• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:42

Brasília, a invenção de Oscar Niemeyer

 

O arquiteto Oscar Niemeyer e sua mulher, Vera, escreveram um artigo sobre a construção de Brasília para a edição especial da revista Nosso Caminho. O ‘Estadão’ reproduz hoje o seu texto:
“Somente em 1957 surgiu o problema da nova capital. JK me procurou na casa das Canoas e juntos descemos para a cidade. Queria construir Brasília, a nova capital do nosso país, e, como ocorreu em Pampulha, desejava a minha colaboração – a minha e de Marco Paulo Rabelo, que como eu o acompanhou, de Pampulha à inauguração daquela cidade.
Entusiasmado, JK contou-me que pretendia uma capital moderna, concluindo, empolgado, “a mais bela do mundo”. E ficou combinado que eu procuraria Israel Pinheiro, responsável pela obra.
Na primeira viagem que JK fez ao local o acompanhei. Lembro o ministro da Guerra, o general Lott, a me perguntar: “Os prédios do Exército serão modernos ou clássicos?” E eu a responder: “Numa guerra, o senhor prefere armas modernas ou clássicas?” E ele sorriu com simpatia.
Foram três horas de voo; confesso não ter tido boa impressão do lugar.
Longe, longe de tudo, e a terra vazia e abandonada. Mas o entusiasmo de JK era tal, e o objetivo de levar o progresso para o interior tão válido, que acabamos, todos, com ele concordando.
A distância, a conveniência da presença de JK no local para manter o calor do empreendimento nos levou a pensar na necessidade de iniciar os trabalhos com a construção de uma pousada onde ele pudesse ficar nos fins de semana. Uma casa de madeira foi pensada. Fiz as plantas. Juca Chaves e Milton Prates comandaram a construção, e eu assinei uma promissória que, descontada num banco, permitiu realizar essa obra, depois conhecida como “Catetinho”. Em quinze dias JK já a utilizava.
Era o seu refúgio da política, dos que contestavam a construção da nova capital, a conversar com os amigos, a discutir como seria aquela cidade, o seu sonho predileto. À volta da casinha um grupo de árvores – como um pequeno oásis – a distinguia na terra rasa e vazia do cerrado.
Lembro que a água vinha de uma caixa pendurada em uma das árvores, que o lugar de estar e de conversa era sob os pilotis, ao redor de uma longa mesa com bancos de madeira. E havia uísque e muita camaradagem.
Cedo, o nosso amigo Bernardo Sayão trazia de helicóptero os mantimentos necessários, e Brasília já estava no coração de todos nós.
Na sede do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro, os trabalhos se iniciaram. Pouco depois, senti a conveniência de mudarmos para Brasília. E para lá segui com os meus colaboradores. Não pensava levar apenas arquitetos e convidei outros amigos – um médico, dois jornalistas e quatro camaradas que não cuidavam de arquitetura.
Estavam sem trabalho, eram inteligentes e divertidos, e compreendi ser o momento de ajudá-los. Eu não gostaria de passar as noites de Brasília a falar de arquitetura – para mim um complemento da vida, muito mais importante do que ela.
O problema do Plano Piloto se fazia urgente, e organizamos um concurso internacional. Inquieto, JK me propunha: “Niemeyer, não podemos perder tempo. Faz você o Plano Piloto.” E eu não aceitava. Pensava, inclusive, que talvez o Reidy participasse do concurso. Era de todos nós, pela própria função que exercia na Prefeitura do Rio, o mais informado no assunto, mas isso não ocorreu, surgindo Lúcio Costa com seu talento excepcional.
Recordo como tentaram cancelar o concurso já por terminar, com o projeto do Lúcio se destacando. O presidente do IAB a procurar Israel Pinheiro, sugerindo nomearem uma comissão de urbanistas para elaborar um novo projeto. Israel disse que o assunto era comigo, e foi no Clube dos Marimbás, na presença do arquiteto João Cavalcanti, que declarei: “Da minha parte vocês vão encontrar todos os obstáculos.” E o Lúcio foi o vencedor.
Era uma solução urbanística inovadora, os diversos setores independentes, a área habitacional ligada ao pequeno comércio e às escolas, o Eixo Monumental a lembrar com sua monumentalidade a grandeza de nosso país, e a Praça dos Três Poderes a completá-lo, debruçada sobre o cerrado como ele preferia.
E o plano se desenvolvia numa escala variada, humana ou monumental, que só um homem sensível como Lúcio podia conceber.
O primeiro projeto iniciado em Brasília foi o Palácio da Alvorada. Sua localização ainda não fora fixada pelo Plano Piloto. Não podíamos esperar. E lá fui eu com Israel Pinheiro a procurá-la, o capim a nos bater nos joelhos, pelo cerrado afora.
Elaborei o projeto. Um prédio em dois pavimentos. Destinava-se à residência do presidente e sua área de trabalho. E com tal apuro o projetamos que ambas se entrelaçam sem perderem a independência desejável. Recordo a larga varanda, sem peitoril, um metro acima do chão, protegida por uma série de colunas a se sucederem em curvas repetidas. Lembro André Malraux, ao visitar o palácio: “São as colunas mais bonitas que vi depois das colunas gregas.” E elas a serem copiadas no Brasil, num prédio de correio nos Estados Unidos, na Grécia, na Líbia, por toda a parte. As cópias não me incomodavam. Tal como com relação à Pampulha, as aceitava satisfeito. Era a prova de que meu trabalho agradava a muita gente.
E o palácio sugeria coisas do passado. O sentido horizontal da fachada, a larga varanda protegendo-o, a capelinha a lembrar no fim da composição nossas velhas casas de fazenda.
Depois do Alvorada, começamos a estudar o Eixo Monumental e pela Praça dos Três Poderes iniciamos nosso projeto. Dela faziam parte, como fixava o Plano Piloto, o Palácio do Planalto, o do Supremo e o Congresso, este último localizado mais afastado da mesma. Um afastamento que espelhos d”água e renques de palmeiras justificavam.
Mas a ideia de que o Congresso deveria se integrar na Praça me preocupava, o que explica ter mantido a cobertura desse palácio no nível das avenidas, permitindo aos que se aproximassem ver, por cima dela, entre as cúpulas projetadas, a Praça dos Três Poderes da qual este fazia parte.
E com essa solução as cúpulas do Senado e da Câmara se faziam mais imponentes, monumentais, exaltando a importância hierárquica que no conjunto representam.
Lembro Le Corbusier, dizendo a Ítalo Campofiorito, a subirem a rampa do Congresso: “Aqui há invenção!” Eram as enormes cúpulas daquele palácio que o surpreendiam, pela ousadia inventiva que revelavam.
Ao desenhar os Palácios do Planalto e do Supremo, deliberei mantê-los dentro de formas regulares, tendo como elemento de unidade plástica o mesmo tipo de apoio, o que explica o desenho mais livre que para as colunas desses dois edifícios adotei. E os palácios como que apenas tocando o chão. Uma opção arquitetônica que Joaquim Cardozo, engenheiro e poeta, um dos brasileiros mais cultos que conheci, defendia, a dizer: “Um dia vou fazê-las mais finas ainda, de ferro maciço”. O croqui inicial mostra, num corte do Palácio do Planalto, o tipo de estrutura que desenhei, mais rico sem dúvida do que aquele que uma arquitetura menos ousada teria preferido.
Nos dois prédios a seguir, o Palácio da Justiça e o Itamaraty, minha preocupação foi prever uma arquitetura mais simples, essa arquitetura elegante e repetida, fácil de ser elaborada e aceita pela grande maioria. Seria como um momento de pausa e reflexão para melhor compreenderem a arquitetura mais livre que prefiro.
A ideia de fazer uma arquitetura diferente me permite afirmar hoje aos que visitam a nova capital: “Vocês vão ver os palácios de Brasília, deles podem gostar ou não, mas nunca dizer terem visto antes coisa parecida”. E isso se verifica na Catedral de Brasília, diferente de todas as catedrais do mundo, uma expressão da técnica do concreto armado e do pré-fabricado. Suas colunas foram concretadas no chão, para depois criarem juntas o espetáculo arquitetural. E vale a pena lembrar outros detalhes, com a arquitetura se enriquecendo, como o contraste de luz com a galeria em sombra e a nave colorida. E lá estão os anjos de Ceschiatti, e a possibilidade inédita, que muito agradou ao núncio apostólico, de os crentes olharem pelos vidros transparentes os espaços infinitos onde acreditam estar o Senhor. É o arquiteto a inventar sua arquitetura, que poucos, muito poucos, vão poder compreender.
Não foi fácil trabalhar em Brasília, e o projeto do Congresso Nacional serve de exemplo. Um trabalho elaborado sem programa, sem uma ideia de como se ampliaria o número de parlamentares. “Tudo a correr” era a palavra de ordem. Recordo como foi iniciado aquele projeto, Israel Pinheiro e eu indo ao Rio com o objetivo de dimensionar o antigo Congresso daquela cidade, para, multiplicando a área estimada e os setores existentes, iniciar os desenhos.
Tudo isso explica os prédios anexos depois realizados. Basta mencionar um deles, para avaliar as nossas dificuldades. Quando veio o parlamentarismo, o grande hall do Congresso ficou coberto de novas salas e gabinetes, pedindo uma solução. Aquele hall continuava indispensável e aquelas salas deveriam ficar junto do plenário. Eu queria defender a arquitetura do palácio, e a solução foi aumentar sua largura em 15 metros. A vista da Praça dos Três Poderes que do antigo salão se descortinava desapareceu, mas a arquitetura externa do Palácio foi preservada, e com tanto apuro que ninguém percebe essa modificação que, como arquiteto, sempre lamentei.
Felizmente o contato com deputados e senadores foi tão cordial e a atuação do meu amigo Luciano Brandão, secretário-geral, tão hábil que a obra do Congresso seguiu sem problemas.
Mais recentemente, desenhei três novos edifícios em Brasília – a Procuradoria Geral da República e os anexos do Supremo e do Tribunal de Contas da União. Prédios arquitetonicamente, a meu ver, importantes, mas, para alguns, de construção excessivamente dispendiosa. Recordo-me como os defendi. São prédios públicos; sei que meus irmãos mais pobres nada vão usufruir, mas, se forem bonitos e diferentes, vão parar para vê-los – será para eles um momento de surpresa e encantamento.
Como a própria vida, Brasília teve bons e maus momentos, e um dos melhores, que chegou a nos lembrar os tempos de JK, foi o do governador José Aparecido de Oliveira. Foi ele quem construiu o panteão, quem concluiu a catedral, a Praça dos Três Poderes, o Memorial Lúcio Costa, que, a meu pedido, nela realizou. Foi esse meu amigo que tentou melhorar as cidades-satélites, fazê-las mais acolhedoras e com isso defender um pouco o Plano Piloto da densidade demográfica que se multiplica.
O tempo correu. Pouco a pouco Brasília se foi consolidando em função do traçado de Lúcio Costa, das formas inesperadas que sua arquitetura assumiu, dando vida àquele planalto sem fronteiras, onde o céu parece maior.
Tudo isso me leva a recordar aqueles serões inesquecíveis que o nosso grupo passava na presença de um presidente possuído do maior dinamismo, mas capaz de guardar tempo para ver os amigos e, como outro homem qualquer, rir e brincar um pouco. Tarde, uma ou duas horas da madrugada, JK nos acompanhava na saída. E aí nos retinha, empolgado com a noite de Brasília. O céu imenso, cheio de estrelas, os palácios já erguidos a se destacarem com suas formas brancas na enorme escuridão de cerrado.
Mansamente, como a me dizer um segredo, JK tomava-me pelo braço: “Niemeyer. Que beleza!”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:28

Governo procura conta de tucano no exterior

 Do repórter Rodrigo Rangel, do ‘Estadão’:
“O governo federal abriu investigação oficial para apurar supostas movimentações bancárias do senador goiano Marconi Perillo (PSDB) no exterior. O tucano é inimigo político declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Formalmente, a investigação teve início no dia 12 de março, quando começou a tramitar no Departamento de Recuperação de Ativos (DRCI) do Ministério da Justiça um processo destinado a mapear a existência das contas. De acordo com os papéis em poder do governo, as movimentações teriam ocorrido em bancos da Suíça e dos Estados Unidos e em paraísos fiscais do Caribe.
Antes de chegar ao Ministério da Justiça, os documentos que dão base à investigação passaram pelo Palácio do Planalto – mais precisamente, pelas mãos de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula. Perillo tornou-se desafeto do Planalto após o escândalo do mensalão, quando disse ter alertado pessoalmente o presidente Lula sobre os pagamentos a parlamentares da base aliada no Congresso em troca de apoio a projetos do governo.
Há dois meses o Estado acompanha o caso, que ganhou no governo prioridade absoluta. De um lado, a reportagem esmiuçou os bastidores da operação montada em Brasília para comprovar a existência das contas, o que poderia significar um tiro de morte nas pretensões políticas do tucano, pré-candidato a governador em Goiás. De outro, apurou as medidas oficiais destinadas a comprovar as supostas transações de Perillo no exterior.
Vice-presidente do Senado, Perillo nega possuir contas no exterior. Ontem, em meio a rumores sobre a existência de um dossiê com informações sobre contas bancárias abertas em seu nome em paraísos fiscais, o senador foi ao Ministério da Justiça pedir investigação sobre a origem dos papéis, que diz serem “falsos”. Não sabia ele que, um mês antes, os documentos já haviam chegado ao ministério e dado origem a um procedimento formal – não para investigar sua veracidade, mas seu conteúdo.
O procedimento instaurado no DRCI sob o número 08099.001131/2010-54 teve origem num relatório apócrifo, produzido originalmente em inglês, com tarja de “top secret”. Junto dele, há extratos das supostas contas, registradas em nome da Aztec Group, offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Os documentos apontam Perillo como um dos dirigentes da empresa. Um dos papéis anexados ao relatório, com timbre do banco suíço UBS e datado de 2003, diz que o Aztec Group tinha na instituição uma aplicação de 200 milhões – o equivalente, à época, a R$ 667,5 milhões.
O relatório “top secret” com o detalhamento das supostas transações inclui o contrato social do Aztec Group, cujo presidente, de acordo com o documento, seria Paulo S. Jusus – que os investigadores identificam no processo instaurado no DRCI como Paulo Silva de Jesus, primeiro suplente de Marconi Perillo no Senado.
Também foram anexadas ao relatório, obtido pelo Estado, o que seria a cópia do passaporte do senador e uma procuração registrada nas Ilhas Virgens Britânicas em que Jusus dá poderes a Marconi Perillo, apontado como diretor da Aztec Group para Projetos Especiais, para assinar contratos e fazer acordos em nome da empresa.
Há ainda cópias de mensagens enviadas por fax, nas quais Perillo teria ordenado transferências da conta da Aztec. Um desses papéis, que leva uma assinatura semelhante à do tucano, autoriza movimentação de US$ 3,5 milhões de uma agência do banco Wachovia para uma agência do Citibank no paraíso fiscal de Nassau, no Caribe.
Com aval do Planalto, o DRCI deu início aos procedimentos para tentar confirmar a existência das contas. O primeiro passo foi contatar as autoridades financeiras da Suíça, para onde teria sido remetida parte significativa dos valores.
Até ontem, o DRCI não havia recebido resposta às consultas sobre as contas da Aztec em território suíço. A expectativa é de que a resposta chegue a Brasília nas próximas semanas”.
 
 
Dossiê circulou no Planalto antes de investigação oficial

“Antes de dar origem à investigação oficial, o dossiê com as supostas contas de Marconi Perillo no exterior já circulava por gabinetes de Brasília. Foi o líder do PR na Câmara, Sandro Mabel (GO), adversário de Perillo na política goiana, quem levou os papéis à antessala do presidente Lula. Ontem, em entrevista ao Estado, Mabel admitiu ter tratado com Gilberto Carvalho da existência das supostas contas de Perillo no exterior. “Como o presidente (Lula) tem um desgaste com o Marconi, eu falei com ele (Gilberto) sobre o assunto”, disse Mabel.
Apesar de terem em mãos os papéis, nem Mabel nem o chefe de gabinete de Lula tomaram providências imediatas. No início de 2010, o Dossiê Perillo foi encaminhado para o gabinete do promotor goiano Fernando Krebs, que instaurou o Procedimento Investigatório Criminal n.º 01/2010. Com sinal verde do Planalto, as portas do Ministério da Justiça e do DRCI já estavam abertas para auxiliar o Ministério Público goiano no que fosse necessário.
Em 12 de março passado, de acordo com documentos obtidos pelo Estado, o promotor formalizou o chamado “pedido de assistência jurídica”, para que o DRCI buscasse informações sobre as contas. Na mesma data, foi preenchido o “formulário de auxílio jurídico em matéria penal”, que o DRCI traduziria dias após para remeter à Autoridade Central da Suíça. O procedimento do Ministério Público não relaciona o nome de Perillo, que tem foro privilegiado e só pode ser investigado criminalmente pelo STF. “Suspeita-se, fortemente, que Paulo S. de Jesus seja um “laranja” da quadrilha que operou na Celg entre os anos de 2000 e 2008″, diz o documento.
Por meio da assessoria de imprensa da Presidência, Gilberto Carvalho disse que, de fato, conversou sobre o assunto com Sandro Mabel, mas na ocasião “os elementos trazidos pelo deputado não tinham a menor consistência”.
Em nota, o Ministério da Justiça confirmou a existência do procedimento no DRCI, mas disse ter agido atendendo a uma demanda do Ministério Público de Goiás. “O número citado pelo jornal identifica um ofício proveniente do Ministério Público de Goiás que foi protocolado no sistema de protocolo do Ministério da Justiça e que não tem por objeto qualquer investigação envolvendo o nome do senador”.

Perillo vai a tribuna do Senado reclamar de falsificação

“O primeiro vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), encaminhou ontem representação ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), solicitando que a Corregedoria do Senado investigue falsificação de procuração e passaporte em seu nome, que teriam sido utilizados para abertura de conta bancária no exterior.
Perillo subiu à tribuna do Senado para afirmar que um dossiê anônimo contra ele foi encaminhado para sua residência na semana passada, no mesmo dia em que sua pré-candidatura ao governo de Goiás foi lançada pelo microblog Twitter.
“Não tenho nenhuma conta bancária fora de Goiânia. Estou sendo vítima de mais uma cilada daqueles que estão utilizando ferramentas do mal”, discursou o senador goiano da tribuna. “Trata-se de um dossiê fajuto”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:21

Planalto longe dos 50 anos do DF

 Da ‘Folha’:
“A obra de reforma do Palácio do Planalto não ficará pronta no próximo dia 21, na comemoração dos 50 anos de Brasília. Será necessário, ao menos, mais um mês para a restauração ser concluída. A previsão feita pelo Exército, responsável pela execução da obra, é que ela seja entregue no dia 30 de maio.
Pelo cronograma anterior, o prédio ficaria pronto em 28 de fevereiro. O contrato previa mais 30 dias para ajustes -e a entrega, portanto, seria feita em 30 de abril.
“Os trabalhos estão em fase final de acabamentos, com o volume maior de serviços concentrados nas instalações, identificação das redes lógicas e testes dos equipamentos e sistemas que compõem a modernização da infraestrutura de serviços de apoio”, disse a assessoria do Exército.
O presidente Lula afirmou que já assimilou a ideia do atraso na obra do Planalto. “Eu já estou dando de barato que não mudarei para lá no dia 21″, disse no Itamaraty.
O contrato já teve um aditivo, no ano passado, que elevou de R$ 78,8 milhões para R$ 96 milhões o custo da obra. Do Orçamento, estão reservados R$ 110 milhões”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:01

Ciro: “Serei o próximo Presidente”

Da repórter Clarissa Oliveira, no ‘Estadão’:
“Dizendo não ter pressa para ver oficializada sua pré-candidatura à Presidência, o deputado Ciro Gomes (PSB) criticou duramente o Congresso Nacional e disse já ter ao menos uma certeza: a de que não voltará à Câmara caso seu plano de disputar o Palácio do Planalto na eleição de outubro não se concretize.
Após participar ontem à tarde de um seminário com auditores da Receita Federal, Ciro negou que já tenha uma conversa agendada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar de seu futuro político. E, ao encerrar uma rápida entrevista, brincou com os jornalistas: “Vou ganhar a eleição. Anotem isso. Vocês estão falando com o próximo presidente do Brasil.”
Ciro disse que se sente “solitário” na Câmara, apesar de reconhecer no Congresso o “santuário da democracia”. “Nós vamos para o Congresso, 513 homens e mulheres, vestindo paletó e gravata, gente decente, boa, inteligente, chega ali e há uma bola de “estupidificação”, uma coisa inacreditável”, afirmou.
A fala veio acompanhada de mais uma crítica à “moral frouxa” da aliança PT-PMDB. Aproveitando o tema, o deputado alegou que um eventual governo seu será baseado em uma coalizão entre PT, PSDB e PSB.
Sob pressão do Planalto para que abandone a corrida presidencial, Ciro disse que está disposto a esperar até junho, mês em que ocorrem as convenções partidárias, para ver sua pré-candidatura sacramentada pelo PSB. E negou ter qualquer preocupação com escasso tempo de propaganda no rádio e na televisão a que sua sigla tem direito.
“Eu confio no equilíbrio da imprensa brasileira, que está me devendo”, argumentou. A dívida, disse ele, se refere às eleições de 1998, quando disputou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Foi a primeira vez na democracia brasileira em que houve uma eleição presidencial sem nenhum debate.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:57

Cabral quer demitir Sereno

  Sergio Cabral está mesmo apavorado com a sua reeleição.
Veja a reportagem que o governador conseguiu publicar na ?Isto É? que está nas bancas.
?Enquanto em Brasília o PT e o PMDB fazem juras de amor e tentam acertar a aliança em torno da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, o relacionamento entre os dois partidos no Rio de Janeiro assume contornos beligerantes. A guerra aberta entre PT e PMDB no Rio envolve uma das mais tradicionais empresas do Estado, a cinquentenária refinaria de Manguinhos. Ex-estatal, privatizada no governo Fernando Henrique Cardoso, Manguinhos agora está nas mãos do ex-secretário Nacional de Comunicação do PT Marcelo Sereno, um dos citados pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) no escândalo do Mensalão e nas denúncias que derrubaram da Casa Civil Waldomiro Diniz, braço direito do então ministro José Dirceu. Além de ser o presidente da Grandiflorum, holding controladora de Manguinhos, com salário de R$ 10 mil mensais, Sereno aparece no banco de dados da Serasa como sócio do empresário João Manuel Magro na empresa que assumiu o controle da refinaria numa polêmica operação que envolveu a transferência das participações da petroleira espanhola Repsol e da família Peixoto de Castro para o grupo Andrade Magro, de São Paulo.
Conforme apurou ISTOÉ, Sereno foi nomeado presidente da Grandiflorum em 28 de novembro de 2008, 18 dias antes de a refinaria Manguinhos ser adquirida. Sereno tenta diminuir sua importância na empresa. Alega que é “apenas” presidente. Atribui a um erro do Serasa o fato de figurar como sócio do grupo. Equívoco ou não, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), está preocupado com o poder exercido por Sereno em Manguinhos. Enxerga uma grande jogada do PT, comandada por Dirceu, para fortalecer a candidatura ao governo do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Isso criaria obstáculos para as pretensões do PMDB de reeleger o governador. Mas Cabral reagiu. Mandou a Secretaria da Fazenda promover uma operação de recadastramento de empresas que operam no ramo de distribuição de combustíveis. Também acusou Manguinhos de utilizar em 2002 o regime especial tributário para gerar uma perda de R$ 600 milhões nos cofres do Rio. E entrou com ação na Justiça contra a refinaria. Cabral pode ir além.
Está ao alcance do PMDB uma fita, hoje em poder de um empresário do mercado financeiro, que comprovaria o envolvimento de Sereno no Mensalão.
A gravação jogaria uma pá de cal na candidatura do petista à Câmara dos Deputados em 2010.
O PMDB fluminense acredita que pelo menos uma parte desses R$ 600 milhões vai engordar o caixa das campanhas petistas no Rio, especialmente a do próprio Sereno e a de Farias. Trabalhando intensamente por sua candidatura, Sereno espera ter destino diferente de seus ex-colegas de PT, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-secretário-geral do partido Silvinho Pereira. Desligados do PT, ambos não conseguiram legenda e viram frustrados seus desejos de retornar à cena política em 2010. Nos últimos dias, Cabral fez chegar sua preocupação ao Palácio do Planalto.
Os assessores de Lula responderam que não acreditam na utilização eleitoral dos recursos de Manguinhos. E disseram ainda que apostam num acordo eleitoral envolvendo o próprio Cabral, Farias, Dirceu e Sereno. Mas o desejo de Cabral é deixar Sereno ao relento – sem o guarda-chuva de Manguinhos?.
Apenas um detalhe: Marcelo Sereno não é um dos 40 réus no processo que ficou conhecido como Mensalão.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:47

Chovendo no molhado

O Palácio do Planalto informou, em agosto, que a ex-secretária da Receita, Lina Vieira, esteve  com a ministra Dilma Rousseff no dia 9 de outubro do ano passado, e não em dezembro como ele estava afirmando.
Agora, Lina finalmente encontrou sua agenda pessoal, e anunciou que esteve lá no dia 9 de outubro.
O PSDB, como não tem discurso, quer chamar Lina de novo para depor.
O encontro, segundo Lina informou à época, seria um pedido de Dilma para apressar as investigações nas empresas da família do senador José Sarney.
Só que, em outubro, Sarney não era candidato à presidência do Senado.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:44

Vale x Planalto

Do jornalista Élio Gaspari hoje na ‘Folha’ e no ‘Globo’:
?Há muito tempo não aparecia uma briga tão interessante como a da Vale com o comissariado petista. A mineradora é a segunda maior empresa do país, emprega 53 mil pessoas e em 2008 lucrou R$ 21,3 bilhões. Seu negócio é vender minérios e a briga destina-se a decidir quem manda nela.
A Vale foi privatizada em 1997. Num lance exemplar da privataria tucana, o dinheiro da Viúva continua lá, mas a senhora não manda. Somando-se as participações de seus fundos de pensão (Previ e Funcef) à do velho e bom BNDES ela teria votos suficientes para mandar na empresa, caso se tratasse de uma padaria. Um acordo de acionistas entregou o leme da Vale ao Bradesco, que tem 21% do capital votante. Foi do Bradesco que saiu o atual presidente da empresa, Roger Agnelli, em cujo mandarinato dobrou-se a produção e quintuplicou-se o lucro.
Apesar desses resultados fantásticos, a Vale carrega a urucubaca de exportar minério e importar navio. A empresa está fechando um negócio de US$ 1 bilhão com a indústria coreana, mas quem conhece as mumunhas do cartel naval brasileiro acha que ela faz muito bem.
Lula e Agnelli estabeleceram uma relação afetuosa. O empresário entrou na vaquinha que pagou a reforma do Alvorada, recrutou diretores no BNDES e tornou-se figura fácil nas celebrações do Planalto. Esqueceu-se que Nosso Guia é um urso devorador de donos.
Em dezembro de 2008, num episódio inesquecível, Agnelli propôs o congelamento de um pedaço da legislação trabalhista (“medidas de exceção”) para conjurar a crise. Em seguida a Vale iniciou uma política de demissões que já desempregou mais de 2.000 pessoas. Lula reclamou das medidas, contrariado porque não o avisaram. Olhando-se a crise pelo retrovisor, fica entendido que a diretoria da Vale apavorou-se.
Assim como sucedeu com as empresas de telefonia, os comissários dos fundos de pensão começaram a se desentender com os controladores da empresa. Como o Bradesco não é nenhum Daniel Dantas, a briga será boa. Ela melhorou com a entrada em cena de um novo ator, o magnata Eike Batista.
Batista e Agnelli são empresários-celebridade. Em uma semana o presidente da Vale fala mais que Augusto Trajano de Azevedo Antunes, o grande potentado do minério brasileiro, em todos os seus 90 anos de vida. Eike Batista, o fulgurante bilionário do conglomerado dos X, faz força para ser Warren Buffett, mas a cada dia parece-se mais com Donald Trump. Ele quer comprar uma parte das ações do Bradesco, senão todas. Numa trapaça da história, Eike é filho do grão-duque da Vale estatal, o engenheiro Eliezer Batista.
Brigas desse tipo estimulam uma tendência para se tomar partido logo que o jogo começa. É muito melhor acompanhá-las dando razão aos dois lados. A Viúva tem as ações e não manda? Os fundos de pensão querem mandar para mensalar a Vale? Eike Batista sentado no conselho da empresa terá mais a oferecer que os atuais mandarins? Ele viria a ser a esperada figura do bilionário-companheiro do PT? Se a Vale despejar dinheiro em projetos industriais brasileiros fará bem ao país ou à megalomania dos sábios do Planalto?
Uma coisa é certa: a permanência ou a saída de Agnelli na presidência da Vale é uma irrelevância diante da verdadeira briga, pelo controle da segunda empresa do país. A primeira é a Petrobras e já está dominada?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:19

Planalto não tem vídeos

Diz ?O Globo? de hoje:
?O banco de dados do sistema de segurança do Palácio do Planalto permite que os registros de entrada de pessoas sejam armazenados por mais de seis meses. A exigência consta do edital lançado em 2004 para contratar a empresa responsável pela prestação de serviços à Presidência da República. Na sexta-feira passada, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) divulgou nota com a informação de que as imagens são preservadas apenas por 30 dias?.
Se o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional mentiu, isso é fato grave.
Mas a verdade é que não existe mais imagens do que teria sido a visita da ex-chefe da Receita, Lina Vieira, a ministra Dilma Rousseff.
Se o encontro foi em 19 de dezembro, como ela sugere, os vídeos foram destruídos em no dia 19 de janeiro, segundo o GSI; ou, na melhor das hipóteses, em 19 de junho.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:11

Marina, senso de oportunidade

Do jornalista Kennedy Alencar, hoje na ?Folha?, analisando a saída da senadora Marina Silva do PT:
?Com impiedoso senso de oportunidade, Marina Silva decidiu anunciar a saída do PT justamente no dia em que o antigo partido da ética enterrava no Senado todas as acusações contra José Sarney. Foi um gesto de inteligência política que demonstra o forte potencial da provável candidatura ao Palácio do Planalto pelo PV.
Errará quem subestimar Marina. Ao ficar mais conhecida, ela poderá construir um caminho competitivo entre os projetos presidenciais do PSDB e do PT -hoje representados pelo governador José Serra (SP) e pela ministra Dilma Rousseff.
Espécie de “Lula de saia”, a biografia semelhante à do presidente assegura o ingrediente emocional que os marqueteiros adoram. A bandeira ambiental é simpática à classe média e aos formadores de opinião. A passagem ministerial lhe confere a experiência administrativa cara a tucanos. É doce, ao contrário de Serra e Dilma. Tais características tenderão a animar a juventude e os desiludidos com a política tradicional.
Um viés conservador poderá afastar fatias progressistas do eleitorado, mas agradará a estratos tradicionalistas, digamos assim. Contrária ao aborto, é uma evangélica ainda ligada à Igreja Católica. Mais: já defendeu o ensino do criacionismo ao lado do evolucionismo.
Haverá obstáculos. Falta de traquejo para arrecadar contribuições de campanha. Pouca presença nacional do PV. Dificuldade para costurar alianças que garantam mais tempo no horário eleitoral. Um discurso que vá além do eixo ambiental.
O primeiro estrago atinge o PT. O eleitorado petista decepcionado com o realismo político de Lula ganha uma opção.
Marina é um tiro na estratégia de Lula de apostar que, numa campanha polarizada entre PT e PSDB, esse pessoal acabaria preferindo Dilma.
Mas a alegria de caciques do PSDB com o fator Marina poderá virar pesadelo. A “terceira via” também será construída na oposição. E a classe média antipetista passará a ter duas opções: Serra e Marina?.

  • Terça-feira, 08 Junho 2010 / 4:24

Cada palavra tem seu peso

Leandro Mazzini, do ‘Informe JB’, diz que o “designer Sérgio Rodrigues, em visita recente a Brasília, ficou emocionado ao encontrar uma cadeira rara, criação sua. Estava abandonada em meio a outros móveis na garagem do Palácio do Planalto”.
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Emocionado, certamente, não deve ter sido a palavra correta para resumir a reação de Sergio Rodrigues.

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