• Sexta-feira, 30 Julho 2010 / 9:47

Gabeira com o pé na lama

 

     Do repórter Henrique Gomes Batista, de ‘O Globo’:
“O deputado Fernando Gabeira, candidato do PV a governador do Rio, decidiu visitar ontem a estrada estadual RJ-113 que liga os bairros de Jaceruba e Vila de Cava, no município de Nova Iguaçu para apurar reclamações do péssimo estado da via. Constatou os problemas na prática: o jipe que utilizava para fazer o percurso de 22 quilômetros quebrou no meio do caminho, após se chocar com uma pedra entre os inúmeros buracos da estrada.
Antes do início do trajeto, Gabeira tinha afirmado que havia alugado um jipe para suportar a estrada.
Integrantes do PV na Baixada Fluminense indicaram a RJ-113 como uma das piores da região:  “ O jipe quebrou, tivemos que retirar o carro da estrada para um ônibus passar. Eu fui vítima dela também. Realmente a situação é muito grave” –  disse Gabeira.
No caminho, o candidato encontrou moradores que tentavam arrumar a RJ-113.
- Eles disseram que esta estrada foi dada como asfaltada duas vezes, e já foram destinados milhões em emendas parlamentares. Vou pedir um levantamento de todas as estradas estaduais na Baixada para tentar tocar nessa questão disse.
Segundo moradores, os problemas são recorrentes e, muitas vezes, provocados por vazamentos de tubulações da Cedae, que faz captação de água na região:  “As crianças chegaram a ficar dois meses sem ir à escola porque simplesmente o ônibus não passava. O pior é que já cansamos de reclamar com o governo, a prefeitura, a Cedae, e ninguém resolve” –  contou Ionice Brasil, de 48 anos.
- Se a gente não fizer, ninguém faz nada. No máximo, deixam umas pedras grandes para a gente, que nem resolve muito, pois precisaríamos de um trator para tirar toda a lama e usar corretamente as pedras – disse Elias Serra, também morador.
Gabeira visitou a Reserva Federal Biológica do Tinguá, também em Nova Iguaçu. Segundo ecologistas, a área sofre com a falta de pessoal, o que facilita a ação de caçadores e a retirada de palmito.
- Há uma captação de água da Cedae para o Rio aqui e não há compensação nem para Nova Iguaçu, nem para a reserva. Vamos estudar uma compensação para a reserva biológica disse Gabeira, que defendeu a compra de câmeras de vigilância para a reserva por parte de grandes empresas da região, como Petrobras, Cedae e Furnas, atenuando a falta de fiscalização.
Ainda em Nova Iguaçu, o verde disse, sem citar nomes, ter o apoio de lideranças petistas e de militantes.
A declaração se referia à fragilidade da aliança do PMDB com o PT no estado. Cresce o grupo de petistas insatisfeitos com os peemedebistas.
Eles reclamam da falta de apoio à candidatura de Lindberg Farias para o Senado e já defendem, como segundo voto, Marcelo Crivella (PRB), aliado do presidente Lula.
- Há pessoas do PT, cujos nomes não posso revelar para evitar qualquer tipo de retaliação, que estão fazendo minha campanha. Há muitos que simpatizam com as minhas propostas e preferem votar em mim  – disse Gabeira.
Alijado por parte do PMDB, Lindberg Farias disse que o PT respeita Gabeira: – O PT não vai, nunca, hostilizar o Gabeira, por sua história e caráter. Mas o partido está bem fechado com o PMDB e as candidaturas de Dilma Rousseff e Sérgio Cabral.
Ao saber da afirmação do verde, o presidente estadual do PT, Luiz Sérgio, reagiu:  “As afirmações são mais delírio que realidade. Gabeira tentou criar um fato político” –  disse.
Membro do Diretório Nacional do PT, o vereador do Rio Adilson Pires disse que todas as lideranças do partido respeitam a aliança com o PMDB”.

CABRAL TENTA DESQUALIFICAR ADVERSÁRIO

      Do repórter Walmor Freitas, de ‘O Globo’:
“Com quase uma hora de atraso, o governador Sérgio Cabral (PMDB) desembarcou ontem à noite no Largo Santo Antônio, centro comercial popular de Cabo Frio, onde caminhou por cerca de 200 metros até um palanque na Praça Porto Rocha, a principal da cidade. E logo aproveitou para reagir às declarações do candidato Fernando Gabeira (PV), que durante o dia teve problemas com o jipe em Nova Iguaçu. Cabral disse que o candidato do PV precisa conhecer melhor o estado ao qual se candidata a governar:  “O DER tem o maior orçamento da história do estado e o interessante é que o adversário está conhecendo o estado que ele não conhece. É bom ele conhecer o estado, quem sabe ele escreve um livro depois, quando acabar a campanha”.
No discurso, Cabral também lembrou que Cesar Maia (DEM), candidato ao senado, foi prefeito do Rio e consumiu verba pública maior do que o orçamento anual de Cabo Frio, em torno de R$ 400 milhões:  “ O candidato, que já foi prefeito gastou R$ 400 milhões e agora o prefeito Eduardo Paes ainda terá que desembolsar mais R$ 100 milhões para terminar a Cidade da Música. É mais do que orçamento de Cabo Frio. O Rio não precisa de um senador como este” .
Durante 20 minutos, Cabral falou sobre os investimentos em obras no estado e a instalação das UPAS na Região dos Lagos, e lembrou dos 91 prefeitos que o apoiam.
- Fazemos aliança com a população, independente de partido político, por isso temos essa força no estado e os prefeito estão de parabéns – disse Cabral.
Ele disse ainda que o interior do estado será beneficiado com as Olimpíadas, já que um projeto esportivo será desenvolvido em todas as unidades escolares:  “Onde houver quadra nos vamos reforçar”.
E continuou:  “Teremos atividades olímpicas em 1.300 colégios estaduais com 1 milhão e 400 mil alunos. Onde não houver quadras esportivas, nós faremos quadras esportivas” – prometeu.
O candidato ao senado Jorge Picciani (PMDB), que acompanhava Cabral, também alfinetou Gabeira. Sem citar nomes, Picciani lembrou que nas Farra das Passagens o outro candidato mandou a filha surfar com o dinheiro público.
Segundo a PM, cerca de 1.500 pessoas assistiram ao comício. A maioria das pessoas segurava bandeiras e cartazes dos candidatos regionais”.

  • Terça-feira, 27 Julho 2010 / 10:36

UPAs do Rio estão falidas

Dos repórteres Cassio Bruno e Carolina Benevides, de ‘O Globo’:
“A placa com o aviso no Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, seria a esperança de pacientes de receber tratamento digno na rede pública de Saúde administrada pelo governo do estado. Além de conviver com a superlotação e com a falta de infraestrutura, a população sofre com a precariedade das Unidades de Pronto Atendimento as UPAs 24 horas, modelo já adotado pelo governo federal. O projeto, criado para desafogar as emergências, não tem médicos suficientes, e doentes chegam a esperar seis horas por uma consulta.
Os problemas não são menores nos hospitais.
Atualmente, o déficit é de 233 médicos, segundo a Secretaria estadual de Saúde. Resultado: não é difícil encontrar pacientes em macas e pelos corredores. Faltam anestesistas, neurologistas, cardiologistas e pediatras.
Uma auditoria do Ministério da Saúde mostrou que o Estado do Rio não cumpriu a legislação que prevê a destinação de 12% da arrecadação e de transferências federais para a Saúde. Proporcionalmente, o Rio teve o menor repasse do país em 2006 (2,76%) e, em 2007, ficou em antepenúltimo (6,06%). Em 2006 e 2007, o Denasus verificou que o governo do Rio deixou de investir R$ 2 bilhões na Saúde. A Secretaria de Saúde contesta e afirma que o Tribunal de Contas do Estado aprovou os gastos.
As UPAs, uma das principais bandeiras do governador Sérgio Cabral, candidato à reeleição pelo PMDB, atendem de oito mil a nove mil pessoas por dia. O Rio tem 35 UPAs sendo 15 de responsabilidade da prefeitura, mas todas sob supervisão do estado. Na UPA de Ricardo de Albuquerque, há duas semanas, com um clínico geral, os funcionários dispensavam quem procurava o local. Em Caxias, a demora no atendimento fez com que o auxiliar de carregamento Leonardo Gastaldi, de 20 anos, discutisse com funcionários. A namorada dele, com fortes dores no corpo, esperou seis horas: – Cheguei às 10h e pediram para aguardar. O segurança quis saber por que eu reclamava e discutimos. O atendimento é péssimo.
Para Jorge Darze, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, as UPAs padecem do mal de toda rede de saúde do estado: Não há médico suficiente. O paciente não sai com a consulta marcada, o que contribui para que as emergências continuem lotadas.
Vistorias realizadas este ano pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj) revelaram que no Getúlio Vargas, na Penha, o déficit é de 40 médicos. No Albert Schweitzer, em Realengo, a UTI neonatal funciona com apenas 50% por falta de médicos.
Coordenador das UPAs, o major Jorge André admite os problemas, mas culpa os médicos: Temos 603 médicos em 20 UPAs. A falha é do médico que não vai ao serviço.
Sobre os hospitais da rede, Carlos Eduardo de Andrade Coelho, superintendente de Unidades Próprias da Secretaria Estadual de Saúde, diz que problemas existem: Temos dificuldades nas internações, principalmente nas UTIs. Estamos fazendo estudos para conseguir leitos em unidades particulares.
E nosso principal obstáculo é ocupar essas ausências em hospitais na Zona Oeste porque os médicos não querem trabalhar na região por causa da distância do Centro do Rio”.

  • Terça-feira, 27 Julho 2010 / 10:28

Gabeira insiste em paz e amor

     Do jornalista Ilimar Franco, no Panorama Político, de ‘O Globo’:
“O pessimismo tomou conta dos partidos que apoiam a candidatura de Fernando Gabeira (PV) ao governo do Rio. Por isso, querem que ele mude sua estratégia eleitoral e aposte no confronto. Avaliam que Gabeira comete o erro de querer repetir no estado a campanha light que fez para a prefeitura.
E concluem: a ausência de Anthony Garotinho (PR) fragilizou a campanha da oposição.
Gabeira, no entanto, não dá mostras de que seguirá a orientação. Ontem, em batepapo com militantes, ele disse que não vai bater no governador Sérgio Cabral (PMDB) no debate da Bandeirantes, dia 12, como estratégia para incentivá-lo a ir nos da Rede TV e da Globo.
Ele disse que ainda não decidiu sobre os outros debates.
De qualquer forma, irá ao primeiro esperando ser bem tratado, o que faremos, sem deixarmos de questionar tudo que precisa ser questionado, diz”.

  • Quarta-feira, 21 Julho 2010 / 19:28

Governo Cabral: 25 mil mortos

  Deu no ‘Globo’:              
Um levantamento feito pelo movimento Rio de Paz mostra que 25 mil pessoas morreram vítimas de violência nos últimos 3 anos e meio. Os números são do Instituto de Segurança Pública -ISP- segundo a entidade. Entre janeiro de 2007 e maio deste ano foram registrados 19.839 homicídios dolosos, 154 lesões corporais seguidas de morte, 709 roubos seguidos de morte, 3.943 resistências que resultaram na morte do opositor, 74 PMs e 23 policias civis mortos em serviço.
Esse é o balanço do Governo Cabral.

  • Terça-feira, 20 Julho 2010 / 18:01

Cabral tenta consertar o estrago

   Sergio Cabral anunciou, em ‘O Globo’, que já agendou um encontro com os pais de Wesley, de 11 anos, morto na sala de aula de um CIEP.
Mas não informou data, nem local.
O encontro – se houver – certamente terá cobertura única e exclusiva de sua assessoria, que depois distribuirá o release.
Na semana passada, os pais do menino recusaram o pedido de desculpas do governador, que o fez através de uma nota.
Cabral não foi ao enterro, não procurou os pais, não telefonou, não enviou uma carta.
Agora, em plena campanha pela reeleição, tenta consertar a série de erros cometidos.

  • Terça-feira, 20 Julho 2010 / 17:56

Educação no Rio: tragédia anunciada

   Do repórter Duilo Victor, de ‘O Globo’:
“O desempenho das escolas estaduais fluminenses, considerado ruim por especialistas, não os surpreendeu. O Exame Nacional do Ensino Médio é apenas mais uma avaliação entre outras em que o estado não caminha bem, como o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico (Saeb). Para melhorar, sistemas que recompensem escolas e professores com melhor desempenho e a aproximação da família com o ambiente escolar são alguns dos caminhos.
Em cada três escolas estaduais do Rio que tiveram nota no Enem no ano passado, uma ficou com desempenho abaixo da média nacional.
- Os estados que criaram bônus para premiar o desempenho são as que mais têm melhorado, como Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Não se faz gestão para melhorar resultados sem incentivo. O Rio vai mal na foto. Mas é injusto botar a culpa em uma administração apenas – avalia a conselheira de governança da ONG Todos pela Educação e superintendente executiva do Instituto Unibanco, Wanda Engel.
Wanda não acredita no Enem como método de avaliação de desempenho de escolas. Um dos motivos é o fato de a inscrição para o exame ser individual e voluntária por parte dos alunos. Ela prefere a avaliação do Saeb. Neste sistema, segundo a especialista, o Rio vai mal porque é o estado cuja nota menos evolui, na região Sudeste.
- Temos que fazer a ponderação de que o Rio, até alguns anos atrás, estava em terra arrasada na educação. Sequer havia dados para criar um sistema de recompensa.
Professor de políticas públicas em educação e gestor de sistemas educacionais, Álvaro Chrispino diz que o desempenho das escolas estaduais fluminenses no Enem, em comparação com as instituições de ensino particulares, não é surpresa.
Ele explica que política educacional não se estabelece por meio de decreto, mas com o convencimento de que família, professores e gestores de educação têm um mesmo objetivo.
- Dar laptop é paliativo, pois o desestímulo dos alunos não é o único problema da educação. É necessário um pacto que envolva todos os atores do sistema educacional, e não adianta fazer apenas ações sociais.
Sobre a cobrança por um sistema que recompense alunos e professores com melhor desempenho, a Secretaria estadual de Educação diz que já há um programa nesse sentido e que destinará R$350 mil, como prêmio, às unidades com melhor desempenho no Enem. A secretaria informou também que vai começar, em agosto, a segunda edição de um reforço escolar para 28.000 alunos da rede estadual que farão o exame deste ano”.

  • Terça-feira, 20 Julho 2010 / 12:03

Bombeiros contra Sergio Cabral

   Da repórter Adriana Vasconcelos, na coluna ‘Caiu na rede’, em ‘O Globo’:
“Paulo Ricardo Paul, que se apresenta no Twitter como coronel da Polícia do Rio, não resistiu a fazer um desabafo ao passar pelo Centro da cidade na sexta-feira à noite, onde ocorreu o primeiro comício conjunto da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e o candidato à reeleição, o governador Sérgio Cabral, do PMDB. E escreveu em seu microblog:
@celprpaul Meninas que distribuíam bandeiras do PMDB ganham R$40,00 por dia, mais do que Cabral paga para os Policiais e Bombeiros”.

  • Quinta-feira, 15 Julho 2010 / 11:51

A multiplicação dos bens

Rodrigo Betlhem é excelente administrador. Seu patrimônio, em quatro anos, aumentou 421,7%. Diz que é a sua academia. Ou seja: os outros suam e ele fatura

Dulio Victor e Fábio Brisolla são os responsáveis pela melhor reportagem de hoje, em ‘O Globo’: “A multiplicação de bens dos deputados” – prova maior de que a lei da Ficha Limpa, por si só, não é barreira suficiente para por fim a pouca vergonha de muitos de nossos parlamentares:
“O cadastro com informações repassadas ao TSE pelos candidatos às eleições proporcionais no Rio de Janeiro revela o talento de um grupo de políticos à frente da administração de seus bens pessoais. Em algumas declarações, os valores quadruplicaram, como no caso do deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB), que conseguiu aumentar seu patrimônio de R$230 mil para R$1,2 milhão no período de quatro anos. Outro exemplo é o deputado federal Alexandre Cardoso (PSB), que subiu de R$656 mil para R$3,3 milhões. Os bens da deputada federal Senhorita Suely (PR) variaram 1.712%. A lista é eclética, com representantes de diversos partidos.
O deputado federal Alexandre Cardoso (PSB) é médico de formação e um dos principais nomes de seu partido no Rio. O crescimento patrimonial informado à Justiça Eleitoral foi de R$2,64 milhões em quatro anos. Na lista de bens divulgada pelo TSE, o candidato, que concorre à reeleição, informou ter guardado R$1 milhão em espécie.
Além do dinheiro no colchão, um prédio em Duque de Caxias, avaliado em R$650 mil, e uma aplicação em renda fixa de R$962 mil não existiam na declaração de bens de 2006.
Um dos recordes registrados é da deputada federal Senhorita Suely (PR), que aumentou de R$25 mil para R$453 mil. De 2006 para cá, ela comprou dois apartamentos em São Paulo.
Antes de alcançar um aumento de 421% no patrimônio, Rodrigo Bethlem começou sua carreira em 1993, como subprefeito da Lagoa, no Rio. Em 2007, quando estava na lista de suplentes para a Câmara dos Deputados, virou xerife das operações Choque de Ordem do governo do estado. Foi nomeado secretário municipal da Ordem Pública da prefeitura. Sua maior aquisição no período em que combateu a desordem urbana foi uma casa em um condomínio na Zona Oeste do Rio, no valor de R$906 mil.
O deputado estadual Rodrigo Dantas (DEM) chegou a ocupar a secretaria municipal de Obras do Rio, em 2008, sucedendo ao pai, Eider Dantas. Em quatro anos, de acordo com TSE, aumentou o patrimônio em 337%, para R$1,36 milhão. Em 2006, declarara R$297 mil.
Colega de Assembleia Legislativa de Dantas, Márcio Panisset (PDT) é este ano 562% mais rico que em 2006, quando se candidatou. Tem oito imóveis declarados entre o R$1,1 milhão em bens informados ao TSE. A família Panisset domina o cenário político de São Gonçalo, onde sua irmã, Aparecida Panisset está no seu segundo mandato como prefeita. Até se candidatar a mais um mandato na Alerj, Márcio já ocupou o cargo de secretário de Saúde da cidade.
O carioca Felipe Bornier, de 31 anos, é filho de Nelson Bornier, ex-prefeito de Nova Iguaçu e com quatro mandatos como deputado federal, o último deles obtido na eleição de 2006. Na mesma ocasião, Felipe também foi eleito deputado federal pelo nanico PHS fazendo uma dobradinha com o pai. O rapaz estreou na vida pública com R$1,9 milhão. Em quatro anos, aumentou em R$500 mil esse valor, alcançando a marca de R$2,4 milhões. Entre os bens da lista estão salas comerciais e cotas de três apartamentos na Barra da Tijuca. Outro deputado em primeiro mandato, Adilson Soares (PR) viu seu patrimônio multiplicar em 465%, chegando a R$657 mil. Em 2006, eram R$116 mil.
O assistencialismo caracteriza a atuação do veterano deputado estadual Domingos Brazão. Em julho passado, o TRE determinou o fechamento da sede da Ação Social Gente Solidária Domingos Brazão, na Taquara, Zona Oeste. Os fiscais do TRE apreenderam no local centenas de escovas de dente com o nome Brazão entre outros produtos com a imagem do candidato. Nascido em Jacarepaguá, Brazão acumula três mandatos como deputado estadual. Na última eleição, ele declarou um patrimônio de R$1,2 milhão. Desde então, alcançou um aumento de 316%. A cifra de R$5 milhões inclui cotas em mais de dez postos de gasolina, lotes de terra e um apartamento avaliado em R$2 milhões na Barra da Tijuca.
A divulgação do patrimônio dos políticos na internet é uma prática recente. Em junho de 2004, O GLOBO publicou a série de reportagens “Os homens de bens da Alerj”, com um levantamento inédito do patrimônio de 27 deputados do Rio. Até então, os bens acumulados pelos candidatos eram declarados à Justiça Eleitoral, mas não divulgados pelos tribunais na internet”.

Alexandre Cardoso declarou que tem R$ 1 milhão em espécie, para viagens e despesas pessoais  Alexandre Cardoso  tem R$ 1 milhão, em espécie, para viagens e despesas pessoais

 
 
Riqueza viria da iniciativa privada

Essa é assinada por Alessandra Duarte, Carolina Benevides e Marcelo Remígio:
“Herança, lucro com empresas e reavaliação de imóveis foram as principais justificativas apresentadas pelos candidatos que aceleraram o crescimento do patrimônio desde 2006. O deputado estadual Domingos Brazão (PMDB) informou que é sócio-cotista em diversas empresas privadas, como postos de gasolina.
- Gero emprego e renda para quase 800 famílias e pago meus impostos rigorosamente em dia – disse Brazão, que franquia ao público o acesso à sua declaração de Imposto de Renda.
Sobre o R$1 milhão que tem em dinheiro vivo, o deputado federal Alexandre Cardoso (PSB) explicou que, desta quantia, R$900 mil estão aplicados – apesar de não ter declarado onde – e que não guarda o dinheiro em casa. Os outros R$100 mil, ele disse usar para viagens e despesas pessoais. De acordo com o deputado, a evolução do patrimônio decorre da venda de uma apartamento no valor de R$750 mil na Tijuca, de outros cinco na Vila da Penha e do aluguel de um prédio em Duque de Caxias para a Universidade Unigranrio. O deputado afirma ainda que tem um terreno que explora como estacionamento. Os alugueis teriam rendido cerca de R$1,8 milhão.
- Mandei reavaliar todos os meus imóveis, por isso o crescimento expressivo – respondeu Cardoso.
O candidato Rodrigo Bethlem justificou que sua prosperidade vem de uma academia de ginástica no Recreio, que abriu em 2004, e do patrimônio da esposa, com quem se casou no intervalo das duas eleições: – Tenho a academia, um negócio que demora a maturar. Agora, o Recreio é um bairro em franca expansão. Vivo dos rendimentos da academia desde 2005, e não da política.
No DEM, dois deputados estaduais alegaram erro de digitação da Justiça Eleitoral. Rodrigo Dantas informou que o valor do patrimônio declarado na página do TRE em 2006 está errado e que o total correto seria R$860 mil. A evolução de 2006 a 2010 é fruto da renda anual de uma mineradora e de uma empresa agropecuária, segundo o deputado.
Para Jair Bolsonaro (PP), o fracasso no casamento foi a razão para o aumento de patrimônio. O parlamentar disse que vendeu uma casa na Barra da Tijuca, após a separação:
- Tudo está informado na declaração do Imposto de Renda. Além do salário de deputado, tenho minha renda de capitão do Exército na reserva.
Com um patrimônio que foi de R$1,9 milhão em 2006 para R$2,4 milhões agora, Felipe Bornier (PHS), filho do também deputado federal Nelson Bornier (PMDB), disse que a variação é devido ao fato de ele morar com os pais:
- Tenho casa, comida e roupa lavada. Não tenho muito com o que gastar – disse o deputado, morador da Barra da Tijuca, acrescentando que, além disso, possui três lojas na Avenida Sernambetiba, na Barra, que ele aluga por R$20 mil por mês, cada uma.
Já o deputado federal Adilson Soares (PR) justificou a evolução de patrimônio com o fato de ele acumular o salário de deputado com outros rendimentos:
- A justificativa é o trabalho, né? Além do que ganho como deputado, trabalho como agente de investimentos, fazendo assessoria financeira, e aplico na Bolsa.
A assessoria do deputado Márcio Panisset (PDT) informou que não conseguiria localizar o deputado nem teria informações sobre seu patrimônio.
A deputada Senhorita Suely não foi localizada até o fechamento desta edição”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:02

Merval: “Serra saiu-de mal na polêmica”

De Merval Pereira, em ‘O Globo’:
“Depois de um período em que navegou em mar de almirante, quase sem cometer erros e claramente ditando o rumo da pré-campanha, o candidato tucano, José Serra, ressuscitou o político ranzinza que estava adormecido dentro dele e saiu ontem com três pedras na mão para responder a uma pergunta da jornalista Míriam Leitão na entrevista que concedeu à rádio CBN.
A pergunta, sobre se manteria a autonomia do Banco Central, nada tinha de ofensiva, e mesmo a referência ao fato de que muita gente acha que Serra quererá ser também o presidente do Banco Central, se for eleito presidente, referia-se a um comentário frequente, que o candidato tem que esclarecer porque se trata de uma característica que lhe atribuem, a centralização das decisões, que pode ser crucial para a definição do eleitorado.
As críticas de Serra à política de juros já são conhecidas, assim como sua visão de que o Banco Central é um órgão assessor da política econômica como qualquer outro, e não é intocável, também.
É previsível que num eventual governo Serra a autonomia do Banco Central não será formalizada. Aliás, nem Lula tornou essa autonomia lei, e mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em cujo governo chegou-se a cogitar essa formalização, hoje dá graças a Deus de não ter levado adiante o projeto de sua equipe econômica.
Ele relembra a crise da desvalorização do Real em 1999 e diz que, se o Banco Central fosse independente, com a diretoria com mandato, não teria sido possível mudar a política do economista Francisco Lopes, nem tirá-lo da presidência do BC em tão pouco tempo para colocar em seu lugar Armínio Fraga.
A tendência num governo Serra é que as diretorias dos bancos estatais sejam compostas na maior parte por funcionários de carreira, valorizando as corporações, fortalecendo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, por exemplo, sem aparelhar politicamente suas gestões.
Assim também o Banco Central provavelmente não terá status ministerial e perderá a importância que tem hoje, reduzindo a margem para conflitos internos.
A ideia é dar consistência à equipe econômica, harmonizando a atuação do BC com o Ministério da Fazenda, o que evitaria divergências de políticas que existem hoje, com uma parte do governo aumentando os gastos públicos e incentivando a demanda, e o Banco Central tendo que atuar aumentando os juros para conter a inflação.
Embora não tenha entrado em detalhes na entrevista à CBN, pelo que tem revelado em conversas, Serra não vai baixar a taxa de juros na base do voluntarismo, mas vai usar diversos métodos para reduzir a necessidade de manter os juros mais altos do mundo, como ressaltou ontem na entrevista.
O papel da Bolsa de Valores será fundamental, e nesse contexto o pré-sal é um bom exemplo: um eventual governo Serra incentivaria que a Petrobras se capitalizasse na Bolsa.
Segundo seus assessores, Serra tem claro que hoje, quando o que precisamos é crescer e financiar novos investimentos, a Bolsa ganha dimensão especial. Ressaltou na entrevista que os investimentos têm sido pequenos nos últimos anos, especialmente em infraestrutura.
Uma das ideias que estão sendo estudadas é cobrar menos impostos de quem aplica na Bolsa do que em papéis do Tesouro. A visão é a de que temos muita liquidez interna, e está tudo aplicado em títulos do governo, em vez de em investimentos.
Boa parte das empresas que o BNDES e o Banco do Brasil estão financiando ganharia taxa de juros Selic nas suas aplicações e pagaria pelo empréstimo TJLP, bem mais baixa.
O tom da política econômica de Serra seria uma regulação forte, e isso ele destacou na entrevista da CBN, criticando o aparelhamento das agências reguladoras.
Serra é favorável ao que chama de Estado ativo, mas não nos mesmos moldes dos anos 50, quando o Estado desempenhou papel fundamental na economia brasileira, coordenando investimentos e intervindo na economia.
Esse modelo de desenvolvimento centrado no Estado perdeu força nos anos 1980, mas está sendo reavivado hoje pelo governo Lula.
Serra ontem se disse favorável a um Estado musculoso e não inchado. Em outras ocasiões, nos últimos anos, ele tem explicitado suas ideias sobre o sucessor do Estado intervencionista, que segundo ele não pode ser o Estado inerte, mas o Estado regulador, com a criação das necessárias agências e a aprovação de legislação que defina precisamente parâmetros para o funcionamento dessas entidades.
Em lugar de uma estatal, um governo Serra estimularia que as grandes empresas privadas produzam aqui, como foi feito com os celulares e a indústria automobilística.
Uma das maneiras de controlar o câmbio seria incentivar as empresas a segurarem o dólar no exterior, para comprar equipamentos e importar.
A diferença entre os candidatos seria basicamente que Dilma é mais interventora, e Serra, mais regulador, embora na entrevista de ontem ele tenha deixado uma sensação de intervenção no trabalho do Banco Central que deu margem a críticas da candidata oficial.
A estratégia de Lula, de tentar colocar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como vice de Dilma, visava justamente a isso: dar um recado ao mercado de que haveria continuidade na autonomia do Banco Central.
Ontem, embora tenha garantido que não haverá virada de mesa com ele no governo, Serra saiu-se mal na primeira polêmica da campanha, mostrando-se irritadiço com as desconfianças do mercado.
Está apenas dando margem ao governo de explorar os receios de que ele seja na verdade mais intervencionista do que Dilma. O que é improvável, mas como mote de campanha eleitoral produz seus efeitos”.

  • Terça-feira, 13 Julho 2010 / 4:02

Cabral comanda ato pró-Dilma

Dos repórteres Cássio Bruno e Natanael Damasceno, de ‘O Globo’:
“Acompanhada de dois ministros Márcio Fortes (Cidades) e Carlos Lupi (Trabalho), a pré-candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, reuniu-se ontem com 86 dos 92 prefeitos do Estado do Rio, incluindo os de oposição, como DEM e PSDB. No discurso, a petista prometeu compromisso e continuidade, mesmo admitindo ser inexperiente em disputas eleitorais. Dilma também criticou adversários, dizendo que o Brasil estava de joelhos diante dos credores no governo Fernando Henrique.
O almoço foi numa churrascaria em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, para 400 convidados, entre prefeitos, deputados e vereadores. A maioria usou carros oficiais. A festa, que custou pelo menos R$ 24 mil, foi paga por PT e PMDB, e funcionou como demonstração de força política do governador Sérgio Cabral, pré-candidato à reeleição pelo PMDB. A imprensa não pôde acompanhar.
- Quero agradecer ao governador Sergio Cabral porque sei que a liderança dele foi decisiva para essa reunião disse Dilma.
A petista não quis falar sobre as negociações de apoio do ex-governador Anthony Garotinho (PR), pré-candidato ao governo e adversário de Cabral. E afirmou:
- De fato nunca disputei uma eleição. Mas tenho longa trajetória de serviço ao Brasil. Comecei minha vida pública como secretária de Fazenda de Porto Alegre. Conheço os dramas e tragédias da falta de recursos.
Dilma ressaltou que as prefeituras foram estratégicas durante o governo Lula nas parcerias com os estados em obras de infraestrutura.
Ao falar sobre investimentos, a petista fez duras críticas ao governo FH:
- O Brasil não é mais aquele país de joelhos diante dos credores internacionais. Pagamos a dívida com o FMI, e, hoje, o Brasil é credor. Todas as vezes que falarem que o governo Lula só deu continuidade ao governo anterior, é mentira. No governo anterior, o Brasil precisava pedir licença ao FMI para aumentar o salário mínimo. Hoje, aumentamos porque queremos.
Não compareceram ao evento os prefeitos Rosinha Garotinho (Campos), do PMDB; José Camilo Zito (Duque de Caxias), do PSDB; Jorge Roberto Silveira (Niterói), do PDT; Heródoto Bento de Mello (Nova Friburgo), do PSC; Luiz Carlos Fernandes Fratani (São Fidélis), do PMDB; e Jorge Serfiotis (Porto Real), do DEM”.
                                                         * * *
1. Nenhuma linha sobre a ilegalidade do ato político, com a presença do governador-candidato durante horário do expediente.
2. A manchete da página 9 é a seguinte: ‘Cabral leva prefeitos até Dilma, em almoço fechado’. Se foi fechado, como os repórteres de ‘O Globo’ tiveram acesso? Foi fechado pra quem? Lá está a foto de Dilma discursando e o texto do jornal reproduz trechos do discurso da candidata.
3. Cabral disse que o povo do Rio é grato a ministra, mas ela também falou de sua gratidão: “Quero agradecer ao governador Sergio Cabral porque sei que a liderança dele foi decisiva para essa reunião”.

 

Cabral: ”Lula escolheu Dilma pois quer o melhor para o povo” 
 

Essa é a versão da repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’ para o mesmo ato:
“Em evento numa churrascaria da Baixada Fluminense, a candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, atraiu gregos e troianos. Organizado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) e pelo candidato ao Senado Lindberg Farias (PT), a reunião com prefeitos do Rio teve a participação de governantes dos partidos da aliança PMDB-PT, mas também da oposição, como DEM, PSDB e PP.
Dos 92 prefeitos do Rio, 86 compareceram ao evento que teoricamente era de agradecimento ao governo Lula e à Dilma, chamada de mãe do PAC, pelos investimentos no Estado. Do DEM havia pelo menos três governantes, José Rechuan Júnior, de Resende, José Luiz Mandiocão, de Rio Bonito, e Adilson Faracao, de São José do Vale do Rio Preto. Do PSDB, pelo menos dois: Darci dos Anjos Lopes, de Seropédica, e Ivaldo Barbosa dos Santos, o Timor.
Outro partido que ainda não faz parte da coligação nem do candidato pelo PSDB à presidência da República, José Serra, nem de Dilma, mas também mandou muitos representantes foi o PP do senador Francisco Dornelles. Pelo menos oito deles compareceram ao evento: Rafael Miranda, de Cachoeiras de Macacu, Guga de Paula, de Cantagalo, Sérgio Soares, de Itaboraí, Carlos Pereira, de Tanguá, Gilson Siqueira, de Cardoso Moreira, Luis Carlos Ypê, de Itatiaia, Antonio Jogaib, de Porciúncula, e Roberto de Almeida, de Miguel Pereira.
Segundo o Lindberg Farias, o próprio Dornelles prometera se empenhar para que os prefeitos do interior fossem ao evento. Apesar da presença oposição e da tentativa de agradecimento, o almoço parecia mais uma festa de apoio à candidata Dilma Rousseff. Cerca de 400 pessoas se amontoavam na churrascaria a ponto de alguns dos prefeitos, como o de Búzios, Mirinho Braga (PDT), e de Itaboraí, Sérgio Soares (PP), saírem antes dos discursos. A principal reclamação era de que havia gente demais e o acordo era que apenas prefeitos compareceriam.
Do lado de fora, foi possível ouvir, pelo menos por três vezes, os gritos “Olê, olê, olá, Dilma, Dilma”. Em seu discurso, o governador Sérgio Cabral disse que o Brasil nunca teve o que tem hoje e que o Rio saiu de uma situação crítica com parceria do governo federal. No fim, afirmou “Lula escolheu Dilma porque quer o melhor para o povo brasileiro”.
A candidata retribuiu e dizendo que o Rio é um exemplo com suas UPAs e UPPs. E para agradar a platéia, lembrou que começou sua vida como secretária de Fazenda de Porto Alegre e que sabe como é gerenciar um município sem verba, porque, segundo ela, em 1989, não havia dinheiro disponível para os municípios.
Dilma ainda lembrou das críticas do PSDB. “Quando eles falarem que conseguimos tudo o que fizemos porque somos continuidade do governo deles, é mentira. O Brasil estava de joelhos para o FMI, tinha que pedir permissão para aumentar o salário-mínimo, para aplicar em saneamento. E se tivesse um sopro de crise, quebrava”.
Depois do evento a ministra foi para Porto Alegre. Da última vez que esteve no Rio, Dilma se encontrou com o candidato a governador, Anthony Garotinho, do PR, opositor a Cabral. Desta vez, o encontro não foi cogitado porque, segundo Garotinho publicou ontem em seu blog, o PR e o PT ainda não resolveram questões sobre o palanque duplo da ex-ministra”.

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