• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

PSDB pagou encontro evangélico

Do repórter Graciliano Rocha, da ‘Folha’:
“O encontro religioso em que pastores da Assembleia de Deus pediram orações pela eleição de José Serra (PSDB) e o saudaram como “futuro presidente”, no sábado, em Santa Catarina, recebeu dinheiro de administrações do PSDB.
Juntos, o governo de Santa Catarina e a Prefeitura de Camboriú (84 km de Florianópolis), ambos administrados por correligionários de Serra, destinaram R$ 540 mil para a realização do 28º Congresso Internacional de Missões.
O patrocínio das administrações tucanas representou dois terços dos R$ 800 mil orçados para o encontro -que, segundo os organizadores, reuniu 160 mil pessoas em dez dias.
O governador tucano Leonel Pavan repassou R$ 300 mil ao evento através de um fundo de fomento ao turismo do Estado. Também convidado a discursar, Pavan, que tenta viabilizar sua candidatura à reeleição em Santa Catarina, foi aplaudido no sábado quando anunciou o repasse feito pelo governo do Estado à organização do congresso evangélico.
A prefeita de Camboriú, Luzia Coppi (PSDB), bancou R$ 240 mil dos gastos do encontro religioso. A administração custeou instalação de banheiros químicos, climatização do ginásio, aluguel de cadeiras e propagandas na mídia local. Além disso, o município arcará com a despesa de energia elétrica resultante do evento religioso.
Governo e prefeitura negam que o fato de Pavan e Coppi serem do PSDB tenha relação com a liberação de dinheiro público (leia texto abaixo).
Promovido pela ONG (organização não governamental) Gideões Missionários, que é ligada à igreja pentecostal Assembleia de Deus, o encontro reservou ao pré-candidato do PSDB à Presidência um tratamento de convidado de honra.
No sábado à noite, Serra falou para mais de 10 mil pessoas que lotaram um ginásio em Camboriú -a PM não fez estimativa sobre o número de participantes no evento.
Seu discurso de 12 minutos foi replicado em telões do lado de fora do evento -onde uma multidão se aglomerava- e transmitido para um pool de rádios pelo país e até para o exterior controladas pela Assembleia de Deus ou que mantêm programação evangélica.
Segundo a organização, 180 emissoras evangélicas transmitiram a fala de Serra.
Citando a Bíblia, o tucano pediu aos religiosos que rezassem para que ele tivesse “sabedoria para enfrentar as lutas e desafios daqui por diante”, mas não pediu votos abertamente.
Pastores presentes ao ato foram mais explícitos e trataram o pré-candidato várias vezes como “futuro presidente”. Um deles conclamou os fiéis a orar pela eleição de Serra para a Presidência. “Esse povo não só ora como vota, haverá um rebuliço no país”, disse o pastor Reuel Bernardino, no evento.
A aparição de Serra diante do público evangélico ocorreu no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a pré-candidata Dilma Rousseff (PT) foram a festas do 1º de Maio promovidas por centrais sindicais em São Paulo com patrocínio de estatais federais -o que foi criticado pela oposição como uso da máquina na pré-campanha da petista.
Indagado sobre as manifestações de apoio dos pastores na noite de sábado, o pré-candidato foi lacônico: “Só faltaria eu dizer que não estou de acordo. O contrário. Todos os votos positivos eu acolho”.
Muito assediado por fieis da igreja pentecostal que gritavam seu nome e queriam fotografá-lo quando deixava o congresso, Serra ergueu os dois braços e fez o “V” de vitória.
O convite a Serra partiu do pastor Everaldo Pereira, presidente do PSC e um dos líderes da Assembleia de Deus. Da base lulista no Congresso, a sigla deverá apoiar o tucano neste ano”.
ONG garante que verba do PSDB não teve influência

“A ONG Gideões Missionários da Última Hora, que promoveu o 28º Congresso Internacional de Missões, negou que o patrocínio que recebeu de administrações tucanas tenha influenciado o convite ao pré-candidato tucano José Serra para discursar no evento.
A entidade, dirigida por pastores da Assembleia de Deus, afirmou ter convidado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e as pré-candidatas à Presidência Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), que é evangélica. “Se a Dilma tivesse vindo, teria sido tratada da mesma forma. Os pastores pediriam orações para o sucesso dela”, disse Calebe Moreno, designado pela organização para responder às perguntas da Folha.
Ele afirmou que a senadora Ideli Salvatti (PT), pré-candidata ao governo catarinense, foi ao evento como representante de Lula. Indagado sobre as referências a “futuro presidente” feitas a Serra no evento, o porta-voz da ONG declarou que foram “manifestações pessoais” dos pastores e que a igreja e a ONG não definiram apoio a nenhuma pré-candidatura.
A assessoria de imprensa de Serra informou que o ex-governador de São Paulo participou do evento a convite dos missionários e que, se houve repasse de dinheiro das administrações tucanas para a realização do evento, ele não sabia.
Por meio de sua assessoria, o governador de Santa Catarina, Leonel Pavan (PSDB), argumentou que o governo patrocina o encontro em Camboriú desde 2003.
De acordo com a assessoria, o governador “não tinha como evitar as manifestações” dos pastores no encontro.
Já o secretário de Administração da Prefeitura de Camboriú, John Lenon Teodoro, o repasse foi autorizado pela Câmara Municipal e não tem relação com o fato de Serra e a prefeita serem do mesmo partido. Segundo o secretário, o evento é importante para o município, pois o turismo evangélico é fonte de renda.
Luciano Zica, coordenador da agenda de Marina Silva na pré-campanha, disse que a senadora licenciada não foi convidada para o encontro realizado em Camboriú. A Folha não localizou a assessoria da pré-campanha de Dilma para confirmar se ela foi convidada para o evento”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:54

Garotinho acena para José Serra

Da ‘Folha’
“Já que ele está sem palanque no Rio e aguardamos uma decisão que não chega de Dilma [Rousseff], nosso propósito é viabilizar o palanque para ele (José Serra)”, disse o pré-candidato ao Senado na chapa de Garotinho (PR), bispo Manoel Ferreira (PR), que preside corrente da Assembleia de Deus.

Serra pede oração a evangélicos

Do repórter Graciliano Rocha, da ‘Folha’:
“O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, fez um discurso repleto de referências bíblicas diante de uma plateia de missionários evangélicos e foi saudado como “futuro presidente” por pastores da Assembleia de Deus, ontem à noite em Camboriú (SC).
“Orem, rezem a Deus, por mim no sentido de eu ter mais sabedoria para enfrentar as batalhas e as lutas que nós temos daqui por diante”, discursou, aludindo a uma passagem do Velho Testamento em que o rei Salomão pede a Deus sabedoria para governar.
Na discurso, o católico Serra vinculou passagens da Bíblia à sua atuação como ministro da Saúde e governador. Citando trecho do Evangelho de João, sobre Cristo ter vindo à Terra para dar “vida abundante”, o tucano lembrou que propôs legislação restritiva ao cigarro em São Paulo para dar “qualidade de vida” à população.
Serra falou para um auditório lotado com cerca de 10 mil pessoas, segundo pastores da Assembleia de Deus.
Líderes da igreja pentecostal afirmaram que o discurso foi ouvido por 160 mil pessoas que participaram do encontro 28º Encontro Internacional de Missões dos Gideões Missionários, espalhados em um parque de Camboriú. A Polícia Militar não fez estimativa de público.
O palanque evangélico de Serra foi articulado pelo pastor Everaldo Pereira, presidente do PSC (Partido Social Cristão), sigla aliada de Lula no Congresso e que deverá apoiar o tucano na eleição. A Assembleia de Deus é a igreja da pré-candidata Marina Silva (PV).
Pastores trataram Serra várias vezes como “futuro presidente”. Durante sua oração, o pastor Cezino Cavalcante pediu que os fieis rezassem para que o presidenciável se elegesse e conclamou o ex-governador a voltar ao encontro em 2011 como presidente. O pré-candidato disse “amém”.
O pastor Reuel Bernardino incentivou a ovação a Serra: “Esse povo não só ora como vota, haverá um rebuliço no país”.
Após ganhar uma Bíblia de Cezino, Serra concedeu uma rápida entrevista em que defendeu o trabalho missionário das igrejas e negou ter ido a Santa Catarina apenas em busca do voto evangélico.
Ao sair do ginásio, diante de uma multidão que gritava seu nome, Serra fez o V de vitória”.

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