• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:05

Ministro da tapioca cala para manter boquinha

A foto oficial do ministro. De boca fechada.

A foto oficial do ministro. De boca fechada.

No dia 1º de fevereiro, esse blog postou o seguinte texto com o título ?Qual será a posição do ministro??
?Esse blog enviou, essa manhã, as assessoras de imprensa do ministro Orlando Silva -  Maria José Mundin e Marcia Oliveira Gomes  – as seguintes perguntas para serem respondidas pelo ministro do Esporte:
1. O que o senhor achou da contratação do ex-premier Tony Blair para ser consultor das Olimpíadas de 2016?
2. Qual a sua opinião sobre o ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha?
3. Quando o senhor embarcou para Londres, já sabia dessa agenda com Tony Blair, ou foi surpreendido?
4. O senhor comunicou ao seu chefe, o Presidente Lula, de que participaria desse encontro?
5. Os dirigentes de seu partido, o PCdoB , foram informados previamente?
6. O sucesso das Olimpíadas depende da consultoria de Blair?
7. Pelo o que diz o governador Cabral, um grupo de empresários pagará as despesas dessa assessoria. Não existe nenhum outro item mais relevante, no orçamento, que poderia se pago por esse grupo de empresários?
8. O senhor não seria mais útil às Olimpíadas de 2016 se fosse detentor de um mandato popular, como o de deputado federal, já que seria na Câmara o porta-voz natural dos interesses olímpicos do país?”
Passados 13 dias, o ministro Orlando Silva nada respondeu, embora tenha, com certeza, recebido as perguntas.
O ex-presidente da UNE se comporta mais como um secretário de Sergio Cabral, do que como um ministro do Presidente Lula. E por isso ele não responde. Na verdade, ele não tem o que dizer.
Político sem voto, Orlando Silva de Jesus Junior, que adotou, políticamente, o nome do ?Cantor das Multidões?, decidiu pegar a boquinha das Olimpíadas e está feliz da vida.
Conseguiu um emprego que vai até 2016 – isso é mais do que o mandato de um governador ou de um presidente. E o melhor, sem ter a chateação de prestar contas a quem quer que seja.
Aliás, prestar contas nunca foi o forte do ministro.
Até o episódio dos cartões corporativos, pouco se ouvia falar nele. Até o dia em que foi descoberta a farra dos cartões, quando chegou a pagar uma tapioca de R$ 8,30, com dinheiro dos cofres públicos.
A tapioca foi a ponta do iceberg.
Depois, viu-se que, dentre todos os ministros, ele tinha sido o terceiro que mais utilizara o cartão.
Só em um jantar em São Paulo, na região dos Jardins, o  ministro pagou uma conta de R$ 485,05, em um restaurante, onde o valor médio de uma refeição é de R$ 150,00. O pior é que, nesse dia, não constava de sua agenda nenhuma atividade em São Paulo.
Certo dia, a agenda dizia que o ministro ficaria em Brasília em despachos internos. Mas ele gastou nessa data R$ 196,23 em uma churrascaria do Rio. Descobriu-se que ele pagara hotel para a esposa, a filha e a babá, durante um final de semana na cidade sede das Olímpiadas de 2016.
Menos de 24 horas depois que a colega Matilde Ribeiro foi exonerada, por uso abusivo do cartão, Orlando Silva, em pleno sábado de Carnaval, convocou a imprensa para fazer um anuncio em tom solene: estava devolvendo aos cofres publicos, de uma só vez, não apenas a tapioca, mas tudo o que havia gasto com o cartão de crédito corporativo: R$ 30.870,38.
E assim salvou o pescoço.
Pode-se dizer que isso nada tem a ver com a visita que ele fez a Tony Blair.
Tem sim, pois assim como ele falseava o cartão ? tanto que devolveu tudo o que gastou ? ele falseia o governo a quem serve, e falseia o seu próprio partido, o PcdoB.
Quando Orlando Silva foi chamado a depor na CPI dos cartões, o ministro reclamou das distorções da imprensa:
“Tomei a decisão de recolher aos cofres públicos todas as despesas utilizadas por mim com os cartões corporativos. Foi uma atitude política, um gesto político, que refletiu a minha indignação. Eu percebi que havia uma escalada na distorção de informações que envolvia a minha própria reputação e a minha família. O meu patrimônio é minha família e minha história política. Não poderia tolerar ataques à minha honra, minha ética”.
Para que não houvesse novas “distorções” sobre o pensamento do ministro, esse blog enviou as perguntas.
E por que ele não responde?
Porque teria que discordar de Sergio Cabral. E isso ele não faz, pois quer a boquinha de autoridade olímpica durante os próximos seis anos?
Quem se dispõe, por livre e expontânea vontade, a tomar chá com Blair, além de sorrir para fotos e apertar a mão de um facínora, está disposto a tudo.
Ter Tony Blair como consultor das Olimpíadas será muito ruim.
Mas ter Orlando Silva como gestor das Olimpíadas do Rio será péssimo.
O Rio não merecia isso.
Apesar de jovem, o ex-presidente da UNE representa o que existe de mais atrasado na política brasileira.
O ministro também é o responsável pela requisição do Palácio Gustavo Capanema, onde quer instalar o seu gabinete de trabalho, quando estiver morando no Rio.
Até Carlos Nuzman já tirou o corpo fora. Disse que não conhecia as instalações e nada tinha a ver com essa idéia.
Já o ministro continua calado.
Se perder o emprego terá de disputar votos para que possa continuar na vida pública.
E eleição, pelo jeito, é o tipo de esporte que Orlando Silva prefere distância.
                 * * *  
Ainda sobre a trapalhada de se requisitar o palácio Gustavo Capanema, recebi hoje o endereço do blog da psicopedagoga mineira Cristina Farage, que fala sobre o absurdo da idéia.
Leia o seu texto, e ouça a interpretação extraordinária de Ella Fitzgerald cantando “Samba de Uma Nota Só”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:58

Fanfarrão faz mais uma trapalhada

Como esse blog anunciou há dias, o anuncio do governador fanfarrão Sergio Cabral, de que o Palácio Gustavo Capanema iria servir de sede para o Comitê das Olimpíadas de 2016, pegou todos de surpresa.
E ele não atropelou apenas o prefeito Eduardo Paes, mas também o ministro Orlando Silva e o presidente do COB, Carlos Nuzman. Ontem, se soube que o usuário do prédio, Fernando Haddad, leu a notícia nos jornais.
Aqui foi dito que o prédio, ao contrário do que afirmara o trapalhão Cabral, não estava ocioso. Para que todos vejam a enorme confusão armada por ele, veja a matéria de hoje, em ‘O Globo’, assinada por Luiz Ernesto Guimarães:
“O anúncio feito na semana passada em Londres, pelo governador Sérgio Cabral, de que o Palácio Gustavo Capanema, no Centro, servirá como sede do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de 2016 (CO-Rio) e da Autoridade Pública Olímpica (APO), órgão que vai gerenciar os preparativos do evento, se transformou em polêmica.
Referência da arquitetura modernista, o prédio tem hoje a maior parte de seus andares ocupados pelos ministérios da Educação e da Cultura, que não foram informados previamente da decisão. Como informou ontem Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, entre os que foram apanhados de surpresa, está o ministro da Educação, Fernando Haddad.
Os Jogos Olímpicos não estavam previstos num projeto desenvolvido há dois anos em parceria entre o governo federal e a Unesco. Na época, uma concorrência pública selecionou um grupo de pesquisadores para, com recursos da União repassados pela Unesco, trabalhar na proposta de transformar o Palácio Gustavo Capanema no Centro de Memória da Educação Brasileira.
? Nós já estávamos nos preparando para lançar um programa de visitas guiadas às obras de arte do imóvel e planejando uma série de atividades que ajudem no aprimoramento de professores.
Nunca tratamos de Olimpíadas. E o CO-Rio 2016 pode ter dificuldades para se estabelecer.
Ao contrário do que se falou, o imóvel não se encontra subutilizado. O prédio está inteiramente ocupado ? disse a professora Jandira Motta, coordenadora da pesquisa.
O representante do MEC no Rio, Cícero Fialho Rodrigues, aguarda agora uma orientação de Brasília. Segundo ele, cerca de R$ 900 mil já foram investidos no projeto. A Unesco preferiu não se pronunciar.
? Para nós, a vinda da Rio 2016 é uma surpresa, mas aguardo orientações superiores.
A história da educação e da cultura brasileira passam por este prédio ? afirmou Cícero.
Ontem, o prefeito Eduardo Paes, que chegou a anunciar o desejo de as entidades olímpicas se instalarem na Zona Portuária, voltou a afirmar que a escolha do Capanema teve seu apoio. Já o presidente do Comitê Organizador da Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, reconheceu não saber ainda se o prédio atenderá às suas necessidades.
Ele disse que não partiu do CO-Rio 2016 a divulgação do plano para o palácio: ? Não fui eu quem anunciou.
No dia em que visitarmos o local, poderei responder. Primeiro, tenho que ver o espaço”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:57

O fanfarrão é um trapalhão

Sergio Cabral ao anunciar, em Londres, a cessão do Palácio Gustavo Capanema para as Olimpíadas de 2016, não atropelou apenas o Prefeito Eduardo Paes, o ministro Orlando Silva, e mais o presidente do COB, Carlos Nuzman. Ele fez outra vítima, segundo informa Ancelmo Góis: o próprio usuário do prédio, o ministro da Educação, Fernando Haddad “soube pelos jornais” que o palácio “abrigará o comitêd organizador dos Jogos de 2016 e a Autoridade Pública Olímpica”.
Cabral além de fanfarrão é trapalhão. E sem educação.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:56

Cabral atropelou parceiros em Londres

Carlos Nuzman e Orlando Silva reclamaram, pelo menos para duas pessoas, do comportamento de Sergio Cabral durante a viagem a Londres.
Eles dizem que o contato com as autoridades inglesas que cuidam dos preparativos das Olimpíadas de 2012 foi muito  proveitoso, mas o que ficou para a opinião pública foi apenas o anuncio do governador Sergio Cabral sobre a cessão do Palácio Gustavo Capanema e o convite para Tony Blair dar assessoria às Olimpíadas do Rio.
Cabral roubou a cena, atropelou o prefeito, o ministro e o COB, e todos acabaram sendo vítimas da fanfarronice do governador.

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