o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) à Inglaterra buscar informações sobre mudanças do Partido Conservador.
Os conservadores britânicos, que estão fora do poder desde 1992, lutam para conquistar a maioria no parlamento e se espelham no líder David Cameron para adotar uma linha que consideram mais “progressista”, colocando na agenda do partido temas como liberdades individuais, fim da burocracia no Estado e defesa do meio ambiente. Nesta nova fase, Cameron admitiu em diversos artigos que a crise comprovou que o mercado não seria a solução dos problemas da humanidade e advertiu sobre a necessidade de promover um capitalismo com “consciência”, com a valorização da esfera pública e das organizações sociais, além de um poder descentralizado.
Na tentativa de voltar a ter um espaço significativo na política nacional, o DEM foi atingido em cheio pela prisão de seu único governador, José Roberto Arruda (DEM).
Ao comentar o “sumiço” da direita, Maia acredita que se trata de um rumo coletivo, entre esquerda e direita, ao centro. “Isso ficou claro no momento em que o presidente Lula assinou a Carta ao Povo Brasileiro no pleito de 2002″, assinalou. No documento, o então candidato procurou acalmar os ânimos dos investidores ao rejeitar transformações na condução da política econômica.
O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), que vai repassar no 4 º Congresso Nacional o cargo de presidente do PT ao ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra, recusa a ideia de Maia e afirma que os próprios partidos de direita têm receios de defender suas bandeiras. “De qualquer maneira, vejo que o PSDB e o DEM ocuparam esse espaço, com um papel liberal ou neoliberal”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:26

Até Maluf já faz exigências

Até Paulo Maluf decidiu agora falar grosso com a ministra Dilma Rousseff.
Veja a reportagem de Vera Rosa no ?Estadão?:
?Com a nova arrumação no ninho tucano, aliados do governo Lula já começam a fazer “exigências” para apoiar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Palácio do Planalto, em 2010. Depois de dirigentes do PMDB dizerem-se ofendidos com declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que sugeriu ao partido a apresentação de uma lista tríplice para Dilma escolher o vice de sua chapa -, agora é a vez do PP de querer um dote para aceitar o casamento.
“Aprecio a Dilma e acho que ela é uma mulher de valor, mas não faremos acordo federal sem São Paulo”, afirmou o deputado Paulo Maluf (PP-SP), que não foi ao jantar da ministra com a bancada do PP, há 53 dias, em Brasília. “A definição do nosso apoio tem de passar por uma conversa sobre o maior colégio eleitoral do País.”
Presidente do PP paulista, Maluf gostaria que o PT avalizasse a candidatura do deputado Celso Russomanno (SP) à sucessão do governador José Serra (PSDB). Na prática, sabe que essa hipótese é impossível, mas quer o compromisso de que o PT não hostilizará Russomanno.
“Temos de deixar definido já como ficam as coisas e se vão nos apoiar lá na frente, pois temos um candidato que tem votos e discurso”, insistiu Maluf. “Quem o PT tem em São Paulo?”, perguntou Russomanno, que também não bateu ponto no jantar de outubro, no qual Dilma caprichou nos elogios ao PP.
Para arrepio de petistas mais radicais, a ministra chegou a dizer, naquele jantar, que não sabe distinguir entre as “realizações” do PP e do PT no governo Lula, tamanha a “afinidade” entre os dois partidos, ex-rivais históricos. “É possível ter acordo com o PP em São Paulo”, disse o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), informado sobre a imposição de Maluf. “Se o candidato deles apoiar a Dilma, podemos firmar acordo para estarmos juntos no segundo turno.” Cauteloso, o senador Francisco Dornelles (RJ), presidente nacional do PP, disse que é cedo para a legenda resolver com quem ficará em 2010. “Política e pressa não combinam”, resumiu. Nem mesmo a desistência do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB) – que retirou sua pré-candidatura, deixando o caminho livre para Serra -, fez Dornelles antecipar a decisão do PP. O senador é tio de Aécio e estava numa saia-justa, aguardando o desfecho da novela na seara tucana.
Além da indefinição de muitos aliados, há o “fator Ciro”. O PT não definiu quem será seu representante na disputa ao Palácio dos Bandeirantes porque está à espera do deputado Ciro Gomes (PSB-SP). Defensor de uma eleição polarizada entre Dilma e Serra – para investir numa campanha plebiscitária, de comparação entre os projetos do petismo e do tucanato -, Lula quer que o PT desista da candidatura própria e apoie Ciro.
O deputado continua de olho na Presidência e jura que, se não tiver apoio suficiente para a empreitada, não concorrerá a nada. Pior: tem dado fortes estocadas no PMDB do presidente da Câmara, Michel Temer (SP), cotado para vice de Dilma.
Os últimos protestos de Ciro, para quem a coalizão entre o PT e o PMDB faz “mal ao Brasil”, entornaram o caldo da aliança. “Ele quer a vaga de vice (de Dilma) e eu faço gosto”, rebateu Temer. Berzoini saiu em defesa da parceria peemedebista. “O PMDB está presente em várias alianças com o PSB, inclusive no Ceará de Ciro, e acho que ele não precisa brigar com os aliados”, afirmou. A cúpula petista já decidiu que, se Ciro não entrar na corrida ao Bandeirantes, o candidato será do PT. Nesse caso, o nome mais cotado é o do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.
O PTB do deputado cassado Roberto Jefferson – que denunciou o mensalão, em 2005 – é outra legenda que enfrenta divergências internas em relação ao apoio a Dilma. Motivo: fatia considerável da sigla defende dobradinha com Serra. Após a transferência de José Múcio Monteiro da Secretaria de Relações Institucionais para o Tribunal de Contas da União (TCU), o PTB de Jefferson ficou sem assento na Esplanada dos Ministérios.
“O ideal é não ter ninguém no governo, para ficar com mais liberdade”, afirmou Jefferson. Se depender de Múcio e do líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF), o casamento petebista com Dilma será de papel passado.
“Darei palanque para a ministra no Distrito Federal”, garantiu Argello, pré-candidato do PTB a governador. Diante das divergências, a tendência do PTB é liberar diretórios estaduais para agirem como bem entenderem em 2010?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:11

Cesar e as eleições de 89

 Do blog do ex-prefeito Cesar Maia:
“1. O folclore pós-eleitoral atribuiu ao marketing dos programas eleitorais de Collor importância na sua vitória. Mas a verdade é outra: Collor abriu a campanha com 45% das intenções de voto e fechou o primeiro turno com 28% e mais uma semana cairia ainda mais.
2. Lula abriu com 8% e Brizola com 16%. Brizola manteve-se estacionário nestes 16% e Lula subiu para 16% vencendo Brizola por margem estreita.
3. Os setores empresariais oscilaram entre os candidatos. Inicialmente apoiando a Afif Domingues, depois a Collor e só já perto da campanha, aderindo a Collor.
4. No segundo escalão veio Covas com 11% e Maluf com 8%, Afif e Ulysses com 4%. Ulysses e Aureliano,(0,83%), tinham 70% dos deputados e senadores e mais da metade do tempo de TV.
 5. Silvio Santos, aproveitando uma brecha na legislação, apresentou sua candidatura pelo PMB 40 dias antes da eleição, e disparou na frente nas primeiras pesquisas. Os advogados de Collor recorreram e o presidente do TSE deu a liminar. Esse-após a eleição- renunciou a condição de ministro do STF e foi ser ministro de Collor. Em seguida foi designado para a Corte de Haia.
6. A pasta que Collor levou para o debate e a citação a um aparelho ” Três em Um” ,(TV,Rádio e Som), que Lula teria na sala do apartamento em Brasília, (segundo o oficial que trabalhou na segurança de Collor disse depois reservadamente e ainda não se dispõe a abrir a informação), seria a comprovação que Lula havia sido fotografado naquele período e que as fotos poderiam criar constrangimento para ele. Por isso a tensão.
7. Collor venceu no segundo turno por 50% a 44% e diferença de 4 milhões de votos. No segundo turno votaram menos 4 milhões de eleitores.
8. Relembre os resultados.

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  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 20:20

As desculpas necessárias

Recomenda-se ao presidente do PP, senador Francisco Dornelles, que entre na página do STF, na Internet, e clique no link localizado logo na capa ? a  principal página do site: ?Combate ao Sequestro Internacional de Crianças ? HAIA?.
É justamente esse o documento que o PP pretendia desrespeitar.
Não fica bem para um partido político, por mais inexpressivo que seja,  ir contra os atos assinados e ratificados pelo Governo brasileiro.
Desrespeitar acordos, tratados e convenções, fará com que o PP fique cada dia mais parecido com um de seus mais notórios integrantes, o deputado Paulo Maluf.
Pelo vexame que passou ontem no STF, Dornelles deveria pedir desculpas a seus eleitores.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 19:45

A triste novela de Sean – 3

O Partido Progressista, o PP, é uma prova que o papel aceita tudo.
Em seu site, existe uma página intitulada ?Nossa História?. Logo no primeiro parágrafo está dito:
?As origens do Partido Progressista estão ligadas ao processo de redemocratização do Brasil e à eleição de Tancredo Neves e José Sarney, presidente e vice-presidente da República, pelo Colégio Eleitoral em janeiro de 1985?.
É mentira.
A origem do partido está ligada a Paulo Maluf, um de seus dirigentes, ao lado de Jair Bolsonaro, entre outros.

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