• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:40

Nuzman e ministro da Tapioca fogem do Senado

Do repórter Afonso Moraes para o site ‘Congresso em Foco’:
“Há quase três mil anos, quando os gregos inventaram os Jogos Olímpicos, expressões como Olimpíadas e espírito olímpico foram incorporadas à cultura ocidental. Mais ainda depois que o Barão de Coubertin criou as Olimpíadas da Era Moderna em 1896. Desde então, disputar medalhas em olimpíadas ? de matemática, de xadrez, nas escolas ? tornou-se algo comum. No Brasil, que sediará os jogos de 2016, porém, as pessoas correm agora sério risco de ser impedidas de usar tais expressões. A utilização desses termos está ameaçada de ficar sujeita à autorização expressa do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016 (CORio 2016) que, caso queira, só a liberará mediante o pagamento de royalties.
Isso é o que acontecerá se for aprovada a proposta do presidente das duas entidades, Carlos Arthur Nuzman. No final do ano passado, de forma discreta, ele enviou ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sugestões para alterar duas leis que regularão os jogos para assegurar direitos de exclusividade para todas as expressões diretamente relacionadas com as Olimpíadas de 2016.
Se as autorizações sugeridas por Nuzman forem acatadas, será necessária autorização dele para utilizar, até o encerramento dos Jogos de 2016, expressões que estão incorporadas à cultura ocidental há milênios, como ?Olimpíadas?, ?Jogos?, ?Olímpicos?, ?medalhas?. A restrição vai além. Atinge até o numeral ?2016?. Mais do que isso: poderá ser necessária a aprovação de Nuzman para usar o nome da cidade do Rio de Janeiro ? sob pena de responder a processo judicial por perdas e danos e concorrência desleal ?, já que a palavra ?Rio? também consta na lista de restrições do COB. Até mesmo o termo ?patrocinador?, usado por um sem número de diferentes atividades comerciais, está na lista.
Na surdina, em carta enviada ao presidente do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP), a oito dias do fim do ano legislativo de 2009, o cartola propõe a inclusão de novos termos no Ato Olímpico (Lei 12.035/09), lei que regula a realização dos jogos. Em sua versão original, que se encontra em tramitação no Senado, já é proibido o uso comercial das expressões ?Olimpíada?, ?Olimpíadas? e ?Olímpico?. Mas está aí a primeira diferença entre o que já está proposto e o que Nuzman sugere. A Lei Pelé (9.615/8) ressalva uma exceção: as palavras e os símbolos olímpicos estão liberados por ela para utilizações não comerciais, culturais e educativas. Nuzman quer suprimir essa ressalva.
A supressão na Lei Pelé é a primeira sugestão de Nuzman. A segunda é a ampliação da lista de termos que seriam protegidos. O Ato Olímpico é uma lei decretada pelo governo federal para estabelecer normas e regras para a realização dos ?Jogos de Verão? (aliás, outro termo relacionado às Olimpíadas incluído na lista negra do COB). E tem validade até o encerramento dos eventos. Ou seja, as restrições sugeridas valeriam pelos próximos seis anos.
Entre outros pontos, o Ato Olímpico garante a utilização comercial exclusiva pelos patrocinadores oficiais dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos e protege a marca e os símbolos olímpicos de empresas oportunistas que usam o marketing de emboscada ? assim denominada a ação de empresas não licenciadas para tirar proveito da exposição e potencial faturamento dos jogos ? para burlar a lei e faturar sem pagar pelos direitos de exclusividade. Especialistas concordam com alguns dos dispositivos legais de proteção que o Ato Olímpico propõe. Mas as sugestões de Nuzman podem extrapolar essa necessidade de proteção e gerar mecanismos que vão ferir a liberdade de expressão e a propriedade intelectual.
No ofício (2890/09) expedido em caráter de urgência pelo CORio 2016, no último dia 14 de dezembro, Nuzman justifica o seu pedido para ampliar as exigências do Ato Olímpico para ?melhor proteger as marcas, símbolos e as designações relativas aos Jogos Rio 2016?. Em março deste ano, em outra carta-ofício (550/2010), o dirigente esportivo reitera que o pedido é urgente. As alterações sugeridas pelo cartola demonstram o aparente intuito de controlar a produção acadêmica e cultural de pesquisadores, escritores e especialistas dedicados ao movimento olímpico. E aí se encontra outro ponto controverso.
Nas cartas, Nuzman solicita a Sarney a supressão da parte final do parágrafo segundo do artigo 15 da Lei Pelé, ?de modo que nenhuma entidade em território nacional possa fazer uso das expressões ?Olímpica? e ?Olimpíada? e suas variações, ainda quando se tratar de eventos vinculados ao desporto educacional e de participação?. E a recente derrota sofrida por Carlos Nuzman na Justiça pode ajudar a entender sua atitude.
O risco de que Nuzman possa se valer das restrições que deseja mesmo para evitar que aconteçam as Olimpíadas de Matemática ou as Olimpíadas do SESI não parece ser exagerado por conta de um episódio. Em janeiro, ele já tentou tirar das prateleiras das livrarias, por meio de notificação extrajudicial, o livro ?Esporte, Educação e Valores Olímpicos?, da escritora e professora Katia Rubio, da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, alegando o uso indevido dos símbolos olímpicos, apenas porque o título da publicação trazia a palavra ?Olímpicos?. Autora de 15 obras dedicadas ao esporte e ao olimpismo, a pesquisadora não cedeu e contratou o advogado Alberto Murray Neto, ex-membro do COB e desafeto de Nuzman.
E o argumento invocado pela defesa da docente foi justamente o trecho da Lei Pelé que Nuzman agora pede para extrair e que faculta o uso dos símbolos e das palavras relacionadas ao movimento olímpico para fins educacionais, pedagógicos e acadêmicos. Para Murray Neto, há uma relação direta entre a derrota sofrida por Nuzman no caso do livro e sua sugestão de alterar a Lei Pelé. ?É condenável a atitude do COB em não divulgar à sociedade o conteúdo da carta enviada ao senador José Sarney, uma vez que se trata de alterações de leis federais. O comitê insiste em agir às escondidas?, critica o advogado.
Para Murray Neto, a intenção é alterar o Código da Propriedade Intelectual de maneira autoritária. ?Juridicamente, os argumentos contidos na carta do COB são infundados. A atual legislação não ameaça o contrato assinado entre as cidades sede e o Comitê Olímpico Internacional. O que está por trás disso é a intenção do COB de controlar as publicações científicas, o livre pensamento e a literatura olímpica como fez com a professora Katia Rubio?, ataca.
Há quem desconfie de que Nuzman utilizou-se do expediente de enviar uma carta diretamente a Sarney próximo ao fim do ano legislativo com a intenção de, talvez, conseguir aprovar as restrições sem alarde. Mas a polêmica não passou despercebida e, para debater os efeitos da sugestão controversa do dirigente, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado (CE) organizou audiência pública, amanhã (20), às 10h, para ouvir o presidente do COB, o ministro do Esporte, Orlando Silva, e um especialista em marcas e propriedade intelectual. Vale ressaltar que Nuzman mantém ótima relação com alguns parlamentares e pode, assim, aprovar as sugestões que fez.
Mas, para a senadora Marisa Serrano (PSDB), autora, com o senador Flávio Arns (PSDB-PR), do requerimento de audiência pública, as propostas de Nuzman precisam ser avaliadas com cuidado. ?A atitude de Nuzman de enviar a proposta num documento endereçado ao próprio Sarney é incomum?, analisa ela. Para a senadora, o mais adequado teria sido Nuzman encaminhar a sugestão à comissão referente ao tema, no caso, a Comissão de Educação e Desporto. ?A maneira usada pelo presidente do COB foi draconiana e pode engessar o processo democrático. Não é possível cercear o direito de usar determinadas expressões. Vamos debater com cautela cada ponto da proposta e clarear todas as questões?, promete Marisa Serrano.
Se a intenção de Nuzman era evitar os holofotes, não deu certo. Mas ele conseguiu evitar a exposição direta. Antes, ele e o ministro Orlando Silva tentaram remarcar a reunião na semana passada alegando compromissos inadiáveis. Como não conseguiram, enviarão ao Senado representantes. Para substituir Nuzman, participará o diretor de marketing do COB, Leonardo Gryner. E o secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, será o representante do Ministério do Esporte.
Procurado pelo Congresso em Foco, o COB não retornou os pedidos de entrevista, nem respondeu a um questionário sobre o tema que foi enviado por e-mail”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:39

Havard estuda Olimpíadas

De Sonia Racy, no ‘Estadão’:
“Joaquim Levy voltou dos EUA entusiasmado com o que Judith Long, professora de Harvard, vem fazendo a respeito da Olimpíada do Rio. Ela criou, este semestre, um “Brazil Studio” para estudar os projetos para 2016 e avaliar o legado dos jogos.
“Achei sensacional ver umas 30 pessoas estudando todo o pacote de propostas com aquela seriedade de universidade americana”, diz o secretário de Finanças do Rio, que lá estava para outro seminário.
No grupo, ele discutiu os jogos “como parte de uma estratégia mais ampla”, que incluía segurança (as UPPs), transporte (trens mudando de patamar de qualidade), saúde e redesenho urbano”.

                                                        * * *

Pena que Joaquim Levy não será mais secretário da Fazenda quando os alunos de Harvard concluirem seus estudos. Vai saber ótimo conhecer as conclusões do pessoal de Harvard.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:38

Rio: o Cristo que se dane

A recompensa de R$ 5 mil para quem der uma pista que leve aos vândalos pichadores do Cristo Redentor, é mais uma prova do descaso das autoridades do Rio pelo monumento.
O prefeito Eduardo Paes não mencionou os nomes dos doadores, não por modéstia. Foi pura vergonha.
Quando a estátua do Cristo Redentor, e o seu entorno, disputavam o privilégio de se tornar uma das 7 Maravilhas do Mundo,  o governo do Rio não moveu uma palha. Agora faz o mesmo.
Na época, nem ao menos um link do concurso – para que as pessoas votassem – o Governo do Rio exibia em seu portal.
Aécio Neves e José Serra, infinitamente mais antenados que Sergio Cabral, perceberam logo a importância da campanha e subiram o Corcovado. O governador os acompanhou, posando como um verdadeiro papagaio de pirata.
Todos entendiam que o Cristo era do Brasil, assim como as pirâmides são do Egito, a Torre Eiffel da França e o Taj Mahal da Índia. Menos o governador.
Na época, o autor desse blog disse que as autoridades preferiam, ao invés da campanha do Cristo, os jogos do PAN, pois eles movimentavam verbas e empreiteiros, proporcionavam superfaturamentos e bocas-livres, além de caixinhas e mordomias.
Eleito, o monumento não mereceu, por parte das autoridades, nem ao menos um policiamento. Por isso a ação dos pichadores.
A indignação de Cabral com o fato é zero. Até agora, ele não deu uma declaração sobre a vergonha que hoje corre o mundo. Ou a pichação não tem importância, ou ele não tem opinião.
O fanfarrão que prometeu reunir empresários para pagar uma palestra de Tony Blair ? político  desprezado pelos ingleses e sem condições de dar consultoria as Olimpíadas de Londres, mas que foi convidado para dar palpites nas Olimpíadas do Rio – não disparou um único telefonema para ajudar na busca dos pichadores.
A notícia da recompensa de R$ 5 mil, foi divulgada no mesmo dia em que a Polícia Federal prendeu um traficante, cuja recompensa era de US$ 5 milhões.
É claro que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.
Mas soa estranho que um colombiano preso esteja valendo 1 mil e 800 vezes mais do que o Cristo Redentor limpo.
$ergio Cabral entende de números.
Por isso, seu comportamento é o mesmo de quando o monumento estava em campanha.
O Cristo que se dane.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:07

As UPPs e a ADA

Ainda sobre as UPPs que virão por aí.
1 – A proposta é sempre entrar com uma UPP, e depois promover melhorias na comunidade. O governo já fez melhorias na Rocinha, ela fica no cinturão das Olimpíadas, mas não se fala em UPP por aquelas bandas. Quem conhece o assunto, sabe que a ADA (Amigos dos Amigos) paga uma verdadeira fortuna para continuar em paz.
2 – O ex-prefeito Cesar Maia diz hoje em seu blog que “um deputado estadual tem dito, para quem quiser ouvir, que garante que no São Carlos e Mangueira UPP não entra. A checar”.
3 – O Morro de São Carlos também é comandando pela ADA. Talvez isso explique a blindagem.
4 – O da Mangueira tem outra facção. Mas é possível que o deputado, citado pelo ex-prefeito, seja aquele que é tão identificado com a comunidade, que decidiu incorporá-la ao seu nome parlamentar.
Coisas do mundo, minha nega…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:50

As lágrimas de Cabral

Esse é o título do editorial, de hoje, do ‘Jornal do Commercio’, do Recife. Eis o seu texto:
“Impressionante o desempenho do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, diante das câmeras. Ele afirmou, se derramando em lágrimas, que o seu Estado vai parar se for feita a divisão igualitária dos recursos do pré-sal, que lá não haverá nem Copa do Mundo nem Olimpíadas. Significa dizer a partir da simplificação dramática daquele governador que o Rio de Janeiro é um espaço humano e geográfico hipotético, que só existirá dentro de mais duas décadas, quando se espera que o petróleo tirado das camadas profundas do Atlântico comece a jorrar. Não ficou explicado como o Estado existiu até agora, ocupando um dos mais importantes lugares da Federação, perdendo quase sempre apenas para São Paulo.
A encenação do governador deve se estender por estes dias, com a conclamação do povo a atos de protesto e até de desobediência civil, como se de fato como apregoa Sérgio Cabral o resto do País estivesse roubando o que é do Rio. Simplificadamente, seria interessante esclarecer o povo brasileiro e em especial aos que estão contra uma distribuição mais equitativa do que vier de benéfico através da exploração do pré-sal, que as jazidas são da União, que os Estados não gastam recursos próprios na prospecção e produção do petróleo, que o sistema federativo implica em políticas públicas nacionais, tendo por foco que estamos em uma República brasileira, e não de Estado tal ou qual.
Nesse sentido, será sempre oportuno acompanhar todo o processo de discussão decorrente dessa dádiva da natureza a nosso País, a partir da abordagem feita pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, desde o primeiro instante defensor de uma redistribuição dos royalties do pré-sal levando em consideração a necessidade de tratar desigualmente os desiguais, como deve ser feito em qualquer política pública que tenha por meta a redução e até eliminação das desigualdades entre pessoas e regiões.
A posição do governador pernambucano sempre foi a de diálogo, de debate, e mesmo depois de a Câmara Federal dar um ganho de causa tão expressivo com 369 votos favoráveis , aos defensores de uma melhor distribuição dos royalties, mesmo agora, quando deveria estar se exaltando pela vitória parcial mas importantíssima de sua tese, Eduardo Campos defende a construção, no Senado, de uma visão com maior equilíbrio, de forma a o Rio de Janeiro não perder essa fatia que o seu colega dá como motivo de lágrimas.
A generosidade pernambucana não pode, contudo, ir além da defesa intransigente de uma redistribuição de um bem que poderá contribuir para eliminar as profundas diferenças entre as regiões. Até porque aí está a lição histórica do êxodo dos excluídos para os grandes centros mais privilegiados como Rio e São Paulo em busca das condições que lhes são negadas em suas regiões de origem. Norte e Nordeste são, neste aspecto, as partes da Federação que precisaram no passado de políticas públicas diferenciadas, com a criação de tratamento fiscal distinto e, mesmo assim, continuamos exportando cérebros e mão de obra para o Sudeste, exatamente pelo aprofundamento das diferenças que podem ser atenuadas através de emendas como a que a Câmara aprovou.
Há vários aspectos delicados nesse confronto entre Estados, alimentado em parte pelas características muito próprias de um ano eleitoral, quando candidatos tendem a dramatizar para arrecadar votos. Um desses aspectos é a pressão para o presidente da República vetar o projeto, o que seria feito supostamente em nome da garantia de um colégio eleitoral poderoso, como é o Rio de Janeiro. Entretanto, sempre será oportuno lembrar que o Nordeste, Norte e Centro-Oeste são, também, colégios eleitorais respeitáveis, o que implica em trocar barganhas e lágrimas pelo diálogo e bom senso”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:49

Orlando Silva brinca com fogo

Dois ministros de Lula estiveram na passeata dos royaltes: Carlos Lupi e Carlos Minc. Mas ambos são cariocas.
Já Orlando Silva, do Esporte, embora anunciado pelos assessores do governador, não apareceu.
Se continuar faltando as festas promovidas por Sergio Cabral, Orlando acabará perdendo a boquinha das Olimpíadas.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:46

Nuzman agora adere a lorota

A proximidade com o governador Sergio Cabral dá nisso.
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, disse no sábado que a perda dos royaltes do petróleo, em nada afetaria a organização das Olimpíadas do Rio, e nem mesmo da Copa do Mundo, pois o “Governo Federal irá garantir o dinheiro para a realização dos dois eventos”.
Ontem, Nuzman divulgou uma nota afirmando que a “emenda Ibsen, que altera a divisão dos royalties do petróleo, deixará o Estado do Rio sem condições de fazer as obras necessárias para os Jogos Rio 2016 e que, se a situação não for remediada, representará uma quebra de contrato”.
Vamos ver qual o discurso de Nuzman amanhã…

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:28

Vila Olímpica vai virar formigueiro

Do repórter Italo Nogueira, da ‘Folha’:
“Bairros no entorno da principal área da Olimpíada do Rio, em 2016, podem atingir níveis de adensamento semelhantes aos de Copacabana e Catete, os mais povoados da cidade. A região, que tinha em 2000 cerca de 60 mil habitantes, pode chegar a 1,4 milhão.
A projeção foi feita em estudo do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da PUC-Rio entregue ao Ministério Público estadual. Ela apresenta os riscos de adensar uma área de brejos considerada ambientalmente sensível pela prefeitura.
O estudo avalia o impacto da alteração do PEU das Vargens (Projeto de Estruturação Urbana de Vargem Grande e Pequena, Camorim e parte do Recreio dos Bandeirantes e da Barra da Tijuca), na zona oeste. A área inclui o parque olímpico onde ficarão 45% dos Jogos de 2016 e a vila olímpica dos atletas.
A região sofre há três décadas com ocupações irregulares. Após o crescimento e o esgotamento da Barra, a área das Vargens é a principal de interesse de imobiliárias. A infraestrutura, no entanto, não acompanhou o crescimento. Boa parte do esgoto não tem tratamento e polui a lagoa de Jacarepaguá.
A lei aumentou o gabarito e diminuiu a permeabilidade dos novos prédios residenciais da área. Ela possibilita ainda pagar por mais potencial construtivo, por meio de outorga onerosa.
A arrecadação por esse instrumento vai financiar obras na região prometidas ao Comitê Olímpico Internacional, como a construção da Transcarioca (via de ligação Barra-zona norte) e de infraestrutura.
O PEU das Vargens dividiu a área de cerca de 5.300 hectares. Segundo análise do urbanista Leo Name, algumas subdivisões superam a densidade de Catete (422,3 hab/ha) e Copacabana (389,5 hab/ha). Numa subdivisão, chegaria a 535,5 habitantes por hectare.
Name aponta que, se todo o potencial construtivo for aproveitado, a população do local chegará a 1,4 milhão de pessoas. Caso seja usado apenas o gabarito autorizado sem outorga onerosa, 752 mil habitantes.
O adensamento da região afeta, segundo o estudo, a bacia de Jacarepaguá, composta por áreas alagadiças que interligam rios e lagunas. O crescimento pode provocar alagamentos em caso de chuvas, pela queda da permeabilidade do solo.
Segundo o IBGE, os bairros da região tinham em 2000 densidades abaixo de 20 habitantes por hectare. No cálculo de Name, podem chegar a 264,3 habitantes se o todo potencial construtivo for utilizado.
As novas regras para área vão formalizar a ocupação da região, afirmou a Secretaria Municipal de Urbanismo. O órgão disse que as obras de infraestrutura reduzirão o impacto da ocupação nos bairros.
“O importante é entender os vetores de desenvolvimento da cidade e prepará-la para isso, dotando de infraestrutura de abastecimento, saneamento, acessibilidade e transporte.”

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:10

Planalto está irritado com Cabral

De Fernanda Krakovics, no Panorama Político do ‘Globo’: 
“O governo federal não deve trabalhar para implodir a candidatura de Anthony Garotinho (PR), como quer o governador Sérgio Cabral (PMDB).
?Candidato a presidente não recusa apoio. O ideal sempre é ter um candidato único da base aliada, mas, em alguns estados, isso não é possível, devido à realidade local?, diz o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) sobre o Rio.
O Palácio do Planalto ficou irritado com as cobranças públicas feitas por Cabral. Integrantes do governo afirmam que o governador não está em condição de fazer exigências.
Dizem que, sem a ajuda do governo federal, ele não teria conseguido levar as Olimpíadas para o Rio e que ainda está sendo beneficiado com investimentos, sobretudo em obras do PAC. Só na urbanização do Complexo do Alemão são R$ 800 milhões. E o apoio do PT já é um indicativo de que esse é o palanque preferencial. Cabral disse a Dilma, no domingo, em conversa reservada, que era muito ruim ter dois palanques. A ministra não respondeu”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 2:09

PCdoB não tem opinião sobre Blair

Quem acompanha esse blog sabe que, no dia 1º de fevereiro, enviei oito perguntas ao ministro do Esporte, Orlando Silva, referentes ao encontro que ele teve com Tony Blair, em Londres, quando assistiu ao convite feito pelo governador Sergio Cabral para que o ex-primeiro-ministro britânico fosse consultor das Olimpíadas do Rio.
O blog nunca obteve resposta.

                                   * * *
No dia 7 de fevereiro, um email foi enviado ao presidente do PCdoB, Renato Rabelo.
Nele, foi dito que ?na segunda-feira passada, dia 1º, publiquei uma relação de oito perguntas para serem respondidas pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, filiado ao PCdoB.
O tema central da entrevista era o convite feito pelo governador do Rio, Sergio Cabral, a Tony Blair, para que ele desse uma consultoria as Olimpíadas de 2016.
Orlando Silva esteve presente a esse encontro, mas até hoje não houve resposta.
Gostaria de saber, por gentileza:
1 – O ministro Orlando Silva comunicou, com antecedência, a direção do PCdoB, de que participaria de uma reunião com Tony Blair?
2 – O partido está de acordo com comportamento do ministro, que apoiou, com a sua presença, o convite feito pelo governador do Rio para que Blair desse uma consultoria aos organizadores das Olimpíadas de 2016?
3 – Qual a opinião do PCdoB sobre o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair??.
                                     * * *
O PCdoB teve toda a semana, anterior ao Carnaval, para responder a esse blog. Mas preferiu não fazê-lo.
No dia 18, finalmente  – 11 dias após a primeira mensagem ? esse blog recebeu, do presidente do PCdoB, às 14h18m,  o seguinte email:
?O Ministro Orlando Silva Júnior dispõe de assessoria de imprensa que poderá resolver esta sua solicitação. Ao mesmo tempo, desejo lhe informar que o Ministro tem plena autonomia ao exercício de suas funções de Estado.
Do ponto de vista da Presidência do Partido, coloco-me à disposição para eventuais solicitações.
Grato.
Renato Rabelo?
Ás 14h37m, respondi:
 ?Sr. Presidente,
 Certamente devido ao enorme volume de trabalho que ocorre em anos eleitorais, a resposta ao meu email demorou 11 dias.
Entendo que “o Ministro tem plena autonomia ao exercício de suas funções de Estado”, e isso invalida duas das três perguntas que enviei a essa presidência.
Mas a terceira indagação nada tem a ver com o Ministro, e sim com a direção do PCdoB. Por isso insisto nela.
“Qual a opinião do PCdoB sobre o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair?”
Fico grato por sua resposta.
Cordialmente?
Ás 17h45m, nova mensagem do presidente nacional do PCdoB:
?Caro Dacio Malta,
 Como jornalista experiente que é – torna-se necessário contextualizar a pergunta ou pelo menos colocá-la no plano histórico concreto.
 A questão que me colocas a respeito de Tony Blair só tem sentido prático se está relacionada a algum fato objetivo. Já me pronunciei a respeito de encontros realizados pelo Ministro do Esporte no exercício de suas funções de Estado.
Agora se a pergunta se coloca em um contexto mais amplo sobre a situação política na Inglaterra de hoje — com a proximidade de eleições gerais marcadas para o dia 3 de junho próximo ? aí então a pergunta ganha sentido.
Coloco-me sempre à sua disposição.
Renato Rabelo?.
Às 18h13m, encaminhei ao PCdoB:
?Presidente,
 A pergunta que enviei foi muito simples:
“Qual a opinião do PCdoB sobre o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair?”
Apenas isso.
Já entendi a posição do partido com relação ao ministro Orlando Silva.
Acredito que não seja necessário contextualizar absolutamente nada.
Nem sobre o passado de Blair, nem sobre a situação atual da Inglaterra e, muito menos, sobre a posição de Blair diante das eleições marcadas para o dia 3 de junho, quando, a seu juízo, “a pergunta ganha sentido”.
Insisto que a pergunta é simples. Ou, talvez, simplória ao extremo para os senhores.
Mas fique essa presidência à vontade para não respondê-la, se acreditar que é necessário, de fato, contextualizá-la para que eu possa obter uma resposta.
Muito obrigado por sua atenção?.
                                   * * *
Hoje é dia 1º de março.
O email inicial ao ministro completa um mês sem resposta, embora o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, acredite que o ministro de seu partido “dispõe de assessoria de imprensa que poderá resolver essa sua solicitação”.
É verdade que ele dispõe, mas é pena que ela não resolva.
A troca de emails entre esse blog e o presidente do PCdoB foi no dia 18 de fevereiro. Passados onze dias, pode-se afirmar, com absoluta segurança, que o Partido Comunista do Brasil não sabe, ou melhor, não tem opinião sobre o ex-primeiro-ministro Tony Blair.
Já não se fazem comunistas como antigamente.

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