• Terça-feira, 13 Julho 2010 / 3:38

Jobim: “Nada muda na Defesa”

De Eumano Silva, da revista Época:
“O ministro da defesa, Nelson Jobim, desfruta uma situação única no governo Lula. Homem de confiança do presidente numa das áreas mais sensíveis da Esplanada, Jobim mantém estreitas relações com o candidato da oposição ao Planalto, José Serra (PSDB). A dupla militância permite a previsão de que, em assuntos de Defesa, o Brasil manterá as diretrizes atuais caso a eleição seja vencida por Serra ou pela ex-ministra Dilma Rousseff. ?Fiz reuniões com PT, PMDB, DEM e com o ex-presidente Fernando Henrique?, diz Jobim, ao explicar as mudanças na área militar, como a subordinação ao poder civil, aprovadas no Congresso. Nesta entrevista a ÉPOCA, Jobim faz um balanço dos acordos internacionais do país e das medidas para tentar organizar a aviação no Brasil”.
                                                        * * *
“? Como vai ficar a defesa nacional do Brasil no futuro?
? Os políticos e os governos civis viam a defesa com certa distância. Na época da Constituinte, a defesa se confundia com repressão política. Com isso, militares tinham de tomar certas decisões que, a rigor, eram decisões de governo civil. Exemplo: quais as hipóteses de emprego (das Forças Armadas) que politicamente interessam ao país? Isso é um misto de política internacional com defesa. Cabe ao poder civil definir o que os militares devem fazer em termos de defesa. Os militares decidem a parte operacional.
? Isso aconteceu no governo Lula?
? Tudo é um processo. Não acontece assim, bum! Começou no governo Fernando Henrique, com a criação do Ministério da Defesa, em 1999, nas condições possíveis naquele momento. No governo Lula, avançou-se um pouco no início, com o ministro Viegas (José Viegas, primeiro ministro da Defesa de Lula). Os avanços mais doutrinários são consolidados pelo vice-presidente (José Alencar) que o sucedeu e, depois, pelo Waldir Pires. Quando assumi, decidi que precisávamos realizar uma mudança de concepção para dar mais musculatura ao Ministério da Defesa.
? Como assim?
? O orçamento, por exemplo. Antes, as Forças (Marinha, Exército e Aeronáutica) se acertavam entre si dentro do limite fixado pelo Ministério do Planejamento. O ministro (da Defesa) não tinha participação. Também foi aprovado na Câmara o projeto de alteração da Lei Complementar nº 97. O Estado-Maior de Defesa passa a ser o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. Será chefiado por um oficial de quatro estrelas escolhido pelo presidente, indicado pelo ministro da Defesa. Vai ter a mesma precedência dos comandantes de Força. Ao assumir, vai para a reserva. Hoje, ele volta para a Força de origem.
? Qual é o problema?
? Dá constrangimentos. Às vezes, precisa tomar decisão contrária ao interesse da Força de origem e tem dificuldade. Outra mudança é na política de compras, que hoje é fixada pelas Forças, mas será fixada pelo ministério em função do que o poder civil considera relevante. Precisamos de monitoramento e controle, mobilidade e presença. O monitoramento deve ser feito, por satélite, na Amazônia Legal e na Plataforma Continental, onde o Brasil tem soberania.
? São planos de longo prazo?
? Ah, uns 20 anos…
? O senhor, então, não espera grandes mudanças se o próximo presidente for Dilma Rousseff ou José Serra? ? Eu não espero.
? A Defesa está acima das questões políticas?
? Tudo que estou falando foi discutido com todos os partidos. Fiz reuniões com o PT, o PMDB e com o DEM. Fui ao Instituto Fernando Henrique Cardoso. Estava cheio de gente lá, todos os ministros dele, todos meus colegas, e várias outras pessoas, intelectuais também.
? Não há ideologia nessa área?
? Eu quis descolar, mostrar que não é um programa do governo. É um programa do Estado.
? O que mais mudou?
? Tem uma mudança doutrinária. Saímos do conceito de operações combinadas para o conceito de operações conjuntas. Na combinada, cada Força tem seu comando próprio. Na conjunta, tem um comando só para as três Forças. O comandante da operação vai depender do teatro de operações. Se for a Amazônia, o comandante da operação vai ser do Exército. Se for no mar, vai ser um almirante.
? O que, de fato, interessa ao Brasil em termos de defesa?
? O Brasil não é um país com pretensões territoriais, não vamos atacar ninguém. Então, devemos ter um poder dissuasório. Temos três coisas fundamentais. Uma é energia, que tem o pré-sal e também energia alternativa, energia limpa, entre elas a energia nuclear. Segundo, o Brasil tem as maiores reservas de água potável do mundo: a Amazônia e o Aquífero Guarani. E, terceiro, temos a maior produção de grãos. São coisas que, progressivamente, o mundo vai demandar mais.
? Na América do Sul, quais são as maiores preocupações?
? A estabilidade política e econômica. Quanto mais desenvolvido o país, mais estável será. Quando o Brasil paga mais pelo excedente de energia elétrica do Paraguai, ajuda a criar condições para que o Paraguai se estabilize. Um país que tem a dimensão do nosso não pode botar o pé em cima dos outros.
? Qual é sua opinião sobre a relação do Brasil com a Venezuela?
? É boa. A Venezuela viveu sempre do óleo. A elite se apropriou dessa riqueza e não investiu no país. Ficou um conjunto de pessoas muito pobres. Aí, surgiu o presidente Hugo Chávez, que lidera esse setor. Está conseguindo avançar. Agora, o Chávez é um homem, digamos, de uma retórica forte. Isso não atrapalha. Faz parte do hispano-americano. É preciso ter paciência. Boa sorte à Venezuela.
? E com os Estados Unidos?
? Estamos muito bem. Com a vitória do presidente Obama, mudou muito. Concluímos um acordo de defesa para criar novas perspectivas de cooperação bilateral. Vai nos permitir, por exemplo, vender aviões da Embraer para eles sem licitação.
? O Irã é o maior ponto de divergência entre Brasil e Estados Unidos?
? A posição do presidente Obama não é nesse sentido. Há setores nos EUA, principalmente no governo Bush, que demonizam o islã. O islã é pacífico. A posição do Brasil é assegurar a legitimidade do enriquecimento do urânio para fins pacíficos. Nós temos tecnologia para isso e temos urânio. Ainda precisamos completar a parte industrial.
? Qual é sua opinião sobre o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares?
? É assimétrico. Divide os países em nucleares e não nucleares. Os nucleares assumiram compromisso de reduzir as armas e transferir tecnologia nuclear com fins pacíficos para os não nucleares. Não fizeram nem uma coisa nem outra. O Brasil só desenvolveu tecnologia de urânio com luta própria, com cientistas militares brasileiros.
? Quais são os interesses do Brasil na área de defesa em Israel?
- Temos interesses em Veículos Aéreos Não Tripulados, os Vatns, para fazer monitoramento. Algumas empresas israelenses produzem. Estou examinando a possibilidade de produzirmos no Brasil, com uma empresa brasileira associada a uma israelense.
? E a compra dos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), quando se resolve?
? Pretendo terminar em abril uma exposição de motivos para o presidente, com uma opção. O presidente convoca o Conselho de Defesa Nacional, que emite um parecer e, aí, o presidente decide.
? Como estão as buscas dos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia?
? A segunda etapa já começou.
? A irmã de um guerrilheiro desaparecido encontrou ossadas. Isso ajuda?
? Sim. Qualquer pessoa que encontrar ossos tem de chamar a polícia e identificar. Se isso estiver no âmbito de execução da sentença penal que estamos cumprindo com as buscas, vamos ter de aproveitar isso. Não há um conflito.
? O senhor foi nomeado para resolver o caos aéreo do Brasil. Considera a missão cumprida?
? Vou falar o que fizemos. A primeira medida foi substituir a direção da Infraero, despartidarizar. Formulamos a Política Nacional de Aviação Civil. Ela foi aprovada. Pretendemos oferecer um tratamento diferente para a aviação regional. Vamos enviar um projeto de lei ao Congresso. Em 2005, instituímos liberdade de rota e liberdade tarifária. Esse sistema funciona para a aviação doméstica, mas não para a regional, que precisa de estímulos. Vamos investir nos aeroportos regionais.
? Nossa estrutura de aeroportos estará preparada para as Olimpíadas do Rio em 2016?
? Sim. Tem um calendário da Infraero para as obras necessárias. Temos um crescimento anual médio de 10% na aviação civil. Na Copa do Mundo, terá um aumento de 2% em dois meses. Mas nossa preocupação não é só com a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Tem muito mais gente viajando, os preços caíram. Em 2002, o quilômetro voado custava R$ 0,71. Em 2009, custa R$ 0,49.
? E em relação aos passageiros?
? Incentivamos uma resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) sobre a responsabilidade das empresas em relação a atrasos, overbooking. É o que a Anac podia fazer dentro da legislação. Paralelamente, nós mandamos para o Congresso um projeto que cria um dever de indenização por parte das empresas se os atrasos forem devidos a qualquer agente. Se o atraso for decorrente da Infraero, a empresa se ressarce do que entregou ao passageiro.
? E se for culpa da meteorologia?
? Nesse caso, não tem ressarcimento.
? Dá trabalho ser ministro da Defesa?
? Na época das demissões da Infraero, recebi críticas de amigos meus porque eu demiti pessoas indicadas por eles. Fiz exatamente o que eu precisava fazer. Como não sou candidato a coisa nenhuma e sempre gostei de confusão, não teve problema”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 1:44

A TAM detesta o Rio de Janeiro

  Até aí nenhuma novidade. Mas alguém tem notícia de qualquer autoridade que tenha feito pelo menos uma  gestão para que a Transportes Aéreos Marília, a companhia caipira do interior paulista, mudasse de atitude?
É comum se falar mal das dependências do Galeão.  É obvio que o aeroporto da mais bela cidade do país, tem de passar por uma reforma radical.
Mas tão ou mais importante que esteiras, elevadores e banheiros funcionando, são vôos saindo e chegando no horário e, de preferência, vôos diretos.
Todos os vôos da TAM para a Europa ? a única companhia brasileira que voa para lá ? saem de São Paulo. Do Rio, existe apenas um para Paris. E sabem por qual motivo? Porque a Air France tem dois vôos diários e diretos para a capital francesa. E isso há anos. E sempre lotados.
O mesmo acontece para Miami, para onde a American Airlines voa direto do Rio.
Há um ano, a TAM lançou quatro vôos semanais, diretos, para Nova York.
Mas é comum o passageiro comprar um desses bilhetes, e ser informado, uma semana antes, que será obrigado a fazer uma conexão em São Paulo.
A TAM não tem a mínima preocupação em cumprir o contrato que assume com o passageiro, quando vende um bilhete aéreo. O importante para ela é voar quase sempre lotado. Se não tem passageiros suficientes, ele deixa o avião no chão até que os passageiros apareçam.
Quem embarcou ontem à noite, de Londres para o Rio, no vôo JJ 8085, levou inacreditáveis 21 horas de viagem. Isso é como se fazer um vôo Rio-Nova Delhi, com uma conexão de duas horas em Paris.
E sabem por que? Porque apesar do vôo JJ 8085 ser Londres ? Rio, ele chega a São Paulo às 6h50m, mas o passageiro, ao mudar de avião, é obrigado a esperar a chegada dos vôos de Madrid, de Frankfurt e de Milão, para que o JJ 8085 prossiga a viagem.
Ontem, a espera em São Paulo foi de 5 horas e meia.
Os passageiros que se danem.
A TAM não está preocupada com eles.
É normal que uma companhia aérea faça de tudo para ser rentável, mas não é possível  que ela tenha em vista apenas o  lucro, se ela o obtém com o sacrifício daqueles que lhes proporcionam essa riqueza.
O Rio sediará as Olimpíadas de 2016 e, é normal que todos briguem para que a cidade tenha um aeroporto mais bonito, mais limpo, mais funcional e mais bem equipado.
Mas é preciso trabalhar, também, para que uma viagem de ida, de 10 horas, não leve o mesmo tempo de um trajeto de ida e volta, ou seja, 20 horas.
As pessoas mais importantes de uma Olimpíada não são seus organizadores, seus cartolas, nem mesmo o público que virá assistir as competições. Os astros são os atletas.  E não é possível massacrá-los, obrigando-os a fazer vôos com tamanho tempo de duração.
A não ser que isso seja um dos trunfos do COB para que o país ganhe mais algumas medalhas.
O passageiro que hoje viaja para o exterior, a partir do Rio, pela TAM, é antes de mais nada um desavisado, para se falar o mínimo.
O vôo é demorado, não existe respeito aos horários, o serviço de bordo é dos piores entre todas as empresas aéreas que voam para o Brasil ? incluindo ainda as americanas -  as passagens são mais caras,  sem falar que os benefícios do cartão de milhagem da TAM, são bem inferiores aos das outras companhias aéreas.
O aeroporto, privatizado ou não, ficará um brinco para as Olimpíadas.
Mas, se os atletas que virão disputar as provas, dependerem de uma conexão em São Paulo, e  essa for feita pela TAM, tenham a certeza que 2016 será um fracasso.
Competição esportiva é boa quando são batidos recordes.
E o único recorde a ser constatado daqui a seis anos, se nada mudar até lá, será a comparação inevitável que se fará da companhia aérea brasileira, com as que atuam em países africanos.
É por isso que a África nunca sediou uma Olimpíada.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:47

Em defesa do Rio

  Um membro do COI deu ontem uma importante declaração em defesa do Rio, comentando os episódios do ultimo final de semana na cidade.
Segundo ‘O Globo’ de hoje, “o britânico Craig Reedie, membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) e integrante do comitê de acompanhamento das Olimpíadas de 2016, disse, em entrevista ao jornal ?The Independent?, que lamenta o ocorrido no Rio, mas acrescentou que o fato era ?insignificante, comparado ao que aconteceu em Londres em 2005?. Em 7 de julho daquele ano, logo depois da escolha da cidade para sediar as Olimpíadas de 2012, quatro homens-bomba causaram explosões em trens, metrô e ônibus, deixando 52 pessoas mortas e cerca de 700 feridas”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:43

Nuzman, nada modesto

O presidente do COB, Arthur Nuzman, não é nada modesto.
Veja o que ele disse ao repórter Fernando Duarte, de ‘O Globo’, em Copenhague:
?Ser membro do COI e acumular a presidência da candidatura pesou muito aqui (aponta para uma da sala de reuniões do COI). A maneira com a qual eu poderia entrar para falar com eles era diferente das outros candidaturas (onde não houve acúmulo de cargos). Eu era o único que poderia ter feito aquele discurso na apresentação final, falando diretamente com os delegados, e pedindo para que refletissem sobre a decisão histórica que poderiam tomar. Soubemos utilizar meu peso político e isso contou nessa candidatura.?

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:39

O mago da Rio 2016

 Mike Lee, ex-consultor político do Partido Trabalhista inglês, foi o marqueteiro do COI na campanha Rio 2016. Ele concedeu uma entrevista ao repórter Rodrigo Mattos, da ‘Folha’, e disse que Lula foi “brilhante, foi crucial” para a vitória.  Outra vantagem é que as eventuais críticas de brasileiros às Olimpíadas, o “mundo não estava lendo”.
Eis a  entrevista:
- Qual a diferença entre uma campanha política e uma campanha olímpica?
- Nenhuma diferença.
- Nenhuma?
- São campanhas eleitorais. Seu trabalho é ganhar a eleição, fazer votarem em você.
- Existe uma diferença entre as campanhas de Londres e do Rio. Mas Londres tem essa autoestima de cidade cosmopolita que organizou grandes eventos…
- Londres nunca organizou algo como o Carnaval ou como o Revéillon do Rio. Quantos eventos de grande porte esportivos Londres organizou? Nenhum. Vocês fizeram o Pan-2007. Londres não fez isso.
- Mas é reconhecida como uma cidade mais rica.
- Nós tivemos essa candidatura atacada em massa pela mídia inglesa. E a coisa da mídia inglesa, comparando com a brasileira, é que ela vai para o mundo, por causa da língua.
- Talvez pelo dinheiro…
- Não por causa do dinheiro, 1.300 correspondentes vivem em Londres, todas as redes grandes. Se a mídia é dura em Londres, vai para o mundo. Chicago teve esse problema. Houve hostilidade da mídia brasileira, críticas injustas. Mas o mundo não estava lendo.
- Então o senhor não acha que foi um desafio?
- Foi um desafio diferente. Lula disse que os brasileiros têm que provar todo dia. Foi um pouco assim na campanha. Nós tivemos que ganhar todas as apresentações. A apresentação final, cada palavra, cada slide, cada segundo do vídeo, cada gesto, nós trabalhamos.
- Em geral, como foi a relação com o presidente Lula?
- Brilhante. Lula foi crucial. As pessoas falaram sobre o papel de Tony Blair, que foi bem importante para Londres-2012. Eu diria que Lula foi provavelmente mais importante para o Rio-2016. Ele trabalhou por dois anos. Não apareceu só no último dia, fez um discurso e acenou [como Barack Obama].
- Você disse que é um campanha próxima da política. Ele é um político…
- Fez coisas acontecerem. Não poderíamos dizer que o Rio está pronto e nossa economia está caindo. O Brasil é a 10ª economia no mundo e seremos a 5ª em 2016. A nova ordem mundial tem o G20, e o Brasil está na mesa central. O Brasil está em todas as mesas centrais, porque não na do COI?
- Qual é o impacto da repercussão na mídia para o Rio e para Londres?
- Em Londres, o impacto dos Jogos será bem menor do que no Brasil. O tempo foi certo [para o Rio]. Se olhar a apresentação, não dizíamos “vocês têm que vir para a América do Sul.”Dizíamos que foi uma jornada maravilhosa, 30 jogos na Europa, cinco na Ásia, dois na Oceania. Nove na América do Norte, sendo oito nos EUA. E, de repente, mostramos um continente com zero. O Rio está pronto para abrir uma porta ao movimento olímpico para a América do Sul. Isso foi crucial.
- Isso ocorria desde o início [a favor do Rio]. Se fizesse certo, ganharia a candidatura.
- Fazer certo realmente não é fácil. Fazer errado, como Chicago, também não é fácil. Mas nós fizemos certo. - Você vai continuar com o Comitê Organizador?
- Eu gostaria. Não conheço São Paulo, mas amo Rio. Eu tenho grande respeito pelos líderes políticos e os líderes do comitê olímpico. Vamos fazer outros trabalhos juntos.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:39

Nuzman, o novo Zagalo

O presidente do Comitê Organizador dos Jogos de 2016, Carlos Arthur Nuzman, tem tudo para virar um novo Zagalo.
Ontem, ele se irritou quando lhe perguntaram sobre como evitar um possível estouro do orçamento da Olimpíada, já que no Pan o gasto inicial era de R$ 400 milhões e ele saltou para quase R$ 5 bilhões. Segundo o ?Estadão?, o dirigente se esquivou da pergunta e atacou a turma que “torceu contra” a candidatura da cidade carioca.
“Se alguém no Brasil não está satisfeito com isso, ficou triste ou torceu contra, vai ter de chorar por sete anos como testemunha do maior sucesso da vida pública esportiva do País. Vai ter de se amargurar pela eternidade”.
Essa é a verdade intelectualizada do ?vocês vão ter de me engulir?.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:38

“Projeto sem pé nem cabeça”

A melhor reportagem, até agora, sobre o futuro das Olimpíadas no Rio, está publicado na edição de hoje de ?O Globo?, na entrevista que o arquiteto e urbanista  Sergio Magalhães, professor da UFRJ, concedeu a repórter Selma Schmidt. Ele defende mudanças no projeto do Rio 2016, critica a concentração de equipamentos na Barra, condena o metrô para a Barra ? ?é do interesse da construtora e não da população? ? e defende a construção da Vila Olímpica e de Imprensa na zona portuária.
Veja a entrevista:
- Pelo projeto Rio 2016, a Barra concentrará a maior parte dos equipamentos esportivos e a própria Vila Olímpica. Isso pode significar que o restante da cidade, especialmente os bairros do subúrbio, onde estão os maiores problemas de infraestrutura, poderão continuar como os grandes esquecidos pelo poder público, apesar das Olimpíadas?
- Os recursos serão muito importantes.Mas, se forem dirigidos prioritariamente para a Barra, a cidade vai sofrer muito. E a grande mudança que uma Olimpíada pode trazer vai ser minimizada porque o conjunto da população terá menos oportunidades do que teria, por exemplo, se os Jogos Olímpicos se concentrassem na área portuária. O Porto, agora, está disponível. Quando as Olimpíadas foram programadas, não havia o acordo entre os três níveis de governo. Os terrenos do Porto estavam impossíveis.
Isso mudou.
- O que poderia ser construído na área portuária? A Vila Olímpica?
- A Vila Olímpica e um grande número de equipamentos. A própria Vila de Imprensa. O prefeito Eduardo Paes disse que a construção da Vila de Imprensa deveria ser antecipada para poder ser útil durante a Copa de 2014. A Copa será no Maracanã. Se a Vila de Imprensa for na Barra, ficará mal localizada. Já, se ficar no Porto, seria perfeito.
- Ainda há tempo de mudar, mesmo o projeto já tendo sido apresentado ao COI?
- Claro! Inclusive porque vamos economizar tempo e dinheiro. O aproveitamento do Porto é mais barato.
A área é central e haverá a valorização de toda a Região Metropolitana porque o sistema de transportes melhora. A construção da Vila Olímpica também vai estimular a habitação e novos edifícios de serviços e escritórios no Centro. O que Barcelona fez foi pegar a área degradada e investir nela.A cidade toda se beneficiou.Nós pegamos a área que o setor imobiliário está querendo (Barra) e, neste caso, os investimentos ficarão só lá.
- Por que os subúrbios e a Zona Norte como um todo seriam beneficiados se o Porto fosse o local com mais equipamentos olímpicos?
- Os subúrbios e a Zona Norte têm equipamentos que serão usados. O Maracanã fica na Zona Norte. O Engenhão, no Engenho de Dentro.E tem Deodoro. Em todo esse corredor, o trem tem de virar metrô de qualidade (de superfície).Essa conexão passa a ser mais privilegiada do que a da Zona Sul para a Barra. O metrô para a Barra vai ter pouca gente e muita obra. É do interesse da construtora e não da população.Ao passo que o metrô nas linhas do subúrbio é a redenção da Zona Norte.
- Então, se tivéssemos a maioria dos equipamentos no Porto, em vez de na Barra, a melhoria da infraestrutura seria irradiada para a Zona Norte?
- Além de ser muito mais barato e efetivo no tempo para resolver tudo. Ganha a cidade como um todo, em termos de investimento.Vamos ter a Olimpíada que transformará para melhor o conjunto da cidade. E não tem nenhuma contradição em relação ao que foi proposto ao COI porque, na ocasião em que o projeto foi apresentado, isso não seria viável. Seria difícil prever que haveria um acordo tão efetivo entre os governos federal, estadual e municipal. A tal ponto que o prefeito Eduardo Paes, o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula já assinaram um acordo em relação às terras da área portuária. No Porto tem terreno suficiente para tudo o que se quiser. Deixamos alguns equipamentos na Barra por que já estão construídos.Mas não se constrói mais. O núcleo fica na área portuária. Mas tem ainda o gasômetro, um terreno enorme junto à antiga Leopoldina e a área do Complexo Penitenciário da Frei Caneca.
- Como ficaria o projeto de levar o metrô até a Barra?
- É um investimento sem pé nem cabeça, em termos de prioridade, por causa do custo-benefício. Será um investimento para obra. Não é para passageiros. Depois, a Linha 4 foi licitada para ser concessão.Não faz sentido botar dinheiro público naquilo que foi licitado para ser concessão.
- Na área de transportes, além de transformar o trem suburbano em metrô de superfície, o que mais deveria ser feito para ficar de legado das Olimpíadas?
- Transformar o trem em metrô deve ser a grande prioridade. As outras coisas que forem feitas, ótimo.Se tivermos as duas linhas de metrô existentes articuladas com as três linhas de trem, transformadas em metrô, toda a parte olímpica fica com excelente padrão de qualidade de transporte. A Vila Olímpica fica no vértice de dois vetores.Uma linha é Centro, Aterro, Copacabana e Lagoa, onde estão previstas competições. A outra linha é Centro, Maracanã, Engenhão e Deodoro. As vilas Olímpica e de Imprensa nesse vértice, voltadas para o mar, serão show de bola.
 - E, na área ambiental, que legados não podem deixar de ficar para a cidade?
- A despoluição da Baía de Guanabara é vital.Depois, é melhorar muito o saneamento.Temos ainda que continuar com a urbanização das favelas. Se oferecermos um transporte de qualidade para o subúrbio, chegando até a Baixada Fluminense, aliviaremos a pressão em relação à moradia e permitiremos que novas construções sejam feitas com um bom sistema de transporte coletivo. Isso vai enfraquecer a pressão sobre as favelas. Hoje, pelo que está programado, a área a ser beneficiada é exageradamente grande. Do Centro à Barra são 40 quilômetros. Não tem nenhuma cidade olímpica no mundo que tenha chegado a esse exagero. Barcelona, por exemplo, é uma área que cabe no Centro e na Zona Sul.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:38

Política e Olimpíadas

Sexta feira passada, dia 2, Cesar Maia publicou, em seu blog, uma nota que vale a pena ler de novo. Ele diz que misturar política com Olimpíadas é uma enorme bobagem.
?Os Jogos Olímpicos são realizados 7 anos depois da cidade-sede ser escolhida. No caso do Brasil, serão mais dois governos federais eleitos: um em 2010 e outro em 2014. Sidney sediou os JJOO-2000 quando governava a Austrália, o Partido Liberal. Mas quando foi escolhida como sede, em 1993, governava o Partido Trabalhista. Atenas foi escolhida como sede em 1997, quando governava a Grécia o Partido Socialista, mas foi a Nova Democracia que estava no poder durante os JJOO-2004. Tony Blair, primeiro ministro do Partido Trabalhista, foi o responsável pela conquista de Londres em 2005 para 2012. Fez pessoalmente os contatos e o lobby de Londres. Mas os JJOO-2012 serão realizados sob o comando do Partido Conservador. A eleição será em 2011 e a vantagem dos “tories” é muito grande e sustentável?.
Quem viver… verá.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:38

João, o que mais trabalhou

Existe um cidadão a quem o país e, particularmente o Rio de Janeiro, devem muito.
Ele foi o grande responsável pela coquista do Brasil em realizar a Copa do Mundo de 2014, e agora do Rio sediar as Olímpíadas de 2016.
Seu nome é Jean-Marie Faustin Goedefroid de Havelange. Ou João Havelange.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 0:38

Rio 2016

O Rio está obviamente de parabéns.
Agora seja o Deus quiser.
A torcida, a partir desse momento, deve ser para que as Olimpíadas de 2016 deixem, efetivamente, um legado para a Cidade Maravilhosa.
Que os discursos, de nossos dirigentes, feitos para os membros do COI, tornem-se realidade em todos os aspectos prometidos: na segurança, na educação, no meio ambiente, nos transportes, nos esportes, etc e etc.
O PAN deixou para o Rio vários equipamentos esportivos que ajudaram a cidade a vencer a disputa. Mas os problemas do cidadão comum continuaram os mesmos, sendo que, em alguns casos, pioraram.
Tomara que dessa vez seja diferente.
Temos sete anos para preparar a festa olímpica.
É tempo suficiente para que haja planejamento sério, e que os responsáveis pelo projeto tratem a coisa pública com respeito. Essa deve ser agora a mais importante preocupação popular.
De todas as candidaturas, a do Rio foi a menos transparente em matéria de gastos.
O que se espera é que, a partir de agora, tudo fique mais claro.
E a população, que apoiou fortemente a iniciativa do COB e do governo do Brasil, não seja utilizada apenas como massa de manobra para essa vitória.
Ela merece e precisa também ganhar com essa extarordinária conquista.

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