• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:39

Lula em três movimentos

De Élio Gaspari:
“Nosso Guia precisa congelar as iniciativas destinadas a apressar a concorrência para a construção de um trem-bala ligando o Rio de Janeiro a São Paulo e Campinas. Deve fazê-lo porque não fica bem para um presidente com poucos meses de mandato decidir a contratação de uma obra de R$ 34,6 bilhões. Trata-se de um ervanário equivalente à construção de 170 quilômetros de metrô, sabendo-se que as malhas de São Paulo e do Rio somam apenas 104 quilômetros. Se o Grande Mestre persistir, criará a última encrenca de seu governo, ou a primeira do mandato seguinte.
O projeto do trem-bala poderia ter sido uma joia da coroa da política de investimentos do atual governo, mas transformou-se num almanaque de má gestão, improvisações e leviandades.
Em 2007 o Tribunal de Contas recebeu um projeto que quase certamente concederia a obra ao consórcio italiano Italplan. Ele prometia entregar o trem sem pedir um tostão à Viúva. A obra começaria no ano seguinte, estaria pronta em 2016 e custaria em torno de R$ 9 bilhões. O TCU estudou a matemática do projeto e salvou a Viúva, chutando a bola para fora. Estava tudo errado, da estimativa dos custos à previsão da demanda.
Pior: o trem sairia do Rio e, 90 minutos depois, chegaria a São Paulo, sem qualquer parada. Não há no mundo trem de alta velocidade que faça um percurso de 400 quilômetros sem estações intermediárias.
O governo passou o assunto ao BNDES, e os estudos recomeçaram do zero. Mesmo assim, o voluntarismo do Planalto incluiu o trem-bala no PAC. Se o BNDES estava estudando a viabilidade da obra, a cautela sugeria que se esperasse a conclusão da análise. A esta altura, felizmente, a linha havia sido estendida a Campinas.
No início de 2009 a estimativa do custo do trem-bala pulou para R$ 11 bilhões, prevendo oito paradas, uma delas em São José dos Campos. A linha ficaria pronta a tempo de transportar as torcidas da Copa de 2014. Lorota total.
O Tribunal de Contas recebeu há pouco um novo projeto, no qual o custo está em R$ 34,6 bilhões. Desfez-se a fantasia do financiamento privado. Os empreiteiros e fornecedores de equipamentos entram com 30% dos recursos, e a Viúva fica com 70% da conta, quase toda financiada pelo BNDES, com recursos do Tesouro. Os interessados também querem que haja uma garantia da demanda de passageiros por meio de subsídios ou de mágicas financeiras. A tarifa, que começou em R$ 103 e agora está liberada, sob um teto de R$ 206 na classe econômica do trecho Rio-SP.
Técnicos do BNDES que estudaram o projeto viram que um trem para o percurso Rio-São Paulo-Campinas, consumindo R$ 11 bilhões em túneis, é obra de prioridade discutível. Pelas contas de hoje, o trem-bala seria um bom negócio no eixo Campinas-São Paulo-São José dos Campos, mas a prioridade de uma obra dessas poderia ser discutida com o arquiteto Hemiunu, aquele que construiu a pirâmide de Quéops.
Num governo com oito meses de vida e com um candidato oposicionista que não acredita no trem-bala, soa estrondosa a revelação feita à repórter Maria Cristina Frias por Dilma Rousseff, sob cuja coordenação está o projeto: “A primeira fase vai até São José dos Campos, que tem um aeroporto de porte internacional. (…) Além disso, você revitaliza Viracopos”. Ou seja, um trem-bala que iria do Rio a São Paulo irá de Campinas e São José dos Campos. Como esse será o trecho barato da obra física (noves fora a compra bilionária de trens e equipamentos), sobrará para o futuro o caroço dos túneis e das pontes na Serra do Mar.
O governo levou dois anos para desfazer a lambança do projeto de 2007. Agora, quer apressar o Tribunal de Contas para iniciar a licitação em maio, em plena campanha eleitoral, com todas as ansiedades e promessas típicas desses períodos. Quem achar que há algo de estranho nisso pode ter certeza: há algo muito estranho nisso”
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LULA TEME MARINA
“Quando Lula diz que espera eleger Dilma Rousseff no primeiro turno está informando o seguinte: no segundo turno, um apoio de Marina Silva a José Serra poderá decidir a disputa”.
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LULA E O PADRE ETERNO
“Durante os piores dias da inundação do Rio, Nosso Guia pediu a Deus que tirasse as chuvas do Rio e as levasse para o Nordeste seco. Ainda bem que não se pode garantir que o Grande Mestre tem linha direta com o Padre Eterno. Se tivesse, poderiam responsabilizá-lo pela enchente de Salvador e de 40 municípios do Recôncavo”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:31

Empresário aplaude Lula e vota Serra

Das repórteres Cristiane Agostine e Ana Paula Grabois, do ‘Valor Econômico’:
“O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi bom para o setor empresarial e será lembrado como um período de forte crescimento do setor produtivo, segundo empresários e dirigentes de grandes grupos industriais. Em enquete realizada pelo Valor na terça-feira, na entrega do prêmio “Executivo de Valor 2010″, todos os que responderam à sondagem informaram que suas empresas cresceram de forma significativa nos últimos oito anos. Dos 142 empresários que participaram da pesquisa, nenhum disse que nesse período sua companhia estagnou ou encolheu. No entanto, a maioria pretende votar na oposição na eleição presidencial de outubro. José Serra (PSDB), ex-governador de São Paulo, recebeu 78% dos votos. A candidata do presidente Lula, ex-ministra Dilma Rousseff, teve 9% das intenções de voto. A pré-candidata do PV, senadora Marina Silva, conquistou 5,6% dos votos e o deputado Ciro Gomes, do PSB, teve apenas um voto, 0,7% do total.
O governo Lula é bem avaliado, segundo a sondagem: 52,8% consideram a gestão ótima ou boa e três em cada quatro empresários disseram que suas companhias ganharam muito no governo Lula. Apenas 6,3% classificam a administração como ruim ou péssima. A visão positiva em relação ao governo, entretanto, ainda não foi convertida em intenção de voto para a petista. Entre os que informaram que suas empresas cresceram muito, Dilma recebeu 9,3% dos votos e Serra, 79,4%.
Os empresários responderam três perguntas, sem se identificar e depositaram o voto em uma urna.
Durante a premiação, empresários ouvidos pelo Valor evitaram revelar a preferência por um candidato, mas apontaram a prioridade do próximo governo: o controle dos gastos públicos. A redução de gastos correntes, analisaram, ajudaria o país a ter mais recursos para investir em obras de infraestrutura. Na análise do presidente executivo da Vale, Roger Agnelli, o sucessor de Lula deverá atuar no controle de gastos. “Isso pode mexer na economia como um todo”, disse. Walter Schalka, presidente da Votorantim Cimentos, reforçou: “Não podemos ficar sustentando a máquina pública. Precisamos de um choque de gestão”.
A questão é mais relevante do que uma eventual mudança no câmbio, avaliou Harry Schmelzer Junior, presidente da WEG. “É preciso ter controle de gastos. Mesmo quando a economia está favorável o governo continua aumentando o custeio. É o problema do governo e Dilma vai ter que mostrar como vai reverter isso.”
Para empresários, ainda não está claro qual candidato está mais identificado com a questão cambial ou com o controle de gastos. Na avaliação de Mario Longhi, CEO da Gerdau Ameristeel, “é muito cedo para saber qual vai ser o posicionamento dos candidatos”. “É preciso saber o que cada um vai defender”, afirmou. Pedro Janot, presidente da Azul Linhas Aéreas, contudo, já definiu o voto e considera que Serra tem perfil adequado para reduzir gastos correntes. “O controle maior do gasto público e a reforma tributária terão que sair. É o que vai desonerar a produção e fazer o Brasil crescer. Serra está mais preparado, tem mais arcabouço para fazer essa mudança”, disse Janot.
A maioria dos empresários disse não ter perspectiva de grandes mudanças no rumo da economia. Seja quem for o sucessor de Lula, deverá manter os eixos básicos da política econômica conduzida pelo governo federal. “Pode girar dez graus para a direita, dez graus para a esquerda, mas não vai mudar muito mais do que isso. O que aconteceu em 2002 não se repetirá. A campanha terá a tranquilidade de 2006″, afirmou Schalka. “A mudança econômica que qualquer um dos candidatos fará será marginal.” Para o presidente da Suzano Papel e Celulose, Antonio Maciel Neto, a “agenda está dada: responsabilidade fiscal, investimento e câmbio flutuante.” Agnelli, da Vale, ressaltou que “o rumo está traçado” e “não haverá mudanças”. Empresários, no entanto, ressalvam que pouco foi dito até agora pelos pré-candidatos sobre o tema.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), deve manter a prioridade à formação de grandes conglomerados nacionais, defenderam empresários como Walter Schalka. “O trabalho que (Luciano) Coutinho fez no BNDES foi fantástico. Gerou investimentos e competitividade. Precisamos incentivar esse tipo de ação para ter representatividade maior na economia internacional”, analisou. A estratégia do BNDES, no entanto, não tem consenso. “O banco poderia se voltar para pequenas e médias empresas”, comentou o diretor presidente da Natura, Alessandro Carlucci. “Tem que ter equilíbrio e é preciso contemplar todos os lados”, disse Schmelzer Junior.
O governo Lula, na visão de empresários, acertou ao promover uma política de valorização do salário mínimo, “que ajudou a aumentar o consumo e estimular a economia”, e na criação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “A política do salário mínimo é boa e deve ser mantida. É melhor do que o Bolsa Família, que é bom, mas não é sustentável”, comentou Carlucci. Poucos sugeriram mudanças profundas no PAC, principal programa do governo e bandeira de Dilma na campanha eleitoral, mas apontaram que é preciso ter mais “velocidade” e “investimentos” no programa”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:22

José Simão não poupa Cabral

Do colunista José Simão, da ‘Folha’:
“E o Rio? Cabral descobriu o Brasil e o Rio descobriu o Cabral! E o Cabral falou que o problema está nas encostas. Ou seja, descobriu o Brasil! E área de risco é o Brasil inteiro. E eu não quero fazer humor negro, mas olha essa: Rio Boat Show adiado! E a Arca de Noé é a próxima obra do PAC. Programa de Ampliação das Cheias! E essa eu vou ter que repetir: “Querido Noé, quando a arca estiver pronta, não se esqueça do par de antas”. Assinado: Paes e Cabral!”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:19

Aloysio: “Dilma está aturdida”

O ex-ministro de FHC e principal articulador político da gestão José Serra (PSDB) no governo de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira diz que os ataques da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (PT) ao tucano são uma forma de encobrir os problemas do governo Lula na gestão do PAC. Aloysio deixou o cargo de secretário estadual da Casa Civil junto com Serra para disputar uma vaga no Senado, e diz que irá se empenhar na campanha presidencial.
Ao repórter Sérgio Roxo, de ‘O Globo’, ele deu a aeguinte entrevista:
- O que o senhor achou da declaração da ex-ministra Dilma Rousseff de que aceita um embate no campo ético com o PSDB?
- Estamos prontos para uma comparação em qualquer terreno. Nós damos de 10 a 0 em qualquer terreno.
- E o fato de a Dilma ter falado que Serra planejou o apagão quando era ministro do Planejamento?
- É uma forma de encobrir o fiasco da sua função de gestora do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em que a maior parte das obras ficara inconclusa.
- O senhor acredita que o tema da campanha serão sempre esses ataques?
- Acho que não. Daqui a pouco começam (outros assuntos). Ela (Dilma Rousseff) deve estar um pouco perdida sem a tutela do presidente Lula, agora que não é mais ministra. Deve estar um pouco aturdida com a nova situação.
- As citações de questões éticas feitas por Serra no discurso de despedida são uma forma de confronto com adversários?
- Quem vestiu a carapuça é que tem que se explicar. O governador José Serra fez no seu discurso um apanhado do conjunto de princípios que regem a sua vida pública. Entre esses princípios está esse, do respeito ao dinheiro público, à gestão ética, à transparência, à responsabilidade.
- Qual será o seu papel na campanha de Serra?
- Estou absolutamente envolvido na campanha dele, convencido de que ele é o melhor para o Brasil neste momento. Vou me empenhar como se fosse minha própria campanha.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:06

Lula ironiza multa do TSE

De Tatiana Farh, no ‘Globo’:
“Antes de ser punido novamente por propaganda antecipada em favor da petista Dilma Rousseff decisão tomada ontem à noite pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizara, à tarde, a primeira multa imposta a ele este ano, por um ministro da corte, no valor de R$ 5 mil e pelo mesmo motivo. Na inauguração de um conjunto habitacional construído pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Osasco (SP), Lula disse que não falaria o nome de uma pessoa (Dilma), mas incitou o público a gritar por ela.
Lula também afirmou que viajará o ano inteiro para inaugurar obras.
Estamos fazendo um processo de reparação. E tenho certeza que isso vai continuar. Não posso, já disse a vocês, citar nome, porque já fui multado pela Justiça Eleitoral em R$ 5 mil, porque eles disseram que falei o nome de uma pessoa. Então, para mim, não tem nome aqui disse Lula, logo após o discurso de Dilma.
Com a incitação, disfarçada de bronca por ter recebido a multa, o público começou a gritar: Dilma! Dilma!.
Lula então afirmou que não pagaria a multa de Osasco e disse ao público que mandaria a conta para as pessoas que gritavam o nome da ministra-candidata do PT à Presidência: Se for multado, vou trazer a conta para vocês. Quem é que vai pagar a minha multa? Levanta a mão aí, para saber se vocês vão pagar a multa. Eu vou cobrar, viu, Emídio? Eu vou cobrar disse o presidente, dirigindo-se ao prefeito de Osasco, Emídio de Souza.
O público então respondeu com as mãos erguidas, como se assumisse a dívida de uma eventual multa.
Lula avisou ao público, cerca de mil pessoas segundo a assessoria da Presidência, que voltará a Osasco para nova inauguração: Nós vamos voltar aqui, porque este ano é o ano que eu vou viajar o Brasil inteiro, para a gente inaugurar todas as coisas que nós estamos aprontando neste país afirmou: Hoje, posso dizer a vocês sem medo de errar: não existe uma cidade do Brasil que não tenha uma obra do governo federal”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:40

Governo enfim fez uma obra

Todos os jornais do Rio e de São Paulo, destacam o fato de Dilma Rousseff ter inaugurado um hospital na Baixada Fluminense, que não recebeu um único centavo de verba federal.
No site do governo do Estado, é dito que a inauguração foi feita pelo governador Sergio Cabral, e Dilma apenas assistiu ao ato.
O mais extraordinário de tudo isso é o governo do Estado ter realizado uma obra com seus próprios recursos.
Talvez seja a única.
O que o governo do Rio mais faz é repassar tarefas para a prefeitura, como é o caso da Linha Vermelha ou do Bondinho de Santa Tereza; a realização de obras com dinheiro federal, o PAC é o melhor exemplo; a tercerização de serviços, como o aluguel de toda a frota da PM e da Polícia Civil; ou a compra de equipamentos, ao invés de investimento em pessoal, como na Secretaria de Educação, onde o professor não é aumentado, mas ganha computador e ar condionado.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:37

Lula inaugurará meia Rocinha

Da ‘Folha”:
“Principais investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, as obras de urbanismo e habitação não ficarão prontas a tempo da inauguração de segunda-feira, com a presença do presidente Lula. O ministro das Cidades, Márcio Fortes, disse ontem que o presidente limitará a inauguração a um complexo esportivo, a uma unidade de saúde e a um centro para a prática de judô.
Segundo Fortes, só em junho a população da Rocinha desfrutará da abertura de ruas, de 144 novas unidades habitacionais e de planos inclinados -opção às rampas e escadarias do local. O atraso das obras -iniciadas há dois anos e orçadas em R$ 231,2 milhões- está sendo creditado pelo governo do Estado a dificuldades na desapropriação de imóveis.
Batizado de Centro de Integração, o complexo esportivo custou R$ 41,1 milhões. Terá duas quadras de esportes, duas piscinas, campo de futebol, escola de surfe, pista de skate e academia de boxe.
O Complexo de Atendimento à Saúde custou R$ 15,6 milhões. Terá uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), com capacidade de até cem atendimentos por dia, e um centro de assistência à família. O custo do Centro de Judô é de R$ 2,8 milhões.
As obras no complexo do Alemão e em Manguinhos (zona norte) estão mais adiantadas que as da Rocinha, segundo a assessoria do vice-governador Luiz Fernando Pezão, responsável pelo PAC no Estado”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:28

Dilma, candidata sem prévia

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, foi entrevistado pela repórter Andrea Pinheiro, do ‘Correio Braziliense’. Eis o seu texto.
“O médico Alexandre Padilha, 38 anos, ministro das Relações Institucionais, é o responsável pela articulação política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tem a missão de conduzir as relações do Palácio do Planalto com o Congresso, estados e municípios. Nos últimos meses, tem sido visto frequentemente ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República. Padilha é um dos estrategistas da pré-campanha de Dilma e diz que trabalhará integralmente, ?durante o dia e a noite?, para ajudar a eleger os candidatos da base governista.
Mais jovem ministro do governo Lula, Padilha fala sobre a retomada das atividades do Congresso Nacional e do processo eleitoral. Ele aposta que a ministra Dilma conseguirá mobilizar mais militantes em torno de sua eleição do que o próprio presidente Lula e que, na campanha, a liderança e a capacidade de interlocução da pré-candidata petista com os partidos da base e com a sociedade crescerão. Otimista, defende uma eleição polarizada entre a candidato governista e o adversário do PSDB, ainda indefinido.
- Como o senhor acha que a ministra Dilma vai lidar com o próprio PT?
- Eu tenho certeza de que a ministra lidará com isso com a mesma facilidade do presidente Lula. Ela conseguiu algo que nem o presidente Lula conseguiu no PT: ser candidata sem prévia. Em 2002, o presidente teve que enfrentar a prévia contra o senador (Eduardo) Suplicy para ser candidato a presidente. A ministra conseguiu unificar o conjunto do partido em torno do nome dela. O partido compreendeu que a melhor pessoa para a sucessão seria aquela que estaria no centro do governo. Também acho que conseguiu essa unanimidade porque ela nunca operou pessoalmente para ser candidata. A candidatura dela nunca foi um desejo pessoal e nem de uma tendência do PT. Acabou sendo um projeto coletivo. Além disso, nós vamos enfrentar a campanha, e é quando ficará nítida a capacidade de liderança da nossa candidata. Ao longo da campanha, vai crescer ainda mais a capacidade de interlocução dela com os partidos e com a sociedade.
- O PT sempre foi um partido conhecido por sua capacidade de mobilização do eleitorado, mas tinha um líder carismático liderando o partido e concorrendo às eleições. Embora o PT esteja unido em torno de Dilma, ela não é uma ?petista de carteirinha?. O senhor acredita que haverá a mesma mobilização em torno dela?
- Acredito que será ainda maior. Os militantes de todos os partidos da base do governo do presidente Lula e sobretudo aquela população que viu o ciclo de crescimento ininterrupto no país no governo Lula ? desde os setores mais pobres, os setores que migraram para a classe média, aos empresários ? vão querer defender esse governo e vão querer que esse caminho continue.
- Então, vocês apostam mesmo numa eleição plebiscitária?
- Essa eleição, como diz o presidente Lula, é a eleição ?do quem sou eu, quem és tu?. Iniciamos um novo caminho para o país. Respeitamos quem é contra esse caminho, quem tem um caminho alternativo. Mas nós queremos debater com quem é contra quais os rumos para este país. O Brasil não pode permitir retrocesso nem aventura, e nós queremos fazer esse debate.
- Como o governo tem se preparado para a saída da ministra Dilma do cargo e dos outros ministros que concorrerão a cargos eletivos?
- O presidente Lula tem dado sinais de que pretende manter a máquina andando, quer a continuidade das políticas, e pretende manter a economia acelerada. A tendência é que os ministros que saem sejam substituídos por alguém da própria área.
- Qual é exatamente o seu papel na pré-campanha da ministra Dilma?
- O que faço no governo é manter a base unida. Acho que posso contribuir para a coordenação da campanha no sentido de fazer esse diálogo com os parlamentares. Temos o coordenador da campanha, que é o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e outros membros. O Dutra vai conversar com os demais partidos para compor uma coordenação mais formal de campanha. E o meu papel é ajudar o presidente Lula a terminar o governo, e a ministra Dilma naquilo que ela nos demandar nessa pré-campanha.
- O senhor tem sido visto muito ao lado dela ultimamente?
- Isso é por conta da relação com os governos estaduais e municipais. Eu dirigi a Secretaria de Assuntos Federativos e isso fez com que tivesse papel permanente com os governos estaduais e municipais. E, como há as viagens com os governadores envolvidos e as obras do PAC, isso faz com que a gente seja convidado. - Muito se fala sobre a guinada mais à esquerda do PT a partir do congresso do partido. Como o senhor avalia essa questão?
- O congresso do partido mostrou que a grande maioria do PT compreende que a mudança já começou no governo do presidente Lula, que a inflexão na política econômica nós já fizemos no nosso governo, quando colocamos como objetivos centrais a manutenção do crescimento, a redução do desemprego, da pobreza e da vulnerabilidade externa. Fizemos isso mantendo os instrumentos da política macroeconômica, metas de inflação, superávit primário e câmbio variável, fazendo com que essas metas fossem submetidas a esses ajustes fiscais. E o PT tem a percepção de que o governo da futura presidenta Dilma tem que dar continuidade a esse mesmo caminho”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:23

Marina quer governar com PSDB e PT

Da repórter Ana Flor, da ‘Folha’:
“A pré-candidata do PV à Presidência, senadora Marina Silva (AC), afirmou ontem que pretende fazer um “realinhamento histórico”, no qual quer governar “com os melhores do PSDB e os melhores do PT”.
Marina participou da gravação do programa da Rede TV! “É Notícia”, do repórter da Folha Kennedy Alencar. A entrevista vai ao ar à 0h15 da próxima segunda-feira.
“Enquanto o PT e o PSDB não conversarem, vai ficar muito difícil uma governabilidade [...] Devíamos ser capazes de estabelecer uma governabilidade básica, onde o PT e o PSDB digam: “Naquilo que é essencial para o Brasil, nós não vamos colocar em risco a governabilidade’”, disse.
A senadora criticou as alianças dos dois partidos com forças políticas mais à direita. “O presidente Fernando Henrique ganhou sozinho e, para governar, teve que ficar refém do Democratas; o presidente Lula [ficou refém], dos setores mais retrógrados do PMDB. Isso não é bom para o Brasil”, afirmou.
Marina disse ainda que sua candidatura representa um “leque de alianças sui generis”, que não é de partidos, mas tem base na sociedade.
No núcleo da campanha de Marina, há defensores da ideia de que o PT e o PSDB são muito mais próximos, em termos ideológicos, do que as alianças que deram sustentação aos governos FHC (1995-2002) -PSDB e DEM- e Lula (desde 2003)- PT e PMDB.
Ao falar do papel do Estado, a senadora defendeu um “Estado necessário”, que seja “eficiente, inteligente e transparente”. Fez, entretanto, críticas ao modelo estatizante, e pregou um Estado “que saia cada vez mais da visão de querer ser dono de tudo e ainda do resto”.
Marina fez críticas, às vezes veladas, em outros momentos escancaradas, à pré-candidata petista ao Planalto, a ministra Dilma Rousseff. Segundo ela, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), menina dos olhos de Dilma, “é uma colagem de vários empreendimentos”, nos quais Estados e municípios também têm méritos.
As maiores críticas foram sobre a atuação de Dilma na cúpula do clima, em Copenhague, e em sua visão desenvolvimentista, que deixaria o meio ambiente em segundo plano. Nesse ponto, sobraram críticas também a Lula.
Marina afirmou não saber se o gesto de reforçar políticas ambientais -como a adoção de metas para redução de emissão de gases-estufa-, foi “fruto de aprendizagem” ou de medidas “conjunturais, por causa da disputa eleitoral de 2010″.
Mesmo assim, elogiou Lula e seu governo diversas vezes durante a entrevista. Afirmou que o presidente foi “uma pessoa fundamental” na sua vida.
Marina fugiu de respostas objetivas mais de uma vez. Ao ser questionada se apoiava ou não a redução da jornada de trabalho para 40 horas, lembrou seu passado sindical, mas não confirmou. Também fugiu da palavra “ditadura”, quando a questão foi sobre o governo cubano, apesar de afirmar que não se pode “relevar” princípios como a democracia e liberdade de expressão.
A política internacional pareceu ser uma área de grande divergência de Marina com o atual governo. Além de criticar Cuba, Marina se disse preocupada com o apoio brasileiro ao governo do Irã”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:10

Planalto está irritado com Cabral

De Fernanda Krakovics, no Panorama Político do ‘Globo’: 
“O governo federal não deve trabalhar para implodir a candidatura de Anthony Garotinho (PR), como quer o governador Sérgio Cabral (PMDB).
?Candidato a presidente não recusa apoio. O ideal sempre é ter um candidato único da base aliada, mas, em alguns estados, isso não é possível, devido à realidade local?, diz o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) sobre o Rio.
O Palácio do Planalto ficou irritado com as cobranças públicas feitas por Cabral. Integrantes do governo afirmam que o governador não está em condição de fazer exigências.
Dizem que, sem a ajuda do governo federal, ele não teria conseguido levar as Olimpíadas para o Rio e que ainda está sendo beneficiado com investimentos, sobretudo em obras do PAC. Só na urbanização do Complexo do Alemão são R$ 800 milhões. E o apoio do PT já é um indicativo de que esse é o palanque preferencial. Cabral disse a Dilma, no domingo, em conversa reservada, que era muito ruim ter dois palanques. A ministra não respondeu”.

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