• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:02

Cabral comanda ato pró-Dilma

Dos repórteres Cássio Bruno e Natanael Damasceno, de ‘O Globo’:
“Acompanhada de dois ministros Márcio Fortes (Cidades) e Carlos Lupi (Trabalho), a pré-candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, reuniu-se ontem com 86 dos 92 prefeitos do Estado do Rio, incluindo os de oposição, como DEM e PSDB. No discurso, a petista prometeu compromisso e continuidade, mesmo admitindo ser inexperiente em disputas eleitorais. Dilma também criticou adversários, dizendo que o Brasil estava de joelhos diante dos credores no governo Fernando Henrique.
O almoço foi numa churrascaria em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, para 400 convidados, entre prefeitos, deputados e vereadores. A maioria usou carros oficiais. A festa, que custou pelo menos R$ 24 mil, foi paga por PT e PMDB, e funcionou como demonstração de força política do governador Sérgio Cabral, pré-candidato à reeleição pelo PMDB. A imprensa não pôde acompanhar.
- Quero agradecer ao governador Sergio Cabral porque sei que a liderança dele foi decisiva para essa reunião disse Dilma.
A petista não quis falar sobre as negociações de apoio do ex-governador Anthony Garotinho (PR), pré-candidato ao governo e adversário de Cabral. E afirmou:
- De fato nunca disputei uma eleição. Mas tenho longa trajetória de serviço ao Brasil. Comecei minha vida pública como secretária de Fazenda de Porto Alegre. Conheço os dramas e tragédias da falta de recursos.
Dilma ressaltou que as prefeituras foram estratégicas durante o governo Lula nas parcerias com os estados em obras de infraestrutura.
Ao falar sobre investimentos, a petista fez duras críticas ao governo FH:
- O Brasil não é mais aquele país de joelhos diante dos credores internacionais. Pagamos a dívida com o FMI, e, hoje, o Brasil é credor. Todas as vezes que falarem que o governo Lula só deu continuidade ao governo anterior, é mentira. No governo anterior, o Brasil precisava pedir licença ao FMI para aumentar o salário mínimo. Hoje, aumentamos porque queremos.
Não compareceram ao evento os prefeitos Rosinha Garotinho (Campos), do PMDB; José Camilo Zito (Duque de Caxias), do PSDB; Jorge Roberto Silveira (Niterói), do PDT; Heródoto Bento de Mello (Nova Friburgo), do PSC; Luiz Carlos Fernandes Fratani (São Fidélis), do PMDB; e Jorge Serfiotis (Porto Real), do DEM”.
                                                         * * *
1. Nenhuma linha sobre a ilegalidade do ato político, com a presença do governador-candidato durante horário do expediente.
2. A manchete da página 9 é a seguinte: ‘Cabral leva prefeitos até Dilma, em almoço fechado’. Se foi fechado, como os repórteres de ‘O Globo’ tiveram acesso? Foi fechado pra quem? Lá está a foto de Dilma discursando e o texto do jornal reproduz trechos do discurso da candidata.
3. Cabral disse que o povo do Rio é grato a ministra, mas ela também falou de sua gratidão: “Quero agradecer ao governador Sergio Cabral porque sei que a liderança dele foi decisiva para essa reunião”.

 

Cabral: ”Lula escolheu Dilma pois quer o melhor para o povo” 
 

Essa é a versão da repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’ para o mesmo ato:
“Em evento numa churrascaria da Baixada Fluminense, a candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, atraiu gregos e troianos. Organizado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) e pelo candidato ao Senado Lindberg Farias (PT), a reunião com prefeitos do Rio teve a participação de governantes dos partidos da aliança PMDB-PT, mas também da oposição, como DEM, PSDB e PP.
Dos 92 prefeitos do Rio, 86 compareceram ao evento que teoricamente era de agradecimento ao governo Lula e à Dilma, chamada de mãe do PAC, pelos investimentos no Estado. Do DEM havia pelo menos três governantes, José Rechuan Júnior, de Resende, José Luiz Mandiocão, de Rio Bonito, e Adilson Faracao, de São José do Vale do Rio Preto. Do PSDB, pelo menos dois: Darci dos Anjos Lopes, de Seropédica, e Ivaldo Barbosa dos Santos, o Timor.
Outro partido que ainda não faz parte da coligação nem do candidato pelo PSDB à presidência da República, José Serra, nem de Dilma, mas também mandou muitos representantes foi o PP do senador Francisco Dornelles. Pelo menos oito deles compareceram ao evento: Rafael Miranda, de Cachoeiras de Macacu, Guga de Paula, de Cantagalo, Sérgio Soares, de Itaboraí, Carlos Pereira, de Tanguá, Gilson Siqueira, de Cardoso Moreira, Luis Carlos Ypê, de Itatiaia, Antonio Jogaib, de Porciúncula, e Roberto de Almeida, de Miguel Pereira.
Segundo o Lindberg Farias, o próprio Dornelles prometera se empenhar para que os prefeitos do interior fossem ao evento. Apesar da presença oposição e da tentativa de agradecimento, o almoço parecia mais uma festa de apoio à candidata Dilma Rousseff. Cerca de 400 pessoas se amontoavam na churrascaria a ponto de alguns dos prefeitos, como o de Búzios, Mirinho Braga (PDT), e de Itaboraí, Sérgio Soares (PP), saírem antes dos discursos. A principal reclamação era de que havia gente demais e o acordo era que apenas prefeitos compareceriam.
Do lado de fora, foi possível ouvir, pelo menos por três vezes, os gritos “Olê, olê, olá, Dilma, Dilma”. Em seu discurso, o governador Sérgio Cabral disse que o Brasil nunca teve o que tem hoje e que o Rio saiu de uma situação crítica com parceria do governo federal. No fim, afirmou “Lula escolheu Dilma porque quer o melhor para o povo brasileiro”.
A candidata retribuiu e dizendo que o Rio é um exemplo com suas UPAs e UPPs. E para agradar a platéia, lembrou que começou sua vida como secretária de Fazenda de Porto Alegre e que sabe como é gerenciar um município sem verba, porque, segundo ela, em 1989, não havia dinheiro disponível para os municípios.
Dilma ainda lembrou das críticas do PSDB. “Quando eles falarem que conseguimos tudo o que fizemos porque somos continuidade do governo deles, é mentira. O Brasil estava de joelhos para o FMI, tinha que pedir permissão para aumentar o salário-mínimo, para aplicar em saneamento. E se tivesse um sopro de crise, quebrava”.
Depois do evento a ministra foi para Porto Alegre. Da última vez que esteve no Rio, Dilma se encontrou com o candidato a governador, Anthony Garotinho, do PR, opositor a Cabral. Desta vez, o encontro não foi cogitado porque, segundo Garotinho publicou ontem em seu blog, o PR e o PT ainda não resolveram questões sobre o palanque duplo da ex-ministra”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:41

Gabeira ainda procura saída

Da repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’:
“Enquanto o DEM bate o pé, o PV continua a tentar uma alternativa para que o deputado federal Fernando Gabeira (PV) seja o candidato a governo do Estado e dê ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra, o tão desejado palanque no Estado do Rio. O presidente do PV no Rio, vereador Alfredo Sirkis, colocou em seu site uma nova proposta de coligação que tenta evitar a necessidade de aprovação do Tribunal Superior Eleitoral. Segundo o vereador, ” a geometria é simples porque se tratam de duas eleições majoritárias: uma estadual, de governador, e outra federal, na qual o eleitor deve votar para dois poderes, o Legislativo, senador, e o Executivo, para presidente ” . Com isso seriam permitidas as diferentes coligações, na primeira, entre PV, PSDB e PPS e, na segunda, PSDB; DEM e PPS. Para ele, nesta composição, apenas Gabeira perderia tempo de televisão. ” Mas será o ônus que teremos que pagar”.
O deputado federal e presidente do DEM, Rodrigo Maia, nem quer ouvir falar na proposta. Segundo Maia, a nova tentativa está sendo feita para evitar uma possível derrota na Justiça Eleitoral. ” Eles vão perder, é claro ” , afirma o deputado. Para Maia, não há mais negociação possível. O DEM quer uma coligação completa que inclua em todos os horários de TV o ex-prefeito Cesar Maia como candidato da coligação ao Senado. ” Não há como ceder mais.”
Desde a semana passada. Gabeira disse que poderia novamente desistir de se candidatar ao governo do Estado porque seus eleitores não aprovavam a união de seu nome com a do ex-prefeito Cesar Maia, tese defendida por Sirkis desde o início das negociações. Gabeira chegou a dizer que voltaria a se candidatar a deputado federal se não tivesse tempo suficiente de televisão para tentar concorrer com a máquina do atual governador Sérgio Cabral.
Ontem, na inaguração da exposição em comemoração ao centenário de Tancredo Neves; no Museu Histórico Nacional, no Rio, com a presença do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e do candidato José Serra, Rodrigo Maia marcou presença junto a políticos do PSDB. Nem Gabeira nem Sirkis compareceram. Do PV apenas a vereadora Aspásia Camargo, virtual candidata ao senado pelo partido, caso o nó político não seja desfeito.
Apesar da intransigência, Rodrigo Maia disse que o ex-deputado Márcio Fortes (PSDB) e candidato a vice-governador na chapa é quem está negociando com Gabeira uma solução para o problema. ” O que o Márcio Fortes conseguir, vamos negociar ” , afirmou. Sirkis também afirmou, por telefone, que a decisão está nas mãos de Gabeira e que vai apoiá-lo seja ela qual for.
Caso a coligação saia, a vereadora Aspásia Camargo ainda sonha com a candidatura ao senado. Ela diz que a legislação permite que o partido tenha um candidato avulso. ” A Marina (Marina Silva, candidata à presidência pelo PV) precisa de um candidato ao Senado. Não pode ficar sem ninguém ” , acredita.
No evento no Museu Histórico Nacional, tanto José Serra como Aécio Neves não quiseram falar de política. Em curta entrevista, depois de conhecer a exposição rapidamente, sempre acompanhado do ex-governador mineiro José Serra se limitou a dizer que Tancredo o inspirava muito. Os dois ficaram lado a lado durante toda a visitação, que durou cerca de meia hora”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:36

Cabral: troca Picciani por Lindberg?

 De Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’:
“Como amigo de infância. É assim que o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), tem tratado o candidato ao Senado pelo PT fluminense, o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Os dois têm viajado para cima e para baixo no interior fazendo inaugurações ou prometendo obras, em plena campanha eleitoral. Só esta semana, Lindberg foi a Cabo Frio, Barra Mansa e Resende com o governador.
No evento de lançamento da nova linha de caminhões da MAN, ontem em Resende, diante de uma plateia de cerca de 500 funcionários e políticos da região, Cabral chamou Lindberg de “grande amigo e grande companheiro”, ao citar sua presença no evento. Depois, novamente chamou a atenção de Lindberg para os investimentos que a MAN ia gerar na região.
Cabral, chegou à fábrica com um grande séquito de políticos, entre eles o deputado federal e presidente do PT regional Luiz Sérgio e o deputado estadual Paulo Melo (PMDB-RJ). No entanto, os maiores elogios foram para o candidato a senador. Lindberg Farias que já foi adversário político do governado quando insistia, até as eleições regionais do PT do Rio, em ser o candidato próprio do PT. Seu grupo foi derrotado e o ex-prefeito mudou o discurso.
O preferido de Cabral e um de seus braços direitos na Assembleia Legislativa do Rio, o presidente da casa, Jorge Picciani (PMDB), fica de fora dos passeios. Lindberg que no início do mês enfrentou um bate-boca pelos jornais e rádios com o deputado estadual, agora diz que não quer mais entrar em polêmicas e os ânimos já se acalmaram.
Questionado sobre a ausência de Picciani, Lindberg ri e diz que não sabe o motivo da ausência. Mas conta que não o tem visto nas viagens. “O governador Cabral vai no lançamento da minha campanha e declarará apoio à candidatura ao Senado no fim de abril com a presença da ex-ministra e atual candidata à presidência da República, Dilma Rousseff. Falta só marcar a data, que vai depender da agenda dela”, acrescenta, com um largo sorriso.
No fim de março, quando tinha acabado de ganhar as prévias, Lindberg disse que Lula preferia apoiar o senador Marcelo Crivella (PRB) a Picciani e, quando deixou a prefeitura, há duas semanas, ainda acusou o deputado de incentivar por jornais uma campanha contra ele. Picciani reagiu em um programa de televisão, dizendo que o ex-prefeito seria bandido e teria que prestar contas à Justiça, se referindo a uma investigação do Ministério Público Federal sobre desvio de verbas durante sua gestão na prefeitura de Nova Iguaçu”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:28

Erros de Cabral estão na Internet

Da repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’:
“A pouco mais de seis meses das eleições, a tragédia no Estado do Rio, que já registra quase 250 mortes, pode abalar a liderança que o governador Sérgio Cabral (PMDB) tem nas pesquisas eleitorais. Adversários políticos, o deputado Fernando Gabeira (PV) e o ex-governador Anthony Garotinho, já utilizam as ferramentas da internet para apontar erros que Cabral teria cometido no socorro as vítimas e no atendimento à população.
No domingo, ao visitar o Morro do Bumba, em Niterói, onde a comunidade foi construída sobre um lixão de até agora já foram retirados mais de 40 corpos, o governador ouviu vaias de moradores. Irritado, atribuiu a manifestação a “políticos de quinta categoria” e encerrou a entrevista que dava a repórteres no local. Cabral também tem sido bastante criticado por ter chamado moradores de favelas de irresponsáveis e suicidas por morarem em áreas de risco.
Gabeira pretende utilizar estes erros na campanha eleitoral. “Há muitos anos, falo da questão do aquecimento global. Não faz sentido passar a vida toda discutindo o ambiente e não tocar no assunto na campanha”, afirma Gabeira. “O governador desestruturou a Defesa Civil, não tinha qualquer plano de emergência”, ataca. “Durante o furacão em Santa Catarina, estive na Defesa Civil de lá e vi como funciona uma sala de situação. Não dá para uma cidade como o Rio deixar de ter um serviço como este”.
No início de seu governo, em 2007, Cabral extinguiu a Secretaria Estadual de Defesa Civil e fez dela um braço da Secretaria de Saúde. Alguns funcionários de seus quadros passaram então a trabalhar nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), uma das meninas dos olhos do governador. Isso porque o péssimo atendimento da saúde pública no Rio era uma das principais reclamações da população, junto com a violência.
Garotinho concorda com Gabeira e também critica a falta de estrutura da Defesa Civil. O ex-governador aproveita para cutucar mais lembrando que o governo também tinha contratado a Fundação Cobra Coral para evitar chuvas na cidade, depois da tragédia da virada do ano em Angra dos Reis.
Garotinho afirma, no entanto, que não será necessário utilizar as imagens da tragédia na propaganda eleitoral gratuita na televisão. “Os fatos já são contra o governador, não preciso explorá-los mais”, afirma. Questionado se não fará isto porque seu governo também registrou tragédias, Garotinho diz que elas existiram, mas que ele agiu e foi mais atuante que Cabral, sem querer dar mais detalhes. Em dezembro de 2001, um temporal na véspera do Natal matou quase 200 pessoas em Petrópolis, cidade serrana do Estado, e deixou vários municípios da Baixada Fluminense debaixo d´água.
Apesar de dizer que não é necessário atacar o governador, diariamente Garotinho faz comentários sobre a atuação de Cabral em seu blog. Ontem, ele criticou a visita do governador ao terreno onde ficava o presídio da Frei Caneca, onde serão construídos 1,5 mil moradias populares para abrigar a moradores da área de risco, chamando-a de marqueteira.
Analista político do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Renato Lessa não acredita que os deslizamentos e as mortes serão muito explorados quando a campanha de TV começar. Isto porque, segundo ele, todos os políticos têm uma história de tragédia nos seus currículos ou na sua coligação. “Não será diferente com Garotinho ou Cesar Maia”, afirma o analista. “A convivência do poder público com a população que vive nestas áreas é um padrão de todos os governos”. Para Lessa, a falta de política de moradia para os pobres é uma falha social das sucessivas gestões públicas que nunca foi corrigida”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:13

PT pedirá a Cabral cabeça de Picciani

Da repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’
“A direção nacional do PT virá ao Rio nos próximos dias para negociar com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), uma mudança na chapa que compõe a aliança entre o PT e o PMDB no Estado. Isto porque, segundo o ex-prefeito Lindberg Farias, que renunciou ontem ao cargo para disputar a vaga ao Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quer uma composição com o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) e não com o presidente da Assembleia Legislativa fluminense, o deputado estadual Jorge Picciani (PMDB-RJ), desejada pelo governador Cabral.
Segundo o ex-prefeito, Lula teria lhe contado pessoalmente a preferência. A página do senador Crivella, na Internet, conta que Lula comunicou ao presidente do PT, José Eduardo Dutra, sua decisão na semana passada e também teria declarado seu apoio, numa reunião no CCBB em Brasília, a toda base aliada no Senado. O fato é que Crivella é presença constante ao lado de Lula em quase todos os eventos públicos realizados no Rio. Na última vez em que o presidente esteve no Rio, durante o 5º Fórum Urbano Mundial, o senador estava lá sentado na primeira fila ao lado de Cabral, da ministra da Casa Civil Dilma Rousseff e de Lula.
O ex-prefeito Lindberg, que também anda de braço dado com representantes das igrejas protestantes, como o ex-cantor de pagode e atual pastor da Igreja Missionária Novo Israel, Waguinho (presente na cerimônia de transição), está gostando da troca. Lindberg diz que terá uma relação mais intensa no palanque caso o escolhido seja o senador Crivella. “Vejo duas possibilidades, uma relação intensa no palanque e outra mais fria e distante”, analisa o candidato, que revela também ter levado um puxão de orelhas do diretório nacional do PT, pedindo que ele se acalmasse porque tudo seria negociado com Cabral.
Apesar disso, Lindberg bateu mais um pouco no deputado Picciani. Questionado sobre a manchete do jornal carioca O Dia, que relembrava que o ex-prefeito está sendo investigado pelo Ministério Público Federal, Lindberg respondeu: “Isto é o tipo de batalha que vamos ter que enfrentar”, dando a entender que a reportagem teria sido influenciada pelo presidente da Alerj. “Mas não tem problema, vou abrir meus sigilos na campanha e desafio os outros candidatos a fazer o mesmo”, promete. Lindberg Farias teve os sigilos quebrados em meados do ano passado numa investigação do MP sobre um suposto desvio de verbas.
No entanto, o ex-prefeito acredita que toda esta briga não é boa politicamente. “Ela não é boa para mim, nem para o Cabral, tem que ser resolvida com serenidade”, reflete, dizendo que vai deixar mesmo por conta da direção nacional do partido. “É um problema da direção dos partidos”.
O ex-prefeito negou que esteja negociando uma vaga de ministro num eventual governo Dilma Rousseff, conforme publicado ontem no jornal “O Globo”. No entanto, Lindberg disse que a discussão chegou a ser levantada há alguns meses. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, seria seu suplente e ocuparia a vaga no Senado quando Lindberg virasse ministro. “Não quero ser ministro, quero ser o senador da Baixada Fluminense. Tenho muito mais a fazer por esta terra”, afirma, já em campanha”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:12

Gabeira ameaça Cesar Maia

Esse blog aconselhou ontem o ex-prefeito Cesar Maia a abandonar a coligação com o PV e o PSDB, já que os partidos irão boicotar sua candidatura ao Senado pelo DEM.
Olha só o que diz hoje a repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico”:
“Depois de quase sacramentada a aliança entre PV, DEM, PSDB e PPS, o candidato a governador na coligação, deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), ameaça roer a corda. Gabeira disse ao Valor que ainda está estudando se vai apoiar a candidatura do ex-prefeito Cesar Maia (DEM) ao Senado.
Ancorado na última pesquisa do Instituto Vox Populi, encomendada pelo jornal carioca “O Dia” e divulgada na sexta-feira, que o mostra com 18%, contra 38% do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e 20% do ex-governador Anthony Garotinho (PR), Gabeira agora diz que seus eleitores têm um forte sentimento negativo em relação ao ex-prefeito. Em janeiro, para aceitar a candidatura a governador impôs a condição de ter uma coligação ampla, que daria mais tempo de televisão.
Gabeira disse, na segunda-feira, não gostar de comentar pesquisas, mas admitiu que “começar com 18% já é bastante animador”. Isso sem fazer qualquer propaganda, ressaltou. “No momento, o espaço todo é do governador”. Quanto à aliança com o DEM, Gabeira diz que vai conversar com mais políticos e partidários na Páscoa.
No meio da discussão, está o PSDB, grande interessado em dar palanque forte no Rio ao seu pré-candidato à Presidência, José Serra. O partido trabalha para que a aliança leve Gabeira ao segundo turno. No Rio, os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas – Cabral e Garotinho – apoiam Dilma Rousseff, pré- candidata do PT.
O deputado estadual Luiz Paulo Correa da Rocha (PSDB) diz que, desde o início das conversas para a coligação, estava explícito que o PV daria o candidato a governador, o PSDB, o vice, o PPS, um senador e o DEM, o outro. “E alguns nomes já estavam fechados: Gabeira para governador e Maia para senador”. Para vice, fala-se no diretor-presidente da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), Márcio Fortes (PSDB), e para senador, no ex-deputado Marcelo Cerqueira (PPS).
O deputado lembra que, desde o início das negociações, houve a oposição do presidente do PV, Alfredo Sirkis. “Mas partido é assim, não é necessário que todos pensem o mesmo. É uma democracia, temos que fazer acordos e ver o que é melhor para todos”, conclui. “A aliança tripla deu um excelente resultado na campanha para prefeito”, lembra Correa da Rocha, referindo-se à eleição à Prefeitura do Rio, em 2008, quando Eduardo Paes (PMDB) venceu Gabeira por uma margem muito apertada: 50,83% dos votos válidos contra 49,17%”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:44

Royaltes: Prefeitos do Rio vão ao STF

 Da repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’:
“Escaldadoscom as derrotas sofridas na distribuição dos royalties do pré-sal, os prefeitos de municípios produtores do Rio resolveram não ficar esperando apenas as negociações do presidente Luiz Inácio Lula da Silvacom parlamentares para barrar a emenda do deputado Ibsen Pinheiro(PMDB-RS). O texto redistribui os royalties do petróleo (pré-sal ounão) para todos os Estados e municípios. Apesar de Lula, ter prometidoconversar com os líderes para negociar a rejeição da emenda e, emúltima instância, vetá-la, os prefeitos decidiram ir hoje ao SupremoTribunal Federal (STF) explicar ao ministro Gilmar Mendes, presidentedo tribunal, todas as perdas de arrecadação para convencê-lo a agirantes que o projeto vire lei.
Na noite de segunda-feira, o presidente Lula se reuniu com nove prefeitos do Estado, entre eles Rosinha Matheus (PP), de Campos, e Eduardo Paes(PMDB), da capital, além do governador Sérgio Cabral (PMDB). Eles entregaram um ofício ao presidente apontando as perdas que osmunicípios terão caso a regra atual dos royalties seja modificada. Lula teria prometido chamar as lideranças dos partidos para negociar e teria dito que esta modificação não estava acordada com o governo quando os projetos do pré-sal foram aprovados.
Mesmo assim, os prefeitos vão com Cabral a Brasília levar ao presidente do Supremo mais subsídios. Há no tribunal uma liminar que pede a suspensão da votação porque ela ameaçaria cláusulas pétreas da Constituição.Segundo Rosinha, a decisão de impedir uma votação já foi tomada duas vezes pelo STF. A Carta define royalties como uma compensação pelosdanos causados na exploração de bens naturais. A liminar não foi aceitapela ministra Ellen Gracie, mas houve um pedido de reconsideração. A ida ao Supremo também serviu para pressionar os deputados e o governo anegociar, já que há um temor de que a aprovação da emenda provoque umaação direta de inconstitucionalidade (Adin), que poderia derrubar todaa legislação do pré-sal.
O tema uniu até os adversários políticos Rosinha Matheus e Sérgio Cabral.A pedido de Rosinha, que é presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), o governador negociou com Lula a reunião que aconteceu durante a estada do presidente no Rio. A prefeita de Campos disse que não houve qualquer constrangimento entre os dois. “Nossa luta não está em palanque partidário”, afirmou. “De política eu vou tratar depois”, completou a prefeita, cujo município recebeu R$ 419 milhões em royalties no ano passado.
O prefeito de Búzios, Mirinho Braga (PDT), disse que, se o projeto foraprovado, a arrecadação do município cairá de R$ 40 milhões para R$ 500mil por ano. “Isto representará a falência do município”. Carlo Augusto Balthazar, prefeito de Rio das Ostras, lembrou que os municípios abriram mão de parte dos royalties do pré-sal para uma melhor distribuição de renda no país. “Era uma receita futura. Agora não dá para tirar de uma hora para outra 98% de sua arrecadação”, explica ele.Segundo Carlos Augusto, em cinco anos, a população do município cresceude 45 mil habitantes para 100 mil, por conta da base da Petrobrasem Macaé, município vizinho: “Aplicamos os royalties em infraestrutura, em saneamento. Se há municípios que não o fazem, que punam os prefeitos e não mudem as regras.”

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