• Sábado, 02 Outubro 2010 / 11:28

Imprensa cai na real

    Os jornais finalmente se acalmaram.
‘O Globo’ de hoje não publicou nenhuma denúncia.
Ou por conformismo ou por falta de munição.
A foto de Dilma saiu grande, comme il faut, e a dos demais candidatos pequena.
E o título foi ótimo:
“Dilma vai a igreja, Marina canta e Serra dança”.
Literalmente.
Dançou ontem e dançará amanhã

  • Sábado, 18 Setembro 2010 / 10:55

O que Dilma anda lendo

    Do ‘Globo’:
“Dilma tem fama de devoradora de livros entre os companheiros de campanha. Os mais próximos contam que, em momentos de descontração, entre uma viagem e outra, gosta de discutir o que está lendo ou o que já leu. A presidenciável teria intensificado o velho hábito da leitura no período em que esteve presa durante a ditadura.
Agora, está lendo ‘El hombre que amaba los perros’, romance policial do cubano Leonardo Padura Fuentes, presente do amigo Marco Aurélio Garcia, ex-assessor internacional da presidência e um dos coordenadores da campanha. O livro conta três histórias entrelaçadas com forte reflexão de temas caros à esquerda no século passado, segundo Garcia. O protagonista do livro conhece um homem que lhe faz confidências sobre o catalão Ramón Mercader, o assassino de Trotski.
A candidata admite a compulsão e revela um favorito:
- Fica difícil dizer qual o livro que mais me marcou, foram muitos. Sempre gostei muito de ler, e desde criança, meu pai nos incentivou a ler, abrindo esse mundo da leitura para nós. Entre as obras que mais me marcaram está a de Guimarães Rosa, sobretudo ‘Grande sertão: veredas’, que acho inigualável. Nasci em Minas, tenho visitado muito o estado nessa campanha, então me vêm à cabeça muito dos livros de Guimarães Rosa, da sua linguagem inovadora, da forma como ele entendeu e descreveu a região, o povo.
Entre os estrangeiros, também tem seus preferidos.
- Sempre gostei muito de Dostoiévski… Proust também. De vez em quando pego algum volume de ‘Em Busca do Tempo Perdido’ para reler…

  • Quinta-feira, 16 Setembro 2010 / 10:19

Quem o Rei Arthur financia?

   Informa o ‘Globo’ que o “candidato ao governo estadual pelo PV, Fernando Gabeira mantém como coordenador de comunicação da campanha eleitoral um funcionário de seu gabinete na Câmara dos Deputados.
Secretário parlamentar nível 26, Marcus Veras tem salário de R$ 6.010,78, incluídas gratificações, pago pela Câmara, e tem acompanhado diariamente o candidato em toda a campanha. (…)
- Primeiro, a campanha é pública. Segundo, nós examinamos a lei claramente, e os advogados e a própria lei dizem que é possível quando se trata de cargo do Legislativo e não do Executivo. Está tudo absolutamente correto – afirmou Gabeira, ao ser perguntado sobre o fato em entrevista ontem ao RJ-TV, da Rede Globo.
                     * * *
Tá entendido: um assessor de Gabeira está recebendo da Câmara.
Por que a Rede Globo não apura quem recebe do Rei Arthur?

  • Quinta-feira, 19 Agosto 2010 / 8:01

Aliados querem distância de Serra

    De ‘O Globo’:
“No primeiro dia do horário político gratuito estadual, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi onipresente. Apareceu em programas de candidatos a governador e senador tanto do PT quanto do PMDB – que indicou o vice na chapa presidencial – e de outros partidos aliados. A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, também foi citada. Mas o tucano José Serra quase não foi lembrado.
No Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição, usou Lula como cabo eleitoral. Serra foi ignorado por Fernando Gabeira, candidato do PV (apoiado pelo PSDB no Rio), e Cesar Maia, que pleiteia uma vaga ao Senado pelo DEM, partido que indicou o vice do tucano na chapa presidencial. Em Minas Gerais, houve outra estrela: o ex-governador Aécio Neves, citado em praticamente todos os programas dos candidatos ao governo e ao Senado. Aécio concorre ao Senado e apresentou apenas curtas imagens de Serra em seu programa.
Em São Paulo, à tarde, Serra não apareceu na TV pedindo votos para Geraldo Alckmin, candidato tucano ao governo estadual. Alckmin citou o presidenciável apenas no programa de rádio, prometendo ampliar os Ambulatórios Médicos de Especialidades (Ames), “uma bela iniciativa de Serra”. Na TV, preferiu lembrar
que assumiu no lugar do governador Mário Covas, morto em 2001.
Enquanto isso, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, não se apoiou em Dilma, mas citou os avanços na gestão Lula e teve o presidente pedindo votos:
- Eu gostaria muito que você depositasse no Mercadante a mesma confiança que você depositou em mim.
Lula também foi mencionado por Paulo Skaf, candidato do PSB ao governo paulista.
O ex-ministro Hélio Costa, candidato da coligação PMDB-PT ao governo de Minas, disse que a gestão de Aécio foi boa, mas é preciso melhorar. Lula e Dilma apareceram até por mais tempo que o próprio candidato estadual. Lula pediu votos para Costa e o vice, Patrus Ananias. No programa de TV do candidato do PSDB ao governo mineiro, Antonio Anastasia, Serra teve apenas três aparições relâmpago, em imagens de campanha. Foi Aécio quem apresentou Anastasia.
Serra também ficou fora do programa da candidata à reeleição no Rio Grande do Sul, a tucana Yeda Crusius. Ela não citou Serra, que, em visita a Porto Alegre na segunda-feira, evitou ser enfático no apoio à governadora. Mas houve repetida presença de Lula e Dilma no programa do petista Tarso Genro, que
mostrou trechos de discursos dos dois.
- A visão de busca de consenso sem que se percam raízes e compromissos é o maior legado que o presidente Lula deixou para nós – disse Tarso.
No Ceará, Lula roubou a cena nos programas dos dois principais candidatos e apareceu mais do que Dilma. Pediu votos para o governador Cid Gomes, do PSB, coligado ao PT. E apareceu no programa do ex-governador Lúcio Alcântara (PR), aliado nacional do PT. Serra não apareceu nos programas dos candidatos do PSDB ao governo cearense, Marcos Cals, e ao Senado, Tasso Jereissati.
Ex-ministros de Lula e adversários na corrida pelo governo da Bahia, Jaques Wagner (PT) – que tenta a reeleição – e Geddel Vieira Lima (PMDB) mostraram que não vão largar a companhia do presidente e de Dilma. Usaram na propaganda fotos e vídeos em que aparecem ao lado de Lula e da presidenciável. Paulo
Souto, que concorre ao governo baiano pelo DEM, ignorou Serra, mesmo seu partido tendo indicado o vice na chapa do tucano.
No Maranhão, a candidata à reeleição, Roseana Sarney (PMDB) – que se apresentou apenas com o primeiro nome – mostrou Lula e Dilma em sua propaganda de TV. Foram aparições rápidas, em mensagens gravadas para uma reunião que ela promoveu com prefeitos. Mas Rosena ainda afirmou que ela e Dilma iriam
realizar parcerias. Já o candidato tucano, Jackson Lago (cassado em 2009), não fez menção a Serra.
Candidato ao governo de Alagoas, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) citou Lula e Dilma. Fernando Collor, candidato pelo PTB a governar o estado, não se referiu a Dilma. E Serra foi deixado de lado até pelos tucanos.

  • Domingo, 15 Agosto 2010 / 11:56

Cabral: promessas continuam

     Do repórter Henrique Gomes Batista, de ‘O Globo’:
“Com bom humor, o candidato à reeleição Sérgio Cabral (PMDB) comemorou o resultado da última pesquisa Datafolha, que mostrou uma ampliação de 35 para 43 pontos percentuais a vantagem que tem sobre o segundo colocado, Fernando Gabeira (PV) na corrida pelo governo. Em uma caminhada na tarde de ontem em Madureira, Zona Norte do Rio, Cabral utilizou um trecho da música Fio Maravilha, de Jorge Ben Jor, para comentar os números:
- Estou satisfeito (com a pesquisa), mas como disse o Jorge Ben Jor, é a humildade em gol. Agora é trabalhar, trabalhar, trabalhar. Temos que respeitar o eleitor, estar na rua, mobilizar nossos companheiros para levar as propostas disse, afirmando que não fará nenhuma preparação especial para as entrevistas para os telejornais da TV Globo e do SBT, que ocorrerão nos próximos dias.
Cabral caminhou pelas ruas do bairro por cerca de 30 minutos, acompanhado de diversos candidatos a deputado e do candidato ao Senado pelo PMDB, Jorge Picciani. O outro candidato do Senado na chapa, Lindberg Farias (PT), não estava na caminhada pois, segundo sua assessoria, teve de ir com urgência ao estúdio para regravar trechos de sua propaganda eleitoral para a televisão.
Governador promete Bilhete Único municipal Em discurso de três minutos em Madureira, Cabral fez promessas para seu segundo mandato mais UPAs, UPPs e melhoria na educação e gastou quase metade do tempo descrevendo atividades e fazendo promessas referentes à prefeitura do Rio, administrada pelo seu aliado Eduardo Paes.
Já temos o bilhete único intermunicipal, o nosso prefeito Eduardo Paes vem agora com o bilhete único municipal. Eduardo Paes está enfrentando o problema da saúde, em um ano e sete meses de governo, fez com que saíssemos de uma condição de menos de 4% de cobertura do programa de saúde da família para quase 15%, e nós vamos chegar a 40% até o final de seu mandato disse.
Carros de campanha na parada de ônibus A caminhada programada pelo candidato à reeleição ao governo do estado, Sérgio Cabral (PMDB), atrapalhou o trânsito na hora do almoço deste sábado em Madureira. Diversos carros de sua campanha e de deputados coligados estacionaram em frente a uma parada de ônibus na Av. Edgar Romero, diante da quadra do Império Serrano.
Assessores do candidato a deputado federal Júlio Lopes (PP) tentaram negar a irregularidade.
Ao confirmar o problema, o candidato, ex-secretário de transporte do Estado, pediu para retirar os veículos, dizendo ser difícil controlar todos os detalhes da campanha”.

  • Sexta-feira, 13 Agosto 2010 / 8:13

O debate na Band, segundo ‘O Globo’

    Dos repórteres Chico Otavio, Paulo Marqueiro e Fabio Brisolla, de ‘O Globo’:
“O governador do Rio, Sérgio Cabral, candidato à reeleição pelo PMDB, sofreu intenso bombardeio dos três adversários que o enfrentaram, na noite desta quinta-feira, em debate sobre a disputa no Rio promovido pela TV Bandeirantes. Deficiências nas áreas de saúde, educação, transportes, além da mistura entre as relações públicas e privadas na gestão estadual, foram algumas das críticas feitas por Fernando Gabeira (PV), Fernando Peregrino (PR) e Jefferson Moura (PSOL) a Cabral. O governador chamou as críticas de “ilações absolutamente irresponsáveis”. Os ataques a Cabral – que lidera com folga a disputa – dominaram tanto o debate que os candidatos quase não apresentaram propostas de governo.
As críticas a Cabral começaram no segundo bloco, aberto com uma pergunta de Peregrino para o candidato do PMDB. Em tom de acusação, ele indagou se o governador considera moral o fato de a primeira-dama advogar para as empresas Metrô Rio e Supervia, que Peregrino apontou como responsáveis por prestar “péssimos serviços à população”.
- Lamento você entrar nesse tipo de assunto. Já houve partido que tentou fazer isso e perdeu o horário eleitoral (referindo-se ao PSOL). Minha mulher era advogada antes de eu conhecê-la e continuará sendo depois que eu deixar o governo – defendeu-se Cabral, garantindo que a mulher nunca advogou contra o estado. Na tréplica, Cabral voltou a falar sobre o assunto:
- Lamento profundamente que o candidato do casal Garotinho (Peregrino), cuja prefeita acabou de ser cassada, cuja cidade que eles administram teve nos últimos dez anos oitos prefeitos, venha falar da moral da minha mulher.
O governador disse que Peregrino só disputa a eleição porque o ex -governador Anthony Garotinho foi barrado pela Justiça Eleitoral.
Cabral, que em seguida perguntou a Gabeira o que acha do conceito de parcerias entre os três poderes no Rio (um dos eixos de sua campanha eleitoral), recebeu mais ataques na resposta. O candidato verde, embora se declarasse simpático à parceria, disse que ela estaria “um pouco truncada” em função dos contratos que teriam transformado a empresa Facility em praticamente o único fornecedor para a área de saúde.
- O Rio está estrangulado porque é dominado por um único fornecedor – criticou Gabeira.
O governador, na resposta, disse que esse espírito, referindo-se à falta de entendimento entre os políticos, teria levado o Rio a perder duas vezes a disputa para sediar as Olimpíadas quando o prefeito da cidade era Cesar Maia (DEM), aliado de Gabeira na atual campanha:
- Mudamos o clima. E, quanto à saúde, Eduardo Paes (o atual prefeito do Rio) está fazendo um esforço para recuperar o deserto sanitário que Cesar Maia deixou. Criamos as UPAs 24 horas.
Os ataques, contudo, continuaram. Gabeira insistiu em destacar os problemas na área de saúde. Disse que vários hospitais do estado estariam sem neurocirurgiões e que o setor fora alvo de “inúmeros casos de corrupção, com remédios sem licitação e superfaturados”, citando reportagem da Rede Globo.
- O governador não explicou o que aconteceu (com a saúde). Fingiu que não era com ele, como fingem os coronéis do PMDB que ele representa – atacou o verde.
Como era sua vez de perguntar, Gabeira deu sequência aos ataques ao pedir a Jefferson, do PSOL, comentários sobre o desempenho do Estado do Rio no ranking da educação:
- Por que chegamos a ser a lanterna em educação do Brasil?
Jefferson, após prometer recuperar as escolas em horário integral, disse que considera um absurdo um professor ganhar “metade do que ganha um cabo eleitoral do Sérgio Cabral”:
- Não adianta pensar em pacificar se a juventude está sem perspectiva, sem escolas. O Rio, segundo maior PIB, ficou à frente só do Piauí. Cabral não dá conta de responder ao desafio.
Gabeira, na réplica, voltou-se novamente para a administração estadual. Ele disse que o governador não poderia alegar que o mau desempenho na educação é um problema antigo porque o Ideb começou em 2007, quando Cabral já era governador, e não mudou:
- Não se moveu um milímetro neste índice. Compramos computadores e aparelhos de ar condicionado. Mas os computadores não ensinam por si.
Ao concluir, Jefferson disse que Cabral teria iniciado a carreira no governo Moreira Franco, sendo também colaborador do governador Marcello Alencar e, depois, indicou e nomeou colaboradores nas gestões do casal Garotinho, tendo contado com apoio deles em 2006.
Como era a sua vez de perguntar, Jefferson manteve o fogo contra Cabral ao retomar o debate sobre as condições de transporte público no Rio. Na pergunta a Peregrino, disse que as tarifas no estado são caras e que o sistema de barcas, metrô e trens, ineficiente.
- Cabral está cuspindo no prato que comeu. Ele indicou pessoas para o governo Garotinho, se beneficiou. Deixamos R$ 670 milhões creditados para ele fazer pagamentos (dos servidores). No transporte, é o caos. Trem andando sem maquinista – disse Peregrino.
Em outro bloco, o desastre ocorrido em Angra dos Reis no réveillon de 2010 também provocou discussão entre Cabral e Gabeira. O verde citou decreto que teria sido assinado pelo governador, permitindo novas construções na Ilha Grande, onde ocorreram desabamentos.Cabral negou, disse ter dobrado o parque estadual da Ilha Grande e afirmou que Gabeira tentou se aproveitar politicamente da tragédia ao visitar os locais dos desabamentos na ocasião.
- Gabeira, você estava lá fazendo turismo, passeando na Ilha Grande, e passou lá para dar uma faturadinha – disse Cabral, que criticou o adversário pela tentativa de associar o governo aos acidentes registrados em Angra.
- O decreto não tem vinculação com a tragédia. Foi elaborado para regulamentar as APAs na região. Vincular isso a uma tragédia, vidas foram perdidas, vou te contar… – respondeu o governador, afirmando que não fez decreto ampliando áreas de construção na Ilha Grande. Gabeira respondeu que tudo será esclarecido porque nesta sexta-feira a imprensa checará”.

  • Segunda-feira, 09 Agosto 2010 / 9:12

Gabeira no Zôo evita tucanos

      Da repórter Dandara Tinoco, de ‘O Globo’:
“Candidato ao governo do Rio pelo PV, o deputado Fernando Gabeira afirmou ontem que, caso seja eleito, pretende criar uma secretaria especial voltada aos portadores de deficiências mentais e físicas. Em visita ao Zoológico do Rio e à Quinta da Boa Vista, Gabeira foi abordado por pais de crianças portadoras de necessidades especiais.
- Eles reclamaram muito da dificuldade para o tratamento dessas crianças na rede pública – disse, acrescentando que fará um encontro na Lagoa, ainda sem data marcada, para discutir políticas públicas para deficientes.
No passeio, Gabeira criticou ainda o fato de o governador Sérgio Cabral, candidato à reeleição pelo PMDB, não ter criado uma secretaria de defesa da mulher:
- O Cabral prometeu e não cumpriu a criação da secretaria. O governo não tem sensibilidade para a violência contra a mulher.
Sobre as mudanças no Código Florestal, que, se aprovadas, levarão ao desmatamento de 88% da Área de Preservação de Mata Atlântica no Rio, disse que a Câmara dos Deputados está preparada para enfrentar a questão.
No Zoo, o deputado cumprimentou visitantes e vendedores, parando para observar alguns animais. Perguntado sobre por que não foi à gaiola dos tucanos, Gabeira – que divide o apoio aos candidatos do PV, Marina da Silva; e do PSDB, José Serra – respondeu com humor:
- Não visitei tucanos, porque não sabia exatamente onde estão. Visitei os leões, os macacos. Alguns bichos estavam mais… acessíveis”.

  • Segunda-feira, 09 Agosto 2010 / 9:10

Cabral tem 2 mil cabos eleitorais

   Do repórter Fabio Brisolla, de ‘O Globo’;
“O governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição, considerou exagerada a repercussão em torno da estrutura de sua campanha, que arrecadou em um mês R$ 4,69 milhões em doações. Reportagem do Globo mostrou que sua campanha conta com aproximadamente 2 mil cabos eleitorais, além de uma equipe estimada em 200 profissionais de divulgação. No Dia dos Pais, Cabral, acompanhado pelos filhos, visitou ontem o recém-inaugurado elevador do Morro do Cantagalo, em Ipanema.
- Acho curiosa essa insistência, como se estivesse burlando a lei. Estou cumprindo rigorosamente as exigências do Tribunal Regional Eleitoral, como sempre fiz.
Para Cabral, a arrecadação é consequência da popularidade da candidatura.
- Quando a população julga vitorioso um projeto político, é absolutamente natural que isso se reflita na arrecadação – ressaltou ele.
O governador falou sobre o vídeo divulgado na internet onde chama de “otário” um adolescente que o abordou durante inauguração de obras do PAC. Na ocasião, Cabral estava ao lado de Lula. Ele lembrou que o vídeo foi divulgado em um blog que apoia o adversário Fernando Peregrino (PR), aliado de Anthony Garotinho.
- Era uma conversa após o evento. Ele nos abordou. Vendo o vídeo, você percebe que não tive intenção de ofender o menino.
E rebateu as críticas de Gabeira sobre a falta de programas voltados para as mulheres, dizendo que o Rio foi o primeiro a assinar um pacto de combate à violência contra elas”.

  • Domingo, 08 Agosto 2010 / 7:46

Cabral: campanha rica e confortável

    Dos repórteres Cássio Bruno, Natanael Damasceno e Maiá Menezes, de ‘O Globo’:
“Quinta-feira, dia 5, meio-dia e meia. O helicóptero alugado pelo governador Sérgio Cabral pousa no pátio de uma grande rede de supermercados em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
De lá, o candidato à reeleição pelo PMDB segue em comboio numa van, escoltado por seguranças em dois carros de luxo e por batedores da PM.
Participará de uma visita ao Hospital da Mulher Heloneida Studart. A rotina de Cabral é o retrato da milionária estrutura que vem sendo usada por ele em compromissos de campanha.
Mas não é apenas nas ruas que o forte aparato do governador chama a atenção. Em um mês, Cabral gastou pouco mais de R$ 4 milhões dos R$ 4,69 milhões arrecadados, segundo prestação de contas parcial ao Tribunal Superior Eleitoral.
O dinheiro foi usado principalmente na produção dos programas de rádio, TV e vídeo, e na contratação de profissionais de comunicação e da área administrativa, transporte e publicidade.
Segundo o relatório, a campanha gastou até agora, apenas com pessoal, R$ 983 mil.
Com a produção audiovisual, o valor foi de R$ 1,5 milhão. Já em material de publicidade como faixas e panfletos , o custo chegou a R$ 1 milhão. Até outubro, a estimativa de Cabral é que sejam gastos R$ 25 milhões.
Perguntas sobre a estrutura da campanha, que incluíram um pedido de detalhamento sobre os gastos e números de prestadores de serviço, não foram respondidas pela assessoria do governador. A única resposta a 20 questões detalhadas enviadas aos assessores foi que todas as informações foram fornecidas, como determina a lei, à Justiça Eleitoral.
Cabral conta com cerca de dois mil cabos eleitorais. Dependendo do evento, há grupos com até 45 pessoas. Cada um recebe cerca de R$ 1.200 por mês para carregar bandeiras e distribuir propaganda. Além disso, tem cerca de 30 carros de passeio e 20 vans.
O comitê funciona em uma antiga agência de automóveis na Avenida Ayrton Senna 5.250, na Barra da Tijuca. O imóvel foi alugado no período de julho a outubro por R$ 70 mil. No local, onde funciona a logística e o armazenamento do material de campanha, circulam até 140 pessoas diariamente. A entrada no comitê é restrita, sem o acesso da imprensa.
É uma estrutura parecida com a campanha de 2006 diz Régis Fitchner, coordenador do plano de governo de Cabral. Os números não são oficiais, mas estima-se que 200 profissionais, entre jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas, são responsáveis pela divulgação da imagem de Cabral. No Polo de Cinema e Vídeo, também na Barra, onde são feitas as gravações, há cerca de 400 empregados.
- Os cidadãos do Estado do Rio sabem que uma campanha eleitoral, ainda mais uma campanha para o governo, necessita de estrutura de comunicação. Ninguém faz campanha sem meios de comunicação, seja TV, rádio ou visual – disse Cabral na semana passada, ao justificar os gastos.
A bordo do helicóptero alugado da Plajap Táxi Aéreo, prefixo PP-LAS, Cabral transporta seguranças, assessores e aliados, como os candidatos ao Senado Lindberg Farias (PT) e Jorge Picciani (PMDB). Nessa empresa, o custo da aeronave, por cada hora, é de R$ 7 mil. Em terra, Cabral anda em carros luxuosos, como o Chevrolet Captiva, que custa R$ 87.425. Também está à disposição do governador, nas carreatas, a picape Mitsubishi L200 Triton 3.2 D, avaliada em R$ 112 mil. Além disso, batedores da PM, em motos, abrem caminho entre os carros e facilitam a vida do candidato.
- Não pode dispensar a segurança. Mas tudo deverá ser apresentado na prestação de contas e ressarcido pelo partido na forma da lei eleitoral – diz a procuradora Silvana Batini, do Ministério Público Eleitoral.
Cabral não revela a origem do dinheiro que mantém a estrutura da campanha. Afirma que a lei eleitoral só obriga este tipo de prestação no fim do pleito. Em 2006, quando Cabral foi eleito governador, foram gastos, em quatro meses de campanha, R$ 9,74 milhões arrecadados entre 55 doadores.
Entre eles, empresas que mantinham relação com a administração do estado. As duas empreiteiras que mais doaram ao governador eleito foram a OAS Construtora (R$ 800 mil) e a Carioca Engenharia (R$ 700 mil).
Das duas, pelo menos uma, a OAS, prestou serviços ao governo do estado no último ano, segundo dados do Siafen.

CLAQUE RECRUTADA COM ANTECEDENCIA

      Do repórter Marcelo Remígio, de ‘O Globo’:
“A estrutura robusta da campanha de Sérgio Cabral também se reflete na organização dos eventos.
Cada agenda tem um coordenador, de acordo com a região, com a função de recrutar e organizar o trabalho dos cabos eleitorais. Cabe a ele providenciar o material recomendado pelos marqueteiros de Cabral. As agendas são divulgadas, via email, com antecedência para os aliados e coordenadores. A estrutura de comunicação obedece à mesma lógica: por regiões.
Na planilha repassada por correio eletrônico aos aliados constam dados como descrição do evento e informações complementares, onde são indicados nome e telefone da coordenação local. Para a participação de Cabral no debate dos candidatos a governador no próximo dia 12, na TV Bandeirantes, a planilha repassada no dia 3 cobra do coordenador do evento um corredor de cabos eleitorais com bandeiras e um cri-cri animador de campanha que grita o nome do candidato. A equipe deve recepcionar o governador na Rua Álvaro Ramos.
Também são usados nos eventos de Cabral bandeirolas, carrinhos de som, cartazes, adesivos e jornais de campanha. O pagamento dos cabos eleitorais é feito sem atrasos e os salários superam R$ 1 mil mensais. O valor inflacionou o mercado eleitoral fluminense, rendendo críticas dos adversários. Eles esperavam pagar entre R$ 500 e R$ 600 por mês. Candidatos afirmam que apenas com mandato conseguem financiadores de campanha.
Sem a ligação com a máquina do estado, nada conseguem.
Para quem ocupa um lugar de destaque na lista de aliados, a campanha de Sérgio Cabral garante transporte e o combustível para carros de apoio. Além de santinhos, são distribuídas, em média, mil placas para quem tem bom poderio eleitoral.
Quem não possui grandes chances de vitória leva a metade.
Cabral tem cumprido acordos de infraestrutura de campanha com os aliados, sobretudo os de partidos pequenos. Cada legenda ganhou espaço no comitê central da campanha, na Barra da Tijuca, onde são disponibilizados telefones e internet. Mas a bondade é acompanhada de um forte monitoramento. Falar da campanha de Cabral, tecer elogios ou críticas, só fora do QG. A equipe de Cabral ainda arrecada recursos para as legendas, que devem prestar contas”.

  • Quarta-feira, 04 Agosto 2010 / 10:07

Cabral promete 50 escolas; fez 4

   Cabral é campeão.
Campeão da lorota.
Isso é o que se depreende da reportagem ‘Cabral promete 50 novas escolas, mas fez 4′, assinada pelos repórteres Cassio Bruno e Natanael Damasceno, de ‘O Globo’.
Segundo o governador, em seu primeiro mandato ele investiu na recuperação das escolas existentes. Vale a pena dar uma olhada no ‘Retrato do governo Cabral’, cinco post abaixo deste, onde um vídeo da TV UOL mostra o abandono do CIEP Antonio Candeia Filho, em Irajá, assaltado sete vezes em quatro meses, segundo a Bandnews, ou oito vezes em dois meses segundo o G1.

Mas vamos a reportagem de ‘O Globo’:
“Nas propagandas de campanha distribuídas nas ruas por cabos eleitorais, o governador do Rio, Sérgio Cabral, candidato à reeleição pelo PMDB, promete, caso seja reeleito, construir 50 novas escolas estaduais só na Região Metropolitana.
Segundo a proposta, seria erguida, em média, uma unidade a cada mês até o fim de 2014. A publicidade, no entanto, não informa sobre os custos das obras nem como o governo estadual pretende tirar o projeto do papel. Nos últimos quatro anos, Cabral construiu quatro colégios em todo o estado um por ano.
Em entrevista após almoço realizado ontem pelo Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), no Copacabana Palace, Cabral argumentou:
- No primeiro mandato, a prioridade foi a recuperação dos prédios escolares. Se nós não fizéssemos isso, seria um desrespeito com a grande rede já existente. Avançamos muito nesses quatro anos, oferecendo a climatização (nas salas), melhorando quadras esportivas. E, ao mesmo tempo, fizemos novos colégios.
Para o segundo mandato, se pegarmos os recursos que aplicamos (nas reformas), dá para fazer até muito mais do que 50 escolas.
O anúncio das novas escolas está incluída em um caderno de 16 páginas, com tiragem de 20 mil exemplares. A publicação, que apresenta um balanço das realizações do governo Cabral nas áreas de educação, segurança, saúde, infraestrutura e esportes, entre outros, também é distribuída nas agendas de campanha do governador.
Perguntado sobre quanto seria necessário investir para conseguir construir todas as 50 escolas prometidas, Cabral afirmou:
- Isso não é problema. Se fizer um cálculo, em cada colégio, gastaríamos R$ 5 milhões. Com 50, teríamos gasto de R$ 250 milhões, que, em quatro anos, se diluem disse ele.
Maria Beatriz Lugão, coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), porém, disse que a aplicação da verba pode não ter resultado se o governo não atacar o problema do déficit de professores, que preocupa o setor desde o início da gestão de Cabral.
- Construir escolas é uma medida muito bem-vinda. É preciso construir prédios, porque hoje muitas turmas do ensino médio funcionam à noite e em prédios da prefeitura. Mas o problema é a política de sustentação disso. Há um grande déficit de professores que foi mantido nesses quatro anos de governo. Hoje há um déficit de cerca de 18 mil professores criticou Maria Beatriz.
Apesar de a Secretaria Estadual de Educação afirmar que realizou concurso público, contratando 30 mil novos professores, a coordenadora do Sepe disse que a medida tornouse inócua por causa dos baixos salários:
- Não adianta chamar concursados se não houver aumento de salários. Um piso de R$ 700 para uma pessoa com nível superior é muito pouco. O professor entra e sai logo em busca de um emprego melhor. Então, não adianta fazer este tipo de proposta sem discutir aumento de salários. Construir escolas é o tipo de medida que aparece, pois há festa de inauguração. Mas que, sozinha, não funciona.
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação informou que já foram investidos R$ 500 milhões na reforma de 270 escolas. O folheto de campanha diz que Cabral reformou 909 colégios, e que a maior parte ganhou aparelhos de ar-condicionado.
Atualmente, existem 75 mil professores na rede estadual em 1.487 unidades, de acordo com o governo”.

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