• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:54

Patrícia vai a forra por Ciro

De Renata Lo Prete, na ‘Folha’:
“No Ceará, uma possível reviravolta: Patrícia Saboya (PDT), que havia desistido de tentar novo mandato no Senado, ensaia uma dobradinha com Tasso Jereissati (PSDB). Ela também avisou que não fará campanha para Dilma Rousseff. É o primeiro movimento no Estado desde que Ciro Gomes (PSB), ex-marido de Patrícia, foi expelido da disputa presidencial”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:39

Ciro há 20 dias evita o PSB

De Eugênia Lopes, do ‘Estadão’:
“Magoado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na iminência de o PSB negar-lhe a candidatura à Presidência, Ciro Gomes decidiu mergulhar no isolamento. Há 20 dias, não fala com seus correligionários. O deputado se diz “injustiçado” pelo PSB, pelo PT e por Lula, que agiram para impedir alianças em torno de sua candidatura.
A gota d”água para a insatisfação de Ciro foi a visita da pré-candidata petista Dilma Rousseff ao Ceará, no início da semana passada. O Estado é o principal reduto eleitoral do socialista. Coube à ex-mulher de Ciro Gomes, a senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), verbalizar a mágoa do deputado com o governo. “Não havia necessidade de a Dilma ir lá nesse momento. Foi um desrespeito ao Ciro por tudo que ele sacrificou pelo governo Lula.”
Ciro sempre manifestou lealdade ao presidente Lula, lembra Patrícia. Transferiu seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, a pedido do presidente, com a finalidade de deixar uma porta aberta à possibilidade de disputar o governo paulista com o apoio do PT.
Cerco. Lideranças do PSB também acusam o governo de intervir junto aos partidos para minar as alianças em torno do nome de Ciro. O partido chegou a oferecer a vice-presidência ao PP do senador Francisco Dornelles (RJ). Também conversaram com o PTB do ex-deputado Roberto Jefferson, aliado de Ciro nas eleições de 2002. O PTB optou, no entanto, pelo apoio à candidatura do tucano José Serra.
“Não digo que teve uma interferência direta do presidente Lula. Mas o PT tem feito essa interferência não só no plano nacional como nos Estados. O PT está usando sua força para nos isolar”, reclamou o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. “De fato, a força do governo impediu que o PSB pudesse conseguir alianças”, emendou o secretário-geral do partido, senador Renato Casagrande (ES).
Além da interferência nas possíveis alianças, Ciro Gomes também está decepcionado com a falta de qualquer gesto, pelo presidente Lula, de apreço político ou prestígio. Afinal, como o próprio Ciro gosta de lembrar, ele foi um dos mais fiéis aliados de Lula na época do escândalo do mensalão. Mas, até agora, não há sinal do Palácio do Planalto de entendimento com o deputado em troca de sua desistência da candidatura presidencial.
De concreto, hoje, no Planalto, a situação é esta: o presidente não sabe o que fazer com o caso Ciro. Lula ainda não chamou Ciro para conversar porque não sabe como agir. Além disso, o presidente, dizem seus assessores, achava que Ciro admitia sair do páreo quando combinou com ele a transferência do título para São Paulo – uma ideia que, no Planalto, é atribuída a lideranças do próprio PSB.
Tasso. Com a provável retirada de sua candidatura do páreo da corrida presidencial, o deputado Ciro Gomes deverá “hibernar” nas eleições deste ano, dedicando-se às disputas regionais do Ceará. Ele deverá trabalhar pela reeleição de seu irmão, Cid Gomes, ao governo do Estado. Vai apoiar seu amigo Tasso Jereissati (PSDB-CE), que quer mais oito anos de mandato no Senado. Também ajudará na campanha da ex-mulher para a Câmara dos Deputados.
Casado com a atriz Patrícia Pillar, Ciro pretende passar parte do tempo no Rio, onde mora a mulher. A expectativa é que ele fique afastado das eleições presidenciais.
Segundo correligionários, ele não deverá se empenhar na campanha de Dilma Rousseff. Seus amigos mais próximos também não veem chances de ele vir a apoiar a candidatura de Marina Silva (PV) à Presidência da República. E os próprios tucanos reconhecem que é impossível Ciro apoiar Serra, tamanha é a divergência entre ambos.
A última vez que Ciro deu as caras em Brasília foi no dia 29 de março, quando houve uma reunião da cúpula do partido. Desde então, seus correligionários não tiveram mais contato com ele.
Nos últimos 20 dias, Ciro só se manifestou pelo seu site, com um artigo que foi considerado “agressivo” e “injusto” pelos colegas. “Ele não me procurou. Eu bem que tentei falar com ele pelo celular, mas só deu fora de área”, reclamou Roberto Amaral. “Ninguém sabe dele”, resumiu Casagrande. No artigo, Ciro pressionou o partido a definir sua situação na corrida presidencial”.

CIRO TEM 14 DIRETÓRIOS AO SEU LADO, MAS A CÚPULA  É  CONTRA

“Expectativa de crescimento do partido. Este é o argumento-chave apresentado pelos defensores no PSB da candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. Além disso, pelo menos 14 Diretórios Estaduais do partido são favoráveis à candidatura própria, de olho nas eleições locais.
É o caso do Amazonas e da Paraíba. Nesses dois Estados, as alianças regionais dificultam as condições para que os candidatos do PSB subam no palanque da pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff. Daí, a pressão para que Ciro se lance na corrida presidencial.
A cúpula do partido é, no entanto, majoritariamente contra a candidatura do deputado. A começar pelo presidente do PSB, Eduardo Campos, candidato à reeleição ao governo de Pernambuco e interessado em garantir o apoio do PT.
A avaliação é de que o PSB conquistará, pelo menos, 10% dos votos do eleitorado brasileiro se disputar a Presidência da República. “Para nós, 10% dos votos do eleitorado significa elegermos mais de 50 deputados federais”, argumenta o presidente do PSB de São Paulo, deputado Marcio França, um dos principais entusiastas da candidatura presidencial de Ciro dentro do partido.
Em 2002, Marcio França foi o coordenador da campanha de Anthony Garotinho à Presidência da República. “Antes da candidatura de Garotinho, o PSB tinha 3,5% dos votos do eleitorado brasileiro. Saímos da eleição com 6% dos votos”, conta França. É bem verdade que o ex-governador do Rio conseguiu encorpar seus votos com o apoio decisivo da igreja evangélica.
Manobra. Com uma candidatura praticamente solo, restrita a alianças com partidos nanicos, Garotinho também se valeu de uma brecha da legislação eleitoral na época e usou a seu bel prazer o tempo de televisão destinado aos candidatos do PSB nos Estados. “Fizemos uma jogada que hoje é proibida: lançamos candidatos ao governo em todos os Estados e o Garotinho aparecia ao lado deles nos programas”, lembra França. Sem poder contar com esse recurso na eleição deste ano, o tempo de exposição de um candidato presidencial isolado na TV seria sensivelmente menor.
Já os críticos da candidatura Ciro alegam que deputado não conta com apoio financeiro nem estrutura de grupos organizados à sua volta. “Tivemos essa experiência de crescimento da bancada do PSB em 2002. Foi uma experiência muito boa, uma oportunidade para firmar a identidade do partido”, observa o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. “Mas temos de ter uma candidatura para disputar e para isso não basta a decisão burocrática de lançar um candidato.”
Amaral foi um dos mais ferrenhos defensores da candidatura de Ciro à Presidência, mas mudou de lado diante da falta de estrutura e hoje é contra a entrada do PSB na corrida presidencial. Ele resume assim sua posição: “Time que não joga não tem torcida. Mas time que perde de goleada também fica sem torcida.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:44

Estrelas em declínio

Pelo menos quatro das maiores estrelas do Senado ? Sergio Guerra, Tasso Jereisatti, Renan Calheiros e Aloísio Mercadante ? estão correndo o risco de não se reelegerem para o Senado. O ?Estadão? de hoje publica reportagem sobre esse assunto assinada por Eugênia Lopes:
?Como se não bastasse a crise que desmoralizou o Senado neste ano, as eleições de 2010 ameaçam tirar o brilho de antigas estrelas da política nacional, que enfrentam dificuldade para se reeleger. Os obstáculos atingem em cheio senadores de todos os partidos que estão sendo obrigados a fazer arranjos políticos para garantir, ao mesmo tempo, sua sobrevivência e a eleição nos Estados.
Na oposição, há casos emblemáticos como os dos senadores tucanos Sérgio Guerra (PE), atual presidente do PSDB, e Tasso Jereissati (CE), ex-presidente da sigla, que correm o risco de não voltar ao Senado. Os percalços eleitorais também abrangem senadores governistas, como Renan Calheiros (PMDB-AL), que provavelmente terá de encarar como adversários na corrida pelo Senado o ex-governador Ronaldo Lessa (PSB) e a candidata à Presidência pelo PSOL em 2006, Heloisa Helena.
O enfraquecimento de cabeças coroadas da política é mais visível no Nordeste, onde tradicionalmente os governadores são responsáveis pela eleição de senadores. Depois de governar Pernambuco por oito anos consecutivos, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que tem mais cinco anos de mandato, é pressionado a sair candidato ao governo do Estado. O motivo é que a candidatura do peemedebista seria o caminho mais tranquilo para alavancar a eleição tanto de Sérgio Guerra quanto do ex-vice-presidente Marco Maciel (DEM-PE).
Com dificuldade para se reeleger ao Senado, os dois torcem para que Jarbas dispute o governo do Estado e, com isso, ganhem um palanque forte. Afinal, ambos terão como adversários o ex-prefeito de Recife, o petista João Paulo, e o deputado Armando Monteiro (PTB). Com mandato desde 1971, Maciel é o que tem mais “recall” junto ao eleitorado. Já o senador tucano é o que dispõe da maior estrutura partidária no Estado, mas sem o palanque de Jarbas enfrenta dificuldade de se reeleger para o Senado.
“Todos os candidatos de oposição serão mais competitivos se Jarbas for candidato ao governo”, admite Guerra. O senador peemedebista prefere, no entanto, manter o suspense até o carnaval, data em que confidenciou a amigos que irá bater o martelo sobre sua candidatura. Se Jarbas resolver não entrar na disputa eleitoral, Guerra vai tentar seu quarto mandato de deputado. Para “guardar lugar”, já lançou sua filha Helena Guerra à Câmara.
Governador do Ceará por oito anos, Tasso elegeu para o Senado quem bem entendeu durante a década de 90 e até 2002, quando ele e sua afilhada política Patrícia Saboya (PDT) conquistaram as duas vagas no Senado. Mas agora a situação é tão delicada que a ex-mulher do pré-candidato à Presidência pelo PSB, deputado Ciro Gomes, vai disputar uma vaga de deputada estadual. Na sua vaga de deputado pelo Ceará, Ciro pretende eleger Pedro Brito (PSB), ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos. Tasso tenta obter o apoio velado de Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro e atual governador do Ceará, para voltar ao Senado.
O cenário cearense ficou complicado depois que o ministro da Previdência, José Pimentel (PT), entrou na disputa por uma das duas cadeiras de senador. A outra é pleiteada pelo deputado Eunício Oliveira (PMDB), ex-ministro das Comunicações de Lula. Teoricamente, Cid apoiará as candidaturas de Eunício e Pimentel.
Ocorre que historicamente os Gomes sempre estiveram juntos de Tasso. “Na história política do Ceará nenhum governador se elegeu sem deixar de fazer os senadores”, diz Oliveira, que aposta no apoio do governador para conquistar o Senado.
Homem forte no Senado do governo Lula, Renan também se prepara para enfrentar uma eleição dificílima. Com a provável candidatura da senadora Marina Silva (PV-AC) à Presidência, Heloísa Helena teria desistido de tentar disputar a sucessão presidencial. A expectativa é que obtenha “um caminhão de votos” na eleição para o Senado. A candidatura do ex-governador Lessa também é forte: quase se elegeu em 2006 para o Senado. Perdeu para Fernando Collor de Mello (PTB).
Depois de chegar ao Senado com mais de 10 milhões de votos, o líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), não deverá ter reeleição fácil. A situação dele se agravou depois que o vereador Gabriel Chalita migrou do PSDB para o PSB para disputar uma das vagas por São Paulo. Com a aliança entre o PSDB e o PMDB em torno da candidatura ao Senado do ex-governador Orestes Quércia, Mercadante estaria contando em ser o “segundo voto” dos tucanos. Mas agora o “segundo voto” deve migrar para Chalita?.

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