• Segunda-feira, 11 Abril 2011 / 12:39

Ary Barroso e Ana de Hollanda

     A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, completa hoje 100 dias de governo – ela assumiu a Pasta dois dias depois da Presidenta Dilma Rousseff.
Para ela, problemas é o que não faltam.
Uns são velhos conhecidos; alguns ela está tomando conhecimento; e outros a ministra nem vislumbra.
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Entre os conhecidos, tem um de fácil solução: a edição dos 20 CDs reunindo a obra completa de Ary Barroso, trabalho realizado pelo pesquisador Omar Jubran, e que há oito anos aguarda patrocínio.
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No Governo Lula, o então ministro da Cultura, Gilberto Gil, declarou 2003 como o “Ano Ary Barroso”, quando comemorava-se o centenário de nascimento de um dos mais importantes compositores do país. Foi designada uma Comissão Nacional para organizar os festejos, e a assinatura do decreto presidencial foi seguido de festa no Palácio do Planalto, com a presença de acadêmicos, artistas e políticos. Na ocasião foi feita a apresentação do logotipo do centenário, assinado pelo cartunista Ziraldo Alves Pinto.
Gil abandonou a Mesa Diretora durante a solenidade, e cantou com a dupla Célio e Marcos e mais as gêmeas Célia e Celma, a imortal ‘Aquarela do Brasil’.
Em 2003, o trabalho de Omar Jubran já estava concluído. Ele reuniu mais de 300 gravações originais da totalidade das músicas compostas por Ary.
E o que desejava era compartilhar, com o restante do país, essa obra monumental.
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Sabem o que ele ganhou da tal Comissão Nacional?
Um diploma de Honra ao Mérito, assinado pelo vice-presidente José Alencar – mineiro como Ary – pelo trabalho realizado.
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Em dezembro do ano passado, Omar Jubran fez uma palestra, na Casa de Ruy Barbosa e, na platéia lotada, ele foi aparteado por uma fã que conhecia, em detalhes, o seu trabalho. Era Ana de Hollanda que, agora, como ministra da Cultura, tem a faca e o queijo na mão para bancar a obra que o país tanto  merece.
Na posse do ministro Antonio Palocci,  Ana de Hollanda disse a um repórter que, como ministra da Cultura, não teria mais como responsabilizar terceiros por deixar o trabalho de Omar Jubran na gaveta. Essa seria uma prioridade. Mas nada foi feito.
Pelo bem da Cultura do Brasil, a ministra Ana de Hollanda bem que poderia ocupar apenas 100 minutos de um só dia de trabalho, e disparar uma meia duzia de telefonemas para solucionar essa questão.
Não existe dificuldade para Ana de Hollanda. Basta que ela tenha vontade política.

  • Domingo, 26 Dezembro 2010 / 20:58

Ary Barroso e a ministra da Cultura

       Existem certas pessoas que mereceriam uma estátua.
Uma delas chama-se Omar Jubran, professor aposentado de Biologia, que adora musica e, sem filhos, resolveu adotar Noel Rosa, Ary Barroso e Lamartine Babo.
Noel foi o primogênito.
Durante 11 anos, ele pesquisou a obra musical de Noel e conseguiu, com seus próprios e parcos recursos, reunir as 227 gravações originais do ‘Filósofo do Samba’.
Foi um trabalho monstruoso. Para concluí-lo, Omar teve de vender até o velho Fusca que o levava para o trabalho na faculdade.
Omar chegou a colar um disco de 78rpm partido em três partes. E o trabalho deu certo.
Apreendeu, por sua conta, a técnica de remasterização, e deu ao país uma caixa com a obra completa de Noel em 14 CDs.
Um detalhe: ele não ganha um único tostão por caixa vendida.
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Há seis anos, Omar fez o mesmo trabalho com o filho do meio, Ary Barroso. São mais de 300 gravações originais que ocupam 20 CDs.
Patrocinio para editá-los?
Nenhum. Só promessas.
Sergio Cabral, o bom, já chegou a fazer um apelo publico para o magnata Eike Batista: “Tomara que ele goste do Ary Barroso”, brincou Cabral.
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Há quatro semanas, Omar Jubran relatou sua saga para uma platéia amante de Noel, na Casa de Rui Barbosa, no Rio.
Nos debates, ele respondeu a uma única pergunta. Era de uma jovem senhora que já conhecia o seu drama, e colocou ali uma enorme escada para Omar brilhar ainda mais,  e ser aplaudido de pé.
A autora da pergunta foi Ana de Hollanda,  a toda poderosa ministra da Cultura do futuro Governo Dilma.
Ana sabe, como ninguém, da importância do trabalho de Omar Jubran.
E, agora, que está no poder, deveria eleger isso como prioridade.
Ana precisa resolver logo essa questão.
Mas precisa fazer com urgência.
Não durante o seu governo, mas nos primeiros 100 dias.
É preciso liberar Omar, para que possa nascer Lamartine Babo – o seu terceiro filho.

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