• Sexta-feira, 01 Outubro 2010 / 21:38

Hélio Costa por Tom Cavalcante

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:56

Dirceu envenena o PT de Minas

O ministro José Dirceu está colocando lenha na fogueira no PT de Minas: contra Lula e Dilma, e a favor do partido – o que fortalece a sua posição.
Veja o que ele diz:
1. Enquanto o PMDB diz que tem pressa e ameaça adiar o encontro que indicaria Michel Temer,  Zé Dirceu diz que temos “no máximo 45 dias, até as convenções, para fechar as alianças e a chapa”. Ou seja, temos todo o tempo do mundo. 
2.  “O PMDB e seu candidato querem nosso apoio e nós queremos o apoio deles. Mas, somente as pesquisas dirão, nos próximos 30 dias, quem é o melhor candidato a governador entre Hélio (Costa) e (Fernando) Pimentel”. Essa é para o senador Helio Costa corta os pulsos.
3. O ex-ministro Patrus Ananias pode, se assim decidir, ser candidato a vice-governador ou a deputado federal, já que Pimentel, caso não seja o candidato a governador, como vencedor das prévias, pode ser candidato ao Senado. Vale o mesmo para Hélio Costa”. O único peemedebista que torce por isso é o ex-senador Wellington Salgado, o cabeludo do Senado, suplente de Hélio e que exerceu mais o mandato, do que o próprio titular.
4. Na nota seguinte, Dirceu fala da importância de Dilma vencer em Minas, lembra a performance de Lula no Estado e, por isso, “a decisão do PT não será fácil”. E faz uma advertencia ao dizer que “mesmo que o PT venha a apoiar Helio Costa, o PMDB não pode fazer de Minas o centro da aliaça do PT com a nossa candidata Dilma Rousseff. Inclusive, porque indicará o candidato a vice-presidente encabeçada por ela”.
5. José Dirceu que sempre foi enstusiasta da aliança com o PMDB, desde o primeiro governo Lula, dá um chega lá no partido:
- O PMDB já tem o nosso apoio em Estados como o Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que não nos apoia na eleição deste ano em Estados decisivos como São Paulo, por exemplo. Fora o fato de que disputa conosco no Acre, Bahia e, espero que não aconteça, no Pará onde não chegamos a um acordo ainda.
Em Sergipe e no Piauí, a tendência é de composição conosco, mas o processo ainda não terminou. Um detalhe: todos esses Estados são governados pelo PT. Temos ainda o dado de que não chegamos a um acordo com o PMDB nos Estados do Amazonas, Tocantins e Ceará, onde ainda não resolvemos a questão das candidaturas ao Senado. E, mais um ponto a ser considerado: em Pernambuco o PMDB é mais serrista que o próprio PSDB.
E concluiu que “são todos Estados decisivos para a vitória de Dilma e a partir dos quais podemos obter uma grande maioria na frente de Serra. Assim, o cenário para o acordo em Minas não pode se reduzir a si próprio, apenas as Geraes. Tem que levar em consideração o quadro nacional, para além da aliança mineira, mais do que necessária, e da vice-presidência já definida para o PMDB”.
                       * * *
Uma coisa é certa: ninguém acreditou que o PT mineiro iria promover uma prévia para escolher seu candidato ao Senado.
Seria mobilização demais para cargo de menos.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

PMDB mineiro perde a paciência

De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
“Depois de ter esperado pacientemente pela prévia do PT em Minas, que o Planalto prometeu ser “de mentirinha”, o PMDB dá sinais de que não está disposto a aguentar por mais tempo a procrastinação do aliado, que em público ainda mantém o discurso da candidatura própria ao governo. Para pressionar o PT a anunciar de vez o apoio a Hélio Costa, a cúpula peemedebista discute até mesmo a possibilidade de adiar o encontro do partido, marcado para o próximo dia 15, que consagraria Michel Temer como vice de Dilma Rousseff, à espera do desfecho da novela mineira.
Embora os pleitos do PMDB sejam muitos, só dois são pré-condição para a aliança nacional: Temer na vice e Costa como único candidato lulista em Minas.
Enquanto o casamento mineiro não sai, nos bastidores a discussão da chapa está acelerada. O deputado petista Virgílio Guimarães larga na frente entre os cotados para vice de Costa.
No Planalto, no entanto, há quem veja com simpatia a idéia de convencer Patrus Ananias, o derrotado nas prévias do PT, a aceitar a vaga. Existe ainda uma terceira ala no PT a sugerir que a vice fique com outro partido, como o PR, já que o petista Fernando Pimentel já estaria na chapa majoritária como candidato ao Senado.
Seja qual for o desenho da chapa em Minas, Guimarães não tentará renovar o mandato na Câmara. Em seu lugar lançará candidato o filho Gabriel, 26.
Desabafo do presidente do PT, José Eduardo Dutra, ouvido por correligionários às vésperas da prévia mineira: “É preferível um fim horroroso do que um horror sem fim”.
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Os dois pleitos do PMDB, considerados pré-condição para a aliança nacional – Temer na vice e Costa em Minas – tem um mesmo coordenador: o deputado Eduardo Cunha.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:43

Lula, a favor da reeleição

  Dos repórteres Denise Rothenburg, Josemar Gimenez e Sílvia Bessa, do ‘Correio Brasiliense’: 
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi procurado pelo PSDB há algum tempo para tratar do mandato presidencial. A proposta era unir PT e PSDB em torno da ampliação do período de quatro para cinco anos e incluir no pacote o fim da reeleição. O relato foi feito ontem pelo próprio Lula, durante entrevista aos Diários Associados, concedida na Biblioteca do Palácio da Alvorada. ?Eu disse ao interlocutor que não queria mais o fim da reeleição, não quero mais o fim da reeleição?, contou. O presidente explica que mudou a opinião porque percebeu que ?para se fazer uma obra estruturante neste país, o sujeito, até fazer o projeto básico, executivo, conseguir a licença ambiental e vencer o Judiciário, já terminou o mandato?. Em quase uma hora de conversa, acompanhado do ministro da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, Lula deixou claro que conversará com Ciro sobre a não candidatura, enquadrou o PT de Minas, dizendo que a prévia para escolher candidato do PT acirrará os ânimos. Afirma ainda ver como certo que Michel Temer será o vice capaz de levar o PMDB para Dilma Rousseff. ?O PMDB é peça importante na aliança nacional?, diz Lula”
                          * * *
Eis a entrevista:
“- O senhor acha que o brasiliense tem o que comemorar hoje nesses 50 anos?
-  O povo de Brasília tem que comemorar. O significado de Brasília como capital não pode ser confundido com os administradores que cometeram absurdos. Muitas vezes, os erros são cometidos porque as pessoas acham que ficarão impunes. Brasília, de um lado, tem que estar de luto, porque aconteceu essa barbaridade, mas, ao mesmo tempo, tem que ter orgulho. É uma cidade extraordinária, que tem crescido muito acima do que foi previsto por Niemeyer e JK. Em alguns aspectos, cresceu um pouco desordenada. Acho até que houve irresponsabilidade em alguns momentos, mas Brasília é isso: tem um lado humano, o Plano Piloto, o centro das cidades satélites, e o lado desumano, daqueles que vivem no Entorno, em situações adversas. Ainda assim, acho que o povo tem que comemorar porque foi uma epopeia o nosso Juscelino cumprir e ter coragem de fazer uma coisa pensada em 1823. Não era fácil tirar a capital do Rio de Janeiro.
- Tivemos uma eleição indireta em que o candidato indicado pelo PMDB ganhou. O senhor acha que ainda cabe a intervenção?
- Essa é uma coisa que depende exclusivamente do Judiciário. Não cabe a um presidente dizer se cabe ou não intervenção. O Judiciário, em função das informações que tem, deve tomar a decisão. Minha preocupação era a paralisação das obras. Não podemos, em função de uma crise política, ver o povo ser prejudicado. No mês passado, pedi para a CGU uma investigação porque era preciso mostrar para a sociedade como estava o andamento de cada obra. No levantamento, detectamos coisas graves, como R$ 300 milhões da saúde depositados numa conta bancária para fazer caixa, quando o dinheiro deveria ser usado para pagar salário de médico, comprar remédio.
- O PT terá uma chapa em Brasília: Agnelo candidato ao governo, Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB) para o Senado. O senhor fará campanha aqui?
- Primeiro, o presidente da República não defende chapa dentro do PT em cada estado. O presidente geralmente acata aquilo que os companheiros do estado fizeram. Se o Agnelo, como candidato a governador, e a direção do partido entendem que é necessário fazer essa composição para ganhar as eleições, eles que sabem. Agora, nessa chapa toda está faltando um componente, que é o PMDB. Para onde vai? Não sei se o PT do Distrito Federal está conversando com o PMDB, mas acho importante conversar. O PMDB é peça importante na aliança nacional. De qualquer forma, o Agnelo é um homem de muita respeitabilidade, de dignidade incomensurável. Acho que ele irá empolgar os eleitores.
- E, em Minas, cansou, já chegou no limite? Como vai ficar aquilo ali?
- A política seria fácil se as pessoas a percebessem como o leito de um rio: a água desce normalmente se ninguém resolver fazer uma barragem. As coisas em Minas tinham tudo para ocorrer normalmente, sem trauma, sentar PT e PMDB e tentar conversar. Tínhamos e temos chance de ganhar na medida em que o Aécio Neves (ex-governador de Minas) não é candidato e ninguém pode transferir 100% dos votos. De repente, o PT resolve fazer uma guerra interna. Essas guerras não resolvem o problema. As pessoas pensam que podem fazer insultos, provocações e, depois, botar um papel em cima. No PT não volta à normalidade.
- Mas como faz? No momento em que escolhe um candidato a governador, como é que tira?
- Se o PT precipitar as decisões, vai ficar cada vez mais num beco sem saída. A prévia é importante, mas não pode ser usada para resolver problemas que os dirigentes criaram e não conseguem resolver. Se eu criei uma confusão, em vez de resolver, falo: ?Vamos para uma prévia?? Na história do PT já tivemos guerras fratricidas nessas prévias. Minas é um estado importante, interessa muito ao PT, ao PMDB e ao PSDB. É o segundo colégio eleitoral e muito sofisticado, porque você tem a Minas carioca, a Minas Bahia, a Minas Brasília, a Minas São Paulo, a Minas Minas . É preciso trabalhar isso com carinho.
- Minas, pelo jeito, se o senhor não intervir, não resolve.
- Se as pessoas fizeram isso achando que tenho que resolver, não é uma boa atitude. Não sou eleitor de Minas, não estou lá no embate cotidiano. Pimentel e Patrus (pré-candidatos do PT ao governo mineiro) são experientes, conhecem bem o PMDB de Minas. Já deveriam estar conversando entre eles e com o Hélio Costa (pré-candidato do PMDB) para trazer uma solução sem mágoas.
- Por falar em mágoas, e Ciro Gomes?
- Pretendo conversar com Ciro na medida em que a direção do PSB entenda que já é momento. Achei interessante quando ele transferiu o título para São Paulo porque era uma probabilidade. No primeiro momento, houve certa reação do PT, depois todos os quadros importantes passaram a admitir que era importante o Ciro ser candidato a governador de São Paulo. Depois, o PSB lançou o Paulo Skaf. O problema não era dentro do PT. Disse para o Ciro que jamais pediria para uma pessoa ou partido não ter candidato a presidente se não tiver argumento sólido. Ser candidato significa a possibilidade de fortalecer os partidos, mas também a possibilidade de perder uma eleição. Eu estou convencido de que essa deveria ser uma eleição plebiscitária. Fazer o confronto de ideias, programas, realizações.
- E como fica a disputa pelo governo de São Paulo?
- O PT não precisa provar para ninguém que tem 30% dos votos em São Paulo. Precisamos arrumar os outros 20%. Eu disse a Mercadante: ?É preciso que você arrume o teu José Alencar?. O Alencar teve importância para mim que não é a da quantidade de votos, mas da quantidade de preconceito que quebrou. Se um cara com 15 mil trabalhadores na fábrica, a maior empresa têxtil do país, estava sendo meu vice, um cidadão que tinha dois empregados e tinha medo do Lula perdia o argumento. O discurso do José Alencar quebrou barragem maior do que a de Itaipu. O PT de São Paulo precisa arrumar esse Alencar.
- Nesse conceito de vice, Michel Temer não teria esse perfil para a chapa de Dilma?
- Deixa eu contar uma coisa: a Dilma tem cartão de crédito de oito anos de administração bem-sucedida no Brasil. Ela foi uma gerente excepcional. O Temer dará a segurança de um homem que deu a vida pública já de muito tempo, tem uma seriedade comprovada no Congresso e hoje está mais fortalecido dentro do PMDB. Se ele for o indicado pelo partido, dará a tranquilidade de que nós não teremos problemas de governabilidade.
- A oposição já percebeu essa questão da eleição plebiscitária e começou agora a trabalhar com o slogan ?Pode ficar melhor?. Isso muda alguma coisa com relação à candidatura da ministra Dilma?
- Não. Mudaria se eles fizessem a campanha ?pode ficar pior?. Eu acho que eles têm que prometer fazer mais coisas. O que é importante e que me dá prazer de falar desse assunto, com humildade, é o seguinte: eu mudei o paradigma das coisas neste país. Quem não queria enxergar, durante meus oito anos de mandato, vai enxergar já daqui para frente.
- O senhor disse recentemente que se ressentia de não ter feito a reforma política. O Serra disse que, se eleito, proporá os cinco anos de mandato sem reeleição. Como o senhor avalia isso?
- Em política não vale você ficar falando para inglês ver. A história dos cinco anos eles já tiveram. É importante ter em conta que eles reduziram o mandato de cinco para quatro anos pensando que eu ia ganhar as eleições em 1994. Eles ganharam e, em 1996, aprovaram a reeleição. Aí, para tentarem convencer o Aécio a ser o vice, vieram até me propor que, se o PT e o PSDB estivessem juntos numa reforma política para aprovar cinco anos, seria o máximo, a gente aprovaria. Eu falei para meu companheiro interlocutor: ?Olha, eu era contra a reeleição, agora eu quero que tenha a reeleição mesmo se você ganhar, porque em quatro anos você não consegue fazer nenhuma obra estruturante, nenhuma?. Entre você pensar uma grande obra, fazer projeto básico, executivo, tirar licença ambiental, enfrentar o Judiciário, enfrentar o Tribunal de Contas e vencer todos os obstáculos, termina o mandato e você não começa a obra, sabe? Então eu falei: ?Não quero mais o fim da reeleição?.
- Essa conversa aconteceu quando, presidente? Com quem?
- Faz algum tempo. Não, porque era a tese do ex-presidente para convencer o Aécio a ser vice. Então, em política não vale ingenuidade. Ou seja, ninguém vai acreditar que o mesmo partido que criou a reeleição venha querer acabar com ela. É promessa para quem? Ninguém está pedindo isso. Só o Aécio está pedindo.
- O senhor já está trabalhando com a hipótese de o Aécio ser o vice?
- Sinceramente, acho que o Aécio está qualificado para ser o que quiser. Se ele for vice, vai se desgastar. É só pegar o que o Estado de Minas escreveu sobre as divergências de Aécio com Serra para perceber que o Aécio vai colocar muita dúvida na cabeça do povo mineiro.
- O senhor tem uma segurança grande com relação ao partido. A ministra Dilma não veio da base do partido. A preocupação é a seguinte: será que a ministra tem condições de ter um poder sobre o partido? Não será monitorada por ele?
- Não, não existe hipótese, gente. Primeiro porque uma coisa é a relação de respeito que você tem de ter com o partido. Não é uma relação de medo. Eu vou poder ajudar muito mais a Dilma dentro do PT não sendo presidente. Estarei mais nos eventos do PT, estarei participando mais das coisas do PT.
- O senhor acha que vai transferir quanto de sua popularidade para a ministra?
- É engraçado porque as pessoas que acham que eu não vou transferir voto para a Dilma acham que o Aécio vai transferir para o Serra. É engraçadíssimo porque as pessoas olham o seu umbigo o dizem ?o meu é o mais bonito de todos?.
- Mas essa transferência seria automática?
- Não, não seria automática. Não existe um automaticismo em política.
- E o que lhe dá, então, uma segurança tão grande?
- O que me dá segurança é que ao mesmo povo que me dá o voto de confiança há sete anos vou pedir para dar um voto de confiança a Dilma. Vou fazer campanha. Não pensem que vou ficar parado vendo a banda passar. Eu quero estar junto da banda, até porque acho que a campanha da Dilma é parte do meu programa de governo para dar continuidade às coisas que nós precisamos fazer no Brasil.
- Há tempo suficiente para torná-la conhecida em alguns lugares do país, como os grotões do Nordeste?
- Lá eu não vou nem chegar, lá eles são Lula. Lá estou representado. Eu quero ir é aos outros lugares.
- O Nordeste, então, não lhe preocupa?
- Lógico que me preocupa. Não existe eleição ganha antes da apuração, mas o carinho que o povo nordestino e do Norte têm por mim é de relação humana forte. Vou pedir o apoio desses companheiros para a minha candidata e vou trabalhar em outros estados. O meu trabalhar é o sinal mais forte que posso dar à sociedade brasileira de que não estou pensando em 2014. Quando o político é canalha, ele não quer eleger o sucessor. O velhaco quer voltar.
- Essa eleição da Dilma, parece que o senhor tem mais garra com a campanha dela do que com a sua reeleição. É uma questão de honra eleger a Dilma?
- Em política não se coloca questão de honra. É de pragmatismo. Estou muito mais animado com a campanha da Dilma do que com a minha. Meu governo já foi avaliado com a minha reeleição. Ele será biavaliado se eleger a Dilma. Daí a minha responsabilidade.
- Presidente, nesses oito anos o que o senhor olhou para trás e pensou: que pena que eu não fiz isso?
- Uma coisa eu digo: quando eu deixar a Presidência, vou ser uma pedra no calcanhar do PT para que o PT coloque a reforma política como prioridade, com 365 dias por ano falando de reforma política, procurando aliados para a gente fazer. Sobretudo porque eu acho que o fundo público para financiar as eleições, com a proibição de dinheiro privado, seria uma chance que a gente teria de moralizar o país.
- Qual a quarentena que o senhor dará com relação ao futuro governo?
- Não tem quarentena. Pretendo não dar palpite no próximo governo se pedirem alguma opinião (falava de Dilma), porque sinceramente acho que quem for eleito tem o direito de governar e de fazer o que entender que deva ser feito. Depois vai ser julgado. Não cabe a mim julgamento e ficar cobrando, como se fosse ex-marido ou ex-mulher, dizendo como o outro tem de ficar vivendo.
- Em relação ao seu projeto internacional?
- Esse negócio da ONU, vamos ter claro o seguinte: a ONU não pode ter como secretário-geral um político. Tem que ter um burocrata do sistema porque, caso contrário, você entra em confronto com outros presidentes. Vamos melhorar a ONU, mas acho que a burocracia tem de continuar existindo para manter certa harmonia. Eu tenho vontade de trabalhar um pouco a experiência acumulada no Brasil tanto para a África quanto para a América Latina. Não tenho projetos. Só penso agora em terminar o mandato e animar os meus ministros porque vai chegando o fim do mandato e, sabe aquele negócio, vai dando 2h da manhã, você está num baile e já começa a procurar uma cadeira para sentar. Eu quero que todo mundo continue animado e dançando porque eu quero continuar muito bem até 31 de dezembro.
- E o PAC 2? Não vai dar tempo de ser começado, presidente…
- Por que eu tive de fazer o PAC 2? Para facilitar a vida de quem vai entrar depois. Se não quiser fazer, não faça. Foi eleito presidente, tem o direito de pegar tudo, rasgar e não fazer. O que eu quero? Quero deixar uma prateleira de projetos que não recebi. Deixar a estrutura semeada”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:33

Helio Costa já prepara o troco

De Renata Lo Prete, no Painel, da ‘Folha’:
“Com o PMDB em estado de alerta desde o anúncio de que os petistas Fernando Pimentel e Patrus Ananias se enfrentarão numa prévia em Minas, o comando da campanha presidencial de Dilma Rousseff colocou para circular mensagem tranquilizadora, segundo a qual o vencedor da disputa interna concorrerá ao Senado, e o PT sem dúvida apoiará Hélio Costa.
“Só que ninguém está acreditando nessa história de prévia de mentirinha”, diz um cacique do PMDB. Desde o início da semana, o partido só faz se reunir para tratar dessa e de outras pendências com o aliado. Na confusão, Costa voltou a admitir reservadamente a possibilidade de disputar a reeleição ao Senado -mas apoiando o candidato a governador do PSDB”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:29

Costa: “Brincam com o meu pescoço”

Da repórter Adriana Vasconcellos, de ‘O Globo’:
“O PT está enfrentando dificuldades com o principal aliado, o PMDB, em pelo menos dez estados ? entre eles Minas Gerais, Rio, Pará, Bahia, Santa Catarina, Maranhão e Paraíba ?, criando mais dificuldades para a aliança nacional em favor da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Em Minas, o clima voltou a ficar ruim. Após se irritar com a fala de Dilma em que ela não descartou uma associação informal com o candidato do PSDB ao governo mineiro, Antonio Anastasia, o senador Hélio Costa (PMDBMG) expôs ontem sua surpresa e insatisfação com a decisão do PT mineiro de realizar prévias para a escolha de seu candidato na disputa estadual. Estão na briga pela vaga o ex-prefeito Fernando Pimentel e o ex-ministro Patrus Ananias.
? Estávamos trabalhando pelo entendimento em Minas. Mas, a cinco meses da eleição, quando achávamos que estávamos caminhando para esse entendimento, o PT anuncia que vai realizar prévias.
Se elas acontecerem, vai ser difícil haver um acordo. Com o racha da base governista, será mais difícil derrotar o candidato do exgovernador Aécio Neves, além de colocar em risco a campanha de Dilma no estado ? advertiu Hélio Costa, ex-ministro das Comunicações, que deixou o cargo para disputar o governo mineiro.
Hélio Costa demonstrou que está se sentindo traído, mas não quis adiantar como isso poderá refletir na decisão do diretório estadual na convenção nacional para oficializar a aliança com o PT.
? Minas não tem mar, mas assistimos a uma tsunami. Acho que estão tentando brincar de Tiradentes com o meu pescoço ? desabafou Costa.
Inconformado, o ex-ministro anunciou que já começou a conversar com os demais partidos da base governista no estado, para tentar viabilizar sua candidatura.
Entre eles estariam PR, PDT, PMN e PCdoB: ? O PMDB não pode ficar refém de uma disputa interna (no PT). Estou procurando todos os partidos governistas. Só não conversei com o PSDB, onde tenho uma excelente relação com o ex-governador Aécio Neves, e o DEM.
?O PT quer nos estraçalhar nos estados?, diz peemedebista As queixas de Hélio Costa são repetidas por outros peemedebistas nos bastidores. Um deles perguntou ontem: ? Qual a vantagem de ficarmos com a Dilma, se o PT está querendo nos estraçalhar nos estados? Daqui a pouco vamos propor Hélio Costa para vice do Serra.
Já no campo governista, o presidente em exercício, José Alencar, está otimista e ainda acredita em um acordo entre aliados em Minas.
Alencar disse ontem que, se for chamado, vai ajudar na formação de um palanque governista em Minas, unindo PMDB, PT, PCdoB e PRB.
Para José Alencar ? que ontem se encontrou com Hélio Costa ?, mesmo com a prévia no PT entre Fernando Pimentel e Patrus Ananias, ainda é possível construir uma aliança e um palanque único para Dilma Rousseff.
? Se me chamarem para ajudar, vou ajudar (nas negociações), mas até agora não me chamaram. (Com a decisão dele de não concorrer) Facilitaramse as coisas, hoje as coisas estão menos difíceis. (A prévia) É briga em casa, no próprio PT ? afirmou Alencar”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:21

PT e mineiros minimizam Dilma

Das repórteres Maria Clara Cabral e Ana Flor, da ‘Folha’:
“O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), afirmou ontem que as expressões “Dilmasia” e “Anastadilma”, usadas pela pré-candidata petista Dilma Rousseff durante visita ao Estado anteontem, não encontram “amparo na realidade” e que o pré-candidato José Serra (PSDB) terá “situação eleitoral favorável” entre os mineiros.
Os dois termos se referem a dobradinhas híbridas no segundo maior colégio eleitoral do país unindo as candidaturas de Dilma à Presidência e de Anastasia ao governo estadual, reeditando o fenômeno do voto “Lulécio”, observado em 2006, que abarcou fatia dos eleitorados de Lula e Aécio.
Ontem, a direção do PT e os pré-candidatos petistas ao governo de Minas minimizaram a declaração de Dilma, afirmando que foi uma brincadeira. Em sua primeira visita “institucional” a Brasília como governador, Anastasia afirmou também que “soou estranha” a visita da ex-ministra ao túmulo de Tancredo Neves, avô de Aécio, pela atitude do PT no colégio eleitoral, em 1985.
“Nós lembramos que, naquela oportunidade, o PT não só não apoiou como até expulsou deputados que votaram no presidente Tancredo”, disse. Da tribuna da Câmara, petistas defenderam Dilma. “Acho estranha essa raiva, espécie de ciúme da oposição. Ela visitou o túmulo do Tancredo a convite da família dele”, disse o deputado José Genoino (PT-SP).
Sobre o mal-estar gerado entre os partidos aliados por causa da expressão “Anastadilma”, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que a petista telefonou para o ex-ministro Hélio Costa (PMDB), pré-candidato ao governo, para dar explicações e que ele entendeu que “tudo não passou de um chiste da [ex-] ministra”. O coordenador da campanha de Dilma foi na mesma linha.
“É blague”, afirmou Fernando Pimentel, que disputa com o ex-ministro Patrus Ananias a chance de concorrer ao governo do Estado pelo PT.
Pimentel, que acompanhou Dilma na entrevista, afirmou que ela não defendeu um apoio direto ao tucano, mas se referiu àqueles que apoiam Anastasia e preferem, em nível nacional, a continuidade do governo Lula -principal bandeira de campanha da ex-chefe da Casa Civil.
Para definir o imbróglio petista em Minas, deve acontecer no dia 25 uma reunião dos delegados do partido no Estado para definir o pré-candidato. Para o presidente do PT-MG, Reginaldo Lopes, o encontro evitará uma “prévia traumática”.
Carta
Sob orientação de Aécio, o PSDB mineiro prepara uma lista de reivindicações a ser entregue ao pré-candidato do partido, José Serra. O documento, denominado “Agenda de Minas”, enumera as obras “estruturantes” no segundo maior colégio eleitoral do país que carecem de recursos da União no quadriênio 2011-14, como investimentos na ampliação do metrô de Belo Horizonte”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:19

Dilma, mais mineira que nunca

Do repórter Cesar Felício, do ‘Valor Econômico’:
“No primeiro ato do que, na prática, já é a campanha presidencial, a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT) testou o que poderá ser um palanque duplo para a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao visitar ontem Ouro Preto e São João Del Rei (MG), onde reverenciou dois ícones mineiros: o mártir da independência Tiradentes e o presidente Tancredo Neves (1910-1985).
Na primeira etapa da viagem, Dilma estava acompanhada pelos dois pré-candidatos do PT ao governo, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do pré-candidato do PMDB, o senador Hélio Costa (MG).
“Sempre temos falado em palanque único, mas ninguém pode impor nada a ninguém. Eu apelo pelo palanque único, mas, se não tiver palanque único, o que fazer?”, afirmou Dilma, ao encerrar uma rápida entrevista coletiva na Câmara dos Vereadores de Ouro Preto, onde chegou com duas horas de atraso.
A ex-ministra, nascida em Belo Horizonte, mas atuando fora de Minas Gerais desde o início da década de 70, procurou fazer uma profissão de fé da mineiridade. Depositou flores na estátua em homenagem a Tiradentes e no túmulo de Tancredo Neves e , contrita, rezou diante da imagem de Cristo ressuscitado, no altar da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, a matriz de Ouro Preto.
“Quem nasce em Minas Gerais, tem Minas dentro de si. A gente sai de Minas, mas Minas não sai dentro da gente. Não é possível que alguém perca a força dessas raízes. Ouro Preto é o berço de uma nação, o berço de um povo, porque aqui se lutou pela primeira vez contra a metrópole. Vou partir desta cidade para uma nova jornada, cheia de desafios”, disse a ex-ministra em seu discurso. Eleitora em Porto Alegre (RS), Dilma mudou de tom desde que foi colocada como pré-candidata. Há alguns anos, em palestra na Federação das Indústrias de Minas Gerais, onde estará na manhã de hoje, a então ministra das Minas e Energia reagiu ao ser chamada de “mineira” por um dos empresários presentes e disse que se considerava gaúcha.
Dilma também escolheu Minas Gerais para iniciar a sua virtual campanha presidencial como uma forma de explorar o que poderá ser um flanco do principal adversário, o ex-governador paulista José Serra (PSDB), nas regiões sul e sudeste. Serra sobrepujou dentro do partido o ex-governador mineiro Aécio Neves, neto de Tancredo , na luta pela candidatura presidencial. Na entrevista coletiva, Dilma procurou caracterizar Serra como um candidato contra Lula e tudo que o presidente construiu durante seu governo, ainda que para isso tenha recorrido a uma sucessão de frases negativas para formular um único conceito: o de que ela é a única sucessora das propostas do atual governo.
“Quem, da oposição, passar por sucessor de Lula não sendo, é um lobo em pele de cordeiro”, disse. Segundo a ex-ministra, “não está certo dizer que todo mundo hoje é igual. Até ontem havia uma oposição clara, que não pode aparecer agora como não sendo oposição. Será estranho uma eleição transformada em um silêncio constrangedor. Nós queremos debater e não é possível fazer uma discussão sobre programas sem que fique claro quais são os outros projetos “, disse.
Na visita a Ouro Preto, Dilma se deparou com reivindicações de cor regional. Do prefeito Ângelo Oswaldo (PMDB), ouviu um pedido para que coloque em sua agenda a revisão da política de distribuição municipal dos royalties da mineração, um tema que foi retirado da proposta de novo Código Mineral elaborada pelo governo federal. “Dilma conhece mineração. Sabe do nosso problema do marco regulatório e da contribuição financeira pela mineração (Cfem). Precisamos de uma política justa. O que vemos hoje nos municípios da região petrolífera é o que queremos para os municípios mineradores”, afirmou Oswaldo, que foi colega de classe de Dilma no curso clássico do Colégio Estadual de Belo Horizonte, no começo dos anos 60.
Ao receber a bênção na Igreja, Dilma ouviu do pároco Marcelo Santiago um pedido de ajuda para recuperar objetos de arte roubados em 1973. Segundo o padre, o inquérito desapareceu na Polícia Federal. “Fazemos um apelo às autoridades para que não se cansem de dar provimento às medidas necessárias”, disse o padre, esquecendo-se que ninguém, na comitiva de Dilma, era mais autoridade federal.
A visita a Minas serviu ainda para Dilma dar um breve mergulho na política municipal. A ex-ministra almoçou com 22 prefeitos da região de Ouro Preto, entre eles dois da base de apoio de Aécio: o de Lamim, do DEM e o de Moeda, do PSDB. No almoço, o prefeito de Ouro Preto, aliado de Hélio Costa na disputa estadual, convidou os três pré-candidatos a discursarem. Segundo seu relato, Patrus procurou desviar do nó eleitoral com um discurso em torno da mineiridade. Pimentel fez uma convocação à base municipal trabalhar por Dilma. Hélio Costa foi o único a apelar pela necessidade de um palanque único no Estado para derrotar o PSDB no Estado e no país”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:09

PT de Minas insiste em candidatura

De Alessandra Mello e Daniela Almeida, do ‘Correio Braziliense”:
“O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel selaram a paz ontem durante posse do diretório do PT na capital. No encontro, foi aprovada por unanimidade uma resolução em defesa da candidatura própria do partido ao governo do estado e em prol da união dos dois em torno da escolha de um único nome para a disputa. Patrus e Pimentel estavam em litígio pela candidatura do partido ao Palácio da Liberdade.
Também foi criada uma comissão com seis representantes, três indicados por Patrus e três por Pimentel, para discutir os critérios que serão adotados para definir quem será o nome do partido ao governo de Minas. A intenção do PT é resolver esse imbróglio até quarta-feira. Se o candidato for Patrus, ele terá de deixar o cargo até sábado, prazo máximo para desincompatibilização dos ministros que pretendem disputar as eleições deste ano.
Ontem, com um discurso afinado em nome da unidade e de uma candidatura própria, os dois apareceram de última hora na posse do vice-prefeito Roberto Carvalho, aliado de Pimentel, no comando do diretório de Belo Horizonte, e posaram abraçados para as fotos. Foi um sinal claro da disposição do partido em marchar unido em torno de um candidato próprio, afirmou o vice-prefeito. Segundo ele, o encontro de ontem deixou evidente que as diferenças entre Patrus e Pimentel nessa fase de pré-campanha agora são apenas pontuais. Eles também destacaram que estarão unidos na candidatura própria, independente de quem seja o escolhido. Onde um estiver o outro também estará, comemorou Roberto Carvalho.
Sem prejuízo da definição da tática eleitoral nacional e do diálogo com os partidos da base aliada, o PT deve ter candidato próprio ao governo do estado e buscará construir um palanque ideológico e eleitoralmente forte que nos conduza a uma vitória histórica para governar Minas Gerais, diz um trecho da resolução aprovada ontem.
Enquanto o PT brigava, cresciam as articulações em defesa da candidatura do ministro Hélio Costa (PMDB) em detrimento de um nome do partido, inclusive com o apoio do Palácio do Planalto, mais interessado em garantir a adesão do PMDB à campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. O palanque duplo em Minas, segundo maior colégio eleitoral brasileiro, enfraquece a empreitada nacional petista por dividir as forças dos partidos aliados e colocá-los em campos opostos.
O presidente do PMDB mineiro, deputado federal Antônio Andrade, disse que ainda não perdeu a esperança de uma composição no estado. Queremos muito compor com o PT. É interessante tanto pra nós, porque nos ajudaria a definir as eleições em um primeiro turno, quanto para o PT, porque fortalece a candidatura nacional deles. Mas, para Andrade, só com a unificação petista em torno de um único nome será possível articular a chapa única tão sonhada pelo Planalto. O PT nacional quer composição nossa, isso é notório. O PT de Minas que ainda está dividido, afirmou o presidente do diretório mineiro
A única certeza para os peemedebistas, segundo Andrade, é a manutenção da campanha de Hélio Costa. Caso não haja acordo, vamos manter a candidatura do Hélio e tentar superar essa falta deles. Isso nos deixa mais livre para trabalharmos. Ainda não decidimos as vagas para vice e para o Senado porque ainda esperamos a composição. Não compondo, a gente vai se unir com os outros partidos, disse o petista de Minas.
O PT deve ter candidato próprio ao governo do estado e buscará construir um palanque ideológico e eleitoralmente forte que nos conduza a uma vitória histórica para governar Minas Gerais”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:54

PT mineiro resiste a Costa

Do repórter César Felício, do ‘Valor Econômico’:
“O PT mineiro tenta esta semana articular uma candidatura única ao governo estadual entre o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, como última tentativa de barrar a candidatura pela base lulista do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), que deve ser lançada hoje, em reunião da Executiva estadual pemedebista.
Na última sexta-feira, em reunião em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Patrus e Pimentel expuseram que o PT em Minas terá grandes dificuldades para apoiar o pemedebista. Ressalvaram que retiram as candidaturas, se Lula decidir que Costa deve ser candidato único, mas que é provável o desengajamento da militância do PT e das bases municipais na candidatura do pemedebista.
As duas vertentes do partido procuraram deixar claro que apoiariam sem resistência uma candidatura do vice-presidente José Alencar (PRB) como alternativa a Costa. Com 78 anos e doente de câncer desde 1997, Alencar participou da reunião. Segundo relato de petistas, ele se colocou àdisposição para disputar a eleição, mas frisou que considerava mais adequado disputar o Senado.
Segundo um dos interlocutores dos participantes da reunião, não só a doença e a idade que desanimam Alencar a disputar o governo estadual, mas a perspectiva de travar confronto direto com o governador Aécio Neves(PSDB), que vai apoiar a eleição do vice-governador Antonio Anastasia(PSDB). Como candidato a uma das duas vagas ao Senado, mesmo com Aécio postulando uma cadeira na outra chapa, Alencar poderia construir a campanha em tom consensual.
Embora não tenha sido um assunto abordado na reunião de sexta, partiu do próprio entorno de Alencar a proposta de uma chapa com Pimentel como candidato a governador e Patrus como vice. Mas dirigentes petistas ligados a Pimentel são céticos sobre a aceitação de Patrus à proposta. Acreditam que, fora da disputa para o governo, preferiria permanecer em um ministério da área social de um novo mandato do PT.
A resistência a Costa é maior entre os aliados de Pimentel, mas partiu do próprio grupo de Patrus a ideia de propor soluções alternativas ao apoio ao pemedebista. O grupo do ministro foi o primeiro a sugerir a candidatura de Alencar e tomou a iniciativa de restabelecer o diálogo com a ala de Pimentel, rompido desde a disputa pela direção estadual.Na ocasião, Pimentel ganhou a eleição interna por uma diferença ínfima e com acusações de irregularidade de parte a parte no processo de votação.
Uma vez definido um nome único do PT, Lula perderia um dos argumentos usados para tentar convencer os petistas a cederem a cabeça de chapa em Minas, que é a divisão do partido. A expectativa dos petistas é prolongar as negociações com o PMDB até maio, na esperança de que Costa, hoje líderem todas as pesquisas de intenção de voto, comece a perder popularidade. Aliados de Patrus gostam de lembrar que o ministro das Comunicações perdeu as eleições para o governo mineiro em 1990 e 1994 na reta final da campanha, em viradas surpreendentes dos adversários, respectivamente Hélio Garcia (PRS) e Eduardo Azeredo (PSDB)”.

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