• Sexta-feira, 17 Setembro 2010 / 10:01

Mulher de Serra prega voto nulo

    Monica Serra, esposa do candidato tucano, está fazendo – abertamente – o que muitos políticos fazem escondido. Pregando o voto nulo para a segunda vaga no Senado.
Ela participou ontem de uma caminhada em São Paulo, ensinando o eleitor a votar em Aloysio Nunes Ferreira e nulo no segundo nome.
Ela tem um bom argumento: “Nosso outro nome na chapa não está mais” – Orestes Quércia, que renunciou à candidatura por questões de saúde.

  • Quarta-feira, 04 Agosto 2010 / 1:57

Mercadante gasta mais que Dilma

        Dos repórteres Cristiane Agostine e Vandson Lima, do ‘Valor Econômico’:
“Lanterninha na disputa pelo governo de São Paulo, com 2% das intenções de voto, o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo Paulo Skaf (PSB) arrecadou R$ 3,49 milhões no primeiro mês de campanha. A receita é R$ 110 mil menor do que a da campanha presidencial de José Serra (PSDB), que recebeu R$ 3,6 milhões, de acordo com o primeiro balanço parcial registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A candidatura do PSB gastou R$ 1,8 milhão, entre viagens de Skaf e material publicitário para a campanha. O valor das receitas obtidas corresponde a quase 7% do que foi previsto como gasto máximo, de R$ 50 milhões.
As doações recebidas pelo empresário e ex-presidente da Fiesp equivalem a quatro vezes a receita da campanha do senador Aloizio Mercadante (R$ 840 mil) ao governo paulista. A candidatura petista, até o dia 02 de agosto, assumiu despesa de R$ 12 milhões, segundo a assessoria de Mercadante. O gasto é maior do que o registrado pela candidatura do PT à Presidência. O petista arrecadou 1,8% do teto para gastos com campanha registrado no TSE.
A campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) recusou-se a informar o balanço parcial. O TSE deve divulgar os dados fornecidos pelos candidatos na sexta-feira.
Em terceiro lugar nas pesquisas de opinião de voto, atrás de Alckmin e Mercadante, o candidato do PP, Celso Russomano, recebeu R$ 140 mil. Representando o PV na disputa pelo governo paulista, Fabio Feldman declarou receita de R$ 300 mil. Segundo o tesoureiro da campanha do PV, Marco Antônio Mróz, a expectativa é de ter R$ 3 milhões em caixa até o fim deste mês. “Não tivemos tempo para arrecadar”, comentou.
Na disputa pelo Senado, o candidato do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, recebeu pouco mais do que Mercadante: R$ 850 mil. Colega de chapa de Aloysio, Orestes Quércia, do PMDB, declarou ter recebido R$ 143 mil e gasto R$ 120 mil”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:55

Partidos querem 3º candidato

De Renata Lo Prete, no Painel, da ‘Folha’:
“Políticos do governo e da oposição aguardam ansiosos a resposta do TSE a três consultas sobre a possibilidade de incluir candidatos a senador numa chapa sem necessidade de coligação nacional entre os partidos que a integram. Na prática, trata-se de decidir se um candidato a governador pode “carregar” mais de dois candidatos ao Senado. Em busca de argumentação jurídica que sustente o voto dos ministros, técnicos do tribunal apelidaram sua obra de “emenda Rio”. Nesse Estado, se a resposta do TSE for favorável, Sérgio Cabral (PMDB) -e por tabela Dilma Rousseff (PT)- poderá contar com a trinca Lindberg Farias (PT), Jorge Picciani (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB) -este último hoje sem lugar na chapa.
No campo adversário, a brecha permitiria a Fernando Gabeira (PV), que terá um tucano como vice, compor a chapa para o Senado com Cesar Maia (DEM), um nome do PPS e mais a “verde” Aspásia Camargo.
Os efeitos da eventual licença do TSE vão além do Rio. Em São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que já tem como candidatos ao Senado Orestes Quércia (PMDB) e um tucano a ser definido, finalmente encontraria um lugarzinho para acomodar Romeu Tuma (PTB)”.
                       * * *
E serve também para a Oposição paulista,
Na chapa de Mercadante, a candidata ao Senado será Marta Suplicy, do PT.
A segunda vaga está sendo disputada pelo vereador-pagodeiro Netinho de Paula, do PCdoB, e pelo ex-secretário Gabriel Chalita, do PSB.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:42

Ciro condena aliados adversários

Da repórter Malu Delgado, na ?Folha?:
?Enfático sobre a decisão de disputar a Presidência, o deputado federal e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) disse ontem em São Paulo que as “circunstâncias políticas” o diferenciam do governador José Serra (PSDB) e da ministra Dilma Rousseff (PT).
“Numa coalizão preferencial de PT com PMDB, a Dilma tem que explicar o [José] Sarney e o Renan [Calheiros]. O Serra tem que explicar o [Orestes] Quércia. Eu não tenho que explicar nada”, disse, após gravar no programa do Ratinho, no SBT.
“Faço uma opção. É sofrida para mim, porque perco condições práticas, não tenho os minutos de TV. Mas não posso, com o que eu penso, com o que eu proponho, explicar essas circunstâncias”, acrescentou.
Após novamente criticar as alianças feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com o então PFL e pelo presidente Lula com o PMDB, Ciro admitiu que, se eleito, também teria de lidar com o que classifica de “escória”.
“Tenho que lidar com isso, mas com uma hegemonia moral diferente. Sou francamente favorável a alianças.”
Ao ser questionado se insistirá na disputa à Presidência mesmo sem o apoio do PSB, o ex-ministro reagiu: “Vou com meu partido aonde ele for”. Emendou que agiu e age em “articulação perfeita” com o presidente da sigla, governador Eduardo Campos (PE).
Ciro reiterou que sua candidatura ao governo paulista é uma “exótica possibilidade”. Disse ter informado aos nove partidos que lhe propuseram aliança no Estado que “estão liberados a experimentar suas alternativas de candidatura”.
“Até porque não considero que São Paulo precise de mim, pessoa física.” Uma das alternativas apontadas por ele foi o ex-jogador de futebol Marcelinho Carioca (PSB), com quem circulou ontem a tiracolo.
Para o ex-ministro, a ascensão de Dilma na última pesquisa Datafolha (24 e 25 de fevereiro) “mais revela notoriedade que preferência”.
Sobre Serra, Ciro afirmou não ter “nenhuma desafeição” por ele e novamente disse crer que o tucano “não será candidato à Presidência” devido a riscos, problemas administrativos que enfrenta em São Paulo e pela “dificuldade de encaminhar a sucessão no Estado”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:50

Um perfil de Michel Temer

O repórter Caio Junqueira produziu hoje o mais completo perfil do presidente da Câmara, Michel Temer, pré-candidato do PMDB à vice-presidente na chapa encabeçada por Dilma Rousseff. O texto foi publicado no ‘Valor Econômico’:
“Foi em uma viagem de três horas e meia entre Natal e São Paulo, em setembro de 2008, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB), entre goles de uísque, consolidaram seu relacionamento partidário e pessoal. Apararam arestas, reduziram desconfianças mútuas e discorreram longamente sobre suas trajetórias que, de semelhante, têm apenas o êxodo das famílias para São Paulo em busca de melhores condições de vida. O restante de suas histórias os distancia, mas isso não será obstáculo para que o deputado seja avalizado pelo presidente como o vice na chapa governista encabeçada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Caçula temporão de oito irmãos – Salim, Sumaia, Tamer, Fued, Elias, Adib e Jorge – filhos de um casal de imigrantes libaneses foragidos das dificuldades do pós-guerra em seu país nos anos 20, Michel Miguel Elias Temer Lulia, 69 anos, paulista de Tietê (159 km a noroeste de SP), tem a chance de vencer a primeira eleição majoritária de seus 27 anos de vida pública.
Sustenta a expectativa na suposta capacidade que o presidente tem de transferir sua popularidade e votos a uma dupla composta por uma técnica sem carisma e um jurista sisudo e rigorosamente formal.
Temer só chegou a cargos executivos por meio de nomeações, como nas duas vezes em que ocupou a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, nos governos pemedebistas de Franco Montoro (1983-1987) e Luiz Antonio Fleury Filho (1991-1994), do qual também foi secretário da Casa Civil. Quando tentou articular uma pré-campanha ao governo do Estado, como na sucessão de Fleury Filho, em 1994, foi atropelado pelo atual presidente da Assembleia paulista, Barroz Munhoz (hoje no PSDB); e na sequência ao governo Mário Covas/Geraldo Alckmin (PSDB), em 2002, quando o ex-governador paulista Orestes Quércia articulou para barrar seu nome. Quando finalmente conseguiu emplacar como vice foi um fracasso eleitoral. Aconteceu em 2008, na disputa pela prefeitura paulistana, ao lado de Luiza Erundina (PSB). Amargaram um quarto lugar, com 4% dos votos.
Mesmo para a Câmara dos Deputados, onde está desde 1987, só foi eleito diretamente em 1995. Nas eleições de 1986 e 1990, estava na suplência e só assumiu porque os titulares deixaram o cargo. Em 2006, seus 99 mil votos em um universo de 30 milhões quase o tiraram da vida pública. Ficou com a vaga apenas na divisão das sobras do quociente eleitoral.
Relembrado dos péssimos números, aponta como motivo o fato de fazer política por Brasília, e não por São Paulo. “Sempre preferi a macropolítica em vez da micropolítica. Vejo colegas com clientela no fim de semana, recebendo um monte de gente. Eu não tenho muito isso”, explica ao Valor em seu espaçoso escritório político no Itaim, zona oeste de São Paulo.
Na macropolítica, Temer passeia. Desde sua eleição “de fato” para a Câmara, em 1995, conseguiu colocar seu gabinete como ponto obrigatório de passagem dos altos escalões da República, tanto no governo Lula como no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). E é aí que residia – e ainda reside – a principal aresta entre ele e os petistas. Temer foi, depois da segunda metade do primeiro mandato de FHC, um dos principais auxiliares dos tucanos no Congresso. Sua primeira eleição para a presidência da Câmara – com o apoio do Planalto – foi resultado de seu esforço em levar parte do PMDB a aprovar a emenda da reeleição. A segunda vez em que ocupou a presidência, em 1999 e 2000, decorreu da costura política que realizou para que o PMDB fechasse informalmente apoio a FHC nas eleições de 1998 e, de forma oficial, com o governo no segundo mandato. No discurso de posse na segunda presidência da Câmara, rasgou elogios a FHC, “um dos mais eminentes homens da história republicana, destacado por seu preparo, sua visão da geopolítica internacional, pelo equilíbrio com que vem comandando o mais arrojado programa de mudanças do Brasil contemporâneo”.
Mudanças que ganharam celeridade quando usou seus conhecimentos no direito para criar interpretações que agilizaram o processo legislativo. No governo tucano, as reformas caminharam mais rápido depois que as emendas puderam ser promulgadas mesmo sem todos os dispositivos aprovados. Fez algo parecido no ano passado, dessa vez em prol da Câmara, quando uma reinterpretação da tramitação das medidas provisórias fez com elas não mais trancassem a pauta da Casa.
Em suas movimentações políticas, contou com o apoio do grupo com o qual atua até hoje, cuja característica é a maleabilidade política e a capacidade de ocupar espaço no Executivo em troca de apoio no Legislativo. Compõem o grupo Henrique Eduardo Alves (RN), atual líder do PMDB na Câmara; o ex-governador do Rio Moreira Franco, atual vice-presidente da Caixa Econômica Federal e assessor especial de FHC entre 1998 e 2002; e Geddel Vieira Lima (BA), atual ministro da Integração Nacional, que foi líder do PMDB na Câmara entre 1997 e 2002.
A estratégia comum do grupo consiste em, inicialmente, proclamar independência e autonomia em relação ao governo e ameaçar barrar seus projetos no Legislativo. O Executivo, ciente do poder do PMDB e de suas grandes bancadas – não raro as maiores na Câmara e no Senado -, cede e aumenta a participação da legenda no governo, seja nos ministérios, seja no acesso aos recursos públicos federais pelas prefeituras pemedebistas, sempre ao redor de mil das 5.645 do país. Por fim, o grupo acaba aderindo totalmente ao governo.
O expediente utilizado nos anos FHC repetiu-se sob a era Lula. No primeiro mandato do petista, Temer proclamou a independência de seu grupo, o que fez com que o governo passasse apuros na Câmara, já que no Senado José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL) garantiam ao menos parte da sigla com o presidente. No segundo mandato, atendeu ao pedido de Lula por um PMDB inteiro na base e aderiu ao governo. Em troca, ocupou espaços no governo federal.
Essa prática política fez com que o partido ganhasse a pecha de fisiologista e pragmático, da qual Temer, presidente da legenda desde 2001, discorda. “Nem pragmatismo nem fisiologismo. Essa é a realidade conceitual da política. O PMDB, maior partido do país, apoia o governo. Lula conseguiu implantar todas as políticas sociais porque o PMDB deu apoio a ele. Agora, ele é fisiológico porque participa do governo? Estranho seria o PMDB apoiar o governo e não ter nenhum cargo”, afirma.
Para ele, é a característica do sistema político brasileiro que propicia esse tipo de relação. “Se o governo não fizesse uma aliança com o PMDB, conseguiria governar com cento e tantos votos contrários na Câmara e 21 contrários no Senado? Isso não é uma ameaça do PMDB, é uma realidade política. Se estivéssemos no parlamentarismo ninguém faria essa pergunta porque nele se faz coalizões. Aqui, de uma forma ou de outra, temos um arremedo do parlamentarismo: é preciso fazer uma coalizão no presidencialismo”.
O valor da “realidade política” a que Temer se refere pode ser medido em votos. No governo FHC, o apoio ao tucano lhe valeu, além da dupla presidência na Câmara, indicações para a diretoria da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o porto de Santos. O resultado veio em 2002. Temer teve o maior número de votos em sua história: 252.229.
Com a vitória de Lula neste mesmo ano, o deputado afastou-se do poder central, perdeu o controle de Santos – dividido entre PT e PSB -, não ocupou cargos na Mesa e não indicou nomes para nenhum órgão federal. Passados quatro anos, teve a pior votação de sua história, 99.046, e só pôde assumir com as sobras do quociente eleitoral.
Ali viu que o casamento com o PT e Lula era uma questão de sobrevivência política. Fez-se, então, o acordo, semelhante ao realizado com FHC. O PMDB apoiou o petista Arlindo Chinaglia (SP) para a presidência da Câmara. Temer sagrou-se seu sucessor e, de quebra, arrematou indicações para cargos federais, mantidos até hoje: Wagner Rossi na presidência do Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Moreira Franco na Caixa, Miguel Colasuonno na Eletronorte (diretor administrativo) e Raze Rezek, irmão do deputado estadual paulista Uebe Rezek, na coordenação paulista da Funasa.
Temer vê essa participação ativa nos governos dos arquirrivais PT e PSDB com naturalidade. “O PMDB se tornou um partido congressual e rótulos de esquerda ou direita não existem mais. O que o cidadão quer é política de resultados. Só houve controle da moeda e da inflação porque o PMDB apoiou FHC no Congresso. E se o PMDB estivesse contra as medidas sociais do governo Lula, ele não teria feito o maior plano de inclusão social que ele fez ao longo desses anos. Percebe?”
Evita, porém, comparar as duas gestões. “Precisamos ter consciência de que os governos têm uma sequência. Uns podem ir melhor que outros, mas todos têm uma âncora positiva ou negativa no passado. Este governo [Lula] tem uma âncora no passado na questão do Plano Real, por exemplo. Se não tivesse estabilidade da moeda não sei se esse grande plano de inclusão social que o Lula conseguiu fazer sairia do papel”, diz.
A profusão de elogios tanto ao governo FHC quanto a Lula deixa os petistas receosos. Temer sempre foi tido como “o mais tucano dos pemedebistas”. Em 2002, foi um dos coordenadores da campanha presidencial de José Serra (PSDB). Seu padrinho político, o ex-governador de São Paulo Franco Montoro, foi um dos fundadores do PSDB. Eleito governador em 1982, deu a Temer seu primeiro cargo público, de procurador-geral do Estado.
Até então, Temer acompanhava a vida política do país à distância. Formado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco às vésperas do golpe militar de 1964, passou todo o regime advogando, dando aulas de direito e exercendo o cargo de procurador do Estado. Nos anos 70, compôs um dos mais importantes grupos de estudiosos de direito público do país, estruturado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com Celso Antonio Bandeira de Mello – considerado seu melhor amigo -, Celso Bastos e Geraldo Ataliba. O livro de Temer, “Elementos de Direito Constitucional”, é dos mais utilizados entre estudantes de direito.
Assim que foi eleito governador, Montoro nomeou o advogado e ex-ministro da Justiça de FHC José Carlos Dias para a Secretaria de Segurança e pediu nomes para a Procuradoria. Dias lembrou de Temer, que Montoro conhecia da PUC. Acabou levando o cargo. Meses depois, Dias deixou a secretaria e indicou Temer para ocupá-la. Montoro encampou a ideia e Temer assim chegou, pela primeira vez, a um cargo executivo de alto escalão. A gestão foi marcada por protestos e ocupações, comuns naqueles tempos de redemocratização, e nos quais Temer começou a mostrar sua habilidade política e capacidade de conciliação. Evitava usar a força policial para invadir prédios ocupados por representantes do movimentos sociais. Ao contrário, entrava ele mesmo com seus assessores para negociar as retiradas.
Montoro deixou o PMDB em 1988 para fundar o PSDB, com Covas, Serra e FHC, mas aconselhou Temer a permanecer no partido, para não correr o risco de ser “ofuscado pelas estrelas”. Temer titubeou, mas acabou ficando. “O partido estava desfalcado. Os grandes líderes estavam saindo. Em outras palavras, lá no PSDB ia ter muito cacique”, lembra.
Voltou a assumir a Segurança dias após o episódio do Carandiru, em que uma rebelião de presos no então maior presídio do país resultou em chacina com as mortes de 111 detentos. Sua missão ali era pacificar a polícia e a sociedade civil, em especial, as organizações de direitos humanos. Acabou ficando dois anos e meio no cargo.
Na entrevista ao Valor, o deputado definiu-se como um “conciliador”. Uma descrição que coincide com a percepção que outros políticos têm dele: “cerimonioso”, “diplomata”, “não entra em bola dividida”, “cordato”, “não é capaz de dizer um palavrão”, “comedido”, “preserva-se de vícios de linguagem” e “tem grande preocupação em não trombar com ninguém”.
Nem assim conseguiu evitar alguns enfrentamentos políticos. O maior, circunstancial, foi com o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM), morto em 2007. Em 1999, discordâncias quanto à reforma do Judiciário fizeram com que ACM dirigisse fortes ataques a Temer, a quem chamou de “bajulador do governo”. Veio o revide: “Quem atravessou a praça dos Três Poderes para pedir ao presidente que ajudasse um banco falido não fui eu”, numa referência às relações entre ACM e o banqueiro Ângelo Calmon de Sá, do Banco Econômico.
ACM, porém, não foi o maior adversário de Temer. O posto é ocupado até hoje pelo ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista desde 1994. A relação entre os dois é espinhosa e turbulenta. Dificilmente estão juntos politicamente, situação que se repetirá neste ano: Quércia está com o PSDB e Temer, com o PT. Há quatro anos, Temer estava com o PSDB, Quércia, “independente”. Em 2002, Quércia foi de Lula e Temer, de Serra. Em 1998, Temer apoiou FHC e Quércia, a “independência”.
Para os quercistas, Temer não é confiável. Já aliados de Temer consideram que Quércia tem “ciúmes” do destaque nacional ocupado pelo presidente da Câmara. “Se eu fosse depender da cúpula do PMDB paulista para ser alguma coisa, eu não seria nada”, disse Temer. Em 2006, por exemplo, havia acordo para que ele fosse vice do então candidato a governador José Serra. Quércia, em junho, lançou sua candidatura e tornou inviável a composição. Depois, retirou a candidatura.
Temer fracassou nas tentativas de tirar Quércia da presidência regional do partido, algumas delas sangrentas. Hoje, controla cerca de 40% do diretório e ultimamente optou por fazer acordo com o ex-governador: em troca do apoio de Quércia no PMDB nacional, dá apoio a Quércia no PMDB paulista. Essa política deve se manter até a próxima disputa, dentro de dois anos, uma vez que os operadores de Temer no Estado já fazem os cálculos para tentar, mais uma vez, desbancar Quércia. Não querem que o vice-presidente – se eleito, evidentemente – não domine o diretório de seu Estado.
Mas a indicação a vice ainda terá que vencer alguns obstáculos – como a cautela de petistas em relação ao seu nome, as preferências do próprio Lula, além das articulações dos dois partidos nos Estados – para se concretizar. Rumores dão conta que o preferido de Lula para vice de Dilma é o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Já Hélio Costa, ministro das Comunicações e pré-candidato do PMDB ao governo de Minas, passou a ser cogitado para dar uma solução à divisão da base aliada em Minas, Estado considerado crucial para a campanha deste ano.
A afamada cortesia de Temer também desaparece quando se menciona as reportagens que o envolvem na Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, sobre supostas ligações ilícitas entre a construtora Camargo Corrêa e políticos. O nome de Temer estaria em uma das planilhas que listam políticos que teriam recebido propina da empresa. “Não tenho nada contra que se noticie o fato, mas fico chateado quando só se conta metade da história, dando prioridade ao lado negativo. É tudo causa dessa história de ser vice”, diz.
Nas três horas de entrevista que deu ao Valor, esse foi a único momento em que o deputado saiu do tom: “Teve um rapaz que escreveu um negócio sobre mim tão doloroso, uma coisa tão biliar, como se eu fosse um reles, rasteiro, vagabundo, ordinário. E pior que uma vez ele almoçou comigo, fez muitos elogios a mim. Mas eu senti que ele tá…” [dando a entender que o jornalista apoia Serra na sucessão]. Conta que não reclamou ao veículo de comunicação, mas mandou seus livros de direito constitucional de presente ao jornalista.
Em seu segundo casamento, Temer é bastante discreto ao falar de seus relacionamentos afetivos. Sabe-se que sua primeira mulher, Neusa Aparecida Popinigis, era decoradora. Com ela teve três filhas. A mais velha, Luciana, 40 anos, é doutora em direito constitucional e trabalha em um órgão ligado ao governo paulista, a Fundação Faria Lima. As outras duas, Clarissa, 37 anos, e Maristela, 35 anos, são psicólogas. Entre o primeiro e o segundo casamento, Temer teve dois relacionamentos sérios sobre os quais mantém silêncio. Um deles com uma jornalista que mora em Londres e com a qual teve um filho, Eduardo, hoje com 10 anos, que nasceu na Inglaterra. A atual mulher, Marcela Tedeschi Araujo, 26 anos, participava de concursos de miss em Paulínia (126 km a noroeste de SP) e trabalhava na prefeitura, ocupada pelo PMDB. Em um evento político na cidade, há seis anos, se conheceram e casaram. Há oito meses, nasceu o primeiro filho do casal, Michel”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:49

Lula ameaça Quércia

Segundo Renata Lo Prete, da ?Folha?, ?no jantar de anteontem, Lula sugeriu aos peemedebistas que recorram até à intervenção nos Estados em que o partido insistir em marchar com a oposição?.
Sendo assim, pergunta-se:
O que o PMDB nacional fará com Orestes Quércia, presidente do partido em São Paulo?

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:44

Estrelas em declínio

Pelo menos quatro das maiores estrelas do Senado ? Sergio Guerra, Tasso Jereisatti, Renan Calheiros e Aloísio Mercadante ? estão correndo o risco de não se reelegerem para o Senado. O ?Estadão? de hoje publica reportagem sobre esse assunto assinada por Eugênia Lopes:
?Como se não bastasse a crise que desmoralizou o Senado neste ano, as eleições de 2010 ameaçam tirar o brilho de antigas estrelas da política nacional, que enfrentam dificuldade para se reeleger. Os obstáculos atingem em cheio senadores de todos os partidos que estão sendo obrigados a fazer arranjos políticos para garantir, ao mesmo tempo, sua sobrevivência e a eleição nos Estados.
Na oposição, há casos emblemáticos como os dos senadores tucanos Sérgio Guerra (PE), atual presidente do PSDB, e Tasso Jereissati (CE), ex-presidente da sigla, que correm o risco de não voltar ao Senado. Os percalços eleitorais também abrangem senadores governistas, como Renan Calheiros (PMDB-AL), que provavelmente terá de encarar como adversários na corrida pelo Senado o ex-governador Ronaldo Lessa (PSB) e a candidata à Presidência pelo PSOL em 2006, Heloisa Helena.
O enfraquecimento de cabeças coroadas da política é mais visível no Nordeste, onde tradicionalmente os governadores são responsáveis pela eleição de senadores. Depois de governar Pernambuco por oito anos consecutivos, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que tem mais cinco anos de mandato, é pressionado a sair candidato ao governo do Estado. O motivo é que a candidatura do peemedebista seria o caminho mais tranquilo para alavancar a eleição tanto de Sérgio Guerra quanto do ex-vice-presidente Marco Maciel (DEM-PE).
Com dificuldade para se reeleger ao Senado, os dois torcem para que Jarbas dispute o governo do Estado e, com isso, ganhem um palanque forte. Afinal, ambos terão como adversários o ex-prefeito de Recife, o petista João Paulo, e o deputado Armando Monteiro (PTB). Com mandato desde 1971, Maciel é o que tem mais “recall” junto ao eleitorado. Já o senador tucano é o que dispõe da maior estrutura partidária no Estado, mas sem o palanque de Jarbas enfrenta dificuldade de se reeleger para o Senado.
“Todos os candidatos de oposição serão mais competitivos se Jarbas for candidato ao governo”, admite Guerra. O senador peemedebista prefere, no entanto, manter o suspense até o carnaval, data em que confidenciou a amigos que irá bater o martelo sobre sua candidatura. Se Jarbas resolver não entrar na disputa eleitoral, Guerra vai tentar seu quarto mandato de deputado. Para “guardar lugar”, já lançou sua filha Helena Guerra à Câmara.
Governador do Ceará por oito anos, Tasso elegeu para o Senado quem bem entendeu durante a década de 90 e até 2002, quando ele e sua afilhada política Patrícia Saboya (PDT) conquistaram as duas vagas no Senado. Mas agora a situação é tão delicada que a ex-mulher do pré-candidato à Presidência pelo PSB, deputado Ciro Gomes, vai disputar uma vaga de deputada estadual. Na sua vaga de deputado pelo Ceará, Ciro pretende eleger Pedro Brito (PSB), ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos. Tasso tenta obter o apoio velado de Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro e atual governador do Ceará, para voltar ao Senado.
O cenário cearense ficou complicado depois que o ministro da Previdência, José Pimentel (PT), entrou na disputa por uma das duas cadeiras de senador. A outra é pleiteada pelo deputado Eunício Oliveira (PMDB), ex-ministro das Comunicações de Lula. Teoricamente, Cid apoiará as candidaturas de Eunício e Pimentel.
Ocorre que historicamente os Gomes sempre estiveram juntos de Tasso. “Na história política do Ceará nenhum governador se elegeu sem deixar de fazer os senadores”, diz Oliveira, que aposta no apoio do governador para conquistar o Senado.
Homem forte no Senado do governo Lula, Renan também se prepara para enfrentar uma eleição dificílima. Com a provável candidatura da senadora Marina Silva (PV-AC) à Presidência, Heloísa Helena teria desistido de tentar disputar a sucessão presidencial. A expectativa é que obtenha “um caminhão de votos” na eleição para o Senado. A candidatura do ex-governador Lessa também é forte: quase se elegeu em 2006 para o Senado. Perdeu para Fernando Collor de Mello (PTB).
Depois de chegar ao Senado com mais de 10 milhões de votos, o líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP), não deverá ter reeleição fácil. A situação dele se agravou depois que o vereador Gabriel Chalita migrou do PSDB para o PSB para disputar uma das vagas por São Paulo. Com a aliança entre o PSDB e o PMDB em torno da candidatura ao Senado do ex-governador Orestes Quércia, Mercadante estaria contando em ser o “segundo voto” dos tucanos. Mas agora o “segundo voto” deve migrar para Chalita?.

  • Segunda-feira, 12 Julho 2010 / 18:06

Digas com quem andas…

O senador Jarbas Vasconcelos brilhou quando, em entrevista a ?Veja?, reclamou da corrupção no país e acusou o seu partido, o PMDB, de ser o grande agente dessa prática. A acusação lhe custou uma cadeira na Comissão de Constituição e Justiça da Casa.
Depois reafirmou tudo o que havia dito, da tribuna do Senado, mas com uma ressalva: nem todos do PMDB eram corruptos, apenas a sua grande maioria.
Imagina-se que, a partir dessas manifestações, Jarbas fosse fazer política ao lado dos homens de bem. 
Mas no momento, segundo anunciou, ele está participando das articulações do PMDB rebelde que apóia Serra, ao lado do presidente do partido em São Paulo, Orestes Quércia.

  • Segunda-feira, 05 Julho 2010 / 4:37

O senador das princesas

  O pagodeiro e hoje vereador Netinho, que fez enorme sucesso com o grupo Negritude Jr. e, depois, na TV com um programa onde proporcionava uma dia de princesa a moradoras da periferia de São Paulo, é agora candidato ao senado pelo PCdoB, na coligação de Aloísio Mercadante.
A repórter Marli Olmos, do ‘Valor Econômico’, publica um excelente perfil do político Netinho, candidato ao mais importante cargo legislativo, no mais rico e mais importante estado da Federação, e que já consagrou Enéas e Clodovil como campeões de votos  e, até hoje, mantém vivo e forte o deputado Paulo Maluf.
  “Selly Martinez ajeita a coroa na cabeça e faz pose. Com os dedos das duas mãos imita o desenho de um coração. Aproxima o corpo à imagem do seu ídolo, olha para a câmera e abre um sorriso. Num piscar de olhos, sai impressa a foto: ela ao lado de Netinho de Paula. O artista não está ali. Trata-se de uma montagem. Mesmo assim, 600 fãs fizeram fila para ter um retrato igual a esse no dia em que o PCdoB referendou a candidatura do cantor de pagode a uma vaga do Senado.
O artista em carne e osso compareceria à convenção na tarde daquele sábado. Mas, como seria impossível atender a todos os fãs que sonhavam com um retrato ao lado do ídolo, a solução encontrada pelo PCdoB foi a máquina da Funclick, empresa especializada em serviços de foto-lembrança. Havia três opções de moldura: duas ao lado de Netinho e uma entre Netinho e Aloizio Mercadante. O fã clube mostrou ampla preferência pela foto ao lado apenas do cantor de pagode.
Para levar o retrato para casa o eleitor tinha que deixar endereço de email e número de telefone celular. Além da cópia em papel, recebeu a imagem também por internet. Mas quem mais ganhou foi o PCdoB, que, em poucos instantes, montou um banco de dados de eleitores não apenas para o astro do dia como também para os candidatos a deputado. Em apenas 50 minutos 110 pessoas foram registradas.
Selly Martinez foi à convenção numa caravana de mulheres de Diadema (SP) – todas com coroa na cabeça, numa alusão ao quadro “Dia de princesa”, que se tornou famoso no programa de auditório comandado por Netinho em duas emissoras de televisão.
A legião de fãs de Netinho de Paula idealiza eleger um senador com poderes de estender a toda a população carente as graças que os escolhidos para participar de seus programas já receberam.
Tereza Canas, na fila do retrato-lembrança durante a convenção, diz que gostaria que o candidato ao Senado arrumasse uma casa para a amiga dela, manicure, que acaba de fazer cirurgia na coluna.
“Não tenho a intenção de mistificar nada. O que eu fui na televisão e como músico eu tenho agora que ser como político”, diz o candidato. “A TV limita as ações. Me constrangia muito só poder gravar com uma princesa em cada programa. Quando entrava com ela na limusine via que milhares de meninas tinham ficado para trás”. Segundo diz, foi isso que o conduziu à política: “Somente a política é capaz de tratar da população em escala.”
A estreia do cantor na política foi nas últimas eleições municipais. Com 84.406 votos, Netinho de Paula foi o primeiro mais votado da coligação PT / PCdoB / PSB / PRB e o terceiro na lista de todos os mais de mil candidatos.
Já naquela ocasião uma pesquisa feita pelo PCdoB forneceu dicas a respeito da forma como a população de baixa renda projeta o artista na política. A maior parte dos votos conquistados por Netinho foi de mulheres jovens (até 24 anos), da classe C, com o 2º grau (completo ou incompleto). Vale lembrar que no quadro “Dia de Princesa” só podiam participar moças com até 25 anos. Regiões Sul e Leste do município, onde moram as classes mais baixas, concentraram 55 mil dos 84,4 mil votos que o elegeram vereador.
O dia de princesa foi inventado pelo próprio Netinho: “Era um sonho de infância”. “Imagina se um dia eu estivesse lá na Cohab e passasse um carro que me levasse para um shopping! Só de pensar passo mal. A gente era muito pobre demais!”
Aos 19 anos, casada e com um filho de 1 ano e 4 meses, a princesa Fernanda mora na casa do sogro e diz ser muito mal tratada lá. São histórias assim que chegavam à produção do “Show da gente”, transmitido pelo SBT nas tardes de sábado até o início do ano. Elenice – 21 anos e duas filhas – escreveu carta contando que o marido está preso. E desde então falta tudo às meninas. Ela tem casa, mas faltou terminar o banheiro.
Num dos programas, James, motorista da limusine, conduz Netinho até a casa de Elenice, que o recebe chorando e conta sua história triste. “O negrão chegou e vai te ajudar”, diz o artista. Dali, ambos seguem para um shopping, onde a jovem toma o chamado “banho de loja” – promovido pelas marcas patrocinadoras – e vai ao cabeleireiro.
Antes de seguir para o estúdio da emissora, a bordo de um helicóptero, a dupla ainda passa pelo cemitério onde o pai de Elenice – uma referência para ela – está enterrado e deixa uma coroa de flores. Ao final do dia de mimos, a princesa recebe ajuda financeira para poder concluir a construção do banheiro.
“Eu tenho orgulho de levar essa alegria e apresentar um mundo diferente que a sociedade ignora”, diz Netinho. O contrato com o SBT terminou, mas o apresentador espera retomar o comando de um programa no mesmo formato, mesmo se eleito senador. “As gravações ocupariam apenas dois dias da semana”, explica.
A estratégia de campanha planejada por Netinho é aproximar-se do “povo do gueto”, conta, numa alusão ao seriado “Turma do gueto”, escrito por ele e exibido durante dois anos pela Rede Record. “Não será uma campanha milionária porque meus amigos não são grandes doadores”.
Prestes a completar 40 anos, no dia 11, Netinho de Paula, afirma vislumbrar na eleição uma oportunidade de a juventude chegar ao Senado, de a Casa ser renovada. “Acho que também serei o primeiro negro a disputar uma vaga no Senado por São Paulo”, afirma.
Dos seis projetos que ele apresentou até agora como vereador, somente um foi aprovado. Trata-se do que institui a frente parlamentar em defesa da educação integral nas escolas do município. Seguem em tramitação o que propõe cursos pré-vestibulares a estudantes de baixa renda, o que defende como dever do município a educação de crianças de zero a seis anos em período integral, o que determina que as quadras poliesportivas situadas em equipamentos municipais sejam cobertas e o que cria a comissão extraordinária de comemoração do centenário de nascimento de Adoniran Barbosa. O projeto de lei 595/09, que fixa parâmetros para a criação de centros de referência da juventude chegou a ser aprovado na Câmara, mas vetado pelo prefeito.

Quem foi a convenção do PCdoB quis foto ao lado de Netinho, mas dispensou a presença de Mercadante

Quem foi a convenção do PCdoB quis foto ao lado de Netinho, mas dispensou a presença de Mercadante

José de Paula Neto nasceu no bairro de Santo Amaro e foi criado em Carapicuíba, na Grande São Paulo, em um apartamento do conjunto habitacional popular Cohab. Começou a trabalhar aos sete anos, vendendo doces numa estação de trem. A mãe, dona Romilda, morreu, quando ele tinha 11 anos. Depois disso, o garoto foi trabalhar numa gráfica, com o pai. A família deixou, depois, a Cohab. Mas Netinho voltou, para morar no mesmo apartamento da infância, ao casar-se, aos 16 anos.
Foi nessa época que o grupo Negritude Junior surgiu. Os amigos da Cohab se encontravam para batucar instrumentos. “A gente gostava de ir atrás das fanfarras das escolas”, conta. Netinho tornou-se o vocalista do grupo, mas em 2001 decidiu partir para uma carreira solo. Nas suas contas, gravou pelo menos seis CDs com o Negritude e mais cinco sozinho, num total próximo de 4 milhões de cópias.
O candidato da periferia também ajudou a fundar a ONG Casa da gente, em Carapicuiba, que atende 700 crianças, com complemento escolar, aulas de música e cursos profissionalizantes, além de suporte às famílias. Os recursos saem dos shows e colaboradores.
Embora a maior parte das suas músicas fale de romance e amor, o candidato ao Senado cita algumas que, segundo ele, criam “uma identidade com a questão social”. Caso de “Cohab City”: ” Tô chegando na Cohab/Pra curtir minha galera/Dar um abraço nos amigos/E um beijinho em minha cinderela.”
“O Senado tem sido uma Casa muito distante do povo”, afirma. Se eleito, o candidato escolheu como prioridade defender investimentos voltados para o ensino público em período integral e também profissionalizante, “permitindo a capacitação e inclusão dos menos favorecidos no mercado de trabalho em igualdade de condições”. Ele também pretende trabalhar pela moradia popular, saúde e cultura e combater a discriminação “em todas as suas formas, incluindo a discussão das cotas raciais”.
No dia da convenção que oficializou o lançamento da chapa ao Senado, com a ex-prefeita Marta Suplicy e Netinho de Paula, e também o apoio do PC do B à candidatura do senador Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, a militância mal conseguia se acomodar. Um telão foi instalado no hall da universidade Uninove para quem não teve a chance de entrar no auditório.
Se nos tempos de apresentador as tardes de sábado representavam o momento de o cantor aparecer na televisão, o sábado da convenção trouxe muito mais. No mesmo dia foi publicada uma pesquisa do Ipespe para o “Diário de São Paulo”, indicando Netinho no segundo lugar das intenções de voto dos paulistas ao Senado, ao lado do ex-governador Orestes Quércia (PMDB). Ambos apareceram com 17% , na frente do senador Romeu Tuma (PTB), com 16% e logo depois da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), primeira colocada com 38%.
Netinho ficou bem à frente de diversos outros candidatos: o vereador Gabriel Chalita (PSB), que ainda não assumiu oficialmente a candidatura, com 9% das intenções de voto, a ex-vereadora Soninha Francine (PPS), que aguarda uma consulta do PPS ao Tribunal Superior Eleitoral, com 8%, o ex-ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), com 6%, e o empresário Ricardo Young (PV), que foi citado por 1% dos eleitores.
Netinho diz que sente orgulho por estar na coligação da “turma que colocou o Brasil no eixo”. Estima que tem muito a aprender e também a contribuir. Numa recente entrevista para o site do PCdoB, o artista disse acreditar que é capaz de “aproximar Dilma de uma parcela da sociedade que não está a fim de discutir política, que não tem confiança nos políticos. Esse público da periferia que não entende o recado dos políticos, que só recebe da mídia os escândalos”.
Quando, durante a convenção na Uninove, os três candidatos – Netinho, Marta e Mercadante – apareceram no palco de mãos dadas e ergueram os braços, o público só gritou um nome: “Netinho! Netinho”. Durante os discursos, Nádia Campeão, presidente do PCdoB paulista, implorou silêncio, quase em vão. As fãs continuavam eufóricas: “Netinho!”… “Lindo!”
A cada grito, o candidato mostrava o largo sorriso. Um jeito dócil que contrasta com as histórias de violência que já vieram a público. Em fevereiro de 2005 Netinho foi acusado de agredir com socos a mulher, Sandra Mendes de Figueiredo, após uma briga conjugal. Na ocasião, ele foi impedido pela Justiça de retornar à casa do casal. No final do mesmo ano, o cantor foi novamente acusado de dar um soco na orelha do humorista Rodrigo Scarpa de Castro, do programa Pânico na TV, durante um evento.
Netinho é violento? “Como todo o mundo é com coisas que tiram a gente do sério”, responde o candidato. “Eu já tive, sim, atos violentos na minha vida. Mas a vantagem é que eu tive muito mais atos dóceis”.

  • Sexta-feira, 14 Maio 2010 / 4:06

Numerologia na campanha de Serra

Da repórter Catia Seabra, da ‘Folha’:
“O staff de José Serra contará com o apoio do aliado e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), para se livrar da influência malévola do 13 na disputa eleitoral. A pedido do presidente do PMDB, Orestes Quércia, e com a autorização do proprietário do imóvel, a Prefeitura de São Paulo está trocando o número do edifício onde funcionará o comitê de campanha de Serra e Geraldo Alckmin nessas eleições: de 184 para 182.
A associação com o 13 do PT é só coincidência. Discípulo de Pitágoras -e adepto da teoria de que cada número traz um significado-, Quércia quer é afugentar os efeitos do temido 4. Como sua pronúncia se assemelha a “morte” em chinês, o 4 é evitado no Oriente. E por Quércia.
Para chegar a um resultado na numerologia, é preciso somar os algarismos de um número até que reste apenas um. É assim que 184 (1+8+4) vira 13. E, depois (1+3), 4.
Quércia recorre à numerologia cada vez que se instala num novo endereço. Como ocupará salas do edifício Praça da Bandeira -antigo Joelma-, pediu a troca. Kassab consultou o proprietário.
Com a mudança, troca-se o 4 pelo 2. Embora rechace a vinculação do 4 com a morte, a numeróloga Vera Caballero reconhece que o 2 é benéfico por sua associação à diplomacia -o 4 seria “falta de jogo de cintura”.
QG do tucanato desde 2004 -quando abrigou a equipe de transição de Serra para a prefeitura-, o Joelma foi palco de trágico incêndio em 1974, com 188 mortes.
Pré-candidato do PSDB ao Senado, Aloysio Nunes Ferreira confessa que tem medo de assombração. Mas que isso não se aplica ao Joelma. Apesar disso, ele diz que os comitês do partido foram benzidos antes de ocupados”.

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Parece até que Orestes Quércia é um vencedor.

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